CARTILHA SERVIÇO SOCIAL NO CONTEXTO SÓCIO HISTÓRICO
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CARTILHA SERVIÇO SOCIAL NO CONTEXTO SÓCIO HISTÓRICO


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AT 1
O SERVIÇO SOCIAL 
NO CONTEXTO 
SÓCIO-JURÍDICO
2 32
S
U
M
Á
R
IO
3 UNIDADE 1 - Introdução
5 UNIDADE 2 - A performance do assistente social no âmbito sócio-jurídico
11 UNIDADE 3 - A atuação nas varas de família, infância e juventude 
11 3.1 A atuação do Assistente Social nos casos de adoção
13 3.2 A atuação no caso de Minas Gerais
15 UNIDADE 4 - Estudo, perícia social e afins
15 4.1 Conceitos básicos para o entendimento da atuação do Assistente Social no contexto sócio-jurídico
21 4.2 A utilização do estudo/perícia social 
26 UNIDADE 5 - Atuação junto ao idoso
33 5.1 A Política Nacional do Idoso
36 UNIDADE 6 - O contexto prisional
37 6.1 O Assistente Social e a Lei de Execuções Penais
44 REFERÊNCIAS 
2 33
UNIDADE 1 - Introdução
O caráter instrumental do Serviço Social 
vai além de utilizar técnicas e instrumen-
tos para seu fazer profissional, significa a 
razão de ser dessa categoria. Ele possibili-
ta, como diz Brandão (2006), a passagem 
das teorias às práticas de maneira reflexi-
va e crítica, principalmente sobre as ques-
tões que envolvem concepções e valores, 
uma vez que estes elementos constroem, 
delimitam e dão concretude à ação profis-
sional.
A intenção nesta apostila é justamente 
contribuir com reflexões sobre a dimen-
são técnico-operativa do Serviço social 
que passa pela ação interventiva, prin-
cipalmente no contexto sócio-jurídico. 
Antes de usar os instrumentos e técni-
cas disponibilizados para que efetive sua 
prática, ele deve refletir sobre os aportes 
teóricos que, diga-se de passagem, são 
muitos.
O assistente social é o trabalhador que 
vende sua força de trabalho. Ou seja, ele 
não detém os meios de produção de seu 
trabalho. Os objetivos, as diretrizes e 
princípios da instituição, os recursos ma-
teriais e humanos que lá existem são de 
propriedade de seu empregador. Por isso, 
é de fundamental importância que o as-
sistente social saiba reconhecer quais são 
os meios que possibilitam o seu trabalho 
e, principalmente, quais são as demandas 
apresentadas para o serviço social pelo 
seu empregador.
Ao Serviço Social, concretamente, vem 
sendo delegado o papel de realizar os es-
tudos sociais, que são reconhecidos como 
material que vai subsidiar as decisões dos 
juízes acerca da matéria de cada processo. 
Verifica-se que a inserção do assistente 
social no Poder Judiciário é datada da dé-
cada de 1940, prioritariamente nos Juiza-
dos da Infância e Juventude.
Segundo estudos de Barrison (2008), 
que foca o trabalho do Assistente So-
cial no Poder Judiciário, observa-se que o 
modo como o assistente social vem ocu-
pando este espaço sócio-ocupacional tem 
se alterado no decorrer da história: mu-
danças estas que acompanham a própria 
dinâmica da instituição e ainda a própria 
dinâmica da profissão.
E como bem diz Pontes (1997, p. 155):
O Serviço Social constitui-se numa 
profissão de natureza interventiva, 
cuja ação se coloca em face das de-
mandas sociais que substanciam a 
sua intervenção sócio-histórica na 
sociedade. [...] O Assistente Social 
realiza sua prática através da rede 
de mediações, que ontologicamente 
estrutura o tecido social.
Logo, o Assistente Social é um agente 
mediador, entre burguesia e proletariado, 
que intervém numa rede de relações so-
ciais, e esta ação é fruto de uma demanda, 
que procede da sociedade. Essa demanda 
é fruto do desenvolvimento histórico e 
social desta mesma sociedade: as neces-
sidades de hoje provém das necessidades 
surgidas e supridas (ou não) ontem (BAR-
RISON, 2008).
Deste modo, a prática do Assistente 
Social é um conjunto de ações, os serviços 
sociais visam sanar essa demanda social 
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através de políticas que atendam o âmbito 
social. Essas políticas vão variar de acordo 
com o campo de trabalho do funcionário.
A prática profissional do Assistente So-
cial é entendida como conjunto de ações 
e práticas desenvolvido pelo Assistente 
Social, na administração e prestação de 
serviços sociais priorizados nas diretrizes 
das políticas sociais e assistenciais imple-
mentadas pela instituição da qual é fun-
cionário (GUEIROS, 1991, p. 15).
Neste momento do curso, nosso foco 
passa pela performance do Assistente 
Social no âmbito sócio-jurídico; falaremos 
do estudo e da perícia social; a dinâmica 
dos relatórios, laudos e pareceres; o aten-
dimento a famílias, infância e adolescên-
cia, bem como ao idoso e no contexto pri-
sional. 
Esperamos que apreciem o material e 
busquem nas referências anotadas ao fi-
nal da apostila subsídios para sanar pos-
síveis lacunas que venha surgir ao longo 
dos estudos.
Ressaltamos que embora a escrita aca-
dêmica tenha como premissa ser científi-
ca, baseada em normas e padrões da aca-
demia, fugiremos um pouco às regras para 
nos aproximarmos de vocês e para que os 
temas abordados cheguem de maneira 
clara e objetiva, mas não menos científi-
cos. Em segundo lugar, deixamos claro que 
este módulo é uma compilação das ideias 
de vários autores, incluindo aqueles que 
consideramos clássicos, não se tratando, 
portanto, de uma redação original. 
4 55
UNIDADE 2 - A performance do assistente 
social no âmbito sócio-jurídico
Estudos de Santos (2008) mostram 
que na área sócio-jurídica, o Assistente 
Social exerce um importante trabalho na 
intermediação entre o sistema judiciário e 
seus respectivos usuários. E como forma 
de trabalho, o profissional precisa lançar 
mão de diversos instrumentos, baseando-
-se, para isso, numa teoria profissional e 
de vida, que lhe dá o norte para direcionar 
suas decisões e ações. Esta teoria é que 
embasará sua prática profissional, assim 
como sua própria concepção de mundo. 
Contudo, nossas observações recaem so-
bre as condições teórico-metodológicas 
adotadas em consonância com o projeto 
ético-político-profissional e com o Código 
de Ética do Assistente Social (1993).
De acordo com Zanetti (2003), a magis-
tratura é um dos pontos mais sensíveis da 
instituição, pois detém o poder de decidir 
sobre o destino das pessoas, sendo que 
em torno desta categoria o Poder Judiciá-
rio se estrutura.
A instituição, de modo geral, tende a 
creditar numa efetiva resolução dos con-
flitos. Estes, porém, não são resolvidos 
na sua totalidade, normalmente, o que 
ocorre é apenas uma decisão sobre o lití-
gio. Nesse contexto, a forma como o pro-
fissional do Serviço Social se insere faz a 
diferença: pode ser considerado um tra-
balhador social, um assessor ou um perito 
social.
É certo afirmar que as atribuições do 
Assistente Social Judiciário são relativa-
mente atualizadas para um poder ainda 
distante da modernidade e das reais ne-
cessidades dos sujeitos envolvidos. Esta 
afirmação está embasada no princípio de 
que o litígio, propriamente dito, não é a 
problemática de que o sujeito atendido no 
Serviço Social necessita de auxílio imedia-
to; comumente sua questão emergencial 
é referente a alguma das necessidades 
básicas, as quais são indispensáveis à ma-
nutenção de vida digna.
Uma especialização é muito bem vinda 
para que se forme um corpo técnico que 
desenvolva habilidades e competências 
específicas para desenvolver a profissão 
no Poder Judiciário, muito embora a pro-
dução acadêmica de conhecimentos nes-
sa área não seja muito extensa. De todo 
modo, espera-se que o Assistente Social 
tenha claro em sua mente a importância 
dos elementos técnicos operativos que 
compõem sua intervenção.
Nesse sentido, elaborar relatórios, pa-
receres, realizar entrevistas, visitas do-
miciliares, investigação, planejamento 
com grupo e comunidades são elementos 
constitutivos do processo de trabalho. É 
preciso qualificar esse processo, dando 
consistência a esses instrumentos (ZA-
NETTI, 1992, s/p apud SANTOS, 2008, p. 
5).
O Código de Ética deve