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Preparação Física Geral

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que a atividade física provoca:
• O cansaço pode ser entendido como uma sensação sub-
jetiva de desgaste provocada pelo exercício ou somati-
zação (estar em um estado psicológico de dor e sinto-
mas físicos estressantes).
• A fadiga é descrita como um estado de depleção das re-
servas energéticas onde se associa um acúmulo de cata-
bólitos no organismo que dificultará a continuidade da 
atividade física ou do exercício, podendo inclusive haver 
uma incapacitação temporária de realiza-lo.
• No sobretreinamento observa-se que há uma recu-
peração incompleta antes que possa se aplicar novos 
estímulos de carga no processo de treinamento, pro-
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vocando exaustão e consequentemente diminuindo a 
capacidade de trabalho.
• Na exaustão, caracteriza um estado onde o organismo 
é submetido a uma carga de trabalho muito forte, e não 
se recupera de forma conveniente, podendo ser origi-
nária de insuficiência de repouso ou inadequada ali-
mentação com caráter progressivo.
Alguns agentes estressantes, segundo Tubino (2003) po-
dem levar os atletas a um estado de strain.
a) Esforço Físico acima das capacidades individuais.
b) Alimentação inadequada
c) Falta de aclimatização
d) Presença de condições patológicas
e) Estado Psicológico anormal
f) Ausência de Repouso e revigoramento.
g) Mudanças bruscas das rotinas diárias (provoca alterações nos 
ritmos circadianos) (TuBINO, 2003, p. 102).
Em linhas gerais, o strain pode ser gerado por aplicação 
de cargas excessivas dentro de um processo de sobretreina-
mento, no alto nível o sobretrinamento assume um a impor-
tância primordial na preparação dos atletas, pois há utilização 
para aumento da performance de cargas de treinamento fortes 
sempre tangenciando muito fortes, assim o atleta no alto nível 
está sempre em seu treinamento em seu limite de adaptação 
e consequentemente próximo da exaustão. Assim sendo, deve 
se identificar de maneira precoce a exaustão, possibilitando a 
continuação do treinamento mesmo com redução das cargas de 
trabalho, mesmo que esta estratégia fatalmente gere consequ-
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ências fatais para performance, é a escola mais sensata e preferí-
vel a estagnação e parada total do treinamento (DANTAS, 2003).
Para Tubino (2003, p. 102-103) "existe uma série de evi-
dências contestáveis, muitas vezes até visualmente para diag-
nosticar atletas que estejam em “strain”:
a) falta de apetite:
b) perda de peso; 
e) diminuição do bem-estar geral;
d) dores articulares e musculares;
e) aumento da freqüência cardíaca basal e de repouso;
f) excitabilidade;
g) problemas digestivos; 
h) irritabilidade;
i) diminuição da capacidade de concentração; 
j) aumento da tensão arterial; 
l) angústia;
m) hipóxia; 
n) transtornos no metabolismo;
o) tensão muscular geral aumentada;
p) diminuição da coordenação motora.
Diversos autores entre eles nossos referenciais de estudo, 
Tubino (2003) e Dantas (2003) concordam sobre a importância 
de se verificar e considerar o princípio da adaptação, onde qual-
quer descuido na aplicação das cargas de treinamento (agentes 
estressantes), poderá levar os atletas ao strain, portanto, a res-
ponsabilidade de prevenção deste estado é do educador físico 
(treinador), pois o bom profissional não se limitará somente em 
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elaborar e acompanhar o treinamento, mas em conhecer seu 
aluno/atleta, e somente assim o profissional de educação físi-
ca terá condições de detectar alterações assintomáticas em seu 
aluno/atleta indicando nele um processo de sobretreinamento. 
Dantas (2003, p. 51) destaca ainda o dilema de que se o 
treinador não estipular volumes e intensidade de trabalho maio-
res possíveis para fase de treinamento, estará prejudicando a 
performance de seu aluno/atleta para as competições, desta for-
ma o educador físico tem que trabalhar com uma margem de 
ação muito restrita e, muitas vezes inexistente, dedicando "de 
corpo e alma ao conhecimento de seus atletas".
O bom treinamento é aquele que é o suficiente para oca-
sionar ajustes e adaptações sem causar danos ao organismo, 
sendo capaz de gerar benefícios com consequente aumento da 
performance.
Princípio de Sobrecarga
"Imediatamente após a aplicação de uma carga de traba-
lho, há uma recuperação do organismo, visando restabelecer a 
homeostase" (DANTAS, 2003, p. 51).
Justamente o momento exato em que se produz a adap-
tação após a aplicação de uma carga de trabalho que é o ponto 
de grande discussão quando estudamos a preparação física ou o 
treinamento, assim, o qual seria o período de melhores adapta-
ções após os agentes estressantes (estímulos) serem aplicados? 
Alguns estudos assinalarão que o estabelecimento da 
adaptação se dará durante os intervalos intermediários dos trei-
nos, já outros apontarão que a adaptação será estabelecida após 
o último intervalo da sessão de treino. Portanto, nos dois casos 
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(em ambas as situações), as adaptações ocorrerão, o que será 
preponderante será para que isto aconteça será o adequado 
tempo de repouso (TuBINO, 2003).
Dantas (2003, p. 51) traz a explicação de que "o tempo 
necessário para recuperação é proporcional à intensidade do 
trabalho realizado", assim, com a aplicação de uma carga muito 
forte, o organismo será capaz de se reestabelecer e compensá-
-la, quase que em sua totalidade com quatro horas de repouso, 
preparando-se para sofrer um novo desgaste, mais forte que o 
anterior. 
Hegedus (apud Tubino, 2003) descreve dois fenômenos, 
um fenômeno chamado "assimilação compensatória" que seria 
composta de uma fase de recuperação, onde as reservas orgâni-
cas seriam reestabelecidas, e um outo chamado "período de res-
tauração ampliada" no qual seria assimilada uma maior reserva 
energética para aplicação de novos estímulos.
Segundo Hegedus (1969), os diferentes estímulos produzem di-
versos desgastes, que são repostos após o término do trabalho, 
e nisso podemos reconhecer a primeira reação de adaptação, 
pois o organismo é capaz de restituir sozinho as energias per-
didas pelos diversos desgastes, e ainda preparar-se para uma 
carga de trabalho mais forte. Chama-se este fenômeno de assi-
milação compensatória. Assim, sabe-se que não só são repostas 
as energias perdidas, como também são criadas maiores reser-
vas de energia de trabalho. A primeira fase, isto é, a que recom-
põe as energias perdidas, chama-se período de restauração, 
o qual permite a chegada a um mesmo nível de energia que 
existia anteriormente ao estímulo. A segunda fase é chamada 
de período de restauração ampliada, após o qual o organismo 
dispõe de uma maior energia para novos estímulos (TuBINO, 
2003, p. 103).
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Desta forma, podemos entender simplificadamente a 
assimilação compensatória:
ASSIMILAÇãO COMPENSATÓRIA
Período de restauração + Período de restauração ampliada
Dantas (2003) também apresenta uma representação es-
quemática que demonstra que uma carga muito forte (passando 
da linha C-D) poderão gerar exaustão (3ª fase da Síndrome de 
Adaptação Geral – SGA), fazendo com que não ocorra compensa-
ção compensatória, nem mesmo a recuperação metabólica em 
um espaço de tempo considerado normal, fazendo assim com 
que em decorrência deste fato, a próxima carga deverá ser me-
nor que a inicial.
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Fonte: adaptado de Dantas (2003, p. 50).
Figura 5 Representação esquemática. 
Assim, também caso não sejam aplicadas

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