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somente a partir de 2500 a.C (SPOSITO, 1988, p. 19).
No final da Idade Média, o desenvolvimento de muitas cidades foi devido à expansão do comércio e da burguesia. A Europa passou por significativas mudanças e teve o primeiro país do mundo a se urbanizar, a Inglaterra, que em 1850, já possuía mais de 50% da população urbana (TORALES, 2012).
No continente americano, as primeiras cidades surgiram por volta de 500 a.C e se expandiram no primeiro milênio d.C. Foram grandes exemplos do processo de divisão do trabalho, destacando os maias e astecas que tiveram grandes comunidades urbanas, como Tical e Dzibulchaltun, ambas as cidades maias na Guatemala e em Lucatão, respectivamente (SPOSITO, 1988). 
	As cidades cresceram gradativamente em todas as partes do mundo, mesmo assim, por volta de 1800, apenas 3% da população mundial encontrava-se na área urbana. Mas a partir da Primeira Revolução Industrial o deslocamento da população do tipo campo-cidade aumentou significativamente devido a busca por emprego, condicionado pelos fatores de repulsão da área rural, como baixos salários agrícolas, concentração fundiária e mecanização do campo (GOBBI, 2007).	Assim, durante a Segunda Revolução Industrial, em meados do século XIX, cerca de 15% da população mundial já se encontrava vivendo nas cidades. Os fatores de atração nos centros urbanos, não se resumiam somente ao processo de industrialização, mas também a expansão do setor de serviços (GOBBI, 2007).
	Segundo Almeida (2015), o desenho atual de urbanização se apresenta, com Europa Ocidental, América do Norte, América Latina e Oceania, contendo uma taxa de urbanização entre 70 e 100%. E com grande parte dos países da África e Ásia com baixos índices de crescimento urbano.
	1.1. Crescimento urbano em países subdesenvolvidos
O crescimento urbano em países subdesenvolvidos teve início somente depois da Segunda Guerra Mundial, no século XX. Uma urbanização tardia, que seguiu o mesmo ritmo da industrialização, mas que ocorreu de forma intensa e acelerada (PENA, 2014).
 Esse fenômeno, observado nesses países, acarretou diversas consequências indesejáveis para os mesmos, a maioria ligada aos problemas de infra-estrutura, pois as cidades dos países menos desenvolvidos apresentam um crescimento de forma rápida e com ausência de planejamento. 
O processo de urbanização dos países mais pobres é devido principalmente ao êxodo rural. Os pequenos agricultores que sobrevivem basicamente da agricultura de subsistência, são levados a falência devido à mecanização do campo, sendo então, obrigados a deixarem suas terras e migrarem para os centros urbanos, em busca de novas oportunidades. 
Para Ferreira (2000, s.p), “o crescimento das cidades, desencadeado na maioria dos países subdesenvolvidos é resultado da matriz de industrialização tardia da periferia”. 
A partir da década de 60, houve uma explosão de grandes centros urbanos no Terceiro Mundo, devido à atração exercida pelos polos industriais sobre a mão-de-obra expulsa do campo. Porém esses grandes centros não possuíam provisão de habitações, infraestrutura e equipamentos urbanos que garantisse qualidade de vida a essa população que saiu do campo em busca de melhores condições para viver (FERREIRA, 2000).
	 Os fatores repulsivos da área rural e os atrativos das zonas urbanas desencadearam uma ocupação das cidades, de forma rápida e não planejada, tendo como resultado o aumento dos problemas socioambientais como, favorecimento da expansão de favelas, aumento da violência, falta de empregos, dentre muitos outros. 
Em uma urbanização descomprometida com os condicionantes físico-ambientais, a degradação do ambiente por ser constatado por meio de erosão, deslizamento de encostas, comprometimento da qualidade da água, alteração do curso e assoreamento dos corpos hídricos, enchentes, com consequentes prejuízos materiais e sociais (MOLFI, 2009). 
Os problemas ambientais, nas cidades dos países subdesenvolvidos, são muito maiores que nos grandes centros de países desenvolvidos, pois vão além do que questões relacionadas com a poluição do ar, da água e do solo, ocasionadas pelos automóveis e pelas indústrias. Nestes países existe a preocupação de problemas relacionados com a miséria da população pobre que corre riscos de toda natureza, vivendo em péssimas condições sanitárias, habitando em margens de rio, em grandes adensamentos demográficos nos morros, manques, entre outros (ROSS, 2008, p.275 apud CUNHA 2010, p.02). 
Todos esses problemas são em decorrência do crescimento rápido das cidades, que não consegue ser acompanhado no mesmo ritmo pelo atendimento de infraestrutura, o que resultaria numa melhor qualidade de vida para a população das mesmas. Assim, a deficiência de redes de água tratada, de coleta e tratamento de esgoto, de pavimentação de ruas, de galerias de águas pluviais, de áreas de lazer, de áreas verdes, de núcleos de formação educacional e profissional, de núcleos de atendimento médico-sanitário é comum nessas cidades (ROSS, 2008, p.275 apud CUNHA 2010, p.02). 
1.2. Desastres naturais associados a áreas urbanas 
As intervenções do homem no meio natural podem ser observadas principalmente nas áreas urbanizadas. As atividades realizadas nas cidades, como a construção de novas edificações, o desmatamento, as canalizações dos cursos d’água, poluição do ar, da água, produção de calor e outras, causam diversas alterações no meio ambiente, e são sentidas pela população, como o aumento da temperatura nos centros urbanos, o aumento das chuvas e enchente (POLI, 2013). 
A enchente ocorre quando o rio recebe um grande volume d'água, ocasionado pelas chuvas que vai sendo acumulada. O rio enche até transbordar, mas apenas até determinado ponto, sendo por isso chamado de enchente. É um fenômeno natural. Por causa desse fenômeno, o rio necessita de uma grande área de terra lateral para poder absorver esse volume de água. Há um equilíbrio, pois a enchente ocorre, mas não chega a transbordar (CASSOL, 2012, p.649).
Muitas mudanças no clima são ocasionadas pelo processo de urbanização. Os municípios se tornam uma grande fonte de calor, devido ao desmatamento, a impermeabilização do solo, além do consumo de combustíveis fósseis por indústrias e automóveis, favorecendo assim, devido ao aumento de temperatura, também um aumento da evaporação, que resulta numa quantidade de chuvas maior, que pode levar as ocorrências de inundações (Voigt, 2012).
	No entanto, segundo Poli (2013), as enchentes não são consequências somente do aumento das chuvas, mas principalmente, do aumento da velocidade das águas de escoamento superficial, causado pela impermeabilização do solo. Sendo que, também, a quantidade de água no leito dos rios, é aumentada, por uma carga de águas servidas, esgoto, depositadas todos os dias.
	Outro fenômeno observado é a inundação, que embora se correlaciona com a enchente, é um processo distinto. 
A inundação ocorre quando as águas dos rios, riachos, galerias, galerias pluviais saem do leito de escoamento devido à falta de capacidade de transporte de um destes sistemas e ocupa áreas onde a população utiliza para moradia, transporte, recreação, comércio, industrias, entre outros (TUCCI, 2003, p.45). 
Devido ao fato do crescimento urbano, a infiltração da água no solo é dificultada pelas construções, pelas ruas pavimentadas, pelos pátios, assim conseguintemente ocorre o aumento do escoamento superficial, que é a gênese das inundações, fenômeno este, que exige uma eficiente rede de drenagem (LOPES, 2012).
Com a urbanização, o risco de inundação rápida no interior das cidades, é uma das grandes preocupações do planejamento urbano. Assim, a análise de risco deve ser elaborada, considerando principalmente as características da ocupação humana.
As políticas públicas, por falta de investimentos ou mesmo por negligência, não conseguem abranger a dimensão dos problemas e das consequências das inundações urbanas, que vêm acarretando grandes perdas ambientais, sociais e