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2) e zonas de maiores amplitudes topográficas e vertentes de elevada declividade (Unidade 3), fato que confirma o crescimento desordenado e dissociado das diretrizes do município.
Adaptando o mapa de unidades de relevo de Ferraz et al. (2016), no qual sobrepôs-se a mancha urbana atual da cidade de Teófilo Otoni (Figura 5), constata-se que grande parte do território ocupado pela malha urbana encontra-se na área de morfologias moderadamente planas e alongadas, correspondentes às áreas de menor altitude (Unidade 1).
Figura 5: Município de Teófilo Otoni no mapa de unidades de relevo da área investigada.
Fonte: Adaptado de Ferraz et al. (2016).
De acordo com Ferraz et al. (2016), o tecido urbano de Teófilo Otoni apresenta, do ponto de vista fisiográfico, características que, embora não únicas, são extremamente peculiares, especialmente no que diz respeito à morfologia e clima, respectivamente: planaltos de profunda dissecação fluvial estruturalmente direcionada e pluviosidade concentrada em uma curta estação chuvosa. O quadro estrutural condiciona a drenagem que disseca o relevo, sendo comuns longos trechos retilíneos dos cursos d’água, bem como cotovelos e anomalias de drenagem que se alinham nesta direção.
A partir da análise da Figura 5, verifica-se que as restrições geomorfológicas citadas por Ferraz et al. (2016), as quais foram impostas naturalmente, não impediram a expansão territorial do município, sendo inicialmente ocupadas áreas mais simples geomoforlogicamente, entre os anos de 1986 e 1996 e posteriormente, ao esgotar os terrenos de planícies, observa-se a expansão para áreas com obstáculos naturais à ocupação, que não obstante as condições geomorfológicas, se apresentaram como potenciais para expansão urbana.
É possível ainda observar através deste mapa as transformações ocorridas na mancha urbana ao longo dos 30 anos estudados, verificando que as habitações ocorreram para áreas marginais, tradicionalmente ocupadas por vegetação nativa ou pastagem. 
Considerações Finais 
Após análise e interpretação dos dados, principalmente nas informações obtidas no mapa produzido, percebe-se que o crescimento da população após o ano de 1996, foi direcionado justamente para locais mais suscetíveis a risco, especialmente para zonas de elevada declividade, confirmando uma falta de planejamento prévio para ocupação urbana que pode alcançar catástrofes incalculáveis. 
	Resultando também da urbanização desordenada são os problemas ambientais como poluição de recursos hídricos, presente no munícipio que registra grandes enchentes no período chuvoso, causadas pelo excesso de lixo nos cursos dos córregos e ribeirões da cidade. 
	O mapeamento e identificação das regiões de risco possibilitam a minimização da vulnerabilidade da população, determinando as condições e magnitudes de deslizamentos e enchentes nesses locais. 
	 É necessário que a segurança da população presente em áreas ocupadas irregularmente seja definida como prioridade, e que medidas mitigadoras para que se tenha um planejamento público sejam elaboradas e executadas. 
	Outra medida importante destacada por Barbosa et al (2011), que reduziria estes problemas seria a não urbanização de áreas que não dispõem de sistema sanitário, de drenagem, de contenção de encostas, como é o caso das favelas. Uma vez que, um projeto urbanístico deve incluir a análise das áreas de risco e retirada dos ocupantes de áreas críticas. Deve haver também uma regularidade de análises para manter atualizados os projetos e obras nessas regiões, além de uma política de ininterrupção entre os líderes políticos. 
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