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DIREITO CIVIL IV - BEDONE

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servidão)
01/03/13
A-) QUALIFICAÇÃO DA POSSE:
	- Posse justa e injusta, consoante o art. 1.200: caracteres objetivos denotados pelos aspectos da violência, clandestinidade e precariedade
	Violenta: é a posse tomada à força, assim entendida a força empregada injustificadamente, pois o CC admite que o possuidor turbado ou esbulhado defenda sua posse sem se socorre do PJ
	Um dos poucos casos nos quais o titular pode exercer a autotutela de seus direitos (1.210, § 1º, hipótese de legítima defesa aplicada ao campo possessório, a qual constitui excludente de responsabilidade civil, nos termos do art. 188, I, 1ª parte)
Outro caso de autotutela é o da nunciação de obra nova, na qual o vizinho pode promover o embargo extrajudicial de obra para ratificá-lo posteriormente em juízo (CPC, arts. 934, I, e 935)
	Requisito da autotutela possessória: desde que o possuidor o faça logo, assim entendido antes da consolidação da situação fática
	Clandestina: é a posse tomadas às escondidas, no sentido de sê-lo em relação ao proprietário ou antigo possuidor; ou seja, para os vizinhos o apossamento pode ser público e notório, mas para o proprietário ou antigo possuidor será clandestino; é a inteligência do art. 1.224
	Precária: é a posse não restituída a seu tempo injustificadamente; exs.: término de locação, de comodato, de contrato de trabalho de caseiro
	Ou seja, implica na quebra de confiança e do princípio da boa-fé dos contratos
	A posse, no entanto, pode deixar de ser restituída justificadamente, o que se dá quando do exercício do direito de retenção (1.219)
	- Convalescimento da posse: circunstância pela qual a posse deixa de conter os vícios que a maculavam; quer dizer, de injusta passa a ser justa, independentemente de ser de boa-fé ou de má-fé (art. 1.208)
	Portanto, ainda que a posse seja originariamente violenta ou clandestina (injusta), ela deixa de sê-lo se cessarem a violência ou a clandestinidade (passa a ser justa)
	Quando cessam a violência ou a clandestinidade? Depois de ano e dia, vale dizer, no momento em que a posse deixa de ser nova e passa a ser velha (art. 924, CPC)
	Resumidamente, pode-se dizer que a posse velha convalida a posse injusta, tornando-a justa, se se tratar de posse originariamente violenta ou clandestina
	No entanto, o art. 1.208 não faz alusão à posse precária para fins de convalescimento, mas não se cuida de omissão que sugira a aplicação de interpretação extensiva
	É que a posse precária nunca se convalida em virtude da quebra de confiança acima aludida; desse modo, não cabe proteção possessória à posse precária, de modo que a única maneira de consertar a situação é tentar-se lançar mão de alguma forma de usucapião que não dependa de justo título e boa-fé (verificar nas aulas seguintes)
	- Posse de má-fé e de boa-fé: conforme se tenha ou não ciência de que é justa ou injusta (art. 1.201)
	Nesse ponto, o justo título faz presumir que o possuidor está de boa-fé (arts. 1.201 e 1.202); presunção relativa
	Justo título: é o título hábil para se conferir ou transmitir o direito à posse; ex.: outorga de escritura pelo aparente proprietário, locação firmada por possuidor em relação a terceiro
	Importância da distinção: justo título e boa-fé encurtam prazos de usucapião e efeitos possessórios relativos a frutos, benfeitorias, perda e deterioração da coisa (verificar depois)
B-) AQUISIÇÃO DA POSSE:
	- Consoante a regra do art. 1.204, adquire-se a posse desde que se viabilize algum dos poderes inerentes ao domínio, o que endossa o disposto no art. 1.196, já que possuidor é aquele que detém, de fato, algum desses poderes
	- Formas de aquisição: apreensão da coisa, exercício do direito, tradição, ex vi legis, constituto possessório e tradição de longa mão
	Apreensão da coisa: ato de assenhoreamento praticado unilateralmente pelo possuidor, o que se dá em relação a coisas abandonadas (res derelicta), coisas de ninguém (res nullius) e posse injusta (vis, clam et precario)
Exercício do direito: apreensão decorrente de negócio jurídico anterior que garanta o exercício possessório; exs.: locação, servidão de passagem
Tradição: apreensão decorrente do ato de transferência da coisa, passando de uma pessoa para outra, podendo ser real ou simbólica (efetiva ou simbolizada pela entrega das chaves de um carro, por exemplo)
Ex vi legis: por força de lei, o que se dá com a herança (art. 1.784)
Constituto possessório: dá-se quando o proprietário da coisa nela permanece, porém a outro título; ex.: proprietário de casa que a vende e lá continua morando agora como locatário
Tradição de longa mão: o inverso do constituto possessório, ou seja, quando o possuidor direto se torna proprietário da coisa
- Aquisição originária e derivada: posse adquirida sem a participação volitiva de outro possuidor antecedente (ato unilateral); posse transmitida de um possuidor a outro (ato bilateral)
Aplicando-se aos modos de aquisição acima vistos, tem-se que a apreensão da coisa é originária e os demais modos são derivados
Efeitos: na aquisição originária, se a posse anterior contiver vícios, tal não é considerado em relação ao novo possuidor, com a nota, entretanto, de que se a posse for tomada injusta e unilateralmente, ela nasce com esse vício
Já na derivada os caracteres da posse são sempre transmitidos de um possuidor a outro (arts. 1.203 e 1.206)
A diferenciação é importante para fins de determinação de espécies e qualificação da posse
- Aquisição a título universal e singular: deve-se entender como a aquisição de todos os bens ou de algum bem em particular; deve-se também pressupor sempre uma aquisição a título derivado
Nesse sentido, a sucessão universal sempre se dá mortis causa (herdeiro legítimo ou testamentário), ao passo que a singular se dá inter vivos ou mortis causa (adquirente ou legatário)
Sucessor universal: a posse é considerada ininterrupta antes e depois da morte do de cujus
Sucessor singular: duas posses são consideradas, uma antes e outra depois da sucessão
Eis a razão de ser do art. 1.207, que afeta os prazos para proteção possessória (ações possessórias e a de usucapião, principalmente)
- Posse por extensão: a do imóvel inclui a dos móveis naquele contidos; é a presunção relativa do art. 1.209
- Quem pode adquirir a posse: o próprio possuidor ou seu representante legal ou convencional (1.205, I); mediante gestão de negócios, desde que haja confirmação por parte do dono do negócio (1.205, II)
C-) PERDA DA POSSE:
	- Essa parte do CC (arts. 1.223 e 1.224) constitui claramente reminiscência da doutrina de Savigny, pois para Ihering se é possuidor até que outro o seja, haja vista que a posse é condição de visibilidade do domínio
	De qualquer forma, essa é mesmo a idéia básica contida no art. 1.223, ao condicionar a perda da posse à ausência de poder sobre a coisa
	- Modos de perda da posse:
abandono (contrário da apreensão)
tradição (já que também é modo de aquisição para a outra parte do NJ)
perda e destruição da coisa (perecimento total ou parcial do objeto, que deixa de existir)
- Perda da posse de direitos: assunto decorrente da teoria subjetivista evoluída, a qual estendeu a posse a coisas incorpóreas (ou direitos pessoais)
Cuida-se da impossibilidade do exercício ou do não uso
Impossibilidade do exercício: pode ser física ou jurídica
A física é natural ou provocada, como o que ocorre com um aqueduto soterrado ou tapado por outrem; a jurídica decorre de circunstância formal que implica em solução de continuidade do exercício do direito; ex.: desapropriação de ações de determinada sociedade
Não uso: ato análogo ao do abandono de coisas corpóreas, como o que acontece, por exemplo, com a falta de exercício do direito a uma servidão predial por determinado período, que o extingue (1.389, III)
- Caso do art. 1.224: perda da posse para quem não está presente à mesma, a qual se configura com a negligência

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