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DIREITO CIVIL IV - BEDONE

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do possuidor esbulhado (que se abstém de retomar a coisa depois de cientificado do fato) ou quando o mesmo é repelido por conta da tentativa de retomar a posse
08/03/13
A-) EFEITOS DA POSSE:
	- São as conseqüências de cunho jurídico advindas da posse, mas o assunto não se esgota com a matéria assim titulada no CC (1.210 a 1.222), pois há outros efeitos espalhados pela legislação
	Eis os efeitos da posse: autotutela da posse, interditos possessórios, servidões, frutos, responsabilidade civil, benfeitorias, outras ações de caráter possessório, usucapião e outros efeitos
B-) AUTOTUTELA DA POSSE:
	- Possibilidade de o possuidor defender, por seus próprios meios, a posse turbada ou esbulhada (1.210, § 1º)
	Trata-se de um aplicativo do conceito de legítima defesa aplicado ao campo da posse (art. 188, I, 1ª parte), posto se tratar de excludente de responsabilidade civil, salvo a regra do art. 930
	Requisitos da autodefesa: imediatidade e proporcionalidade
Imediatidade: da reação do possuidor turbado ou esbulhado (é o “contanto que faça logo” da lei)
Proporcionalidade: dos meios empregados na autodefesa, sob pena de se responder pelo excesso doloso ou culposo (é o “não podem ir além do indispensável” do CC)
C-) INTERDITOS POSSESSÓRIOS:
	- São as ações possessórias no sentido mais tradicional, sendo todas são de rito especial de jurisdição contenciosa
Tratam-se:
da ação de manutenção de posse (para o caso de turbação);
da ação de reintegração de posse (para a hipótese de esbulho); e
do interdito proibitório (para a ameaça de turbação ou de esbulho)
- Características gerais das três ações:
Discussão posse x domínio: saber-se se em uma ação possessória pode-se ou não discutir a quem pertence o domínio da coisa
A idéia básica apontaria para a resposta negativa, já que a posse é exteriorização do domínio, sua condição de visibilidade, correspondendo ao exercício, de fato, de algum dos poderes inerentes àquele
Assim, em ações possessórias só haveria se discutir quem deve ou não permanecer na posse da coisa (art. 1.210, caput)
Cumpre, porém, atentar para o disposto no art. 1.210, § 2º, e na Súmula nº 487, do STF: é a chamada exceção de domínio, ou seja, argüição baseada na alegação de domínio sobre a coisa
O que acaba ocorrendo na prática é que na geralmente na fase inicial das ações possessórias discute-se apenas a posse para fins de preservação da paz social (até porque as mesmas contêm a possibilidade de concessão de liminar), enquanto que quando da prolação da sentença usualmente se leva em consideração a alegação de domínio
Ano e dia: discussão sobre o fato de a posse ser de mais ou menos de ano e dia (posse velha ou nova), havendo dois efeitos, quais sejam, um de direito material e outro de direito processual
Efeito material: convalescimento da posse (art. 1.208), examinado na aula passada
Efeito processual: rito especial para posse nova e rito ordinário para posse velha (art. 924, CPC), mas hoje o problema resta mitigado em função da antecipação de tutela (art. 273, CPC)
Pedido: regra geral, o pedido é certo e determinado, interpretando-se-o estritamente (arts. 286 e 293, CPC), mas nas ações possessórias isso não tem pertinência, já que a situação fática pode mudar de uma hora para outra, de sorte que tanto faz pedir-se manutenção, reintegração ou interdito proibitório (art. 920)
Cumulatividade com outras pretensões, sem que se tenha de abrir mão do rito especial (art. 292 x art. 921, CPC)
Caráter dúplice: se o réu tiver alguma pendência possessória em relação ao autor, não precisa de reconvenção, de ação autônoma ou de pedido contraposto; diferentemente, aduz suas pretensões na própria contestação (art. 922, CPC), o mesmo se dando na ação de desapropriação
Liminar: concessão nos termos do art. 928, do CPC, ou seja, sem justificação prévia (inaudita altera pars) ou com justificação prévia (mediante designação de audiência)
	
	- Características específicas das três ações:
	Manutenção de posse: possuidor conserva a posse, mas a mesma está sendo turbada em seu exercício; essa turbação é atual, pois, se já ultimada, cabe apenas reparação por perdas e danos
	Reintegração de posse: possuidor perde a posse, deixando de conservá-la, e procura remediar a situação com a mencionada demanda
	Interdito proibitório: corresponde ao justo receio de o possuidor ser turbado ou esbulhado, podendo-se arbitrar uma multa para o caso de transgressão
Trata-se da defesa preventiva da posse e, caso a ameaça se concretize, a ação se converte em manutenção ou reintegração de posse
	
D-) SERVIDÕES:
	- O estudo das servidões se dará mais detalhadamente no segundo semestre, mas, de maneira geral, trata-se da utilidade proporcionada por um imóvel relativamente a outro (art. 1.378), como o que acontece, por exemplo, com a servidão de passagem
	As servidões (básica, porém não exclusivamente) são de duas categorias, as quais podem se combinar entre si: aparentes ou não aparentes (com ou sem obras exteriores) e contínuas ou descontínuas (dependentes ou não de ação humana)
	Há proteção possessória para as servidões aparentes, contínuas ou descontínuas (art. 1.213), de vez que nas não aparentes não há a exteriorização do domínio
- Porém, como visto, pode-se falar em posse ad interdicta e posse ad usucapionem
A primeira é a posse que permite ao possuidor lançar mão dos interditos possessórios (art. 1.213)
As ações possessórias, ademais, voltam-se à proteção das servidões aparentes, salvo justo título, nos termos art. 1.213; demais disso, a Súmula nº 415, do STF, considera aparente servidão de trânsito para fins de proteção possessória (porque a mesma é descontínua, ou seja, não é utilizada a todo momento, o que poderia descaracterizar a posse ininterrupta, mansa e pacífica)
A segunda é a posse que permite ao possuidor fazer uso da ação de usucapião relativamente à aquisição de servidões (art. 1.379), mas ela deve ser aparente, com a nota da mencionada súmula
Com justo título e boa-fé: prazo de 10 anos, reduzível a 05 no caso do art. 1.242, parágrafo único; sem isso, 20 anos
E-) FRUTOS:
	- São coisas acessórias (arts. 92 e 95), podendo se apresentar como naturais, industriais ou civis; e quanto à percepção, são pendentes, percebidos, estantes, percipiendos e consumidos
	Quanto aos efeitos possessórios, o assunto é abordado no art. 1.214 a 1.216, e a lei confere, regra geral, os frutos ao possuidor de boa-fé, respondendo o possuidor de má-fé, por outro lado, por todos os frutos, inclusive os percipiendos
F-) RESPONSABILIDADE CIVIL:
	- Efeito da posse concernente especificamente à perda ou deterioração da coisa, o que dependerá se trate de possuidor de boa-fé ou de possuidor de má-fé
	Boa-fé (art. 1.217): possuidor responde por culpa lato sensu (RCSE) 
	Má-fé (art. 1.218): possuidor responde objetivamente (RCO), ainda que o evento ocorra por caso fortuito ou força maior, salvo se provar que o dano ocorreria de qualquer modo, mesmo que a coisa estivesse na posse de outrem
G-) BENFEITORIAS:
	- Obra ou melhoramento levada a efeito pela vontade humana, nos termos do art. 97, podendo ser de três espécies, de acordo com o art. 96, ou seja, necessárias, úteis e voluptuárias; exs.: respectivamente, reforma no telhado ou encanamento; cobrir a garagem ou fazer uma entrada nova; fazer um jardim ou construir uma piscina
	Reflexos no estudo da posse (art. 1.219 a 1.222) e na locação (arts. 35 e 36, da Lei nº 8.245/91)
	Posse de boa-fé: necessárias e úteis, indenizáveis independentemente de autorização, com possibilidade de direito de retenção; já as voluptuárias não são indenizáveis, mas podem ser levantadas, se possível
	Posse de má-fé: só as necessárias são indenizáveis, mas sem direito de retenção; as úteis não são indenizáveis e não há direito de retenção; as voluptuárias não são indenizáveis e também não podem ser levantadas

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