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DIREITO CIVIL IV - BEDONE

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alheio (art. 1.255, caput).
Efeito: dono dos materiais ou sementes só tem direito a se ver indenizado do respectivo valor, se tiver agido de boa-fé.
3-) construção ou plantação feita com materiais ou sementes próprios, mas em imóvel alheio, cujo valor se sobreponha ao do próprio imóvel (art. 1.255, parágrafo único);
Efeito: dono materiais ou sementes pode adquirir a propriedade do imóvel, se tiver agido de boa-fé e indenizar o dono do mesmo; outro aplicativo da posse-trabalho (ou “expropriação privada”).
4-) construção ou plantação feita mediante má-fé de ambas as partes, proprietário e obreiro: dono do imóvel adquire a propriedade de tudo e indeniza apenas o valor das construções ou plantações (arts. 1.256 e 1.257).
5-) construção que invade até 5% de imóvel alheio: adquire-se a parte do imóvel invadido, mediante indenização cabal, desde que se tenha agido de boa-fé (art. 1.258, caput); se se laborou com má-fé, a solução é idêntica, mas a indenização é majorada em 10 vezes (art. 1.258, par. único).
Mais um exemplo de posse-trabalho (ou “expropriação privada”).
29/03/13
FERIADO
	
05/04/13
A-) AQUISIÇÃO DA PROPRIDADE IMÓVEL (CONTINUAÇÃO):
	- Vistas as seguintes modalidades: acessão, de um lado, e construções e plantações, de outro.
Agora, o restante: usucapião (1.238 a 1.244); casamento com comunhão universal (1.667); direito hereditário (1.784); e transcrição do título (1.245).
B-) USUCAPIÃO:
	- Etimologicamente, significa adquirir pelo uso.
Trata do fator tempo influenciando nas relações jurídicas, tal qual ocorre com a prescrição e a decadência, nas quais esse mesmo fator (denominado prazo para se ajuizar a ação) extingue a pretensão ou o próprio direito material.
	Bem por isso costuma-se designar a prescrição e a decadência como prescrição extintiva de modo geral, ao passo que a usucapião de prescrição aquisitiva.
	- Abrangência da usucapião: bens imóveis, bens móveis e servidões.
	Agora, ver-se-á a relativa aos imóveis.
	- Modo de aquisição: tipicamente originário (e não derivado), quebrando-se, assim, a relação de causalidade e sucessividade com os registros anteriores.
	- Noção: a do Digesto ainda é atual e basta adaptá-la.
	Usucapião é a aquisição do domínio pela posse continuada por um tempo definido em lei.
	Assim, tem-se que usucapião é a aquisição originária do domínio pela posse continuada por um tempo definido em lei, atendidos ainda os demais requisitos desta.
	- Espécies: extraordinária, ordinária, especial urbana individual (incluindo o familiar), especial urbana coletiva, especial rural e indígena.
	- Extraordinária: serão vistos os requisitos específicos.
	1-) res habilis: é a coisa possuída, que há de ser in commercio, ficando vetada a usucapião de imóveis públicos de qualquer natureza, ainda que se trate de terras devolutas (art. 183, § 3º, e 191, parágrafo único, CF, e Lei nº 6.383/76).
	As terras devolutas são as ainda não cadastradas e, portanto, não matriculadas no CRI; são imóveis que só existem de fato, e não de direito, pertencendo à União ou aos Estados-membros (arts. 20, II, e 26, IV, CF).
	2-) possessio: é a posse do imóvel entendida enquanto exteriorização do domínio, que há de ser mansa e pacífica, ou seja, aquela exercida de maneira contínua e incontestada (art. 1.243).
	contínua: sem interrupções, sem solução de continuidade;
	incontestada: sem oposição de ninguém.
	3-) justo título e boa-fé: a usucapião extraordinária independe disso.
	justo título: instrumento aquisitivo da propriedade ou da posse, o qual faz presumir a boa-fé, até prova em contrário;
	boa-fé: posse que não seja violenta, clandestina ou precária.
	4-) tempus: 15 anos, podendo ser reduzido a 10 anos se o possuidor utilizar o imóvel para fins de moradia ou tiver nele realizado obras ou serviços de caráter produtivo.
	5-) sentença judicial: a usucapião extraordinária só se reconhece através de ação própria a tanto ou como meio de defesa, devendo a sentença transitada em julgado ser transcrita no CRI apenas para fins de oficialização da aquisição do domínio (art. 1.241, CC c/c art. 941, CPC).
	6-) fundamento legal básico: art. 1.238.
- Ordinária: 
1-) res habilis: idem usucapião extraordinária.
	2-) possessio: idem usucapião extraordinária.
	3-) justo título e boa-fé: a usucapião ordinária depende disso.
	justo título: instrumento aquisitivo da propriedade ou da posse, o qual faz presumir a boa-fé, até prova em contrário (titulus).
	boa-fé: fides, posse que não seja violenta (vis), clandestina (clam) ou precária (precario).
	4-) tempus: 10 anos, podendo ser reduzido a 05 anos se o possuidor tiver adquirido o imóvel onerosamente, levando-o a registro no CRI, e utilizá-lo para fins de moradia ou tiver nele tiver realizado investimentos de interesse social e econômico.
	5-) sentença judicial: a usucapião ordinária só se reconhece através de ação própria a tanto ou como meio de defesa, devendo a sentença transitada em julgado ser transcrita no CRI apenas visando à oficialização da aquisição do domínio (art. 1.241, CC c/c art. 941, CPC).
	6-) fundamento legal básico: art. 1.242.
- Especial urbana individual: 
1-) res habilis: idem usucapião extraordinária, com a nota de que o imóvel há de ser urbano e não possuir área superior a 250 m2.
	2-) possessio: idem usucapião extraordinária, desde que o possuidor não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural.
	3-) justo título e boa-fé: a usucapião especial urbana individual independe disso.
	
	4-) tempus: 05 anos se o possuidor utilizar o imóvel para fins de moradia.
OBS: referido prazo pode ser reduzido a 02 anos se se tratar de cônjuge ou companheiro abandonado pelo outro, passando a ser o proprietário individual do imóvel.
	Essa última modalidade é também conhecida como usucapião familiar, e poderá ser argüida em ações típicas de direito de família (divórcio, dissolução de união estável, partilha de bens).
	5-) sentença judicial: a usucapião urbana individual só se reconhece através de ação própria a tanto ou como meio de defesa, devendo a sentença transitada em julgado ser transcrita no CRI,, com a mesma finalidade das anteriores (art. 1.241, CC c/c art. 14, da Lei nº 10.257/01 c/c art. 275, II, h, CPC).
	OBS: a Lei nº 10.257/01é também conhecida como Estatuto da Cidade.
	6-) fundamento legal básico: arts. 1.240 e 1.240-A.
- Especial urbana coletiva: 
1-) res habilis: idem usucapião extraordinária, com a nota de que o imóvel há de ser urbano e possuir área superior a 250 m2.
	2-) possessio: idem usucapião extraordinária, desde que os possuidores não sejam proprietários de outro imóvel urbano ou rural.
	3-) justo título e boa-fé: a usucapião especial urbana coletiva independe disso.
	
	4-) tempus: 05 anos se os possuidores utilizarem o imóvel para fins de moradia.
	5-) sentença judicial: a usucapião urbana coletiva só se reconhece através de ação própria a tanto ou como meio de defesa, devendo a sentença transitada em julgado ser transcrita no CRI com a mesma nota anterior (art. 1.241, CC c/c art. 14, da Lei nº 10.257/01 c/c art. 275, II, h, CPC).
	A sentença declarará a fração ideal pertencente a cada possuidor (art. 10, § 3º, da Lei nº 10.257/01).
	São partes legítimas para a propositura da ação de usucapião especial urbana coletiva: o possuidor, isoladamente ou em litisconsórcio originário ou superveniente; os possuidores, em estado de composse; como substituto processual, a associação de moradores da comunidade, regularmente constituída, com personalidade jurídica, desde que explicitamente autorizada pelos representados (art. 12, da Lei nº 10.257/01).
6-) fundamento legal básico: art. 10, da Lei nº 10.257/01.
- Especial rural: 
1-) res habilis: idem usucapião extraordinária, com a nota de que o imóvel há de ser rural e não possuir área superior a 50 ha (ou 500.000

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