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Apostila Teorias da Comunicacao

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etc.) como relevantes para a análise da produção e da 
circulação dos produtos midiáticos. A comunicação é vista como mercadoria 
e ainda como mantenedora do sistema capitalista. Porém, a dominação 
norte-americana começa a entrar em “disputa” simbólica com outros mercados 
produtores de produtos culturais (Índia, Brasil, Japão, Egito). Ou seja: passa-se 
da noção de “indústria cultural” para o de “indústrias culturais”. 
 
Foco das análises: “o lado econômico (quase sempre oculto) da comunicação, 
a formação dos grandes grupos econômicos transnacionais, os fenômenos de 
dominação daí resultantes, assim como os aspectos estratégicos dos fluxos 
transnacionais de informações ou produtos culturais” (MIÈGE, 2000: 58). 
 
 
 PARA LER MAIS: 
 
 BOLAÑO, César. Indústria cultural, informação e capitalismo. São 
Paulo, Hucitec/Polis, 2000. 
 
BOLAÑO, César; MASTRINI, Guillermo e SIERRA, Francisco (orgs). 
Economía Política, Comunicación y conocimiento. Buenos Aires, 
La Crujía, 2005. 
 
MATTELART, Armand & MATTELART, Michelle. O Carnaval das 
Imagens. São Paulo, Brasiliense, 1997.
 
 
ESTRUTURALISMO E SEMIÓTICA 
Estruturalismo e semiótica não são, em sua origem, teorias da 
Comunicação (assim como os estudos funcionalistas norte-americanos 
também não o são, influenciados pela Sociologia e pela Psicologia). 
Porém, seus métodos de análise têm reflexos até hoje, nos estudos sobre 
as mensagens que circulam na instância do sistema midiático. 
ESTRUTURALISMO = projeto derivado da proposta inicial de Ferdinand 
de Saussure (1857-1913), que se propunha a conceber uma ciência que 
estudasse a vida dos signos no seio da vida social (a Semiologia). Para 
Saussure, a Semiologia incorporava a Lingüística e era incorporado pela 
Psicologia Social: 
Como Saussure situa a Semiologia no campo das ciências humanas 
Psicologia Geral 
Psicologia Social Psicologia Individual 
... Semiologia 
Língüística Escritura Outros sistemas de signos culturais 
Aparentemente Saussure parecia desconhecer outros estudos a respeito 
da natureza dos signos, desde Platão (Crátilo), Aristóteles, Santo 
Agostinho, os estóicos, os epicuristas, William de Ockham, John Locke, 
Charles Sanders Peirce, dentre outros. 
E o que é signo? Vem de sema -> semeîon, signo. Vamos, genericamente 
e por enquanto, dizer que um signo é algo que representa uma outra coisa 
ou que se associa a uma outra coisa, sendo que essa “uma outra coisa” 
nunca (em tese) é ela própria e essa representação/associação pode servir 
a mais de “uma outra coisa” (vide metáforas, metonímias e outras figuras 
de Retórica). 
Exemplos na literatura: Aventuras de Alice (Lewis Carroll), na seqüência da 
floresta das coisas sem nome, ou Viagens de Gulliver (Jonathan Swift), 
quando os sábios de Balbinarbi queriam transportar/usar as próprias 
coisas, em vez de usarem as palavras que as designam. 
 
 
Saussure via a linguagem como sistema de signos a serem analisados 
sincronicamente (dentro de um recorte de tempo), e não diacronicamente 
(seu desenvolvimento através do tempo). O signo é a associação entre um 
conceito e uma imagem acústica. O signo que mais interessava aos 
estudos de Saussure era o signo lingüístico. 
SIGNO SAUSSURIANO: 
SIGNIFICADO (sdo) 
SIGNO 
SIGNIFICANTE (ste) 
sdo conceito 
ste imagem acústica hexágono 
Ou: c-ã-o = ste / animal de quatro patas que late = sdo 
Significante pode mudar conforme a língua (cão, dog, perro, chien, hund). 
Simplificando: ste “=” nome; sdo “=” coisa/idéia denominada. Relação entre 
sdo/ste no signo lingüístico é arbitrária (social, cultural); o significante é linear 
(os sinais se desenvolvem linearmente no tempo e no espaço). 
Linguagem = língua (langue) + fala (parole); porém, Saussure vai se 
interessar apenas pela língua (instituição social e estrutural), deixando de 
lado a fala (ato individual, e apenas individual, de apropriação da língua. A 
fala como problema da Comunicação será retomada por Mikhail Bakhtin). 
Saussure enxerga na língua relações de duas ordens: 
- sintagmática = ordenação dos elementos (“eu vi você”, “você eu vi”) 
- paradigmática = substituição possível dos elementos 
eu / vi / você 
minha pessoa / vislumbrou / o senhor 
Linguagem e cultura, na visão estruturalista, se assemelham, por serem 
sistemas estruturais. Fundamental nas estruturas = aquilo que é só o é por 
não ser o que não é, ou seja, em termos de sua diferenciação (a qual é 
perceptível numa comparação estrutural): 
gato = rato, fato, galo, gago, gota 
 
 
Paralelismos com o pensamento saussuriano: 
Claude Lévi-Strauss: cultura e mito são sistemas estruturáveis, ainda que 
“invisíveis”, portanto inconscientes (exemplos: tabus, mitos etc.) 
Tabu = relações / combinações proibidas (num sistema de parentesco) 
Mito = estrutura que se mantém em diferentes narrativas (Édipo-Rei) 
Algirdas Julien Greimas: faz análise actancial das estruturas (sintaxe) 
narrativas, ou seja, da estruturação dos personagens numa dada narrativa. 
Distingue em seis (6) o número de actantes: 
- sujeito - realiza ação (herói) 
- objeto - instrumento da ação (princesa raptada, por exemplo) 
- destinador - quem “dá” o objeto / propicia a ação (rei, por exemplo) 
- destinatário - quem “recebe” o objeto / desfecho da ação (rei) 
- oponente - quem tenta atrapalhar a ação do herói (vilão) 
- adjuvante - quem é o assistente do sujeito (ajudante) 
Proposta mais radical do Estruturalismo: Roland Barthes. 
Começo de tudo: O Grau Zero da Escrita (1953), no qual ataca suposta 
“neutralidade e naturalidade” do estilo clássico francês de escrita. 
Premissa: realidade natural nunca é dada como certa, pois é construída 
socialmente. Leitura do mundo depende dos códigos que usamos, ou 
melhor, que nos acostumamos a usar e a achar “naturais”. Assim, não há 
para Barthes uma escrita politicamente neutra. A escrita não-ideológica 
é uma ilusão. 
Ápice do pensamento estruturalista barthiano: Mitologias (1957): 
mito - transforma história em natureza 
mito = sistema de comunicação / mensagem 
meta de Barthes = análise do processo de significação (produção de 
significados) no mito, onde: 
Língua { ste sdo 
S / ste sdo 
Mito 
S 
{ 
mito = metalinguagem que esvazia 
de sentido S/ste e o associa a um 
novo conceito (sdo) para criar um 
novo signo (S), ou seja, para criar 
um mito; neste, ste = forma; 
sdo = conceito; S = significação. 
 
 
Nas Mitologias, Barthes analisa, dentre outras coisas, a mídia em seu 
sentido amplo (jornais, revistas, TV, programas etc.), sendo que a mídia é 
“pequeno-burguesa” e, ao mesmo tempo, ela “apaga” a pequena burguesia 
nesse universo (o social torna-se natural). Mito = estruturação ideológica 
que não esconde nada, nem faz desaparecer nada, apenas “deforma”. 
Exemplo de análise de Barthes (página seguinte) = capa da revista 
francesa Paris-Match: 
“Estou no cabeleireiro, dão-me um exemplar do Paris-Match. Na capa, um 
jovem negro vestindo um uniforme francês faz a saudação militar, com os 
olhos erguidos, fixos sem dúvida numa prega da bandeira tricolor. Isto é o 
sentido da imagem. Mas (...) bem vejo o que ela significa: que a França é 
um grande Império, que todos os seus filhos, sem distinção de cor, a 
servem fielmente sob a sua bandeira, e que não há melhor resposta para 
os detratores de um pretenso colonialismo do que a dedicação deste preto 
servindo os seus pretensos opressores. Eis-me, pois (...) perante um 
sistema semiológico ampliado: há um significante, formado já ele próprio 
por um sistema prévio (um soldado negro faz a saudação militar francesa); 
há um significado