A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
102 pág.
Apostila Teorias da Comunicacao

Pré-visualização | Página 8 de 24

(aqui uma mistura intencional de ‘francidade’ e de 
‘militaridade’); há enfim uma presença do significado através do 
significante” (BARTHES, 1975: 138. Grifos no original). 
Virada: Elementos de Semiologia (1964). Se para Saussure a Lingüística 
fazia parte da Semiologia (as linguagens, ou sistemas de signos, eram 
analisáveis segundo critérios distintos, não apenas lingüísticos), para 
Barthes ocorria o inverso: a Semiologia estava dentro da Lingüística: todo 
sistema de signos é uma linguagem ou um sistema de significação. 
Alguns passos para a análise semiológica de Barthes: 
1) confrontar ste x sdo (o que se percebe/ouve x o que se traduz por ele) 
2) confrontar denotação x conotação (aquilo que é num “primeiro nível” x 
aquilo que se conota num “segundo nível”). DETALHE - para Barthes, a 
ideologia perpassa a conotação. 
ALGUNS PROBLEMAS DO ESTRUTURALISMO / SEMIOLOGIA: 
1) não se interessam por contexto de produção/consumo das mensagens; 
2) Barthes resume a noção de ideologia à ideologia burguesa, apenas; 
3) análises, paradoxalmente, acabam sendo a-históricas; 
4) nada garante que leituras de Barthes sejam as únicas e/ou as corretas. 
 
 
Capa da revista Paris-Match analisada por Roland Barthes em Mitologias 
 
 
SEMIÓTICA - difícil falar da semiologia saussuriana sem falar, 
particularmente, da semiótica peirciana. Motivos: 
1) confusão que ambos os termos causam junto aos estudiosos/leitores; 
2) o fato de que uma não se refira à outra e vice-versa. 
Semiologia de Saussure - signo lingüístico com dois elementos (sdo e ste). 
Semiótica de Peirce - signo lógico com três elementos (R, O e I, abaixo). 
Elemento clássico da semiótica = signo ou representamen, “algo que 
representa uma outra coisa na ausência dessa mesma coisa”. 
Premissas importantes: 
- tudo é / pode ser signo de algo (outra coisa) 
- nada pode ser signo de si próprio 
Conceito central = semiose infinita 
R (representamen) O (objeto) 
I (interpretante) / R O 
I / R O 
I 
Pensamento peirciano: 
1) pensar = manipular signos 
2) homem = ele próprio é um signo 
3) há 3 categorias universais: 
Primeiridade (firstness) = sentimento imediato e presente das coisas, sem 
relação com mais nada, sem reflexão (exemplo: percepção) 
Secundidade (secondness) = quando fenômeno primeiro se relaciona com 
um fenômeno segundo, comparação / efeito / relação (exemplo: leitura) 
Terceiridade (thirdness) = quando fenômeno segundo se relaciona com um 
terceiro, representação, memória, signo (exemplo: interpretação). 
onde: 
R = objeto perceptível 
(signo); 
O = referente, coisa; 
I = efeito do signo, que 
gera um novo signo 
ATENÇÃO: 
Interpretante não é o 
intérprete 
 
 
ESTUDOS CULTURAIS (cultural studies) - corrente iniciada nos anos 50, 
se solidifica em 1964 com a fundação do Centre of Contemporary Cultural 
Studies (CCCS) por parte de Richard Hoggart em Birmingham, Inglaterra. 
Objetivos: 
- contrapor-se às teorias funcionalistas norte-americanas (optam por 
análise da classe social, e não da massa); 
- recuperar conceitos de “ideologia” e “hegemonia”; 
- levar em conta o fator econômico nas relações culturais; 
- analisar o papel - central - da cultura dentro da sociedade, levando em 
conta as diversas práticas e formas culturais existentes em diferentes 
grupos, bem como as mudanças sociais daí possíveis. Cultura = 
amálgama da constituição de uma sociedade; cultura é algo que se 
constrói, na qual se é ativo; cultura não é consumida passivamente. 
Fontes principais: 
1) As Utilizações da Cultura (Richard Hoggart, 1957). De caráter também 
autobiográfico, obra focaliza modo como as classes operárias se apropriam 
de produtos culturais e de MCM. Percebe submissão e resistência, por 
parte de operários, a esses produtos culturais. Mesmo assim, vê 
industrialização da cultura de modo negativo. 
2) Cultura e Sociedade (Raymond Williams, 1958). Vê cultura (literatura) 
como processo onde significações são construídas sócio-historicamente. 
3) A Formação da Classe Operária Inglesa (Edward P. Thompson, 1963). 
Como Williams, entende que cultura e história devem ser percebidas como 
espaço de enfrentamento de diferentes modos de vida (conflitos, tensões, lutas) 
 
PARA LER MAIS: 
BARTHES, Roland. Mitologias. 2. ed., São Paulo/Rio de Janeiro, Difel, 
1975. 
EAGLETON, Terry. Teoria da Literatura: uma Introdução. São Paulo, 
Martins Fontes, 1994, pp. 97-135. 
PEIRCE, Charles Sanders. Semiótica. São Paulo, Perspectiva, 1995. 
SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de Lingüística Geral. São Paulo, Cultrix, 
1969. 
 
 
Outras influências: Gramsci (“hegemonia”), Marx e Althusser (“ideologia”), 
Escola de Frankfurt e estruturalismo francês (Barthes). 
Hegemonia = capacidade de um grupo social para assumir a direção 
intelectual e moral sobre a sociedade, formando em torno de seu projeto 
um novo sistema de alianças sociais, um novo “bloco histórico”, onde há 
negociações / compromissos / mediações. Ou seja: hegemonia é a 
construção do poder pela aquiescências dos dominados aos valores da 
ordem social. Mesmo assim, classe dominante acaba, por vezes, tendo de 
se “reenquadrar” nesse novo contexto. 
Ideologia = conjunto de imagens / representações / significações que 
circulam no âmbito da mídia, visando o monopólio do poder social. 
Assim: 
- cultura é um universo no qual o sujeito é produto ativo dela própria. 
- cultura NÃO É sabedoria / experiência passiva, mas sim um conjunto de 
intervenções ativas que podem mudar a história e transmitir o passado. 
Estudos Culturais se propõem a analisar e relacionar produção / 
distribuição / recepção culturais a práticas econômicas associadas à 
constituição do sentido cultural. 
“4 . fonte principal” dos Estudos Culturais: Stuart Hall, segundo diretor do a 
CCCS. Texto-chave: “Codificação/Decodificação” (1973). Nele, Hall faz uma 
análise do processo comunicativo televisivo. 
Produção Circulação 
Reprodução Distribuição/consumo 
Hall defende que instâncias se articulam entre si, não podem ser 
analisadas independentemente. Assim, por exemplo, diz Hall, audiência é 
tanto a fonte quanto o receptor da mensagem (aqui, Hall retoma Marx: “o 
consumo determina a produção, a produção determina o consumo”). 
Funcionamento da mídia não pode ser visto como apenas a transmissão 
mecânica de uma mensagem, por parte de uma fonte, pela recepção. 
 
 
Produção = processo de codificação que 
é realizado conforme: 
Consumo = processo de decodificação 
que se dá de três modos 
possíveis, em relação à 
ideologia dominante 
Assim, diz Hall: codificação = decodificação , pois processos distintos, 
ainda que interdependentes 
Primeiros estudos culturais abriram espaço para outros tipos de análises 
culturais: feministas, culturas populares, grupos profissionais midiáticos, 
subculturas jovens, minorias étnicas etc. Sua fácil adaptabilidade a 
qualquer ambiente social (contraditório, socialmente falando) fez com que 
se desenvolvesse rapidamente em outros países. 
Estudos culturais têm realidade diferente da Escola de Frankfurt: 
mídia = situada no âmago da sociedade, não estranha a ela; 
classe dominante = existe, mas tem de negociar com classes subalternas; 
“dominados” = não passivos, negociam sentido conforme sua cultura; 
tende-se a falar, atualmente, de comunidades interpretativas (Stanley Fish). 
Problema dos estudos culturais: tender a focar demais na recepção, deixando 
de lado aspectos e particularidades de quem detém os meios de produção 
simbólica e não considerar outras leituras possíveis (feministas,