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Lista de Exercícios 06
Bibliografia:
Peter Atkins & Julio de Paula, 5th edition. Elements of Physical Chemistry.
1. Questões Teóricas
1.1. Enuncie e justifique o critério termodinâmico para o equilíbrio entre uma solução e seu vapor.
“Um sistema está em equilíbrio quando o potencial químico de cada substância tem o mesmo valor
em cada fase onde a substância ocorre”. Considere uma mistura de dois líquidos miscíveis e uma
mistura de seus vapores, denominando esse sistema de duas fases como J, temos que μJ(l) é o potencial
químico na mistura líquida e μJ(g) é o potencial químico na mistura no vapor. Considerando que há
uma quantidade infinitesimal, dnJ, migrando da fase líquida para a fase vapor, a energia livre de Gibbs
do líquido diminui por μJ(l)dnJ e a energia livre do vapor aumenta em μJ(g)dnJ. Dadas estas
informações, a variação na energia livre de Gibbs é dada por:
𝑑𝐺 = 𝜇𝐽(𝑔)𝑑𝑛𝐽 − 𝜇𝐽(𝑙)𝑑𝑛𝐽
Não há tendência para que ocorra migração de J entre as fases quando dG=0, para que isso ocorra é
necessário que μJ(g)= μJ(l). Ou seja, para que o equilíbrio termodinâmico entre uma solução e seu
vapor seja alcançado, o potencial químico da solução e do vapor devem apresentar o mesmo valor.
1.2. Defina solução ideal e apresente o emprego das leis de Raoult e Henry em termos de
interações moleculares no solvente e no soluto.
Uma solução ideal é uma solução hipotética que obedece à lei de Raoult em toda a faixa de
composição. A lei de Raoult apresenta maior validade quando onde os componentes da mistura
(soluto e solvente) apresentam formas moleculares semelhantes e são mantidos na fase líquida por
forças moleculares de natureza e de intensidades semelhantes. Ou seja, em soluções ideais, os
componentes tem comportamento (em relação às interações intermoleculares) na mistura similar ao
que é apresentado no líquido puro, pois o ambiente é praticamente o mesmo. Geralmente, o solvente
obedece à lei de Raoult em soluções muito diluídas, porém o soluto em soluções nas mesmas
condições não pode ter sua pressão parcial descrita pela mesma lei. Isso porque o soluto, neste caso,
é envolvido por moléculas do solvente praticamente puras, logo, o ambiente químico do soluto é
muito diferente do que o ambiente químico do mesmo no estado puro, pois as interações
intermoleculares estabelecidas são diferentes. Dessa forma, a pressão de solutos voláteis pode ser
descrita pela lei de Henry em soluções muito diluídas.
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1.3. Explique a origem termodinâmica das propriedades coligativas relacionadas com
modificações do ponto de ebulição e de congelamento em soluções.
Considerando que a energia livre inicial de dois líquidos que formarão uma solução ideal pode ser
dada por:
𝐺𝑖 = 𝑛𝐴μ𝐴 + 𝑛𝐵μ𝐵
E que o potencial químico pode ser dado pela equação abaixo:
𝜇𝐽 = 𝜇𝐽
𝑜 + 𝑅𝑇 ln 𝑝𝐽
O estado inicial do sistema é dado por:
𝐺𝑖 = 𝑛𝐴(𝜇𝐴
𝑜 + 𝑅𝑇 ln 𝑝) + 𝑛𝐵(𝜇𝐵
𝑜 + 𝑅𝑇 ln 𝑝)
Após a mistura, a pressão total do sistema permanece a mesma, mas a pressão parcial de cada gás,
segundo a lei de Dalton, diminui para 𝑝𝐴 = 𝑥𝐴𝑝 e para 𝑝𝐵 = 𝑥𝐵𝑝. Logo, a energia livre final é dada
por:
𝐺𝑓 = 𝑛𝐴(𝜇𝐴
𝑜 + 𝑅𝑇 ln 𝑥𝐴𝑝) + 𝑛𝐵(𝜇𝐵
𝑜 + 𝑅𝑇 ln 𝑥𝐵𝑝)
Com estas considerações, observa-se que a variação de energia livre no sistema é dada por:
∆𝐺 = 𝐺𝑓 − 𝐺𝑖
∆𝐺 = 𝑛𝐴(𝜇𝐴
𝑜 + 𝑅𝑇 ln 𝑥𝐴𝑝) + 𝑛𝐵(𝜇𝐵
𝑜 + 𝑅𝑇 ln 𝑥𝐵𝑝) − 𝑛𝐴(𝜇𝐴
𝑜 + 𝑅𝑇 ln 𝑝) − 𝑛𝐵(𝜇𝐵
𝑜 + 𝑅𝑇 ln 𝑝)
∆𝐺 = 𝑛𝐴𝜇𝐴
𝑜 + 𝑛𝐴𝑅𝑇 ln 𝑥𝐴𝑝 + 𝑛𝐵𝜇𝐵
𝑜 + 𝑛𝐵𝑅𝑇 ln 𝑥𝐵𝑝 − 𝑛𝐴𝜇𝐴
𝑜 − 𝑛𝐴𝑅𝑇 ln 𝑝 − 𝑛𝐵𝜇𝐵
𝑜 − 𝑛𝐵𝑅𝑇 ln 𝑝
∆𝐺 = 𝑛𝐴𝑅𝑇 ln 𝑥𝐴𝑝 + 𝑛𝐵𝑅𝑇 ln 𝑥𝐵𝑝 − 𝑛𝐴𝑅𝑇 ln 𝑝 − 𝑛𝐵𝑅𝑇 ln 𝑝
∆𝐺 = 𝑥𝐴𝑛𝑅𝑇 (ln 𝑥𝐴𝑝 − ln 𝑝) + 𝑥𝐵𝑛𝑅𝑇 (ln 𝑥𝐵𝑝 − ln 𝑝)
∆𝐺 = 𝑛𝑅𝑇(𝑥𝐴 ln 𝑥𝐴 + 𝑥𝐵 ln 𝑥𝐵)
Comparando a equação obtida com a equação para a variação de energia livre a partir da definição,
verifica-se que:
∆𝐺 = 𝑛𝑅𝑇(𝑥𝐴 ln 𝑥𝐴 + 𝑥𝐵 ln 𝑥𝐵)
∆𝐺 = ∆𝐻 − 𝑇∆𝑆
Logo:
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∆𝐻 = 0
∆𝑆 = −𝑛𝑅(𝑥𝐴 ln 𝑥𝐴 + 𝑥𝐵 ln 𝑥𝐵)
Considerando que as propriedades físicas de uma solução ideal são diferentes das propriedades do
líquido puro, as propriedades coligativas têm origem no aumento de entropia do sistema, dado que o
processo de formação da solução ideal é isoentálpico.
As propriedades coligativas são definidas a partir de solutos não voláteis e insolúveis no solvente
sólido. Como descrito anteriormente, o aumento na entropia diminui a energia livre do sistema, como
consequência o potencial químico do solvente também diminui. Considerando que o ponto de
congelamento é o ponto onde as curvas de energia livre molar do líquido e do sólido se interceptam
e que o ponto de ebulição é onde as curvas de energia livre molar do gás e do líquido se interceptam.
Com a formação da solução o potencial químico (energia livre parcial molar) do solvente diminui,
porém o sólido e o gás permanecem puros e, portanto, o potencial químico destas fases permanece
inalterado. Através destas considerações, percebe-se que o ponto de ebulição aumenta e o ponto de
fusão diminui, pois a intercepção entre as curvas de potencial químico do líquido com o sólido e com
o gás são alterados conforme Figura 1R.
(a) (b)
Figura 1R. Curvas de potencial químico para alterações (a) no ponto de congelamento e (b) no ponto de
ebulição.
1.4. Explique como medidas de pressão osmótica podem ser usadas para determinar a massa
molar de um polímero.
Polímeros dissolvem-se formando soluções que estão longe de serem ideais e, portanto, e equação
van’t Hoff deve ser modificada através de uma expansão virial, conforme segue:
Π = [𝐵]𝑅𝑇{1 + 𝐵[𝐵] + ⋯ }
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O parâmetro B é denominada coeficiente virial osmótico, dividindo a expressão acima pela
concentração de B, temos:
Π
[𝐵]
= 𝑅𝑇 + 𝐵𝑅𝑇[𝐵] + ⋯
Considerando que cB=mB/V=M[B] e a equação apresentada, temos que:
Π
𝑐𝐵
=
𝑹𝑻
𝑴
+
𝐵𝑅𝑇
𝑀²
𝑐𝐵 + ⋯
Através de medidas de pressão osmótica em várias soluções do polímero com diferentes
concentrações, uma curva de
Π
𝑐𝐵
em função da concentração pode ser plotada e com o coeficiente
linear obtida a partir de uma aproximação linear, a massa molar do polímero pode ser estimada.
2. Exercícios
2.1. Use a Figura 1 para fazer a estimativa do volume total de uma solução formada pela mistura
de 50,0 cm3 de etanol com 50,0 cm3 de água. As massas específicas dos dois líquidos são
0,789 e 1,000 g.cm-3, respectivamente. Considere MMágua = 18,0 g.mol
-1 e MMetanol = 46
g.mol-1. (Resposta: 𝑉 ≈ 96,9 𝑐𝑚3)
Figura 1. Volumes parciais molares da água e do etanol a 25 °C.
O volume total da mistura pode ser calculado a partir da soma dos produtos entre a quantidade de
matéria e volume parcial molar de cada componente. A partir dos dados fornecidos no enunciado é
possível calcular a fração molar da água e do etanol, conforme segue:
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𝑛á𝑔𝑢𝑎 =
1,000 𝑔. 𝑐𝑚−3 50,0 𝑐𝑚3
18,0 𝑔. 𝑚𝑜𝑙−1
= 2,78 𝑚𝑜𝑙
𝑛𝑒𝑡𝑎𝑛𝑜𝑙 =
0,789 𝑔. 𝑐𝑚−3 50,0 𝑐𝑚3
46,0 𝑔. 𝑚𝑜𝑙−1
= 0,858 𝑚𝑜𝑙
𝑥á𝑔𝑢𝑎 =
2,78 𝑚𝑜𝑙
2,78 𝑚𝑜𝑙 + 0,858 𝑚𝑜𝑙
= 0,764
𝑥𝑒𝑡𝑎𝑛𝑜𝑙 =
0,858 𝑚𝑜𝑙
2,78 𝑚𝑜𝑙 + 0,858 𝑚𝑜𝑙
= 0,236
De acordo com a Figura, o volume parcial molar do etanol e da água na composição calculada são
respectivamente,55,7 cm3mol-1 e 17,7 cm3mol-1. Logo, o volume total da solução formada é dada
por:
𝑉 = 2,78 𝑚𝑜𝑙 . 17,7 𝑐𝑚3 𝑚𝑜𝑙−1 + 0,858 𝑚𝑜𝑙 . 55,7 𝑐𝑚3 𝑚𝑜𝑙−1
𝑉 = 96,9 𝑐𝑚3
2.2. O estado-padrão de uma substância era definido como 1 atm a uma certa temperatura. De
quanto a definição atual do potencial químico padrão (a 1,0000 bar) difere do seu valor antigo
a 298,15 K? Considere 1 atm = 1,01325 bar. (Resposta: ‖∆𝜇‖ = 32,63 𝐽𝑚𝑜𝑙−1)
A diferença de potencial químico padrão é dada pela equação abaixo:
∆𝜇 = 𝜇𝑓 − 𝜇𝑖 = 𝜇𝑓
𝑜 + 𝑅𝑇 ln 𝑝𝑓 − 𝜇𝑖
𝑜 − 𝑅𝑇 ln 𝑝𝑖
Considerando que 𝜇𝑖
𝑜 = 𝜇𝑓
𝑜, temos:
∆𝜇 = 𝑅𝑇 ln
𝑝𝑓
𝑝𝑖
= 8,314 𝐽𝐾−1𝑚𝑜𝑙−1298,15𝐾 ln
1,0000
1,01325
= −32,63 𝐽𝑚𝑜𝑙−1
2.3. Calcule (a) a energia de Gibbs (molar) da mistura, (b) a entropia (molar) da mistura, quando
os dois componentes principais do ar (nitrogênio e oxigênio) são misturados para formar o
ar, a 298 K. As frações molares de N2 e O2 são, respectivamente, 0,78 e 0,22. A mistura é
espontânea? (Resposta: ∆Gm=-1,3 kJ mol-1; ∆Sm=4,4 JK-1mol-1)
A energia livre de mistura molar pode ser dada conforme segue:
∆𝐺𝑚 = 𝑅𝑇(𝑥𝑂 ln 𝑥𝑂 + 𝑥𝑁 ln 𝑥𝑁)
∆𝐺𝑚 = 8,314 𝐽𝐾
−1𝑚𝑜𝑙−1298 𝐾(0,22 ln 0,22 + 0,78 ln 0,78)
∆𝐺𝑚 = −1,3 𝑘𝐽 𝑚𝑜𝑙
−1
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A entropia de mistura pode ser dada por:
∆𝑆𝑚 = −𝑅(𝑥𝑂 ln 𝑥𝑂 + 𝑥𝑁 ln 𝑥𝑁)
∆𝑆𝑚 = −8,314 𝐽𝐾
−1𝑚𝑜𝑙−1(0,22 ln 0,22 + 0,78 ln 0,78)
∆𝑆𝑚 = 4,4 𝐽𝐾
−1𝑚𝑜𝑙−1
A mistura é espontânea, pois ΔGm < 0.
2.4. Estime a pressão de vapor da água do mar, a 20 °C, dado que a pressão de vapor da água pura
de 2,338 kPa, àquela temperatura, e o soluto é constituído principalmente de íons Na+ e Cl-,
cada qual presente em cerca de 0,50 mol.dm-3. Considere que a densidade da água do mar a
20 °C é 1030 g.dm-3, que a massa molar da água é 18,0 g.mol-1 e que a água do mar é
composta por 96,5% em massa de água pura. (Resposta: 𝑝á𝑔𝑢𝑎 𝑚𝑎𝑟 = 2,30 𝑘𝑃𝑎)
De acordo com a lei de Raoult, temos:
𝑝𝐽 = 𝑥𝑗𝑝𝐽
∗
A partir da massa molar da água igual a 18,0 g.mol-1, a concentração de água pode ser calculada:
[𝐻2𝑂] =
1030 𝑔 0,965
18,0 𝑔. 𝑚𝑜𝑙−11,000 𝑑𝑚3
= 55,2 𝑚𝑜𝑙. 𝑑𝑚−3
Considerando 1,0 dm3 de solução, a fração molar da água no mar é dada por:
𝑥á𝑔𝑢𝑎 =
55,2 𝑚𝑜𝑙
55,2 𝑚𝑜𝑙 + 0,50 𝑚𝑜𝑙 + 0,50 𝑚𝑜𝑙
= 0,982
Logo, a pressão parcial da água é dada por:
𝑝á𝑔𝑢𝑎 = 0,982 . 2,338 𝑘𝑃𝑎 = 2,30 𝑘𝑃𝑎
A pressão da água do mar é, portanto, 2,30 kPa, pois os componentes restantes da mistura são solutos
não voláteis e, dessa forma, não contribuem para a pressão de vapor.
2.5. O aumento do dióxido de carbono atmosférico resulta em maiores concentrações de dióxido
de carbono dissolvido em águas naturais. Use a lei de Henry para calcular a solubilidade de
CO2 em água, 25 °C, quando sua pressão parcial é (a) 3,8 kPa e (b) 50,0 kPa.
(KH = 2,937 kPa.m
3.mol-1). (Resposta: (a) 1,3.10-3 mol.dm-3 (b) 1,7.10-2 mol.dm-3)
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De acordo com a Lei de Henry, temos:
𝑝𝐽 = 𝐾𝐻[𝐽] → [𝐽] =
𝑝𝐽
𝐾𝐻
(a)
[𝐽] =
3,8 𝑘𝑃𝑎
2,937 𝑘𝑃𝑎. 𝑚3. 𝑚𝑜𝑙−1
= 1,3 𝑚𝑜𝑙. 𝑚−3 [
1 𝑚3
1000 𝑑𝑚3
] = 1,3 𝑚𝑚𝑜𝑙. 𝑑𝑚−3
(b)
[𝐽] =
50,0 𝑘𝑃𝑎
2,937 𝑘𝑃𝑎. 𝑚3. 𝑚𝑜𝑙−1
= 17,0 𝑚𝑜𝑙. 𝑚−3 [
1 𝑚3
1000 𝑑𝑚3
] = 17,0 𝑚𝑚𝑜𝑙. 𝑑𝑚−3
2.6. A pressão de uma amostra de benzeno é de 53,0 kPa, a 60,6 °C, mas caiu para 51,2 kPa
quando 0,133 g de um composto orgânico foi dissolvido em 5,00 g do solvente. Calcule a
massa molar do composto. (Resposta: 59,0 g.mol-1)
De acordo com a Lei de Raoult:
𝑝𝐽 = 𝑥𝑗𝑝𝐽
∗
Portanto, a fração molar de benzeno na amostra é de:
𝑥𝑗 =
51,2 𝑘𝑃𝑎
53,0 𝑘𝑃𝑎
= 0,966
Sabendo que a massa molar do benzeno é 78,11 g.mol-1.
𝑛𝑏𝑒𝑛𝑧𝑒𝑛𝑜 =
5,00 𝑔
78,11 𝑔. 𝑚𝑜𝑙−1
= 6,40. 10−2𝑚𝑜𝑙
Por proporcionalidade, a quantidade de matéria do composto pode ser determinada:
6,40. 10−2𝑚𝑜𝑙
0,966
=
𝑛𝑐𝑜𝑚𝑝𝑜𝑠𝑡𝑜
0,0340
→ 𝑛𝑐𝑜𝑚𝑝𝑜𝑠𝑡𝑜 = 2,25. 10
−3𝑚𝑜𝑙
Como a massa do composto é conhecida, a massa molar pode ser calculada:
𝑀𝑀𝑐𝑜𝑚𝑝𝑜𝑠𝑡𝑜 =
0,133 𝑔
2,25. 10−3𝑚𝑜𝑙
= 59,0 𝑔. 𝑚𝑜𝑙−1
2.7. A pressão osmótica de uma solução de poliestireno em tolueno (metilbenzeno) foi medida a
25 °C com os seguintes resultados:
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c/(g.dm-3) 2,042 6,613 9,521 12,602
Π/Pa 58,3 188,2 270,8 354,6
Calcule a massa molar do polímero. (Resposta: 86,5 kg.mol-1)
Através da expansão virial da equação de van’t Hoff até o segundo termo, considerando que
[B] = cB/MM, temos:
Π
[𝐵]
= 𝑅𝑇 + 𝐵𝑅𝑇[𝐵] →
MMΠ
𝑐𝐵
= 𝑅𝑇 + 𝐵𝑅𝑇
𝑐𝐵
𝑀𝑀
Ao dividir a equação pela massa molar, temos:
𝚷
𝒄𝑩
=
𝑅𝑇
𝑀𝑀
+
𝐵𝑅𝑇
𝑀𝑀2
𝒄𝑩
O gráfico de Π/𝑐𝐵 em função da concentração (cb) permite a obtenção da massa molar pelo
coeficiente linear.
Tabela 7R. Dados obtidos para obtenção do gráfico na Figura 7R.
c (kg.m-3) 2,042 6,613 9,521 12,602
Π/c (m2s-2) 28,55044074 28,45909572 28,44239051 28,13839073
Figura 7R. Pressão osmótica sobre a concentração em função da concentração.
Através da equação obtida, observa-se que o coeficiente linear é igual a RT/MM, logo:
𝑀𝑀 =
𝑅𝑇
28,667 𝑚2𝑠−2
=
8,314 𝐽𝐾−1𝑚𝑜𝑙−1298,15 𝐾
28,667 𝑚2𝑠−2
= 86,5 𝑘𝑔. 𝑚𝑜𝑙−1
y = -0,035x + 28,667
28,1
28,2
28,3
28,4
28,5
28,6
28,7
0 2 4 6 8 10 12 14
Π
/c
c
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2.8. Determinou-se a massa molar de uma enzima dissolvendo-a em água, medindo-se a pressão
osmótica, a 20 °C, e extrapolando-se os dados até a concentração zero. Foram utilizados os
seguintes dados:
c/(mg.cm-3) 3,221 4,618 5,112 6,722
h/cm 5,746 8,238 9,119 11,990
Qual é a massa molar da enzima? Considere ρ = 1,000 g.cm-3. (Resposta: 13,9 kg.mol-1)
Através da expansão virial da equação de van’t Hoff até o segundo termo, considerando que
a pressão osmótica é igual à pressão hidrostática e que [B] = cB/MM, temos:
Π
[𝐵]
= 𝑅𝑇 + 𝐵𝑅𝑇[𝐵] →
MMΠ
𝑐𝐵
= 𝑅𝑇 + 𝐵𝑅𝑇
𝑐𝐵
𝑀𝑀
Ao dividir a equação pela massa molar e substituir Π por ρgh, temos:
𝝆𝒈𝒉
𝒄𝑩
=
𝑅𝑇
𝑀𝑀
+
𝐵𝑅𝑇
𝑀𝑀2
𝒄𝑩
Através dos dados apresentados no enunciado, os termos destacados podem ser calculados e
plotados em um gráfico conforme Tabela 8R e Figura 8R.
Tabela 8R. Dados obtidos para obtenção do gráfico na Figura 7R.
ρgh/c (m2s-2) 174.824 174.8211 174.8165 174.8021
c (kg.m-3) 3.221 4.618 5.112 6.722
y = -0,0064x + 174,85
174,8
174,805
174,81
174,815
174,82
174,825
174,83
0,000 1,000 2,000 3,000 4,000 5,000 6,000 7,000 8,000
ρ
gh
/c
(
m
2 s
-2
)
c (kg.m-3)
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Figura 8R. ρgh/c em função da concentração.
Através da equação obtida, observa-se que o coeficiente linear é igual a RT/MM, logo:
𝑀𝑀 =
𝑅𝑇
174,85 𝑚2𝑠−2
=
8,314 𝐽𝐾−1𝑚𝑜𝑙−1293,15 𝐾
174,85 𝑚2𝑠−2
= 13,9 𝑘𝑔. 𝑚𝑜𝑙−1
2.9. A Figura 2 ilustra o diagrama de fases de dois líquidos parcialmente miscíveis que podem ser
considerados como a água (A) e o 2-metil-1-propanol (B). Descreva o que será observado
quando for aquecida uma mistura de composição b3, dando, em cada estágio, o número, a
composição e as quantidades relativas das fases presentes.
Figura 2. Diagrama de fases para dois líquidos parcialmente miscíveis.
Em b3 (referente a xb = 0,51),a mistura está em um campo bifásico com fases de composição xb = 0,33 e
xb = 0,75, sendo que a fase rica em A é 1,33 mais abundante do que a fase rica em B. Ao ser aquecida a
partir desse ponto, a mistura imiscível passa a ser miscível, ou seja, sofre uma transição onde duas fases
se convertem em uma; no ponto b2 a mistura ferve e o vapor produzido tem composição xb = 0,32, o líquido
apresenta composição praticamente igual à da composição da mistura com xb = 0,51, neste ponto a fração
relativa da fase líquida é muito maior do que a fase vapor. O aumento de temperatura de b2 a b1, aumenta
a fração relativa do vapor, até que em b1 o vapor tem composição próxima à da mistura e apresenta fração
relativa muito maior do que a fase vapor, a fase líquida apresenta xb = 0,66.
2.10. Descreva o que ocorre com uma mistura de dois líquidos A e B, cujo diagrama pode
ser representado pela Figura 3, quando submetido a uma destilação fracionada. Esta mistura
poderia ser separada completamente por meio desta técnica?
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Figura 3. Diagrama de fases para dois líquidos A e B.
O sistema apresentado é azeotrópico, no aquecimento a partir de a1 a mistura ferve em a2, cujo vapor
tem composição a2’. Esse vapor condensa em um líquido de mesma composição. O líquido agora
ferve em a3, cujo vapor tem composição a3’, novamente o vapor condensa mais acima na coluna de
destilação em um líquido mais rico em B. o processo se repete até atingir o ponto a4, onde a
composição do líquido e do vapor é a mesma, e a partir deste ponto não há uma separação de A e B
por meio da destilação e, portanto a separação da mistura em seus componentes puros não é possível.
2.11. Quando se agitou 2,0 g de aspirina em um frasco contendo dois líquidos imiscíveis
encontrou-se que as frações molares de aspirina nos dois líquidos eram de 0,11 e 0,18.
Adicionou-se então 1,0 g de aspirina e encontrou-se que a fração molar no primeiro líquido
tinha aumentado para 0,15. Qual o valor que você espera que a fração molar do segundo
líquido tenha se tornado? (Resposta: xc(2)=0,25)
Conforme Lei de Nernst, temos:
𝑥𝑐(2)
𝑥𝑐(1)
= 𝑐𝑜𝑛𝑠𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒
Portanto, na primeira condição:
0,18
0,11
= 1,636
O valor de 0,0198 é uma constante para a solubilidade da aspirina nos dois líquidos em questão, logo,
na segunda condição, temos:
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𝑥𝑐(2) = 1,636 . 0,15 = 0,25