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Apostila comunicação e expressão 2

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parágrafo. Para terminar esta 
seção, é preciso dizer que o modo como se dá o engendramento entre informação 
recorrente e informação progressiva também é regido pelo gênero e pela tipologia 
textual. 
Você já leu reiteradas vezes, neste livro, que o gênero é uma estrutura que 
define inúmeros aspectos quanto ao sentido de um texto. Se essa informação é 
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importante para a leitura – pois permite antecipar vários sentidos pressupostos – ela é 
ainda mais importante para o ato da escrita, pois não é possível produzir um texto 
sem o conhecimento das características estruturais consideradas essenciais para 
cada gênero específico. Um jornalista que não domina a estrutura do gênero 
jornalístico, um ensaísta que não domina o gênero ensaio, um poeta que não domina 
o gênero poético, um estudante que não domina o gênero acadêmico, um cronista que 
não domina o gênero crônica, entre outros exemplos, dificilmente serão capazes de 
produzir textos lidos como coerentes em seus respectivos contextos. 
Textos argumentativos podem se desdobrar em vários gêneros (ensaios, 
dissertações, teses, monografias etc), mas todos eles precisam respeitar uma 
estrutura específica, na qual é indispensável que o leitor possa reconhecer a tomada 
de posição (chamada geralmente de tese) por parte do autor, seguida de seus 
argumentos. Uma estrutura simplificada do texto argumentativo geralmente apresenta 
a tese já no primeiro parágrafo e faz uso dos demais parágrafos para apresentar os 
argumentos, geralmente um argumento por parágrafo. Por fim, o último parágrafo faz 
um reforço da tese. Vejamos como o senador Humberto Costa fez uso dessa estrutura 
para construir seu texto: 
 
 INFORMAÇÃO NOVA 
Primeiro parágrafo TESE O autor se posiciona contrário à 
liberação da compra de remédios em 
estabelecimentos comerciais 
Segundo parágrafo – 
Primeiro argumento 
Essa possibilidade ameaça estimular 
a auto medicação 
Terceiro parágrafo – 
Segundo argumento 
Remédio deve ser considerado um 
item diferenciado em relação a 
outros produtos 
Quarto parágrafo – 
Terceiro argumento 
Uso indiscriminado de remédios 
pode matar 
Quinto parágrafo – Quarto 
argumento 
No Brasil, é alta a taxa de óbitos por 
uso indiscriminado de medicação 
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Sexto parágrafo – Quinto 
argumento 
A associação de medicamentos 
aparentemente inofensivos pode 
levar à morte 
Sétimo parágrafo – Sexto 
argumento 
A liberação da compra de remédios 
em estabelecimentos comerciais 
pode facilitar a venda de 
medicamentos falsificados 
Oitavo parágrafo – 
Retomada da tese 
enunciada no primeiro 
parágrafo 
Apenas estabelecimentos 
diretamente ligados ao serviço 
farmacêutico devem ter permissão 
para vender medicamentos 
 
Recapitulando 
Neste capítulo, você foi convidado a refletir sobre a coerência textual. 
Inicialmente, a coerência foi definida como o fator que está na base da inteligibilidade 
dos textos. No entanto, ela não pode ser definida de forma absoluta, porque muitos 
textos aparentemente incoerentes acabam adquirindo sentidos coerentes quando são 
situados em contextos específicos. Por isso, não é possível dizer que todos os critérios 
da coerência podem ser encontrados nas estruturas textuais. Antes, ela se encontra 
no processo de interação que o leitor realiza com as estruturas textuais. Por isso, você 
foi convidado a conhecer algumas estratégias de cooperação textual, a saber, o 
código, o estilo e o repertório enciclopédico. Por fim, você foi introduzido na principal 
estratégia para a construção coerente de um texto acadêmico: utilizar adequadamente 
os recursos da progressão e da recorrência de informações. 
 
BIBLIOGRAFIA 
ECO, Umberto. Lector in fabula: A cooperação interpretativa nos textos 
narrativos. São Paulo : Perspectiva, 1986. 
____ . Os limites da interpretação. 2ª ed. São Paulo Perspectiva, 2004. 
[1990] 
KOCH, Ingedore Villaça; TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Coerência e Ensino. In: A 
Coerência Textual. São Paulo: Contexto, 2006. p.101-110. 
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CAPÍTULO 8 – COESÃO 
 
 
Daniela Duarte Ilhesca 
Mozara Rossetto da Silva 
 
 
Vamos analisar neste capítulo o conceito e a aplicação do termo coesão 
textual, um dos fatores indiscutíveis de manutenção do sentido e da articulação dos 
textos. 
O conceito de coesão está diretamente associado a termos como “união”, 
“ligação”, “tessitura”, pois a “conexão” entre as várias partes de um texto, o 
“entrelaçamento” entre palavras, expressões, orações, períodos e parágrafos é quesito 
fundamental para uma escrita de qualidade que garante a transmissão eficaz da 
mensagem do emissor (redator ou falante) ao destinatário/receptor (leitor ou ouvinte). 
Através do emprego apropriado de artigos, pronomes, adjetivos, determinados 
advérbios e expressões adverbiais, conjunções e numerais estabelece-se a coesão 
dentro dos textos. 
 
Observe essa explicação no seguinte fragmento: 
 
 
Fatores genéticos podem ser responsáveis por diferenças notáveis no 
desempenho de uma criança na escola. No entanto, eles só se manifestam se o 
professor for bom, diz uma pesquisa da Universidade da Flórida, publicada na edição 
deste mês da revista Science. O estudo analisou os níveis de leitura de gêmeos que 
estudavam em classes diferentes. Os que tinham professores piores – medidos de 
acordo com o resultado geral da sala – não atingiam o nível dos irmãos, com carga 
genética idêntica. Esse resultado põe em xeque o mito de que bons alunos se fazem 
sozinhos. ( trecho de matéria da Revista Época de 23/04/2010 – Edição 623) 
 
 
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Os enunciados desse texto não estão distribuídos caoticamente, mas sim 
interligados entre si, e essa conexão não é fruto do acaso, mas das relações de 
sentido que existem entre eles. Essas relações de sentido são explicitadas por certas 
categorias de palavras, as quais são chamadas de elementos de coesão. 
No texto visto, podemos observar a função de alguns desses elementos de 
coesão: 
Algumas palavras destacadas são denominadas de anafóricos, pois têm como 
função retomar elementos textuais já mencionados, sem reproduzir a mesma palavra 
ou expressão: “eles”, “o estudo”, “que”, “os que”, “esse resultado”. 
Outras palavras destacadas são classificadas como articuladores, pois 
estabelecem relações de significado entre as orações e os períodos, tais como: 
• no entanto – sentido de oposição ; 
• se ─ sentido de condição ; 
• de acordo com – sentido de conformidade. 
 
Há, portanto, dois tipos principais de mecanismos de coesão : 
• retomada de termos, expressões ou frases através do uso dos anafóricos; 
• encadeamento de segmentos do texto através do uso dos articuladores. 
 
8.1 COESÃO POR RETOMADA 
 
A Coesão pode se efetivar através da retomada de uma palavra gramatical tal 
como pronomes, verbos, numerais ou advérbios ou retomada através de uma palavra 
lexical, que seria a substituição por um sinônimo ou por uma expressão 
correspondente. 
 
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8.1.1 Retomada por uma palavra gramatical (pronomes, verbos, numerais, 
advérbios) 
Observe o fragmento que segue, extraído do conto A Esfinge sem Segredo, de 
Oscar Wilde: 
A Esfinge sem segredo 
 
Achava-me numa tarde sentado no terraço do Café Paz, contemplando o 
fausto e a pobreza da vida parisiense, a meditar, enquanto bebericava o meu 
vermute, sobre o estranho panorama de orgulho e miséria que desfilava diante de 
mim, quando ouvi alguém pronunciar o meu nome.

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