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APS   ONG Banco de Alimentos COMPLETA 2º semestre

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a favor do não-desperdício, em que a ONG realiza um acompanhamento e instrução das entidades cadastradas, com nutricionistas e profissionais que orientam a cozinha do local a não desperdiçar partes essenciais dos alimentos, como cascas, sementes, talos e raízes, aproveitando toda a sua carga nutricional. Além disso, também são realizados workshops, palestras e eventos voltados para a orientação da sociedade quanto ao aproveitamento de alimentos. 
O Banco de Alimentos atende 42 instituições assistenciais — configuradas como o core business da associação — que, em sua ponta, alimentam 22 mil pessoas em suas mais variadas naturezas de necessidades e deficiências, desde crianças e idosos, passando também por adultos economicamente dependentes. [1: De acordo com o Dicionário Financeiro, Core Business é o “negócio central da empresa, a atividade primária, aquela em que a companhia é especialista e sobre a qual deverá centrar seus esforços, do ponto de vista estratégico”. ]
História 
O Banco de Alimentos foi fundado em 1998 pela iniciativa de Luciana Chinaglia Quintão, formada em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Luciana sempre foi humilde e ligada a causas sociais, como a fome, a distribuição de alimentos e desigualdade social. E, aos 37 anos, refletiu sobre suas ambições e desejos e pôs em prática suas inspirações, fundando a ONG, que foi a primeira instituição na categoria de banco de alimentos de São Paulo, motivo pelo qual adotou o mesmo nome de sua classificação. 
Durante o processo de criação e estabelecimento como associação civil, obter doadores foi uma das principais dificuldades. Luciana enviou 400 cartas para 400 industrias, empenhando-se em conquistar beneficiários que pudessem fornecer os produtos que seriam descartados. Entretanto, de todas as correspondências, apenas 7 retornaram com resposta, elogiando sua iniciativa, mas negando a proposta. Isso ocorreu porque, no Brasil, a responsabilidade civil das doações é sempre atribuída aos concessores de alimentos e estes não queriam assumir o risco de enfrentar processos no caso de algum dos receptores adoecerem devido ao mal acondicionamento ou transporte de seus produtos. Desse modo, Luciana precisou atribuir para si a responsabilidade civil das doações, que é feita através de um recibo entregue tanto ao doador como ao receptor. Neste recibo, o Banco de Alimentos assume o compromisso do transporte e acondicionamento adequados até a entrega, quando os produtos são verificados, datas de validade e qualidade inspecionadas, e a responsabilidade civil é então passada para a instituição receptora. E, apesar da ONG possuir diversos advogados, até o momento, nenhum caso de irresponsabilidade nas esferas anteriormente tratadas foi registrado. 
Tratamento dos Alimentos
O Banco de Alimentos recolhe mensalmente 40 toneladas de comida, aproximadamente. Esse valor é suscetível a variações e a ONG tem como meta alcançar 60 toneladas mensais de alimentos coletados para reaproveitamento. Todos os produtos mediados pela ONG não são manipulados diretamente, sempre estando dentro de embalagens e respeitando a data de validade, cumprindo as normas estabelecidas pela ANVISA. 
Arrecadação e Seleção
Todos os alimentos são selecionados e preparados pelos próprios doadores, que verificam sua qualidade e condições para consumo, além de aprontarem a embalagem e a forma de armazenamento para o transporte. Desse modo, quando o Banco de Alimentos recolhe os produtos, nenhum é descartado, sendo logo em seguida entregues ao seu destino. Hortifrútis configuram-se como os principais mantimentos transportados, mas a ONG também cobre outras classificações, como laticínios, pães, peixes, não perecíveis e demais excedentes de comercialização. 
Transporte
O Banco de Alimentos, por assumir a responsabilidade civil referente à qualidade dos produtos, prefere não armazenar alimentos, a fim de evitar que estes pereçam por não serem acondicionados de forma adequada. Com exceção de algumas mercadorias não perecíveis que foram apanhadas em situações específicas, como um horário próximo ao fim de expediente, os demais mantimentos são todos repassados após serem retirados de seu ponto de origem. A coleta é feita por motoristas treinados que, após recolherem os itens, realizam uma triagem para facilitar a distribuição para as instituições programadas para o dia. 
Dificuldades no dia a dia 
A ONG enfrenta dificuldades de todas as naturezas. A principal delas é referente à área financeira. Por ser uma associação civil, criada e mantida por pessoas físicas, não recebe auxílio do Estado, sendo totalmente dependente de doações, que cada vez mais tem decaído e se configuram como uma das principais prioridades da Organização. Aparições na mídia se apresentam como uma provável solução, uma vez que, com a visibilidade em alta, as pessoas seriam tocadas pela iniciativa e se mobilizariam para realizar doações. Entretanto, a mídia é exposta como a segunda grande dificuldade enfrentada pelo Banco, uma vez que essa é escassa e, apesar da ONG possuir material qualificado para divulgação, ela não dispõe de recursos suficientes para veiculá-la em canais que atinjam a população. Para auxiliar na iniciativa das doações, o Banco de Alimentos disponibiliza em seu site um documento de transparência com os gastos e principais ações, a fim de mostrar confiabilidade. [2: Documentos de transparência disponíveis em <http://www.bancodealimentos.org.br/transparencia/> ]
Os outros percalços se referem à logística da organização da ONG, como a administração do roteiro de retirada e entrega, considerando possível problemas como trânsito, rodízio de veículos — que exige uma documentação especial para que os automóveis do Banco de Alimentos possam trafegar —, manifestações, além da quantidade de alimento — que deve ser sempre em grandes porções, para valorizar todos os gastos da movimentação — e o tempo com que este será transportado. 
Fontes Doadoras
Os doadores de alimentos são principalmente indústrias, grandes varejos e supermercados. Nomes como Wickbold, Danone, Pão de Açúcar e Barilla integram ou já integraram a lista de contribuintes do projeto. Pessoas físicas também podem participar dessas doações, porém a ONG media o transporte de retirada dos alimentos apenas quando estes se apresentam em grandes quantidades, a fim de tornar viáveis os custos do deslocamento. 
Doadores financeiros, por sua vez, vão desde pessoas físicas — que podem auxiliar através do site oficial do Banco de Alimentos, com valores a partir de R$10,00, mediadas por cartão de crédito — até programas em que a ONG é credenciada. Destes últimos, é possível citar o Programa Fidelidade, um recurso voltado para o terceiro setor onde, a partir do site Get Together, é possível se associar, realizar doações mensais e contar com benefícios em lojas como Magazine Luiza, Marisa, Saraiva, entre outras; o movimento Arredondar, uma ferramenta que arredonda o valor de compras realizadas, onde os centavos acrescentados à quantia inicial vão para instituições cadastradas no programa, como o Banco de Alimentos; e também a Nota Fiscal Paulista, por meio da qual todas as notas fiscais de São Paulo que não contenham o CPF do comprador podem ser doadas para organizações credenciadas, a partir do envio do documento para a instituição. [3: Doações a partir do site oficial do Banco de Alimentos disponíveis em: <http://www.bancodealimentos.org.br/doacoes/>.][4: Site oficial do movimento, com mais informações, disponível em: <http://www.arredondar.org.br/> ][5: Informações referentes às doações de crédito a partir da Nota Fiscal Paulista sem CPF disponíveis em: <http://www.nfp.fazenda.sp.gov.br/entidades.shtm>]
Mídia
Canais 
O Banco de Alimentos possui dois canais midiáticos de importância vital para a divulgação dos projetos: o Facebook e o Google. Através do Facebook são divulgadas as atividades, eventos e também parceiros. Já por intermédio