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APS   ONG Banco de Alimentos COMPLETA 2º semestre

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refeições possa subir. Elas sabem que quando recebem uma abóbora, por exemplo, dá para usar a semente para uma coisa, a casca para outra e a polpa para uma outra, a abóbora é integralmente usada. Beterraba da mesma forma, cozinha a beterraba, o talo e a folha viram parte de uma sopa. Para isso tudo é feito um treinamento com nutricionistas para que eles possam aprender a não desperdiçar. Temos também esse viés. Combate à fome na medida que é recolhido, na primeira ação, e a segunda ação da ONG é exatamente fazer a educação das entidades que estão recolhendo o nosso alimento, para que eles possam usar na íntegra.
Kadyje: Quantas pessoas e/ou instituições são beneficiadas pelo projeto? Há alguma história emblemática em que o Banco de Alimentos mudou a vida de uma pessoa?
Daniela: Temos centenas de histórias. Abastecemos casas, por exemplo, que tem 1300 pessoas, tem a casa de Davi que fica na Fernão Dias e acata pessoas adultas que são deficientes mentais. Trabalhamos com a Casa Transitória, que atende mais de 6000 pessoas da própria comunidade e que também é uma casa de passagem, onde as pessoas chegam na cidade de São Paulo, não tem onde ficar e poderiam depois ficar na comunidade. Todas essas pessoas são alimentadas de alguma forma com algum ingrediente ou parte daquilo que levamos. Entendemos que passa pelo dia a dia de pessoas com inúmeras histórias. A história emblemática que eu tenho para contar talvez não seja pontualmente a respeito de uma pessoa, porque seria muito difícil ter a história de uma única pessoa, abastecemos de comida várias. Lógico que existem pessoas que conhecemos muito, como na Casa Transitória, na Casa de Davi também, tem o Arsenal da Esperança, que é uma casa que recolhe as pessoas que dormem na rua, abriga-os efetivamente, então, uma casa enorme também, com um trabalho muito bonito e com histórias interessantes. A história que eu ia contar para vocês é emblemática sob o ponto de vista de negócios em São Paulo. Fomos chamados no começo do ano para ajudar na produção de uma feira. Então, a história é mais ou menos o seguinte: Existe o Expo Center Norte e eles estavam fazendo uma feira de pescas, barcos, iates, jet-ski, lanchas, e tinha um tanque, com um lago artificial de tilápias, que servia para testar vara de pescar. Legal, bacana. Ele ficou a feira toda, feira de uma semana, e quando deu sexta feira, eles nos ligaram de tarde, e falaram “Olha, temos 800kg de tilápias e elas vão ser jogadas fora”, e perguntamos se eles queriam nos entregar e pensamos como que poderíamos fazer isso. Disseram que o Expo Center Norte fecharia as portas no domingo para feira, à meia noite, e eles só poderiam entregar quando estivesse tudo fechado, então entre meia noite e duas horas da manhã podíamos retirar. Eles falaram que davam o gelo e o tanque para colocarmos dentro do carro com os 800kg de tilápias. E ficamos pensando como a produção de um evento desses não teriam pensado nisso antes. Nos organizamos em 3 ou 4 horas, tivemos que localizar uma casa que pudesse receber 800kg de peixe, e que possuísse uma câmara frigorífica capaz de armazenar, gente capaz de comer, porque não era uma coisa que desse para compartilhar, era uma remessa para uma Instituição só, e como que íamos fazer com o nosso motorista, nosso carro, hora extra e etc. Bom, enfim, foi conseguido o carro, o nosso motorista conseguiu ir lá e conseguimos também uma Instituição que pudesse abrir as portas às duas horas da manhã num domingo. A gente acabou levando, e ficamos sabendo que esses peixes foram usados para eles comerem na semana da Páscoa, que é uma semana que tem tudo a ver. Então histórias como essas, que as pessoas não conhecem, acabam sendo muito importantes para as nossas entidades e importantes porque reconhecem o trabalho que é feito, que é realmente mobilizar a comida de onde ela está sobrando e levando pra onde está faltando.
Giovanna: Qual a maior dificuldade enfrentada no dia a dia?
Daniela: Recursos para que a gente possa pagar essa operação toda. Infelizmente a gente vive de doação financeira, doação de empresas, doação das pessoas, e as pessoas doam muito pouco, a doação de pessoas físicas tem caído muito, e as pessoas não se encantam por nenhuma das ações. Então, a arrecadação financeira pra gente, sem dúvidas, é uma das nossas maiores prioridades e dificuldades também. Para nos tornarmos conhecidos, para que as pessoas doem, para se ter uma ideia, se 20000 pessoas doassem R$9,00 por mês, ficaríamos autossustentáveis. Quando você tem mídia, as pessoas doam mais. Mídia é um dos problemas para nós, podemos ter a melhor campanha do mundo, onde que eu veículo? Como que as pessoas chegam em mim? Eu tenho que fazer um trabalho de comunicação muito importante, um trabalho de network importante para que eu chegue até a mídia, para que a mídia me reconheça e conte a minha história. Então, mídia em ONG é uma coisa muito delicada. E olha que a gente é auditado, presta contas, tem relatório de transparência na internet, não precisamos que as pessoas desconfiem para onde vai o nosso dinheiro, provamos para onde ele vai. E ainda assim é complicado chegarmos na ponta final. Se você falar “Puxa, se levar pra Unip, se a Unip tirasse um real de cada mensalidade, de cada aluno, eles sustentavam a gente”, com muito menos que um real, com cinquenta centavos por aluno. Agora bate na porta de uma Instituição e pede isso. Você vai falar “tudo bem, eu não preciso pedir, vamos fazer uma campanha interna e eu pergunto se o aluno quer colocar cinquenta centavos a mais”, mas ainda assim eu digo pra vocês que nem 10% acata, porque a doação é uma coisa que depende da pessoa, ela tem que se mobilizar. Se não fosse assim, teríamos muitos mais projetos sociais que pudessem ser feitos.
Kadyje: Quais são as principais fontes que contribuem para a doação de alimentos?
Daniela: Doadores industriais e grandes varejos, supermercados. Por exemplo, a Wickbold já foi nossa doadora de pão, a Danone é nossa doadora constante de laticínios, algumas lojas do Pão de Açúcar são doadores de excedentes do hortifrúti, a Barilla já doou toneladas de macarrão. Ou seja, nas suas duas pontas são indústrias e varejo de grande porte.
Giovanna: Qual o meio pelo qual as pessoas podem contribuir com o projeto?
Daniela: Essencialmente através da doação de alimentos ou doação financeira. Para doação financeira está na nossa Home, tem um botãozinho lá que você pode doar sem recorrência, inclusive entra no cartão de crédito. Temos doações a partir de R$10,00/mês, dá R$120,00/ano. As pessoas podem doar através de ferramentas e aplicativos de celular. Fazemos parte de alguns aplicativos de doação também. Através do Programa Fidelidade, o primeiro programa fidelidade brasileiro para terceiro setor que chama Get Together, um site muito bonitinho, você se associa lá e faz sua doação mensal, que eu acho que é a partir de R$9,00, e pode inclusive ter uma série de vantagens em umas sete lojas (Magazine Luiza, Marisa, Saraiva, etc), como um cartão fidelidade mesmo. Essa é a parte financeira. Pode também fazer no arredondado. Existe uma ferramenta hoje no mercado que se chama Arredondar, que arredonda o troco, então, por exemplo, você vai fazer uma compra no supermercado e sua compra dá R$18,70, a caixa pergunta “você gostaria de arredondar seu troco?”, vai para R$19,00 e esses trinta centavos vão para uma Instituição, somos uma dessas credenciadas. E Nota Fiscal Paulista, toda Nota Fiscal Paulista no Estado de São Paulo que não tenha CPF pode ser doada pra gente, é só você mandar a nota pra nós. Agora estamos com uma campanha no restaurante Week, que você fotografa e manda pelo Instagram a nota fiscal. E na parte de voluntariado, infelizmente, não tem muita coisa a se fazer, a não ser voluntários para digitação de notas fiscais e eventuais arrecadações de alimentos dentro das empresas, enfim. Se for um número grande de cestas básicas, como fizemos em um concurso de futebol, que eram 17 condomínios, que a entrada era uma cesta básica, neste caso, que eu vou coletar