bloqueio av
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BLOQUEIO AV 
 
CAROLINA POBLETE URRUTIA HARMBACHER 1 
 
ECG normal para comparação: 
 
 
Bloqueio Atrioventricular 
Chama-se de bloqueio atrioventricular (bloqueio AV) a dificuldade ou a impossibilidade de condução dos estímulos dos 
átrios para os ventrículos. BAV é a interrupção parcial ou completa da transmissão do impulso dos átrios aos 
ventrículos. 
Definição: Atraso ou impossibilidade de transmissão do estímulo elétrico atrial, em qualquer nível do sistema de 
condução sinoventricular, especialmente na junção AV. 
Os bloqueios AV podem ser de 1º, 2º ou de 3º graus. Os dois primeiros são chamados de incompletos e o último, de 
completo. 
Etiologia: 
\u2022 Autonômicas: hipersensibilidade do seio carotídeo, vasovagal 
\u2022 Metabólica/endócrina: hiperpotassemia, hipopotassemia, hipermagnesemia, hipotireoidismo, insuficiência 
adrenal 
\u2022 Drogas: beta-bloqueadores, CCB, digital, adenosina, lítio, antiarrítmicos (I e III) 
\u2022 Infecciosas: endocardites, tuberculose, Lyme, Chagas, sífilis, difteria, toxoplasmose, FR 
\u2022 Congênitas/hereditárias: LES materno, Distrofia miotônica, doenças cardíacas congênitas 
\u2022 Inflamatórias: LES, AR, DMTC, SCl 
\u2022 Infiltrativas: amiloidose, sarcoidose, hemocromatose 
\u2022 Neoplásica/traumáticas: linfoma, mesotelioma, melanoma, radiação, ablação com cateter 
\u2022 Degenerativa: Lev e Lenègre 
\u2022 Doença Coronariana: IAM 
 
Classificação: 
Duração: 
\u2022 Transitórios ou reversíveis: vagotonias (atletas e jovens); cardiopatias agudas; medicamentos e distúrbios 
metabólicos, Lyme 
 BLOQUEIO AV 
 
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\u2022 Intermitentes: isquêmicos, inflamatórios 
\u2022 Persistentes ou irreversíveis: degeneração do sistema de condução; doença de Chagas e doença 
coronariana 
 
Sede (EFH): 
\u2022 Nodal \u2013 nodo AV 
\u2022 Troncular \u2013 tronco do feixe de His 
\u2022 Ramos do feixe de His: 
o Bifascicular (bilateral) 
o Trifascicular (BRD e 02 divisões do RE) 
o Tetrafascicular (anterior e aumento de PR) 
 
Grau: 
Bloqueio AV de 1º Grau 
 
Relacionado com o intervalo PR 
 
Intervalo PR: início da onda P ao início do QRS (onda Q ou R) - envolve todos os fenômenos de despolarização atrial 
e condução atrioventricular que antecedem a despolarização dos ventrículos. 
\u2022 Ritmo supraventricular (QRS estreitos) 
\u2022 Todos os impulsos atriais conseguem ativar os ventrículos 
\u2022 FC dentro da normalidade 
DIAGNÓSTICO: INTERVALO PR ACIMA DE 0,20s 
Etiologia: vagotonia, hipopotassemia, hipermagnesemia, drogas (digital, propranolol, prostgmine, verapamil), doença 
coronariana, cardiopatias congênitas (Ebstein, CIA), estenose tricúspide e cardite reumática 
Fisiológico 
Prognóstico: benígno. Raramente pode evoluir para casos mais avançados. 
 
 BLOQUEIO AV 
 
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Nesse grau de bloqueio, todos os estímulos atriais conseguem despolarizar os ventrículos com algum retardo, havendo 
apenas um aumento do intervalo PR, além do normal, considerando-se a idade e a frequência cardíaca. É devido, em 
90% dos casos, ao prolongamento do tempo nodal AV da condução atrioventricular. De modo geral, considera-se haver 
bloqueio AV de 1ºgrau quando o intervalo PR é fixo e igual ou superior a 0,21 segundo (Fig. 29-1). 
 
 
 
Bloqueio AV de 2º Grau 
 BLOQUEIO AV 
 
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Nesse grau de bloqueio, nem todos os estímulos atriais conseguem despolarizar os ventrículos. Há quatro variedades 
desse tipo de dificuldade de condução: 
 
Bloqueio AV de 2ºGrau Tipo Wenckebach ou Mobitz I 
Alargamento progressivo do intervalo PR, com incrementos menores, até que uma onda P é bloqueada (3:2; 4:3; 5:4). 
Mais comum 
Etiologia: medicamentosa, vagotonia, isquêmica 
Forma clássica: aumentos decrescentes de PR 
Variedade I: aumentos iguais de PR. Simula o BAV total 
Variedade II: ciclos longos (12:11). Simula o BAV 1° grau 
Variedade III: Wenckebach de alto grau (extremo) Resposta 2:1. Simula o BAV 2° grau MII 
 
 
É caracterizado por intervalos PR progressivamente mais longos, até que surge uma onda P não seguida de QRS. O 
intervalo PR seguinte é novamente mais curto e os subsequentes vão aumentando progressivamente até surgir nova 
onda P não seguida de QRS. O conjunto de ciclos com prolongamento dos intervalos PR, até a perda da resposta 
ventricular, é chamado de período de Wenckebach (Fig. 29-2). 
 
Esse fenômeno é devido, em 75% dos casos, à condução decrescente na região nodal atrioventricular. Quando o 
primeiro batimento do ciclo de Wenckebach já apresenta PR aumentado, dizemos que há bloqueio AV de 1ºgrau 
associado a bloqueio AV de 2ºgrau, tipo Wenckebach (Fig. 29-3). 
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Bloqueio AV do 2ºGrau Tipo Mobitz II 
Características: 
\u2022 Intervalo PR constante 
\u2022 Bloqueio do tipo tudo ou nada 
\u2022 Alguns batimentos bloqueados 
Nessa eventualidade, observamos, vez por outra, uma onda P não seguida de complexo QRS. Contudo, os intervalos 
PR nos batimentos conduzidos são fixos (Fig, 29-4). 
 BLOQUEIO AV 
 
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Esse bloqueio tem origem na região hissiana ou na pós-hissiana. Na grande maioria dos casos (93%) é pós-hissiano. 
 
 
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Pior prognóstico (BAV total e crise de Stokes-Adams) 
Pior prognóstico no IAM (anterior- necrose e destruição dos ramos de His; inferior- disfunção do nó AV) 
Complexo QRS normal ou alargado 
 
Bloqueio AV do 2ºGrau Tipo 2:1 
Pode ser tanto o Mobitz I (Wenckebach) de alto grau como o BAV Mobitz II 
Verificar padrão de mudança de resposta do nó AV a drogas, manobras vagais, registro longo do eletro, mudança 
velocidade de registro 
Sem mudança de padrão: BAV 2:1 
É um tipo particular de bloqueio, com padrão fixo de resposta AV tipo 2:1; isto é, ao eletrocardiograma observa-se a 
presença de duas ondas P para um QRS (Fig. 29-5). 
 
Os intervalos PR dos batimentos conduzidos não mostram variações, podendo ser normais ou prolongados. Quando 
prolongados, temos a associação de bloqueios AV de 1º e 2ºgraus, esse tipo 2:1. 
Os bloqueios AV tipo 2:1 são, na metade dos casos, pré-hissianos, e na outra metade ocorrem no tecido periférico. 
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Bloqueio AV do 2ºGrau, Avançado 
 
É assim chamado o bloqueio AV em que a condução atrioventricular ocorre em uma proporção inferior a 50%. Teremos 
então padrões de condução tipo 3:1, 4:1 (Fig. 29-6), 5:1 etc. (o numerador indica o número de ondas P e o denominador, 
o número de complexos (QRS). 
 BLOQUEIO AV 
 
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No bloqueio AV avançado, os batimentos conduzidos podem ter intervalos PR normais ou aumentados, podendo haver 
discretas variações nesses tempos de condução. 
A morfologia de todo o traçado é de um bloqueio AV de 3ºgrau, mas a presença de momentos de enlace AV faz o 
diagnóstico de bloqueio AV avançado. Essa condição é mais frequentemente observada nos bloqueios das regiões 
hissiana e pós-hissiana. 
 
Bloqueio AV de 3º Grau 
Caracteriza-se pela completa dissociação entre átrio e ventrículo (Nodal, troncular ou fascicular) 
O ritmo atrial é sinusal 
O ritmo ventricular é de escape-idioventricular: 
\u2022 Juncional: QRS estreito e frequência>40bpm 
\u2022 Ventricular: QRS alargado e frequência <40bpm 
Frequência atrial > ventricular 
Onda P em qualquer posição ao QRS 
Intervalos R-R regulares 
Causas: 
\u2022 Doença