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artigo história mecanização

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No período entre 1780 e 1900 a área 
cultivada nos naquele país é de 160 milhões de hectares, mais de 10 vezes a superfície cultivável da 
Inglaterra e do País de Gales (HUGHES, 1972 e FONSECA, 1990). 
Em análise a esse desenvolvimento, Rasmussen (1983, apud FONSECA, 1990) aponta que várias 
pessoas que foram determinantes no desenvolvimento destes equipamentos norte americano: George 
Washington contratou um técnico britânico, Artthur Young, defensor do progresso tecnológico na 
 
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 O hectolitro é uma unidade de volume equivalente a cem litros, representado pelo símbolo hl. É o segundo múltiplo do litro e, também, equivale a 100 
decímetros cúbicos (0,1 metros cúbicos). 
 
Campo Grande, 25 a 28 de julho de 2010, 
Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural 
agricultura visando o desenvolvimento técnico; Thomas Jefferson buscou melhorias e inovações 
mecânicas, desenvolvendo projetos para semear, seed drill, e outra série de utensílios agrícolas. 
 A máquina de descaroçar o algodão foi um dos principais avanços no período, projetada por Eli 
Whitney. Considerada um autentica inovação, já que este processo demandava grande contingente de 
mão-de-obra, foi um equipamento que gerou grande aumento na produtividade daquela cultura. O solo de 
pradaria2 norte americano foi outro fator determinante para o desenvolvimento de novos utensílios, já que 
os arados de madeira e ferro não se adaptavam àquele solo e os arados não deslizavam no solo abrindo os 
sulcos adequadamente, o ferreiro John Deere em 1837 do estado de Illinois, desenvolveu arados de ferro 
forjado liso que se adaptavam ao solo de pradaria. 
 Entre 1830 e 1860, foi a vez das ceifadeiras e segadeiras, para feno, de serem as grandes 
inovações da época. Gerando espaço para o desenvolvimento de vários equipamentos de colheitas. Além 
da primeira versão de colheitadeiras desenvolvidas por Hussey, surge a colheitadeira de McCormick, este 
abriu uma fábrica em Virgínia, estado norte americano, expandindo seu negócio para Chicago, chegando 
a produzir cerca de quatro mil máquinas por ano, tornando-se o maior produtor em 20 anos. Seu 
deslocamento para Chicago teve como propósito acompanhar os agricultores através das pradarias e 
planícies recém conquistadas (FONSECA, 1990). 
 O sucesso das máquinas até então desenvolvidas (ceifadeiras e enfardadeiras) que dependiam 
apenas de tração animal para seu funcionamento, encorajaram novas inovações no sentido de criar uma 
dependência de mão-de-obra humana, como máquinas destinadas para a cultura do milho que arava, 
semeava e cobria em uma mesma operação e um ancinho3 para feno e grãos, ambos tracionados por 
animais. 
Para Rasmussen, 1983 apud Fonseca (1990), é a guerra civil norte americana que fornece todo o 
ímpeto para uma grande mudança agrícola e para conversão de tração humana e tração animal para força 
mecânica. Os estados unidos foram os pioneiros no uso de tratores, grandes trilhadoras e “combines”, as 
colhedeiras, que executavam em um dia o processo de colher 12 hectares de trigo e realizar todas as 
operações necessárias, até o ensacamento do grão, todas ela movidas a vapor. Em, Dakota, estado norte 
americano, por volta de 1880, fazia-se aração em grande escala, com dezenas de arados trabalhando 
simultaneamente e paralelamente. Esses arados eram montados sobre pequenos carros sobre duas rodas 
onde um homem direcionava quatro cavalos, que geravam a tração, para o cultivo de imensas áreas com 
produtos destinados ao mercado. 
 Após o “Homestead Act”4, em 1862, a ocupação de novas terras nas pradarias e depois o oeste e, 
também, a construção das grandes estradas de ferro, possibilitaram a criação de uma agricultura moderna 
e mecanizada nos Estados Unidos. As máquinas a vapor eram utilizadas em várias atividades agrícolas, 
sendo exemplo de sua utilização: Oliver Dalrymple, fazendeiro de trigo no Minessota, assim como outros 
fazendeiros do Red River Valley, em Dakota do Norte , em 1880, iniciaram seu cultivo de trigo usando 
tratores a vapor (RASMUSSEN, 1983). Vale observar que a mecanização não ficou limitada às grandes 
fazendas monocultoras, mas expandiu-se para os outros agricultores. Essa tendência à mecanização 
firmou-se, no começo do século de 1900 as vendas anuais de máquinas agrícola, nos Estados Unidos, 
incluindo as exportações, alcançou 101 milhões de dólares, frente a 7 milhões de dólares ao ano, 
alcançados há 50 anos atrás (FONSECA, 1990). 
 
2- Evolução Tecnológica dos Tratores no Século XX 
Os tratores substituíram os animais à tração animal completamente na América do Norte antes da 
Segunda Guerra Mundial, e não Europa pouco depois da mesma (exceto Itália, aonde o processo foi mais 
lento). O trator assemelhava-se às maquinas movidas a vapor, charrua, usada na agricultura, usada pelos 
agricultores americanos e canadenses no século passado. A fabricação de tratores atingiu seu auge em 
1913, quando dez mil tratores foram fabricados. O primeiro trator a gasolina foi construído em 1892 na 
manufatura de Froelich (engenhoca com um motor), nos Estados Unidos, ver Figura 4.1 O 
 
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 Pradaria é uma planície vasta e aberta onde não há árvores nem arbustos, com capim baixo em abundância. Estão localizadas em praticamente todos os 
continentes, com maior ocorrência na América do Norte. 
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 O ancinho é um instrumento utilizado na agricultura e na jardinagem constituído por um longo cabo de madeira preso a uma travessa dentada, geralmente de 
metal. É utilizado para coletar materiais, como folhas, grama solta, palha, feno e, também, em hortas para preparar a terra para o plantio. É conhecido, 
também, por gadanho ou rastelo. 
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 Lei da Propriedade Rural (Homestead Act), foi uma lei criada pelo Presidente Abraham Lincoln no dia 20 de maio de 1862. A lei determinava a transferência 
de terra do Estado para pequenos agricultores, incluindo os escravos negros, definitivamente libertados pela guerra. 
 
Campo Grande, 25 a 28 de julho de 2010, 
Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural 
desenvolvimento de Froelich foi adquirido por Jonh Deere, servindo como base para seus tratores no 
início do século. Somente em 1895 foi apresenta um projeto de automóvel movido à gasolina, projetado 
por Selden (WRIGHT, 1990). A primeira fábrica de trator, Hart-Parr Company, surgiu em Iowa, estado 
norte americano, em 1905, por meio de grande esforço de um grupo de pesquisadores da Universidade de 
Wisconsin, logo depois esta empresa foi incorporada pela Oliver (FONSECA, 1990). 
 
 
Figura 4.1 Trator Froelich movido à gasolina. 
Fonte: http://www.campsilos.org/excursions/grout/two/froelich_tractor_lg.jpg 
O desenvolvimento do mercado para tratores movidos à gasolina ou diesel foi lento até a Primeira 
Guerra Mundial. Fatores como elevação dos preços dos produtos agrícolas, escassez de mão-de-obra e o 
estímulo do governo norte americano, encorajaram os fazendeiros a realizar a transição para a 
mecanização, estimulando a produção industrial. 
 Na década de 1920 a mecanização da agricultura nos Estados Unidos aumentou moderadamente, 
após o New-Deal5, devido aos programas agrícolas promovidos pelos Estados Unidos, e após a Segunda 
Guerra Mundial que a transição para mecanização ocorreu fortemente, aumentando o mercado norte 
americano consideravelmente. No período entre as Guerras Mundiais, o mercado americano de tratores 
apresentou pequeno aumento, mas o seu desenvolvimento tecnológico foi muito significativo. Este 
avanço se deu por meio de inovações de produto e avanços consideráveis no processo de produção, 
principalmente na linha de produção. 
 Até 1913, o processo de montagem dos tratores era completamente descontínuo. Neste ano tentou-
se implantar o primeiro processo de montagem de tratores

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