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em série. Nos anos seguintes, as melhorias 
ocorridas e incorporadas, como ignição por magneto (que permitia uma maior impulsão de arranque) e a 
introdução do motor a querosene (operava sem a necessidade de água para controlar o aquecimento), 
permitiram aumentar o desempenho do trator. O desenvolvimento de um sistema de acionamento de força 
foi desenvolvido e bem sucedido em 1918, dando potência na transmissão de força para diversos 
implementos. 
 O Fordson, ver Figura 4.2, foi o primeiro trator a obter grande sucesso, montado pela Ford e 
lançado em 1917. A grande inovação deste trator estava na linha de produção, onde pela primeira vez um 
trator foi montado em série, permitindo uma expressiva redução nos custos, em relação aos outros tratores 
montados descontinuamente, abrindo caminho para sua difusão na agricultura. Num mercado estimado de 
135 mil unidades de tratores, em 1918, a Ford atingira a marca de 25%. Sendo que em 1925, alcançou a 
marca 70% dos 158 mil tratores vendidos apenas nos Estados Unidos (FONSECA, 1990). 
 
 
Figura 4.2 – Modelo Fordson 
 Por volta de 1920, já existia um projeto básico de trator que permaneceu basicamente o mesmo 
por durante duas décadas. Esse projeto básico, cuja concepção era o Fordson, pode ser considerado como 
uma inovação primária. A partir dele foram sendo incorporados vários avanços técnicos com 
 
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 O New Deal foi uma série de programas implementados nos Estados Unidos entre 1933 e 1937, no governo de Franklin Delano Rooselvelt, com o objetivo 
de recuperar e reformar a economia norte americana, e assistir aos prejudicados pela Grande Depressão. 
 
Campo Grande, 25 a 28 de julho de 2010, 
Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural 
características de inovação e melhorias técnicas. Mesmo assim, a utilização do trator estava restrita a 
poucas operações iniciais de preparo do solo. Sendo que uma versatilidade da máquina ocorreu após uma 
série de esforços dirigidos para melhorar seu funcionamento, adequando-se a operações menos 
rudimentares. 
 Após vários esforços tecnológicos, que duraram cerca de dez anos, foi desenvolvido um trator de 
uso geral, por volta de 1925. O Farmall (ver Figura 4.3), da International Harvester, representa o primeiro 
trator adaptado a uma série de operações agrícola. A grande novidade foi a introdução de uma mecanismo 
que facilita a elevação dos implementos do nível do solo. O Farmall possibilitou que a tratorização fosse 
estendida às culturas extensivamente alinhadas. 
 
 
 Figura 4.3 – Modelo Farmhall 
 Entre os anos de 1920 e 1940 foram lançadas outras novidades, a Jonh Deere introduz o modelo 
“D” (ver Figura 4.4) com custo menor em relação ao Fordson, que serviu como referência para outros 
tratores de sua linha, até os anos de 1960. 
 
Figura 4.4 - Modelo D da John Deere 
H. Hans, em 1921, desenvolveu o Lanz Bulldog (ver Figura 4.5), que tinha como vantagem, em 
relação ao trator da Jonh Deere, é que poderia ser operado com qualquer tipo de combustível (gasolina ou 
óleo vegetal), apresentando um menor número de componentes. Foram vendidas mais de seis mil 
unidades deste modelo. Em 1923 esta empresa desenvolveu o primeiro trator com tração nas quatro rodas, 
que não deslanchou no mercado. A Deere comprou sua planta da Lans em 1956. 
 
Figura 4.5 - Modelo Lanz Bulldog 
 Outro desenvolvimento que houve no período foi a substituição da roda de ferro pela pneumática 
de borracha, a grande evolução desta substituição se deu em 1938. A Continental inicia a fabricação de 
pneus para Lans em 1931. Com a introdução dos pneumáticos, o trator ganha maior equilíbrio e 
estabilidade, facilitando a sua operação em campo. Outro ponto importante com a substituição dos pneus 
foi que a capacidade de tração dos tratores simplifica consideravelmente seu deslocamento ao longo de 
estradas pavimentadas ao mesmo tempo em que representa aumento de conforto para o tratorista. Entre 
1935 e 1940 a comercialização destes tratores passou de 14% para 95% (FONSECA, 1990). 
 Este trator passou a ser considerado como padrão máximo de desenvolvimento tecnológico do 
trator, mantendo-se o projeto básico original praticamente inalterado. Os desenvolvimentos tecnológicos 
que ocorrem neste período foram apenas aperfeiçoamentos do projeto básico inicial. Com o decorrer do 
 
Campo Grande, 25 a 28 de julho de 2010, 
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tempo, o espaço para agregar novas modificações, supondo inalterável a concepção tecnológica do 
modelo Farmall, estava esgotado é já não restava campo para aperfeiçoamentos adicionais. 
 Em 1947, houve um novo impulso na inovação tecnológica para tratores, com o desenvolvimento 
do sistema de “três pontos” e do controle hidráulico remoto na operação com implementos. Até então, ao 
operar com arado, o trator defrontava-se com forte resistência do solo sobre os implementos, tendendo a 
virar, para compensar adicionava-se peso na frente do trator o que representava outro problema. A 
introdução deste engate no mecanismo de junção do trator com os seus implementos proporcionaram 
maior flexibilidade às operações, permitindo que se trabalhasse com implementos cada vez mais pesados. 
 Com outras melhorias significativas na indústria de tratores, a evolução do controle hidráulico e 
do engate ficou possível por meio de uma série de pequenos aperfeiçoamentos. Permitindo também 
melhoria no desempenho do conjunto trator e implementos. Kudrel (1975) acredita que este 
desenvolvimento representa um salto considerável, sendo uma “revolução” representada pelo sistema 
Fergurson no processo de desenvolvimento dos tratores. 
 Este sistema hidráulico, patenteado pela Ferguson em 1926, juntamente com período de 
refinamento, na Inglaterra, foi adaptado a um trator nos Estados Unidos em 1939, através e um acordo de 
fabricação com a Ford que durou até 1946. Em 1936 a Deere patenteava o seu sistema hidráulico. 
 
2.1 - Desenvolvimento do Trator após no Pós Guerra 
As ondas de desenvolvimentos tecnológicos na indústria de tratores no pós-guerra tiveram como 
importante propulsor a indústria automobilística e de auto-peças. As inovações incrementais 
compartilhadas entre essas indústrias destacam-se: motores a diesel, mecanismo de direção hidráulica, 
sistema de transmissão automática e aperfeiçoamentos nos mecanismos de embreagem. Algumas 
melhorias foram desenvolvidas pela própria indústria de tratores, destacando-se o aperfeiçoamento do 
mecanismo de tomada de força contínua, que permite ao trator desengrenar sem interromper a 
transmissão de força para os implementos; introdução da tração nas quatro rodas; incorporação de rodas 
duplas; e adoção de cabines de proteção do operador (FONSECA, 1990). 
O sistema Ferguson traz um novo conceito, onde se valoriza o conjunto trator e implementos, 
chamado de sistema de montagem integral. Este modelo trouxe inovações importantes no mecanismo de 
engate e controle dos implementos, que permitia melhor distribuição do peso do trator em operação, 
facilitando a operação com os implementos associados. Este trator passou a ser oferecido em escala 
industrial em 1946, tornando-se praticamente universal após os aperfeiçoamentos realizados pela outras 
fabricantes. Na década de 1950 o modelo tinha sido adotado pela Europa, Austrália, América do Sul e em 
outros países. 
Segundo Sahal (1981) apud Fonseca (1990), entre 1948 e 1968 a potência média dos tratores 
passou de 27 HP6 para 70 HP. Outra tendência foi o surgimento de tratores de menor porte (minitratores 
ou motocultivadores), onde as melhorias introduzidas ajudaram a aumentar a estabilidade do veículo. O 
investimento no desenvolvimento de máquinas com potência maior foi dinamizado pelo crescimento do 
mercado

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