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artigo história mecanização

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capacidade de sistematizar este conhecimento, learning by using, incorporando-o às 
atividades de desenvolvimento de projetos e de produtos, incentivará seu potencial tecnológico 
proveniente do aprendizado pelo uso. 
 Fonseca ressalta que a força da full-line na América do Norte foi conseqüência da necessidade da 
indústria estabelecer contato direto com os dealers para efeito do financiamento do produto, viabilizando 
a aquisição de equipamentos pelos agricultores americanos e contornando o problema de baixo nível de 
renda dos mesmos. Além disso, grande parte do custo de distribuição naqueles países decorria do 
fornecimento de crédito para os distribuidores, permitindo-os manter estoques ao nível de atacado. 
 
4 - Atual Dinâmica da Indústria e dos Investimentos no Mundo e Brasil 
Como explanado nos capítulos anteriores, até a década de 1990 a indústria de máquinas agrícolas 
teve inovações incrementais, mantendo-se o padrão e desing até então desenvolvido. Sartti, Sabbatini e 
Vian (2009)7 apontam em seu trabalho (Projeto PIB – Perspectiva de Investimento no Brasil: Relatório 
Preliminar do Estudo no Setor) que o padrão de desenvolvimento do setor no período pode ser definido 
como um “somatório” de avanços condicionados pelas operações e pelas “adaptações” a outras condições 
de solo e clima e capacidade de adaptação de implementos melhores e mais pesados. Apenas nos anos 
1990 surgiram algumas novas tendências em termos de design dos tratores. 
Para Sarti, Sabbatini e Vian (2009) as tendências atuais de mercado são: maior potência e a 
automação das máquinas, permitindo melhor eficiência, maiores ganhos e redução de custos, com as 
empresas do setor, agora muito mais concentrada que nas décadas anteriores, buscando cada vez mais a 
diferenciação pela qualidade e por potência dos tratores e colheitadeiras. 
Sartti, Sabbatini e Vian (2009) apontam em seu trabalho que a “localização e a estrutura atual das 
indústrias de máquinas e implementos agrícolas foram condicionadas por um longo processo de evolução 
técnica e pela ocupação dos mercados domésticos dos respectivos países”, porém isso vem mudando e 
atualmente estas indústrias estão se instalando em outros países com grande potencial para o setor, como 
o Brasil, Índia e China, com perspectivas para abastecerem também os países vizinhos e a África (P. 5). 
Na Tabela 1, abaixo, segue a relação entre área agricultável e número de colhedoras para países 
selecionados. 
TABELA 1 Relação da área8 destinada à agricultura e número colheitadeiras utilizadas, para 
países selecionados entre 1990 e 2005 
País 1990 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 
Alemanha 80 89 89 89 90 89 89 89 89 89 90 90 
Itália 255 217 218 218 211 224 215 203 204 197 195 189 
França 155 170 173 176 182 190 215 215 215 224 234 245 
China 3393 1497 1191 1187 758 712 640 581 495 424 396 391 
Estados 
Unidos 283 270 270 270 373 372 374 375 436 439 433 433 
Argentina 561 544 544 544 570 576 578 580 583 584 590 590 
Canadá 295 338 345 345 443 470 502 538 553 569 585 603 
Rússia 361 443 474 518 554 604 634 676 724 787 867 958 
 
7
 Os resultados apresentados no Projeto PIB: Perspectiva do Investimento no Brasil – Relatório Preliminar do Estudo Setorial, tendo como autores Fernando 
Sartti; Rodrigo Sanattini; e Carlos Eduardo de Freitas Vian, não foram publicados até o momento. Portando, toda e qualquer mudança nos resultados citados 
nesta monografia, posteriormente à publicação da mesma, é de responsabilidade dos autores responsáveis por aquele projeto. 
8
 Refere-se a terras aráveis, inclusive cultivo permanente. 
 
Campo Grande, 25 a 28 de julho de 2010, 
Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural 
Brasil 1230 1284 1258 1232 1207 1207 1207 1231 1233 1233 1233 1233 
Índia 57437 47831 45900 43551 41393 40411 40418 40343 40398 39866 39458 38557 
 Fonte: Elaborada pelo autor a partir de dados básicos da FAOSTAT (2009). 
A Alemanha vem mantendo o seu nível de mecanização desde 1995. A Itália apresentou uma melhora, 
saindo de 255 ha/unidade, para 189 em 2005. O Brasil manteve-se estável durante este período. A 
Argentina também pode ser considerada integrante do rol de países com elevada taxa de mecanização da colheita, 
com 544 ha/máquina em 1997, mas com tendência à estabilização. O índice de 2005 para este país foi de 590 
hectares por colheitadeira. 
Países com dimensões continentais, como os Estados Unidos e o Canadá, possuem elevado índice de 
mecanização da colheita: a relação hectares colhidos para cada colheitadeira, em 1997, era de 270 ha e 345 ha, 
para os Estados Unidos e Canadá respectivamente. A Tabela 1 mostra que estes valores cresceram nos últimos 
anos, passando para 433 e 603 hectares por máquina. Para Sartti, Sabbatini e Vian (2009) este decrescimento 
nestes países reflete os ganhos de potência e a crescente automação das máquinas. Sendo esta uma tendência 
mundial para os próximos anos. Já países igualmente continentais, como a China, o Brasil e a Índia, apresentam 
taxas de mecanização da colheita menos intensivas, em 1997 estes números eram: 1.230 ha/colhedora no Brasil, 
1.187ha/ máquina na China, com substancial diminuição da área colhida por equipamento ao longo do período 
analisado. A tendência brasileira não se altera significativamente ao longo dos anos 2000, atingindo 1.233 
hectares por máquina em 2005. Isto demonstra que a demanda por máquinas não cresce por conta da maior 
produção agrícola apenas, outros fatores devem ser analisados, como a modernização da frota e a maior potência 
dos tratores vendidos atualmente. Analisando, ainda, os dados da tabela, é notável que a Índia tem potencial para 
o aumento do número de colhedoras, já que a relação área agricultável por unidade de colheitadeira era de 43 mil 
hectares, em 1997. A relação caiu para 38.557 em 2005. 
Gonçalves, 2000 apud Sartti, Sabbatini e Vian - 2009, diz que as discrepâncias entre os países têm de 
ser analisadas cuidadosamente, já que nos países tropicais as máquinas agrícolas podem ser utilizadas ao longo de 
todo o ano agrícola, permitindo maior racionalidade na ocupação da frota. No Brasil e países de clima semelhante, 
algumas culturas têm mais de uma safra ao ano, e as safras ocorrem em diferentes meses do ano para diferentes 
regiões. Essa situação possibilita o transporte das máquinas de uma região para outra, fazendo com que seu uso 
seja quase que contínuo ao longo do ano. Gonçalves exemplifica com a cotonicultura, pois a safra começa no sul 
e termina meses depois na região Centro-Oeste. Países de clima temperado há necessidade de um número maior 
de máquinas para a realização do cultivo, pois o período para o cultivo é menor, fazendo com que estes realizem 
as tarefas de cultivo no menor período de tempo possível, elevando o número da frota ociosa. 
 Vegro, 1997 apud Sartti, Sabbatini e Vian - 2009, analisa a mecanização do Brasil, que para ele 
traduz-se como tendência para o resto do mundo, analisado através do número de tratores. Na Tabela 2 
observa-se a queda neste índice de mecanização apresentado no período compreendido entre os anos de 
1960 até 1990. Houve também um aumento na área cultiva por trator, mas este índice para países 
desenvolvido teve tendência inversa. Sendo assim, Vegro (1997) conclui que há correlação entre o avanço 
da área plantada, preços de mercado e a demanda por máquinas, porém sem excluir a importância do 
crédito destinado ao produtor rural. 
Segundo Vegro (1997), o índice de mecanização mundial, medido em tratores, em 1990 foi de 
52,2 ha/trator, representando a metade do índice brasileiro em 1995. Os seguintes países apresentaram 
estes índices: Estados Unidos 38,7ha/trator; Canadá 61,4ha/trator; América do Sul, a média calculada 
para 1993, 72,7ha/ trator, portando o continente, na média, está atrás do Brasil.

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