LIVRO ENFERMIDADES
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LIVRO ENFERMIDADES


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assexuada denominada divisão binária. 
1. Trypanosoma congolense
Atualmente, é o mais patogênico e causador de doença conhecida como 
tripanossomíase africana, presente no gado bovino e em outros animais, como 
ovinos, suínos, caprinos, equinos, camelos, caninos e animais de laboratório. Esse 
parasita é transmitido pela picada do inseto vetor conhecido como tsé-tsé. Ele 
se desenvolve no sangue do hospedeiro vertebrado e ocasiona febre, fraqueza, 
letargia, além de perda de peso e anemia. Alguns animais parasitados podem vir a 
óbito quando não tratados.
Faça você mesmo
Melhore ainda mais seus conhecimentos e faça uma pesquisa sobre o 
ciclo biológico e quais são os principais tecidos e células que esse parasita 
penetra e se desenvolve. 
Fonte: <https://goo.gl/4pVzAF>. Acesso em: 22 ago. 2016.
Figura 4.1 | Formas tripomastigotas de Trypanosoma congolense no sangue do hospedeiro 
vertebrado
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158 Doenças causadas por protozoários sanguíneos e em outros tecidos/células
2. Trypanosoma brucei
É o agente causador da doença do sono em humanos. Essa doença é conhecida, 
também, como tripanossomíase africana. Apresenta como vetor a mosca tsé-tsé, que 
pertence ao gênero denominado Glossina. Esse agente é responsável por doenças 
em seres humanos e animais.
Esse agente pode desenvolver dois tipos ou formas clínicas da doença:
a) Forma crônica: ocorre na África Ocidental (Angola e Guiné-Bissau). O agente 
etiológico é o parasita da subespécie Trypanosoma brucei gambiense.
b) Forma aguda: tem sua ocorrência na África Oriental (incluindo Moçambique). 
Já para essa forma clínica, o agente causador é o parasita da sub-espécie Trypanosoma 
brucei rhodesiense. 
O Trypanosoma brucei é um parasita da classe dos protozoários, assim como o 
Trypanosoma congolense, portanto, unicelular, com a célula eucarionte; apresenta, 
também, um corpo alongado com o núcleo localizado no centro da célula e, no 
polo, o cinetoplasto, além de três formas evolutivas de vida (amastigota, epimastigota 
e tripomastigota). A forma tripomastigota apresenta a inserção do flagelo próximo ao 
cinetoplasto, caracterizando uma membrana ondulante, pois o flagelo fica aderido por 
toda a célula.
Fonte: <http://www.microbiologybook.org/Portuguese/CHAP%203%20fig5b.gif>. Acesso em: 22 ago. 2016.
Figura 4.2 | Ciclo biológico do Trypanosoma congolense
Estágios em HumanosEstágios na môsca tsé-tsé Estágios em Humanos
Tripomastigotas metaciclicos injetados se
transformam em tripomastigotas da corrente
sanguínea, que são levados a outros locais.
2
Tripomastigotas se multiplicam por fi ssão
binária em vários fl uidos corporais:
ex. sangue, linfa e fl uido espinhal.
3
d
Tripomastigotas no sangue4
Môsca tsé-tsé
faz um repasto sanguíneo
(Tripomastigotas da
corrente sanquínea
são ingeridos)
5
Tripomastigotas da corrente sanguínea se
transformam em tripomastigotas prociclicos
no intestino médio da môsca tsé-tsé.
Tripomastigotas procíclicos se multiplicam por
fi ssão binária.
6
Tripomastigotas procíclicos deixam o intestino
médio e se transformam em epimastigotas.
7
Epimastigotas se multiplicam
na glândula salivária. Eles se
transformam em
tripomastigotas metacíclicos.
8
Môsca tsé-tsé faz repasto sanguíneo
(injeta tripomastigotas metacíclicos)1
i
= Estágio Infectivo
= Estágio Diagnóstico
i
d
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159Doenças causadas por protozoários sanguíneos e em outros tecidos/células
A transmissão se dá através da picada da mosca infectada na pele do hospedeiro 
vertebrado, onde o protozoário se multiplica e pode ocasionar um inchaço por, 
aproximadamente, três dias. Esse inchaço se caracteriza por um edema que pode 
desaparecer em até três semanas. A transmissão também pode ocorrer da mãe para 
o feto (transmissão vertical), resultando na morte deste; em laboratório, pelo contato 
com o sangue contaminado; transplante de órgãos de uma pessoa infectada para 
uma sadia; e por transfusão sanguínea. Uma vez infectado, o indivíduo ou animal 
parasitado pode apresentar os seguintes sinais clínicos: inicialmente, as manifestações 
clínicas recorrentes são febre, tremores, dores musculares e articulares, linfadenopatia, 
mal-estar, redução de peso, anemia e trombocitopenia. 
3. Trypanosoma evansi
Trata-se, também, de um protozoário flagelado que parasita, principalmente, 
equinos, e ocasiona uma enfermidade conhecida como \u201c&quot;durina&quot;, &quot;mal das 
cadeiras&quot;, ou &quot;surra&quot;. A transmissão acontece por meio do vetor, que pode ser a 
mosca tsé-tsé, ou outras moscas hematófagas, como Stomoxys calcitrans (mosca 
dos estábulos). Esse agente causador foi descrito pela primeira vez no continente 
africano. Apesar de parasitar preferencialmente os equinos, sua infecção já foi 
descrita em camelos, bovinos, bubalinos, caninos, entre outros mamíferos. 
O desenvolvimento da doença se dá pela progressiva fraqueza, aumento de 
temperatura corporal, anemia e perda da condição física. De acordo com dados 
em literatura, os equinos desenvolvem a fase cônica da enfermidade. Ainda 
com relação a fatores epidemiológicos, capivaras podem, frequentemente, ser 
infectadas pelo agente, e surtos nessa espécie animal podem vir precedidos dos 
surtos em equinos.
Faça você mesmo
As formas evolutivas amastigota, epimastigota e tripomastigota se 
desenvolvem em hospedeiros e células/tecidos diferentes. Com isso, faça 
uma pesquisa a respeito do desenvolvimento/reprodução dessas formas 
evolutivas.
A transmissão vertical deve ser considerada como importante forma 
de disseminação entre animais na propriedade. Por isso, é importante 
realizar, de forma rotineira, exames laboratoriais, para pesquisa do parasita 
na forma de tripomastigota em sangue. 
Reflita
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160 Doenças causadas por protozoários sanguíneos e em outros tecidos/células
4. Trypanosoma vivax
Esse parasita assume uma importância na bovinocultura de leite por ocasionar 
prejuízo no desenvolvimento e na produção leiteira dos animais parasitados. Já tem 
sido descrito em diversos países, e no Brasil, recentemente, foi observado na Região 
Centro-Oeste e nos estados de Minas Gerais, Paraíba e Bahia. Possui um período de 
incubação que varia de três a 30 dias. Pode desenvolver três formas clínicas da doença:
Aguda \u2013 caracterizada por uma alta parasitemia, ocasionando a morte do 
hospedeiro em poucas semanas.
Subaguda \u2013 desenvolvimento da doença de forma rápida, que pode evoluir para 
óbito.
Crônica \u2013 desenvolvimento de caquexia e edema na face, pescoço e na região 
ventral. Raramente, leva à morte, e são observados alguns picos febris que se 
desenvolvem de forma esporádica.
Exemplificando
A prevenção é a melhor forma de tratar as tripanossomíases em animais 
domésticos. Um bom manejo sanitário, como separação por faixa etária, 
pode ajudar a controlar e prevenir essa enfermidade. Torna-se necessária, 
ainda, a orientação ao produtor a consultar um médico veterinário para 
ajudá-lo desde a aquisição de novos animais até a manutenção dos 
animais na propriedade rural.
Fonte: elaborada pelo autor
Figura 4.3 | Formas tripomastigotas de Trypanosoma vivax no sangue de bovinos em um 
município da Bahia
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161Doenças causadas por protozoários sanguíneos e em outros tecidos/células
Faça você mesmo
Pesquise em artigos científicos a respeito da distribuição e ocorrência do 
Trypanosoma vivax no Brasil, destacando a importância para o seu estado. 
Assimile
A principal técnica para o diagnóstico laboratorial dessas parasitoses 
é o método de visualização de formas tripomastigotas no esfregaço 
de sangue. É importante salientar que a positividade da amostra está 
relacionada a uma alta parasitemia do Trypanosoma sp. Em casos de baixa 
parasitemia, deve ser utilizada outra técnica de diagnóstico laboratorial, 
por exemplo, a técnica de biologia molecular, através da Reação em 
Cadeia da Polimerase