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SERVIÇO SOCIAL NA EDUCAÇÃO

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cujo objetivo maior era o 
atendimento não somente do educando como também dos pais. Este projeto 
consistia em palestras nos bairros, sempre no período noturno, pois os pais 
trabalhavam durante o dia, no final das atividades acontecia uma palestra com 
profissionais de renome, no Teatro Municipal. Este evento foi excelente e 
considerado uma ação reconhecida no meio educacional. Sendo que a Secretaria de 
Educação foi valorizada por estar atendendo as necessidades educacionais do 
Município. Anteriormente houve outras ações, porém está do Projeto Fórum da 
Família foi ampla e trouxe ótimo resultado. 
 
Este período caracterizou-se como um dos poucos em que foi possível dar 
visibilidade e respeito à atuação profissional do assistente social na SMED, considerando que 
a SMED foi valorizada por “estar atendendo as necessidades educacionais do Município”, o 
que foi conquistado através das palestras e discussões e debates oportunizados no Fórum 
Permanente de educação e Família. 
Já na questão da autonomia profissional: Os assistentes sociais têm autonomia na 
educação pública? Obteve-se como resposta: AS 4 – Sim. Porém, antes da execução de um 
projeto tinha que ter o aval da Secretária de Educação. 
Conforme disposto no documento
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 editada para orientar a comunidade escolar sobre 
a importância do Fórum, pois este se constituía enquanto: “Espaço de discussão, reflexão e 
estudo sobre questões pertinentes ao contexto escolar e familiar como forma de compromisso 
com a criança toledana [...]” Além disso, seu objetivo era de: “efetivar ações que fortaleçam o 
viver e conviver no espaço escolar e familiar, entendendo que educar é ensinar o cuidado da 
 
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 TOLEDO. Fórum de Educação e Família. A Família Cultivando a Paz e Desenvolvendo a Aprendizagem. 
Toledo: Secretaria da Educação, 2003. 
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vida”. (TOLEDO, 2003, p.1). 
O espaço do Fórum trazia a discussão e/ou debate de temas referentes à educação da 
criança. Este buscava a articulação entre a família e a escola que são as duas instâncias de 
maior importância na educação infantil. Através da discussão eram apresentadas as 
responsabilidades de cada uma delas no processo educativo, e a cada ano letivo era lançada 
uma campanha com um tema diferenciado para orientação da família. 
No ano corrente (2003), o tema escolhido para ser aprofundado no Fórum 
Permanente de Educação e Família foi: A família cultivando a paz e desenvolvendo a 
aprendizagem. A discussão dessa campanha de acordo com o documento sobre Fórum de 
Educação e Família busca responder as seguintes indagações: 
 
Por que a Família deve cultivar a Paz para a criança aprender? O que essa palavrinha 
de três letras tem a ver com Aprendizagem? Como cultivar a Paz? Há semente de 
Paz para se cultivar? Mas, por que aqui, em Toledo tem de se cultivar a Paz se a 
guerra é coisa dos Estados Unidos, dos países árabes da Índia? Essas guerras tem 
alguma coisa a ver com a aprendizagem? (TOLEDO, 2003, p.2). 
 
Com a referida discussão, através da SMED as assistentes sociais fazem um convite 
de reflexão às famílias sobre o como agimos e o como deveríamos agir com as crianças para 
educá-las com responsabilidade. Para tal, são trazidos alguns exemplos que por vezes ocorrem 
no cotidiano: 
Muitas famílias vivem em guerra, apesar de não possuir armas detonadoras como 
mísseis, fuzis e bombas, travam conflitos, competições e brigas com a família, colegas e 
amigos. Essas atitudes podem levá-las a cometer agressões tanto físicas quanto verbais. Com 
a exposição destes exemplos, o Fórum Permanente de Educação e Família buscou explicar e 
auxiliar a família na educação da criança levantando as seguintes questões: 
 
Um ambiente de briga, de competição, de agressões físicas e verbais, de indiferença 
e humilhação, mostra algo prazeroso para se aprender ou querer viver? Se meu filho 
não aprende, se tem sérias dificuldades de aprendizagem, se está agressivo e 
violento na escola, antes de questionar a escola, o professor, eu já analisei como 
estou sendo? Se eu estou infeliz, como quero que meu filho esteja feliz na escola e 
aprenda tudo?[...] (TOLEDO, 2003, p.2). 
 
Todas estas orientações por parte da coordenação do Fórum Permanente de Educação 
e Família eram dadas no sentido de instrumentalizar os pais e familiares para oferecer as 
crianças uma melhor educação fazendo inicialmente uma avaliação de si mesmos e não culpar 
a criança por suas dificuldades. Fazendo-os assim entender que os problemas na 
aprendizagem podem se decorrentes da vivência cotidiana da criança. Entretanto a partir de 
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2003 até 2009, os planos de trabalho dos assistentes sociais foram se alterando para 
adequarem-se à realidade social escolar. Sendo assim, no ano de 2009 foi criado o projeto que 
atualmente é o de maior abrangência na atuação do assistente social na SMED denominado 
“Escola de Pais” que está sendo executado até o momento (setembro/2011). Este projeto tem 
por objetivo: “integrar escola, família e comunidade, oportunizar discussões e instrumentos 
para pais/educadores que auxiliem o processo do educar, fortalecendo o vínculo família e 
escola”. (REVISTA ESCOLA DE PAIS , 2009, p.2). 
Este projeto apesar de ser coordenado pela atual assistente social da SMED 
vinculada ao NEPE, sempre foi executado pela equipe multiprofissional envolvendo: 
assistente social, pedagogas, psicólogas. O mesmo consiste na apresentação de Oficinas 
temáticas para as famílias realizadas nas tinta e cinco escolas de ensino fundamental e vinte e 
dois CMEIS do município. 
Três sujeitos desta pesquisa- assistentes sociais trabalharam na SMED no período de 
elaboração e execução do Projeto Escola de Pais, e quando perguntado se: em sua opinião, o 
Projeto ético–político profissional do Serviço Social está sendo efetivado na área educacional, 
respondem que este se efetivou e vem se efetivando parcialmente, conforme fala de AS 5, AS 
6 e AS 7. Além disso, as profissionais AS 1 e AS 3 afirmam a não concretização total deste 
projeto quanto às condições existentes para o sigilo profissional. 
 
AS 5 – Em parte, pois as condições de sigilo não são garantidas em sua integridade. 
AS 7- Parcialmente. Pois, na parte profissional há tentativa de manter o sigilo, mas 
a estrutura física muitas vezes não permite já que a maior parte dos atendimentos é 
realizada nas escolas. 
 
A fala da AS 6 se diferencia das demais quanto às dificuldades de efetivar o Projeto 
ético-político profissional do Serviço Social na educação, considerando que a inserção do 
assistente social na área, tanto no município de Toledo quanto no Brasil está em processo de 
construção. Isto ocorre principalmente segundo a mesma pela “falta de literatura”, ou seja, 
poucas produções e estudos para embasar a atuação dos profissionais na política de educação, 
conforme depoimento abaixo: 
 
O Serviço Social na educação ainda esta em fase de construção, não só na 
Prefeitura de Toledo, mas sim, no sistema educacional brasileiro. Isso faz com que 
a grande maioria dos profissionais que atuam nesta área ainda não tenham 
conseguido efetivar na integra a sua atuação no sistema educacional. Outro fator 
da dificuldade de aplicação do Projeto ético-político é a falta de literatura de apoio 
a atuação dos profissionais nesta área. 
 
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Na atuação profissional em conformidade com o Projeto ético–político profissional 
do Serviço Social devemos ter articulação com os demais profissionais assistentes sociais que 
atuam nas diversas políticas sociais setoriais bem como com a equipe multidisciplinar com a 
qual trabalhamos no caso da política de educação: (pedagogos, psicólogos,

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