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Gestão da Qualidade Gestão da Qualidade Organizado pela Universidade Luterana do Brasil Universidade Luterana do Brasil – ULBRA Canoas, RS 2017 Marie Cristine Fortes Rocha Conselho Editorial EAD Andréa de Azevedo Eick Ângela da Rocha Rolla Astomiro Romais Claudiane Ramos Furtado Dóris Gedrat Honor de Almeida Neto Maria Cleidia Klein Oliveira Maria Lizete Schneider Luiz Carlos Specht Filho Vinicius Martins Flores Obra organizada pela Universidade Luterana do Brasil. Informamos que é de inteira responsabilidade dos autores a emissão de conceitos. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem prévia autorização da ULBRA. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na Lei nº 9.610/98 e punido pelo Artigo 184 do Código Penal. Dados técnicos do livro Diagramação: Jonatan Souza Revisão: Ane Sefrin Arduim A qualidade vem, há muito tempo, deixando de ser um diferencial no mercado para ser uma questão de sobrevivência para as organiza- ções. O consumidor, cada vez mais exigente, leva-as a buscar métodos que direcionem seus processos e sua gestão para a qualidade, garantindo, assim, a geração de valor e a competitividade da empresa. A definição de qualidade constante e preventiva começou durante a Segunda Guerra Mundial, quando técnicas estatísticas começaram a ser usadas para controle de qualidade na indústria bélica. A partir daí, essa concepção de qualidade espalhou-se pelas indústrias de todas as áreas. No início da década de 1960, no Japão, já se falava em qualidade esten- dida às outras áreas das organizações, como recursos humanos, financei- ro, administrativo. Cabe salientar que o tema Gestão da Qualidade vem ocupando um papel decisivo dentro das organizações por apresentar, por meio de seus fundamentos, ferramentas, métodos e programas, resultados muito positi- vos e competitivos em um mercado globalizado. Atualmente, as organizações precisam garantir a qualidade com redu- ção de custos internos. Por isso, necessitam trabalhar com sistemas sólidos de metodologias avançadas para atender às necessidades dos clientes e acompanhar os novos desafios de mercado, buscando sistemas de infor- mação, tecnologia de ponta e atendimento às legislações e, assim, garantir seu sistema de gestão de qualidade. Para manter o padrão e monitora- mento dos processos, é necessário que a empresa faça uma combinação integrada de recursos humanos, financeiros e tecnológicos para garantir os requisitos de seus clientes e se tornar cada vez mais competitiva. Apresentação Apresentação v Para que a empresa consiga definir e manter seus ideais, é necessário que sejam traçados objetivos estratégicos que se desdobram por toda or- ganização através da disseminação de suas políticas, missão, visão, pro- cedimentos, diretrizes, normas, requisitos de certificação, programas que deem suporte e forneçam recursos para que seus objetivos possam ser alcançados. O clima organizacional é um fator importante que deve fa- vorecer todas as pessoas envolvidas nos processos, fazendo com que elas se sintam valorizadas e responsáveis por cada atividade, com o objetivo de garantir a qualidade e o bom desempenho do negócio. Toda essa vi- são de crescimento e competitividade justifica o interesse das empresas em implementar um Sistema de Gestão da Qualidade para fortalecer a sua manutenção dentro de um mercado globalizado e expandir-se cada vez mais, usando modelos e padrões de qualidade internacionais e modernos. As metodologias, ferramentas, procedimentos e certificações adota- dos nas organizações como padrões e modelos de sistemas de ges- tão contribuem com o aprimoramento dos processos visando maio- res níveis de competitividade, nos quais a melhoria contínua é um processo que contribui cada vez mais com a evidência de excelência em resultados e gestão de qualidade dentro das organizações. Os capítulos deste livro estão divididos de forma que o leitor consiga estabelecer uma linha de raciocínio na construção do conceito de quali- dade, tomando conhecimento da história da evolução e das abordagens dos grandes mestres além da aplicação das ferramentas, metodologias e programas dentro das empresas. Através da evolução de métodos e técni- cas, elas passaram a entender os processos de melhoria da qualidade, bus- cando o entendimento dos sistemas, certificações, auditorias e estratégias que deram origem a uma nova visão, a qual denominamos de Sistema de Gestão da Qualidade. Dessa forma, este livro traz fundamentos e exemplos de práticas para que o leitor possa apreender, de forma clara e didática, nos textos, exercícios e vídeos, o tema em questão. Autora Graduada em Administração de Empresas pela Faculdade Porto-ale-grense de Ciências Contábeis e Administrativas (1998). Mestre em Engenharia Ambiental pela Universidade Luterana do Brasil (2004). For- mação em Metodologia Científica para o Ensino Superior e a Distância (2005). Concluídas todas as disciplinas do curso Doutorado em Gestão pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro - UTAD (Portugal-UE) em 2015. Atua como professora universitária de Graduação e Pós-Gradu- ação na Universidade Luterana do Brasil, com atuação também em outras Instituições, como na Pós-Graduação do Instituto Educacional do RS (IER- GS) e no MBA de Gestão da Qualidade e Certificações da Faculdade da Serra Gaúcha. Auditora da Qualidade Lead Assessor para Sistemas Inte- grados (qualidade, meio ambiente e saúde e segurança e responsabilidade social - com reconhecimento INMETRO), coordenou o curso e participou do processo de qualificação junto ao MEC do MBA de Gestão Ambiental da Faculdade da Serra Gaúcha. Atualmente, atua como coordenadora do curso de Administração EAD na Ulbra e possui conhecimento dos critérios e processos de avaliação do MEC. Como docente, possui experiência em ati- vidades de pesquisa, produção técnica e projetos extensionistas e também leciona no ensino presencial e a distância, atuando fortemente nas áreas de Gestão da Qualidade e Responsabilidade Social, Gestão Ambiental e de Saúde e Segurança Ocupacional, Teoria da Administração, Gestão Pú- blica, Engenharia de Produção e Ambiental e disciplinas voltadas a Projeto e Pesquisa. Experiência em videoaula e produção científica de livros para a metodologia do Ensino a Distância. Auditora Lead Assessor, na área de Sistemas Integrados de Gestão da Qualidade, Meio Ambiente, Saúde e Segurança e Responsabilidade Social. Experiência de mais de 15 anos no Mercado Automotivo nas áreas de Qualidade e Ambiental. Diretora da W4 Consultoria Integrada atuando em processos de suporte a certificação e manutenção de normas, como a ISO9001, ISO14001, OSHAS18001 e boas práticas para NBR16001. 1 A História e a Evolução da Qualidade ...................................1 2 Conceitos e Abordagens da Qualidade ...............................17 3 Os Mestres (gurus) da Qualidade ........................................32 4 Ferramentas, Metodologias e Programas da Qualidade .......50 5 Métodos e Técnicas para Melhoria da Qualidade ................75 6 Sistemas de Qualidade .......................................................92 7 Auditorias da Qualidade ...................................................109 8 Estratégias da Qualidade ..................................................122 9 Monitoramento e Medição do Sistema de Gestão da Qualidade ........................................................................137 10 Qualidade como Gestão do Negócio ................................150 Sumário A História e a Evolução da Qualidade Marie Cristine Fortes Rocha Capítulo 1 2 Gestão da Qualidade Introdução A evolução da história da qualidade vem sendo contada ao lon- go dos anos. Conforme bibliografias e técnicasaplicadas nas or- ganizações, podemos observar que essa evolução vem acompa- nhando as necessidades humanas em busca da competitividade e excelência no mercado global. Conforme Marshall Junior et al, o tema Gestão da Qualidade é dinâmico, sendo sua evo- lução fruto da interação dos diversos fatores que com- põem a estrutura organizacional e sua administração. Al- guns fatores estruturais e tendências apontam para ciclos de vida e perfis quantitativos com influência decisiva nos paradigmas vigentes, pois  criam desafios e transformações multidisciplinares na gestão organizacional, causando impactos surpreen- dentes na Gestão da Qualidade;  afetam a estruturação, a abrangência, os conceitos e o portfólio de competências, conhecimentos, habilidades, ferramentas, técnicas e metodologias;  expandem as fronteiras atuais e interligam áreas do sa- ber e de especialização em um novo conceito da quali- dade, diversificado e holístico.1 É importante considerar o que cada autor traz em suas res- pectivas obras, pois cada um viveu uma situação diferente em um lugar diferente, contribuindo, através de suas pesquisas, 1 Marshall Junior et al., 2006, p. 19. Capítulo 1 A História e a Evolução da Qualidade 3 práticas e experiências, com a mudança de cenário do concei- to e das práticas de qualidade. As questões da Qualidade têm existido desde que chefes tribais, reis e faraós governavam. O código de Hamurabi, datado de 2150 a.C., estabelece que “se um constru- tor erguer uma casa para alguém e seu trabalho não for sólido e a casa desabar e matar o morador, o constru- tor deverá ser imolado”. Inspetores fenícios eliminavam quaisquer violações reincidentes de padrões de qualidade amputando a mão do fabricante do produto defeituoso. Inspetores aceitavam ou rejeitavam produtos e faziam cumprir as especificações governamentais. Por volta de 1450 a.C., inspetores egípcios conferiam a forma de blo- co de pedra com um barbante, enquanto também usa- vam esse método. Essas civilizações antigas enfatizavam a retidão do negócio e tratamento de reclamações.2 Observando historicamente, a qualidade é um conceito ori- ginário das práticas de engenharia de produção da indústria americana. Difundiu-se no Japão pós Guerra com os chamados sistemas de gestão pela qualidade total. Na Europa, assumiu a forma contratual de Sistema de Gestão da Garantia da Quali- dade, espalhando-se rapidamente pelo mundo no bojo das exi- gências e requisitos de compra do mercado comum europeu.3 A criação de padrões de controle de qualidade evidenciou- -se como necessária durante a Segunda Guerra Mundial, 2 Gitlow, 1993, p. 1. 3 Figueira, 2003, p. 9. 4 Gestão da Qualidade onde os aliados viram-se em situações adversas, possuindo munições e canhões no mesmo local, mas que, por diferentes origens, não podiam ser usados. Cabeda4 revela que, a partir desse fato, surge um dos primeiros padrões internacionais: o calibre das armas de fogo. A indústria americana desenvolveu as primeiras estruturas formais do controle de qualidade, as técnicas estatísticas de amostragem e os controles estatísticos de processo, inclusive o conceito de qualidade como uma forma de gestão, dando origem ao termo qualidade total. Neste capítulo, iremos conhecer a história da qualidade e como foi a sua evolução através das ERAS que foram caracte- rizadas por novas descobertas e avanços tecnológicos. 1 A Evolução da qualidade Segundo Robes Junior e Bonelli,5 a partir da implementação da economia globalizada, a palavra qualidade adquiriu o status de bem econômico, porque ninguém mais compra um produto ou serviço para simplesmente satisfazer seu desejo ou necessidade de consumo: o comprador, pessoa física ou jurí- dica, deseja usufruir, na verdade, do potencial de benefícios e resultados esperados da qualidade do bem adquirido. 4 Cabeda, 2003. 5 Robes Junior; Bonelli, 2006. Capítulo 1 A História e a Evolução da Qualidade 5 A qualidade passou a ser um importante resultado a ser considerado no desenho de um modelo de gestão em qual- quer setor da atividade econômica. Em matéria de eficácia or- ganizacional, a qualidade tornou-se, hoje em dia, importante variável para se avaliar a viabilidade de um plano estratégico de negócios, pois ela poderá definir quais serão, em nível de excelência, os direcionadores básicos dos resultados econô- mico-financeiros dos negócios ou do projeto de uma empresa em um ambiente de forte competitividade confrontacional. Em suma, a evolução do conceito e da história da qualidade, começou a se desenvolver no início do século XX, onde tivemos a forte influência de Taylor, o qual promoveu a análise científica do trabalho do operário, visando maior qualidade e produtividade na empresa. Cada década trouxe a sua contribuição para a his- tória da qualidade, conforme ilustrado por período no Quadro 1. Quadro 1 Gestão da qualidade no processo: a qualidade através dos tempos (compacto) Evolução histórica Acontecimentos Lições do período para os dias de hoje Primeiro período: Antiguidade Esse primeiro período pode ser caracterizado pela alta qualidade e por padrões para as artes em geral e a arquitetura de extrema precisão na Grécia e em Roma. Houve ainda avanços no Egito, onde foram feitas descobertas fundamentais na matemática. A qualidade é, antes de tudo, um objetivo a atingir. As ferramentas desenvolvidas sob motivação da qualidade ou com o objetivo de produzi-las tendem a adquirir vida própria. Seus benefícios, sua utilização e sua área de abrangência vão além do que se esperava em sua concepção original. 6 Gestão da Qualidade Segundo período: Idade Média Período marcado pelo aparecimento dos primeiros operadores de controle da qualidade, surgido a partir do crescimento de pequenas empresas e da diversificação de suas linhas de produção. Na Europa, a formação de associações de artesãos contribuiu para a regulamentação da economia; preocupação com as condições de trabalho, controle de matéria- prima e regulagem dos processos. As Indústrias da época contavam com indivíduos que produziam bens e serviços e eram responsáveis pela qualidade do que faziam. Reflexos muito amplos da qualidade, envolvendo benefícios em uma grande diversidade de áreas. Desde sua origem, a avaliação da qualidade é uma atividade que não pode ser dissociada da própria ação produtiva. Terceiro período: de 1900 a 1930 O início do século XX marca o surgimento do Jornal of the American Statistical Society, um veículo de divulgação da qualidade que se mantém ainda hoje como um dos mais relevantes na área. Esse período registra o aparecimento dos supervisores de controle da qualidade. São formulados conceitos relevantes que perduram até hoje como: “probabilidade de aceitação”, “fração defeituosa tolerável” e “ nível de qualidade aceitável”. Surgem também os primeiros métodos de controle estatístico da qualidade (A Western Eletric e a American Bell Telephone Company). A primeira avaliação da qualidade ocorre nos produtos e serviços, mas a avaliação afetiva se dá no nível do processo produtivo. A produção e avaliação da qualidade são atividades técnicas. Capítulo 1 A História e a Evolução da Qualidade 7 Quarto período: as décadas de 1930 e 1940 No início dos anos 1930, foram desenvolvidas, de forma consistente, as aplicações estatísticas nos processos produtivos com um princípio de popularização de conceitos baseado em aspectos como os gráficos de controle e a aceitação por amostragem. Na Inglaterra, são criados padrões para produtos e serviços e nos Estados Unidos diversos produtos são regulamentados, sobretudo em termos de higiene e segurança. Há a estruturaçãode planos de amostragem, a preocupação com os recursos humanos e a estruturação dos processos motivacionais. Durante a Segunda Guerra Mundial, acelerou- se o desenvolvimento de técnicas de inspeção e controle de qualidade, sobretudo em termos das relações com os fornecedores. A utilização de mão de obra pouco preparada e o incremento da produção foram aspectos que contribuíram para criação de procedimentos, grupos de pesquisa e programas formais de qualificação de pessoal. A produção e a avaliação da qualidade não são atividades intuitivas, mas requerem consistentes sustentações técnicas. O elemento humano, embora não seja único, é o fator fundamental para a produção da qualidade. A qualidade é uma estratégia de alta estabilidade para se enfrentar situações de crise e elevada competitividade. Seus benefícios permanecem mesmo quando o ambiente se altera. Quinto período: anos 1950 A década de 1950 pode ser caracterizada, na história da qualidade, como o período da solidificação e disseminação dos sistemas já existentes (ex.: planos de amostragem). Há o reconhecimento e a popularização dos métodos e da essência conceitual do controle da qualidade, descobertos e aplicados principalmente no Japão. Ganha credibilidade o trabalho de A meta de todo esforço de e para a qualidade em processos produtivos é a qualidade de vida. A qualidade é, antes de tudo, uma questão de cultura (qualidade = valor social). A exigência da qualidade na ação produtiva decorre 8 Gestão da Qualidade Deming, Juran e Ishikawa, por introduzirem técnicas de controle de processo e conceitos revolucionários (1955). Década também marcada pela implantação e desenvolvimento de modelos de controle de qualidade em vários outros países, como, por exemplo, Inglaterra (1952). da exigência da qualidade na sociedade como um todo e não o contrário. Até pela sua importância, a produção da qualidade não é intuitiva, mas requer conceitos consistentes e técnicas fundamentais. Sexto período: anos 1960, 1970 e 1980. Décadas que se caracterizam pela extensão do conceito básico da qualidade para novos horizontes, principalmente nos métodos e estratégias que focavam a viabilização da produção e qualidade em função dos processos de bens e serviços. A estruturação do Controle da Qualidade Total (TQC) por Armand Feigebaun, em 1963. Criação do modelo Americano de Defeito Zero. Década marcada ainda pela criação de veículos importantes da qualidade como a Revista Quality (1962), o Jornal of Quality Technology (1965), e a Revista Quality Progress (1967). Na década de 1970, a criação da abordagem Sistêmica, Controle da Qualidade Participativo e início de estudos sobre o Custo da Qualidade. Já na década de 80, o computador ampliou e facilitou o uso de técnicas estatísticas, o cliente passou a ganhar atenção especial e criação de leis de proteção ao consumidor. A qualidade é tarefa e responsabilidade de todos. Ela depende de todos e todos dependem dela. Produzir qualidade não é difícil, pois as ferramentas para tanto existem e estão disponíveis. A qualidade é fundamentada como uma questão de decisão. A estrutura mais adequada para a qualidade é o sistema. Qualidade: atenção aos clientes. Capítulo 1 A História e a Evolução da Qualidade 9 Desenvolvi mento recente e tendências futuras Esforço direcionado para alcançar maior garantia da qualidade desde o projeto do produto. Estruturação de auditorias técnicas, utilização de sistemas como o CAD e o CAM, que unificam a função de projeto e produção com o auxílio do computador. Fornecedores estreitam as relações e começam a ser tratados como parceiros. Aplicação de normas de avaliação do controle da qualidade de nível internacional (ISO900). Envolvimento de todas as pessoas. Dessa forma, o futuro da qualidade parece ser o de que, proximamente, desapareçam os setores específicos da qualidade, pois a empresa toda será um laboratório voltado para produzir com qualidade. A qualidade é um processo evolutivo. Toda crise contribui para o processo de evolução e mudanças no contexto da qualidade total. Fonte: Adaptado de Paladini, 1995, p. 32-40. 2 As eras da qualidade Existem várias classificações para os diversos períodos ou eras da qualidade. Garvin6 foi quem desenvolveu uma estrutura para classificar as eras correspondentes à história e à evolução do pensamento da qualidade, na qual cada época apresenta- va uma peculiaridade e eram divididas da várias formas. Era da inspeção  Era do controle estatístico da qualidade. 6 Garvin, 1992, p. 6-16. 10 Gestão da Qualidade  Era da garantia da qualidade.  Era da qualidade total. Era da inspeção A inspeção foi implementada por meio de critérios e definições especificadas pelo próprio artesão e sua equipe. A inspeção era considerada uma atividade corriqueira dentro desse perí- odo, até que a evolução das atividades transformou-a rapida- mente em um processo independente e associado ao controle da qualidade. Era do controle estatístico A qualidade passou a ganhar um espaço científico através da publicação de livros ao longo dos anos. Por meio dessa forma documentada, tornou-se mais fácil o entendimento e o cum- primento padronizado da aplicação dos critérios de qualida- de, utilizando controle e amostragens durante o processo de produção. Segundo Marshall Junior et al.,7 um marco dessa nova era foi a publicação, em 1931, da obra Economic control of qua- lity of manufactured product, de Walter A. Shewhart, a qual es- clarece a questão dos fundamentos, procedimentos e técnicas que transformaram efetivamente a qualidade mais presente no processo de produção em todos os estágios. 7 Marshall Junior et al., 2006, p. 22. Capítulo 1 A História e a Evolução da Qualidade 11 Era da garantia da qualidade Conforme Marshall Junior et al.,8 por volta do final da II Guerra Mundial, a qualidade já conquistara seu lugar e passou a ser uma disciplina bem aceita no ambiente organizacional, com técnicas especí- ficas e resultados efetivos, com profissionais especializa- dos e bem caracterizados na especialidade, basicamente esta era consagrou-se por  abordar a qualidade desde a fase do projeto de desen- volvimento do produto, incluindo os aspectos funcionais e atributos de desempenho;  envolver todos os funcionários, de todos os níveis hierár- quicos, assim como fornecedores e clientes, nos proces- sos de melhoria da qualidade, objetivando o compro- metimento e a confiança recíproca;  manter e aperfeiçoar as técnicas clássicas da qualidade. Ainda segundo esse autor, a garantia da qualidade foi um impor- tante fator no processo de amadurecimento do conceito qualidade. Em síntese, a era da garantia da qualidade, segundo Cam- pos9, foi marcada pela valorização do planejamento e coorde- nação dos processos, o estabelecimento de padrões e técnicas estatísticas em busca da qualidade. Com a contribuição dos fundamentos de outros mestres da qualidade, como Feigen- 8 Marshall Junior et al., 2006, p.24-25. 9 Campos, 1996. 12 Gestão da Qualidade baum e Juran, a função especialista da qualidade passou a ser mais do que ter conhecimento estatístico: surgiu então a defini- ção do que chamamos de engenheiros da qualidade, aos quais atribuía-se funções não só técnicas, mas também gerenciais. Era da qualidade total A era da qualidade total passa a acumular a preocupação com inspeção, controles estatísticos de processo e atendimento às necessidades do cliente, o qual passa a ser o papel principal dentro da razão de existência das organizações, de maneira que seus requisitos transformam-se em regras e critérios dentrodos objetivos destas. Uma das características mais relevantes desta era é a de que a organização direciona seus esforços para garantir a qualidade dos produtos, serviços, funcionários e processos de sua responsabilidade. Segundo Barçante,11 após a era da garantia da qualidade, o conceito começa a ganhar uma nova forma, evoluindo em termos de estrutura e estratégias, cujos processos passam a ser geridos de forma sistêmica, de tal modo que os inter-relacionamentos e interdependências sejam considerados entre todos os níveis da empresa, recebendo a denominação de era da qualidade total. Durante a evolução da qualidade, muitos programas fo- ram desenvolvidos e incorporados nos processos visando à busca incessante da melhoria contínua, como, por exemplo, o programa zero de defeito de Crosby. Ainda, segundo o mesmo autor,10 para aperfeiçoar técnicas de confiabilidade foi necessário aprofundar os estudos das teo- 10 Barçante, 1998. Capítulo 1 A História e a Evolução da Qualidade 13 rias de probabilidade e de estatística. Essas técnicas estudadas por ele têm por objetivo evitar que ocorram falhas do produto ao longo do seu ciclo de vida útil. As indústrias foram pioneiras nessa abordagem preventiva, desenvolvendo técnicas baseadas na detecção de falhas e na análise do quanto essas falhas po- deriam impactar no produto ou processo. Essa prévia ocorre por meio de uma ferramenta que foi denominada Análise de Efeito e Modo de Falha (FMEA), a qual avalia preventivamente todas as possibilidades de um componente de sistema vir a falhar du- rante o uso, através de procedimentos e técnicas que detectem o problema antes que ele ocorra e da elaboração de ações para eliminar as causas potenciais de falha, os quais buscam garantir efetivamente a sua qualidade de processamento e aplicação. A Figura 1 evidencia a evolução das quatro eras da qualidade. Figura 1 Interação das eras da qualidade. Fonte: Adaptado de Barçante, 1998. 14 Gestão da Qualidade No Brasil, segundo Figueira e Ramalho,11 os sistemas de garantia da qualidade começaram a ser implementados a partir das filiais das empresas multinacionais, como forma de unificação dos respectivos processos de gestão pela busca da competitividade. Duas medidas governamentais estimularam o desenvolvimento dos programas de qualidade das empresas brasileiras: a sanção do código de defesa do consumidor, ins- trumentalizando e dando poder ao consumidor para exigir a garantia da qualidade dos produtos e serviços, e o lançamento do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade (PBQP). Recapitulando Este capítulo visou oferecer ao leitor um melhor entendimento sobre a essência de história da qualidade e como ela evoluiu ao longo dos anos, referenciando alguns conceitos e pensa- mentos de autores que contribuíram com as primeiras técnicas e fundamentos que originaram a criação de algumas aborda- gens distintas, as quais estudaremos no próximo capítulo. Referências BARÇANTE, Luiz César. Qualidade total: uma visão brasilei- ra, o impacto estratégico na universidade e na empresa. Rio de Janeiro: Campus, 1998. 11 Figueira; Ramalho, 2003. Capítulo 1 A História e a Evolução da Qualidade 15 CABEDA, Marcelo. Sistema de gestão ambiental . PAP- -CREA/RS. Porto Alegre: Ulbra, 2003. Apostila. CAMPOS, Vicente Falconi. Gerenciamento pelas diretrizes: Hoshin Kanri. Belo Horizonte: UFMG, 1996. FIGUEIRA, Tadeu; RAMALHO Jorge. Gestão da pequena empresa. São Paulo: Epse, 2003. GARVIN, David A. Managing quality: The strategic and com- petitive edge. New York: Harvard Business School, 1992. GITLOW, Howard S. Planejando a qualidade, a produtividade e a competência. Rio de Janeiro: Qual- ity-mark, 1993. MARSHALL JUNIOR, Isnard et al. Gestão da qualidade. 9. ed. São Paulo:FGV, 2006. PALADINI, Edson Pacheco. Gestão da qualidade no proces- so. São Paulo: Atlas, 1995. ROBES JUNIOR, Antonio; BONELLI, Valério Victor. Gestão da qualidade e do meio ambiente. São Paulo: Atlas, 2006. Atividades 1) Como vem sendo explicada a evolução da história da qualidade ao longo dos anos? 2) Historicamente falando, em quais países a qualidade se difundiu rapidamente? 16 Gestão da Qualidade 3) Fale resumidamente sobre como foi o processo de evolu- ção da qualidade em cada período. 4) Explique como foram caracterizadas a primeira e a segun- da era da qualidade. 5) Explique como foram caracterizadas a terceira e a última era da qualidade. ???????? Capítulo ? Conceitos e Abordagens da Qualidade Marie Cristine Fortes Rocha Capítulo 2 18 Gestão da Qualidade Introdução A qualidade, basicamente, depende da percepção de cada indivíduo. O que tem qualidade para uns pode não atender às necessidades de outros. Dessa forma, o primeiro conceito a ser entendido é o de que a noção de qualidade depende da visão e da necessidade de cada pessoa. Segundo Caravantes,1 as definições da palavra qualidade incluem certas palavras-chave que requerem, elas próprias, definições.  Produto: é a saída de qualquer processo. Consiste, prin- cipalmente, em bens, software e serviços. Com relação às características de produto, são consideradas priori- dade, para que seja atendida a necessidade do cliente, atendendo a sua expectativa com relação ao que lhe foi fornecido.  Cliente: é qualquer um que recebe ou é afetado pelo produto. É propriedade do produto que visa atender a certas necessidades dos clientes e, dessa maneira, pro- ver satisfação deles.  Satisfação com o produto e satisfação do cliente: atinge-se a satisfação com o produto quando suas ca- racterísticas correspondem às necessidades do cliente.  Deficiências: é a falta de um item ou aspecto que resul- ta na insatisfação com o produto. 1 a Cavalcante, 2005. Capítulo 2 Conceitos e Abordagens da Qualidade 19 Segundo Bonato,2 o conceito de qualidade é relativo, pois está centrado na necessidade de quem avalia. O produto ou serviço passa a ser de qualidade se atender aquilo que se es- pera dele. Logo, qualidade é aquilo que o cliente diz que é qualidade. O contexto qualidade depende do contexto que é aplica- do, podendo se considerar diversas percepções em relação a ela, em face da subjetividade e da complexidade. Segundo Almeida, qualidade é cumprir o especificado. Entende-se por especificação, aquilo que é o certo, o que o cliente espera. A qualidade é feita de itens como seriedade, perseverança, treinamento, participação de todos e respeito. Qualidade não é, por exemplo, encantar o cliente com brindes para compensar erros; é fazer o certo já da primeira vez e sem- pre. Esse processo exige persistência, pois a busca da qualida- de deve ser uma constante nas empresas. À medida que essa cultura se solidifica, os resultados aparecem, o que motiva os funcionários a continuarem a busca pela melhoria contínua. Gil3 conceitua qualidade com a seguinte frase: A qualidade nas organizações é interpretada como um fator necessário aos processos e resultados empresariais, os quais, para serem consubstanciados, necessitam da caracterização dos recursos humanos, materiais, tecno- lógicos e financeiros vigentes ou existentes nos diversos ambientes da entidade. 2 Bonato, 2008. 3 Gil, 1992, p. 21. 20 Gestão da Qualidade O conceito da qualidade total é uma generalização rele- vante do conceito da qualidade, principalmente porque atuou em duas dimensões simultaneamente: a externa e a interna. Essa ampliação do conceito fica mais bem caracterizada com a noção de melhoria contínua, a qual dá ideia da componente evolutiva que identifica o esforço pela qualidade. Para Paladini,4 as abordagens que geraram uma visão mais generalista da qualidade, enquanto “adequação ao uso”, guardam relação direta com a noção de multiplicidade,o que leva o consumidor a ter não apenas uma, mas várias razões para decidir adquirir um produto ou utilizar um serviço. As abordagens de Garvin reforçam a ideia de que o concei- to da Qualidade é dinâmico, pois as razões que determinam a seleção de um produto pelo consumidor alteram-se continu- amente. Em sua pesquisa, esse autor fixou cinco abordagens básicas, as quais estão voltadas ao processo, ao produto, ao valor, à transcendência e ao usuário. O conceito qualidade vai mudando ao longo do tempo e, assim, a organização também vai criando novas diretrizes de operação. Dessa forma, as dimensões e as abordagens conceituais da qualidade passam a ser vistas respectivamente como características e etapas pelas quais a empresa passa no esforço de diferenciar-se, criando, para bens e serviços produ- zidos, consistência no mercado. 4 Paladini, 2008. Capítulo 2 Conceitos e Abordagens da Qualidade 21 1 Dimensões da qualidade Segundo Bonato,5 para entregar ao nosso cliente o produto que ele deseja, é preciso controlar a sua qualidade. Esse con- trole se faz por meio de medidas. Nesse contexto, a pergunta a ser respondida é: o que se vai medir para controlar a quali- dade do produto? A resposta a essa pergunta está no conceito de qualidade total, que estabelece cinco dimensões para qualidade. 1) Qualidade Intrínseca – Características específicas do pro- duto, que definem a sua adequação à necessidade do cliente. 2) Custo – Refere-se ao custo operacional para produzir o produto. A dimensão econômica é fundamental para o cliente, que tem prioridades a considerar. O custo é com- ponente gerencial de preço e, portanto, se torna uma di- mensão significativa. 3) Entrega – Significa entregar ao cliente a quantidade certa, no local certo e na hora certa. O tempo é uma grande dimensão da qualidade. No entanto, no caso de serviços prestados na empresa do cliente, esta dimensão engloba o tempo de espera na fila, o tempo de serviço propriamente dito, enfim, a qualidade do atendimento. 4) Segurança – O cliente e a equipe de trabalho devem se sentir seguros ao utilizar os produtos, ou seja, o produto 5 Bonato, 2008. 22 Gestão da Qualidade não deve causar danos físicos ao usuário. O conceito mo- derno de segurança abrange, inclusive, o respeito à na- tureza, o combate a qualquer forma de depredação dos recursos naturais. Assim, o conceito segurança liga-se ao de confiança e exatidão. 5) Moral – O gerente sabe que o produto a ser entregue ao cliente é aquele produzido por sua equipe; portanto, se ele deseja um produto de qualidade, deverá promover um ambiente de qualidade, que é a única forma de assegurar a satisfação de todos os clientes. Todos os produtos têm essas dimensões, mas como quali- dade é um conceito relativo, algumas delas terão maior rele- vância que outras, dependendo do processo e do cliente. As- sim, o que vamos medir para controlar a qualidade do produto são as dimensões mais importantes sob a ótica do cliente.6 As dimensões da qualidade foram classificadas por meio de diferentes características, oferecendo uma visão ampla so- bre as principais variáveis que devem ser consideradas na me- dição da qualidade do produto fornecido. 2 Abordagens da qualidade Embora já tenhamos identificado as diferentes características das dimensões da qualidade, é importante analisarmos os as- pectos de Qualidade sob diversos pontos de vista. Por meio 6 Bonato, 2008, p. 10. Capítulo 2 Conceitos e Abordagens da Qualidade 23 da definição dos tipos de abordagens, é possível identificar que fator pode estar interagindo com a qualidade do produto, processo ou serviço. 2.1 Abordagem centrada para o processo Segundo Paladini,7 o que determina a aquisição de um produ- to é a confiança que o consumidor tem no processo produtivo que o gerou. O consumidor entende como o produto é feito, conhece o processo, sabe que ele é confiável e, por isso, resol- ve adquiri-lo. Essa abordagem prioriza o processo produtivo e os aspectos a ele relacionados, como atendimento a espe- cificações básicas, normas operacionais, requisitos legais ou contratuais. O princípio que norteia essa abordagem é simples: “se o processo de produção não pode desenvolver um produto conforme suas especificações, automaticamente a qualidade estará comprometida.”8 2.2 Abordagem centrada no produto Esta abordagem caracteriza o primeiro movimento do consu- midor em direção à seleção do que vai adquirir, pois nesse momento ele se guia pelas características que vê no produto em si. Para Crosby, citado por Marshall et al., “qualidade quer 7 Paladini, 2008. 8 Paladini, 2008, p. 36. 24 Gestão da Qualidade dizer conformidade com as exigências”9 e, ainda, é “o grau em que o produto específico está de acordo com o projeto ou especificação”.10 Para Paladini,11 a abordagem centra-se na ideia segundo a qual, em um primeiro momento, o consumidor avalia o produ- to pelas características que ele apresenta. A seguir, começa a compará-lo com artigos similares. Assim, em termos operacio- nais, a abordagem viabiliza-se pelo esforço das organizações em diferenciar seus produtos, criando características que os tornam “melhores” que os demais. Como melhor é um termo relativo, devemos defini-lo: um produto “melhor” tem caracte- rísticas que o consumidor acha mais relevantes, bonitas, úteis, práticas etc. que as do concorrente. 2.3 Abordagem centrada no valor De acordo com Paladini,12 inicialmente essa abordagem consi- dera o valor financeiro, mas, logo em seguida, começa a levar em conta valores dos mais diferentes tipos: culturais, éticos, morais, locais, sentimentais, determinados pela estima, pela consideração ou, ainda, decorrentes da importância, do in- teresse, do mérito, da validade que o consumidor confere ao produto. 9 Marshall, 2006, p. 25. 10 Marshall et al., 2006. p, 34. 11 k Paladini, 2008. 12 Paladini, 2008. Capítulo 2 Conceitos e Abordagens da Qualidade 25 Dessa forma, a noção da qualidade “passa a ser associada a baixo preço, visto como oportunidade de aquisição, ou a preço elevado, visto como status.”13Pode também envolver va- lores afetivos ou sentimentais ou, ainda, valores morais como, por exemplo, um consumidor que se nega a adquirir um qua- dro que mostra uma pessoa fumando, o que, segundo ele, pode motivar hábitos inadequados. Ainda segundo o mesmo autor, dentro dessa abordagem, existe um comportamento do consumidor em que é evidente que o preço determina a escolha do produto. De fato, é co- mum o consumidor investir em produtos cujo preço ele chama de razoável: não tão barato que pareça falsificação, nem tão caro que pareça muito sofisticado para o uso esperado. Atuar nessas faixas intermediárias é uma estratégia de lojas de de- partamento. Marshall Junior et al.14 salientam que a qualidade é basea- da no “grau de excelência, levando em consideração o preço adequado e o controle da variabilidade a um custo aceitável”. Qualidade quer dizer o melhor para certas condições do cliente. Essas condições são: a) O verdadeiro uso b) O preço de venda do produto.15 13 Paladini, 2008, p. 39. 14 Marshall Junior et al., 2006. 15 Marshall Junior et al., 2006. 26 Gestão da Qualidade 2.4 Abordagem transcendental Esta abordagem esclarece claramente que a qualidade vai muito além da fabricação do produto ou fornecimento do ser- viço. Para Paladini,16 a relação do consumidor com o bem ou o serviço está centrada em elementos que não estão presentes no produto, nem na forma como foi produzido. O consumidor adquire um produto porque tem identificação com a marca. De forma mais ampla, esta abordagem consolida as marcas que são de tal modo conhecidas, que o nome do produto confunde-se com a própria marca, determi- nandoações que, embora pareçam especificamente di- rigidas a certo produto, são gerais. Exemplo: tomar uma Brahma, tirar um xérox, fazer a barba com “gillete”. Essas marcas, assim, surgem como referencial para todos os produtos similares e fixam-se na mente do consumidor como as mais representativas entre os produtos similares. A abordagem transcendental “é uma condição de exce- lência que implica ótima qualidade distinta de má qualidade. Qualidade é atingir ou buscar o padrão mais alto em vez de se contentar com o malfeito ou fraudulento.”17 16 Paladini, 2008, p. 41. 17 Marshall Junior et al., 2006, p. 33. Capítulo 2 Conceitos e Abordagens da Qualidade 27 Assim, “Qualidade não é uma ideia ou uma coisa concre- ta, mas uma terceira entidade independente das duas [...] em- bora não se possa definir qualidade, sabe-se o que ela é”.18r 2.5 Abordagem centrada no usuário Conforme Paladini,19 essa abordagem estabelece uma hierar- quia nas ações do consumidor, embora todas tenham uma mesma raiz. A primeira razão que determina a aquisição de um produto é o atendimento a uma necessidade. A seguir, vêm outras razões associadas às questões de prioridades, oportuni- dades, conveniências, utilidade, seleção entre algumas opções para o momento ou para o futuro, maior proveito, preferên- cias, vantagens, benefícios imediatos (ou não), gostos, desejos etc. Movida por esses ou quaisquer outros motivos, a compra é realizada. Ainda segundo o autor, surgem, então, três novas situa- ções. 1) O consumidor fica insatisfeito com o produto e deixa de comprá-lo no futuro. 2) O consumidor fica satisfeito com o produto e pode ser que volte a comprar outro da mesma marca (ou não). 3) O produto supera as expectativas do consumidor e, por isso, ele voltará a comprar outros da mesma marca. 18 Marshall Junior et al., 2006, p. 33. 19 Paladini, 2008. 28 Gestão da Qualidade Paladini20 considera que somente essa terceira opção pode determinar a fidelidade do consumidor e, por essa razão, as empresas que investem nessa direção são as únicas que se posicionam estrategicamente, com ações que apontam para a sobrevivência da organização. Para Edwars, citado por Marshall Junior et al.,21 “Qualida- de consiste na capacidade de satisfazer desejos”. Assim, “Na análise final de mercado, a qualidade de um produto depende de até que ponto ele se ajusta aos padrões das preferências do consumidor.”.22 Reforçando essa linha de raciocínio: “Qualidade é a adequação ao uso”.23 Segundo Garvin, citado por Marshall Junior et al.,24 O conceito qualidade pode ser desdobrado em elementos básicos, como os elencados a seguir: Desempenho – refere-se às características operacionais básicas do produto; Características – são as funções secundárias do produto, que suplementam seu funcionamento básico; Confiabilidade – reflete a probabilidade de mau funcio- namento de um produto; 20 Paladini, 2008. 21 Marshall Junior et al., 2006, p. 34. 22 Marshall Junior et al., 2006, p. 34. 23 Marshall Junior et al., 2006, p. 34. 24 Marshall Junior et al., 2006, p. 34-35. Capítulo 2 Conceitos e Abordagens da Qualidade 29 conformidade – refere-se ao grau em que o projeto e as características operacionais de um produto estão de acordo com padrões preestabelecidos; durabilidade – refere-se à vida útil de um produto, consi- derando suas dimensões econômicas e técnicas; Atendimento – refere-se à rapidez, cortesia, facilidade de reparo ou substituição; Estética – refere-se ao julgamento pessoal e ao reflexo das preferências individuais; Qualidade percebida – refere-se à opinião subjetiva do usuário acerca do produto. Com os exemplos apresentados, podemos perceber que a qualidade pode ser caracterizada de uma forma ou aborda- gem diferente, mas em ambas situações ela visa a atender a uma expectativa do cliente com relação ao produto ou servi- ço que vai ser oferecido, por isso este conceito não é único, vai depender das necessidades de quem adquire os bens ou serviços. Nesse aspecto, o conceito qualidade se torna bem abrangente. Recapitulando Dessa forma, podemos perceber que o conceito e as aborda- gens da qualidade servem como direcionadores para que as organizações possam definir os métodos e as técnicas (funda- 30 Gestão da Qualidade mentadas e desenvolvidas pelos grandes mestres ou gurus da qualidade) mais adequadas para os seus respectivos processos. Referências BONATO, José Carlos. Produtividade e qualidade organi- zacional. Canoas: Ulbra, 2008. (Caderno Universitário, n. 540) CARAVANTES, Geraldo Ronchetti; CARAVANTES Claudia; BJUR, Wesley. Administração teoria e processo. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. GARVIN, David A. Gerenciamento da qualidade: a visão es- tratégica e competitiva. Rio de Janeiro, Qualitymark, 2002. GIL, Antônio de Loureiro. Gestão da qualidade empresa- rial. São Paulo: Atlas, 1993. MARSHALL JUNIOR, Isnard et al. Gestão da qualidade. 9. ed. São Paulo: FGV, 2006. PALADINI, Edson Pacheco. Gestão estratégica da quali- dade: princípios, métodos e processos. São Paulo: Atlas, 2008. Capítulo 2 Conceitos e Abordagens da Qualidade 31 Atividades 1) Segundo Caravantes (2005), quais são as palavras-chave que melhor caracterizam a qualidade e suas respectivas definições? 2) Quais foram as cinco abordagens da qualidade definidas para Garvin (2006)? 3) Cite e explique as cinco dimensões da qualidade, segundo Bonato (2008). 4) Explique a abordagem centrada no processo e no produto. 5) Explique a abordagem centrada no usuário. ?????????? Capítulo ? Os Mestres (gurus) da Qualidade Marie Cristine Fortes Rocha Capítulo 3 Capítulo 3 Os Mestres (gurus) da Qualidade 33 Introdução As contribuições de Juran, Deming, Crosby, Feigenbaum e Ishi- kawa (entre outros mestres da qualidade que revolucionaram o mundo dos negócios, contribuindo com técnicas e metodolo- gias de qualidade para organizações), integram um seleto gru- po de especialistas da área de gerenciamento, considerados os maiores gurus ou mestres da Qualidade em nível mundial. A melhoria da qualidade nos processos produtivos desen- cadeia a diminuição de custos envolvidos com a produção de bens e serviços. Essas melhorias foram possíveis através das técnicas, desenvolvidas e utilizadas na indústria japonesa e americana, que foram evoluindo ao longo do tempo em busca do controle de qualidade. Para aplicação das teorias e práticas de qualidade, foi preciso que o Japão e a América do Norte adaptassem as suas respectivas culturas a esse novo padrão de conduta, o qual exigia uma postura mais técnica e o desenvolvimento de ferramentas, estatísticas e controles de processo em prol da Qualidade dos produtos e serviços. Para um melhor entendimento sobre os grandes mestres neste capítulo, iremos estudar sobre as suas contribuições para o sistema de gestão da qualidade. 34 Gestão da Qualidade 1 Alguns mestres e suas respectivas contribuições para qualidade Segundo Marshall Junior et al.,1 Juran e Deming foram os dois principais responsáveis pelo movimento da qualidade no Japão. Os Japoneses os consideram os inspiradores do milagre industrial de seu país, iniciado na década de 1950. Os norte-americanos só lhes deram o devido valor nos anos 1980. Segundo Marshall Junior et al,2 do lado norte-americano, Philip Crosby contribuiu com sua teoria do zero defeito e Armand Feigenbaum foi o grande impulsionador do conceito de controle da qua- lidade total. Do lado Japonês, Kaoru Ishikawa e Geni- chi Taguchi são dois nomes importantes. Ishikawa foi o responsável pela adaptação da cultura japonesa aos ensinamentos de Deming e Juran, também criando as sete ferramentas do controle estatístico da qualidade. Foi ainda o grandeinspirador dos círculos de controle da qualidade (CCQ). Taguchi deu forte impulso à produ- ção do design industrial, que marcou a segunda onda do movimento da qualidade no Japão após a primeira fase, assentada no controle estatístico. 1 Marshall Junior et al., 2006, p. 35. 2 Marshall Junior et al., 2006, p. 35-36. Capítulo 3 Os Mestres (gurus) da Qualidade 35 Os grandes mestres da qualidade definem o conceito de qualidade dentro de seus respectivos princípios, conforme Quadro 2. Quadro 2 Os grandes mestres e seus respectivos conceitos sobre a qualidade Mestres O conceito na visão de cada mestre Garvin Qualidade existe há muito tempo, mas recentemente emergiu como forma de gestão. Essa nova abordagem é resultante de um processo evolutivo e vem passando novamente por uma evolução considerável nas organizações do primeiro mundo. Juran Qualidade é fitness for use (adequação ao uso), ou seja, o usuário de um produto ou serviço pode contar com ele para desempenhar o que lhe foi determinado. Essa definição aponta para duas direções: atendimento às características do produto e ausência de deficiência nos processos. Moller Concebe a qualidade como integrada por dois fatores: a qualidade técnica e a qualidade humana. A qualidade técnica: visa satisfazer às exigências e às expectativas concretas, como, por exemplo, tempo, qualidade, finanças, taxa de defeitos, função, durabilidade, segurança, garantia. A qualidade humana, por sua vez, visa satisfazer às expectativas e desejos emocionais, como lealdade, comprometimento, consistência, comportamento, credibilidade, atitudes, atenção. É importante ressaltar que os conceitos de “qualidade técnica” e de “qualidade humana” são complementares. 36 Gestão da Qualidade Teboul A qualidade é, antes de mais nada, a conformidade às especificações. É, ainda, a resposta ajustada à utilização que se tem em mente, na hora da compra e também a longo prazo. Mas é também aquele algo mais de sedução e de excelência, mais próximo do desejo que da qualidade. A qualidade é a capacidade de satisfazer as necessidades tanto na hora da compra quanto durante a utilização, ao menor custo possível, minimizando perdas e fazendo melhor do que os concorrentes. Ishikawa A gestão da qualidade consiste em desenvolver, criar e fabricar mercadorias mais econômicas, úteis e satisfatórias para o comprador. Administrar a qualidade é também administrar preço, custo, preço venda e lucro. Taguchi A qualidade consiste em minimizar as perdas causadas pelo produto não apenas ao cliente, mas à sociedade em longo prazo. Crosby Qualidade quer dizer conformidade com as exigências. Feigenbau m Julga que a qualidade quer dizer o melhor para certas condições do cliente. Essas condições são: a) o verdadeiro uso; b) o preço de venda do produto e c) a satisfação completa do cliente. Lee Qualidade é mais do que um modelo de gestão, é uma filosofia e terá um impacto maior que qualquer outro movimento na economia global do século XXI. Baker Afirma que o paradigma da qualidade é essencial à excelência e que, na virada para o século XXI, já era necessária até para se manter no mercado. Fonte: adaptado de Caravantes et al., 2007, p. 239. As principais linhas de pensamento da qualidade foram elaboradas pelos grandes mestres já mencionados: Deming, Juran, Crosby, Feigenbaum, Taguchi e Ishikawa. Algumas con- Capítulo 3 Os Mestres (gurus) da Qualidade 37 siderações sobre esses principais estudiosos do conceito quali- dade serão vistas a seguir. W. Edwards Deming Segundo Brocka e Brocka,3 W. Edwards Deming nasceu em 14 de outubro de 1900 na cidade de Sioux, Iowa. Logo após, sua família se mudou para Powell, Wyoming. Deming graduou-se com o bacharelado em Física, pela Universidade de Wyoming, em 1921, e com o título de doutor em Física Matemática por Yale em 1928. Trabalhou para o bureau do censo americano durante e após a 2ª Guerra Mundial. Em 1950, Deming foi ao Japão ajudar no censo japonês e fez conferências aos líderes empresariais sobre Controle Estatístico da Qualidade. O executivo deve compreender, através dos fundamentos de Deming, que o mais importante na gestão da qualidade é fazer com que os colaboradores trabalhem melhor, e não mais. Com isso, a qualidade do processo que determina o produto passa a ser mais importante do que a quantidade de volumes produzidos. Segundo Bonato,4 o sistema empresarial norte-americano foi criticado por Deming por não apostar na participação dos trabalha- dores no processo de decisão. Ele argumenta que os 3 Brocka; Brocka, 1994, p. 76. 4 Bonato, 2008, p.13. 38 Gestão da Qualidade gestores são responsáveis por 94% dos problemas de qualidade. O seu principal papel é remover as barreiras na empresa que impedem a realização de um bom tra- balho. “Os executivos devem fazer os outros trabalharem melhor, e não apenas mais” é uma de suas frases famo- sas. Para Marshall Junior et al.,5 os 14 pontos de Deming para a melhoria da qualidade tornaram-se uma referência universal no ensino e na prática da qualidade. Os mesmos são apre- sentados abaixo. 1. Criar uma constância de propósitos para a melho- ria dos produtos e serviços. Uma visão organizacional deve guiar a cultura corporativa e fornecer uma meta para a organização. Tal visão equipa a organização com uma perspectiva de longo prazo. Meça o compromisso do ge- renciamento e os marcos de excelência da situação da organização em relação às outras. 2. Adotar uma nova filosofia. O gerenciamento do ociden- te deve despertar para o desafio e assumir um novo papel de liderança. A Revolução na Qualidade é a mesma na economia de importação como na Revolução Industrial. Ela é concomitante com a globalização da economia. 3. Acabar com a dependência da inspeção para alcan- çar a qualidade. Introduza modernas ferramentas de qualidade, como controle estatístico de processo, opera- ções revolucionárias, projetos de experimentos e o desdo- 5 Marshall Junior et al., 2006, p. 36-37. Capítulo 3 Os Mestres (gurus) da Qualidade 39 bramento da função qualidade. A inspeção somente mede um problema, e não permite qualquer correção dele. Fre- quentemente, se diz que ninguém pode inspecionar em qualidade. 4. Acabar com a prática de negócio compensador ba- seado apenas no preço. Em vez disso, minimizar o custo total. Insistir na ideia de um único fornecedor para cada item, desenvolvendo relacionamentos duradouros, calca- dos na qualidade e na confiança. 5. Aperfeiçoar constantemente e continuamente todo o processo de planejamento, produção e serviço, com o objetivo de aumentar a qualidade e a produtividade e, consequentemente, reduzir os custos. 6. Fornecer treinamento no local de trabalho. 7. Adotar e estabelecer liderança. O objetivo da liderança é ajudar as pessoas a realizar um trabalho melhor. Assim como a liderança dos trabalhadores, a liderança empresa- rial necessita de uma completa reformulação. 8. Eliminar o medo. 9. Quebrar barreiras entre departamentos. Os colabora- dores dos setores de pesquisa, projetos, vendas, compras ou produção devem trabalhar em equipe, tornando-se ca- pazes de antecipar problemas que possam surgir durante a produção ou durante a utilização dos produtos ou servi- ços. 40 Gestão da Qualidade 10. Eliminar slogans, exortações e metas dirigidas aos empregados. 11. Eliminar padrões artificiais (cotas numéricas) para o chão de fábrica, a administração por objetivos (APO) e a administração através de números e metas numéricas. 12. Remover barreiras que despojem as pessoas de orgu- lho no trabalho. A atenção dos supervisores deve voltar- -se para a qualidade e não para números. Remover as barreiras que usurpam dos colaboradores das áreas ad- ministrativase de planejamento/engenharia o justo direito de orgulhar-se do produto de seu trabalho. Isso significa a abolição das avaliações de desempenho ou de méritos e da administração por objetivos ou por números. 13. Estabelecer um programa rigoroso de educação e au- toaperfeiçoamento para todo o pessoal. 14. Colocar todos da empresa para trabalhar de modo a realizar a transformação. A transformação é tarefa de to- dos. Philip B. Crosby Philip B. Crosby nasceu em 1926 em Wheeling, Oeste da Vir- gínia. Crosby graduou-se em ortopedia (profissão de seu pai), mas decidiu não seguir carreira nessa área. Em 1952, tornou- -se engenheiro na área de confiabilidade na Crosley Corpora- tion, em Richmond, Indiana. Posteriormente, de 1957 a 1965, trabalhou na Martin Corporation. Foi encarregado da qualida- de no projeto do míssil Pershing e, de 1965 a 1979, foi diretor Capítulo 3 Os Mestres (gurus) da Qualidade 41 (status de vice-presidente) da Qualidade na ITT. Em 1979, fun- dou a Philip Crosby Associates (PCA) em Winter Park, Flórida. Em 1991, retirou-se da PCA e foi para a Career IV e auxiliou na formação de executivos. Segundo Brocka e Brocka, Crosby contribui com a melhoria da qualidade através da definição dos seus 14 passos, que seguem abaixo. 1. Esteja certo de que o gerenciamento está comprometido com a qualidade. 2. Forme equipes de melhorias da qualidade com represen- tantes de cada departamento. 3. Determine como medir onde os problemas correntes e po- tenciais com a qualidade se assentam. 4. Avalie o custo da qualidade e explane a sua utilização como uma ferramenta de gerenciamento. 5. Faça seguir as advertências a respeito da qualidade e o interesse pessoal de todos os empregados. 6. Efetive ações formais para corrigir problemas identificados por meios dos passos anteriores. 7. Estabeleça um comitê para o programa de zero defeito. 8. Treine todos os empregados para carregarem ativamente as suas partes no programa de qualidade. 9. Estabeleça um dia do zero defeito para permitir que todos os empregados participem e contribuam com as mudan- ças. 42 Gestão da Qualidade 10. Encoraje as pessoas a estabelecerem metas de melhorias para si mesmas e para seus grupos. 11. Encoraje os empregados a comunicar à gerência os obstá- culos encontrados em face dos objetos de melhoria. 12. Reconheça e dê apreço a quem participa. 13. Estabeleça um conselho de qualidade para comunicação sobre uma base regular. 14. Faça tudo normalmente para enfatizar que o programa de melhoria de qualidade nunca termine. Segundo Marshall Juniot et al.,6 Crosby considera as técni- cas não preventivas, como inspeção, teste e controle da qua- lidade, pouco eficazes. Tal como Deming, ele também definiu os 14 passos citados para a melhoria da qualidade, os quais são encarados como um processo e não como um programa, e devem ser perseguidos de modo permanente. Armand Vallin Feigenbaum Feigenbaum contribuiu de forma relevante para tornar os con- ceitos de qualidade em estratégias de negócio. Com sua visão apurada para a aplicabilidade das técnicas de qualidade, bus- cou lapidar as metodologias e atitudes corporativas em busca da gestão e do comprometimento com a excelência dos pro- cessos, visando um melhor desempenho para a organização e a obtenção de um padrão que qualidade orientada ao cliente. 6 Marshall Junior et al., 2006. Capítulo 3 Os Mestres (gurus) da Qualidade 43 Segundo Marshall Junior et al.,7 Feigenbaum foi um dos formuladores do conceito de “controle da qualidade total” – TQC. De acordo com a sua abordagem, qualidade é um instrumento estratégico pelo qual todos os trabalhadores devem ser responsá- veis. Mais do que uma técnica de eliminação de defeitos nas operações industriais, qualidade é uma filosofia de gestão e um compromisso com a excelência. Volta-se para fora da empresa e tem por base a orientação para o cliente. A premissa básica do TQC é que a qualidade está ligada a todas as funções e atividades da organiza- ção e não apenas à fabricação e à engenharia. Feigen- baum é reconhecido como pioneiro no estudo dos custos da qualidade. Ainda segundo autor, o comprometimento positivo com a qualidade é fundamental para os programas de TQC. As for- mas de desenvolver e de atingir esse comprometimento de- pendem da cultura, da história, da política, dos recursos e da personalidade da empresa. Mas é fundamental que o compro- metimento ocorra a partir da alta administração. Joseph M. Juran De acordo com Marshall Junior et al.,8 Juran foi pioneiro na aplicação dos conceitos de qualidade nas estratégias de ne- gócios da empresa, no lugar de meramente ficar associando-a 7 Marshall Junior et al. 2006, p. 39. 8 Marshall Junior et al. 2006. 44 Gestão da Qualidade somente aos controles e aos métodos da qualidade para os processos. A gestão da qualidade divide-se em três pontos fundamen- tais, denominados Trilogia Juran. São eles:  Planejamento;  Controle;  Melhoria. Para Juran, o processo de negócio é a maior e mais negligenciada oportunidade de melhoria. Uma parcela expressiva dos problemas de qualidade é causada por processos de gestão. Juran considera a melhoria da qua- lidade a principal prioridade do gestor e o planejamento a segunda, esforço que deve contar com a participação das pessoas que irão implementá-lo. Na sua visão, se- parar planejamento e execução é uma noção obsoleta, que remonta aos tempos de Taylor. A terceira priorida- de consiste em promover o controle da qualidade. Juran aconselha a sua delegação aos níveis operacionais da empresa. Devido à crescente qualificação dos trabalha- dores ele acredita em equipes autogerenciadas.9 Kaoru Ishikawa Conhecido como o pai do Controle Total da Qualidade (TQC) japonês, Ishikawa enfatizou os aspectos humanos e a imple- 9 Marshall Junior et al., 2006, p. 39. Capítulo 3 Os Mestres (gurus) da Qualidade 45 mentação dos Círculos de Controle da Qualidade (CCQ). De acordo com Marshall Junior et al.10, cada elemento da empresa tem que estudar, praticar e participar do controle da qualidade. O TQC enseja que, com a participação de todos os colaboradores, incluin- do o presidente, qualquer empresa ofereça produtos (ou serviços) melhores a um custo mais baixo, aumente as vendas, melhore os lucros e se transforme em uma orga- nização melhor. Genichi Taguchi O Mestre Taguchi desenvolveu bastante a questão da elimi- nação de desperdícios durante todo o processo de produção – desde o projeto até a destinação final. O planejamento de todo o desenvolvimento e aplicação do produto começa obe- decer a padrões de qualidade que estabeleçam controles que possam ser monitorados durante o processo, para garantir a boa qualidade do produto ou o serviço final oferecido ao con- sumidor. Segundo Marshall Junior et al.,11 a filosofia de Taguchi, por seu turno, abrange todo ciclo de produção, desde o design até a transformação em produto acabado. Ele define a qualidade em função das 10 Marshall Junior et al., 2006, p. 41. 11 Marshall Junior et al., 2006, p. 41-42. 46 Gestão da Qualidade perdas geradas pelo produto para a sociedade. Essas perdas podem se estimadas em função do tempo, que compreende a fase de expedição de um produto até o final de sua vida útil. Para Taguchi, o segredo para que se consiga reduzir os desperdícios não está na conformidade com as especifi- cações, mas na redução da variabilidade estatística em relação aos objetivos fixados. Desta forma, o processo de design e fabricação são fatores fundamentais para garantir a qualidade e reduzir os custos relacionados a cada produto. Dessa forma, a qualidade passa a ser vista não mais como um produto ou atividade isolada, mas como um processo que apresentaelementos de entrada, transformação e saída, e que ainda pode ser monitorada, após a venda dos produtos, atra- vés das atividades de pós-vendas, como assistência técnica por exemplo. Para Marshall Junior et al.,12 o mestre Masaaki Imai defi- niu que o melhoramento contínuo depende de uma profunda transformação na mentalidade, na filosofia, nos métodos e nos objetivos das empresas, pois, para ele, o melhoramento contí- nuo é a chave do sucesso competitivo japonês. Os mestres da qualidade contribuíram com o processo da qualidade total, cada um trazendo a sua respectiva contribui- 12 Marshall Junior et al., 2006. Capítulo 3 Os Mestres (gurus) da Qualidade 47 ção. Para melhor entendermos como foi a construção desse processo, segue o modelo representado na Figura 2, que de- monstra todos os seus elementos. Figura 2 Componentes da qualidade total. Fonte: Campos, 2004. As dimensões da qualidade servem para ajudar no controle dela por meio de medidas que podem ser facilmente identifica- das e quantificadas. Dessa forma, fica mais fácil satisfazer as necessidades dos clientes quando eles apontam as dimensões de maior relevância para o atendimento de suas expectativas. 48 Gestão da Qualidade Recapitulando Os mestres da qualidade contribuíram com o processo da qualidade total, cada um trazendo a sua respectiva contribui- ção. Desta forma, o sistema de gestão da qualidade passou a ser visto sob muitas óticas dentro das organizações, mas sem- pre com foco em buscar melhores resultados e a excelência no desempenho dos processos. Referências BONATO, José Carlos. Produtividade e qualidade organi- zacional. Canoas: Ulbra, 2008. (Caderno Universitário, n. 540) BROCKA, Bruce; BROCKA, Suzanne M. Gerenciamento da qualidade. São Paulo: Makron Books, 1994. CAMPOS, Vicente Falconi. TQC – Controle da qualidade total (no estilo japonês). Belo Horizonte: [s. n.], 2004. CARAVANTES, Geraldo Ronchetti; CARAVANTES Claudia; BJUR, Wesley. Administração teoria e processo. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. MARSHALL JUNIOR, Isnard et al. Gestão da qualidade. 9. ed. São Paulo: FGV, 2006. Capítulo 3 Os Mestres (gurus) da Qualidade 49 Atividades 1) Quais foram os principais mestres responsáveis pelo movi- mento da qualidade no Japão? 2) Resuma, em tópicos, quais foram os 14 princípios da qua- lidade segundo Deming. 3) Quais foram os 14 pontos de Crosby, identificados para a melhoria da qualidade? 4) Quais são os três pontos fundamentais da Trilogia de Ju- ran? 5) Qual a contribuição dos mestres para a história da evolu- ção da qualidade? ?????????? Capítulo ? Ferramentas, Metodologias e Programas da Qualidade Marie Cristine Fortes Rocha Capítulo 4 Capítulo 4 Ferramentas, Metodologias e Programas da Qualidade 51 Introdução Segundo Pimentel,1 a história da origem e evolução dos méto- dos e ferramentas da qualidade, os quais encontramos até hoje nas bibliografias da área administrativa/organizacional e des- critos por Taylor, Fayol, Mayo, Maslow, McGregor, Herzberg, entre outros autores da época – verdadeiros missionários da qualidade – se propagam até os dias atuais, evidenciados pela prática da qualidade dentro das organizações. Muitas obras desses autores percorreram o mundo com a finalidade de nor- tear as organizações sobre quais seriam os melhores métodos de gestão da qualidade. Cabe-nos salientar que a inovação do processo de gestão da qualidade se deu devido à incansável crítica e às pesquisas realizadas por especialistas da área da qualidade e das diversas Teorias Administrativas estudadas na ciência da Administração. Vejamos, a seguir, as ferramentas, metodologias e programas utilizadas nos processos de gestão da qualidade que foram se reestruturando, principalmente a partir de 1950, com base em conceitos e práticas desenvolvi- dos pelos grandes mestres no Japão e na América do Norte. 1 Brainstorming Ferramenta consiste em grupos formados entre cinco e doze pessoas, cujas ideias são lançadas por todos em uma atmosfe- ra de descontração, porém com foco. Essa ferramenta auxilia na formação de equipes, incentiva a criatividade livre e coloca 1 Pimentel, 2005. 52 Gestão da Qualidade em evidência a questão de lidar com as diferenças entre co- legas. Sua aplicação é resumida em três fases: apresentação clara do assunto, geração e registro das ideias e, por fim, a seleção delas. Segundo Brocka e Brocka,2 o Brainstorming existe desde 1928 e foi criado por Walt Disney, cuja técnica continuou sen- do usada e auxiliou diretamente no planejamento do Walt Dis- ney World. Essa é uma ferramenta de grupo na qual as ideias são geradas livremente e a criatividade não é impedida, por exemplo, pelo medo das críticas. As ideias são lançadas de forma livre, mas com o enfoque necessário. Um profissional qualificado com o conhecimento da ferramenta e do comportamento humano deve participar, mas não influenciar nas ideias geradas; deverá apenas garantir a ausência das críticas e o clima de paz entre os partici- pantes, não considerando nem mesmo as diferenças hierárquicas. O Brainstorming por si só não garante a solução do problema apresentado, mas várias opções para esse objetivo. Deve-se usar outra ferramenta para determinar qual é a melhor opção. 2 Histograma A finalidade do histograma é mostrar e entender como um conjunto de dados se distribui, demonstrando a variabilidade de um processo. 2 Brocka; Brocka, 1994. Capítulo 4 Ferramentas, Metodologias e Programas da Qualidade 53 Para Marshall Junior et al.,3 o histograma pode ser representado por um gráfico de barras que associa os valores de uma característica da qualidade, divididos em pequenos intervalos, com a fre- quência com que ocorreram na amostra. Este gráfico re- presenta a distribuição de frequência dos dados. O obje- tivo é resumir um grande conjunto de dados, ressaltando suas características globais, tais como faixa de valores observados, dispersão ou forma de variação. Podemos encontrar vários tipos de histograma, como os representado nos gráficos a seguir. Gráfico 1 Tipo geral etc. (diagramador, por favor, verifique comigo ao diagramar estes gráficos, separar um por um... vai do nº 1 ao nº 6. Fonte: Marshall Junior et al., 2006. 3 Marshall et al., 2006, p. 106. 54 Gestão da Qualidade O histograma representa, também, a distribuição dos re- sultados coletados em uma amostra. A curva sobreposta sobre o histograma representa a distribuição de todos os resultados do processo. Quando ela apresenta um formato de sino, é de- nominada de distribuição normal, também chamada de curva de Gauss, ilustrada no Gráfico 2: Gráfico 2 Distribuição normal Fonte: Marshall Junior et al., 2006. 3 Folhas de verificação Conforme manual do Sebrae,4 as folhas de verificação são ta- belas ou planilhas usadas para facilitar a coleta e análise de dados, cuja utilização economiza tempo, elimina o trabalho de se desenhar figuras ou escrever números repetitivos e evita 4 Sebrae, 2009. Capítulo 4 Ferramentas, Metodologias e Programas da Qualidade 55 o comprometimento da análise dos dados, (Tabela 1). É uma das sete ferramentas básicas da qualidade, representada por uma espécie de lista de itens pré-estabelecidos que serão mar- cados a partir do momento que forem realizados ou avaliados. Tabela 1 Modelo de aplicação da folha de verificação Fonte: Marshall Junior et al., 2006. 4 Cartas de controle É um tipo específico de gráfico de controle de dados ao longo do tempo, que serve para acompanhar a variabilidade de um processo, identificando as causas comuns e especiais.5 5 Marshall Junior et al., 2006. p. 99. 56 Gestão da Qualidade As causas comuns estão ligadas ao funcionamento da roti- na dosistema de trabalho, enquanto as causas especiais estão relacionadas às falhas não previstas no processo (Gráfico 3). Gráfico 3 Exemplo de uma carta de controle Fonte: Marshall Juniot et al., 2006. 5 5W2H O 5W2H ajuda a empresa a organizar suas ações e a definir os respectivos responsáveis e recursos que devem estar dispo- níveis para que ela consiga a efetiva conclusão de suas ações. O 5W2H, conforme exemplo do Quadro 3, representa as iniciais das seguintes palavras em inglês: why (por que), what (o quê), where (onde), when (quando), who (quem), how (como) e how much (quanto custa). Surgiu no mercado uma variação dessa ferramenta, que passou a se chamar 5W3H, correspondendo o terceiro H a how many (quantos).6 6 Marshall Junior et al., 2006. Capítulo 4 Ferramentas, Metodologias e Programas da Qualidade 57 Quadro 3 Modelo de 5W2H Fonte: Marshall Junior et al., 2006. Nesse plano, todos os detalhes da estratégia são analisa- dos para que os erros que normalmente são vistos durante a aplicação sejam evitados. Essa é uma das ferramentas mais utilizadas nas empresas que buscam uma certificação de qua- lidade, uma vez que é um plano de ação para resolver tanto os problemas existentes quanto para implantar as melhorias. Esse plano pode ser aplicado para estabelecer ações de não conformidade ou eliminação de falhas potenciais identificadas no processo, sistema ou produto desenvolvido na organiza- ção. Para melhorar a forma de controle, podem ser utilizados, 58 Gestão da Qualidade como apoio, os serviços de tecnologia para gerenciamento de datas e geração e envio de relatórios de acompanhamento a todos os envolvidos. Caso contrário, esse monitoramento tam- bém poderá ser realizado manualmente, porém demandará um pouco mais de tempo para o alinhar e calcular todos os dados relevantes. 6 Diagrama de Pareto O Diagrama de Pareto, segundo Marshall Junior et al.,7 é uma ferramenta muito usada para organizar e utilizar os dados es- tatísticos da empresa. Através dela, podemos verificar onde focar as soluções de problemas, pois a imagem no gráfico deixa claro onde o problema é maior e onde ocorre poucas vezes, evitando, assim, o desperdício de tempo e energia em situações que não representam tanta gravidade para a empre- sa. Para a aplicação correta da ferramenta, faz-se necessário atentarmos a alguns passos. 1º Definir quais problemas terão sua frequência analisa- da. 2º Deverá haver um padrão para essas análises. Assim, se o primeiro item foi considerado com base no custo atual, todos os outros deverão ser analisados da mes- ma forma. 7 Marshall Junior et al., 2006. Capítulo 4 Ferramentas, Metodologias e Programas da Qualidade 59 3º Essas medições devem ser feitas com um padrão esta- belecido de tempo e todos os problemas devem ser ve- rificados com a mesma base, que pode ser, por exem- plo, anual ou mensal. 4º Os dados coletados devem ser reunidos por catego- rias. 5º Cada categoria deverá ter seus dados comparados com as outras, formando, assim, uma lista de ordem crescente. 6º As categorias devem ser listadas em ordem decrescen- te no gráfico, da esquerda para a direita. 7º No gráfico, faz-se uma barra para cada categoria, re- presentando proporcionalmente sua quantidade. Dessa forma, estará pronta a visualização, como podemos verificar no gráfico a seguir. 60 Gestão da Qualidade Gráfico 4 Modelo de implementação do Gráfico de Pareto Fonte: Campos, 2004. No exemplo mostrado, foi adicionada uma linha de frequência acumulada, a qual mostra o crescimento de ocor- rências que serão solucionadas em cada caso. Capítulo 4 Ferramentas, Metodologias e Programas da Qualidade 61 7 Diagrama Espinha de Peixe ou Diagrama de Causa e Efeito Segundo Brocka e Brocka,8 o Diagrama de Causa e Efeito ou Diagrama Espinha de Peixe, é uma representação em dese- nho das causas que podem ter levado ao problema estudado. A aplicação dessa ferramenta inicia-se com uma análise em grupo do problema que, uma vez discutido, é registrado no lado direito, na ponta, do diagrama. A seguir, completa-se com suas causas divididas em categorias. Existem várias causas para cada problema ou efeito ocor- rido em uma organização, as quais deverão ser agrupadas. As principais características levantadas pelos autores, podem ser analisadas através da definição do 6M: Métodos, Mão de obra, Material, Máquinas, Meio e Medidas. O diagrama pode ser elaborado individualmente ou em grupo. A partir da montagem dessa ferramenta, as causas mais prováveis devem ser separadas e analisadas mais de- talhadamente. Assim, é resolvida a questão principal, que é a detecção da causa raiz do problema, a fim de que ele seja efetivamente eliminado (Figura 3). 8 Brocka; Brocka, 1994. 62 Gestão da Qualidade Figura 3 Modelo de utilização da ferramenta Diagrama de Causa e Efeito Fonte: Campos, 2004. 8 Metodologias para melhoria do desempenho da qualidade No Brasil, a maioria das organizações, ao decidirem pela im- plantação de um programa de qualidade total, normalmente buscam a assessoria de consultorias especializadas para me- lhor esclarecer o conceito e aplicabilidade de cada ferramenta ou metodologia, a fim de verificar qual a melhor maneira de incorporá-las aos seus respectivos processos. Capítulo 4 Ferramentas, Metodologias e Programas da Qualidade 63 Segundo Bonato,9 é fundamental ressaltar a diferença entre método e ferramenta. “O método é sequência lógica para se atingir uma meta desejada e as ferramentas são os recursos a serem utilizados no método.” De nada adianta conhecer várias ferramentas se o método não é dominado. É muito comum dar-se mais importância às ferramentas que ao método. Como consequência, as pessoas ficam exímias conhecedoras de fer- ramentas, mas não sabem o que fazer com elas. As metodologias para melhoria do desempenho da qua- lidade vêm, então, fortalecer as práticas já desenvolvidas pe- las ferramentas da qualidade, porém, com técnicas um pouco mais complexas, uma vez que têm como objetivo a manuten- ção e a melhoria contínua dos processos. 8.1 Ciclo do PDCA O Ciclo do PDCA foi inicialmente desenvolvido por Wal- ter Shewhart, em 1920, e, posteriormente, popularizado por Edward Deming. Essa metodologia contribuiu com a manuten- ção do controle dos processos. “O ciclo do PDCA é composto das quatro fases básicas do controle: planejar, executar, verificar e atuar corretivamente.”10 O PDCA representa um ciclo dinâmico que pode ser des- dobrado em cada etapa do processo de uma organização. 9 Bonato, 2008, p. 29. 10 Robes Junior; Bonelli, 2006, p. 33. 64 Gestão da Qualidade É uma metodologia que está associada ao planejamento, à implementação, ao controle e à melhoria contínua da realiza- ção de produto ou serviços resultantes de um processo e do sistema de gestão da qualidade (Figura 4). Figura 4 Ciclo do PDCA. Fonte: Robes Junior; Bonelli, 2006. Segundo Marshall Junior et al.,11 a filosofia da melhoria contínua possui, como sua mais conhecida representação, o ciclo do PDCA, também conhecido como ciclo de Shewhart, seu idealizador, ou como ciclo de Deming, o responsável por seu desenvolvimento e reconhecimento. O ciclo de PDCA é um método gerencial para a promoção da melhoria contínua e reflete, em suas quatro fases, a base da filosofia do melho- ramento contínuo. Sendo praticado de forma cíclica e ininter- rupta, acaba por promover a melhoria contínua e sistemática 11 k Marshall, 2006. Capítulo 4 Ferramentas, Metodologias e Programas da Qualidade 65 da organização. As quatro fases, mostradas anteriormente na Figura 4, podem ser conceituadas da seguinte forma. 1º Fase: Plan (planejamento) – os objetivos e as metas devem ser estabelecidos para que sejam desenvolvidosmétodos, procedimentos e padrões para alcançá-los. Normalmente, as metas são desdobradas do planeja- mento estratégico e representam requisitos do cliente ou parâmetros e características de produtos, serviços e processos. 2º Fase: Do (execução) – essa é a fase de implementação do planejamento, na qual é preciso fornecer educação e treinamento para a execução dos métodos desenvol- vidos na fase de planejamento. 3º Fase: Check (verificação) – é o momento de verificar se o planejamento foi consistentemente alcançado atra- vés da comparação entre as metas desejadas e os re- sultados obtidos. 4º Fase: Act (agir corretivamente) – nessa fase temos duas alternativas: a primeira consiste em buscar as causas fundamentais a fim de prevenir a repetição dos efeitos indesejados, no caso de não terem sido alcançadas as metas planejadas; a segunda, em adotar como pa- drão o planejado na primeira fase, já que as metas planejadas foram alcançadas. 66 Gestão da Qualidade 8.2 Metodologia para análise e solução de problemas (Masp) A Masp tem como objetivo analisar e solucionar problemas e pode projetar as organizações para a chamada melhoria con- tínua tanto em processos de fabricação de bens como em pro- cessos de realização de serviços. A sua metodologia é simples e bem estruturada, pois, ao atendermos cada etapa do seu processo, é possível organizar, orientar e disciplinar a forma como atuamos, solidificando e direcionando ações efetivas em busca da solução de um problema. O Masp tem como objetivos principais:  a adoção de uma mesma linguagem facilitando e esti- mulando a comunicação e a troca de experiência entre os grupos de melhorias da organização;  organização e otimização dos esforços e recursos atra- vés de uma atuação conduzida por um planejamento e uma análise bem esquematizados e direcionada sobre os pontos prioritários para o alcance de melhorias sig- nificativas;  estímulo e orientação para pensar, analisar e avaliar os problemas de uma forma mais estruturada, para agir com base em fatos e evidências e para consolidar as experiências e conhecimentos adquiridos.12 12 Marshall Junior et al., 2006, p. 93-94. Capítulo 4 Ferramentas, Metodologias e Programas da Qualidade 67 A metodologia para análise e solução de problemas, se- gundo Marshall Junior et al.,13 apresenta as etapas apresenta- das na sequência. Identificação do problema - Definição A identificação do problema ocorre quando se percebe que algo está saindo errado. Quando possuímos um histórico, podemos visualizar o problema através de gráficos, que é o ideal, pois nele buscamos todas as informações necessárias e, assim, priorizamos os problemas mais relevantes juntamente com uma meta, que deve descrever o objetivo, ou seja, aonde se quer chegar com a solução do problema identificado. Reconhecimento dos aspectos do problema: observação A observação dos aspectos do problema é realizada através da coleta de dados, que visa descobrir quais são as carac- terísticas do problema, ou seja, de que forma o problema se apresenta e é percebido. A coleta de dados deve ser realizada observando-se o problema sob vários pontos de vista.  Tempo: os resultados são diferentes dependendo do tur- no (manhã, tarde etc.)?  Local: os resultados são diferentes dependendo de sua localização (frente, atrás etc.)? 13 Marshall Junior et al., 2006. 68 Gestão da Qualidade  Indivíduo: trocando o funcionário muda o resultado?  Tipo: os resultados são diferentes dependendo do tipo de material utilizado? Descoberta das principais causas: análise O objetivo dessa etapa é descobrir a causa raiz do problema, ou seja, descobrir a causa mais provável e que determina a ocorrência do problema, através do estabelecimento de hi- póteses oriundas de suas prováveis causas. Em um segundo momento, devemos testar cada hipótese, a fim de selecionar e investigar as causas mais prováveis relacionadas ao resultado esperado. Elaboração e adoção de ações: atuação Deve ser elaborado, pelos responsáveis e envolvidos no pro- blema, um plano de ação com foco na eliminação da causa raiz e a definição de prazos, de preferência curtos, para que sejam cumpridos, evitando, assim, a reincidência de ocorrên- cia do mesmo problema ou outros desencadeados por eles. Verificação dos resultados das ações: avaliação Nessa etapa, deve ser feita uma análise dos resultados obtidos, utilizando instrumentos confiáveis de comparação como tabe- las, gráficos, diagramas, entre outros. Lembrando que deve ser definida uma frequência para o acompanhamento das ações. Capítulo 4 Ferramentas, Metodologias e Programas da Qualidade 69 Estabelecer conclusões e definir padrões e ações: aprendizado Se os resultados indicarem uma melhora nos itens compara- dos, significa que o processo utilizado foi eficaz e que a causa raiz foi eliminada. Devemos, então, padronizar as ações como sendo rotina normal das atividades e também comunicar e treinar os envolvidos na nova sistemática de maneira que o problema não torne a ocorrer. Essa é a etapa de padronizar os métodos e garantir que as atividades serão sempre executadas da mesma forma, assegu- rando a continuidade do nível de melhoria alcançado com o uso do método de análise e solução de problemas. Segundo Cerqueira,14 a forte tendência de globalização, de inovação tecnológica e de sistemas de gestão focados em processos de melhoria dentro das organizações demonstram, cada vez mais, que é necessário realizar a gestão de processos de dentro para fora da empresa, a fim de garantir um pa- drão de qualidade e se torne competitiva no mercado. Porém, o crescimento acelerado das exigências e dos requisitos de clientes – parte interessada no que diz respeito à qualidade dos produtos ou serviços oferecidos – e, até mesmo, requisitos estatutários que devem ser considerados, podem causar certo desconforto e desestabilização dos controles dos processos, em função das mudanças de circunstâncias oriundas de algu- ma causa imprevisível, ou inerente ao processo, ou, também, o não atendimento de alguma especificação dos clientes. 14 Cerqueira, 1997. 70 Gestão da Qualidade Todos esses fatores citados podem, de certa forma, dar origem a diversos tipos de problemas dentro de uma organi- zação. Eles podem ser solucionados, controlados e até mes- mo eliminados. Suas potenciais ocorrências podem ser pré- -identificadas se uma metodologia de análise de causas e de soluções, criteriosa e adequada, for aplicada sistematicamente em todos os níveis da organização. A metodologia de Masp, segundo Marshall Junior et al.,15 é um dos métodos mais utilizados por empresas que são referên- cia em gestão de qualidade e melhoria contínua, pois, através de suas ferramentas, a empresa consegue definir as situações e estágios de análise e, assim, concluir suas ações efetivamen- te, com embasamentos técnicos praticados em muitos casos de sucesso organizacional. Por isso, é importante, segundo Cerqueira,16 que uma or- ganização, antes de perder tempo procurando culpados ou utilizando meios ineficientes de encontrar respostas para seus problemas, adote um método confiável de análise e solução como o Masp, para garantir e dar credibilidade à execução de suas ações, buscando a eliminação da causa raiz do problema direto em sua origem e dessa forma, desperdiçando menos tempo de seu processo em investigações e retrabalhos relacio- nados a ações ineficientes para resolução de seus problemas. 15 Marshall Junior et al., 2006. 16 Cerqueira, 1997. Capítulo 4 Ferramentas, Metodologias e Programas da Qualidade 71 9 Outros programas, ferramentas e metodologias para gestão da qualidade Segundo Campos,17 em japonês, chama-se muda a qualquer atividade que consome recursos, mas não criavalor. Ainda existem outros métodos e técnicas que podem ser utilizados em prol da qualidade, nos quais a definição de ambos pode ser realizada conforme a necessidade do processo, do tipo de segmento da empresa, do estudo de viabilidade de projeto, do nível de tecnologia e de inovação em que a empresa está disposta a investir. Como opção a essas empresas, podemos citar, ainda, técnicas ou programas de qualidade como Kaizen; Kanban; Desdobramento da Função Qualidade (QFD); 8D (solução de problemas); Just-in-Time; Programa 8 S; Lean Manufactoring; 6 Sigma; Certificações de Qualidade como as ISOs; Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade (PGQP); 17 Campos, 2004. 72 Gestão da Qualidade Programa Nacional de Qualidade (PNQ), entre outros, que são implementados conforme a necessidade de cada empresa. Um aspecto importante que deve ser levado em considera- ção sobre a utilização de ferramentas voltadas à qualidade é a sua simplicidade, que propicia fácil entendimento e aplicação, o que favorece a participação de todos na solução dos pro- blemas. Como consequência disso, há o comprometimento de toda a equipe através da responsabilidade direcionada a cada envolvido sobre as soluções que devem ser implementadas. A empresa não deve trabalhar para o sistema de qualidade, o sistema é que deve trabalhar a favor da empresa, para que ele consiga alcançar e manter o seu padrão de qualidade. Recapitulando Ressaltamos, porém, que o comprometimento de elementos fundamentais como, pessoas, infraestrutura e outros recursos podem ajudar na garantia da sistemática estabelecida para o atendimento de programas, ferramentas, técnicas ou mé- todos de análise de problemas, visando à manutenção e à melhoria dos resultados, exige um pouco mais de capacita- ção e qualificação por parte dos profissionais, a fim de que esses programas, técnicas e métodos sejam bem executados. O comprometimento da alta direção é muito importante, para que os recursos necessários a fim de que se consiga alcançar o tão almejado crescimento, seja alcançado de forma sólida e estruturada, alinhando os objetivos da organização com as estratégias de cada processo. Capítulo 4 Ferramentas, Metodologias e Programas da Qualidade 73 Os recursos necessários para implementar, controlar, man- ter e melhorar a qualidade devem estar relacionados a recursos humanos, financeiros e tecnológicos e com esta infraestrutura bem alinhada a implementação das ferramentas, metodolo- gias e programas da qualidade tem grandes possibilidades de terem sucesso dentro das organizações. Referências BONATO, José Carlos. Produtividade e qualidade organi- zacional. Canoas: Ulbra, 2008. (Caderno Universitário, n. 540) BROCKA, Bruce; BROCKA, Suzanne M. Gerenciamento da qualidade. São Paulo: Makron Books, 1994. CAMPOS, Vicente Falconi. TQC – Controle da qualidade total (no estilo japonês). Belo Horizonte: [s. n.], 2004. CERQUEIRA, Jorge Pedreira. A metodologia para análise e solução de problemas. 2. ed. São Paulo: Pioneira, 1997. MARSHALL JUNIOR, Isnard et al. Gestão da qualidade. 9. ed. São Paulo: FGV, 2006. PIMENTEL, Rodrigo Augusto da Silva. Modelos de gestão: qualidade e produtividade. Manaus: Centro Universitário UniNilton Lins, 2005. PINTO, Abel; SOARES, Iolanda. Sis- temas de gestão da qualidade. Lisboa: Sílabos, 2009. 74 Gestão da Qualidade ROBES JUNIOR, Antonio; BONELLI, Valério Victor. Gestão da qualidade e do meio ambiente. São Paulo: Atlas, 2006. SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Em- presas. Manual de ferramentas da qualidade. Dispo- nível em: < http://www.scribd.com/doc/6624218/Sebrae- -Manual-de-Ferramentas-Da-Qualidade>. Acesso em: 21 ago. 2009. Atividades 1) Como surgiram as ferramentas da qualidade? 2) Defina o que significa a ferramenta Brainstorming. 3) Defina o objetivo da metodologia do Masp. 4) Defina o que é o PDCA. 5) Cite quais são as outras ferramentas, programas e méto- dos que ainda podem ser utilizados pelas empresas. ???????? Capítulo ? Métodos e Técnicas para Melhoria da Qualidade Marie Cristine Fortes Rocha Capítulo 5 76 Gestão da Qualidade Introdução Os métodos e técnicas da qualidade visam a buscar padrões que garantam que os processos funcionem de forma organiza- da, padronizada e segura de modo que ao atingir a sua otimi- zação possam buscar continuamente melhorias que atendam as expectativas dos clientes considerando as muitas variáveis que podem integrar no curso desses processos causando im- pactos nos resultados esperados. Segundo Slack, Chambers e Johnston,1 a qualidade é um dos critérios de desempenho de processo mais valorizados pe- las organizações na hora de determinar suas estratégias de competitividade. Jornais cuja temática são os negócios com- petitivos e revistas que tratam de gerenciamento e gestão in- vestem em artigos sobre qualidade. Assim, temos vivido uma revolução voltada à qualidade. Há uma crescente consciência de que bens e serviços de alta qualidade podem dar a uma organização considerável vantagem competitiva. 1 Excelência e qualidade A competitividade pode ser compreendida como a capacidade de uma empresa ser bem sucedida e possuir vantagens em mercados em que existe concorrência. Atingir esta vantagem competitiva significa fazer melhor que os concorrentes e, por sua vez, fazer melhor significa (Slack, Chambers e Johnstona)  fazer certo – a vantagem da qualidade; 1 Slack; Chambers; Johnston, 1999. Capítulo 5 Métodos e Técnicas para Melhoria da Qualidade 77  fazer rápido – a vantagem da velocidade;  fazer pontualmente – a vantagem da confiança;  estar apto a mudar o que é feito – a vantagem da flexi- bilidade;  fazer barato – a vantagem do custo. Boa qualidade reduz custos de retrabalho, sucata e devolu- ções e, mais importante, gera consumidores felizes. O controle dos processos, exemplificado na Figura 1, tem sido um fator fundamental para a garantia da qualidade por tempo indeterminado. Figura 1 Conceito de controle de processo. Fonte: Campos, 2004. 78 Gestão da Qualidade O fluxo apresentado mostra dois tipos de conceito: o con- vencional e o de controle do processo. O convencional ini- cia-se com o requisito do consumidor (no caso, o cliente) e, a partir daí, elabora-se e desenvolve-se o projeto e também realiza-se inspeções, nesse último caso, geralmente no final do processo, a fim de verificar se o requisito solicitado foi aten- dido. Após essa verificação, rejeita-se ou se aceita que o pro- duto seja enviado para o cliente. Já o conceito de controle de processo, mede-se durante o processo, todas as características críticas, verificando se atendem aos parâmetros especificados. Se sim, aceita; se não, realiza inspeção de 100% nos produtos ou identifica-se o produto suspeito e encaminha-se para análi- se. Porém, só passa de uma etapa para outra se estiver dentro dos padrões, garantindo, assim, que o produto com não con- formidade não seja enviado para o cliente. Então, o produto não conforme ou suspeito, fica segregado dentro do processo interno de fabricação até que uma destinação adequada, feita por pessoal autorizado, seja definida. Segundo Crosby,2 o interesse e a iniciativa pela melhoria da qualidade vêm sendo discutidos e aprofundados na área de produção, uma vez que a qualidade é vista como diretamente ligada ao resultado final do produto e à satisfação do cliente. Por essa razão, a qualidade deve ser medida desde a hora em que são definidos, com o cliente, os seus respectivos requi- sitos. Isso significa que, a cada etapa do processo, devem ser monitorados os controles de qualidade, pois os custos da não qualidade podem superar os custos relacionados à garantia 2 Crosby, 1990. Capítulo5 Métodos e Técnicas para Melhoria da Qualidade 79 desta, podendo gerar alto desperdício para a organização e a insatisfação do cliente por receber um produto com baixo padrão de qualidade. Os primeiros a reconhecerem que a melhoria da qualidade não é privilégio ou responsabilidade apenas do setor de pro- dução foram os japoneses. Vários estudos e resultados de pesquisas foram publicados sobre a forma como os japoneses conduzem seus negócios e qual o modelo de sucesso para chegarem ao ponto de derru- bar concorrentes que eram absolutos no mercado. Podemos resumir o resultado desses estudos e pesquisas de acordo com as formas abaixo especificadas.  Os japoneses, em geral, produzem com melhor qualida- de através do envolvimento direto de seus trabalhadores e altos executivos nos problemas de qualidade.  As empresas em que mais se verificam altos recordes de qualidade também mantêm os mais altos índices de produtividade por trabalhador.  O custo extra envolvido em produzir produtos de alta qualidade é a metade daquele obtido por empresas ocidentais. Ou seja, para que as empresas ocidentais consigam competir com os japoneses em termos de qualidade, gastam o dobro em custo de produção. Ao contrário da japonesa, a indústria brasileira tem se des- cuidado da filosofia de qualidade e, em muitos casos, as ações mostram a falta de objetividade no que concerne ao destino de nossas organizações, como: 80 Gestão da Qualidade  falta de objetivos em longo prazo;  falta de investimento em novos equipamentos;  falta de pesquisa básica, falta de desenvolvimento de produtos e projetos de produtos cuidadosamente desen- volvidos;  falta de estratégias e planos voltados para a qualidade total;  estilo administrativo inadequado e controlador, não per- mitindo a participação de todos;  falta de programa de treinamentos em várias áreas, em caráter contínuo;  falta de preocupação com o consumidor e a pouca exi- gência do consumidor com relação à qualidade dos produtos. Essa falta de objetividade ou padrões mais criteriosos de exigência nas diretrizes acabam prejudicando o desempenho do processo e da imagem da empresa com relação a questões de insatisfação por parte dos clientes. Nesse caso, podemos levar em consideração também a falta de atitude mais agres- siva por parte dos consumidores, forçando a empresa e se adequar mais rapidamente às suas necessidades, sob pena de cancelamento de contratos e fornecimento, difamação da imagem através dos meios de comunicação ou pagamentos de multas ou indenizações baseadas no código dos direitos do consumidor, por exemplo. Capítulo 5 Métodos e Técnicas para Melhoria da Qualidade 81 2 O que é qualidade e por que ela é tão importante? Qualidade significa “fazer certo as coisas”. Mas as coisas que a produção de bens e serviços precisa fazer certo variam de acordo com o tipo da operação. Qualidade pode ter vários significados, como pode ser visto no Quadro 1, a seguir. Quadro 1 Qualidade significa coisas diferentes em operações diferentes Hospital Fábrica de automóveis Empresa de ônibus Paciente recebe o tratamento mais apropriado. Todos os componentes são fabricados conforme as especificações. Os ônibus são limpos e conservados. O tratamento é conduzido de maneira correta. A montagem atende às especificações. Os ônibus são silenciosos e não emitem gases poluentes. Os pacientes são consultados e mantidos informados. O produto é confiável O horário é rigoroso e atende às necessidades dos usuários. Os funcionários são corteses, amigáveis e solícitos. O produto é atraente e sem defeitos. Os funcionários são corteses, amigáveis e solícitos. Fonte: Adaptado de Slack; Chambers; Johnston, 1999. A qualidade é tão importante para o desempenho de qual- quer organização, que as várias formas pelas quais os melho- ramentos de qualidade são aplicados têm efeito também sobre outros aspectos do desempenho da produção. Muitas vezes, para que possam ser aplicados os parâmetros de qualidade de maneira correta, é preciso ter visão, a qual deve estar relacio- nada aos objetivos da organização e também ao atendimento das expectativas do consumidor. Por isso, nos tópicos a seguir, veremos a importância de enxergarmos a qualidade do ponto 82 Gestão da Qualidade de vista de quem faz e de quem recebe o produto ou serviço resultante de um processo. 3 A visão do consumidor Não existe uma definição padrão para conceituar a qualidade sob o ponto de vista do consumidor, pois cada um tem uma maneira de perceber o produto ou serviço relacionado à sua necessidade individual. Qualidade está nos olhos do observador. Assim, toda per- cepção de qualidade do consumidor é importante. 4 A visão no processo Durante o processo, existem elementos que devem ser obser- vados e controlados para que consigamos garantir a qualida- de. Através da identificação dessas características, é possível planejar e monitorar o processo de qualidade. a) Funcionalidade: significa quão bem o produto ou serviço desempenha o trabalho para o qual foi desti- nado; b) Aparência: refere-se às características sensoriais do produto ou serviço; seu apelo estratégico, estético e visual; Capítulo 5 Métodos e Técnicas para Melhoria da Qualidade 83 c) Confiabilidade: é a consistência do desempenho do produto ou serviço ao longo do tempo, dentro do qual apresenta resultados dentro da faixa tolerada; d) Durabilidade: significa a vida útil total do produto ou serviço, supondo ocasionais reparos e modificações; e) Recuperação: significa a facilidade com que os pro- blemas com o produto ou o serviço podem ser resolvi- dos; f) Contato: refere-se à natureza do contato que pode acontecer entre as pessoas. A seguir, representado no Quadro 2, temos um exemplo de características de qualidade. Quadro 2 Características de qualidade Fonte: Slack, Chambers, Johnston, 1999. Para que se consiga estabelecer métodos e técnicas para melhoria da qualidade, é necessária uma definição clara das características da qualidade citadas no quadro anterior. Dessa forma, é possível verificar qual o melhor método ou técnica a ser aplicada para trabalhar cada uma dessas características. 84 Gestão da Qualidade 5 Variáveis e atributos As medidas usadas pelas operações para descrever caracterís- ticas de qualidade são de dois tipos: variáveis e atributos.  Variáveis: são aquelas que podem ser medidas numa escala (por exemplo, comprimento, diâmetro, peso, tempo etc.).  Atributos: são aquelas que são avaliadas pelo julga- mento e são contrárias (por exemplo, certo ou errado, ok ou não ok, sim ou não etc.). Para o exemplo anterior, referente ao carro e à viagem aé- rea, analisando as medidas variáveis e atributos do Quadro 3, poderíamos ter: Quadro 3 Medidas de variáveis e atributos Fonte: Slack; Chambers; Johnston, 1999. Capítulo 5 Métodos e Técnicas para Melhoria da Qualidade 85 No quadro anterior, as características possuem variáveis distintas e, para cada variável, é relacionado um atributo para que consigamos, então, verificar se a característica atendeu ou não aos seus parâmetros e/ou especificações de projeto e de processo. Dessa forma, busca-se a garantia da qualidade e o atendimento pleno dos requisitos solicitados pelo cliente. 6 Conceito de variabilidade Segundo Marshall Junior et al.,3 é difícil definir que produtos possuem características idênticas, pois nunca são exatamente iguais. Apesar de atenderem o mesmo procedimento, existem muitas variáveis que são inerentes ao processo e que podem alterar e resultado do produto ou serviço final. O diâmetro de um eixo usinado, por exemplo, seria suscetível à variação po- tencial da máquina(folgas, desgastes), da ferramenta (esforço, taxa de desgaste), do material (diâmetro, dureza), do opera- dor (precisão em centralizar, alimentação da peça), da ma- nutenção (lubrificação, reposição de peças gastas) e do meio ambiente (temperatura, fornecimento de eletricidade). Para tomarmos um outro exemplo, o tempo requerido para proces- sar um faturamento poderia variar de acordo com as pessoas que realizam as diversas etapas do serviço, a confiança no equipamento que elas estejam usando, a precisão e a clareza da própria fatura, os procedimentos seguidos e o volume de outros serviços realizados no escritório. 3 Marshall Junior et al., 2006. 86 Gestão da Qualidade 7 Controle estatístico do processo (CEP) Os estudos iniciais sobre controle estatístico do processo (CEP) foram realizados pelo Dr. Walter Shewhart, do Bell Laborato- ries, na década de 1920. Shewhart começou a colocar em prática nas fábricas alguns conceitos básicos de estatística e metodologia científica. O surgimento do CEP se confunde com o próprio surgimento da área da qualidade, pois seu trabalho foi a base das principais técnicas e ferramentas que fariam nascer nas empresas americanas os departamentos de quali- dade durante a Segunda Guerra Mundial. O CEP foi fundamentado no desenvolvimento das técni- cas estatísticas para o controle da qualidade. O gráfico de controle estatístico de processo (representado por uma carta de controle já ilustrada no Gráfico 8) é o documento mais simples para registrar e analisar a ocorrência de cada evento e, a partir daí, implementar mudanças e assegurar os padrões de qualidade desejados, monitorando os resultados e a esta- bilidade de processo.4 As causas de instabilidades podem ser divididas em causas comuns e causas especiais. A instabilidade de processo está ligada ao grande número de variações que podem interferir na qualidade do produto ao longo do processo e que afetam a capacidade do produto ser processado dentro das mesmas condições e especificações desejadas. Essas variações de pro- cesso podem ser causadas por dois tipos de situação. 4 Marshall Junior et al., 2006, p. 22. Capítulo 5 Métodos e Técnicas para Melhoria da Qualidade 87 a) Causas comuns Este tipo de causa está relacionado a ocorrências que já fazem parte do processo de forma frequente ou prevista. Exemplos de causas comuns: uma fábrica no sertão do Ce- ará sem ar-condicionado; matéria-prima de baixa qualidade, mas de preço baixo; funcionários da produção com pouco conhecimento na área da produção; máquinas velhas. b) Causas especiais Referem-se a quaisquer fatores causadores de variação que não estejam atuando sempre no processo. Frequentemen- te, essas causas, no geral, são únicas, no entanto, suficiente- mente grandes para produzir perturbações fortes no processo. É um evento que ocorre ocasionalmente, sendo imprevisível. Se causas especiais estão presentes, o resultado do processo não é estável ao longo do tempo. Exemplos de causas especiais: trovoada e relâmpago; ven- to através de uma janela deixada aberta; treinamento insufi- ciente; atrasos de materiais; quebra de máquinas. Enquanto valores tomados individualmente podem ser to- dos distintos, e agrupados, caracterizando uma tendência, for- mando um padrão que pode ser descrito como uma distribui- ção. 88 Gestão da Qualidade Essa distribuição pode ser caracterizada pelos seguintes fa- tores, representados no Gráfico 10. Gráfico 1 Variabilidade e suas fontes Fonte: Marshall Junior et al., 2006.  Localização: é o valor específico da distribuição.  Dispersão: engloba a extensão de valores do menor ao maior.  Forma: é o padrão de variação; se a distribuição é si- métrica ou assimétrica. 7.1 Coleta de dados Para promover a redução da variabilidade, deve-se conhecê- -la bem. Isso só é possível através da coleta de dados, exem- plificado na Figura 2. Capítulo 5 Métodos e Técnicas para Melhoria da Qualidade 89 Figura 2 Ciclo da coleta de dados Fonte: Marshall Junior et al., 2006. Para que o ciclo da coleta de dados seja efetivo, existem elementos que devem ser considerados, como a população que contribui para a definição da delimitação do objeto de análise dentro do universo da pesquisa. O tipo e tamanho de amostra devem ser claramente determinados a fim de que os resultados gerados não sejam mascarados com informações de populações e amostragens distorcidas. Uma metodologia de coleta de dados adequada deve ser aplicada para que es- ses dados possam ser medidos e analisados de forma confiá- vel e segura. Recapitulando Neste capítulo, aprendemos que para ser competitivo e buscar a excelência é preciso se basear em padrões confiáveis de mé- todos e técnicas de qualidade. Para que as decisões possam ser tomadas com base em dados confiáveis, é preciso usar 90 Gestão da Qualidade de forma correta e cautelosa padrões e atributos que possam ser medidos e analisados assim como observar todas variáveis que podem estar interferindo no desempenho dos processos, buscando para isso técnicas estatísticas para garantir que os controles aplicados sejam realmente os mais adequados para a melhoria da qualidade dos produtos e serviços. Referências CAMPOS, Vicente Falconi. TQC – Controle da qualidade total (no estilo japonês). Belo Horizonte: [s. n.], 2004. CROSBY, Philip, B. Qualidade: falando sério. São Paulo: Mc- Graw-Hill, 1990. MARSHALL JUNIOR, Isnard et al. Gestão da qualidade. 9. ed. São Paulo: FGV, 2006. SLACK, Nigel; CHAMBERS, Stuart; JOHNSTON, Robert. Ad- ministração da produção. São Paulo: Atlas, 1999. Atividades 1) A qualidade, para ser competitiva, tem que superar o de- sempenho do concorrente. Para Slack, Chambers e Johns- ton (1999) o que significa “fazer melhor”? 2) Defina o fluxo de inspeção convencional e o de controle de processo. Capítulo 5 Métodos e Técnicas para Melhoria da Qualidade 91 3) Qual a visão do consumidor para a qualidade? 4) Qual a visão da qualidade no processo? 5) Qual a relação do CEP com o controle de qualidade? ?????????? Capítulo ? Sistemas de Qualidade Marie Cristine Fortes Rocha Capítulo 6 Capítulo 6 Sistemas de Qualidade 93 Introdução Primeiramente, para que melhor possamos compreender o que é um sistema de gestão da qualidade, é necessário enten- dermos o real conceito do que é um sistema. Segundo Pinto e Soares,1 um sistema pode ser definido por um conjunto de objetos que se relacionam com seus respecti- vos atributos. Um objeto pode ser relacionado ao seu atributo através de leis, regras, funções, processos e equações. Então, Sistema de Gestão da Qualidade é entendido como uma filosofia e como uma prática de gestão relacionada à cultura da organização que se traduz no envolvimento de todos que trabalham em um processo de cooperação que se concretiza no fornecimento de produtos e servi- ços que satisfaçam as necessidades e expectativas dos clientes.2 Desse modo, neste capítulo vamos entender um pouco mais sobre os objetivos, princípios e de que forma podemos aplicar um sistema de qualidade, principalmente baseado no preceitos da Norma ISO9001, suas atualizações, requisitos e auditorias do sistema de gestão. 1 Pinto; Soares, 2009. 2 Pinto; Soares, 2009, p. 21. 94 Gestão da Qualidade 1 Objetivo e aplicação Segundo Paladini,3 a aplicação da abordagem sistêmica à qualidade nasceu de um ajuste notável: observou-se que os conceitos básicos da Teoria Geral dos Sistemas eram perfeita- mente aderentes aos princípios da qualidade. Criou-se, assim, uma identidade conceitual entre sistemas e qualidade.  Qualidade: a qualidade pode ser viabilizada sem que se atrele a ela uma estrutura bem definida (nenhum con- ceito de qualidade exige uma estrutura defuncionamen- to a ela associada).  Sistemas: o sistema já está associado a uma estrutura perfeitamente definida. Assim, logicamente, a estrutura de sistema passou a ser uma opção para definir o arca- bouço operacional da qualidade. Ou seja, Adequação de conceitos: Qualidade ← → Sistema Migração de estrutura: Sistema ← → Qualidade O sistema da qualidade pode ser organizado em forma de uma estrutura sólida, visando um melhor entendimento dos níveis em que a documentação pode ser classificada para me- lhor organizar a gestão da qualidade (Figura 1). 3 Paladini, 2008. Capítulo 6 Sistemas de Qualidade 95 Figura 1 Hierarquia da documentação. Fonte: Mello et al., 2002. Ainda de acordo com Paladini,4 a definição de sistema contempla dois conjuntos básicos de elementos. Elementos de um sistema da qualidade  Entradas: conjunto de informações relativas a todas as decisões da organização, que são tomadas de forma a priorizar a qualidade nas ações operacionais, táticas e estratégicas da empresa. Mais especificamente, são polí- ticas da qualidade, diretrizes de funcionamento, normas de atendimento preferencial aos clientes e informações referentes à realidade atual e às tendências de merca- do, além de estudos e pesquisas sobre preferências do consumidor. 4 Paladini, 2008. 96 Gestão da Qualidade  Saídas: produtos acabados que, no mínimo, atendem, ou, preferencialmente, superam as expectativas dos clientes, isto é, produtos com qualidade. Tais produtos são decorrências diretas das ações organizadas para produzir qualidade, sobretudo aquelas que determinam efetivo envolvimento dos recursos humanos nesse esfor- ço. Em certo sentido, essas ações também podem ser consideradas como saídas do sistema de qualidade. Diretrizes de operação do sistema da qualidade  Interação organizada das partes: a operação do sis- tema da Qualidade requer que todos os seus compo- nentes tenham intensas ações de interatividade entre si. Assim, o modelo gerencial da qualidade estrutura-se a partir da coordenação dos esforços pela qualidade em todas as áreas da organização.  Princípios básicos de funcionamento: o princípio que regula o funcionamento dos sistemas da qualidade é o do pleno atendimento aos consumidores (dimensão ex- terna da qualidade total). A partir desse princípio geral, são definidas as formas de operacionalizar as políticas da qualidade, ou seja, os procedimentos e as normas que deverão ser adotados por toda organização.  Busca de objetivos comuns: a qualidade é estabeleci- da como objetivo comum de todas as ações da organi- zação. Assim, ela passa a ser meta e tarefa de todos. Os sistemas da qualidade exigem que o mercado deseje o produto, isto é, vão além de objetivos como “o mercado aceita o que fazemos”. Capítulo 6 Sistemas de Qualidade 97 Propriedade evolutiva dos sistemas da qualidade  Realimentação: função inerente aos sistemas que aten- de ao requisito de evolução contínua. A qualidade, como se sabe, é um conceito essencialmente dinâmico, sempre sujeito à contínua melhoria e, portanto, em evo- lução permanente. Essa característica talvez seja a que mais provoca a identidade conceitual entre qualidade e sistema. Nos sistemas da qualidade, a realimentação é feita a partir das reações do mercado. Em um primeiro momento, prioriza-se a prevenção de defeitos que afe- tem a utilização plena do produto; a seguir, busca-se adequação ao uso do bem ou serviço à finalidade a que se destina. Os sistemas da qualidade caracterizam-se por possuírem um grande número de pequenas reali- mentações, feitas a cada fase do processo produtivo. O sistema de qualidade estabelecido pela ISO 9000 tem como objetivo atender as empresas que buscam padronização e garantia comprovada de qualidade, seja por exigência de clientes, seja pela preocupação interna com a qualidade de seus processos. Essa série tem aplicabilidade em qualquer tipo de empresa, de qualquer ramo ou porte, devido à sua genera- lidade (Site Revision, 2016). Segundo Pinto e Soares,5 o sistema de gestão da qualidade é um processo dinâmico e que, por estar sujeito a avaliações periódicas – nas quais são analisados os objetivos e metas propostos, o seu cumprimento e a eficácia das medidas imple- 5 Pinto; Soares, 2009. 98 Gestão da Qualidade mentadas –, resultam em um esforço de gestão que pode ser traduzido na melhoria contínua do desempenho da qualidade da própria organização. Segundo Carpinetti, Miguel e Gerolamo,6 a evolução das normas Série ISO 9000 se deu da seguinte forma:  a primeira edição foi lançada em 1987 e revisada em 1994;  foi feita a atualização da revisão em 2000;  uma nova atualização foi feita em 2008.  a última revisão foi em 2015. Ainda segundo os mesmos autores, a ISO define modelos de sistema de gestão da qualidade, os quais são usados pelas empresas para “demonstrar sua capacidade (para garantir a qualidade de seus produtos) junto a seus clientes e também para avaliação por organismos certificadores”.7 2 Princípios da qualidade Segundo Figueira e Ramalho,8 na gestão de uma organiza- ção, como em qualquer outra atividade, quando se utilizam princípios, regras e fundamentos, compreendidos pelas pes- 6 Carpinetti; Miguel; Gerolamo, 2007. 7 Carpinetti; Miguel; Gerolamo, 2007. 8 Figueira; Ramalho, 2003. Capítulo 6 Sistemas de Qualidade 99 soas envolvidas, os resultados podem ser surpreendentes, pois a causa da diferença entre um grupo competitivo e um grupo perdedor é o índice de desperdício. Esses princípios, classificados em oito, definem uma abor- dagem fundamentada em um modelo de processos baseado em oito fundamentos de gestão da qualidade, a fim de atingir excelência e satis- fação de clientes, e são utilizados pela alta direção para dirigir a organização à melhoria de desempenho. Os princípios da qualidade foram atualizados com a nova revisão da norma ISO9001:2015 conforme Figura 2 a seguir: Figura 2 Mudanças mais relevantes dos Princípios da Qualidade. Fonte: Adaptado de comexito.com.br, 2016. Segundo Figueira e Ramalho,9 podemos melhor explicar cada princípio da forma como segue. 9 Figueira; Ramalho, 2003, p. 13-28. 100 Gestão da Qualidade  Foco no cliente: as organizações dependem de seus clientes e, portanto, é recomendável que atendam as necessidades atuais e futuras destes e seus requisitos, procurando exceder suas expectativas.  Liderança: os líderes estabelecem uma unidade de pro- pósito e o rumo da organização. Convém que eles criem e mantenham o ambiente interno, no qual as pessoas possam ficar totalmente envolvidas no propósito de al- cançar os objetivos da organização.  Envolvimento de pessoas: pessoas de todos os níveis são a base de uma organização e seu total envolvimento possibilita que as suas habilidades sejam usadas para o benefício dela.  Abordagem de processo: um resultado desejado é al- cançado mais eficientemente quando as atividades e os recursos relacionados são gerenciados como um pro- cesso.  Abordagem sistema para a gestão: identificar, enten- der e gerenciar os processos inter-relacionados como um sistema, contribui para a eficácia e eficiência da or- ganização no sentido de ela alcançar os seus objetivos.  Melhoria contínua: o desempenho global da organiza- ção deve ser um objetivo permanente da organização.  Tomada de decisão baseada em fatos: decisões efi- cazes são baseadas na análise de dados e de informa- ções. Capítulo 6 Sistemas de Qualidade 101  Benefícios mútuos nas relações com os fornecedo- res: uma organização e seus fornecedores são interde- pendentes, sendo que uma relação de benefícios mútu- os aumenta a capacidade de ambas em agregar valor. Assim, ainda conforme os autores,10 a sérieISO 9000 apre- senta esses princípios na estruturação do sistema de gestão da qualidade, cujo cumprimento dos seus requisitos promovem ações de melhoria contínua para os processos da organiza- ção. 3 Atualizações da norma ISO 9000: sistemas de gestão da qualidade A ISO tem a intenção de proporcionar maior integração entre as organizações de forma a facilitar a unificação total ou em grande parte dos seus vários sistemas de gestão, com a utili- zação de uma estrutura comum, facilitando para que as em- presas incluam componentes de norma onde for considerado relevante para o sistema. Segundo site comexito.com.br (2016), as normas de Ges- tão da Qualidade ISO9001 foram emitidas pela primeira vez em 1987. Suas diretivas estabelecem que suas normas devem passar por um processo chamado “revisão sistemática” no mí- nimo a cada 5 anos para saber se devem ser confirmadas, emendadas, revisadas ou descartas. Desde então as normas 10 Figueira; Ramalho, 2003. 102 Gestão da Qualidade ISO já foram revisadas quatro vezes conforme destacado a seguir:  - 1987: primeira edição, três níveis de requisitos;  - 1994: tendência de norma única, convergência para ISO9001;  - 2000: norma única de requisitos, gestão por processo;  - 2008: alterações mínimas – emenda para esclarecer alguns pontos;  - 2015: revisão geral adequando a parte estrutural. 4 ISO 9001:2015: requisitos para a certificação do sistema Durante o ano de 2015, a norma ISO 9001 sofreu uma revi- são, passando da versão 2008 para a 2015. Isso demonstra um amadurecimento do sistema de gestão da qualidade. A norma especifica requisitos para implementar um sistema de qualidade quando a organização tem interesse em demonstrar a sua capacidade para prover, de forma sólida e coesa, pro- dutos e ou serviços que atendam os requisitos do cliente, esta- tutários e regulamentares e aumentar a satisfação do cliente. A nova estrutura da revisão dessa norma segue abaixo (Site ABNT, 2016): 1 – Escopo 2 – Referências Normativas Capítulo 6 Sistemas de Qualidade 103 3 – Termos e Definições 4 – Contexto Organizacional 5 – Liderança 6 – Planejamento 7 – Suporte /Recursos 8 – Operação 9 – Avaliação de Desempenho (Performance) 10 – Melhoria Segundo Mello et al., a revisão da ISO 9001:2000 para versão 2008 demonstra que a norma está efetivando cada vez mais o seu comprometimento com a melhoria contínua dos processos, dos sistemas, dos serviços e dos produtos do sistema de gestão da qualidade. Porém, a revisão de 2015 apresenta alterações bem mais substanciais à norma em que os requisitos, assim como a ordem das cláusulas e dos pará- grafos, foram todos completamente revisados. Principalmente quando a norma descreve a necessidade de cumprimento de requisitos legais (tanto de produto, de proces- so ou das questões ambientais e os riscos associados às con- dições de trabalho) considerando todo o ciclo de vida do pro- duto ou serviço por ela processados. O que podemos observar é que a norma ISO 9001 já está buscando uma aproximação com a gestão de um sistema integrado que alivia a qualidade do produto e/ou do serviço, os riscos inerentes ao ambiente de trabalho e possui a preocupação com o atendimento legal, visando à preservação do meio ambiente. 104 Gestão da Qualidade Segundo Site isorevision (2016), de uma maneira global a nova reestruturação da norma ao afeta o conteúdo, porém, a estrutura foi arquitetada para respeitar as novas orientações e sequências temáticas, refletindo a estratégia que será aplicada gradativamente a todas as normas de sistemas de gestão ISO. A revisão estrutural da ISO 9001:2015 introduz um conceito que permite às empresas certificadas alcançarem um novo pa- tamar de maturidade ver Figura 3 a seguir: Figura 3 Evolução das revisões da norma ISO9011. Fonte: Site WWW.isorevision. 2016. Segundo Site isorevision (2016), a gestão de risco significa trabalhar no sentido da melhoria contínua, a ação corretiva corresponde a um risco não identificado, erroneamente quali- ficado ou mal gerido e a ação preventiva se antecipa ao risco. Desse modo, a abordagem de processos e o PDCA (Plan – Do – Check-Act) continuam sendo dois pilares essenciais. Segundo observou Nascimento, coordenador técnico da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT/CB25, 2015: Capítulo 6 Sistemas de Qualidade 105 Outro destaque da nova ISO 9001 é que ela se ade- quará melhor à realidade de cada empresa, dificultan- do a utilização de soluções padronizadas, muitas vezes elaboradas, apenas, para se obter a certificação, mas que não se enquadram no dia a dia e na realidade das organizações. Nesse sentido, foi incluída a obrigatorie- dade de uma análise do cenário interno e externo das organizações, considerando os riscos inerentes, o que obrigará que as organizações elaborem materiais espe- cíficos e que seus sistemas de gestão reflitam a realidade apresentada. (Nascimento, 2015 - www.inmetro.gov.br) É importante entender que as empresas têm um tempo para que possam fazer as adequações necessárias. Veremos na Fi- gura 4, a seguir, como a transição da adequação da norma ISO9001 pode se comportar ao longo do tempo: Figura 4 Linha do tempo para transição. Fonte: Adaptado do material do curso ISO9001:2015, 2016. 106 Gestão da Qualidade As alterações da nova versão da norma migram para uma estrutura onde cada vez mais as organizações consigam se adaptar a outros tipos de sistemas de gestão, devido à com- patibilidade de alguns requisitos como, por exemplo, a ISO 14001, e demonstrar a melhoria contínua dos processos. Recapitulando Neste capítulo, verificamos que já é possível alcançar um siste- ma de gestão verdadeiramente unificado porque a cada revi- são a atualização das normas se torna mais integrada e pode- mos perceber, por exemplo, que na revisão da ISO9001:2015 se identifica algum tipo de similaridade com partes da norma ambiental ISO 1401:2015, da norma ISO 55001 de gestão de energia ou até da futura norma 45001 para a gestão de segurança e saúde no trabalho (www.isorevisio, 2016). Referências ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 9001/2016: Sistema de gestão da qualidade – Requisitos. Rio de Janeiro, 2015. ABNT - https://www.abntcatalogo.com.br/norma. aspx?ID=345041. Acesso em 10 jul. de 2016. CARPINETTI, Luiz Cesar Ribeiro; MIGUEL, Paulo Augusto Cau- chick; Capítulo 6 Sistemas de Qualidade 107 GEROLAMO, Mateus Cecílio. Gestão da qualidade ISO 9001:2000: princípios e requisitos. São Paulo: Atlas, 2007. COMEXITO, 2016. Material do curso de ISO9001: 2015. Dis- ponível em: <http://www. http://www.comexito.com.br/. Acesso em: 29 de agosto. 2015. FIGUEIRA, Tadeu; RAMALHO Jorge. Gestão da pequena empresa. São Paulo: Epse, 2003. MELLO, Carlos Henrique Pereira et al. ISO9001:2000. São Paulo: Atlas, 2002. NASCIMENTO, LUIS Carlos do. Versão 2015 da Norma ISO 9001 é apresentada às equipes do Inmetro. Inmetro. gov.br/notícias.2015. Disponível em: http://www.inmetro. gov.br/noticias/verNoticia.asp?seq_noticia=3708. Acesso em 20 ago. de 2016. PALADINI, Edson Pacheco. Gestão estratégica da qualidade: princípios, métodos e processos. São Paulo: Atlas, 2008. PINTO, Abel; SOARES, Iolanda. Sistemas de gestão da qua- lidade. Lisboa: Sílabos, 2009. REVISION. ISO 9001:2015: Quais são as principais mu- danças? Disponível em: http://www.isorevisions.com/pt- -pt/category/entender/iso-90012015-quais-sao-as-princi- pais-mudancas. Acesso em 05 de jun. 2016. 108 Gestão da Qualidade Atividades 1) Qual o objetivo do sistema de qualidade baseado na ISO 9000? 2) Como estão determinados os níveis da documentação no sistema da qualidade? 3) Quais são as diferenças dos princípios da qualidade utili- zadoscomo base para estruturar o sistema da qualidade na versão 2008 e 2015 da norma ISO9001? 4) Explique, com suas palavras, as principais mudanças da norma ISO 9001:20015. 5) Descreva como está organizada a nova estrutura da ISO9001:2015 ???????? Capítulo ? Auditorias da Qualidade Marie Cristine Fortes Rocha Capítulo 7 110 Gestão da Qualidade Introdução As auditorias de qualidade têm o propósito de alinhar as ex- pectativas de uma organização ao atendimento de requisitos de qualidade de padrão internacional, na busca da melhoria contínua dos processos, adicionando, para tanto, valor agre- gado às operações. O processo de auditoria de gestão da qualidade também visa verificar se o sistema documentado de uma organização aborda adequadamente os requisitos de- terminados pela norma. Desse modo, neste capítulo daremos um aprofundamento nas principais etapas para o processo de certificação baseado em auditoria do sistema de gestão da qualidade. 1 Processo de certificação Para Paladini,1 de todas as estruturas propostas para dar su- porte às ações de gestão da qualidade aquela que mais pare- ce adequada é a de sistemas. Essa é uma posição fortemente consolidada, sobretudo pela experiência prática, até com no- tável viés histórico. Aliás, historicamente, tem sido consolidada a ideia de que a estrutura é que deve dar suporte à gestão da qualidade: ela precisa organizar diretrizes, ações e esfor- ços para produzir qualidade e, não necessariamente, neces- sita criar um conjunto de mecanismos e aparatos físicos. O 1 Paladini, 2008. Capítulo 7 Auditorias da Qualidade 111 enfoque sistêmico aplicado à qualidade é coerente com esse princípio básico de operação da gestão da qualidade. A Segunda Guerra Mundial acelerou o passo da tecno- logia da Qualidade. A necessidade de melhorar a Quali- dade dos produtos resultou em um aumento dos estudos da tecnologia do controle da Qualidade e em maior tro- ca de informações. Nesse ambiente, os conceitos básicos de controle da qualidade se expandiram rapidamente. Muitas companhias implementaram programas de cer- tificação de fornecedores. Profissionais da garantia da qualidade desenvolveram técnicas de análise de falhas para resolver problemas, engenheiros da qualidade, pas- saram a se envolver nos estágios iniciais de projetos de produtos, e se iniciaram testes de desempenho ambiental dos produtos.a Para O’ Hanlon,2 o processo de obtenção da certificação da ISO divide-se em nove etapas, que levam de doze a dezoito meses para serem concluídas. As etapas são as especificadas abaixo. 1º (Planejamento estratégico): é a etapa administrati- va, de organização, na qual se definem os recursos para estruturar a empresa, realizam-se orçamentos para a seleção de um organismo certificador, forma- -se a equipe de coordenação da qualidade, que irá gerenciar a implementação dos requisitos, e avalia-se 2 O’ Hanlon, 2005. 112 Gestão da Qualidade também as necessidades de treinamento para toda a organização. 2º (Análise de desvios): nesta etapa, é feita uma avalia- ção da documentação e do sistema de qualidade já existente, com o intuito de observar o que precisa ser feito. 3º (Ação corretiva): as falhas encontradas no item ante- rior são corrigidas. 4º (Documentação e registros): nesta fase, é implementa- da e revisada uma estrutura de documentos e sistemas de controle de qualidade. Conforme as necessidades, também são feitos treinamentos. 5º (Implementação): fase em que se implementam as mu- danças, mantendo um registro fiel de todas elas, e se assegura que todos os problemas descobertos nas eta- pas anteriores sejam eliminados. 6º (Auditoria de pré-certificação): este é o momento em que um auditor de pré-avaliação verifica se todos os procedimentos e toda a documentação estão confor- me o modelo selecionado. 7º (Análise de documentação pelo certificador): nessa etapa, o certificador avalia se o manual da qualidade e todo o restante da documentação estão dentro das normas de certificação. Capítulo 7 Auditorias da Qualidade 113 8º (Preparação das instalações): quando a organização é preparada pra passar pela auditoria final. 9º (Auditoria de certificação): é a ultima etapa, quando o certificador analisa o sistema e a documentação; uma vez de acordo com o modelo de conformidade, a em- presa recebe a certificação. Na visão de Antonioni e Rosa,3 a certificação inicia-se com o prévio conhecimento sobre se a empresa já tem um sistema de qualidade e se é documentado. A seguir, é ve- rificado se todos os níveis da organização estão engajados nesse sistema. A próxima etapa consiste em verificar se todos os proce- dimentos são formalizados e documentados. Caso a resposta seja negativa, é preciso que a empresa se adapte. A partir disso, faz-se uma auditoria interna, verificando se os procedi- mentos estão atualizados com a documentação. Em caso afir- mativo, a empresa passa pela auditoria externa como último passo para a certificação. A figura a seguir interpreta o processo de auditoria. 3 Antonioni; Rosa 1995. 114 Gestão da Qualidade Figura 1 Processo de auditoria. Fonte: O’ Hanlon, 2005. Capítulo 7 Auditorias da Qualidade 115 2 Avaliação e retroalimentação do sistema da qualidade Devido ao alto grau de exigência de padrões de qualidade e à rápida evolução da tecnologia dos sistemas de informações, as organizações precisam estar em constante mudança para acompanhar as necessidades do mundo globalizado. Dessa forma, devem ser utilizadas tecnologias avançadas e flexíveis, que possam se adaptar rapidamente aos padrões internacio- nais de qualidade hoje exigidos pelo mercado. Dentro desse contexto, o processo de auditoria contribui para que o gestor possa avaliar periodicamente o seu processo de gerenciamen- to de desempenho dos padrões de qualidade. Segundo os autores Costa e Farias Filho,4 na escolha de indivíduos para atuarem em auditorias de sistema de gestão, devem ser avaliadas as reais qualifi- cações necessárias a um auditor de sistema de gestão, levando-se em consideração seus atributos pessoais, além das qualificações profissionais inerentes ao tipo de auditoria a ser realizado. A retroalimentação se dá quando existe uma relação inte- grada entre toda a cadeia produtiva (fornecedores, fabricantes e clientes), na qual as informações geradas são processadas, em igual teor e forma, por todos os estágios dos processos, proporcionando, desse modo, o que chamamos de melhoria contínua. 4 Costa; Farias Filho, 2007. 116 Gestão da Qualidade 3 Auditorias de sistema de gestão Os processos de auditoria cada vez mais estão ocupando es- paço dentro das organizações que buscam a melhoria con- tínua de seus processos. Nesse sentido, podemos encontrar, atualmente, empresas que buscam certificações e padrões confiáveis de qualidade para atender requisitos de produto, processo, serviços, meio ambiente, saúde e segurança, aspec- tos sociais, entre outras, visando, assim, manter o seu negócio atraente e competitivo. 3.1 Entendendo o processo de auditoria Segundo Mello et al.5, a auditoria é um processo sistemático, documentado e independente, que visa obter evidência ob- jetiva e avaliá-la com base no atendimento dos requisitos de qualidade, determinando a extensão na qual os critérios de auditoria são atendidos. Uma auditoria é um exame formal de contas por meio de Referências às testemunhas e aos comprovantes. Essa descri- ção, conforme definido por O’Hanlon,6 é útil porque enfatiza três aspectos: “1) a necessidade de o processo de auditoria ser formal e, assim, ter credibilidade junto à alta direção; 2) a necessidade de falar com as pessoas e 3) a importância de examinar evidências objetivas.” 5 Mello et al., 2002. 6 O’Hanlon,2005, p. 38. Capítulo 7 Auditorias da Qualidade 117 O termo “sistemático” relacionado ao processo de audi- toria de sistema de qualidade, refere-se à utilização de docu- mentos, processos e registros padronizados e ajustados aos padrões de qualidade que devem ser atendidos pela organiza- ção. É importante que exista independência entre os processos e partes auditadas para garantir a idoneidade das informa- ções, assegurando o efetivo atendimento dos adjetivos de uma auditoria.7 A norma ISO 19011 define diretrizes para o processo de auditorias do Sistema de Gestão da Qualidade, as quais po- dem ser adquiridas pela Associação Brasileira de Normas Téc- nicas (ABNT). 3.2 Os três tipos de auditoria Todas as empresas que executam um processo de auditoria para verificar a adequação do seu sistema com a Norma ISO 9001 devem entender os três tipos de auditoria, que podem ser, conforme O´Hanlon,8 de primeira, segunda ou terceira parte.  Auditorias de primeira parte: as auditorias de primei- ra parte, também chamadas de internas, são conduzidas pela própria organização, ou em seu nome, para pro- pósitos internos, e podem formar a base de uma auto- declaração de conformidade da organização. 7 O’Hanlon, 2005, p. 38. 8 O’Hanlon, 2005, p. 38. 118 Gestão da Qualidade  Auditorias de segunda parte: as auditorias de segun- da parte são conduzidas pelas partes que têm interesse pela organização, como clientes ou outras pessoas em seu nome.  Auditorias de terceira parte: as auditorias de terceira parte são conduzidas por organizações externas e inde- pendentes da própria organização, fornecendo certifi- cados ou registros de conformidade com requisitos, tais como a certificação de Sistemas de Gestão da Quali- dade. Em qualquer uma das três situações, o processo agrega valor à parte auditada, pois, em ambos, é verificada a ade- quação da eficácia do sistema de gestão no que diz respeito ao atendimento dos requisitos da norma e à aderência ao pro- cedimentos ou aos documentos de processo. 3.3 Planejamento para auditoria As auditorias devem ser realizadas em intervalos planejados, preferencialmente alguns meses antes da auditoria externa de certificação ou manutenção do Sistema de Gestão da Quali- dade. Elas são úteis para verificar se este último está em con- formidade com as estratégias planejadas e relacionadas aos requisitos da Norma ISO 9001. As auditorias de qualidade funcionam também como uma excelente metodologia de mo- nitoramento dos processos de gestão, capaz de determinar se as sistemáticas estão sendo mantidas eficazmente.j Capítulo 7 Auditorias da Qualidade 119 3.4 Etapas da auditoria O processo de auditoria, para ser bem executado, depende do cumprimento eficaz de suas respectivas etapas apresentadas a seguir.  Conhecer o sistema da qualidade da empresa auditada;  Agendar a data da auditoria;  Planejar a auditoria;  Realizar reunião de abertura da auditoria;  Realização do processo de auditoria;  Emissão do relatório final com o resultado da auditoria;  Comunicar a todos o resultado da auditoria;  Identificar e monitorar os planos de ações oriundos da auditoria, se eles existirem. Por fim, definimos que o processo de auditoria da qualida- de consiste no levantamento de dados necessários para que se possa fazer uma correta análise e avaliação do cumprimento dos requisitos de produto ou serviços oriundos de um proces- so. Recapitulando Para que se consiga efetuar uma avaliação precisa, que per- mita um controle efetivo da eficácia do sistema de gestão, é 120 Gestão da Qualidade necessário que sejam realizadas, pela organização, inspeções sistemáticas e rigorosas dos cumprimentos das políticas, dire- trizes e procedimentos, requisitos, métodos e práticas, visando ao atendimento constante das necessidades do cliente. As auditorias de qualidade funcionam também como uma excelente metodologia de monitoramento dos processos de gestão, capaz de determinar se as sistemáticas estão sendo mantidas eficazmente e se os processos estão sendo medidos e melhorados continuamente. Referências ANTONIONI, José; ROSA, Newton Braga. Qualidade em software: manual de aplicação da ISO-9000. São Paulo: Makron, 1995. COSTA, Aldoney Freire; FARIAS FILHO, Jose Rodrigues de. A importância das características pessoais do auditor de sis- tema de gestão. Revista Produção Online, Rio de Janeiro, v. 7, n. 2, 2007. Disponível em: <http://producaoonline. org.br/index.php/rpo/article/viewFile/80/88>. Acesso em 17 de jul. 2009. GITLOW, Howard S. Planejando a qualidade, a produti- vidade e a competência. Rio de Janeiro: Quality-mark, 1993. MELLO, Carlos Henrique Pereira et al. ISO9001:2000. São Paulo: Atlas, 2002. Capítulo 7 Auditorias da Qualidade 121 O’HANLON, Tim. Auditoria da qualidade. São Paulo: Sarai- va, 2005. PALADINI, Edson Pacheco. Gestão estratégica da quali- dade: princípios, métodos e processos. São Paulo: Atlas, 2008. Atividades 1) O enfoque sistêmico contribuiu muito como o início dos programas de certificação. Com base em Paladini (2008), fale sobre esse aspecto. 2) Quais as etapas para o processo de certificação? 3) O que chamamos de avaliação e retroalimentação do sis- tema da qualidade? 4) Explique os três tipos de auditorias. 5) Como funciona o planejamento para o processo de audi- toria? ?????????? Capítulo ? Estratégias da Qualidade Marie Cristine Fortes Rocha Capítulo 8 Capítulo 8 Estratégias da Qualidade 123 Introdução Segundo Marshall Junior et al.,1 Joseph Juran foi o primeiro a aplicar os conceitos da qualidade à estratégia empresarial, ao invés de meramente associá-la à estatística ou aos métodos de controle total da qualidade. A essência da abordagem estratégica da qualidade foi re- sumida, de modo muito simples, em um relatório da Socieda- de Americana de Controle da Qualidade que dizia que: Não são os fornecedores do produto, mas aqueles para quem eles servem, os clientes, usuários e aqueles que os influenciam ou representam, que têm a última palavra quanto e até que ponto um produto atende às suas ne- cessidades e satisfaz suas expectativas. A satisfação relaciona-se com o que a concorrência ofe- rece. A satisfação, relacionada com o que a concorrência ofe- rece, é conseguida durante a vida útil do produto, e não apenas na ocasião da compra. É preciso um conjunto de atributos para proporcionar o máximo de satisfação àqueles a quem o produto atende.2 1 Marshall Junior et al., 2006. 2 Marshall Junior et al., 2006, p. 30. 124 Gestão da Qualidade Ainda segundo Marshall Junior et al.,3 Feigenbaum foi um dos formuladores do conceito de controle da qualidade to- tal. De acordo com sua abordagem, qualidade é um instru- mento estratégico pelo qual todos os trabalhadores devem ser responsáveis. “Mais do que uma técnica, a qualidade é uma filosofia de gestão e um compromisso com a excelência, vol- tada para fora da empresa, sintonizando os processos internos visando a orientação para o cliente.” Desse modo, este capítulo irá abordar alguns tipos de es- tratégias e sua contribuição para o sistema de gestão da qua- lidade. 1 A origem da gestão estratégica e sua contribuição para a qualidade total Segundo Paladini,4 gestão é a arte (habilidade, aptidão, com- petência) de tomar decisões; é a condução dos meios em di- reção ao alcance de um resultado; é a administração no dia a dia. São atividades práticas que caracterizam o compromisso com resultados. Trata-se de um processo que tem componen- tes pessoais. A avaliação das ações de um processo de gestão conduto é objetiva e quantitativa, impactando nos resultados efetivos de uma organização. 3 Marshall Junior et al., 2006. 4 Paladini, 2008.Capítulo 8 Estratégias da Qualidade 125 A Figura 1, a seguir, mostra como os aspectos estratégicos estão presentes no topo da pirâmide, a fim de que consigamos alcançar a gestão da qualidade através de recursos planeja- dos e alinhados aos objetivos estratégicos da organização. Figura 1 Pirâmide do gerenciamento da qualidade. Fonte: Brocka; Brocka, 1994. As estratégias podem ter um impacto direto na sobrevivên- cia da organização, pois estão muito ligadas à forma e aos caminhos que a empresa decide seguir para construir o seu futuro. A definição dos aspectos estratégicos a serem consi- derados em todos os níveis da organização são de extrema importância para que sejam alcançados resultados sólidos em todos os processos identificados dentro do sistema de gestão da empresa. Estratégia significa algo que tem impacto na sobrevivência da organização. Sendo assim, a visão estratégica é a forma como a organização pretende construir e consolidar o seu fu- 126 Gestão da Qualidade turo. A gestão estratégica da qualidade visa investir em meios que garantam o crescimento constante da empresa. De acordo com Marshall Junior et al.,5 especialmente nas duas últimas décadas do século XX a qualidade passou efetivamente a ser percebida como uma disciplina de cunho estratégico, além do seu viés tradicionalmente técnico. Os princípios da Gestão pela Qualidade Total (GQT), disseminados a partir de 1950, foram enfim assimilados pela maioria das organizações, a qualidade passou a ser discutida na agenda estratégi- ca do negócio, e o mercado passou a valorizar quem a possuía e a punir as organizações hesitantes ou focadas apenas nos processos clássicos de controle da qualidade. Para Paladini,6 o comportamento estratégico da organiza- ção costuma ser relevado pela preocupação básica com ques- tões de ordem fundamentais como, por exemplo, a razão de sua existência, o que caracteriza a sua atuação na sociedade, como ela desenvolve o seu processo produtivo e onde preten- de chegar. Ainda, segundo esse autor, apesar de suas particularida- des, o processo da gestão da qualidade não é, em essência, diferente de outros processos gerenciais. Tem a complexidade comum a todos os modelos que dependem criticamente da ação das pessoas, possui variadas opções em termos de estru- tura de suporte (o que também é frequente em outros proces- 5 Marshall Junior et al., 2006, p. 29. 6 Paladini, 2008. Capítulo 8 Estratégias da Qualidade 127 sos) e direciona suas ações segundo os mesmos objetivos de todos os sistemas de gestão: garantir a sobrevivência da orga- nização e possibilitar a sua evolução contínua (viés estratégico da gestão da qualidade). A estratégia age como um plano elaborado pela alta admi- nistração para atingir os resultados de forma consistente, com missões e objetivos voltados ao negócio da organização. Para o autor, a estratégia serve como uma forte arma para garantir e fixar as ações da empresa em uma única direção, focalizar esforços, definir sistemáticas e prover consistência nos proces- sos e resultados. Em Paladini,7 é apresentado o modo como as ações ge- renciais decorrem dos conceitos e abordagens de qualidade – como o esforço para se criar meios mensuráveis a fim de que se consiga medir a qualidade, por exemplo, através do termo “grau” –, buscando munir a gestão da qualidade de proce- dimentos quantitativos para avaliação desta. Dessa forma, é possível quantificar a qualidade, o que facilita o seu planeja- mento, sua implantação e a avaliação do efetivo impacto das melhorias. Essa noção aplica-se mesmo aos itens subjetivos da quali- dade, uma vez que sempre é possível medi-la, mesmo quando os elementos que a determinam parecem muito particulares e individualizados. Com efeito, não podemos discutir por que as pessoas gostam de carros da cor azul, mas podemos definir quantas pessoas gostam de carros dessa cor. 7 Paladini, 2008. 128 Gestão da Qualidade Podemos encontrar, também em Paladini,8 a definição de Juran para a gestão da qualidade total: é a extensão do plane- jamento dos negócios da empresa que inclui o planejamento da qualidade. O conceito evidencia a função gerencial que mais bem caracteriza a gestão da Qualidade total: o planeja- mento. Segundo esse autor, as atividades usuais da gestão da qualidade total são, segundo Juran:  estabelecimento de objetivos abrangentes;  identificação e desenvolvimento das ações para viabili- zar o seu alcance;  criação de uma estrutura gerencial específica, atribuin- do responsabilidade bem definidas às pessoas que vão desenvolver tais ações;  disponibilização de recursos e meios para o adequado cumprimento dessas responsabilidades;  formação e qualificação dos recursos humanos para o correto desenvolvimento das ações preventivas;  seleção de mecanismos para avaliar o desempenho do processo de implantação em face dos objetivos;  determinação da periodicidade da avaliação (adequa- do ao modelo gerencial);  estruturação de um modelo de reconhecimento que analise o alcance dos objetivos fixados e o nível de de- sempenho das pessoas. 8 Paladini, 2008. Capítulo 8 Estratégias da Qualidade 129 A estratégia surge à medida que a empresa define suas diretrizes e os objetivos do negócio. As direções da qualidade ajudam a nortear os caminhos que ela deve percorrer para efetivar suas metas. Quadro 1 Direções da qualidade. Características de produto que atendem às necessidades de clientes Ausência de deficiência Qualidade mais alta permite que a Empresa Qualidade mais alta permite que a Empresa Aumente a satisfação com o produto Reduza a frequência de erros Torne os produtos vendáveis Reduza trabalho, desperdício Atenda à competição Reduza falhas de campo, despesas com Garantia Aumente a participação no mercado Reduza inspeção, testes Forneça faturamento de vendas Diminua o tempo necessário para colocar novos produtos no mercado Consiga preços vantajosos Aumente o rendimento, a capacidade Principal efeito reside nas vendas Melhore o desempenho de entrega Geralmente mais qualidade custa Mais O principal efeito reside nos custos Geralmente, mais qualidade custa Menos Reduza insatisfação do cliente Fonte: Caravantes; Caravantes; Bjur, 1997. 130 Gestão da Qualidade 2 A utilização do benchmarking como estratégia para qualidade Uma das estratégias para qualidade mais usadas atualmente pelas empresas é o benchmarking, estratégia na qual uma em- presa avalia boas práticas utilizadas por outras empresas para gerenciar determinados processos adequando esses métodos a sua realidade. O benchmarking é a ferramenta que identifica os rumos a serem seguidos pela empresa. As metas não são quantitativas, apenas indicativas, como, por exemplo, reduzir custos. Valores não precisam ser citados, são formados marcos de referência e a empresa deverá alcançá-los conforme a sua realidade.i O benchmarking, segundo ressalta Campos,9 é aplicado em cinco fases: planejamento, análise, integração, ação e maturi- dade, descritas na sequência. 1. Planejamento: são definidos os produtos nos quais o benchmarking será focado, bem como de que forma os dados serão coletados e de quais empresas esses dados sairão. 2. Análise: os dados dos processos da empresa e de seus parceiros comparativos são cuidadosamente analisa- dos, de forma a obter respostas positivas ou negativas de ambas. É nessa fase que se descobre se a empresa usada para comparação é a melhor e se as práticas dela são implementáveis. 9 Campos, 1996. Capítulo 8 Estratégias da Qualidade 131 3. Integração: hora de divulgar a todos da empresa as descobertas feitas através dessa ferramenta, de forma a obter credibilidade e comprometimento em todos osníveis da empresa. Nessa fase também se definem as metas. 4. Ação: fase em que são criados os planos de ação, os quais devem contar com a participação das pessoas que operacionalizam as tarefas. Deve-se também de- finir intervalos para que o desempenho desses planos seja avaliado. 5. Maturidade: fase que é atingida quando são feitos testes internos e externos e estes verificam que as prá- ticas estão incorporadas na empresa e que o bench- marking tornou-se parte da cultura desta, ou seja, é permanente em todos os níveis da empresa, não só nos níveis mais altos. Para Spendolini,10 o conceito de benchmarking é muito am- plo e focado sempre na ideia de avaliar práticas das melhores empresas para serem incorporadas, de forma a melhorar a eficácia da organização que o aplica. Segundo esse mesmo autor, existem três tipos de benchmarking.  Benchmarking interno.  Benchmarking competitivo.  Benchmarking funcional. 10 Spendolini, 1993. 132 Gestão da Qualidade O benchmarking interno é aquele em que os dados são co- letados em setores diferentes dentro da mesma organização, desde que as atividades sejam parecidas. Em grandes empre- sas, essa pode ser uma boa opção, já que cada setor tem uma maneira diferente de trabalhar. Os dados são facilmente cole- tados, mas há de se cuidar para que o foco não fique limitado a pequenas mudanças. Benchmarking competitivo é feito entre dois concorrentes diretos que atuam no mesmo mercado. A dificuldade na coleta de dados é bem mais relevante em comparação ao primeiro, mas, em compensação, os dados são extremamente mais in- teressantes à organização. A parte mais complicada desse tipo de benchmarking é a questão ética entre concorrentes. O terceiro tipo, descrito por Spendolini,11 é o benchmarking funcional ou genérico, o qual toma como base as empresas líderes do setor. As práticas coletadas são realmente as melho- res do mercado e ainda há a possibilidade bastante relevante de se criar uma rede de contatos. No entanto, a organização pode esbarrar na transferência de práticas para seu ambiente, uma vez que as empresas líderes de um setor costumam ser grandes e muito bem estruturadas, o que nem sempre encon- tramos nas empresas que ainda estão em fase de busca dessa liderança. Ainda segundo o mesmo autor,12 benchmarking é uma comparação dos métodos internos da empresa com as Re- 11 Spendolini, 1993. 12 Spendolini, 1993. Capítulo 8 Estratégias da Qualidade 133 ferências externas, a fim de que esses processos possam ser compreendidos e adequados à realidade interna. Seus princi- pais benefícios são: a motivação dos funcionários com relação às mudanças; a conscientização das melhores práticas da em- presa; o aumento da competitividade em relação ao mercado; a maior satisfação do cliente. 3 Avaliação de custos como uma estratégia competitiva Os custos voltados à qualidade são aqueles aplicados não só ao controle dela, mas também à sua definição e manutenção, que afetam diretamente a qualidade do produto ou serviços processados. Os custos da qualidade ou da não qualidade são tão importantes quanto os custos tradicionais, como pro- dução e matéria-prima, e podem ser divididos em custos de controle e custos de falta de controle. Os custos de controle da qualidade são aqueles usados na prevenção e avaliação, antes de haver a falha, enquanto os custos de falta de controle são aqueles usados para corrigir as falhas posteriores à ocorrência. De acordo com Bonato,13 os custos da qualidade estão divididos em quatro áreas. 1. Custos das falhas internas: são aqueles que ocor- rem antes da entrega do produto, como, por exemplo, 13 Bonato, 2008. 134 Gestão da Qualidade os custos relacionados ao retrabalho ocorrido durante o processo interno de fabricação. 2. Custos das falhas externas: esses são aqueles identi- ficados depois que o produto já saiu da empresa, seja um retorno para conserto, uma troca como garantia ou mesmo a devolução de um produto. 3. Custos de avaliação: todo o custo que ocorre du- rante as inspeções, avaliações e testes internos para garantir a qualidade do produto antes da saída da fá- brica fica nessa categoria. 4. Custos de prevenção: são aqueles que não fazem parte do processo principal, mas são usados para evitar que ocorram problemas, como, por exemplo, o treinamento de funcionários para que estes tenham maior conhecimento e, consequentemente, não come- tam erros. Bergamo acrescenta que um relatório de custos deverá ser desenvolvido em separado, já que envolve todos os processos da empresa. Sendo assim, não é correto o setor financeiro ela- borar um relatório de custos da qualidade, sendo que as fon- tes estão em todos os setores. É necessário que o próprio setor de qualidade forneça o relatório, considerando que conhece todos os passos da qualidade, eliminando, assim, rateios equi- vocados entre áreas. Capítulo 8 Estratégias da Qualidade 135 Recapitulando Este capítulo tratou de fatores que contribuem com a constru- ção da gestão estratégica da qualidade, que, por sua, vez se configura como um processo de interação com o mercado, com a sociedade ou com outras partes interessadas, utilizan- do-se de mecanismos que caracterizam uma postura inova- dora, a qual garanta resultados e desempenho de nível de excelência para a organização. Referências BERGAMO FILHO, Valentino. Gerência econômica da qua- lidade através do TQC: controle total da qualidade. São Paulo: Makron Books, 1991. BONATO, José Carlos. Produtividade e qualidade organi- zacional. Canoas: Ulbra, 2008. (Caderno Universitário, n. 540) BROCKA, Bruce; BROCKA, Suzanne M. Gerenciamento da qualidade. São Paulo: Makron Books, 1994. CAMPOS, Vicente Falconi. Gerenciamento pelas diretrizes: Hoshin Kanri. Belo Horizonte: UFMG, 1996. CARAVANTES, Geraldo Ronchetti; CARAVANTES Claudia; BJUR, Wesley. Administração e qualidade: a superação dos desafios. São Paulo: Makron Books, 1997. 136 Gestão da Qualidade MARSHALL JUNIOR, Isnard et al. Gestão da qualidade. 9. ed. São Paulo: FGV, 2006. PALADINI, Edson Pacheco. Gestão estratégica da quali- dade: princípios, métodos e processos. São Paulo: Atlas, 2008. SPENDOLINI, Michael J. Benchmarking. São Paulo: Makron Books, 1993. Atividades 1) Como foi resumida a essência da abordagem estratégi- ca da qualidade no relatório da Sociedade Americana de Controle da Qualidade? 2) Segundo Juran, quais são as atividades usuais da gestão da qualidade total? 3) Explique as direções da qualidade. 4) Qual a relação dos custos com as estratégias competiti- vas? 5) Pesquise e apresente uma estratégia de qualidade utilizada por alguma organização. ???????? Capítulo ? Monitoramento e Medição do Sistema de Gestão da Qualidade Monitoramento e Medição do Sistema de Gestão... Marie Cristine Fortes Rocha Capítulo 9 138 Gestão da Qualidade Introdução O monitoramento e a medição do processo de gestão da qua- lidade devem ser incorporados às sistemáticas internas da or- ganização para que, periodicamente, o desempenho possa ser medido em um espaço de tempo pequeno, determinado e mo- nitorado por ela, a fim de que seu resultado possa realmente agregar valor à melhoria contínua dos processos. Neste capítulo, será abordado o conceito de produtividade e também as diferenças entre eficiência, eficácia e efetividade, que quando bem interpretados e aplicados proporcionam me- lhoria contínua para o sistema de gestão. 1 Produtividade significando eficiência Conforme Fleury e Fleury,1 a eficiência está voltada para a ati- vidade, ou seja, aos meios, à forma como conduzimos as ati- vidades e à forma de execução destas. Por exemplo: quantas unidades do produto são fabricadas por unidade de recurso aplicado?A produtividade da mão de obra seria aumenta- da se, de 10 unidades fabricadas em uma hora, passássemos para 12 unidades fabricadas no mesmo período de tempo? Evidentemente, não estamos questionando a qualidade das 12 unidades, e nem sequer se há lucro nessa produção. As- sim, uma empresa poderia até aumentar sua produtividade de forma acentuada e, ainda assim, ir à falência. Já pensa- 1 Fleury; Fleury, 1997. Capítulo 9 Monitoramento e Medição do Sistema de Gestão... 139 ram em aumentar a produtividade de uma linha de produção de galochas, por exemplo? Quem ainda usa galochas? Ou, então, aumentar a produtividade através do aumento de su- cata e retrabalho a níveis absurdos? Quem já não foi a um supermercado e, depois de passar uma hora comprando, teve que gastar mais alguns bons minutos esperando na fila, pois havia apenas três ou quatro caixas atendendo? Provavelmente, a produtividade dos atendentes (caixas) deve estar em níveis elevados, mas, e a satisfação dos clientes? Em muitas empresas, ainda segundo Fleury e Fleury,2 até pouco tempo, apesar de isso poder soar como um absurdo, produtividade era dissonante de qualidade, ou seja, “ou sere- mos produtivos, ou faremos qualidade”. Por isso a importância de conhecermos cada conceito a seguir. Segundo Robes Junior e Bonelli,3 para que se tenha um entendimento global sobre o modelo de gestão da qualidade ISO 9001, deve-se, inicialmente, abordar e relembrar os já mencionados oito princípios de gestão, fundamentais para a implementação dos requisitos de gestão da qualidade estabe- lecidos pela ISO 9000. São eles: 1. foco no cliente; 2. liderança; 3. envolvimento de pessoas; 4. abordagem de processo; 2 Fleury; Fleury, 1997. 3 Robes Junior; Bonelli, 2006. 140 Gestão da Qualidade 5. abordagem sistêmica para gestão; 6. melhoria contínua; 7. tomada de decisão baseada em fatos; 8. benefícios mútuos nas relações com os fornecedores. Esses princípios participam do processo de evolução da qualidade, iniciando como base para a construção dos requi- sitos de sistema de gestão, atuando como estratégia de moni- toramento de fatores críticos para manter o cliente satisfeito, a produtividade alta e o negócio em crescimento. 2 Produtividade significando eficácia Neste ponto, estamos no nível dos resultados, pois eficácia não está ligada à atividade, mas aos resultados alcançados. Por exemplo, poderíamos ter nossa produtividade de mão de obra até reduzida do nível anterior de 10 unidades por hora para, por exemplo, 7 ou 8 unidades no mesmo tempo. Entre- tanto, se aumentássemos nossos preços de venda em 30%, te- ríamos, talvez, melhores resultados e muito mais lucro, apesar de eficiência menor. 3 Produtividade significando efetividade Se eficiência é a relação entre produção e os recursos apli- cados e eficácia a relação entre a produção e os resultados Capítulo 9 Monitoramento e Medição do Sistema de Gestão... 141 alcançados, poderíamos utilizar um conceito mais abrangente – o da efetividade –, que seria o somatório da eficiência e da eficácia, relacionando os recursos inicialmente aplicados com os resultados finalmente alcançados. Assim, por exemplo, teríamos um aumento de efetividade se, além de aumentarmos a nossa eficiência de 10 para 12 unidades por hora, ainda vendêssemos nossa produção ob- tendo maior rentabilidade. 4 Produtividade fabril ou gerencial Outra definição importante poderia ainda ser lembrada: quan- do nos referimos à produtividade, o que nos ocorre é uma avaliação de linha de produção ou da linha de frente de aten- dimento, como é o caso de uma prestação de serviços. Por exemplo, o número de funcionários nos caixas de um banco em relação ao volume de transações processadas ou clientes atendidos. Entretanto, não podemos esquecer de que, além da produtividade das atividades-fim da empresa (produção e ven- das), há ainda a produtividade das atividades de apoio e/ou suporte (manutenção, transporte, treinamento etc.), a produti- vidade do staff gerencial (assistentes, consultores internos etc.) e, ainda, a produtividade dos executivos em geral, avaliando- -se aí como eles aplicam e administram o seu próprio tempo, como tomam decisões, delegam, se comunicam, planejam e controlam as atividades de seus subordinados. 142 Gestão da Qualidade 5 A produtividade no Brasil Esclarecidas e fixadas essas definições, podemos colocar o tema em discussão. No Brasil, as empresas, na década de 80 a 90, vinham se desenvolvendo em níveis de eficácia relati- vamente razoáveis. Em 1988, por exemplo, cerca de 1.200 empresas do setor de capitais dos Estados Unidos ou foram “reestruturadas”, ou fecharam, ou foram simplesmente com- pradas pelos seus próprios credores. Entretanto, no Brasil, no mesmo ano, esse número foi ínfimo, ou seja, os resultados até eram bons. Já quanto à eficiência, consideramos o panorama comple- tamente diferente. Ainda produzimos caro e mal, se nos com- pararmos a outros países. Em relação à Alemanha e ao Japão, por exemplo, as diferenças são grotescas. A produtividade da nossa mão de obra não se equipara aos níveis internacionais de qualidade. Segundo Fleury e Fleury,4 na crise, o que faz a diferença, é a administração ágil, criativa, flexível, operosa, “produtiva”. É muito fácil – qualquer gerente medíocre o faz – mandar cortar folha de pagamento, reduzindo os custos de mão de obra e, portanto, ganhando em produtividade-eficiência. O difícil é realocar e potencializar essa mão de obra ociosa para produ- zir novos produtos e serviços, aproveitando outras oportunida- des de mercado a médio e longo prazos e, assim, ganhar em efetividade. O difícil também é, com boa dose de liderança e autoridade (lembrando que autoridade é o resultado da influ- 4 Fleury; Fleury, 1997. Capítulo 9 Monitoramento e Medição do Sistema de Gestão... 143 ência que temos perante os outros), fazer como o presidente da americana Southwest Airlines, por exemplo, que conseguiu se fazer entender pelas centenas de funcionários ao pregar que cada um precisava economizar cerca de cinco dólares ao dia, não importando que atividade fizessem na companhia, pois o risco de prejuízo em determinado mês era iminente. Resultado: a empresa economizou cinco dólares e cinquenta centavos por funcionário naquele mês e ainda apresentou lucro. O único conceito com significado a um nível nacional é de que a produtividade depende de ambos: a qualidade e as ca- racterísticas dos produtos que por sua vez determinam o preço e a eficiência com que os produtos e serviços são produzidos.5 6 Economia da qualidade Em sua forma mais geral, a economia da qualidade trata da expressão dos benefícios da qualidade sob forma de unidades monetárias, considerando não só indicadores de produtivida- des, mas também atividades distintas de diversas áreas, que visam à eliminação de desperdícios, redução de custos. Segundo Paladini,6 há duas maneiras de observarmos como essa expressão é desenvolvida. Uma refere-se à contribuição positiva da qualidade; a segunda, aos ganhos decorrentes da 5 Coltro, 1996, p. 2. 6 Paladini, 2008. 144 Gestão da Qualidade redução de custos, embora só a primeira agregue efetivo valor à qualidade. 6.1 Redução de impactos negativos (ou custos da não qualidade) Trata-se da eliminação de custos devidos à má qualidade. São situações que envolvem a ocorrência de defeitos, perdas, er- ros, falhas, paralisações, atrasos, horas extras para compensar esses problemas, quebras, demoras e paradas de processo, perda de eficiência, redução do rendimento, retrabalho, repro- cessamento, reinspeção, materiais adicionais, atividades extras para recomposição da produção e para equilibrar o planeja- mento e controle dos processos de produção, excesso de con- troles devidoà tendência ao erro. Ao mesmo tempo, busca-se eliminar custos decorrentes de esforços para pesquisar causas de defeitos, testes necessários, ações corretivas, controle de peças com defei to etc. Ainda segundo Paladini,7 historicamente, os programas que visam à excelência organizacional têm utilizado a redu- ção de custos com a não qualidade como ponto de partida. Isso ocorre por variadas razões, com dificuldades e facilidades nesse processo. No Quadro 9, seguem alguns exemplos das facilidades e dificuldades associadas a cada aspecto. 7 Paladini, 2008. Capítulo 9 Monitoramento e Medição do Sistema de Gestão... 145 Quadro 1 Associação da facilidade com suas respectivas dificuldades Numero Facilidades Dificuldades associadas 1 A redução de custos devido à não qualidade não depende de fatores externos à organização, sendo, antes, uma atividade que depende quase exclusivamente de ações desenvolvidas no processo produtivo Não se trata de uma ação efetiva exclusivamente do controle da qualidade, ao contrário, depende de todos os integrantes do processo produtivo. Assim, um amplo (e nem sempre fácil) envolvimento de toda a mão de obra é requerido. 2 Essas ações possuem objetivos específicos, concretos: devem reduzir erros, falhas, desperdícios, refugos etc. Se os resultados não aparecem rapidamente, as ações podem gerar desmotivação. 3 Programas de eliminação de defeitos constituem excelentes sensores para avaliar o nível de engajamento dos recursos humanos no esforço pela qualidade e também os resultados decorrentes da integração de ações e de áreas. Nem sempre é fácil avaliar esforços coletivos. Não se sabe ao certo, por exemplo, se falhas individuais contribuíram para insucessos ou se eles provêm de erros nos mecanismos de integração. 4 A redução de custos é uma atividade de resultados visíveis. Corretamente estruturada, pode-se mostrar, a cada passo, sua evolução, consistência e progressos conquistados em função dos benefícios financeiros obtidos. Pode-se, assim, utilizá-la como avaliação da gestão da qualidade no processo. Nem sempre é simples criar programas cuja estruturação ocorre passo a passo, com avaliações por etapas. Este é um pré-requisito importante para se garantir que o envolvimento das pessoas se amplie continuamente. 146 Gestão da Qualidade 5 Também devido à visibilidade e fácil percepção dos resultados obtidos, podem ser utilizados programas de redução de custos da não qualidade como elemento de motivação à qualidade. De fato, os resultados alcançados evidenciam os progressos feitos, que, por sua vez, induzem as pessoas a investirem cada vez mais em suas atividades para a obtenção de resultados ainda melhores É a mesma da facilidade 2: a mão que acaricia também agride. Fonte: Adaptado de Paladini, 2008, p.123-124. Concluindo, esse modelo, ainda que não agregue valor à qualidade, tem se mostrado de inegável utilidade para as organizações, sobretudo como etapa inicial de um programa amplo da qualidade. 7 Melhoria contínua Apesar de as organizações considerarem objetivos e metas cada vez mais audaciosos para produtividade e economia da qualidade, o processo de melhoria contínua é um dos princi- pais desafios desta. Está concentrado na implantação de uma nova cultura, visando alcançar eficazmente a melhoria contí- nua que pode ser perseguida através do seguinte modelo. Capítulo 9 Monitoramento e Medição do Sistema de Gestão... 147 Figura 1 Ciclo da melhoria contínua. Fonte: Souto, 1997. Segundo Mello et al.,8 a manutenção e a melhoria con- tínua da capacidade do processo podem ser atingidas pela aplicação do conceito do ciclo do PDCA em todos os níveis da organização. Isso se aplica tanto aos processos estratégicos de alto nível quanto ao planejamento e à análise crítica do sistema de gestão da qualidade, bem como para simples ativi- dades operacionais executadas como parte dos processos de realização do produto. Processos individuais raramente ocor- 8 Mello et al., 2002. 148 Gestão da Qualidade rem de forma isolada. As saídas de um processo geralmente formam parte das entradas do processo subsequente. Recapitulando Este capítulo proporcionou o conhecimento de elementos e práticas que contribuem com o processo de monitoramento e medição dos processos, também trouxe mais clareza sobre o correto conceito de produtividade, eficiência, eficácia e efeti- vidade, assim como elementos-chave para a garantia da eco- nomia da qualidade envolvendo análise de custos. Também é importante ressaltar que a correta aplicação de todas as fases do PDCA (planejar, executar, verificar e agir), quando bem executadas e realizadas periodicamente, promo- vem a melhoria contínua dos processos. Referências COLTRO, Alex. A gestão da qualidade total e suas influências na competitividade empresarial. Caderno de Pesquisa em Administração, São Paulo, v. 1, n. 2, 1996. Dispo- nível em: <http://www.ead.fea.usp.br/cad-pesq/arquivos/ C02-art04.pdf>. Acesso em: 05 de jul. 2009. FLEURY, Afonso; FLEURY, Maria Tereza Leme. Aprendizagem e inovação organizacional. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1997. Capítulo 9 Monitoramento e Medição do Sistema de Gestão... 149 MELLO, Carlos Henrique Pereira et al. ISO9001:2000. São Paulo: Atlas, 2002. PALADINI, Edson Pacheco. Gestão estratégica da quali- dade: princípios, métodos e processos. São Paulo: Atlas, 2008. ROBES JUNIOR, Antonio; BONELLI, Valério Victor. Gestão da qualidade e do meio ambiente. São Paulo: Atlas, 2006. SOUTO, Antonio Coutinho Orofino. Gestão orientada à ex- celência. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1997. Atividades 1) Qual a importância do processo de melhoria contí- nua? 2) Como podemos relacionar produtividade à eficiência? 3) Como podemos relacionar produtividade à eficácia? 4) Como podemos explicar economia para qualidade? 5) Quais são as facilidades e dificuldades dos programas que visam à excelência organizacional? Qualidade como Gestão do Negócio Marie Cristine Fortes Rocha Capítulo 10 Capítulo 10 Qualidade como Gestão do Negócio 151 Introdução A gestão da qualidade fundamenta-se em dois componentes básicos, igualmente importantes: o método de atuação e as pessoas que o viabilizam. Há evidente relação entre ambos, já que deve haver perfeita harmonia entre as ações e os agentes, a fim de que seja possível ter sucesso no desafio notável de produzir qualidade. Alguns elementos do processo de gestão são particularmente importantes, como é o caso da definição das políticas da qualidade. De outra parte, são inúmeros os agentes envolvidos, como, por exemplo, os técnicos (chama- dos, às vezes, de gerentes da qualidade), que parecem ser as peças mais típicas da engrenagem que gera a qualidade. Para Paladini, os modelos gerenciais da qualidade são es- truturados a partir do propósito oriundo do conceito de qua- lidade. Com efeito, a experiência prática tem mostrado que, em se tratando da gestão da qualidade, conceitos corretos são cruciais para o sucesso de sua implantação; o uso de noções inadequadas é meio caminho andado para resultados pou- co significativos. Também observamos que todo e qualquer conceito utilizado nas ações da gestão da qualidade possui sempre conotações práticas, está bem definido e claramente estruturado. Como consequência, todas as ações da gestão da qualida- de tendem para o mesmo direcionamento, envolvem todas as áreas da organização e sempre podem ser avaliadas objetiva- mente. Neste capítulo, iremos tratar de gestão de processos na busca pela excelência, inovação e competitividade. 152 Gestão da Qualidade 1 O processo gerencial da qualidade De acordo com Paladini,1 a gestão da qualidade precisa lidar com ambientesamplos e com o desafio de envolver pessoas de forma permanente. Isso deve ser feito mantendo-se uni- formidade em termos de direcionamento, filosofia de atuação e busca de resultados cada vez melhores. Em geral, caberá ao processo de gestão administrar recursos para tirar deles o melhor proveito possível e determinar um nível de ação que garanta pleno aproveitamento das potencialidades da organi- zação. A abordagem sistêmica muito contribui para o sucesso dessa empreitada; contudo, a estrutura não substitui a ação. Por isso, compreende-se a necessidade de definir com cuidado o modelo gerencial da qualidade. Muito mais que uma ciência, a gestão da qualidade é uma arte que depende, fundamentalmente, das características pes- soais dos agentes da qualidade, ou seja, do próprio geren- te. De fato, ela é, essencialmente, interativa: o modo como o gerente exerce o relacionamento pessoal desempenha pa- pel fundamental no alcance de resultados. Tendo em vista os conceitos de sistemas (macroambiente) e subsistemas (micro- ambiente), o processo de gestão pode produzir informações e análises que geram ações localizadas, porém, coerentes e direcionadas para os objetivos da organização. Um sistema de gestão pode ser construído através da definição de um conjun- to de atividades que interagem entre si e, também, através da implementação de regras, procedimentos ou de outros meios 1 Paladini, 2008. Capítulo 10 Qualidade como Gestão do Negócio 153 que permitam a aplicação de métodos para a realização de determinados objetivos. Dentro desse contexto, encontram-se exemplos de sistemas de gestão.  Sistemas de gestão da produção: se aplicam ao sis- tema físico da empresa – métodos de programação, de- senvolvimento, avaliação e controle.  Sistemas de gestão de pessoal: se aplicam aos re- cursos humanos da organização – métodos de seleção, formação, qualificação e promoção.  Sistemas de controle e arrecadação: se aplicam aos “agentes econômicos” – métodos e distribuição de ren- das. O sistema de gestão da qualidade proporciona a organiza- ção e a utilização de métodos de produção, avaliação e me- lhoria da qualidade. Os sistemas de gestão envolvem normas, métodos e procedimentos, conforme demonstrado no Quadro 1, a seguir. Quadro 1 Definição de normas, métodos e procedimentos ELEMENTOS DEFINIÇÃO Normas Incluem a política global da organização, suas dire- trizes de funcionamento e as regras específicas, aplicá- veis a todos os recursos da organização. Para a gestão da qualidade, o conjunto de normas básicas de opera- ção é definido pela política da qualidade da organiza- ção. Em muitos casos, a gestão da qualidade restringe- -se ao processo de implementação dessa política. As normas constituem o componente estratégico da gestão da qualidade. 154 Gestão da Qualidade Métodos Referem-se ao modo como são operados os recur- sos gerais da organização, para que sejam atingidos os objetivos propostos. A concepção e a aplicação dos métodos são sempre reguladas pelas normas e o dire- cionamento de suas atividades é definido pelos objetivos fixados. Nos métodos estão identificadas as grandes me- tas do sistema produtivo, tanto em termos de objetivos globais quanto setoriais; a política de funcionamento da empresa e sua forma usual de atuação; o nível de envol- vimento dos diversos recursos e, enfim, como a empresa opera e para onde se move. A definição dos métodos de operação considera a realidade dos recursos da organi- zação. A definição de métodos de envolvimento de pes- soas, por exemplo, deve sempre levar em conta valores que compõem a cultura local. Os métodos compõem o componente tático da gestão da qualidade. São as operações para aplicar os métodos. Para entrar em operação, porém, os métodos devem ser ex- pressos em diretrizes Procedimentos operacionais, com- patíveis com a natureza dos recursos da organização. O conjunto de procedimentos é o viés operacional da gestão da qualidade. Fonte: adaptado de Paladini 2008, p. 141-142. 2 A gestão da qualidade por processos Os departamentos ou unidades de negócios funcionais de uma organização começam a deixar de ser considerados como um conjunto isolado de atividades, pois a tendência é crescente para serem vistas como grupos flexíveis e interliga- dos por fluxos de informações ou tarefas que atravessam de forma horizontal, e não somente vertical, todas as áreas de uma organização. Capítulo 10 Qualidade como Gestão do Negócio 155 Desse modo, a estrutura organizacional começa a passar por um processo de transformação desde a reestruturação de uma nova visão e missão até as novas relações com fornece- dores e clientes, que passam a ser vistos como parte integrante dos processos internos, já que seus requisitos se desdobram nos objetivos e metas das organizações. Segundo Pires,2 o processo é uma sequência de atividades interligadas entre si, com uma entrada e uma saída claramente definidas, com resultados quantificáveis como: prazos, quanti- dades, tempo, entre outras formas definidas pela organização. Para que um processo não se confunda com atividades, é necessário que alguns elementos sejam identificados, como:  Quem é o responsável pelo processo?  Quais os recursos necessários para sua execução?  Quais os métodos de trabalho?  Quais as competências necessárias?  De que forma ele é medido e monitorado?  E quem é o seu responsável? Uma vez definidas essas características, o processo come- ça a ser identificado, sendo necessária a sua documentação para atender aos requisitos de sistema de gestão da qualida- de exigidos pela ISO 9001:2008. A abordagem por proces- sos fomentada pela norma ISO visa ser uma nova tendência 2 Pires, 2007. 156 Gestão da Qualidade para soluções organizacionais, equilibrando e uniformizando informações e padrões de conduta para todos os níveis da organização. A gestão por processos serve também como um instrumento de coordenação horizontal, apoiando a estrutura hierárquica no alcance dos objetivos. 3 Gestão para a competitividade A competitividade já se tornou um conceito padrão para em- presas que buscam estratégias de crescimento para os seus ne- gócios. Ser competitivo significa ter postura desafiadora, estar atualizado, inovar, atender ou superar a necessidade, tornar-se único ou, no mínimo, estar entre as melhores na hora em que o cliente decide de quem vai comprar o produto ou serviço. Segundo Coltro,3 as transformações sociais, políticas, e econômicas que vêm se abatendo sobre as mais diversas nações do planeta, em particular a brasileira, estão promovendo um aumento consi- derável da competição entre os diversos agentes econômicos que compõem o tecido social destas referidas sociedades. As estratégias de mercado têm se tornado agressivas para que as organizações competitivas consigam ganhar força para se manter no mercado. Essa competitividade desencadeia, cada vez mais, o aprimoramento dos recursos na busca in- cessante da liderança no mercado e na excelência no aten- 3 Coltro, 1996. Capítulo 10 Qualidade como Gestão do Negócio 157 dimento. A evolução das técnicas administrativas, que hoje estudamos como sistemas de gestão das organizações, têm sido objeto de interesses acadêmicos e empresariais há muito tempo, haja vista a constante mudança de terminologias. Nos anos mais recentes, surgiram alguns termos que objetivaram a melhoria das organizações como, por exemplo, produtividade, eficiência, eficácia, excelência, sucesso, gestão por processos e competitividade. Todos esses conceitos não significam a mesma coisa; na verdade, à medida que estes termos vão sendo elaborados, a compreensão dos ambientes organizacionais vai se aprimo- rando e evoluindo, haja vista a própria dinâmica do processo empresarial.(COLTRO, 1996) Degen, citado por Coltro,4 afirma que competitividade é a base do sucesso ou fracasso de um negócio onde há livre concorrência. Aqueles com boa competitividade prosperam e se destacam dos seus con- correntes, independente do seu potencial de lucro e cres- cimento [...] Competitividade é a correta adequação das atividades do negócio no seu microambiente. Empresas que buscam um nível de excelência internacio- nal precisam reconhecer que, no mundo atual, produzir um produto ou entregar um serviço rápido e barato é um fator considerado básico para o mercado competitivo; é necessário ser ou fazer o melhor para que sua imagem e seu desempenho como empresa se tornem sólidos e se propaguem eficazmente. 4 Coltro, 1996. 158 Gestão da Qualidade As empresas devem rever constantemente suas estratégias, de modo a acompanhar as necessidades de mercado e au- mentar continuamente o seu desempenho em termos de resul- tados. A competitividade se torna uma arma infalível quando os fatores essenciais para sua manutenção estão bem determi- nados pela organização, como a elevada qualidade de pro- dutos e serviços oferecidos, a inovação de técnicas, preços, formas de atendimento e pagamento, entre outros que certa- mente são elementos determinantes para o sucesso contínuo da organização. 4 A qualidade nos dias atuais A qualidade não é mais um conceito isolado, e sim uma filoso- fia de gestão dentro das organizações que buscam competitivi- dade no mercado, independentemente do ramo de atividade. Uma mudança relevante dentro desse processo de evolu- ção da Qualidade é o fato de ela não estar mais focando somente o produto, mas sim os processos, serviços e necessi- dades dos clientes. Seja qual for o porte, as empresas estão, atualmente, aderindo a programas de melhoria de qualida- de, visando à eliminação de desperdícios, à padronização dos processos, à qualificação dos profissionais e, principalmente, à satisfação de seus clientes. A qualidade deve ser vista como uma estratégia para que o produto ou serviço seja qualificado e garantido desde a primeira negociação com o cliente até o fim do seu ciclo de vida. Não importa fazer o melhor produto com os melhores processos se o que se faz não vai ao encon- Capítulo 10 Qualidade como Gestão do Negócio 159 tro daquilo que o cliente deseja. Lembrando que o cliente é a razão de ser de todos os processos organizacionais. Segundo Marshall Junior et al.,5 a similaridade funcional e, até mesmo, o desempenho dos produtos e bens de consumo disponíveis no mercado globalizado estão se tornando cada vez maiores. A qualidade nos dias atuais está muito mais as- sociada à percepção de excelência nos serviços e, por essa razão, as organizações devem estar sintonizadas com a ne- cessidade do cliente externo e alinhadas com os recursos ne- cessários para que os clientes internos possam realizar suas atividades com desempenhos desejáveis. Os serviços dizem respeito, basicamente, a pessoas, ou seja, ao fator humano e sua capacidade de aprendizado e atendimento, que represen- tam o grande diferencial contemporâneo. Portanto, o êxito de um empreendimento pode estar no provimento de treinamento adequado, por exemplo. 4.1 Sistemas de Gestão Integrados A qualidade através dos processos de certificação começa a interligar requisitos para o atendimento de diferentes tipos de sistemas de gestão. Atualmente, as normas voltadas ao meio ambiente, saúde e segurança e responsabilidade social por exemplo, são baseadas nos requisitos da ISO 9001. Essa pe- culiaridade facilita a compatibilidades de ações, processos, sistemáticas e estratégias dentro desses sistemas de gestão. 5 Marshall Junior et al., 2006. 160 Gestão da Qualidade Segundo Pires (2007), a similaridade entre os sistemas de gestão requeridos pela ISO 9001 (qualidade), ISO 14001 (meio ambiente) e OHSAS 18001 (saúde e segurança ocu- pacional) se dá devido à utilização de princípios básicos de garantia qualidade e que visam:  utilizar uma abordagem sistemática de atividades que possam influenciar em aspectos de qualidade, saúde e meio ambiente;  privilegiar as atividades de prevenção em vez de confiar nos resultados das inspeções, medições e monitoramen- tos;  fornecer uma evidência objetiva de que a segurança, a saúde, a Qualidade e seus respectivos objetivos e metas são alcançados sempre ao menor custo e visando sem- pre à melhoria contínua do desempenho dos processos. Existe uma tendência natural das organizações para imple- mentar Sistemas de Gestão Integrados (SGI), devido a muitas vantagens oferecidas por eles, principalmente porque podem ser utilizados procedimentos já existentes com algumas adap- tações, programas, metodologias e ferramentas que podem ser compartilhadas, software, tecnologias, recursos de comu- nicação e, principalmente, nivelar o conhecimento de todos para atender continuamente os requisitos requeridos pelos di- ferentes sistemas de gestão identificados na organização. Capítulo 10 Qualidade como Gestão do Negócio 161 5 O foco na excelência Segundo Chiavenato,6 o código genético das empresas de ele- vado desempenho se traduz em certas características culturais que proporcionam uma habilidade superior às competências citadas a seguir.  Sabem antecipar e configurar mudanças nos valo- res dos clientes: a centralidade no cliente é explícita no código genético das empresas de elevado desempenho. Seu código genético cria uma cultura de intimidade com o cliente, que é, ao mesmo tempo, reativa e ativa.  Acelerado insight para ação: as companhias de eleva- do desempenho são negócios derivados do insight para clientes. Na execução, esse perfil de empresa possui boa estrutura para tomada de decisão e a autoridade para executar é bem distribuída. Abraçam o que se chama de tensão deliberada, com forte ênfase na experimentação e no aprendizado contínuo por meio da experiência.  Elas convergem energias e competências coletivas da organização: ou seja, desenvolvem liderança eficaz em profundidade e têm estratégias claras e tecnologias adequadas para maximizar a produtividade de sua for- ça de trabalho. Conseguem administrar a mudança em larga escala e com incrível sucesso.  Administram o hoje e o amanhã: o foco dual nos resultados financeiros do mês corrente e dos anos se- 6 Chiavenato, 2008. 162 Gestão da Qualidade guintes torna a organização ciente da realidade vigente. Sabem investir no negócio e ganham a vantagem de impulsionar valores mutáveis. O Programa Nacional de Qualidade (PNQ) define alguns fatores, relacionados a uma visão sistêmica de organização, que devem interagir entre si, para que se consiga ocupar o lugar de excelência no mercado competitivo. Esses fatores po- dem ser identificados a seguir, na Figura 1. Figura 1 Modelo de excelência do PNQ. Fonte: FNQ, 2007, p. 38. Para que se consiga alcançar a excelência no processo de gestão da qualidade, é necessário envolver toda a cadeia, ini- ciando pelo fornecedor e terminando no cliente. A gestão da qualidade apresenta muitas vantagens, mas precisa estar com seus processos de planejamento bem definidos para que con- siga planejar ações competitivas e ocupar um lugar de exce- lência no mercado. Capítulo 10 Qualidade como Gestão do Negócio 163 Quadro 2 Processos para administrar a qualidade Fonte: Chiavenato, 2008. 6 A inovação Segundo Chiavenato,7 a inovação está relacionada à novida- de, como, por exemplo, criar produtos ou serviços diferentes daqueles que já existem. No entanto, a inovação não reside apenas em uma nova configuração de produto ou serviço, mas também na maneira de produzir tais produtos ou servi- ços. Isso implica inovar nos processos ou métodos de traba- lho. Quando a concorrência é muito forte, as empresasdevem procurar reduzir o período de lançamento, a fim de impactar os concorrentes e sair na frente deles. 7 Chiavenato, 2008. 164 Gestão da Qualidade A inovação, muitas vezes, é oriunda de um processo ama- durecido de uma sequência de ações voltadas à manutenção da melhoria contínua. Conforme o tempo passa, essas ações acabam se fortalecendo e encontrando formas diferentes e inovadoras para buscar o melhor desempenho de suas ati- vidades. Esse processo de manutenção da melhoria contínua pode ser evidenciado a seguir, na Figura 2. Figura 2 Manutenção e melhoria do processo. Fonte: Marshall Junior et al., 2006. Segundo Chiavenato,8 a Toyota está reduzindo o ciclo de lançamento de um modelo de carro para menos de dois anos, enquanto as indústrias americanas ainda demoram o dobro 8 Chiavenato, 2008. Capítulo 10 Qualidade como Gestão do Negócio 165 do tempo. Essa rapidez faz com que a empresa tome a inicia- tiva da inovação e os concorrentes fiquem na “lanterninha”, procurando entender como a empresa consegue mudar con- ceitos e regras nesse prazo. Essa é a diferença entre empresas líderes e empresas seguidoras. As líderes acabam sendo ado- tadas como benchmarks, ou seja, como referência ou modelos a serem copiados e imitados. Recapitulando Em suma, a gestão da qualidade busca a excelência opera- cional e de resultados estratégicos, a qual, quando alcança- da, funciona como base de competitividade para a empresa disputar e ocupar os melhores lugares no mercado e alçar-se acima dos concorrentes. Contudo, a excelência não é alcan- çada apenas com algumas medidas tópicas e limitadas. Ela exige visão integrada e global de todo o sistema executado pela empresa e a busca incessante pela melhoria contínua dos processos empresariais. O novo contexto de gestão faz com que líderes que ainda estão presos a velhos conceitos façam uma revisão em sua postura, visando à quebra de antigos paradigmas administrati- vos. Isso significa dizer que modelos estratégicos aplicados no passado não garantem o mesmo desempenho e resultados no presente, tampouco as novas teorias, ou tecnologias organiza- cionais, são competentes de, por si só, resultarem em alguma transformação substancial no contexto em que vivemos. 166 Gestão da Qualidade Referências CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de negócios ao alcance de todos. São Paulo: Saraiva, 2008. COLTRO, Alex. A gestão da qualidade total e suas influências na competitividade empresarial. Caderno de Pesquisa em Administração, São Paulo, v. 1, n. 2, 1996. Dispo- nível em: <http://www.ead.fea.usp.br/cad-pesq/arquivos/ C02-art04.pdf>. Acesso em: 05 de jul. 2009. FNQ – FUNDAÇÃO NACIONAL DA QUALIDADE. Critérios compromisso com a excelência. São Paulo, 2007. (Ca- derno de Excelência). MARSHALL JUNIOR, Isnard et al. Gestão da qualidade. 9. ed. São Paulo: FGV, 2006. PALADINI, Edson Pacheco. Gestão estratégica da quali- dade: princípios, métodos e processos. São Paulo: Atlas, 2008. Atividades 1) Como se caracteriza o processo gerencial da qualidade? 2) Defina o que são norma, método e procedimento. 3) Defina a gestão da qualidade com foco em processos. 4) Como a qualidade se faz presente nos dias atuais? Capítulo 10 Qualidade como Gestão do Negócio 167 5) Qual a relação da inovação com a qualidade? Referências ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 9001/2008: Sistema de gestão da qualidade – Requisitos. Rio de Janeiro, 2008. ______ - https://www.abntcatalogo.com.br/norma. aspx?ID=345041. Acesso em 10 de jul. 2016. ALMEIDA, Leo Grieco. Qualidade: introdução a um processo de melhoria. São Paulo: Qualitymark, 1995. ANTONIONI, José; ROSA, Newton Braga. Qualidade em software: manual de aplicação da ISO-9000. São Paulo: Makron, 1995. BARÇANTE, Luiz César. Qualidade total: uma visão brasilei- ra, o impacto estratégico na universidade e na empresa. Rio de Janeiro: Campus, 1998. BERGAMO FILHO, Valentino. 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Alguns fatores estruturais e tendências apontam para ciclos de vida e perfis quantitativos com influência decisiva nos paradigmas vigentes, pois  criam desafios e transformações multidisciplinares na gestão organizacional, causando impactos surpreen- dentes na Gestão da Qualidade;  afetam a estruturação, a abrangência, os conceitos e o portfólio de competências, conhecimentos, habilidades, ferramentas, técnicas e metodologias;  expandem as fronteiras atuais e interligam áreas do sa- ber e de especialização em um novo conceito da quali- dade, diversificado e holístico. O tema Gestão da Qualidade é dinâmico, sendo sua evo- lução fruto da interação dos diversos fatores que compõem a estrutura organizacional e sua administração. 174 Gabaritos 2) Observando historicamente, a qualidade é um conceito originário das práticas de engenharia de produção da in- dústria americana. Difundiu-se no Japão pós-guerra com os chamados sistemas de gestão pela qualidade total. Na Europa, assumiu a forma contratual de sistema de gestão da garantia da qualidade, difundindo-se rapidamente pelo mundo, no bojo das exigências e requisitos de compra do mercado comum europeu. A indústria americana desenvolveu as primeiras estruturas formais do controle de qualidade, as técnicas estatísticas de amostragem e os controles estatísticos de processo, inclusive o conceito de qualidade como uma forma de gestão, dando origem ao termo qualidade total. 3) A resposta encontra-se no Quadro 1 deste capítulo. 4) Era da inspeção: a inspeção foi implementada através de critérios e definições especificadas pelo próprio artesão e sua equipe, e era considerada uma atividade corriqueira até que a evolução das atividades de inspeção passaram a se transformar rapidamente em um processo independente e associado ao controle da qualidade. Era do controle estatístico: a qualidade passou a ganhar um espaço científico através da publicação de livros ao longo dos anos. Através dessa forma documentada, tornou-se mais fácil o entendimento e o cumprimento padronizado da aplica- ção dos critérios de qualidade, utilizando controle e amostra- gens durante o processo de produção. Gabaritos 175 Era da Garantia da Qualidade: foi marcada pela valori- zação do planejamento e coordenação dos processos, o es- tabelecimento de padrões e técnicas estatísticas em busca da qualidade. Com a contribuição dos fundamentos de outros mestres da Qualidade como Feigenbaum e Juran, a função especialista da qualidade passou a ser mais do que ter conhe- cimento estatístico, surgia então a definição do que chamamos de Engenheiros da qualidade aos quais atribuía-se função não só técnicas, como também gerenciais. Era da Qualidade Total: passa a acumular a preocupação com a inspeção, os controles estatísticos de processo e com o atendimento às necessidades do cliente, que passa a ser o pa- pel principal dentro da razão de existência das organizações, de maneira que seus requisitos transformam-se em regras e critérios dentro dos objetivos das organizações. Uma das ca- racterísticas mais relevantes desta Era é a de que a organi- zação direciona seus esforços para garantir a qualidade dos produtos, serviços, funcionários e processos de sua responsa- bilidade. Capítulo 2 1) Segundo Caravantes (2005), as definições da palavra qualidade incluem certas palavras-chave que requerem, elas próprias, definições:  Produto: é a saída de qualquer processo. Produto con- siste principalmente em bens, software e serviços. Com relação às características de produto, é considerada prioridade para que seja atendida a necessidade do 176 Gabaritos cliente com relação, atendendo a sua expectativa com relação ao que lhe foi fornecido.  Cliente: é qualquer um que recebe ou é afetado pelo produto, sendo a propriedade de um produto que vida atender a certas necessidades dos clientes e, dessa ma- neira, prover a satisfação delas.  Satisfação com o produto e satisfação do cliente: atin- ge-se a satisfação com o produto quando as caracterís- ticas dele correspondem às necessidades do cliente.  Deficiências: é a falta de um item ou aspecto que resulta na insatisfação com o produto. 2) As abordagens de Garvin (2006) reforçam a ideia de que o conceito da qualidade é dinâmico, alterando-se con- tinuamente as razões que determinam a seleção de um produto pelo consumidor. Em seu trabalho, esse autor fi- xou cinco abordagens básicas voltadas ao processo, ao produto, ao valor, à transcendência e ao usuário. 3) Segundo Boato (2008, p. 10-11), as cinco dimensões da qualidade são: 1. Qualidade Intrínseca – Características específicas do produto, que definem a sua adequação à necessidade do cliente. 2. Custo – Refere-se ao custo operacional para produzir o produto. A dimensão econômica é fundamental para o cliente, que tem prioridades a considerar. O custo é Gabaritos 177 componente gerencial de preço e, portanto, se torna uma dimensão significativa. 3. Entrega – Significa entregar ao cliente a quantidade certa, no local certo e na hora certa. O tempo é uma grande dimensãoda qualidade. No entanto, caso de serviços prestados na empresa do cliente, esta dimensão engloba o tempo de espera na fila, o tempo de serviço propriamente dito, enfim, a qualidade do atendimento. 4. Segurança – O cliente e a equipe de trabalho devem se sentir seguros ao utilizar os produtos, ou seja, o produto não deve causar danos físicos ao usuário. O conceito moderno de segurança abrange, inclusive, o respeito à natureza, o combate a qualquer forma de depredação dos recursos naturais, assim o conceito segurança liga- -se ao de confiança e exatidão. 5. Moral – O gerente sabe que o produto a ser entregue ao cliente é aquele produzido por sua equipe; portanto, se ele deseja um produto de qualidade, deverá promo- ver um ambiente de qualidade, que é a única forma de assegurar a satisfação de todos os clientes. 4) Na abordagem centrada no processo, o que determi- na a aquisição de um produto é a confiança que o consumidor tem no processo produtivo que o gerou. O consumidor entende como o produto é feito, co- nhece o processo, sabe que ele é confiável e, por isso, resolve adquiri-lo. Essa abordagem prioriza o proces- so produtivo e os aspectos a ele relacionados, como atendimento a especificações básicas, às normas ope- 178 Gabaritos racionais e aos requisitos legais ou contratuais. Já a abordagem centrada no produto caracteriza o primei- ro movimento do consumidor em direção à seleção do que vai adquirir. Nesse momento, o consumidor se guia pelas características que ele vê no produto em si. 5) Essa abordagem estabelece uma hierarquia nas ações do consumidor, embora todas tenham uma mesma raiz. A primeira razão que determina a aquisição de um produto é o atendimento a uma necessidade. A seguir, vêm outras razões, associadas às questões de prioridades, oportunidades, conveniências, utilidade, seleção entre algumas opções para o momento ou para o futuro, maior proveito, preferências, vantagens, benefícios imediatos (ou não), gosto, desejo etc. Movi- da por estes, ou quaisquer outros motivos, a compra é realizada. Capítulo 3 1) Do lado Japonês, Kaoru Ishikawa e Genichi Taguchi são dois nomes importantes. Ishikawa foi o responsável pela adaptação da cultura japonesa aos ensinamentos de De- ming e Juran, também criando as sete ferramentas do con- trole estatístico da qualidade. Foi ainda o grande inspirador dos círculos de controle da qualidade (CCQ). Taguchi deu forte impulso à produção do design industrial, que marcou a segunda onda do movimento da qualidade no Japão, após a primeira fase, assentada no controle estatístico. Gabaritos 179 2) A resposta tem de estar baseada no box que contém os 14 pontos de Deming, segundo Marshall Junior et al.(2006). 3) A resposta está no box que traz, segundo Brocka e Brocka, os 14 pontos ou passos de Crosby. 4) Planejamento, controle e melhoria. 5) A resposta deve ser desenvolvida com base no Quadro 2 deste capítulo. Capítulo 4 1) A história da origem e evolução dos métodos e ferramen- tas da qualidade os quais, encontramos até hoje nas bi- bliografias da área administrativo/organizacional e descri- tos por Taylor, Fayol, Mayo, Maslow, McGregor, Herzberg, entre outros autores da época – verdadeiros missionários da Qualidade – se propagam até os dois atuais, eviden- ciados pela prática da qualidade dentro das organizações. 2) A ferramenta consiste em grupos formados entre cinco e doze pessoas. As ideias são lançadas por todos em uma atmosfera de descontração, porém, com foco. Essa ferra- menta auxilia na formação de equipes, incentiva a criati- vidade livre e coloca em evidência a questão de lidar com as diferenças entre colegas. Sua aplicação é resumida em três fases: apresentação clara do assunto, geração e regis- tro das ideias e, por fim, a seleção delas. 3) A Masp tem como objetivo analisar e solucionar proble- mas, tanto em processos de fabricação de bens como em 180 Gabaritos processos de realização de serviços, e pode projetar as organizações para a chamada melhoria contínua. A meto- dologia do Masp é simples e bem estruturada, pois, se for atendida cada etapa do seu processo, é possível organizar, orientar e disciplinar a forma como atuamos, solidificando e direcionando ações efetivas em busca da solução de um problema. 4) PDCA representa um ciclo dinâmico que pode ser desdo- brado em cada etapa do processo de uma organização. É uma metodologia que está associada ao planejamento, à implementação, ao controle e à melhoria contínua da rea- lização de produto ou serviços resultantes de um processo e do sistema de gestão da qualidade. 5) Kaizen; Kanban; Desbobramento da Função Qualidade (QFD); 8 D (solução de problemas); Just-in-Time; Programa 8 S; Lean Manufactoring; 6 Sigma; Certificações de qua- lidade como as ISOs; Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade (PGQP) e Programa Nacional de Qualidade (PNQ), entre outros que são implementados conforme a necessidade de cada empresa. Capítulo 5 1) Para Slack, Chambers e Johnston (1999), atingir essa van- tagem competitiva significa fazer melhor que os concor- rentes, que, por sua vez, significa: Fazer certo – a vantagem da qualidade. Fazer rápido – a vantagem da velocidade. Gabaritos 181 Fazer pontualmente – a vantagem da confiança. Estar apto a mudar o que é feito – a vantagem da flexibili- dade. Fazer barato – a vantagem do custo. 2) O fluxo convencional inicia-se com o requisito do con- sumidor (no caso o cliente) e, a partir daí, elabora-se e desenvolve-se o projeto e também realiza inspeções, nesse último caso, geralmente no final do processo para verificar se o requisito solicitado foi atendido. Após essa verificação, rejeita-se ou se aceita que o produto seja enviado para o cliente. Já no fluxo de controle de proces- so, todas as características críticas são avaliadas com o obje- tivo de identificar se atendem aos parâmetros especificados. Se sim, aceita os produtos, se não, realiza inspeção de 100% nestes ou identifica-se o produto suspeito, que é encaminhado para análise. Porém, só passa de uma etapa para outra se esti- ver dentro dos padrões, garantindo, assim, que o produto com não conformidade não seja enviado para o cliente. Então, o produto não conforme ou suspeito, fica segregado dentro do processo interno de fabricação até que uma destinação ade- quada, feita por pessoal autorizado, seja definida. 3) Não existe uma definição padrão para conceituar a qua- lidade sob o ponto de vista do consumidor, pois cada um tem uma maneira de perceber o produto ou serviço rela- cionado à sua necessidade individual. Qualidade está nos olhos do observador e toda percepção de qualidade do consumidor é importante. 182 Gabaritos 4) A visão no processo se dá por meio da observação de elementos dos produtos ou serviços como funcionalidade; aparência; confiabilidade, na qual a consistência do de- sempenho do produto ou serviço é avaliada; durabilidade; recuperação, que é a facilidade com que os problemas com o produto ou serviço podem ser resolvidos; contato, isto é, o tipo de relacionamento entre o provedor do servi- ço ou produto e o cliente. 5) O CEP foi fundamentado no desenvolvimento das técni- cas estatísticas para o controle da qualidade. O gráfico de controle estatístico de processo (representado por uma carta de controle) é o documento mais simples para regis- trar e analisar a ocorrência de cada evento e, a partir daí, implementar mudanças e assegurar os padrões de quali- dade desejados, monitorando os resultados e a estabilida- de de processo. Capítulo 6 1) O sistema de qualidade, estabelecido pela ISO 9000, tem como objetivo atender as empresas que buscam pa- dronização e garantia comprovada de qualidade, ou por exigência de clientes, ou por preocupação interna com aqualidade de seus processos. Essa série tem aplicabilidade em qualquer tipo de empresa, de qualquer ramo ou porte, devido à sua generalidade. 2) A resposta deve ser desenvolvida com na base na Figura 1 deste capítulo. Gabaritos 183 3) A resposta esta baseada na Figura 2: Mudanças mais rele- vantes dos Princípios da Qualidade. 4) A resposta deve ser desenvolvida com base nas seguintes informações : As alterações da nova versão da norma migram para uma estrutura onde cada vez mais as organizações consigam se adaptar a outros tipos de sistemas de gestão, devido à com- patibilidade de alguns requisitos como, por exemplo, a ISO 14001, e demonstrar a melhoria contínua dos processos. Des- se modo, será possível alcançar um sistema de gestão verda- deiramente unificado, onde, por exemplo, partes da norma ambiental ISO 1401:2015, da norma ISO 55001 de gestão de energia e até a futura norma 45001 para a gestão de se- gurança e saúde no trabalho. A gestão de riscos também entra como um elemento fundamental nessa revisão. 5) 1 – Escopo; 2 – Referências Normativas; 3 – Termos e Defi- nições; 4 – Contexto Organizacional; 5 – Liderança; 6 – Planejamento; 7 – Suporte/Recursos; 8 – Operação; 9 – Avaliação de Desempenho (Performance) e 10 – Melhoria, Capítulo 7 1) Para Paladini (2008), de todas as estruturas propostas para dar suporte às ações da gestão da qualidade, aquela que mais parece adequada é a de sistemas. Essa é uma posi- ção fortemente consolidada, sobretudo pela experiência 184 Gabaritos prática, até com notável viés histórico. Aliás, historicamen- te, tem sido consolidada a ideia de que é a estrutura que deve dar suporte à gestão da qualidade: precisa organi- zar diretrizes, ações e esforços para produzir qualidade e, não, necessariamente, necessita criar um conjunto de mecanismos e aparatos físicos. O enfoque sistêmico apli- cado à qualidade é coerente com esse princípio básico de operação da gestão da qualidade. 2) Planejamento estratégico, análise de desvios, ação corre- tiva, documentação e registros, implementação, auditoria de pré-certificação, análise de documentação pelo certifi- cador, preparação das instalações e auditoria de certifica- ção. 3) A retroalimentação se dá quando existe uma relação in- tegrada entre toda cadeia produtiva (fornecedores, fabri- cantes e clientes), onde as informações geradas são pro- cessadas em igual teor e forma por todos os estágios dos processos, proporcionando, desse modo, o que chama- mos de melhoria contínua. 4) Auditorias de primeira parte: também chamadas de inter- nas, são conduzidas pela própria organização, ou em seu nome, para propósitos internos, e podem formar a base para uma autodeclaração de conformidade da organiza- ção. Auditorias de segunda parte: são conduzidas pelas partes que têm interesse pela organização, como clientes ou outras pessoas em seu nome. Gabaritos 185 Auditorias de terceira parte: são conduzidas por organiza- ções externas e independentes da própria organização, forne- cendo certificados ou registros de conformidade com requisi- tos, como a certificação de Sistemas de Gestão da Qualidade. 5) As auditorias devem ser realizadas em intervalos plane- jados, preferencialmente alguns meses antes da auditoria externa de certificação ou manutenção do Sistema de Ges- tão da Qualidade. Elas são úteis para verificar se o Siste- ma de Gestão da Qualidade está em conformidade com as estratégias planejadas e relacionadas aos requisitos da Norma ISO 9001. As auditorias de qualidade funcionam também como uma excelente metodologia de monitora- mento dos processos de gestão, capaz de determinar se as sistemáticas estão sendo mantidas eficazmente. Capítulo 8 1) * Não são os fornecedores do produto, mas aqueles para quem eles servem, os clientes, usuários e aqueles que os influenciam ou representam, que têm a última palavra quanto e até que ponto um produto atende as suas necessidades e satisfaz suas expectativas; * A satisfação relaciona-se com o que a concorrência oferece; * A satisfação, relacionada com o que a concorrência oferece, é conseguida durante a vida útil do produto, e não apenas na ocasião da compra; 186 Gabaritos * É preciso um conjunto de atributos para proporcionar o máximo de satisfação àqueles a quem o produto aten- de (MARSCHALL JUNIOR et al., 2006, p. 30). 2) Estabelecimento de objetivos abrangentes; identificação e desenvolvimento das ações para viabilizar o seu alcance; criação de uma estrutura gerencial específica, atribuindo responsabilidade bem definidas às pessoas que vão de- senvolver tais ações; disponibilização de recursos e meios para o adequado cumprimento dessas responsabilidades; formação e qualificação dos recursos humanos para o correto desenvolvimento das ações preventivas; seleção de mecanismos para avaliar o desempenho do processo de implantação em face dos objetivos; determinação da periodicidade da avaliação (adequado ao modelo geren- cial); estruturação de um modelo de reconhecimento que analise o alcance dos objetivos fixados e o nível de desem- penho das pessoas. 3) A resposta deve ser baseada no Quadro 1 deste capítulo. 4) A relação se dá quando são avaliados os custos das falhas. Para isso, existem quatro tipos ou áreas de custos: custos das falhas internas, custos das falhas externas, custos de avaliação e custos de prevenção. As falhas devem ser evi- tadas para garantir a satisfação do cliente, caracterizando- -se, assim, como uma estratégia de competitividade. 5) Tema livre. Pode ser uma estratégia para qualquer objetivo voltado à qualidade. Exemplo: certificação, qualificação de pessoas, programas de melhoria, entre outros. Gabaritos 187 Capítulo 9 1) Apesar de as organizações considerarem objetivos e metas cada vez mais audaciosos para produtividade e economia da qualidade, o processo de melhoria contínua é um dos principais desafios da qualidade, concentrado na implan- tação de uma nova cultura, visando alcançar eficazmente o seu objetivo. A manutenção e a melhoria contínua da capacidade do processo podem ser atingidas pela aplica- ção do conceito do ciclo do PDCA em todos os níveis da organização. Isso se aplica tanto para os processos estra- tégicos de alto nível quanto para o planejamento e a aná- lise crítica do sistema de gestão da qualidade, bem como para simples atividades operacionais executadas como parte dos processos de realização do produto. Processos individuais raramente ocorrem de forma isolada. As saídas de um processo geralmente formam parte das entradas do processo subsequente. 2) Eficiência está voltada para a atividade, ou seja, aos meios, à forma como conduzimos as atividades e as executamos. Isso está ligado ao rendimento; pode-se depreender que a relação da eficiência com a produtividade está em um melhor rendimento com o mínimo de erros e/ou despesas. 3) A relação se dá no nível dos resultados, pois a eficácia não está ligada à atividade, mas aos resultados alcançados. Ainda que a produtividade caia, se os resultados forem satisfatórios, podemos dizer que houve eficácia. 4) A economia da qualidade trata da expressão dos bene- fícios da qualidade sob forma de unidades monetárias, 188 Gabaritos considerando não só indicadores de produtividade, mas também atividades distintas de diversas áreas que visam à eliminação de desperdícios e à redução de custos. 5) A resposta deve ser baseada no Quadro 1 deste capítulo. Capítulo 10 1) Muito mais que uma ciência, a gestão da qualidade é uma arte, que depende, fundamentalmente, das características pessoais dos agentes da qualidade, ou seja, do próprio gerente. De fato, a gestão da qualidade é, essencialmente, interativa: o modo como o gerente exerce o relacionamen- to pessoaldesempenha papel fundamental no alcance de resultados. 2) A resposta deve ser desenvolvida com base no Quadro 1 deste capítulo. 3) A abordagem por processos, fomentada pela norma ISO, visa ser uma nova tendência para soluções organizacio- nais, equilibrando e uniformizando informações e padrões de conduta para todos os níveis da organização. Uma vez definidas essas características, o processo começa a ser identificado e precisa ser documentado para atender aos requisitos de sistema de gestão da qualidade exigidos pela ISO 9001:2008. 4) Houve uma evolução da qualidade, que hoje é um con- ceito que não está mais focando somente o produto, mas, sim, os processos, serviços e necessidades dos clientes. In- dependentemente de seu porte, as empresas estão, atual- Gabaritos 189 mente, aderindo a programas de melhoria de qualidade visando à eliminação de desperdícios, à padronização dos processos, à qualificação dos profissionais e, principal- mente, para manter a satisfação de seus clientes. 5) Inovação está relacionada à novidade, como, por exem- plo, criar produtos ou serviços diferentes daqueles que já existem. No entanto, a inovação não reside apenas em uma nova configuração de produto ou serviço. Isso impli- ca inovar nos processos ou métodos de trabalho. Quando a concorrência é muito forte, as empresas devem procurar reduzir o período de lançamento, a fim de impactar os concorrentes e sair na frente deles. A inovação, muitas vezes, é oriunda de um processo ama- durecido de uma sequência de ações voltadas à manutenção da melhoria contínua. Conforme o tempo passa, essas ações acabam se fortalecendo e encontrando formas diferentes e inovadoras para buscar o melhor desempenho de suas ativi- dades.