Direito Constitucional II - 2018-1 - Aula 22 - Poder Judiciário - parte 3
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Direito Constitucional II - 2018-1 - Aula 22 - Poder Judiciário - parte 3


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Direito Constitucional II
Paulo Máximo
1
AULA 22
Unidade 4
Poder Judiciário \u2013 parte 4 \u2013 Competência jurisdicional
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Conceito:
Competência é o poder de exercício da jurisdição nos limites estabelecidos pelo ordenamento jurídico.
É a medida da jurisdição, a quantidade de de jurisdição que pode ser atribuída a cada órgão ou grupo de órgãos.
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Distribuição:
A competência pode ser distribuída por meio de normas constitucionais, legais, regimentais ou negociais, de forma implícita ou explícita.
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Supremo Tribunal Federal:
Alexandre de Moraes destaca que a função precípua do STF é ser a Corte de Constitucional brasileira.
Somente ao Supremo Tribunal Federal compete processar e julgar ações direitas de inconstitucionalidade, genéricas ou interventivas, as ações de inconstitucionalidade por omissão e as ações declaratórias de constitucionalidade, com o intuito de garantir a prevalência das normas da Constituição Federal no ordenamento jurídico (CF, art. 102, I \u201ca\u201d e \u201cp\u201d)
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Alexandre de Moraes aponta que a jurisdição constitucional exerce quatro funções básicas:
o controle da regularidade do regime democrático e do Estado de Direito; 
o respeito ao equilíbrio entre o Estado e a coletividade, principalmente em proteção à supremacia dos direitos e garantias fundamentais;
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a garantia do bom funcionamento dos poderes públicos e a preservação da separação dos Poderes; e
o controle de constitucionalidade das leis e atos normativos.
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A EC nº 45/04 reforçou o papel do Supremo Tribunal Federal no controle da constitucionalidade das lei e atos normativos, passando ao entender como conflito de competência entre entes federativos a recusa de cumprimento de execução de lei federal.
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Competência originária e recursal
Segundo Fredie Didier Jr. competência originária é aquela atribuída ao órgão jurisdicional para conhecer da causa em primeiro lugar.
A competência pode ainda ser derivada ou recursal, quando é atribuía ao órgão jurisdicional destinado a rever a decisão já proferida.
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Competência originária do STF:
Além das ações de controle de constitucionalidade, o STF tem competência originária de natureza cível e penal.
O Supremo deve processar e julgar originariamente os casos em que os direitos fundamentais da mais altas autoridades da República estiverem sob ameaça ou concreta violação (CF, art. 102, I, d), ou quando estas autoridades estiverem violando os direitos fundamentais dos cidadãos (CF, art. 102, I, i, q).
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A chamada competência penal originária do Supremo Tribunal Federal, em virtude de dos foros por prerrogativa de função, refere-se ao julgamento de infração penal comum cometido pelas mais altas autoridades, na vigência do mandato ou cargo.
Anteriormente, o STF não distinguia a correlação do ato com o exercício do mandato, mantendo sua competência enquanto durar o mandato ou o cargo (CF, art. 102, I, \u201cb\u201d, \u201cc\u201d e \u201cr\u201d).
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Compete (implicitamente) ao STF a função de autorizar a abertura do inquérito policial em que figuram como indiciados as autoridades com foro especial na Corte, não cabendo ao juízo de primeira instância a decisão sobre a necessidade de se promover ou não o desmembramento.
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Quando houver vários réus, cabe ao STF desmembrar o processo, se entender necessário.
Do mesmo modo, caso no decorrer de um processo sejam encontrados indícios de que uma autoridade com prerrogativa de foro esteja envolvida, o juízo deve paralisar o processo e remetê-lo ao STF, para que a Corte entende se é o caso de desmembramento.
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IMPORTANTE: se o crime foi praticado antes da diplomação, o processo era remetido ao STF para o julgamento, permanecendo na Corte até o fim do processo ou do mandato (atualidade do mandato).
Isso não se confundia com competência originária, tendo em vista que, mas sim um deslocamento de competência.
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ALTERAÇÃO JURISPRUDENCIAL DO STF \u2013 INFORMATIVO 900:
O STF, em 3/5/2018 alterou o entendimento sobre a prerrogativa de foro, decidindo o seguinte:
O foro por prerrogativa de função APLICA-SE APENAS aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas.
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Finda a instrução processual, com a publicação do despacho de intimação para apresentação de alegações finais, a competência para processar e julgar ações penais não será mais afetada em razão de o agente público vir a ocupar outro cargo ou deixar o cargo que ocupava, qualquer que seja o motivo.
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Jurisprudência sobre o tema:
Petição. Ação civil pública contra decisão do CNJ. Incompetência, em sede originária, do STF. Nos termos do art. 102 e incisos da Magna Carta, esta Suprema Corte não detém competência originária para processar e julgar ações civis públicas. Precedentes. Agravo desprovido. (Pet 3.986-AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 25-6-2008, Plenário, DJE de 5-9-2008.) 
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O STF não tem competência para julgar ações ordinárias que impugnem atos do TCU. Como o acessório segue o principal, o mesmo se passa com as ações cautelares preparatórias dessas demandas. A competência originária deste Tribunal é definida pela Constituição em caráter numerus clausus, sendo inviável sua extensão pela legislação ordinária. Dessa forma, ainda que o art. 1º, § 1º, da Lei 8.437/1992 admitisse a interpretação defendida pelo embargante, ela haveria de ser afastada por produzir um resultado inconstitucional. [AC 2.404 ED, rel. min. Roberto Barroso, j. 25-2-2014, 1ª T, DJE de 19-3-2014.]
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A competência do Supremo, presente a prerrogativa de função, é de direito estrito. Não a alteram normas processuais comuns, como são as da continência e da conexão. [AP 666 AgR, rel. min. Marco Aurélio, j. 13-12-2012, P, DJE de 7-6-2013.]
Uma vez iniciado o julgamento de Parlamentar nesta Suprema Corte, a superveniência do término do mandato eletivo não desloca a competência para outra instância. (Inq 2.295, Rel. p/ o ac. Min. Menezes Direito, julgamento em 23-10-2008, Plenário, DJE de 5-6-2009.)
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Segundo entendimento afirmado por seu Plenário, cabe ao Supremo Tribunal Federal, ao exercer sua prerrogativa exclusiva de decidir sobre a cisão de processos envolvendo agentes com prerrogativa de foro, promover, em regra, o seu desmembramento, a fim de manter sob sua jurisdição apenas o que envolva especificamente essas autoridades, segundo as circunstâncias de cada caso (Inq 3515 AgR, rel. min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 13-2-2014, DJE de 14-3-2014). Ressalvam-se, todavia, situações em que os fatos se revelem "de tal forma imbricados que a cisão por si só implique prejuízo a seu esclarecimento" (AP 853, rel. min. Rosa Weber, DJE de 22-5-2014), como ocorre no caso. [Inq 3.983, rel. min. Teori Zavaski, j. 3-3-2016, P, DJE de 12-5-2016.]
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Ação direta de inconstitucionalidade \u2013 Lei 4.776/1995 do Estado do Piauí (art. 21) \u2013 Constituição estadual invocada como único padrão de confronto \u2013 Impossibilidade de controle normativo abstrato perante o STF \u2013 Ação direta não conhecida. As Constituições estaduais não se revestem de parametricidade para efeito de instauração, perante o STF, do controle abstrato de leis e atos normativos editados pelo Estado-membro, eis que, em tema de ação direta ajuizável perante a Suprema Corte, o único parâmetro de fiscalização reside na Constituição da República. Doutrina. (ADI 1.452-MC, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 13-6-1996, Plenário, DJE de 21-11-2008.)
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Competência Recursal do STF:
Aponta Alexandre de Moraes que o Supremo Tribunal Federal também pode ser acionado via recursal, seja através de recursos ordinários constitucionais ou extraordinários.
A distinção diz respeito à amplitude da matéria analisada.
Na competência recursal ordinária, há o duplo grau de jurisdição. O STF analisa fato e direito.
Na competência recursal extraordinária, o STF só analisa a questão de direito. 
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Recurso ordinário:
Compete ao STF julgar em recurso ordinário as hipóteses previstas no art. 102, II, da Constituição, que assim prevê:
 
Art. 102 (...)
II - julgar,