Aplicacao da lei no espaco
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Aplicacao da lei no espaco


DisciplinaIntrodução ao Estudo ao Direito1.402 materiais1.650 seguidores
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S. Raul Seth Langa	
1.     Introdução
Para que o Direito seja um Direito realmente eficaz, tem de se manter num espaço constante de modernização, para conseguir acompanhar as mudanças dos tempos, assim, há medida que a sociedade vai evoluindo, o direito tende a evoluir com ela, as leis transformam-se, renovam-se, adaptam-se e evoluem ao longo do tempo, daí poder afirmar-se que as leis se sucedem no tempo e no espaço. Assim, o presente trabalho debruça sobre a aplicação da lei no tempo e no espaço e tem como objectivo trazer um estudo sintetizado em relação a aplicação da lei no tempo e no espaço aos estudantes de Direito.
Este trabalho é de muita importância, pois, dotará aos estudantes de direito, de conhecimentos relativos a aplicação das leis, o que facilitará a resolução de conflitos que emergirem na sociedade.
A elaboração do presente trabalho foi baseada na consulta de parte da legislação Moçambicana e de diversas obras de autores de direito. Dentro deste, falaremos dos princípios da aplicação da lei no tempo e no espaço, bem como, as suas excepções dos graus da retroactividade, das doutrinas existentes na aplicação da lei no tempo, bem como da doutrina dos prazos.
2.     Aplicação da Lei no Tempo
2.1.          Preliminares
"O Direito como ordem social normativo não é estático e podemos mesmo afirmar que todos os dias entram em vigor novas normas jurídicas. Este facto obriga à consagração de regras que regulem a sucessão legislativa.[1]
Coma a ideia de José Fontes acima, podemos perceber claramente que a sociedade evolui dia pós dia e deste modo, há uma necessidade do Direito acompanhar essa evolução, através de normas que se enquadram a cada realidade, facto este que faz com que as leis não sejam estáticas.
2.2.          Problema da Aplicação da Lei no Tempo
 As leis iniciam a sua existência pública no dia da sua publicação, e iniciam a sua vigência no prazo por elas determinado. Estas cessam a sua vigência, nos termos legais por caducidade ou por revogação. Por vezes existe a dúvida qual a lei a utilizar se a antiga ou a nova. A questão é: as leis são feitas para vigorar somente no futuro ou podem agir em relação a situações passadas, ou seja situações que se consumaram quando a nova lei ainda não existia, no entanto, a aplicação das leis no tempo consiste em determinar qual a lei aplicável a uma determinada situação: se é a lei antiga ou é a lei nova.
2.3.          O princípio geral da Aplicação da Lei no Tempo
Analisemos o artigo 12 do Código Civil
Artigo 12º
(Aplicação das leis no tempo. Princípio geral)
1. A lei só dispõe para o futuro; ainda que lhe seja atribuída eficácia retroactiva, presume-se que ficam ressalvados os efeitos já produzidos pelos factos que a lei se destina a regular.
2. Quando a lei dispõe sobre as condições de validade substancial ou formal de quaisquer factos ou sobre os seus efeitos, entende-se, em caso de dúvida, que só visa os factos novos; mas, quando dispuser directamente sobre o conteúdo de certas relações jurídicas, abstraindo dos factos que lhes deram origem, entender-se-á que a lei abrange as próprias relações já constituídas, que subsistam à data da sua entrada em vigor.
De acordo com nº 1 do artigo acima, o princípio geral da aplicação das leis no tempo, é o da disposição futura - não retroactividade, e de acordo com este princípio, a lei não dispõe para o passado, ou seja, a lei não é feita para regular factos passados, apenas regula factos que persistirem a partir da data da sua entrada em vigor.
Ainda de acordo com o mesmo número artigo, a retroactividade da lei é admissível em determinadas circunstâncias, uma vez que a própria norma refere» (\u2026) ainda que lhe seja atribuída eficácia retroactiva (\u2026)». Assim, a lei age de forma retroactiva nos termos em que a mesma fixa. A retroactividade segundo o artigo já citado, é admitida mas devendo no entanto salvaguardar os efeitos já produzidos pela lei antiga, e assim sendo os factos já passados não ficam sujeitos à nova lei.
Analisando o nº 2 do mesmo artigo entende-se aqui o seguinte:
1º. Sempre que a lei nova dispuser sobre as condições de validade formal ou material de quaisquer factos, tem-se por aplicável a lei antiga  evitando-se assim a sua reapreciação.
2º. Se o objecto da regulação da lei nova for o conteúdo de certa relação jurídica, aplica-se a lei nova, quando se concluir que o legislador pretendeu abstrair-se na nova regulação dos factos que deram origem à relação jurídica em causa.
3º. Se o objecto da regulação da lei nova for o conteúdo de certa relação jurídica, aplica-se a lei antiga, quando se concluir que o legislador não pretendeu abstrair-se na nova regulação dos factos que deram origem à relação jurídica em causa
Na ideia de Isabel Rocha, o princípio da não retroactividade da lei é fundamental para salvaguardar a certeza e segurança do próprio Direito, caso contrário, as expectativas dos sujeitos nas relações jurídicas poderiam ser gravemente afectados. Por outro lado, a ausência deste princípio poderia causar graves distúrbios nas relações sociais em virtude da instabilidade que o Direito assim geraria[2]. Nestes termos, o Direito como uma ordem normativa social, deve garantir a justiça e a segurança assegurando deste modo a boa convivência na sociedade.
A lei não pode suscitar dúvidas quanto a sua aplicabilidade, assim, caso aconteça, o entendimento dessa lei é que será aplicada somente para casos novos. Nestes termos a lei age de forma retroactiva quando esta dispuser directamente sobre factos jurídicos já existentes, abrangendo assim estes e os que subsistirem à data da sua entrada em vigor.
2.4.          Graus da retroactividade
Autores como Manuel das Neves Pereira e Santos Justos apresentam três graus de retroactividade[3]:
Retroactividade de 3º Grau ou grau máximo \u2013 é aquela que se caracteriza por aplicar a lei nova anulando as consequências últimas e definitivas da lei antiga, ou seja, todas situações definitivamente decididas segundo a lei antiga deixam de o ser, incluindo as que já estão definitivamente fixadas e decididas por sentença transitada em julgado ou outro título equivalente.
Retroactividade de 2º grau ou agravado \u2013 esta retroactividade respeita os casos judicialmente decididos com trânsito em julgado e os equiparáveis, como naqueles em que já houve cumprimento da obrigação ou em que ocorreu transacção, ainda que não homologada, ou seja, aplica-se a todas situações do passado, mas salvaguarda os efeitos já definidos por decisão judicial ou título equivalente.
Retroactividade de 1º grau ou ordinária \u2013 aquela em que, quando a lei nova regula factos ou situações nascidas antes do seu início de vigência, entende-se que já não ficam sujeitos não ficam sujeitos â nova lei os factos e seus efeitos produzidos antes da entrada em vigor da nova lei, ou seja, a lei nova respeita todos os efeitos já produzidos ao abrigo da lei nova.[4]
2.5.          Teorias ou Doutrinas da retroactividade
2.5.1.   Doutrina dos direitos adquiridos
Segundo esta doutrina, os direito adquiridos à sombra duma lei devem ser respeitados pelas leis posteriores.
Esta doutrina foi definida por Savigny e exposta na sua versão mais ampla por Merlin e Gabba, distingue os direitos adquiridos das faculdades legais e simples expectativas: aqueles já entraram no nosso domínio e não podem ser-nos retirados. A lei nova deve respeitar os direitos adquiridos, mas não as faculdades legais e as simples expectativas.
Esta doutrina foi logo criticada, primeiro porque, o direito não deriva do seu exercício, depois porque nem sempre é fácil distinguir o direito subjectivo e uma expectativa e finalmente porque nem todos direitos permanecem indefinidamente sujeitos à disciplina do direito vigente.
2.5.2.   A doutrina do facto passado
Esta doutrina sustenta que todo facto jurídico é regulado pela lei vigente quando se produziu, por isso, a lei nova não deve ser retroactiva.
Aos efeitos jurídicos já consumados sob império da lei antiga, aos ainda pendentes quando a lei nova