Constituição das sociedades
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Constituição das sociedades


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CONSTITUIÇÃO DAS SOCIEDADES
Contrato de sociedade:
Contrato social:
Sociedade simples e sociedade empresária (exceto a sociedade anônima)
Estatuto:
Sociedade Anônima
Requisitos do contrato social e do estatuto \u2013 art. 997 do Código Civil:
I - nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residência dos sócios, se pessoas naturais, e a firma ou a denominação, nacionalidade e sede dos sócios, se jurídicas;
II - denominação, objeto, sede e prazo da sociedade;
III - capital da sociedade, expresso em moeda corrente, podendo compreender qualquer espécie de bens, suscetíveis de avaliação pecuniária;
IV - a quota de cada sócio no capital social, e o modo de realizá-la;
V - as prestações a que se obriga o sócio, cuja contribuição consista em serviços;
VI - as pessoas naturais incumbidas da administração da sociedade, e seus poderes e atribuições;
VII - a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas;
VIII - se os sócios respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais.
Contrato social
O documento que pactua as normas de constituição e funcionamento de uma sociedade com fins lucrativos, não anônima, denomina-se contrato social.
É a certidão de nascimento da pessoa jurídica.
Não poderá conter emendas, rasuras e entrelinhas, admitida, porém, nesses casos, ressalva expressa no próprio instrumento, com assinatura das partes.
Seu registro dar-se-á na Junta Comercial do Estado, ou nos Cartórios de Registro de Pessoas Jurídicas, conforme a natureza jurídica da sociedade.
 Nos casos de sociedade de advogados, o registro será feito na OAB.
O contrato social deverá indicar com precisão e clareza as atividades a serem desenvolvidas pela sociedade, sendo vedada a inserção de termos estrangeiros, exceto quando não houver termo correspondente em português ou já incorporado ao vernáculo nacional.
Modificações do contrato social \u2013 art. 999:
\u201cAs modificações do contrato social, que tenham por objeto matéria indicada no art. 997, dependem do consentimento de todos os sócios; as demais podem ser decididas por maioria absoluta de votos, se o contrato não determinar a necessidade de deliberação unânime.\u201d
Capital Social:
Capital Social é o investimento inicial dos sócios ou acionistas de uma sociedade.
Outorga aos sócios direitos podendo variar consoante a sua participação, constituindo uma garantia para com terceiros. 
É a partir deste investimento que é montado o caixa da empresa e a aquisição de todos os seus ativos.
Cotas ou quotas:
Montante que o sócio contribui para a formação do capital social.
O sócio de serviço não participa do capital social.
SOCIEDADES NÃO PERSONIFICADAS
SOCIEDADE EM COMUM - arts. 986 a 990 do Código Civil
Definição:
A sociedade em comum foi pensada pelo Código Civil como um momento prévio ao registro.
Art. 986 do CC:
\u201cEnquanto não inscritos os atos constitutivos, reger-se-á a sociedade, exceto por ações em organização, pelo disposto neste Capítulo, observadas, subsidiariamente e no que com ele forem compatíveis, as normas da sociedade simples\u201d.
O artigo 986 é expresso que a sociedade irá se reger por aquelas normas enquanto não inscritos os atos constitutivos.
Ainda assim, a legislação aproveita também para os casos das sociedades de fato ou sociedades tácitas ou irregulares.
O artigo 12, VII do CPC chama de sociedade sem personalidade jurídica, e o CC chama de contrato de sociedade ou sociedade não personificada.
Art. 12 do CPC:
\u201cArtigo 12 \u2013 Serão representados em juízo, ativa e passivamente:
VII \u2013 as sociedades sem personalidade jurídica, pela pessoa a quem couber a administração dos seus bens;\u201d
Características:
Inexistência de registro.
Regem-se pelos artigos 986 a 990 do CC.
Aplicam-se subsidiariamente as regras das sociedades simples.
Os bens e as dívidas sociais constituem patrimônio especial, sendo titulares todos os sócios.
Os bens da sociedade respondem pelos atos de gestão praticados por qualquer dos sócios.
Os sócios podem fazer pacto expresso limitando poderes.
Tal pacto só vale contra terceiros que o conheça ou deve conhecer.
Responsabilidade dos sócios:
Artigo 990:
	\u201cTodos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais, excluído do benefício de ordem, previsto no art. 1.024, aquele que contratou pela sociedade.\u201d
	Art. 1.024: Os bens particulares dos sócios não podem ser executados por dívidas da sociedade, senão depois de executados os bens sociais.
De acordo com o artigo 990, todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais, de forma subsidiária.
Comprovação da existência da sociedade em comum:
Artigo 987:
	\u201cOs sócios, nas relações entre si ou com terceiros, somente por escrito podem provar a existência da sociedade, mas os terceiros podem prová-la de qualquer modo.\u201d
Relações entre sócios:
Prova somente por documento escrito.
Sociedade ou sócios em relação a terceiros:
Prova por documento escrito.
Terceiros em relação à sociedade:
Qualquer meio de prova.
Situação dos bens e dívidas sociais:
Artigo 988:
	\u201cOs bens e dívidas sociais constituem patrimônio especial, do qual os sócios são titulares em comum.\u201d
O patrimônio especial é composto pela somatória dos ativos vinculados ao exercício da atividade social.
É aquele integrado pelos esforços e contribuições dos sócios, assim como pelos créditos oriundos de relações jurídicas existentes entre a sociedade e seus sócios, ou entre ela e terceiros, vinculado à satisfação das dívidas por ela assumidas em decorrência da atividade exercida.
Como a sociedade não possui personalidade jurídica e o atributo da autonomia patrimonial, tal patrimônio especial pertence aos sócios em comum
Situação dos bens e dívidas sociais:
Artigo 989:
\u201cOs bens sociais respondem pelos atos de gestão praticados por qualquer dos sócios, salvo pacto expresso limitativo de poderes, que somente terá eficácia contra o terceiro que o conheça ou deva conhecer.\u201d
Na sociedade em comum os credores terão dificuldades de identificar quem exerce sua administração, posto não existir, por falta de registro, nenhuma publicidade quanto à sua estrutura.
A regra do art. 989 prestigia a teoria da aparência, pela qual se considera com poderes de administração qualquer sócio que pratique ato de gestão da sociedade, ainda que não seja administrador ou que, sendo administrador, haja com excesso de poder.
Se o sócio age com excesso de poder, celebrando negócio que lhe é vedado realizar pelo ajuste societário, esse ato é válido perante o terceiro, que pode exigir a obrigação nele assumida pela sociedade.
O terceiro terá ação direta contra o sócio que acordou o negócio e, subsidiariamente, contra os demais sócios.
SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO
Tipos de Sócios:
Sócios ostensivos \u2013 responsáveis solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais, de forma subsidiária ao patrimônio social.
Sócios ocultos \u2013 não mantêm qualquer vínculo jurídico com os credores.
Nome:
Não possui, por não ter sequer personalidade jurídica.
Gerência:
Pode ser exercida por qualquer sócio ostensivo.
Registro:
Não obrigatório.
Características:
Não está sujeita a uma forma especial, sendo possível a prova de sua existência por qualquer meio em direito admitido (art. 992).
Não tem personalidade jurídica.
Não tem capital nem autonomia patrimonial, visto pertencerem ao sócio ostensivo os recursos oriundos das contribuições dos sócios.
Não tem órgãos de administração.
Não se liquida, resolvendo-se por uma prestação de contas do sócio ostensivo.
Não se sujeita à falência nem à insolvência civil.
Natureza jurídica:
Discute-se na doutrina a natureza do contrato em conta de participação.
Alguns o consideram contrato de sociedade, enquanto outros preferem traduzi-lo como simples contrato de investimento, por faltar-lhe personalidade jurídica.
A conta de participação apresenta elementos da sociedade \u2013 conjugação de recursos para exploração comum, mas não reúne os pressupostos necessários à sua classificação como tal.
Seria classificado como um contrato de participação.