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Livro Texto   Unidade II

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inter-relacionar 
uma série de fatores e, entre inúmeras opções, escolher apenas uma. Evidentemente, esse não é 
um processo fácil e gera muita ansiedade.
Erikson (1974) definiu a adolescência como um período de moratória no qual a pessoa necessita de 
tempo e energia para representar papéis diferentes e viver com autoimagens também diferentes. Assim, 
para o autor, o dilema dessa fase é identidade versus confusão de papéis. A resolução dessa crise 
contribui para que o indivíduo desenvolva um senso de autoidentidade, de coerência interna. Por outro 
lado, aqueles que não conseguem atingir uma identidade coesa apresentarão uma confusão de papéis. 
São pessoas que no geral não sabem quem são ou o que querem para a própria vida, não sabem que 
trajetória seguir em termos de escolha profissional, vida afetiva etc. 
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 Segundo Erikson (1974), a força básica que deveria se desenvolver durante a adolescência é a 
fidelidade, que surge de uma identidade de ego coesa e engloba sinceridade, genuinidade e um senso 
de dever nos relacionamentos com as outras pessoas.
Exemplo de aplicação
 Faça uma pesquisa através de meios tradicionais ou eletrônicos sobre alguns poemas, poesias ou 
pensamentos de grandes escritores ou filósofos que discutem a adolescência. Em seguida, procure 
identificar e relacionar o material pesquisado aos conceitos fundamentais que caracterizam tal fase.
Considerando a obra de Griffa e Moreno (2001) sobre a adolescência, podem-se destacar os seguintes 
conceitos:
• A fragilidade e a instabilidade emocionais, que caracterizam os estados afetivos típicos da 
adolescência, aparecem retratadas no texto anteriormente mencionado.
• Pode ser observada uma descrição do processo puberal, deflagrado pelas transformações biológicas 
que marcam a passagem da infância para a idade adulta.
• A flutuação do humor e dos estados de ânimo faz parte do que Knobel denominou “síndrome 
da adolescência normal”, uma vez que, segundo ele, os adolescentes atravessam desequilíbrios e 
instabilidades extremos.
Osório (1992) contribui para a ampliação da compreensão da adolescência, evidenciando algumas 
de suas características. 
Características do processo psicossocial da adolescência (OSÓRIO, 1992)
• Redefinição da imagem corporal – perda do corpo infantil e da consequente aquisição do corpo 
adulto. 
• Culminação do processo de separação/individuação dos pais da infância. 
• Elaboração de lutos referentes à perda da condição infantil.
• Estabelecimento de uma escala de valores ou código de ética próprio.
• Busca de pautas de identificação no grupo de iguais.
• Estabelecimento de um padrão de luta/fuga no relacionamento com a geração precedente.
• Aceitação dos ritos de iniciação como condição de ingresso ao status adulto.
• Assunção de funções ou papéis sexuais auto-outorgados, ou seja, consoantes a inclinações pessoais 
(homossexuais) independentemente das expectativas familiares e eventualmente até mesmo das 
imposições biológicas do gênero a que pertence.
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PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO: CICLO VITAL
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Redefinição da imagem corporal – perda do corpo infantil e da consequente aquisição do 
corpo adulto 
Como discutido anteriormente, o corpo do adolescente é um corpo que passa por várias mudanças 
sob as quais o adolescente não tem o menor controle, isso pode gerar muita ansiedade e dificuldade na 
redefinição da nova imagem corporal. 
Além disso, é importante lembrar que a partir desse novo corpo há uma série de mudanças nas 
interações sociais do adolescente. Por exemplo, a filha que estava acostumada a se sentar no colo do pai 
agora começa a perceber que seu pai a evita ou fica constrangido. O garoto que estava acostumado a 
andar de cueca pela casa é orientado a não fazer mais isso, na frente de sua irmã menor, por exemplo. 
Ou, ainda, a menina que podia usar saias curtas e sentar-se no chão, a partir da adolescência ouve 
que “uma mocinha não se comporta assim...”. Entre outras, essas são algumas das situações cotidianas 
que ilustram o quanto as alterações corporais do adolescente reverberam na sua vida como um todo e 
implicam perdas e ganhos. Como explicitado aqui, ocorre a perda de um corpo infantil que podia fazer 
uma série de coisas que o corpo adolescente não pode. O adolescente tem que se adaptar frente a essas 
perdas e aquisições. 
 Observação
A preocupação excessiva com a imagem corporal pode levar o 
adolescente a distúrbios alimentares, desde a obesidade pela pouca 
atividade física e maus hábitos de alimentação até padrões anormais de 
ingestão de alimentos para controle de peso (anorexia e bulimia). 
Segundo Osório (1992), as roupas têm uma importância peculiar para o adolescente, porque 
são vistas como a extensão do próprio corpo. Dessa forma, o adolescente não tem controle sobre o 
desenvolvimento, funcionamento ou aparência do seu corpo, mas tem controle sobre suas roupas, que 
de alguma forma o identificam.
Culminação do processo de separação/individuação dos pais da infância 
De acordo com os capítulos anteriores, é possível notar que a criança parte de uma relação simbiótica/
fusionada com os pais, na qual não há distinção de onde começa um ou o outro para uma crescente 
discriminação. Na adolescência, o indivíduo tenta separar-se, diferenciar-se para definir a sua própria 
identidade, daí várias atitudes de oposição dos filhos contra os pais.
Elaboração de lutos referentes à perda da condição infantil
Da mesma forma que o adolescente deve adaptar-se ao seu novo corpo, também é preciso que se 
adapte à condição de adolescente, ou seja, aos novos papéis, às novas expectativas, responsabilidades 
etc. Na condição infantil, o indivíduo tem um número reduzido e/ou qualitativamente diferente de 
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responsabilidades e cobranças por parte dos pais e da sociedade em geral. É preciso que aja um ajuste 
frente à perda da condição infantil. 
É importante salientar que todos esses ajustes implicam também transformações na própria família; 
é muito comum, por exemplo, em sessões de terapia familiar aparecer frases como: “Dá para você falar 
para os meus pais se decidirem se eu sou criança ou adolescente? Porque na hora de fazer alguma coisa 
eu já sou adolescente e tenho que me responsabilizar pelas coisas. Na hora de ir para balada, ainda sou 
criança...”. Ou seja, os pais também vivem o luto pela perda do filho criança.
Estabelecimento de uma escala de valores ou código de ética próprio
Durante os anos infantis os valores e a ética da criança são correspondentes aos dos pais. Os pais 
são figuras idealizadas, “heróis”, sabem tudo, podem tudo. Na adolescência, o indivíduo se depara com 
a “humanidade” dos pais, começa a reconhecer seus erros e incongruências e, por outro lado, amplia 
seu universo extrafamiliar, entrando em contato com outras realidades, outros valores etc. E, assim, vai 
construindo o seu próprio código de ética.
Busca de pautas de identificação no grupo de iguais
Uma vez que os pais deixaram de ser as figuras de referência, os amigos passam