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1 PreParo e embalagem dos materiais Para a esterilização Camila Quartim de moraes Bruna 3.2 ✒ Pon tos a aPren der 1. Realização da inspeção dos instrumentos cirúrgicos. 2. Identificação das características que impedem o uso de instrumentos. 3. Como montar caixas cirúrgicas. 4. Ser capaz de escolher a embalagem adequada para cada material e tipo de esterilização. 5. Como embalar materiais para esterilização. Palavras-Chave Enfermagem em Centro de Material e Esterilização, preparo, inspeção, embalagem. estrutura dos tóPiCos Introdução. Inspeção. Acondicionamento. Embalagem. Resumo. Resumo esque mático. Pontos a revisar. Propostas para estudo. Referências bibliográficas. Enfermagem CME - 03.2-NOVO.indd 1 6/22/11 12:58:55 PM ENFERMAGEM EM CME 2 introdução O preparo, que é constituído por uma inspeção criteriosa da lim- peza e da funcionalidade dos materiais, é um dos pontos críticos para que um material possa ser reutilizado, pois resíduos orgânicos e inor- gânicos podem impedir o contato do agente esterilizante ou desinfe- tante1-3. Confirmada a limpeza, os materiais precisam ser embalados para garantir a manutenção da esterilidade ao usuário final. Considerando que prover materiais livres de contaminação no momento do uso é uma das medidas que previnem infecção de local cirúrgico4, este capítulo irá tratar das boas práticas a serem seguidas em um Centro de Material e Esterilização (CME), com o intuito de disponibilizar conhecimento para aqueles que atuam nesse setor. insPeção O objetivo da inspeção visual é identificar sujidade residual e possí- veis falhas mecânicas nos instrumentos, sendo que, após a limpeza, todos os itens devem ser inspecionados5, pois o material não pode ser consi- derado desinfetado ou esterilizado se não estiver limpo previamente6. A inspeção deve ser realizada sobre uma mesa feita de material passível de desinfecção com álcool 70% p/v, como o aço inox. Essa desinfecção deve ser feita, pelo menos, a cada troca de plantão e sem- pre que houver contaminação por limpeza ineficiente dos materiais nela dispostos. Sobre a mesa, no preparo de caixas, podem ser uti- lizados campos de tecido de cor clara, para absorver a água prove- niente da lavagem e facilitar a visualização de sujidade. Esses campos devem ser trocados quando molhados e/ou sujos e sempre a cada troca de plantão. Recomenda-se que a iluminação do local onde está sendo realiza- da a inspeção seja satisfatória e, como auxílio, é recomendado o uso de lentes de aumento, como lupas7. Os funcionários envolvidos no preparo dos materiais devem usar roupas privativas e gorro8; ainda não há consenso quanto ao uso de luvas e máscaras durante esse momento, mas é minimamente recomendável que os funcionários não conversem ostensivamente sobre os materiais limpos e tenham sempre as mãos limpas. Enfermagem CME - 03.2-NOVO.indd 2 6/22/11 12:58:55 PM PREPARo E EMbAlAGEM dos MAtERiAis PARA A EstERil izAção 3 Alguns CMEs optam pela montagem e embalagem dos materiais têxteis no próprio CME, em vez de essa etapa ser realizada pelo setor de lavanderia. Nesse caso, as roupas também devem ser inspeciona- das novamente em busca de possível sujidade ou dobra inadequada. Recomenda-se que os instrumentos sejam secos após a lava- gem3,5,7,8, o que deve ser feito o mais rápido possível, pois pode haver aderência de micro-organismos provenientes da água, favorecendo a formação de biofilmes, que são bactérias em estado livre aderidas a uma superfície9. Para tanto, podem ser utilizados panos macios e de cor clara, que ajudarão na observação de sujidade sem danificar o instrumental. A prática de incluir a secagem mecânica no ciclo das lavadoras deve ser evitada, pois se a limpeza for insuficiente, deixan- do resíduos, o processo de secagem pode dificultar a limpeza poste- rior, pelo ressecamento dos depósitos. Os instrumentos devem ser minuciosamente observados, incluin- do todas as reentrâncias e cremalheiras, bem como peças articuladas devem ser desmontadas3 e eles também podem ser lubrificados com produtos próprios para esse fim7. Estudos têm mostrado que apenas a inspeção visual pode não ser suficiente, recomendando o uso de outras técnicas, como substâncias químicas que impregnam em proteínas e o uso de microscópios, para auxiliar na detecção de sujeira10-14, mas essas medidas ainda não são rotina na prática diária dos hospitais no Brasil. Tesouras, ou qualquer outro instrumental cortante, podem ter o fio das lâminas testado quanto à efetividade do corte, utilizando- se faixas de borracha para compressão cirúrgica5. O encaixe perfei- to das subpeças que compõem os instrumentos deve ser observado, lembrando que o risco de peças se soltarem ou quebrarem no ato cirúrgico deve também deve ser avaliado. A Sociedade Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico, Recu- peração Anestésica e Centro de Material e Esterilização (SOBECC) recomenda que uma borracha seja esfregada sobre as manchas dos instrumentos de aço inox, para que possam ser diferenciadas man- chas e corrosão, pois as manchas saem com o uso desse artifício, enquanto a corrosão é permanente15. Pinças com rachaduras e componentes quebrados, que não têm encaixe perfeito, corroídos, desgastados ou com o funcionamento comprometido devem ser retirados de uso. Enfermagem CME - 03.2-NOVO.indd 3 6/22/11 12:58:55 PM ENFERMAGEM EM CME 4 Se as manchas forem passíveis de limpeza, o instrumental pode ser reutilizado, mas devem ser investigados os motivos para o apa- recimento das manchas, que geralmente estão relacionados a falhas no processo de lavagem e/ou esterilização. Depósitos com coloração iridescente indicam presença de íons de metais pesados na água da lavagem. Resíduos amarelados ou com a coloração marrom-escuro resultam do uso de detergentes impróprios e depósitos inorgânicos. Manchas claras e escuras ocorrem porque os instrumentos são seca- dos ao ar livre. Películas escuras decorrem da esterilização de mate- riais cromados junto a materiais de aço inox, no mesmo pacote. Enquanto manchas cinza-azuladas são consequência do uso incorre- to de substâncias degermantes15-17. O controle de qualidade no processo de lavagem dos instrumen- tos evita e interrompe o aparecimento de manchas, bem como dimi- nui a incidência de resíduos orgânicos e inorgânicos. A efetividade da esterilização é afetada negativamente pelo número, tipo e resistência inerentes dos micro-organismos, incluindo biofilmes, nos itens a serem esterilizados4. Matéria orgânica e inor- gânica, como sangue, pus e fezes, podem interferir na eficácia dos agentes desinfetantes ou esterilizantes1-3. As falhas mecânicas nos materiais podem causar danos ao paciente, ampliar o tempo ope- ratório e gerar insatisfação à equipe cirúrgica, além de causar uma série de iatrogenias ao paciente, como a síndrome da resposta infla- matória sistêmica (SIRS) e a síndrome tóxica do segmento anterior (STSA)18,19. Diante de todos os aspectos expostos, justifica-se a importância da confirmação da limpeza dos instrumentos, por meio da inspeção, realizada durante o preparo. acondicionamento Ao serem acondicionados nas caixas para que sejam esteriliza- dos, os instrumentos devem ser dispostos de modo que ocupem, no máximo, 80% da capacidade do estojo, para que o agente esterilizan- te possa entrar em contato com a superfície de todos eles no seu inte- rior. É recomendável o uso de algum material absorvente no fun do do estojo, como um tapete, com o intuito de aliviar possíveis problemas Enfermagem CME - 03.2-NOVO.indd 4 6/22/11 12:58:55 PM PREPARo E EMbAlAGEM dos MAtERiAis PARA A EstERil izAção 5 com a secagem5 e impedir que pontas ou peças pequenas saiam pelas perfurações do estojo. Caixas pequenas, com poucos instrumentos e furos pequenosnão necessitam de materiais absorventes, mas quan- do utilizadas não devem ocupar muito espaço dentro do estojo, o que poderia dificultar a penetração do agente esterilizante ou até mesmo dificultar a secagem. É recomendado que os instrumentos dispostos nas caixas para esterilização estejam desmontados e com as cremalheiras abertas ou pelo menos na posição mais aberta possível5. A utilização de tapetes de silicone é importante para proteger peças delicadas, como microtesouras, pois as peças soltas no estojo podem ser danificadas com a movimentação e a colisão com as late- rais da caixa. Itens com concavidades, como cúpulas, devem ser posicionados de maneira que não acumulem água em seu interior5. O peso das caixas deve ser avaliado com base na capacidade dos funcionários em carregá-las, no design, na densidade e na distribui- ção da massa dos materiais5. Quando caixas forem formadas por mais de uma bandeja, deve-se avaliar a possibilidade de esterilizá-las separadamente. embalagem Desde a época em que os materiais hospitalares eram embala- dos em jornal20, os invólucros para proteger o conteúdo esteriliza- do evoluíram muito, embora os cuidados e a atenção dispensada a essa etapa do preparo de materiais ainda sejam fatores críticos para garantir a manutenção da esterilidade. As funções primárias das embalagens são permitir a esteriliza- ção do conteúdo, mantê-los esterilizados até que sejam utilizados e permitir a retirada asséptica do material5,6, protegendo-o de possíveis adversidades. Uma embalagem, para que seja considerada ideal, deve possuir, minimamente, as seguintes características3,5,6 8,21: permitir adequada penetração e remoção do agente esterili-• zante; Enfermagem CME - 03.2-NOVO.indd 5 6/22/11 12:58:55 PM ENFERMAGEM EM CME 6 prover barreira adequada aos micro-organismos ou seus veí-• culos; resistir a rasgos, abrasões e perfurações;• permitir um método de selagem eficiente e que possibilite • perceber violação; proporcionar abertura asséptica e não delaminar;• ser atóxica, inodora e não liberar corantes;• ser isenta de rasgos, furos, fissuras, dobras ou espessura redu-• zida localizada; ter nível aceitável de limpeza;• não liberar partículas;• ter bom custo-benefício;• garantir proteção durante o manuseio;• repelir umidade;• quando possível, ter indicador químico de processo impreg-• nado; estar disponível em vários tamanhos;• ter baixa memória, facilitando a abertura dos pacotes, mas • não impedindo sua confecção; ser fácil de manipular no preparo da embalagem;• ser apropriada ao método de esterilização escolhido.• Existem vários tipos de embalagem para esterilização de mate- riais e a escolha do invólucro adequado, além de ter um caráter indi- vidualizado, é determinada por uma série de fatores, como estudo do custo-benefício, montante financeiro disponível, geração de resíduo, disponibilidade ou não de serviço de lavanderia local, treinamento dos funcionários, método de esterilização disponível, materiais utili- zados e inventário dos materiais cirúrgicos disponíveis. o Processo de esterilização escolhido O Quadro 3.2.1 determina as embalagens ideais para cada méto- do de esterilização disponível. Independentemente da embalagem a ser utilizada, o responsável pelo CME deve participar ativamente no seu processo de escolha, controlando constantemente a qualidade do material adquirido e realizando um bom estudo de custo-benefício, levando em conta as Enfermagem CME - 03.2-NOVO.indd 6 6/22/11 12:58:55 PM PR EPA R o E EM b A lA G EM d o s M A tER iA is PA R A A EstER ilizA ç ã o 7 Quadro 3.2.1 Compatibilidade entre embalagens e métodos de esterilização embalagem Vapor sob pressão calor seco Óxido de etileno Plasma de peróxido de hidrogênio Vapor a baixa temperatura de formaldeído radiação ionizante Tecido algodão sim não não não não não Contêiner rígido sim não sim sim sim sim Vidro refratário sim* sim não não não não Papel grau cirúrgico sim não sim não sim sim Papel crepado sim não sim não sim sim Filmes sim não sim não sim sim Tyvek® sim não sim sim sim sim Não tecido (SMS) sim não sim sim sim sim** Caixas metálicas sim*** sim sim*** sim*** sim*** sim*** Adaptado de APECIH, 201022. * Para líquidos; ** verificar com o fabricante; *** necessitam ser perfuradas. Enferm agem CM E - 03.2-NOVO.indd 7 6/22/11 12:58:56 PM ENFERMAGEM EM CME 8 diretrizes exigidas, o método de esterilização utilizado, o poder aqui- sitivo e as rotinas e materiais utilizados na instituição. Waked et al.23 demonstraram a ineficiência dos usuários na avaliação da integridade das embalagens, no momento do uso de materiais esterilizados. Portanto, deve ser dado treinamento cons- tante aos funcionários que realizam os pacotes para esterilização, lembrando que toda a embalagem, descartável ou reprocessada, deve ser sempre averiguada antes da utilização em busca de furos ou quebras de assepsia, e esses profissionais devem ser orientados a notificar qualquer falha nas boas práticas de produção e alterações de qualidade. Os funcionários do CME também devem ser treinados quanto à correta escolha do tamanho do invólucro a ser utilizado, que deve ser suficiente para proteger todo o conteúdo, sem expô-lo acidentalmen- te, mas não deve ser maior do que o necessário, para não dificultar o contato com o agente esterilizante, bem como a secagem; e quanto à necessidade de uso de embalagem dupla, que depende do peso e da conformação de cada item a ser embalado4,5. técnicas de empacotamento A seguir, são demonstradas técnicas de empacotamento que foram desenvolvidas para garantir a abertura asséptica dos pacotes e que são internacionalmente utilizadas (Figuras 3.2.1 e 3.2.2): Figura 3.2.1 técnica de dobradura do tipo pacote, utilizada em folhas de tecido, não tecido e papel crepado. Adaptada de AAMI, 20065. Enfermagem CME - 03.2-NOVO.indd 8 6/22/11 12:58:59 PM PREPARo E EMbAlAGEM dos MAtERiAis PARA A EstERil izAção 9 Algodão tecido O tecido é a estrutura produzida pelo entrelaçamento de um conjunto de fios nos sentidos longitudinal e transversal24. O algodão tecido, utilizado como embalagem para esterilização, é reutilizável e deve ser confeccionado com tecido 100% algodão, textura de apro- ximadamente 40 a 56 fios por cm2, além de outras especificações descritas na NBR 1402825. Essa é, provavelmente, a embalagem mais utilizada hoje, sobretu- do em instituições públicas, e segundo Graziano6 a popularidade dessa embalagem se deve à economia, já que é vista como vantagem pelos usuários, que consideram o custo-benefício do seu uso favorável. Um experimento realizado por Bruna26 avaliou o desempenho das embalagens em proteger o conteúdo esterilizado diante das condi- ções adversas, de alta temperatura e de alta umidade, e, mesmo man- tendo uma alta carga de micro-organismos viáveis durante o período de armazenamento, a embalagem de algodão tecido mostrou-se efi- caz em sua função de barreira. Baixa memória e alta resistência são outras características vantajosas dessa embalagem6. Diante da dificuldade de controle do número de reprocessos sofridos pelo tecido, Rodrigues27 realizou um experimento em que foram reproduzidas as condições de lavagem e esterilização da emba- Figura 3.2.2 técnica de dobradura do tipo envelope, utilizada em folhas de tecido, não tecido e papel crepado. Adaptada de AAMI, 20065. Enfermagem CME - 03.2-NOVO.indd 9 6/22/11 12:59:01 PM ENFERMAGEM EM CME 10 lagem. Obteve um desempenho seguro como biobarreira, em até 65 reprocessos, para a embalagem dupla. Utilizando-se desses resulta- dos, cada usuário deve encontrar uma forma de controlaro número de reprocessos que seja mais adequada à sua realidade. Quando houver furos ou rasgos, eles nunca devem ser cerzi- dos; adesivos térmicos são aceitos como forma de remendo5, mas só devem ser utilizados quando ocorrer rasgo acidental em tecidos novos. Tecidos que apresentem diversos furos e tenham sinais de des- gaste não devem ser remendados, pois possivelmente o campo não estará mais competente como barreira. É importante que, a cada uso, o tecido seja lavado, inspecionado à procura de possíveis danos e os fiapos sejam removidos5. Ainda são vistas como desvantagens desse tipo de embalagem a não repelência a líquidos, a baixa vida útil por desgaste28 e a impossi- bilidade de visualização do conteúdo. Papel grau cirúrgico O papel grau cirúrgico é uma embalagem descartável, geralmen- te formada por um lado de papel e um lado de filme plástico. Está disponível comercialmente em vários formatos, como tubos ou enve- lopes, tem indicador químico classe 3 impregnado e necessita de sela- gem térmica6,28,29. Também é um invólucro bastante utilizado, por conta do seu baixo custo e da sua compatibilidade com diversos métodos de esterilização. Ele é indicado para embalar materiais pequenos e leves, pela possibilidade de ruptura da embalagem. Quando houver necessida- de de utilização de embalagem dupla (ver Figura 3.2.3), a embala- gem interna deve ser confeccionada em tamanho menor, evitando- se dobras e sobras, que poderiam comprometer tanto o contato do agente esterilizante quanto a secagem do material5. Recomenda-se que na montagem da carga para esterilização o papel fique em contato com o papel e o plástico com o plástico, para facilitar a difusão dos agentes esterilizantes5. A identificação dessa embalagem é geralmente escrita na sobra do papel utilizado como aba para abertura asséptica, já que a tinta de caneta na parte plástica pode borrar no momento da esteriliza- ção. Não é aconselhável escrever sobre a embalagem que fica sobre o material5, pois pode causar danos a ela. Enfermagem CME - 03.2-NOVO.indd 10 6/22/11 12:59:01 PM PREPARo E EMbAlAGEM dos MAtERiAis PARA A EstERil izAção 11 São vistas como vantagens do papel grau cirúrgico a variedade de processos de esterilização aos quais é compatível, o baixo custo, o indicador impregnado, a variedade de tamanhos e formatos disponí- veis, o fato de permitir uma selagem eficaz, de ser biodegradável e de permitir a visualização do conteúdo6,28. Em contrapartida, tem como desvantagens a incompatibilidade de esterilização por plasma de peróxido de hidrogênio e o fato de não acondicionar adequadamente materiais pesados ou perfurantes6,28. Não tecido – spunbonded/meltblown/spunbonded (SMS) Essa embalagem descartável é uma estrutura plana, flexível e poro- sa, constituída de véu ou manta de fibras e filamentos, dispostos direcio- nalmente ou ao acaso e consolidados por processos mecânicos, quími- cos, térmicos ou por uma combinação deles30. Ela é também conhecida como manta de polipropileno6. O spunbonded confere a resistência mecânica, enquanto o meltblown confere a barreira microbiana28. Tem como vantagens ser uma barreira microbiana eficaz, repe- lente a líquidos, facilmente moldável ao material a ser embalado e estar disponível no mercado por vários fornecedores6,28. Tem como desvantagens a dificuldade de inspeção na busca por danos, ausên- cia de memória e o fato de não ser tão resistente a rasgos e abrasão quando comparado ao tecido de algodão6. Figura 3.2.3 Exemplo de empacotamento simples e duplo com papel grau cirúrgico. Adaptada de AAMI, 20065. Enfermagem CME - 03.2-NOVO.indd 11 6/22/11 12:59:02 PM ENFERMAGEM EM CME 12 Papel encrespado ou crepado Trata-se de uma embalagem descartável de papel encrespado, que, por essa característica, tem maior flexibilidade29. Apresenta como vantagens uma alta porcentagem de filtragem mi crobiana (cerca de 99%), além de ser biodegradável, flexível e maleável6,28. Apesar de ser mais resistente a abrasões que o não tecido, ainda é menos resistente que o tecido de algodão. Tyvek® É uma embalagem descartável que necessita de selagem térmica, é confeccionada com 100% de fibras de polietileno de alta densidade e desenvolvida há mais de 40 anos pela marca DuPont™31. Tem como vantagens a alta resistência à tração e à perfuração, uma excelente barreira microbiana, hidrorrepelência, não solta par- tículas, tem indicador químico impregnado, a não delaminação na abertura e está disponível comercialmente em vários tamanhos e formatos6,28,31 . Como desvantagens estão o seu alto custo e a sua incompatibili- dade com esterilização a 134ºC, uma vez que a embalagem só pode ser submetida a temperaturas entre 121 e 127ºC31. Contêiner rígido O contêiner rígido é um sistema de embalagem permanente que, ao mesmo tempo, acondiciona os instrumentos cirúrgicos e também os protege. Pode ser feito de alumínio, aço inox ou plástico28. Possui áreas perfuradas para entrada do agente esterilizante e para saída do ar, e precisa de filtros de papel específicos e descartáveis nesses locais6, embora também existam modelos que têm válvulas reutilizá- veis e modelos que mesclam as duas tecnologias28. Não é recomendado que se utilize outro tipo de embalagem dentro do contêiner, como acondicionar previamente peças peque- nas em um pacote de papel grau cirúrgico e armazená-lo dentro do sistema, lembrando que tal recomendação é válida para todas as embalagens5. As vantagens desse sistema são: economia de tempo no prepa- ro, pois dispensa a etapa da embalagem; segurança no transporte e manuseio; alta resistência; mecanismo de lacre; compatibilidade com Enfermagem CME - 03.2-NOVO.indd 12 6/22/11 12:59:03 PM PREPARo E EMbAlAGEM dos MAtERiAis PARA A EstERil izAção 13 os métodos de esterilização mais utilizados no meio hospitalar; pos- sibilidade de prazo de armazenamento longo; e reúso6,28. Como desvantagens, são considerados o alto custo para aquisi- ção, a necessidade de adequação do espaço físico para guarda e os possíveis problemas com a secagem6,28. selagem A selagem requer atenção e cuidados, como o controle da tem- peratura em selagem térmica, a orientação do fabricante deve ser seguida quanto à temperatura ideal para que a selagem seja efetiva, mas não se deve queimar a embalagem. Recomenda-se, ainda, que a selagem térmica tenha uma largura de 10 mm15. Não é recomendada a selagem com fita adesiva, pois ela pode se soltar durante o transporte5. Independentemente do método utilizado, a selagem deve ser livre de rugas ou falhas e deve ser feita de uma forma que permita a aber- tura asséptica do pacote15. identificação dos pacotes Todo material embalado, mesmo que passível de visualização, deve ser devidamente identificado com descrição do conteúdo, data da esterilização e da validade, lote da carga e funcionário que reali- zou o pacote5,8. Podem ser utilizadas etiquetas desenvolvidas para atender às necessidades de cada instituição, mas é importante que elas sejam padronizadas, de fácil preenchimento e de conhecimento tanto da equipe do CME, como do usuário final. cover-bag Os produtos denominados cover-bag são coberturas plásticas protetoras, utilizadas como embalagens secundárias, envolvendo principalmente materiais pesados, como caixas cirúrgicas. Elas devem ser colocadas depois que as caixas já estiverem esterilizadas e frias, mas isso deve ser efetuado o mais próximo possível da esterilização. Têm como objetivo proteger a embalagem primária de perfurações e abrasões, bem como de poeira e da contaminação por palpação. Alguns usuários utilizam essa proteção com o objetivo de prolongar o prazo de validade dos materiais5. Sua utilização vem sendo estuda- Enfermagem CME - 03.2-NOVO.indd 13 6/22/11 12:59:03 PM ENFERMAGEMEM CME 14 da e já demonstra efetividade no prolongamento do tempo de prate- leira, desde a década de 196032. Uma vez que esses protetores não constituem barreira microbiana, é preciso atentar para a possibilidade de confusão com a embalagem propriamente dita; funcionários e usuários finais devem ser treinados para não considerar como esterilizado o material sob o protetor. O plástico também não deve impossibilitar a identificação do conteúdo5. Uma análise criteriosa deve ser feita em relação ao seu uso, pois materiais que terão pouco manuseio e uso imediato não devem rece- ber a cobertura plástica, uma vez que ela não é biodegradável, muitas vezes nem reciclável, e aumenta o volume de resíduos despejados. resumo O preparo, que é constituído por uma inspeção criteriosa da limpeza e da funcionalidade dos materiais, é um dos pontos críticos para que um material possa ser reutilizado, pois resíduos orgânicos e inorgânicos podem impedir o contato do agente esterilizante ou desinfetante. Este capítulo tratou sobre as boas práticas referentes à inspeção de limpeza, verificação da funcionalidade do instrumental, acondicionamento, embalagem e identificação de materiais a serem seguidas em um Centro de Material e Esterilização (CME). resumo esQuemático Inspeção da limpeza.• Inspeção da funcionalidade.• Acondicionamento do material.• Seleção da embalagem primária e secundária.• Pontos a reVisar Reveja as características esperadas das embalagens destinadas a produtos para saúde esterilizados. Enfermagem CME - 03.2-NOVO.indd 14 6/22/11 12:59:03 PM PREPARo E EMbAlAGEM dos MAtERiAis PARA A EstERil izAção 15 ProPostas Para estudo Qual é a importância da inspeção da limpeza? Quais são • os métodos disponíveis? Quais são as limitações da inspeção visual?• Quais são as causas de manchas nos instrumentais e como • diferenciá-las de pontos de corrosão? Manuseie os diferentes tipos de embalagens disponíveis • em sua instituição e sinta as seguintes diferenças: facilidade/dificuldade para fazer os pacotes (memória, ⇒ fechamento, selagem); resistência a tração, rasgos, perfuração e líquidos; ⇒ aspecto do pacote; ⇒ liberação de partículas; ⇒ outras diferenças observadas. ⇒ referênCias BiBliográfiCas 1. Alpha MJ, Degagne P, Olson N, Puchalski T. Comparison of ion plasma, vaporized hydrogen peroxide and 10% ethilene oxide steril- izers to the 12/88 ethilene oxide gas sterilizer. Infect Control Hosp Epidemiol 1996;17(2):92-100. 2. Pinto TJA, Kaneko TM, Ohara MT. Controle biológico de quali- dade de produtos farmacêuticos, correlatos e cosméticos, 2. ed. São Paulo: Atheneu; 2003. 3. Center for Disease Control (CDC). Guideline for disinfection and sterilization in healthcare facilities; 2008. 4. Association of Perioperative Registered Nurses (AORN). Recom- mended practices for sterilization in the perioperative practice set- ting. 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