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1
PreParo e embalagem dos 
materiais Para a esterilização
Camila Quartim de moraes Bruna
3.2
✒
Pon tos a aPren der
1. Realização da inspeção dos instrumentos cirúrgicos.
2. Identificação das características que impedem o uso de instrumentos.
3. Como montar caixas cirúrgicas.
4. Ser capaz de escolher a embalagem adequada para cada material e tipo 
de esterilização.
5. Como embalar materiais para esterilização.
Palavras-Chave
Enfermagem em Centro de Material e Esterilização, preparo, inspeção, 
embalagem.
estrutura dos tóPiCos
Introdução. Inspeção. Acondicionamento. Embalagem. Resumo. Resumo esque­
mático. Pontos a revisar. Propostas para estudo. Referências bibliográficas.
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 ENFERMAGEM EM CME 
2
introdução 
O preparo, que é constituído por uma inspeção criteriosa da lim-
peza e da funcionalidade dos materiais, é um dos pontos críticos para 
que um material possa ser reutilizado, pois resíduos orgânicos e inor-
gânicos podem impedir o contato do agente esterilizante ou desinfe-
tante1-3. Confirmada a limpeza, os materiais precisam ser embalados 
para garantir a manutenção da esterilidade ao usuário final.
Considerando que prover materiais livres de contaminação no 
momento do uso é uma das medidas que previnem infecção de local 
cirúrgico4, este capítulo irá tratar das boas práticas a serem seguidas 
em um Centro de Material e Esterilização (CME), com o intuito de 
disponibilizar conhecimento para aqueles que atuam nesse setor.
insPeção
O objetivo da inspeção visual é identificar sujidade residual e possí-
veis falhas mecânicas nos instrumentos, sendo que, após a limpeza, todos 
os itens devem ser inspecionados5, pois o material não pode ser consi-
derado desinfetado ou esterilizado se não estiver limpo previamente6.
A inspeção deve ser realizada sobre uma mesa feita de material 
passível de desinfecção com álcool 70% p/v, como o aço inox. Essa 
desinfecção deve ser feita, pelo menos, a cada troca de plantão e sem-
pre que houver contaminação por limpeza ineficiente dos materiais 
nela dispostos. Sobre a mesa, no preparo de caixas, podem ser uti-
lizados campos de tecido de cor clara, para absorver a água prove-
niente da lavagem e facilitar a visualização de sujidade. Esses campos 
devem ser trocados quando molhados e/ou sujos e sempre a cada 
troca de plantão.
Recomenda-se que a iluminação do local onde está sendo realiza-
da a inspeção seja satisfatória e, como auxílio, é recomendado o uso 
de lentes de aumento, como lupas7. Os funcionários envolvidos no 
preparo dos materiais devem usar roupas privativas e gorro8; ainda 
não há consenso quanto ao uso de luvas e máscaras durante esse 
momento, mas é minimamente recomendável que os funcionários 
não conversem ostensivamente sobre os materiais limpos e tenham 
sempre as mãos limpas.
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PREPARo E EMbAlAGEM dos MAtERiAis PARA A EstERil izAção
3
Alguns CMEs optam pela montagem e embalagem dos materiais 
têxteis no próprio CME, em vez de essa etapa ser realizada pelo setor 
de lavanderia. Nesse caso, as roupas também devem ser inspeciona-
das novamente em busca de possível sujidade ou dobra inadequada.
Recomenda-se que os instrumentos sejam secos após a lava-
gem3,5,7,8, o que deve ser feito o mais rápido possível, pois pode haver 
aderência de micro-organismos provenientes da água, favorecendo a 
formação de biofilmes, que são bactérias em estado livre aderidas a 
uma superfície9. Para tanto, podem ser utilizados panos macios e de 
cor clara, que ajudarão na observação de sujidade sem danificar o 
instrumental. A prática de incluir a secagem mecânica no ciclo das 
lavadoras deve ser evitada, pois se a limpeza for insuficiente, deixan-
do resíduos, o processo de secagem pode dificultar a limpeza poste-
rior, pelo ressecamento dos depósitos.
Os instrumentos devem ser minuciosamente observados, incluin-
do todas as reentrâncias e cremalheiras, bem como peças articuladas 
devem ser desmontadas3 e eles também podem ser lubrificados com 
produtos próprios para esse fim7.
Estudos têm mostrado que apenas a inspeção visual pode não ser 
suficiente, recomendando o uso de outras técnicas, como substâncias 
químicas que impregnam em proteínas e o uso de microscópios, para 
auxiliar na detecção de sujeira10-14, mas essas medidas ainda não são 
rotina na prática diária dos hospitais no Brasil.
Tesouras, ou qualquer outro instrumental cortante, podem ter 
o fio das lâminas testado quanto à efetividade do corte, utilizando-
se faixas de borracha para compressão cirúrgica5. O encaixe perfei-
to das subpeças que compõem os instrumentos deve ser observado, 
lembrando que o risco de peças se soltarem ou quebrarem no ato 
cirúrgico deve também deve ser avaliado.
A Sociedade Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico, Recu-
peração Anestésica e Centro de Material e Esterilização (SOBECC) 
recomenda que uma borracha seja esfregada sobre as manchas dos 
instrumentos de aço inox, para que possam ser diferenciadas man-
chas e corrosão, pois as manchas saem com o uso desse artifício, 
enquanto a corrosão é permanente15.
Pinças com rachaduras e componentes quebrados, que não têm 
encaixe perfeito, corroídos, desgastados ou com o funcionamento 
comprometido devem ser retirados de uso.
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4
Se as manchas forem passíveis de limpeza, o instrumental pode 
ser reutilizado, mas devem ser investigados os motivos para o apa-
recimento das manchas, que geralmente estão relacionados a falhas 
no processo de lavagem e/ou esterilização. Depósitos com coloração 
iridescente indicam presença de íons de metais pesados na água da 
lavagem. Resíduos amarelados ou com a coloração marrom-escuro 
resultam do uso de detergentes impróprios e depósitos inorgânicos. 
Manchas claras e escuras ocorrem porque os instrumentos são seca-
dos ao ar livre. Películas escuras decorrem da esterilização de mate-
riais cromados junto a materiais de aço inox, no mesmo pacote. 
Enquanto manchas cinza-azuladas são consequência do uso incorre-
to de substâncias degermantes15-17.
O controle de qualidade no processo de lavagem dos instrumen-
tos evita e interrompe o aparecimento de manchas, bem como dimi-
nui a incidência de resíduos orgânicos e inorgânicos.
A efetividade da esterilização é afetada negativamente pelo 
número, tipo e resistência inerentes dos micro-organismos, incluindo 
biofilmes, nos itens a serem esterilizados4. Matéria orgânica e inor-
gânica, como sangue, pus e fezes, podem interferir na eficácia dos 
agentes desinfetantes ou esterilizantes1-3. As falhas mecânicas nos 
materiais podem causar danos ao paciente, ampliar o tempo ope-
ratório e gerar insatisfação à equipe cirúrgica, além de causar uma 
série de iatrogenias ao paciente, como a síndrome da resposta infla-
matória sistêmica (SIRS) e a síndrome tóxica do segmento anterior 
(STSA)18,19.
Diante de todos os aspectos expostos, justifica-se a importância 
da confirmação da limpeza dos instrumentos, por meio da inspeção, 
realizada durante o preparo.
acondicionamento 
Ao serem acondicionados nas caixas para que sejam esteriliza-
dos, os instrumentos devem ser dispostos de modo que ocupem, no 
máximo, 80% da capacidade do estojo, para que o agente esterilizan-
te possa entrar em contato com a superfície de todos eles no seu inte-
rior. É recomendável o uso de algum material absorvente no fun do do 
estojo, como um tapete, com o intuito de aliviar possíveis problemas 
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5
com a secagem5 e impedir que pontas ou peças pequenas saiam pelas 
perfurações do estojo. Caixas pequenas, com poucos instrumentos e 
furos pequenosnão necessitam de materiais absorventes, mas quan-
do utilizadas não devem ocupar muito espaço dentro do estojo, o que 
poderia dificultar a penetração do agente esterilizante ou até mesmo 
dificultar a secagem.
É recomendado que os instrumentos dispostos nas caixas para 
esterilização estejam desmontados e com as cremalheiras abertas ou 
pelo menos na posição mais aberta possível5.
A utilização de tapetes de silicone é importante para proteger 
peças delicadas, como microtesouras, pois as peças soltas no estojo 
podem ser danificadas com a movimentação e a colisão com as late-
rais da caixa.
Itens com concavidades, como cúpulas, devem ser posicionados 
de maneira que não acumulem água em seu interior5.
O peso das caixas deve ser avaliado com base na capacidade dos 
funcionários em carregá-las, no design, na densidade e na distribui-
ção da massa dos materiais5. Quando caixas forem formadas por 
mais de uma bandeja, deve-se avaliar a possibilidade de esterilizá-las 
separadamente.
embalagem 
Desde a época em que os materiais hospitalares eram embala-
dos em jornal20, os invólucros para proteger o conteúdo esteriliza-
do evoluíram muito, embora os cuidados e a atenção dispensada a 
essa etapa do preparo de materiais ainda sejam fatores críticos para 
garantir a manutenção da esterilidade.
As funções primárias das embalagens são permitir a esteriliza-
ção do conteúdo, mantê-los esterilizados até que sejam utilizados e 
permitir a retirada asséptica do material5,6, protegendo-o de possíveis 
adversidades.
Uma embalagem, para que seja considerada ideal, deve possuir, 
minimamente, as seguintes características3,5,6 8,21:
 permitir adequada penetração e remoção do agente esterili-•	
zante;
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6
 prover barreira adequada aos micro-organismos ou seus veí-•	
culos;
 resistir a rasgos, abrasões e perfurações;•	
 permitir um método de selagem eficiente e que possibilite •	
perceber violação;
 proporcionar abertura asséptica e não delaminar;•	
 ser atóxica, inodora e não liberar corantes;•	
 ser isenta de rasgos, furos, fissuras, dobras ou espessura redu-•	
zida localizada;
 ter nível aceitável de limpeza;•	
 não liberar partículas;•	
 ter bom custo-benefício;•	
 garantir proteção durante o manuseio;•	
 repelir umidade;•	
 quando possível, ter indicador químico de processo impreg-•	
nado;
 estar disponível em vários tamanhos;•	
 ter baixa memória, facilitando a abertura dos pacotes, mas •	
não impedindo sua confecção;
 ser fácil de manipular no preparo da embalagem;•	
 ser apropriada ao método de esterilização escolhido.•	
Existem vários tipos de embalagem para esterilização de mate-
riais e a escolha do invólucro adequado, além de ter um caráter indi-
vidualizado, é determinada por uma série de fatores, como estudo do 
custo-benefício, montante financeiro disponível, geração de resíduo, 
disponibilidade ou não de serviço de lavanderia local, treinamento 
dos funcionários, método de esterilização disponível, materiais utili-
zados e inventário dos materiais cirúrgicos disponíveis.
o Processo de esterilização escolhido 
O Quadro 3.2.1 determina as embalagens ideais para cada méto-
do de esterilização disponível.
Independentemente da embalagem a ser utilizada, o responsável 
pelo CME deve participar ativamente no seu processo de escolha, 
controlando constantemente a qualidade do material adquirido e 
realizando um bom estudo de custo-benefício, levando em conta as 
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7
Quadro 3.2.1 Compatibilidade entre embalagens e métodos de esterilização
embalagem Vapor sob 
pressão
calor seco Óxido de 
etileno
Plasma de 
peróxido de 
hidrogênio
Vapor a baixa 
temperatura de 
formaldeído
radiação 
ionizante
Tecido algodão sim não não não não não
Contêiner rígido sim não sim sim sim sim
Vidro refratário sim* sim não não não não
Papel grau cirúrgico sim não sim não sim sim
Papel crepado sim não sim não sim sim
Filmes sim não sim não sim sim
Tyvek® sim não sim sim sim sim
Não tecido (SMS) sim não sim sim sim sim**
Caixas metálicas sim*** sim sim*** sim*** sim*** sim***
Adaptado de APECIH, 201022.
* Para líquidos; ** verificar com o fabricante; *** necessitam ser perfuradas.
 Enferm
agem
 CM
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diretrizes exigidas, o método de esterilização utilizado, o poder aqui-
sitivo e as rotinas e materiais utilizados na instituição.
Waked et al.23 demonstraram a ineficiência dos usuários na 
avaliação da integridade das embalagens, no momento do uso de 
materiais esterilizados. Portanto, deve ser dado treinamento cons-
tante aos funcionários que realizam os pacotes para esterilização, 
lembrando que toda a embalagem, descartável ou reprocessada, 
deve ser sempre averiguada antes da utilização em busca de furos 
ou quebras de assepsia, e esses profissionais devem ser orientados a 
notificar qualquer falha nas boas práticas de produção e alterações 
de qualidade.
Os funcionários do CME também devem ser treinados quanto à 
correta escolha do tamanho do invólucro a ser utilizado, que deve ser 
suficiente para proteger todo o conteúdo, sem expô-lo acidentalmen-
te, mas não deve ser maior do que o necessário, para não dificultar 
o contato com o agente esterilizante, bem como a secagem; e quanto 
à necessidade de uso de embalagem dupla, que depende do peso e da 
conformação de cada item a ser embalado4,5.
técnicas de empacotamento 
A seguir, são demonstradas técnicas de empacotamento que 
foram desenvolvidas para garantir a abertura asséptica dos pacotes e 
que são internacionalmente utilizadas (Figuras 3.2.1 e 3.2.2):
Figura 3.2.1 técnica de dobradura do tipo pacote, utilizada em folhas de tecido, 
não tecido e papel crepado.
Adaptada de AAMI, 20065.
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9
Algodão tecido 
O tecido é a estrutura produzida pelo entrelaçamento de um 
conjunto de fios nos sentidos longitudinal e transversal24. O algodão 
tecido, utilizado como embalagem para esterilização, é reutilizável e 
deve ser confeccionado com tecido 100% algodão, textura de apro-
ximadamente 40 a 56 fios por cm2, além de outras especificações 
descritas na NBR 1402825.
Essa é, provavelmente, a embalagem mais utilizada hoje, sobretu-
do em instituições públicas, e segundo Graziano6 a popularidade dessa 
embalagem se deve à economia, já que é vista como vantagem pelos 
usuários, que consideram o custo-benefício do seu uso favorável.
Um experimento realizado por Bruna26 avaliou o desempenho 
das embalagens em proteger o conteúdo esterilizado diante das condi-
ções adversas, de alta temperatura e de alta umidade, e, mesmo man-
tendo uma alta carga de micro-organismos viáveis durante o período 
de armazenamento, a embalagem de algodão tecido mostrou-se efi-
caz em sua função de barreira. Baixa memória e alta resistência são 
outras características vantajosas dessa embalagem6.
Diante da dificuldade de controle do número de reprocessos 
sofridos pelo tecido, Rodrigues27 realizou um experimento em que 
foram reproduzidas as condições de lavagem e esterilização da emba-
Figura 3.2.2 técnica de dobradura do tipo envelope, utilizada em folhas de tecido, 
não tecido e papel crepado.
Adaptada de AAMI, 20065.
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lagem. Obteve um desempenho seguro como biobarreira, em até 65 
reprocessos, para a embalagem dupla. Utilizando-se desses resulta-
dos, cada usuário deve encontrar uma forma de controlaro número 
de reprocessos que seja mais adequada à sua realidade.
Quando houver furos ou rasgos, eles nunca devem ser cerzi-
dos; adesivos térmicos são aceitos como forma de remendo5, mas 
só devem ser utilizados quando ocorrer rasgo acidental em tecidos 
novos. Tecidos que apresentem diversos furos e tenham sinais de des-
gaste não devem ser remendados, pois possivelmente o campo não 
estará mais competente como barreira. É importante que, a cada uso, 
o tecido seja lavado, inspecionado à procura de possíveis danos e os 
fiapos sejam removidos5.
Ainda são vistas como desvantagens desse tipo de embalagem a 
não repelência a líquidos, a baixa vida útil por desgaste28 e a impossi-
bilidade de visualização do conteúdo.
Papel grau cirúrgico 
O papel grau cirúrgico é uma embalagem descartável, geralmen-
te formada por um lado de papel e um lado de filme plástico. Está 
disponível comercialmente em vários formatos, como tubos ou enve-
lopes, tem indicador químico classe 3 impregnado e necessita de sela-
gem térmica6,28,29.
Também é um invólucro bastante utilizado, por conta do seu baixo 
custo e da sua compatibilidade com diversos métodos de esterilização.
Ele é indicado para embalar materiais pequenos e leves, pela 
possibilidade de ruptura da embalagem. Quando houver necessida-
de de utilização de embalagem dupla (ver Figura 3.2.3), a embala-
gem interna deve ser confeccionada em tamanho menor, evitando-
se dobras e sobras, que poderiam comprometer tanto o contato do 
agente esterilizante quanto a secagem do material5.
Recomenda-se que na montagem da carga para esterilização o 
papel fique em contato com o papel e o plástico com o plástico, para 
facilitar a difusão dos agentes esterilizantes5.
A identificação dessa embalagem é geralmente escrita na sobra 
do papel utilizado como aba para abertura asséptica, já que a tinta 
de caneta na parte plástica pode borrar no momento da esteriliza-
ção. Não é aconselhável escrever sobre a embalagem que fica sobre o 
material5, pois pode causar danos a ela.
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São vistas como vantagens do papel grau cirúrgico a variedade 
de processos de esterilização aos quais é compatível, o baixo custo, o 
indicador impregnado, a variedade de tamanhos e formatos disponí-
veis, o fato de permitir uma selagem eficaz, de ser biodegradável e de 
permitir a visualização do conteúdo6,28.
Em contrapartida, tem como desvantagens a incompatibilidade 
de esterilização por plasma de peróxido de hidrogênio e o fato de não 
acondicionar adequadamente materiais pesados ou perfurantes6,28.
Não tecido – spunbonded/meltblown/spunbonded (SMS) 
Essa embalagem descartável é uma estrutura plana, flexível e poro-
sa, constituída de véu ou manta de fibras e filamentos, dispostos direcio-
nalmente ou ao acaso e consolidados por processos mecânicos, quími-
cos, térmicos ou por uma combinação deles30. Ela é também conhecida 
como manta de polipropileno6. O spunbonded confere a resistência 
mecânica, enquanto o meltblown confere a barreira microbiana28.
Tem como vantagens ser uma barreira microbiana eficaz, repe-
lente a líquidos, facilmente moldável ao material a ser embalado e 
estar disponível no mercado por vários fornecedores6,28. Tem como 
desvantagens a dificuldade de inspeção na busca por danos, ausên-
cia de memória e o fato de não ser tão resistente a rasgos e abrasão 
quando comparado ao tecido de algodão6.
Figura 3.2.3 Exemplo de empacotamento simples e duplo com papel grau cirúrgico.
Adaptada de AAMI, 20065.
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12
Papel encrespado ou crepado 
Trata-se de uma embalagem descartável de papel encrespado, 
que, por essa característica, tem maior flexibilidade29.
Apresenta como vantagens uma alta porcentagem de filtragem 
mi crobiana (cerca de 99%), além de ser biodegradável, flexível e 
maleável6,28.
Apesar de ser mais resistente a abrasões que o não tecido, ainda 
é menos resistente que o tecido de algodão.
Tyvek® 
É uma embalagem descartável que necessita de selagem térmica, 
é confeccionada com 100% de fibras de polietileno de alta densidade 
e desenvolvida há mais de 40 anos pela marca DuPont™31.
Tem como vantagens a alta resistência à tração e à perfuração, 
uma excelente barreira microbiana, hidrorrepelência, não solta par-
tículas, tem indicador químico impregnado, a não delaminação na 
abertura e está disponível comercialmente em vários tamanhos e 
formatos6,28,31 .
Como desvantagens estão o seu alto custo e a sua incompatibili-
dade com esterilização a 134ºC, uma vez que a embalagem só pode 
ser submetida a temperaturas entre 121 e 127ºC31.
Contêiner rígido 
O contêiner rígido é um sistema de embalagem permanente que, 
ao mesmo tempo, acondiciona os instrumentos cirúrgicos e também 
os protege. Pode ser feito de alumínio, aço inox ou plástico28. Possui 
áreas perfuradas para entrada do agente esterilizante e para saída 
do ar, e precisa de filtros de papel específicos e descartáveis nesses 
locais6, embora também existam modelos que têm válvulas reutilizá-
veis e modelos que mesclam as duas tecnologias28.
Não é recomendado que se utilize outro tipo de embalagem 
dentro do contêiner, como acondicionar previamente peças peque-
nas em um pacote de papel grau cirúrgico e armazená-lo dentro do 
sistema, lembrando que tal recomendação é válida para todas as 
embalagens5.
As vantagens desse sistema são: economia de tempo no prepa-
ro, pois dispensa a etapa da embalagem; segurança no transporte e 
manuseio; alta resistência; mecanismo de lacre; compatibilidade com 
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13
os métodos de esterilização mais utilizados no meio hospitalar; pos-
sibilidade de prazo de armazenamento longo; e reúso6,28.
Como desvantagens, são considerados o alto custo para aquisi-
ção, a necessidade de adequação do espaço físico para guarda e os 
possíveis problemas com a secagem6,28.
selagem 
A selagem requer atenção e cuidados, como o controle da tem-
peratura em selagem térmica, a orientação do fabricante deve ser 
seguida quanto à temperatura ideal para que a selagem seja efetiva, 
mas não se deve queimar a embalagem. Recomenda-se, ainda, que a 
selagem térmica tenha uma largura de 10 mm15.
Não é recomendada a selagem com fita adesiva, pois ela pode se 
soltar durante o transporte5.
Independentemente do método utilizado, a selagem deve ser livre 
de rugas ou falhas e deve ser feita de uma forma que permita a aber-
tura asséptica do pacote15.
identificação dos pacotes 
Todo material embalado, mesmo que passível de visualização, 
deve ser devidamente identificado com descrição do conteúdo, data 
da esterilização e da validade, lote da carga e funcionário que reali-
zou o pacote5,8.
Podem ser utilizadas etiquetas desenvolvidas para atender às 
necessidades de cada instituição, mas é importante que elas sejam 
padronizadas, de fácil preenchimento e de conhecimento tanto da 
equipe do CME, como do usuário final.
cover-bag 
Os produtos denominados cover-bag são coberturas plásticas 
protetoras, utilizadas como embalagens secundárias, envolvendo 
principalmente materiais pesados, como caixas cirúrgicas. Elas devem 
ser colocadas depois que as caixas já estiverem esterilizadas e frias, 
mas isso deve ser efetuado o mais próximo possível da esterilização. 
Têm como objetivo proteger a embalagem primária de perfurações 
e abrasões, bem como de poeira e da contaminação por palpação. 
Alguns usuários utilizam essa proteção com o objetivo de prolongar 
o prazo de validade dos materiais5. Sua utilização vem sendo estuda-
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14
da e já demonstra efetividade no prolongamento do tempo de prate-
leira, desde a década de 196032.
Uma vez que esses protetores não constituem barreira microbiana, 
é preciso atentar para a possibilidade de confusão com a embalagem 
propriamente dita; funcionários e usuários finais devem ser treinados 
para não considerar como esterilizado o material sob o protetor. O 
plástico também não deve impossibilitar a identificação do conteúdo5.
Uma análise criteriosa deve ser feita em relação ao seu uso, pois 
materiais que terão pouco manuseio e uso imediato não devem rece-
ber a cobertura plástica, uma vez que ela não é biodegradável, muitas 
vezes nem reciclável, e aumenta o volume de resíduos despejados.
resumo 
O preparo, que é constituído por uma inspeção criteriosa da 
limpeza e da funcionalidade dos materiais, é um dos pontos críticos 
para que um material possa ser reutilizado, pois resíduos orgânicos 
e inorgânicos podem impedir o contato do agente esterilizante ou 
desinfetante. Este capítulo tratou sobre as boas práticas referentes à 
inspeção de limpeza, verificação da funcionalidade do instrumental, 
acondicionamento, embalagem e identificação de materiais a serem 
seguidas em um Centro de Material e Esterilização (CME).
resumo esQuemático 
 Inspeção da limpeza.•	
 Inspeção da funcionalidade.•	
 Acondicionamento do material.•	
 Seleção da embalagem primária e secundária.•	
Pontos a reVisar
Reveja as características esperadas das embalagens destinadas a 
produtos para saúde esterilizados.
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PREPARo E EMbAlAGEM dos MAtERiAis PARA A EstERil izAção
15
ProPostas Para estudo
 Qual é a importância da inspeção da limpeza? Quais são •	
os métodos disponíveis?
 Quais são as limitações da inspeção visual?•	
 Quais são as causas de manchas nos instrumentais e como •	
diferenciá-las de pontos de corrosão?
 Manuseie os diferentes tipos de embalagens disponíveis •	
em sua instituição e sinta as seguintes diferenças:
 facilidade/dificuldade para fazer os pacotes (memória, ⇒
fechamento, selagem);
 resistência a tração, rasgos, perfuração e líquidos; ⇒
 aspecto do pacote; ⇒
 liberação de partículas; ⇒
 outras diferenças observadas. ⇒
referênCias BiBliográfiCas 
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2. Pinto TJA, Kaneko TM, Ohara MT. Controle biológico de quali-
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