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TEXTO GRANDEZAS FISICAS UNIDADES E SUAS REPRESENTACOES AULA 2

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GRANDEZAS FÍSICAS, UNIDADES E SUAS 
REPRESENTAÇÕES 
 
Vanderlei S. Bagnato – Professor do IFSC-USP 
Colaboração: Prof. Sergio Ricardo Muniz 
 
 
 
 
 
UM PROGRAMA DE COOPERAÇÃO ENTRE A UNIVERISDADE DE SÃO 
PAULO E A UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ 
 
 
 
 
 
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Grandezas físicas, unidades e suas representações 
 
A matemática apresenta inúmeras ferramentas que permitem processar 
dados, por meio de um grande número de operações e técnicas de análise. 
Matrizes, vetores, derivadas, integrais, gradientes, divergentes e rotacionais, são 
apenas algumas das ferramentas que podem ser usadas em um conjunto de 
dados, uma vez que esses já estejam disponíveis (isto é, após o processo de 
medição das grandezas ou de um observável de interesse). 
 Para que esses dados sejam representativos do fenômeno ou propriedade 
sob estudo, é preciso que eles sejam obtidos (medidos) de forma confiável e 
metódica, para que suas incertezas possam ser devidamente avaliadas. 
Vamos começar discutindo o chamado Método Científico que, sem dúvida, 
é uma das grandes forças das ciências moderna. Segundo a metodologia científica, 
é preciso observar e experimentar com a natureza, antes de formular teorias e leis 
que supostamente poderão ser usadas na previsão de fatos relevantes. 
 
 
Figura 1: Método científico. Imagem adaptada (Shutterstock/Tomacco). 
 
A exigência de experimentação é basicamente o que distingue a ciência 
de outras formas de entender e explicar a natureza. Isso necessariamente passa 
pelo processo de medida (seja qual for a grandeza ou observável) e na produção 
e análise dos dados. 
Neste método, podemos destacar duas etapas fundamentais: coleta de 
dados experimentais e análise dos dados. Primeiro devemos observar por meio 
de experimentação. Esse é o ponto de partida para a formulação de qualquer lei 
natural. A coleta de dados experimentais é a essência da ciência, mas não é tudo. 
 
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Os dados precisam de uma boa analise para se tornarem úteis. A citação feita 
pelo professor H. M. Nussenzveig, em seu livro de mecânica, parafraseando 
Poincaré, é bastante adequada para esta situação: “embora a ciência se construa 
de dados experimentais, da mesma forma que uma casa se constrói com tijolos, 
uma coleção de tijolos não é uma casa, da mesma forma que uma coleção de 
dados ainda não é ciência”. 
A segunda parte envolve indução e dedução, a partir dos resultados 
experimentais e, com os dados e uma profunda e cuidadosa análise, chega-se à 
conclusão que deverão ser válidas de uma forma mais geral. 
Neste ponto, é necessário frequentemente realizar abstrações, retirando 
da nossa análise aquilo que julgamos ser menos relevante para o problema ou 
efeito sob estudo. Do contrário, torna-se muito difícil a formulação de uma lei 
natural, devido ao grande número de variáveis que muitas vezes não são 
relevantes para o problema que está sendo estudado. 
Se Newton tivesse levado em conta as montanhas e vales da superfície da 
terra, talvez nunca tivesse concluído sua formulação da lei da gravidade. As 
montanhas e vales são pequenas perturbações na esfericidade da Terra, e não 
contribuem muito para o efeito principal. Esse processo de escolher o que pode 
ou não ser ignorado já envolve a formulação de um modelo e tipicamente é 
guiada por conceitos e modelos já estabelecidos (isto é, que já fazem parte do 
conhecimento científico). 
Mesmo que tenhamos uma lei formulada e devidamente confirmada 
experimentalmente, ela ainda não é uma verdade universal absoluta. Via de 
regra, toda lei física tem um domínio de validade, pois em geral foi construída a 
partir de observações feitas em um certo domínio de experimentação. 
Além deste domínio, fatores inicialmente considerados desprezíveis (no 
processo de abstração), podem não ser mais irrelevantes. É aí que se costuma 
observar uma ruptura da “lei”, e algo mais geral se faz necessário. É por isso 
também que, normalmente, uma nova lei física sempre generaliza e engloba a 
lei antiga. É desta forma que a ciência é construída, e progride com a contribuição 
das novas gerações. 
 
Note, portanto, a importância das medidas físicas neste 
contexto. São elas que promovem e validam a evolução do 
conhecimento e das ciências. 
 
 
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Medida das grandezas: A medida de uma grandeza física sempre tem 
um valor numérico e uma unidade. Isto faz com que estas duas partes 
tenham que estar sempre bem definidas para que a grandeza esteja 
completamente caracterizada. As medidas podem ser diretas ou indiretas. 
 
 
 
Medidas diretas são aquelas que não dependem de outras grandezas 
para serem realizadas, ou seja, é possível realizar sua medida diretamente com 
um instrumento. Tempo e temperatura são duas grandezas físicas que são 
normalmente determinadas de forma direta. 
Já as medidas indiretas, precisam de uma relação matemática para 
serem determinadas. Essa relação matemática normalmente sintetiza uma dada 
lei física ou conjunto de conhecimentos de uma dada área de interesse. 
A maioria das grandezas que caracterizam o movimento de um corpo, por 
exemplo, são feitas de forma indireta. Dessa maneira, para determinar a 
velocidade de um objeto, temos que determinar a distância percorrida em um 
certo intervalo de tempo e, a partir dessas medidas diretas, calcular a velocidade. 
Mesmo a leitura do velocímetro do carro é indireta, pois há um mecanismo de 
calibração de distância que utiliza o perímetro do pneu para determinar a 
distância percorrida, e um comparador que determina o tempo de cada volta, 
permitindo assim a determinação da velocidade. Aceleração é outro exemplo de 
medida indireta, seja ela feita por meio das medidas diretas da força e massa ou 
da variação de velocidade. 
Grandezas fundamentais como distância, tempo e massa são tipicamente 
feitas de forma direta, pela comparação com padrões. O padrão é basicamente 
o que estabelece a unidade de uma dada grandeza. Comparando-se diretamente 
aquilo que queremos medir com o padrão, tiramos um valor numérico, que expressa 
 
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quantas vezes a grandeza de interesse é maior ou menor que aquele padrão e, 
assim, determinamos tanto a parte numérica quanto a unidade daquela medida. 
Incertezas e erros de medida: As grandezas ou propriedades físicas 
têm um valor exato, mas o resultado final do processo de medida, que sempre 
tem associado a si alguma incerteza, nunca expressa o valor exato dessas 
grandezas. Fatores, dos mais diversos, impedem-nos de obter, de forma simples, 
o valor verdadeiro de uma grandeza. Toda medida está sujeita aos chamados 
“erros de medida”. Estes erros podem ser de dois tipos: erros estatísticos e 
erros sistemáticos. 
Os erros estatísticos, ou aleatórios, podem ser causadas pelo operador 
do instrumento de medida, por alterações momentâneas no ambiente da medida, 
por flutuações no circuito do instrumento etc. Sua característica principal é que 
este tipo de erro não tem uma tendência ou direção única para ocorrer e, por 
isto, se caracteriza por uma aleatoriedade no valor medido, tipicamente em torno 
de um valor médio. 
O erro sistemático, por outro lado, advém de defeitos de calibração ou 
vícios no processo de medida. Eles ocorrem sempre na mesma direção e, 
portanto, apresentam uma tendência que provoca um desvio do valor medido do 
valor verdadeiro. 
Enquanto os erros estatísticos podem ser minimizados por medidas 
repetitivas e realização de médias e análises estatísticas, os erros sistemáticos 
não permitem fazer isto. Estes são os erros mais complicados de serem 
determinados e eliminados no processo de medida de qualquer grandeza.

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