Dez armadilhas mentais que atrapalham a tomada de decisão
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Dez armadilhas mentais que atrapalham a tomada de decisão


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Dez armadilhas mentais que
atrapalham a tomada de decisão
Que o ser humano não é completamente racional o é
novidade para ninguém. Mas o surpreendente é que cometemos
equívocos de pensamento mesmo quando acreditamos que
estamos usando a lógica.
Essas escorregadas são a matéria -prima do livro A Arte de
Pensar Claramente(Objetiva, 32,90 reais, 320 páginas), escrito por
Rolf Dobelli, ex-executivo do gruposuíço de aviação Swissair,
cofundador da empresa Getabstract, especializada em resumos de
livros, e criador do Zurich Minds, organização sem fins lucrativos
que visa discutir novas ideias nos campos da ciência, arte e
negócios.
Partindo de episódios cotidianos, pesquisas científicas e
estudos psicológicos, o autor mostra que, ao usar o senso comum,
as pessoas cometem erros de decisão sem nem mesmo perceber.
Para melhorar o raciocínio lógico e a tomada de decisões,
Rolf nada contra a corrente (inclusive de uma de suas empresas) e
afirma que é necessário aumentar o contato c om textos longos
dos livros, principalmente. “Sou contra notíc ias superficiais, não leio
jornal e não me faz falta”, diz o autor. “Além de nos dar uma noção
equivocada dos riscos, as notícias curtas nos fazem acreditar que
entendemos o mundo, e o fato é que não entendemos.”
A seguir, descubra quais são os dez erros de raciocínio mais
recorrentes, de acordo com Rolf, e saiba o que fazer para não
cometê-los.
Como se proteger de deslizes na hora de fazer escolhas
1 - Ter excesso de confiança
O conhecimento e a capacidade de prognosticar c ostumam
ser superestimados pelas pessoas. A maneira mais comum para
testar o chamado efeito de excesso de confiança, abordado pela
primeira vez pelos pesquisadores Marc Alpert e Howard Raiff a, era
por meio de jogos de adivinhação, perguntando às pessoas quanto
estavam seguras em relação a uma opinião específica ou às
respostas que davam.
Elas erravam muito mais do que acreditavam ainda mais se
fossem especialistas. O c eticismo é a arma contra essa armadilha.
Duvidar das próprias projeções e pensar em cenários pessimistas é
importante para decidir melhor.
2- Iludir-se com a fama
Sofremos a ilusão do c orpo de nadador. A expressão é de
Nassim Taleb, autor de A Lógica do Cisne Negro. Ele decidiu nadar
duas vezes por s emana c om a ilusão de que ficaria com a silhueta
semelhante à dos profissionais.
Mas notou que os atletas não têm esse físico por ser bons
nadadores: nadam bem porque têm corpo adaptável ao esporte. O
mesmo pode ser aplicado à Universidade Harvard.
Muitos profissionais bem-sucedidos estudaram lá. Isso
significa que é uma boa escola? Não. Apenas que recruta os
melhores alunos. Para qualquer projeto que exija esforço, analise
seu perfil e seja bastante sincero antes de pular na piscina.
3 - Acreditar na unanimidade
Em 1950, o psicólogo Solomon Ash comprovou como a
pressão do grupo desvirtua o bom senso. Uma pessoa avaliava o
tamanho de algumas linhas.
Quando estava sozinha, costumava acertar. Mas, quando
dividia a sala com um ator que respondia errado de propósito, tinha
mais propensão a errar. Em 30% dos c asos, a pessoa avaliada
creditava a resposta equivocada. É uma fragilidade que requer
atenção: desconfie das unanimidades.
4 - Só enxergar os sucessos
O chamado “viés de sobrevivência” é, de acordo com o aut or,
o fato de que os seres humanos superestimam sistematicamente a
probabilidade de sucesso.
Como o s ucesso produz maior visibilidade do que o fracasso,
tendemos a olhar mais para as histórias que der am certo e menos
para projetos, investimentos e carreiras que não decolaram.
Um escritor de sucesso, por exemplo, é um em meio a
centenas de autores que nunca conseguiram publicar um livro. A
maneira correta de encarar a realidade é conhecer projetos,
empresas e produtos que deram errado.
5 - Sentir medo das autoridades
É comum acreditar que desobedecer às autoridades pode ser
perigoso. Mas, para Rolf, os líderes também erram. O que não pode
ser feito é levar o pensamento a um nível inferior para não
contrariar o chefe ou por temê-lo.
Isso faz com que as pessoas obedeçam a ordens esdrúxulas.
Mantenha-se crítico e desafie quem, teoricamente, sabe mais. Isso
aumenta a liberdade e a autoconfiança.
6 - Achar que, se não aconteceu, nunca vai acontecer
Esse pensamento é chamado de “viés de disponibilidade” e
ocorre, por exemplo, quando alguém pensa que, se conhece uma
pessoa que sempre f umou e morreu aos 100 anos, o cigarro não é
tão prejudicial.
É um engano perigoso, pois cria um falso mapa de riscos
mental. Foge disso quem convive com pessoas que t êm opiniões e
estilos de vida diferentes: a diversidade funciona como um escudo.
7 - Ficar preso à reciprocidade
A reciprocidade se resume a ajudar o outro porque ele o
ajudou. O cientista Robert Cialdini, que pesquisou o assunto,
constatou que o ser humano não gosta de se sentir culpado.
Por isso, fica pressionado a retribuir e pode misturar as
relações, como favorecer um cliente que ofereceu ingressos para o
futebol. A melhor estratégia é recusar presentes e favores.
8 - Pensar que muito esforço significa bons resultados
Quando alguém dedica muita energia a uma taref a, tende a
superestimar os resultados. O nome disso é justificativa do esforço.