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Clínica Cirúrgica 5  - Sd. Álgica 3 (Dor Lombar)

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prevenir as deformidades articulares e complicações.
Medidas gerais: postura ereta, dormir em decúbito dorsal em colchão firme, praticar exercícios físicos como natação e fisioterapia.
Os AINE são efetivos no controle da dor e da rigidez. São terapia de primeira linha (Indometacina).
Os glicocorticóides sistêmicos (Prednisona) NÃO devem ser prescritos. Não melhoram os sintomas e pioram a osteoporose vertebral.
Podem ser usados ainda: sufassalazina, inbidores do TNF-alfa.
Osteoartrose (Artrose)
É uma doença degenerativa das articulações sinoviais, caracterizada clinicamente por dor articular com limitação funcional, radiologicamente pela presença de osteófitos, redução do espaço articular e esclerose do osso subcondral e histologicamente pela perda da integridade da cartilagem articular.
É uma doença da população idosa, sendo que a grande maioria dos pacientes apresenta apenas alterações radiológicas, sem quadro clínico. Vale ressaltar também que o quadro clínico não guarda boa relação com o quadro radiológico.
As articulações mais acometidas são as da coluna vertebral, as interfalangianas distais, os joelhos e o quadril.
A OA da coluna vertebral predomina na coluna cervical e lombar. A dor piora com a extensão da coluna (diferente da hérnia de disco que piora com a flexão).
Os principais fatores de risco para a OA idiopática são a idade, sexo feminino, historia familiar e obesidade. A OA pode ser secundária a trauma, defeitos articulares, endocrinopatias e distúrbios metabólicos.
O principal sintoma é a dor articular precipitada ou piorada pelo uso da articulação. Além da dor outra queixa frequente é a rigidez matinal, que dura menos que 30 minutos. Outros sintomas incluem redução da amplitude do movimento articular e fraqueza da musculatura periarticular. 
O diagnóstico é dado pela clínica + radiografia que evidencia:
Presença de osteófitos
Redução do espaço articular
Esclerose e colapso do osso subcondral
O liquido articular não é inflamatório (< 2.000 leuc/mm³, com predomínio de MMN), VHS, PCR e fator reumatoide e FAN costumam estar negativos.
O tratamento não farmacológico consiste em redução de peso, calçados acolchoados, palmilhas e exercícios físicos.
Para pacientes com OA sem sinais inflamatórios, apenas analgésicos comuns como paracetamol. Na OA inflamatória, está indicado o uso de AINES. Injeção intra-articular de corticoide nos casos de dor refratária.
Doenças Neoplásicas
Mieloma Múltiplo
É o principal representante das neoplasias plasmocitárias. Afeta caracteristicamente a população > 50 anos, mais comumente no sexo masculino e da raça negra.
Os marcos da doença são: gamopatia monoclonal, anemia, dor óssea, hipercalcemia e insuficiência renal.
As células do mieloma se proliferam na medula óssea, ocupando o espaço das células hematopoiéticas, liberando substancias que inibem a proliferação dos eritroblastos e que ativas os osteoclastos.
Há uma importante inversão na relação albumina-globulina na eletroforese de proteínas. A imunoeletroforese serve para descobrir qual a imunoglobulina que está tendo o pico monoclonal (componente M).
As anomalias cromossomiais são encontradas em até 50% dos casos, incluindo a monossomia do 13, a trissomia do 9 e algumas translocações.
Os tipos de MM em ordem de incidência são: IgG > IgA > Cadeia Leve (mau prognóstico) > IgD (pior prognóstico) > IgE
Os sintomas aparecem de forma lenta e progressiva, acometendo especialmente o sistema hematológico, os ossos e a função renal.
O termo mieloma múltiplo vem do fato da doença acometer múltiplos focos da medula óssea funcionante. Esses ossos podem ser a fonte de dores continuas, sede de fraturas patológicas e lesões líticas na radiografia.
A anemia é decorrente não só da ocupação medular, mas principalmente de fatores inibitórios na eritropoiese secretados pelas células do mieloma.
Em cerca de 80% dos casos de mieloma múltiplo, a cadeia leve do componente M aparece na urina, recebendo o nome de proteína de Bence-Jones. Por ser toxicas aos túbulos renais essa proteína pode causar uma nefropatia crônica, o rim do mieloma.
A destruição óssea continua promove a liberação de cálcio. A hipercalcemia e hipercalciúria resultantes podem contribuir ou causar a insuficiência renal. Pode ocorrer disfunção tubular proximal – Sindrome de Fanconi.
Apesar do numero total de imunoglobulinas estar bastante alto devido ao componente M, os níveis plasmáticos das imunoglobulinas normais encontra-se baixo, sendo esse um dos principais mecanismos da susceptibilidade a infecções dos pacientes com mieloma múltiplo. A infecção bacteriana é a principal causa de morte no paciente com MM. O paciente possui tanto problema com a imunidade humoral, quanto na celular. Os agentes mais envolvidos são o S. pneumoniae e o H. influenzae. A antibioticoprofilaxia com STZ+TMT tem se mostrado eficaz.
Os pacientes costumam se queixar de dor do tipo reumática, intermitente e localizada principalmente em região lombar. As fraturas patológicas são freqüentes. Pode ocorrer achatamento das vértebras. A dor chama atenção por ser resistente ao uso de AINES. As alterações radiológicas consistem sempre em lesões líticas. O principal diagnostico diferencial é com metástases ósseas líticas encontradas no carcinoma de mama, pulmão e tireóide. A dor é movimento-dependente e a fosfatase alcalina não está aumentada. A cintilografia óssea não serve como exame diagnóstico.
A amioloidose AL (cadeia leve) ocorre em 10% dos pacientes com MM. Os órgãos mais afetados são a língua (macroglossia), coração, nervos periféricos e glomérulos, com síndrome nefrótica manifesta. 
A hiperuricemia crônica é um achado freqüente nos pacientes com MM, por se tratar de uma neoplasia hematológica de alto turn over celular. Com a quimioterapia pode se instalar a síndrome de lise tumoral.
O envolvimento neurológico pode se dar por compressão medular, crise hipercalcêmica ou polineuropatia periférica.
O diagnostico de MM é dado pelo achado obrigatório de plasmocitose medular > 10% e mais um dos seguintes achados: componente M no soro ou proteína de Bence-Jones, ou lesão em órgão alvo (CARO = C-hipercalcemia, Anemia, R – Insuficiencia Renal, O- Lesões óssea líticas).
O tratamento visa qualidade de vida e não a cura do paciente. Pacientes sem comorbidades emprega-se o Transplante de Medula óssea. Já nos pacientes com comorbidades associadas, a QT é empregada. Como tratamento adjuvante, usa-se os bifosfanados no combate às lesões ósseas.