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FARMACOLOGIA 08 - Anti-hipertensivos - MED RESUMOS (SET-2011)

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Arlindo Ugulino Netto – FARMACOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009.1
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MED RESUMOS 2011
NETTO, Arlindo Ugulino.
FARMACOLOGIA
DROGAS ANTI-HIPERTENSIVAS
(Professora Katy Lísias)
Os anti-hipertensivos s€o drogas utilizadas na clnica m‚dica para tratar o aumento da press€o arterial e realizar 
o controle dos mecanismos fisiolƒgicos que contribuem para este aumento. Como sabemos, a press€o arterial ‚ 
resultado do produto entre o débito cardíaco (volume de sangue ejetado do cora„€o por minuto = frequ…ncia cardaca x 
volume sistƒlico) e a resistência periférica normal (for„a que o sangue exerce sobre a parede dos vasos). Desta rela„€o, 
temos:
Press€o Arterial = Dbito Card‚aco x Resistƒncia Perifrica Total
O d‚bito cardaco, por sua vez, ‚ influenciado pela 
frequ…ncia cardaca e pelo volume de eje„€o sistƒlica. Al‚m disso, 
segundo a Lei de Frank-Starling, o cora„€o, em condi„†es 
normais, ‚ capaz de se adaptar ao volume de sangue que a ele 
chega, sem que haja ac‡mulo de sangue nos demais vasos.
As drogas anti-hipertensivas (DAH) podem agir nos dois 
parˆmetros cardiovasculares: vasos e cora„€o. Quanto maior for a 
contra„€o vascular ou o d‚bito cardaco, maior ser‰ a press€o 
arterial. A a„€o sobre esses fatores (ou seja, diminuir o tŠnus 
vascular, causando o relaxamento vascular, ou diminuindo o d‚bito 
cardaco) caracteriza o principal mecanismo de a„€o das DAH. 
OBS1: Quanto ‹ etiologia, a hipertens€o pode ser classificada como essencial (prim„ria) ou adquirida (secund„ria). A hipertens€o 
prim‰ria (que acomete 90% dos pacientes) ‚ aquela cuja etiologia ‚ desconhecida, sendo, por muitas vezes, atribudos fatores 
gen‚ticos, ingest€o excessiva de sal, obesidade, estresse ou uso de bebidas alcoƒlicas. A hipertens€o secund‰ria (10% dos 
pacientes, sendo eles, a maioria, crian„as e jovens), por sua vez, apresenta fatores conhecidos e de diagnƒstico objetivo, sendo 
associadas, geralmente, a doen„as renais (glomerulonefrites, insufici…ncia renal), doen„as endƒcrinas (doen„a de Cushing, 
acromegalia), doen„as vasculares (coarcta„€o da aorta, estenose da art‚ria renal), toxemia gravdica, medicamentos 
(anticoncepcionais e corticƒides), etc. As medidas farmacolƒgicas abordadas neste captulo visam o controle da hipertens€o arterial 
prim‰ria.
CONTROLE AUTNOMO DA PRESS‚O ARTERIAL
Para entender a a„€o de certas drogas que agem regulando a press€o arterial, ‚ necess‰rio relembrar o tipo de 
inerva„€o autonŠmica sobre o cora„€o e os vasos. O cora…€o recebe inerva„€o simp‰tica via receptores β1, 
determinando um aumento cronotropismo e inotropismo positivo (aumento da velocidade e da for„a de contra„€o), 
enquanto que recebe inerva„€o parassimp‰tica via receptores M2, a qual diminui ambos.
Os vasos sangu‚neos recebem inerva„€o simp‰tica direta via 
receptores α1 (que determinam vasoconstri„€o a partir de sua maior afinidade 
com a noradrenalina) e β2 (que determinam vasodilata„€o a partir de sua maior 
afinidade com a adrenalina secretada pelas c‚lulas cromafins da adrenal). Os 
receptores β2 est€o localizados principalmente nos vasos que suprem a 
musculatura esquel‚tica. H‰ ainda a influ…ncia do fator de relaxamento derivado 
de endotélio (FRED), substˆncia produzida pelo endot‚lio com fun„€o de realizar 
o relaxamento da musculatura lisa dos vasos. O FRED ‚ representado pelo 
prƒprio ƒxido ntrico (NO), originado da convers€o da citrulina em arginina (pela 
enzima NO sintase), que difunde para a musculatura lisa dos vasos e estimula a 
ativa„€o de guanilato ciclase, o qual converte GTP em GMPc, respons‰vel pelo 
relaxamento muscular do vaso e a consequente vasodilata„€o (pois em grandes 
concentra„†es, interfere na libera„€o de Ca2+ para o citoplasma de c‚lulas 
musculares). O mecanismo ‚ o seguinte: a ACh estimula receptores muscarnicos 
presentes no endot‚lio, o que faz com que a enzima NO sintase converta citrulina 
em arginina + NO, sendo este o prƒprio FRED. O NO se difunde para a 
musculatura vascular e ativa uma guanilato cilase, a qual converte GTP em 
GMPc, sendo este o real respons‰vel pelo relaxamento.
Al‚m de agir sobre o d‚bito cardaco e o calibre vascular, temos ainda o controle da diurese por meio do 
hipot‰lamo e sistema endƒcrino, e sistema renina-angiotensina-aldosterona, evidenciando o controle renal da press€o 
arterial.
Arlindo Ugulino Netto – FARMACOLOGIA – MEDICINA P4 – 2009.1
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CLASSIFICAƒ‚O DAS DROGAS ANTI-HIPERTENSIVAS (DAH)
Como qualquer doen„a crŠnica e incur‰vel, ao ser diagnosticada, a hipertens€o deve ser tratada/controlada ao 
longo do resto da vida do paciente. Por esta raz€o, ‚ cada vez mais necess‰rio a descoberta de novas drogas e o 
desenvolvimento de terapias alternativas.
Devido ao uso crŠnico destas drogas, acontece que alguns pacientes, mesmo com o uso regular e contnuo de 
uma mesma DAH, observa sua press€o voltar a subir apƒs algum tempo de tratamento. Na realidade da clnica m‚dica, 
deve haver um revezamento ou um rodzio entre os demais f‰rmacos para evitar a dessensibilização (ou taquifilaxia) 
dos receptores deste f‰rmaco. Por esta raz€o, h‰ um grande n‡mero de classes de anti-hipertensivos, sendo as 
principais classes as seguintes:
1. Vasodilatadores diretos; 
2. Antagonistas de canais de Ca2+;
3. Diur‚ticos;
4. Inibidores da ECA;
5. Antagonista do receptor AT1;
6. Antagonista dos receptores α- adren‚rgicos;
7. β-bloqueadores;
8. Simpatolticos de a„€o central.
VASODILATADORES DE AÇÃO DIRETA
Os f‰rmacos anti-hipertensivos classificados como vasodilatadores de a„€o direta podem ser dos seguintes 
tipos: ativadores (ou abridores) dos canais de K+, hidralazinas e nitratos orgˆnicos.
 Ativadores dos canais de K+: s€o f‰rmacos capazes de ativar os canais de pot‰ssio presentes em uma c‚lula. 
Como se sabe, as fun„†es principais dos canais de K+ s€o: (1) modular a abertura dos CaV; (2) relaxam m‡sculo 
liso vascular por produzirem hiperpolariza„€o das membranas e consequente fechamento dos CaV. Estes canais 
de c‰lcio apresentam uma sequ…ncia de amino‰cidos capazes de detectar a polaridade da membrana celular 
naquele momento: se a membrana torna-se positiva (despolarizada), os canais de abrem; quando a membrana 
torna-se negativa (polarizada), os canais se fecham.
o Uma vez abertos, os canais de K+ garantem a sada de pot‰ssio da c‚lula, a qual sofrer‰ com uma 
redu„€o dr‰stica na concentra„€o de prƒtons intracelulares, passando para um estado de 
hiperpolariza„€o. Devido a esta hiperpolariza„€o, os canais de c‰lcio volt-dependentes (CaV) sofrem um 
fechamento, impedindo a entrada de c‰lcio para dentro da c‚lula, diminuindo as concentra„†es deste 
ons dentro da c‚lula. Se isso ocorrer em uma c‚lula de m‡sculo liso, o relaxamento e a dilata„€o 
vascular s€o promovidos. Ao diminuir a resist…ncia vascular, estes f‰rmacos s€o capazes de diminuir a 
press€o arterial.
o Estas drogas podem ser utilizadas para o tratamento da alopecia (queda de cabelo) quando esta ‚ 
devida a um d‚ficit no fluxo sanguneo local.
Ex: Cromakalim; Minoxidil; Nicorandil (IkorelŽ). Esta ‡ltima apresenta uma atividade doadora de NO.
 Hidralazina: esta droga ‚ capaz de realizar vasodilata„€o por um mecanismo de a„€o ainda n€o t€o claro, mas 
admite-se que ela interfere na a„€o do IP3 sobre a libera„€o de Ca
2+ do retculo. Ela bloqueia o receptor de IP3
localizado na membrana do retculo endoplasm‰tico liso que, quando bloqueado, evita a sada de c‰lcio da 
organela para o meio, impedindo a contra„€o muscular.
 Nitratos orgânicos: estes vasodilatadores de a„€o direta 
apresentam em sua mol‚cula o grupo nitro e quando 
administrada, libera de sua estrutura qumica o NO, que 
funciona semelhante ao fator principal de relaxamento 
muscular – o NO endotelial. O ƒxido ntrico liberado da 
droga, uma vez no organismo do paciente, passa a 
exercer um mecanismo semelhante ao NO endotelial: se 
liga em seu receptor na c‚lula de um m‡sculo

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