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O	NOVO	INCONSCIENTE	E	A	TERAPIA
COGNITIVA
Chapter	·	February	2012
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Marco	Callegaro
Instituto	Catarinense	de	Terapia	Cognitiva
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O NOVO INCONSCIENTE E A TERAPIA COGNITIVA 
Marco Montarroyos Callegaro 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
Neste capítulo, explora-se a utilidade do conceito de processamento inconsciente 
na estrutura teórica da Terapia Cognitiva, em especial na Terapia focada no Esquema 
(Schema Therapy) de Jeffrey Young (1990; 1999), uma abordagem integrativa que 
expande a Terapia Cognitivo-Comportamental tradicional (Young, Klosko & Weishaar, 
2003). Examinaremos alguns conceitos da Terapia Cognitiva contemporânea e da Terapia 
Focada em Esquemas, procurando demonstrar sua relação com o processamento 
inconsciente. O modelo do novo inconsciente (new unconscious framework) será 
apresentado e integrado como fundamento subjacente dos construtos teóricos da Terapia 
Cognitiva e da Terapia Focada em Esquemas. Procura-se ilustrar alguns aspectos do novo 
modelo do inconsciente com exemplos clínicos e estabelecer relações com conceitos 
familiares aos terapeutas cognitivos como pensamentos automáticos, distorções 
cognitivas, esquemas disfuncionais e mecanismos de evitação cognitiva, comportamental 
e afetiva. 
ASPECTOS HISTÓRICOS 
 
Na visão atual das neurociências sobre o funcionamento do sistema cérebro-
mente, a maior parte da atividade mental é inconsciente e apenas uma pequena parte está 
envolvida nos processos mentais conscientes (Damásio, 1999, 2000, 2003; Squire & 
Kandel, 2003; Schacter, 2003; Squire, 1987). Na tradicional concepção Freudiana, esta 
idéia é representada na metáfora do iceberg como modelo da mente, onde a maior parte 
está submersa e a atividade mental consciente corresponderia ao topo visível. Embora a 
 4
metáfora do iceberg seja válida, o modelo detalhado sobre o funcionamento mental 
inconsciente que Freud concebeu, o inconsciente dinâmico, em sua maior parte não 
corresponde aos conceitos atuais em Terapia Cognitiva. A evidência sobre os principais 
componentes do inconsciente dinâmico não pode ser observada, mensurada com precisão 
ou manipulada experimentalmente, tornando as hipóteses infalsificáveis (Hassan, 2005). 
A maior parte da atividade mental é composta por computação neural inconsciente, mas 
este processamento não corresponde ao conceito de inconsciente dinâmico, o que exige 
uma nova formulação, um “novo inconsciente” (Hassin, Uleman e Bargh, 2005). 
Do ponto de vista da história das idéias sobre o inconsciente, verifica-se que a 
hipótese freudiana desde sua popularização foi o único referencial abrangente disponível, 
uma vez que nenhuma teoria científica alternativa tinha sido formulada para explicar o 
funcionamento mental inconsciente. No entanto, por volta década de 1980, a revolução 
cognitiva na psicologia estava atingindo seu ápice, e a metáfora favorita para a mente era 
o computador. Na literatura de ciências cognitivas e neurociências, cresciam as pesquisas 
sobre processamento inconsciente nas áreas de “processos automáticos”, ou “memória 
implícita”. Foi neste contexto que surgiu pela primeira vez a proposta de uma visão sobre 
a mente inconsciente baseada nas ciências cognitivas, um modelo que foi chamado de 
“Inconsciente Cognitivo”. 
Esta nova teoria sobre os processos inconscientes, diferente da concebida por 
Freud, foi formulada pelo psicólogo John Kihlstrom, que cunhou a expressão 
“inconsciente cognitivo” em um artigo publicado na revista Science (Kihlstrom, 1987). 
Fundando-se no conceito de mente como mecanismo de processamento de informação, 
Kihlstrom utilizou a teoria computacional, a Psicologia Cognitiva e as Ciências 
 5
Cognitivas como substrato teórico para entender o funcionamento consciente e 
inconsciente. Para Kihlstrom, o funcionamento mental envolve processos inconscientes e 
conteúdos conscientes. Os conteúdos conscientes provêm do processamento de 
informações, mas não estamos conscientes do processamento em si, somente do resultado 
final. 
O inconsciente cognitivo apresentou-se como um modelo alternativo sobre a 
mente inconsciente. A idéia central de Kihlstrom sobre o funcionamento do 
processamento inconsciente é a de que o cérebro efetua muitas operações complexas cujo 
resultado pode se transformar em conteúdo consciente, embora não tenhamos acesso às 
operações que originam este conteúdo (Kihlstrom, 1984, 1985; Kihlstrom & Cantor, 
1984). Segundo Kihlstrom (Glaser & Kihlstrom, 2005), desde sua formulação pioneira, 
várias pesquisas importantes expandiram ainda mais o modelo inicial. Estudos 
demonstraram que respostas avaliativas podem ocorrer automaticamente, e que esta 
avaliação automática é um fenômeno comum. O afeto passou a ser enfocado, expandindo 
a noção inicial, com ênfase predominantemente cognitiva, para um novo modelo, onde 
todos os principais processos mentais podem operar automaticamente. Esta nova 
conceitualização inclui processos como perseguição inconsciente de metas, por exemplo. 
Segundo Uleman (2005, p. 6), as principais diferenças entre o inconsciente cognitivo e o 
novo modelo estão relacionadas à ênfase na pesquisa do processamento inconsciente 
envolvido no afeto, motivação, auto-regulação, e mesmo controle e metacognição. 
Este novo modelo tem seu marco fundamental a partir do livro The New 
Unconscious (Hassin, Uleman & Bargh, 2005), obra na qual os pesquisadores mais 
importantes da área que examinam o novo conceito do inconsciente do ponto de vista 
 6
social, cognitivo e neurocientífico, mostrando um quadro onde os processos inconscientes 
podem perseguir metas e realizar processamento complexo de informação. 
O novo modelo do inconsciente, ou como denominaremos doravante, o novo 
inconsciente, é a alternativa teórica mais coerente e compatível com os fundamentos 
científicos e epistemológicos da Terapia Cognitiva contemporânea. Não é possível 
acomodar os conceitos psicanalíticos do inconsciente dinâmico com a teoria e pesquisa 
de TC, uma vez que a psicanálise ou terapias de base dinâmica são as práticas que, em 
nível psicoterápico, correspondem ao emprego destes conceitos, como, por exemplo, a 
livre associação. O novo inconsciente é o modelo de funcionamento inconsciente que 
oferece fundamento compatível com as teorias cognitivas. 
Na literatura de Terapia Cognitiva, existe tendência de evitar o uso do termo 
“inconsciente” pela conotação psicanalítica que invariavelmente é associada a este 
conceito, empregando-se termos como processos automáticos ou implícitos. No entanto, 
se utilizarmos o modelo do novo inconsciente como referencial teórico de suporte, 
podemos empregar vantajosamente o termo “inconsciente” na teoria e pesquisa em 
Terapia Cognitiva. Analisaremos a seguir a relação entre o novo inconsciente e um dos 
conceitos mais utilizados em terapia cognitiva, a noção de esquema. 
ESQUEMAS DISFUNCIONAIS INCONSCIENTES 
Segal (1988) definiu um esquema como um conjunto de “elementos organizados 
de reações e experiências passadas que formam um corpo de conhecimento relativamente 
coeso e persistente, capaz de guiar a percepção e a avaliação subseqüente” (p.147). 
Conforme Beck (1982/1979), o conceito de esquema em Terapia Cognitiva refere-se a 
uma rede estruturada e inter-relacionada de crenças que podem ser ativadas ou 
 7
desativadas conforme a presença ou ausência de experiênciasestressantes. Um esquema é 
uma estrutura cognitiva que processa informação e que 
 
(...) filtra, codifica e avalia os estímulos aos quais o organismo é submetido... 
Com base na matriz de esquemas, o indivíduo consegue orientar-se em relação ao 
tempo e espaço e categorizar e interpretar experiências de maneira significativa 
(Beck, 1967, p. 283). 
Em relação ao processamento inconsciente, Beck (1967) argumenta que os 
esquemas disfuncionais podem explicar o fenômeno da repetição de padrões de 
comportamento que os psicanalistas identificaram clinicamente, e sobre o qual Freud 
teorizou. As imagens, sonhos e associações livres apresentam temas recorrentes ligados 
aos esquemas, que podem ficar inativos e depois serem “energizados ou desenergizados 
rapidamente, como resultados de mudanças no tipo de input do ambiente” (p. 284). Os 
esquemas disfuncionais podem infiltrar-se na arquitetura mental do sujeito e passar a 
conduzir sua forma de interpretar os acontecimentos, resultando em uma percepção 
distorcida e tendenciosa, refletindo-se “nas típicas concepções errôneas, atitudes 
distorcidas, premissas inválidas, metas e expectativas pouco realistas” (p. 284). 
Podemos seguramente concluir que esquemas disfuncionais são mecanismos 
inconscientes, mas de um novo inconsciente, não do inconsciente dinâmico da 
psicanálise. A razão principal que leva os teóricos a evitarem o termo é, provavelmente, o 
cuidado para evitar confusão conceitual ocasionada por um problema semântico – o 
termo inconsciente praticamente subentende o inconsciente dinâmico concebido e 
popularizado por Freud. O terapeuta cognitivo Arthur Freeman (1998) argumenta que os 
esquemas são mecanismos inconscientes que afetam nosso comportamento, cognição, 
 8
fisiologia e emoções, e se tornam, com o passar do tempo, a própria definição da pessoa 
(individualmente e como parte de um grupo). Referindo-se aos esquemas, Freeman 
acredita que “pode-se dizer que eles são inconscientes, usando-se uma definição do 
inconsciente como idéias das quais não temos consciência” (p. 32). Ou seja, os esquemas 
podem ser adequadamente descritos como mecanismos inconscientes, se adotarmos a 
noção de um novo inconsciente. 
Os esquemas manifestam-se em padrões complexos de pensamentos, que são em 
geral empregados mesmo na ausência de dados ambientais, e podem servir como um 
mecanismo cognitivo que transforma os dados que chegam, fazendo com que fiquem em 
conformidade com idéias preconcebidas (Beck, 1963; 1964; Beck & Emery, 1985). 
Na terapia cognitiva, são examinados os pensamentos automáticos do paciente 
para conceitualizar o caso, inferindo-se as crenças condicionais e as centrais, que refletem 
esquemas implícitos mais antigos, os esquemas iniciais desadaptativos. Os pensamentos 
automáticos são resultados conscientes do processamento esquemático inconsciente, que 
emerge na vida mental explícita como imagens ou pensamentos verbais. Produtos 
declarativos do processamento inconsciente, os pensamentos automáticos são resultado 
da tradução em palavras, ou em imagens mentais conscientes, dos resultados da operação 
de mecanismos de avaliação implícitos, produzidas por esquemas tácitos. Quando 
distorcidos e enviesados, os pensamentos automáticos são chamados de disfuncionais, 
enquanto aqueles que refletem a realidade e encontram corroboração em evidências não 
recebem atenção clínica, por serem considerados funcionais. Os pensamentos 
automáticos disfuncionais podem ser reavaliados pelo pensamento consciente e assim 
 9
reestruturados, ocasionando novas interpretações mais condizentes com a realidade e 
mais adaptativas. 
No caso de pacientes com psicopatologias, falhas características no 
processamento de informação mantêm distorções nas experiências de vida, e Beck adotou 
o termo distorções cognitivas para descrever o conjunto de erros sistemáticos de 
raciocínio presentes durante o sofrimento psicológico (Beck, 1987; Beck, Rush, Shaw & 
Emery, 1982/1979). As crenças disfuncionais são perpetuadas através das distorções, 
modos mal-adaptativos de processar informações como, por exemplo, a hipervigilância 
em relação a ameaças ambientais dos pacientes ansiosos ou a excessiva e indevida 
responsabilização pessoal pelas falhas e erros cometidos pelos sujeitos com depressão. 
Apesar do desuso do termo “inconsciente” pela conotação psicanalítica que está 
freqüentemente associada a esta expressão, adotando o modelo do novo inconsciente 
podemos relacionar os modelos cognitivos da TC com o processamento inconsciente. 
Veremos a seguir que os modelos cognitivos podem úteis para compreender os processos 
mentais inconscientes (Hassin, Uleman & Bargh, 2005) e para o desenvolvimento de 
técnicas e estratégias terapêuticas eficazes na modificação dos resultantes padrões 
disfuncionais cognitivos, comportamentais e emocionais. 
 
TC E PROCESSOS MENTAIS INCONSCIENTES 
A Associação Americana de Psicologia (American Psychology Association – 
APA) realizou em 2000 a sua convenção anual em Washington, onde ocorreu um 
encontro entre dois clínicos de grande influência no cenário mundial da psicoterapia, 
Albert Ellis e Aaron Beck. Ambos reconheceram, neste encontro, o valor de algumas 
 10
idéias de Sigmund Freud para suas teorias, particularmente o papel de destacar a 
relevância dos processos mentais inconscientes na determinação do comportamento 
(Chamberlin, 2000). Beck afirmou ter recebido forte influência da “idéia do 
determinismo psicológico” e Ellis declarou sobre Freud que “uma das principais coisas 
que ele fez foi chamar a atenção para a importância do pensamento inconsciente” 
(Chamberlin, 2000). 
O conceito de processamento automático de informação, proveniente da Ciência 
Cognitiva e Psicologia Cognitiva, influenciou o construto de pensamento automático em 
TC. Os pensamentos automáticos são resultados conscientes do processamento 
esquemático inconsciente, que emerge na vida mental explícita como imagens ou 
pensamentos verbais. Aaron Beck, bem como outros teóricos da Terapia Cognitiva 
contemporânea, vem dedicando mais atenção aos processos mentais inconscientes, 
baseando-se na idéia de uma natureza inconsciente no processamento cognitivo de 
informação (Beck & Alford, 2000). 
A memória implícita, também chamada de não-declarativa ou inconsciente 
(Squire & Kandel, 2003; Schacter, 1987, 1992, 1996, 2003), tem sido citada por teóricos 
importantes em TC (por exemplo, Jeremy Safran, 2002) como substrato teórico 
fundamental para compreender cognições que não são acessíveis à percepção consciente 
do paciente, mas que podem ser modificadas pela identificação e testagem das crenças 
relacionadas aos problemas clínicos apresentados. 
Uma memória explícita, conforme Kilhstrom definiu, é aquela que se refere a uma 
lembrança consciente de algum episódio prévio, onde o sujeito lembra deliberadamente 
de algum aspecto da experiência quando questionado (Kihlstrom & cols, 1992, p. 21)., 
 11
Uma memória implícita em contraste é demonstrada por qualquer mudança no 
pensamento ou ação que é atribuível a alguma experiência passada, mesmo sem 
lembrança consciente do evento ocorrido. 
Os esquemas disfuncionais envolvem memórias implícitas, e depois de 
desenvolvidos, servem como modelos para o processamento das experiências ulteriores, e 
acabam desembocando em confirmações automáticas e circulares dos próprios 
esquemas. 
Como um exemplo da atuação de esquemas disfuncionais inconscientes, podemos 
citar uma paciente que estruturou uma auto-imagem como incapaz de ser amada. Esta 
pessoa vai processar a experiência de uma rejeição amorosa como evidência da 
veracidade de suas crenças, reconfirmando-as a cada experiêncianegativa de tal forma 
que parecem certas e reais suas crenças sobre si mesmo, em um processo que cria um 
circuito de retroalimentação ampliando a idéia de ser indigna de amor. O comportamento 
é negativamente influenciado por este conjunto de crenças, fazendo a pessoa agir de 
modo a confirmar sua profecia catastrófica (a previsão sem fundamento de que algo 
catastrófico acontecerá), o que gera continuamente aquilo que é percebido como 
evidência confirmatória dos esquemas. Se o sujeito considera-se indigno de amor, agirá 
de forma tímida, não olhará nos olhos e falará baixo em uma situação social, conduta que 
aumenta sua chance de rejeição. As rejeições que ocorrem confirmam os esquemas em 
um círculo vicioso autoperpetuador. 
Os esquemas estão alojados nos alicerces do self, processando inconscientemente 
os dados da realidade, de forma que estão sempre embutidos em nossas percepções, 
julgamentos, desejos, necessidades, pensamentos e sentimentos. Os esquemas estão 
 12
presentes no funcionamento mental de todos, mas quando são disfuncionais muitas vezes 
estão envolvidos com transtornos de personalidade (um conjunto de transtornos que 
envolvem padrões persistentes e dificuldades crônicas, como personalidade evitativa, 
paranóide, dependente, histriônica, esquizóide ou borderline, por exemplo). 
Normalmente, não estamos conscientes da operação dos esquemas, nem mesmo de sua 
existência, somente dos resultados produzidos, que acabam compondo o núcleo de nossa 
personalidade. Nossa auto-imagem é estruturada pelos esquemas que tem um caráter 
circular, como enfatizam Guidano e Liotti (1983), pois “a seleção de dados da realidade 
externa que são coerentes com a auto-imagem obviamente confirma – de maneira 
automática e circular – a identidade pessoal percebida...” (p. 88-89). 
 
TERAPIA FOCADA NO ESQUEMA 
A terapia focada no esquema foi desenvolvida por Jeffrey Young como uma 
expansão da teoria inicial da TC de curto prazo, e compartilha os elementos que 
caracterizam a terapia cognitiva, como um papel mais ativo para o terapeuta, o uso de 
técnicas de mudança sistemáticas, ênfase nas tarefas de casa, relacionamento terapêutico 
colaborativo e uso de uma abordagem empírica, onde a análise das evidências tem papel 
importante na mudança de esquemas (Young & Klosko, 1994). 
A expansão teórica da terapia focada em esquemas envolve elementos ajustados 
para tratamento dos transtornos de personalidade, sendo portanto mais longa do que a 
TC, dedicando maior tempo para identificar e superar a evitação cognitiva, afetiva e 
comportamental. O modelo desenvolvido por Young enfatiza a confrontação, a 
experiência afetiva, o relacionamento terapêutico como um veículo de mudança, e a 
discussão de experiências iniciais da vida. O modelo de Young se mostra importante para 
 13
o desenvolvimento de uma abordagem psicoterápica (alternativa à psicanálise) para 
abordar em profundidade os processos inconscientes. 
Jeffrey Young propõe cinco construtos teóricos para expandir o modelo cognitivo 
de Beck, os Esquemas Iniciais Desadaptativos, a sistematização de domínios dos 
esquemas, e os conceitos de manutenção, evitação e compensação do esquema. 
Examinaremos a seguir mais detalhadamente estes construtos, procurando enfatizar a 
contribuição da compreensão dos mecanismos mentais inconscientes a partir deste 
modelo. 
ESQUEMAS INICIAIS INCONSCIENTES 
Segundo Young (2003, p. 16), os Esquemas Iniciais Desadaptativos (EIDs) ou 
esquemas primitivos são “crenças e sentimentos incondicionais sobre si mesmo em 
relação ao ambiente”, representando o nível mais profundo da cognição, e “operam de 
modo sutil, fora de nossa consciência” (p. 75). Os EIDs estruturam núcleos profundos do 
self refletidos na auto-imagem tácita, como uma visão de si mesmo inquestionável e 
orgânica. 
Os EIDs se referem a “temas extremamente estáveis e duradouros que se 
desenvolvem cedo durante a infância, são elaborados ao longo da vida e são disfuncionais 
em um grau significativo” (Young, 2003, p. 15). São esquemas inconscientes rígidos e 
incondicionais, como, por exemplo, quando o paciente sente que, não importa o que 
possa fazer, não será amado, mas sim traído em sua confiança e abandonado. O sujeito 
percebe os produtos conscientes de um EID como uma verdade irrefutável sobre si 
mesmo, que é aceita a priori como uma realidade intrínseca e essencial. 
 14
A definição revisada e compreensiva de um Esquema Inicial Desadaptativo 
apresentada por Young e colaboradores (2003, p. 7) caracteriza o EID como um padrão 
disfuncional (em grau significante) amplo e pervasivo, envolvendo a si mesmo e a 
relação com os outros, composto de memórias, emoções, cognições e sensações 
corporais. Este padrão foi desenvolvido durante a infância ou adolescência, e depois 
elaborado através da trajetória de vida da pessoa. 
O núcleo da auto-imagem é integrado pelos EIDs, e estes esquemas vão realizar 
uma série de manobras cognitivas, distorcendo o processamento de dados da realidade 
para manter os esquemas. Isto confere outras características importantes dos EIDs, que 
são seu caráter autoperpetuador e sua resistência a mudança. Desta forma, mesmo que o 
sujeito seja enormemente bem sucedido na vida, isto não acarretaria alteração do 
esquema disfuncional. Os produtos conscientes dos EIDs estruturam um sistema de 
crenças e um conjunto de expectativas rígidas sobre si mesmo e o mundo. 
Os Esquemas Iniciais Desadaptativos são ativados por eventos significativos para 
a pessoa, como, por exemplo, uma tarefa difícil para uma pessoa com esquema de 
fracasso, que pode acionar pensamentos autoderrotistas com elevada carga emocional 
(“não vou conseguir” ou “vou falhar”). Os EIDs implicam em disfuncionalidade 
importante, gerando muitas vezes transtornos mentais ou sofrimento psicológico 
subclínico. 
DOMÍNIOS DE ESQUEMA 
Jeffrey Young (2003) acredita que os esquemas iniciais disfuncionais originam-se 
pela ação combinada de fatores biológicos e de temperamento com os estilos parentais e 
as influências sociais às quais a criança é exposta. Como exemplos, podemos citar uma 
 15
criança biologicamente hiper-reativa à ansiedade que pode ter dificuldade de superar a 
dependência em direção à autonomia, ou um adolescente de temperamento tímido, que 
pode estar predisposto a apresentar um esquema de isolamento social. 
A teoria do esquema identificou até o momento 18 Esquemas Iniciais 
Desadaptativos, que são agrupados em cinco amplos domínios de esquema. Young (2003, 
p. 24) argumenta que existem cinco tarefas desenvolvimentais primárias que a criança 
necessita realizar para se desenvolver de forma sadia – conexão e aceitação, autonomia e 
desempenho, auto-orientação, limites realistas e auto-expressão, espontaneidade e 
prazer. Uma criança pode desenvolver EIDs em um ou mais domínios de esquema, 
quando não consegue progredir de forma sadia em função de experiências parentais e 
sociais inadequadas e predisposições temperamentais. Um exemplo disto seria quando os 
problemas no estabelecimento de conexão com as outras pessoas e de um sentimento de 
aceitação por parte dos outros leva a desenvolver EIDs no domínio Desconexão e 
Rejeição. Outro exemplo ocorre quando as dificuldades na aprendizagem de autocontrole 
e senso de limites podem induzir EIDs no domínio Limites Prejudicados. 
PROCESSOS DE ESQUEMAS 
Os EIDs contêm “memórias, emoções, sensações corporais e cognições” (Young, 
Klosko & Weishaar, 2003, p. 32), mas não envolvem as respostas comportamentais; o 
comportamento não é parte do esquema, é parte do estilo de enfrentamento. Segundo 
Young e colaboradores (2003, p. 33), todos os organismos apresentam basicamente três 
respostasquando percebem uma ameaça: luta, fuga ou congelamento (freeze). A ameaça 
é a frustração de uma necessidade emocional profunda no desenvolvimento afetivo da 
criança (como ligação segura com os outros, autonomia, auto-expressão livre, 
 16
espontaneidade e limites realísticos) ou mesmo o medo das intensas emoções que o 
esquema desencadeia. Sentindo-se ameaçada, a criança reage com um estilo de 
enfrentamento (coping style) que naquele momento é adaptativo, mas torna-se 
disfuncional à medida que a criança cresce, com as mudanças das condições. O padrão de 
comportamento que era adaptativo na infância passa a ser desadaptativo para o adulto, e o 
paciente fica aprisionado na rigidez de seu estilo de enfrentamento. 
Portanto, os estilos de enfrentamento desadaptativos, apesar de auxiliarem o 
sujeito a não experimentarem as emoções intensas e opressivas engendradas pelos 
esquemas, servem como elementos importantes da perpetuação dos mesmos. 
Os três estilos de enfrentamento dos EIDs, que são a supercompensação, a 
subordinação, e a evitação do esquema, podem ocorrer no plano afetivo, comportamental 
ou cognitivo. Os três estilos correspondem às respostas comportamentais de luta, fuga ou 
congelamento. Lutar contra o esquema equivale a supercompensar, fugir é equivalente a 
subordinar-se e o congelamento equivale a evitação. Os três estilos de enfrentamento 
geralmente operam inconscientemente, e em cada situação, o paciente provavelmente 
utiliza um deles, mas pode exibir diferentes estilos de enfrentamento em diferentes 
situações ou com diferentes esquemas (Young, Klosko & Weishaar 2003, p. 33). 
Fig. 1.1. Estilos inconscientes de enfrentamento dos EIDs 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUPERCOMPENSAÇÃO (LUTA) 
SUBORDINAÇÃO (FUGA) 
EVITAÇÃO (CONGELAMENTO) 
 17
 
 
Estes construtos tornam o modelo cognitivo mais flexível e aberto à identificação 
de elementos sutis no funcionamento mental inconsciente, mas adotando o novo modelo 
do processamento inconsciente, uma vez que um EIDs se configura como uma estrutura 
inconsciente cujos processos e operações dão origem a produtos conscientes, como 
pensamentos automáticos. 
DISTORÇÕES COGNITIVAS 
Nossa visão de nós mesmos, ou nosso modelo do self está fundamentado no 
conjunto de crenças profundamente enraizadas que Young chamou de esquemas 
primitivos ou EID. Os esquemas primitivos lutam por sua manutenção através de 
processos de distorção no processamento de informações, comparando os dados de 
entrada (a realidade do seu próprio comportamento e a do mundo) com o modelo de self 
(o comportamento esperado e as reações do mundo social e físico). Para reduzir a 
dissonância cognitiva (Festinger, 1964) produzida pela distância entre o modelo 
internalizado do self e a realidade são empregados mecanismos de distorção cognitiva. 
Segundo Jeffrey Young (2003), em nível cognitivo 
 (...) a manutenção do esquema acontece salientando-se ou exagerando-se 
informações que confirmam o esquema, e negando-se e minimizando-se 
informações que contradizem o esquema. Muitos desses processos de 
manutenção do esquema já foram descritos por Beck como distorções cognitivas 
(p. 25). 
As distorções cognitivas identificadas por Beck (1967) na TC são importantes 
mecanismos mantenedores do esquema, sendo as informações distorcidas para mantê-lo 
 18
intacto, no processo que Young denominou subordinação ao esquema. O paciente pode 
resistir ao exame de seus esquemas e esforçar-se para demonstrar que o mesmo é 
verdadeiro, mesmo sem ter consciência de que está magnificando alguns elementos da 
sua percepção, minimizando alguns outros, supergeneralizando e sendo vítima de outras 
distorções. 
Os EIDs são mantidos, em grande parte, por padrões de comportamento 
autoderrotistas. Uma mulher, por exemplo, pode escolher sempre parceiros arrogantes e 
dominadores, em decorrência de um esquema subjacente de subjugação. Sem ter 
consciência deste processo, age de forma tal que reforça sua visão de si mesma como 
submissa e impotente. Os comportamentos autoderrotistas e as distorções cognitivas são, 
portanto, os principais mecanismos de subordinação que perpetuam e tornam rígidos e 
inflexíveis os esquemas primitivos. 
A evitação do esquema é um dos mecanismos mais interessantes descritos por 
Young. Os EIDs acionam alto nível de afeto quando ativados, despertando reações 
emocionais aversivas intensas como culpa, ansiedade, tristeza ou raiva. Estas reações 
emocionais funcionam como conseqüências aversivas que, por um processo de 
condicionamento, acabam com menor probabilidade de serem despertadas novamente, 
graças à evitação dos esquemas. A alta intensidade emocional pode ser dolorosa e o 
sujeito “cria processos tanto volitivos quanto automáticos para evitar acionar o esquema 
ou sentir o afeto a ele conectado” (Young, 2003, p. 26). 
A evitação pode ocorrer na esfera cognitiva, afetiva ou comportamental. Evitação 
cognitiva refere-se às tentativas automáticas ou volitivas de bloquear pensamentos ou 
imagens que poderiam acionar o esquema. Uma pessoa pode evitar intencionalmente a 
 19
focalização de acontecimentos dolorosos ou mesmo aspectos negativos de sua 
personalidade. No entanto, Young enfatiza o processamento inconsciente e o papel da 
memória na evitação cognitiva; 
Também existem processos inconscientes que ajudam as pessoas a excluir 
informações demasiado perturbadoras. As pessoas tendem a esquecer 
acontecimentos particularmente dolorosos. Por exemplo, as crianças que foram 
sexualmente abusadas muitas vezes não tem nenhuma lembrança da experiência 
traumática (Young, 2003, p. 79). 
A hipótese de que a memória consciente ou explícita tenha sido enfraquecida é 
bastante provável no caso de lembranças traumáticas. Um correlato neural de alguns 
mecanismos de evitação cognitiva é o sistema de memória explícita do lobo temporal 
medial, composto pelo hipocampo e regiões adjacentes, sistema este bastante danificado 
por níveis cronicamente elevados do hormônio cortisol. A liberação acentuada de cortisol 
faz parte da reação de estresse que normalmente acompanha experiências traumáticas 
(Sapolsky, 1998; 2003), o que pode explicar, em parte, o esquecimento das lembranças 
dolorosas (LeDoux, 1996). 
É possível estabelecer um paralelo importante da noção de evitação com conceitos 
análogos pertencentes ao domínio da psicanálise. Young considera que “alguns destes 
processos cognitivos de evitação sobrepõe-se ao conceito psicanalítico de mecanismo de 
defesa. Exemplos disto seriam repressão, supressão e negação” (2003, p. 26). Na evitação 
cognitiva, pensamentos ou imagens que possam acionar o esquema são bloqueados. 
Outras estratégias de evitação cognitiva incluem a despersonalização (um processo 
através do qual o paciente “se remove psicologicamente da situação que desencadeia um 
 20
EID” (2003, p. 26) e os comportamentos compulsivos, que tem a função de distrair o 
paciente de pensamentos perturbadores que acionam os EIDs. 
A evitação afetiva, da mesma forma que a cognitiva, pode envolver tentativas 
conscientes ou inconscientes de bloquear sentimentos ativados pelos esquemas iniciais. A 
evitação afetiva diferencia-se da cognitiva pelo foco em bloquear sentimentos 
desencadeados pelos esquemas primitivos. O paciente relata uma experiência de vida 
perturbadora, embora negue experimentar emocionalmente a situação, ou seja, existe 
evitação dos aspectos afetivos sem o bloqueio da cognição associada. 
Duas características evidenciam a evitação afetiva do esquema (Young, 2003, p. 
39), a dificuldade de identificar o conteúdo de sintomas ou emoções experienciadas (o 
paciente sente-se irritado ou triste, mas não conseguerelatar a que se referem estes 
sentimentos) e a presença de sintomas somáticos vagos como tonturas, vertigem, febre, 
amortecimento ou despersonalização. Os sintomas difusos estão presentes em vez de 
emoções primárias como raiva, medo ou tristeza, o que pode indicar evitação do 
esquema. A evitação afetiva levaria a mais sintomas psicossomáticos e a manutenção 
mais prolongada de emoções difusas. 
Outro tipo de evitação do esquema envolve esquivar-se de situações ou 
circunstâncias reais que ativam esquemas dolorosos, ou evitação comportamental, que 
pode ser descrita como esquiva de situações aversivas. A evitação comportamental 
manifesta-se pelo isolamento nas relações humanas, por fobias e inibições que limitam a 
vida profissional e familiar. Um sistema de crenças contaminado com um esquema de 
fracasso, por exemplo, leva o sujeito a evitar desafios e situações competitivas, levando 
 21
ao insucesso e a confirmação de suas crenças sobre si mesmo, de forma circular e 
autoperpetuadora. 
Todas as formas de evitação, seja afetiva, cognitiva ou comportamental, servem 
para escapar da dor desencadeada pela ativação de um esquema primitivo. No entanto, ao 
evitar experiências de vida o sujeito também é impedido de refutar a validade de suas 
crenças, e o esquema pode nunca ser examinado de forma racional. Podemos perceber 
que estas conseqüências introduzem círculos viciosos fundamentais na psicopatologia e 
que a evitação, na teoria do esquema, é um mecanismo chave, da mesma forma que o 
conceito de repressão para Freud representava um papel crucial na gênese das desordens 
mentais. 
A supercompensação do esquema, o último processo de um EID, envolve a 
adoção de estilos cognitivos ou padrões comportamentais opostos aos prescritos pelos 
esquemas. A partir de um esquema inicial desadaptativo de privação emocional, um 
paciente pode comportar-se narcisisticamente, em uma forma de compensação exagerada. 
Segundo Young (2003, p.27), o conceito está relacionado à noção psicanalítica de 
formação reativa. O paciente tenta lutar contra o esquema pensando, sentindo e 
comportando-se de forma oposta ao esquema. Se o sujeito foi controlado, esforça-se para 
rejeitar todas as formas de influência; se foi subjugado, quando adulto tenta desafiar a 
todos; se foi abusado, abusa dos outros, sempre contra-atacando o esquema. 
 
CONCLUSÕES 
 Examinamos neste capítulo alguns conceitos da Terapia Cognitiva contemporânea 
e da Terapia Focada em Esquemas, procurando demonstrar sua relação com o 
 22
processamento inconsciente. Contrastando com o inconsciente dinâmico, um modelo do 
processamento inconsciente que se mostra epistemologicamente incompatível com a 
teoria cognitiva, o modelo do novo inconsciente foi apresentado e integrado como 
fundamento subjacente aos construtos teóricos da Terapia Cognitiva e da Terapia Focada 
em Esquemas. Através dos conceitos familiares aos terapeutas cognitivos como 
pensamentos automáticos, esquemas disfuncionais, processos do esquema e mecanismos 
de evitação cognitiva, comportamental e afetiva, foi possível estabelecer relações com 
alguns aspectos do novo modelo do inconsciente, ilustrando com exemplos clínicos uma 
estrutura teórica que cada vez mais vem se consolidando como um fundamento 
conceitual importante para a Terapia Cognitiva contemporânea. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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