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A Estrutura Redacional do Texto Jurídico

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A Estrutura Redacional do Texto Jurídico 
 
Prof. Joseval Viana 
 
A constituição do texto jurídico obedece aos mesmos princípios redacionais do 
texto comum, pois se considera que a estrutura redacional de um texto exige 
do profissional do Direito uma competência lingüística mais aperfeiçoada. 
Ora, o texto jurídico deve ser muito bem escrito, porque, dentre outros 
objetivos, tem em mira tratar de assuntos pertinentes aos direitos individuais 
das pessoas. 
O texto jurídico deve ser claro e preciso, pois, representado nas diversas peças 
processuais – petição inicial, contestação, apelação etc. – leva a pretensão 
jurídica da pessoa que se envolve em uma demanda judicial. Nesse caso, 
exigem-se do profissional do Direito competência lingüística e capacidade 
intelectual, pois ele deve dominar as técnicas da redação foren¬se para 
veicular com propriedade sua mensagem jurídica. 
Muitas vezes, os juízes de direito indeferem as petições iniciais, porque elas 
não transmitem uma mensagem jurídica inteligível. Trata-se de petições 
incompreensíveis, obscuras e ambíguas que prejudicam o perfeito 
entendimento da verdadeira pretensão do autor. As petições iniciais mal 
redigidas dificultam a defesa do réu e prejudicam a própria sentença judicial, 
porque impedem que o magistrado verifique com certeza qual é a pretensão do 
autor. 
A redação de um texto jurídico deve proporcionar ao receptor uma leitura 
agradável sem perder de vista o assunto tratado na própria peça processual, 
além de estabelecer uma linha seqüen¬cial de raciocínio na produção do texto, 
o que significa redigi-lo de acordo com a estrutura convencional de qualquer 
texto perfeito e acabado, que apresenta introdução, desenvolvimento e 
conclusão. Por isso, as peças processuais bem redigidas mostram essa mesma 
estrutura redacional. A seqüência lógica de raciocínio norteia a redação do 
começo ao fim, auxiliando a produção textual, a leitura, além de manter fixo o 
assunto principal tratado na peça processual sem qualquer digressão. 
O ponto de partida do texto jurídico é a introdução. Ela deve ser redigida de 
maneira clara e objetiva, informando ao receptor o assunto que será 
desenvolvido. A introdução fixa as diretrizes do assunto, facilitando a leitura 
do texto jurídico, visto que o receptor sabe o que está sendo tratado. 
No que se refere às peças processuais como, por exemplo, as petições iniciais, 
a introdução tem em mira situar o juiz de direito diante dos fatos jurídicos, 
além de contextualizar os acontecimentos que ensejaram a pretensão do autor. 
Assim, o juiz de direito terá uma visão geral do fato e dos fundamentos 
jurídicos e poderá julgar com justiça e precisão o caso que foi trazido a seu 
conhecimento. Após a introdução, passa-se ao desenvolvimento. 
O desenvolvimento é a parte do texto jurídico, no qual as idéias, as doutrinas, 
as informações, as explicações, as fundamentações e as teses argumentativas 
são apresentadas e explanadas de forma organizada e muito bem articuladas. 
Trata-se de convencer o Juiz de Direito a respeito do ponto de vista defendido, 
tanto do autor como do réu. Lembre-se de que desenvolver e fundamentar 
amplamente o ponto de vista apresen¬tado ao Juiz de Direito não implica ser 
prolixo. O profissional do Direito deve registrar os fatos pertinentes àquilo que 
se pretende noticiar, evitando, dessa forma, as longas e extensas – para não 
dizer “cansativas” – páginas e mais páginas que nada auxiliam na elucidação 
do fato e dos fundamentos jurídicos apresentados em juízo. Apenas servem 
para confundir e tornar a explanação do litígio muito mais cansativa. 
A conclusão deve apresentar um resumo de tudo aquilo que se objetiva buscar 
com a mensagem veiculada no corpo do texto jurídico. Não é uma simples 
repetição dos fatos jurídicos expostos no desenvolvimento nem a apresentação 
de novas idéias, pois isso a prejudica. 
É preciso ter em mente que a conclusão é a retomada, de forma concisa, de 
tudo aquilo que foi afirmado e defendido no desenvolvimento do texto 
jurídico, pois significa que é o encerramento da idéia principal apresentada e 
desenvolvida ao longo da produção textual. Na petição inicial, a conclusão é o 
pedido formulado pelo autor. 
 
Sobre o texto: 
Texto inserido na Academia Brasileira de Direito em 3 de julho de 2006. 
 
Bibliografia: 
Conforme a NBR 6023:2002 da Associação Brasileira de Normas Técnicas 
(ABNT), o texto científico publicado em periódico eletrônico deve ser citado 
da seguinte forma: 
VIANA, Joseval. A estrutura redacional do texto jurídico. Disponível em 
<http://www.abdir.com.br/doutrina/ver.asp?art_id=&categoria=Linguagem 
Forense> Acesso em :17 de setembro de 2009 
 
Autor: 
Prof. Joseval Viana 
 
Formado em Letras e em Direito. Ministra aulas de Direito Processual Civil, 
Direito Civil, Prática Forense e Linguagem Jurídica. Mestre em Discurso 
Jurídico pela Uni¬versidade Presbiteriana Mackenzie. 
www.josevalviana.pro.br 
 
Academia brasileira de direito, 3/7/2006 
http://www.abdir.com.br/doutrina/ver.asp?art_id=361&categoria=Linguagem%20Forense

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