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DIVERSIDADE ETNICO CULTURAL VI UNICID

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passado, porém sem a presença real. 
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O que predomina agora é o convívio simbólico possibilitado pelas tecnologias 
que virtualizam quase tudo, criando novos mundos nos quais podemos ser o que 
somos e criar outros “eus”.
O mundo da cultura de massa organiza as agendas de grande parte dos cidadãos 
do mundo, orientando o cotidiano real da sociedade. Não se trata apenas de consumir 
notícias e entretenimento disseminados pelas mídias, mas viver no mundo “verdadeiro” 
aquelas representações midiáticas. Das telas da TV para as ruas, “tribos urbanas” ou 
entidades urbanas reproduzem a moda, objetos, comportamentos e ideologias. 
A música, particularmente o rock, e o futebol são os segmentos que mais 
oferecem ícones para grupos os quais a Antropologia contemporânea denominou 
de tribos urbanas.
Tribos Urbanas: Alguns autores denominam de tribos urbanas – termo esse cunhado pelo 
sociólogo francês Michel Maff esoli – os microgrupos que têm como premissa a interação 
social entre amigos e/ou de grupos com o mesmo gosto musical, de pensamento, de formas 
de se vestir, de preferência artística em comum, entre outros. Desse modo, teríamos como 
exemplo os grupos de hip hop. Outros, defi nem que o termo tribo urbana não é adequado, 
pois o conceito de tribo deve estar associado aos povos tradicionais que vivem de maneira 
tribal, caso de alguns povos indígenas e de alguns nativos africanos, por exemplo. Para 
o antropólogo Magnani (1996), o termo é uma metáfora e não um conceito porque, 
emprestado das sociedades indígenas e de outras, não cabe usá-lo para as identidades 
socioculturais existentes no espaço urbano. 
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A disseminação de formas e valores por integrantes dos espetáculos veiculados 
em praticamente todas as partes do mundo e a necessidade de criar novas identi-
dades nas sociedades de massa levam à formação de grupos compostos, principal-
mente, por jovens, que criam práticas comuns por meio das quais se diferenciam 
das massas e desenvolvem o sentimento de pertencimento.
Para o sistema, tais “tribos urbanas” ou “identidade urbanas” têm aspectos po-
sitivos – mesmo que algumas delas se envolvam, por vezes, em distúrbios e atos 
de vandalismo –, pois canalizam as energias dos jovens para ações que não ques-
tionam os valores essenciais e ainda contribuem para a expansão do consumo de 
moda e produtos culturais segmentados.
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UNIDADE Múltiplas Identidades: A Cultura no Brasil do Século XXI
Figura 4 - Punks e Skinheads
Fonte: iStock/Getty Images
A cultura descartável destes tempos assimila comportamentos sintonizados com 
valores da sociedade de consumo e várias identidades urbanas vivem nas metrópoles 
do mundo suas particularidades e reforçam o status quo da modernidade líquida à 
qual se refere Baumann (1999), pois transformam-se rapidamente e não tem uma 
forma duradoura – um bom exemplo disso são as pessoas tornadas celebridades 
do dia para a noite. 
Nos encontros “reais” ou no mundo virtual do ciberespaço, os grupos navegam e 
interagem, jogam em rede seus esportes preferidos e conectam-se ao mundo pelas 
redes sociais que se vão criando para dar vazão às intimidades. Mas em muitos 
casos, como afirma Eric Hobsbawm (2003), há um individualismo exacerbado. 
Como explica o autor sobre o atual processo de globalização:
A terceira transformação, em certos aspectos a mais perturbadora, é a 
desintegração de velhos padrões de relacionamento social humano, e 
com ela, aliás, a quebra dos elos entre gerações, quer dizer entre passado 
e presente. Isso ficou muito evidente nos países mais desenvolvidos da 
versão ocidental de capitalismo, onde predominaram os valores de um 
individualismo associal absoluto, tanto nas ideologias oficiais como nas 
não oficiais, embora, muitas vezes aqueles que defendem esses valores 
deplorem suas consequências sociais. Apesar disso, encontravam-se as 
mesmas tendências em outras partes, reforçadas pela erosão das sociedades 
e religiões tradicionais e também pela destruição ou autodestruição, das 
sociedades do “socialismo real” (p. 17).
Esse movimento global é social e cultural ao mesmo tempo, e tem alterado os 
modos de vida das pessoas – em alguns casos de forma positiva, pois as redes 
sociais, por exemplo, permitem contatos entre pessoas de diferentes lugares, de 
consumo de música, filmes pela internet.
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Por outro lado, os valores socioculturais que vêm permeando o mundo atual são 
principalmente do individualismo no lugar das relações em prol da coletividade, da 
comunidade. Apesar disso, há sempre exceções. Ainda existem comunidades e povos 
tradicionais que buscam viver de uma maneira menos individualista, mais comunitária. 
Comunidades Tradicionais no Brasil
No Brasil, esse público passou a integrar a agenda do governo federal em 2007, por meio 
do Decreto 6040, que instituiu a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos 
Povos e Comunidades Tradicionais (PNPCT), sob a coordenação da Secretaria de Políticas de 
Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) da Presidência da República.
De acordo com o Decreto 6040, os povos e comunidades tradicionais são defi nidos como 
“grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas 
próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como 
condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando 
conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos por tradição”.
Entre os povos e comunidades tradicionais do Brasil estão quilombolas, ciganos, matriz 
africana, seringueiros, castanheiros, quebradeiras de coco-de-babaçu, comunidades de 
fundo de pasto, faxinalenses, pescadores artesanais, marisqueiras, ribeirinhos, varjeiros, 
caiçaras, praieiros, sertanejos, jangadeiros, ciganos, açorianos, campeiros, varzanteiros, 
pantaneiros, caatingueiros, entre outros.
Fonte: Texto literal extraído de SECRETARIA NACIONAL DE POLÍTICAS DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL. Comunidades Tradicionais – 
O que são. Disponível em: http://www.seppir.gov.br/comunidades-tradicionais/o-que-sao-comunidades-tradicionais.
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Logo, sempre há contra racionalidades, mesmo neste atual momento no qual o 
processo global ganha mais força.
Técnica e Entretenimento no
Período da Globalização
Outro aspecto a se destacar no mundo atual é o fato de que as técnicas são cada 
vez mais universais; basta para isso observar o cotidiano de uma grande cidade. 
Por exemplo, se no passado as técnicas eram mais locais e cada povo tinha uma técnica 
para se comunicar, que geralmente se relacionava com os materiais disponibilizados 
no meio, hoje as técnicas são cada vez mais universais – caso da criação das formas 
das cidades (com seus prédios cada vez mais altos) ou dos objetos usados no cotidiano 
(como celulares, computadores e suas diversas inovações quase diárias). 
Como Maria Laura Silveira destaca em seu texto:
[...] a possibilidade de produzir em todos os pontos do planeta e de criar 
um produto global, a partir de um único sistema técnico – aquilo que 
podemos chamar de unicidade da técnica. Hoje, a técnica da informação, 
graças à convergência da informação, da eletrônica, da cibernética, 
permite a inter-relação dos objetos, dos lugares, das atividades e das 
pessoas (SILVEIRA, 2006, p. 86.). 
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UNIDADE Múltiplas Identidades: A Cultura no Brasil do Século XXI
Essas mudanças técnicas avançaram desde do final do século XX no Brasil, 
disseminando-se em todas as classes sociais, sobretudo aquelas relativas aos meios 
de informação – caso de computadores, celulares, mp4 (media player), televisões 
com sinais digitais, entre outras tantas inovações. 
Figura 5 - Inovações Tecnológicas
Fonte: iStock/Getty Images
Neste sentido, nossas culturas brasileiras também foram tomadas por estas no-
vidades, que se manifestaram mais claramente