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Livro Texto   Unidade II

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conhecido dentro da Land Art. A alteração da paisagem por 
Robert Smithson, no Grande Lago de Sal em Utah, EUA, foi feita com 6.783 toneladas de terra, movida 
com ajuda de retroescavadeiras e tratores.
Kastner e Wallis (2005) apresentam a Spiral Jetty de maneira esclarecedora, permitindo-nos 
compreender parte do processo criativo dos land-artistas a partir dessa obra específica:
Levou mais de 292 horas de caminhão, 625 horas-homem, para 
movimentar 6.650 toneladas de terra. Dois caminhões basculantes, um 
trator e um grande carregador frontal foram levados para o site. Basalto 
e terra foram escavados da praia no início do molhe; os caminhões 
depositavam este material fazendo o contorno da espiral. A forma do 
trabalho foi influenciada pelo site, que já havia sido utilizado para minar 
óleo; a forma espiral do molhe derivou a partir da topografia local, tendo 
também relação com o mítico redemoinho no centro do lago. A espiral 
reflete também a formação circular dos cristais de sal que revestem as 
rochas. Smithson foi inicialmente atraído para o local por causa das 
colorações vermelhas do lago de sal. O trabalho foi alterado pelo seu 
ambiente, o que reflete o fascínio de Smithson por entropia, as forças 
transformadoras inevitáveis da natureza. Posteriormente submersa na 
água, esta estrutura monumental é um testemunho do domínio do 
homem sobre a paisagem e um comentário sobre esta relação com os 
monumentos. O trabalho reemerge periodicamente a partir do lago 
(KASTNER; WALLIS, 2005, p. 58).
6.4 Pop Art
A Pop Art surgiu na década de 1950 e floresceu na década de 1960 nos Estados Unidos e na 
Grã-Bretanha, inspirando-se em fontes de cultura popular e comercial, como a publicidade, os 
filmes de Hollywood e a música pop. Alguns artistas-chave da Pop Art incluem Andy Warhol, Roy 
Lichtenstein, Richard Hamilton, Peter Blake e David Hockney.
A Pop Art iniciou-se com o interesse dos artistas em questionar a cultura e as visões tradicionais 
relacionadas com a arte e seus critérios de definição:
[...] jovens artistas sentiram que o que lhes ensinavam na escola sobre artes 
e o que viam em museus não tinha nada a ver com suas vidas ou com as 
coisas que eles viam ao seu redor todos os dias. Em vez disso, eles buscaram 
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em outras fontes, tais como filmes de Hollywood, publicidade, embalagens 
de produtos, música pop e histórias em quadrinhos, o enquadramento 
imagético para suas produções (POP..., [s.d.]). 
A Pop Art deixou de lado a estética – tal como o minimalismo, ambos com origem em Duchamp – 
para dedicar-se ao sistema de comunicação em si – falamos isso a partir do que vimos com Cauquelin 
(2005). Assume-se a estrutura de propaganda e repetição dos signos já popularizados na sociedade de 
consumo, transformando tudo em espetáculo, em objeto para ser consumido várias vezes.
Na Pop Art, o autor/artista volta ao estrelato, e sua assinatura vale milhões – não mais seguindo a 
“lição” de Duchamp em relação ao anonimato, como em A Fonte. Veremos agora o artista estadunidense, 
“papa do pop”, Andy Warhol.
Andy Warhol
Figura 38 – 100 Latas de Sopa Campbell (1962), serigrafia de Andy Warhol
 Andy Warhol pintou uma série de latas de sopa, individualmente ou em grupos. Quando perguntado 
sobre o porquê, Warhol uma vez respondeu: “Porque eu estava acostumado a beber. Eu costumava ter o 
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mesmo almoço todos os dias, por 20 anos, eu quero dizer a mesma coisa sempre. Alguém me disse que 
a minha vida me dominou. Eu gostou dessa ideia” (STRICKLAND, 2004, p. 175). 
Na década de 1960, Campbell estava gastando uma grande quantidade de dinheiro em publicidade, 
fazendo que as suas latas de sopa estivessem em todos os locais da mídia. Warhol nos pede para dar 
uma olhada mais de perto nessas latas, criadas para atrair a nossa atenção no supermercado.
A obra 100 Latas de Sopa Campbell foi pintada à mão com o auxílio de estêncil. Um olhar mais 
atento revela o fato de que as latas não são idênticas, nem são uniformemente espaçadas. A última 
linha é cortada, sugerindo que elas continuam para além dos limites da tela, o que leva a outro aspecto 
do trabalho: o interesse de Warhol nos processos maquinais, como a produção em massa. 
A produção em massa tem a característica impessoal, e os Estados Unidos estavam se tornando 
cada vez mais despersonalizados. Entretanto, a produção em massa também é eficiente, o que 
Warhol admirava. 
“Eu quero que todos pensem da mesma forma... Eu acho que todo mundo deve ser uma máquina” 
(STRICKLAND, 2004, p. 175). Claro que essas afirmações de Warhol eram feitas de modo a escandalizar 
a própria sociedade de consumo. O artista era ele mesmo o espetáculo.
6.5 Performance Art
A Performance Art, assim como a Land Art, é um desdobramento da arte conceitual: muitos 
autores veem sua origem nas ações dos artistas dadaístas e surrealistas. A Performance Art como 
fenômeno desponta nas décadas de 1960 e 1970. Os artistas trabalhavam interdisciplinarmente 
com diversas linguagens artísticas – pintura, escultura, gravura, vídeo, desenho, poesia, teatro, 
música etc. – utilizando o seu próprio corpo como meio e executando ações que se tornam a obra 
de arte.
A Performance Art pode ser cuidadosamente planejada, seguindo até um roteiro, mas também 
pode ser espontânea e aleatória. Muitas vezes o público é convidado a participar da ação, 
contando para isso com uma orquestração realizada pelo artista. Outras vezes, a performance 
acontece em lugares privados, passando a existir para o público apenas em suas formas de 
registro, como fotos e vídeos.
Marina Abramovicc
Marina Abramovic é uma artista de origem sérvia, considerada uma das pioneiras da Performance 
Art. Destaca-se por testar os limites físicos e mentais do corpo humano.
Na obra Rhythm 0, Abramovic testa a relação entre a artista e os participantes. A artista tentou 
deixar-se ser um objeto – atribuindo a si um papel passivo – permitindo que o público fizesse o 
que queria com seu corpo no decorrer de seis horas, utilizando para isso setenta e dois objetos 
disponibilizados sobre uma mesa. A artista colocou uma placa autorizando a utilização dos objetos, 
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da maneira que o público escolhesse, dentre os quais estavam incluídos uma rosa, uma pena, mel, um 
chicote, uma tesoura, um bisturi, uma arma e uma única bala. 
Alguns desses objetos poderiam dar prazer, enquanto outros poderiam ser manejados de modo a 
causar dor, ou para prejudicá-la. 
Durante seis horas, a artista permitiu que os membros da audiência manipulassem seu corpo e 
realizassem ações. Esse experimento mostra quão vulnerável e agressivo pode se tornar o ser humano quando 
omitidas as suas consequências sociais – pois a artista permitiu as diversas intervenções em seu corpo. 
Ao final da performance, seu corpo estava despido, atacado e desvalorizado, ficando com 
marcas de agressão – houve cortes no pescoço da artista feitas por membros da audiência, e 
suas roupas foram rasgadas. Assim, Abramovic questiona os limites da ética humana e também a 
objetificação do corpo feminino.
A artista disse mais tarde que sentiu-se violentada, pois a audiência cortou-lhe as roupas, prenderam 
espinhos em seu estômago e apontaram a arma em sua cabeça; outro participante levou a arma embora. 
Abramovic afirma que o que aprendeu com a performance é que, sendo possível, as pessoas podem matar.
6.6 As relações

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