Engenharia de Produção - Tópicos e Aplicações
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Engenharia de Produção - Tópicos e Aplicações


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quanto ao
crescimento do mercado, decorrente da tensão na oferta, que não
consegue suprir a demanda, e que, por sua vez, é regida pela
existência fixa de estoques naturais (HOMMA, 2008). Nas cadeias
produtivas da biodiversidade, a gestão dos estoques naturais, ou
seja, dos PFNM, torna-se ainda mais complexa em decorrência da
sazonalidade das safras, da perecibilidade dos produtos e das
distâncias entre os pontos de coleta e os centros de produção das
bioindústrias, dificultando a rastreabilidade desses insumos. As
incertezas decorrentes dos referidos fatores afetam as previsões de
suprimento e o planejamento das bioindústrias. Dessa forma,
devido à falta de estoques, não raramente, as bioindústrias passam
por problemas que cerceiam o estabelecimento de níveis de serviço
mais elevados aos seus clientes. No presente estudo, os
representantes das organizações pesquisadas relataram, como
principais problemas decorrentes das restrições supracitadas, a
parada na produção, as perdas de venda, e o atraso nas entregas
acertadas com clientes. Os fornecedores de PFNM atribuem, por
sua vez, como principais motivos ao não atendimento à demanda
das bioindústrias a escassez de estoques naturais, a sazonalidade da
atividade extrativista; além de problemas com produção (mão-de-
obra, ferramentas e máquinas).

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6. Considerações Finais

Tanto no setor elétrico brasileiro como no setor de Higiene
Pessoal, Perfumaria e Cosméticos na Amazônia, a análise logística
da cadeia produtiva viabilizou a captação e geração de informações
que possibilitaram algumas vantagens em termos de maior
caracterização de especificidades logísticas destes setores, a saber:
uma visão mais abrangente das operações logísticas, o que permite
a interpretação mais realista de contribuições e impactos que
ineficiências dessas operações podem causar no desempenho da
cadeia produtiva que depende da logística para atingir seus
objetivos; a identificação de todos os fluxos logísticos que
possibilitam o desenvolvimento de estratégias diferenciadas para
materiais e serviços diferentes; e Identificação de interfaces
empresariais, que promovem oportunidades para melhorias de
relacionamentos e de desempenho por meio de maior integração
com parceiros de negócios, possivelmente, também baseadas em
inserção de tecnologias.

No que se refere ao setor elétrico brasileiro, a análise logística
de sua cadeia produtiva auxiliou a definição e a identificação de dois
sistemas logísticos (subsistema logístico principal e de suporte) com
características diferentes, uma vez que seus produtos logísticos são
diferentes, mas com idêntica importância no que se refere aos
objetivos do setor. Ainda em relação ao setor elétrico brasileiro,
vale ressaltar que o estudo aqui desenvolvido se concentrou na
caracterização apenas dos \u201celos\u201d que atuam direta ou
indiretamente nas operações de geração, transmissão e distribuição
de energia. No entanto, ainda há outros \u201celos\u201d a serem
caracterizados, considerando regulamentação e fiscalização de
operações (Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL),
coordenação e controle da operação da geração e transmissão de
energia elétrica no Sistema Interligado Nacional (Operador Nacional
do Sistema - ONS), elaboração de políticas e diretrizes para o setor
energético (Ministério de Minas e Energia - MME), entre outras
atividades capazes de interferir e influenciar decisões e estratégias

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logísticas neste setor.

Em relação ao setor de Higiene Pessoal, Perfumaria e
Cosméticos na Amazônia, por ser um setor produtivo mais novo e
ainda em processo de \u201camadurecimento\u201d na região, ficaram
evidentes os maiores desafios, do ponto de vista logístico, a serem
superados. Os maiores gargalos logísticos deste setor foram
identificados a montante na cadeia produtiva, ou seja, no início do
processo de agregação de valor. No que se refere ao componente
transporte as grandes distâncias entre os pontos de coleta das
matérias-primas e os pontos de fabricação de bioprodutos têm
como agravantes tanto a falta de infra-estrutura de rodoviária como
a baixa confiabilidade e a escassez de terminais e armazéns
portuários, marcantes na Amazônia. Em relação ao componente
estoques, sua gestão mostrou-se bastante complexa em
decorrência de sazonalidades, alto nível de perecibilidade dos
insumos e grandes distâncias entre fornecedores e centros de
manufatura, cujas incertezas afetam as previsões de suprimento e
planejamento da produção. Além de elevadas distâncias e
disparidades em termos de armazenamento entre pontos de cultivo
e produção, o componente instalações também é caracterizado pela
existência de pontos voltados à pesquisa (universidades e espaços
físicos de laboratórios vinculados incubadoras de empresas), o que
evidencia uma estratégia de capitalização de valor agregado aos
bens produzidos na região, característica esta de setores produtivos
relacionados à bioindústria, além de franquias e pontos
especializados em vendas domiciliares (diretas) ou no contexto do
e-commerce. Finalmente, o componente informação, é
caracterizado por deficiências em termos de integração e
comunicação, sobretudo, entre cultivadores e os demais elos da
cadeia, além de diferenças consideráveis em termos de inserção
tecnológica e capacitação de mão-de-obra envolvidos ao longo dos
processos de agregação de valor.

De uma forma geral, tanto para o setor elétrico brasileiro
quanto para o setor de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos na
Amazônia, a proposta de análise logística de cadeias produtivas, a

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partir da análise de componentes de desempenho logístico,
mostrou-se bastante efetiva, no que se refere à captação de
informações destinadas à concepção de diagnósticos mais
consistentes e capazes de direcionar estratégias logísticas e políticas
públicas mais adequadas às especificidades e necessidades logísticas
das regiões consideradas.

Referências
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biodiversidade Amazônica. T&C Amazônia, Ano VI, n. 14, Jun.
2008.

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CGEE, Centro de Gestão e Estudos Estratégicos. Sub-rede de
Dermocosméticos na Amazônia a partir do uso sustentável de sua
biodiversidade com enfoques para as cadeias produtivas da:
castanha-do-pará e dos óleos de andiróba e copaíba. Brasília:
Centro de Gestão