Engenharia de Produção - Tópicos e Aplicações
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Engenharia de Produção - Tópicos e Aplicações


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auxiliar a tomada de decisões.

Ao fim da primeira década do Século XXI o ambiente

globalizado já havia alterado consistentemente as relações da

indústria com a sociedade. Conseqüentemente, emergiram desse

novo contexto elementos como a inovação tecnológica, sistemas

produtivos altamente flexíveis e a geração de bens com ciclos de

vida mais curtos devido à obsolescência tecnológica. Dessa forma, a

eliminação dos desperdícios passou a ser vista não mais como uma

ação necessária ao aumento da eficiência operacional, mas sim

como um pré-requisito indispensável para colocar no mercado

produtos mais competitivos e eficazes; sustentáveis e; detentores

de margens de contribuição garantidoras da sobrevivência

financeira da empresa.

Diante deste cenário de consumo e concorrência, a gestão

econômica, que subsidia a boa parte das decisões organizacionais,

alimenta-se prioritariamente dos dados gerados através da

implementação dos sistemas de custeio, pois é essa é uma das

principais fontes que irão alimentar as análises sobre a formação

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dos preços dos produtos, da lucratividade da empresa, dos custos e

riscos de oportunidade de uma expansão no sistema produtivo e da

aderência ao mercado por parte dos preços dos bens e serviços que

são colocados à disposição.

Pelo exposto acima, constata-se a necessidade da utilização

de ferramentas de que produzam informações com qualidade e

quantidade suficientes para permitir uma gestão estratégica

confiável, rápida e flexível, ou seja, que possibilitem aos gestores a

tomada de decisões acertadas.

O conhecimento sobre custos, portanto, faz-se fundamental

às empresas detentoras de sistemas de produção, principalmente,

ao final de cada período em que passam por uma avaliação

gerencial para conhecer seus resultados econômicos. Pensando

nesta necessidade e na contribuição que modelos de sistemas de

custeamento eficientes trazem a uma empresa industrial,

apresenta-se neste capítulo a trama conceitual em que se baseiam

as ações de controle, gestão e tomada de decisão para o

acompanhamento dos gastos, da lucratividade e das margens de

contribuição de produtos industrializados.

 2. Glossário da Gestão de Custos

Nesta seção apresentam-se o conteúdo que define os

sistemas de custeio, suas tipologias e resumidamente expõe as

maneiras de aplicação do sistema de custeio. De um modo geral,

custos podem ser definidos como medidas monetárias dos

sacrifícios com os quais uma organização tem que arcar a fim de

atingir seus objetivos (BRUNI E FAMÁ, 2009). Entretanto, do ponto

de vista da gestão econômica, existem diferentes formas de

interpretar os mesmos conceitos e conseqüentemente de

desenvolver ações direcionadas à formação de preço, redução de

gastos e maximização do uso dos recursos.

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Custos podem ser classificados, geralmente, como diretos e

indiretos. Segundo Perez Jr. 2000, são custos diretos, aqueles que

podem ser quantificados e identificados aos produtos e serviços e

valorizados com relativa facilidade.

Os custos indiretos são aqueles que, por não serem

perfeitamente identificados nos produtos ou serviços, não podem

ser apropriados de forma direta para as unidades específicas,

ordens de serviços ou produtos, serviços executados, etc. Dessa

forma, requerem um tratamento especial para serem alocados aos

produtos. São exemplos de custos indiretos gastos com energia

elétrica, salários de supervisão, depreciação da infra-estrutura fabril

e também de equipamentos e, para serem distribuídos aos produtos

necessitam do estabelecimento de uma base de rateio.

A seguir são apresentados resumidamente os termos que

constituem o glossário da área de gestão de custos, o qual foi

definido a partir da adaptação de conceitos estabelecidos por

autores como Bruni e Famá (2009). Martins (2003) e Leone (2000).

Termo Conceito

Gastos Sacrifício Financeiro que a entidade emprega para

obtenção de um produto (bem ou serviço). Em última

instância, dependendo de sua natureza podem ser

custos ou despesas.

Investimentos Gastos ativados em função da vida útil ou em função do

reconhecimento de benefícios futuros, representam

gastos na aquisição de ativos que com o tempo vão

sendo incorporados aos custos e despesas

Custos Representam os gastos consumidos na Fabricação de

Produtos relacionados à produção. Podem ser diretos e

indiretos ou fixos e variáveis

Despesas Gastos relacionados a bens e serviços relacionados à

geração de receita e manutenção da empresa, ou seja,

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ligadas à atividades administrativas e atividades de

vendas. Relacionam-se a atividades administrativas

Desembolsos Saída de um recurso financeiro do caixa ou da conta

bancária para pagar as compras efetuadas pela empresa.

O desembolso pode ocorrer no momento da realização

dos gastos ou depois deles, quando a compra é realizada

a prazo

Perdas Consumo de bens ou serviços de forma anormal

inevitável, como por exemplo acidentes e catástrofes

naturais que inutilizam uma planta industrial.

Desperdícios Consumo ineficiente de recursos, como o retrabalho de

uma peça defeituosa que vai gerar novos custos de mão-

de-obra, energia, materiais.

Despesas Esforços administrativos para a geração de receita. Não

podem compor os custos do produto. Estão associadas a

gastos com vendas, consumos do escritório, gastos com

showroom.

Custos do Produto

vendido

Representam em moeda as saídas do estoque do

produto acabado do sistema de produção para o

comprador. Para operações exclusivamente mercantis,

esses custos chamam-se custos da mercadoria vendida

Custos de

Oportunidade

Custos associados a uma atividade abandonada ou

preterida

Fonte: Adaptado de Bruni e Famá (2009), Martins (2003), Leone (2000)
Quadro 1 \u2013 Miniglossário de Custos

Dependendo do sistema de custeio e da metodologia

empregada, a forma de alocar os custos aos produtos serão as mais

diversas. Por isso, faz-se necessário observar a classificação das

formas de associação dos custos aos produtos de determinado

sistema de produção. Por isso é fundamental que se conheçam os

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tipos de sistema de custeio presentes na literatura e também as

formas de agrupar os diferentes tipos de custeio.

No que tange a associação de custos aos produtos fabricados,

segundo Bruni e Famá (2009) e Bornia (2002) podemos classificar

esses tipos de gasto, conforme exibido no quadro a seguir.

Tipo de Custo Definição

Custos Diretos/ Primários Diretamente relacionados à

composição do Produto.

Representam os materiais diretos

e a mão-de-obra direta,

basicamente.

Custos Indiretos de

Fabricação (CIF)

Custos que apesar de não

entrarem na composição direta do

produto são oriundos de esforços

de transformação. Necessitam de

critérios de rateio para serem

atribuídos aos produtos. Ex.:

Energia Elétrica, Salários de

Supervisão, Depreciação de

máquinas e equipamentos.

Custos de transformação São os custos de conversão ou de

agregação (operações) e podem

ser diretos ou indiretos. Ex.: Mão-

de-obra, CIFS

Fonte: Adaptado de Bruni e Famá (2009) e Bornia (2002)
Quadro 2 \u2013 Tipos de Custos quanto à Associação ao Produto

Do Ponto de Vista do comportamento dos custos conforme

em relação do volume de produção, os custos podem classificar-se

como Fixos ou Variáveis.

Os custos Fixos são assim denominados porque não são

influenciados