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além da educação do próprio indivíduo, para tentar capturar a influência do nepotismo ou de habilidades não observadas6 na relação entre educação e
salários. A inclusão de todas estas variáveis fez com que os retornos à educação no Brasil diminuíssem de 16% (em média) por ano completo de estudo para cerca de 11%, o que leva os autores a concluírem que “o viés de background familiar é modesto e não necessariamente reflete retornos às conexões familiares”. Desta forma, o efeito da educação sobre os salários dos indivíduos cujos pais, mães, sogros e sogras têm o mesmo nível educacional (e portanto uma renda permanente muito similar) permanece em torno de 11%.
5 Menezes-Filho et al (2000a) mostram que o efeito da composição educacional provavelmente fará com que a desigualdade associada à educação se reduza substancialmente a partir de 2005.
6 O efeito da educação do indivíduo sobre seus rendimentos pode estar capturando também o efeito de outras habilidades não observadas, como criatividade e perseverança, que são correlacionadas tanto com educação como com os salários.
Em um artigo famoso nos Estados Unidos, Ashenfelter e Krueger (1994) coletaram dados sobre salários e educação para 198 gêmeos univitelinos7 com diferentes níveis de escolaridade e os resultados indicaram que “nem o background familiar nem habilidades não observáveis enviesam a estimativa de retornos à educação para cima”. Isto significa que, mesmo entre os indivíduos nascidos na mesma família e com características genéticas
idênticas, aqueles que estudaram mais recebem um salário maior e, mais do que isto, a relação entre educação e salários é a mesma que na economia como um todo.
– O Mapa da Educação no Brasil
Vamos agora mapear a distribuição da educação no Brasil. A figura 2 mostra como a população brasileira de 24 a 55 anos de idade está distribuída em termos de anos completos de escolaridade. Podemos observar que cerca de 12% da população brasileiro era composta de analfabetos e que há uma concentração de pessoas com anos de estudo equivalentes aos finais dos ciclos escolares, ou seja, 4, 8 , 11 e 15 anos (respectivamente: fundamental primeiro ciclo, fundamental segundo ciclo, ensino médio e ensino superior).
Figura 2 - Composição Educacional -1997
20
P
e
r
c
e
ntua
l
 
d
a
 
P
opu
l
açã
o18
16
14
12
10
8
6
4
2
0
0	1	2	3	4	5	6	7	8	9 10 11 12 13 14 15 16 17 18
Anos de Estudo
Fonte: Elaboração Própria com Dados da PNAD
7 Os dados foram coletados no 16º Festival anual de gêmeos idênticos de Twinsburg, Ohio, 1991.
A figura 3 resume a situação do nível educacional da população brasileira, dividindo as pessoas em quatro grupos educacionais. Em 1997, cerca de 29% das pessoas era analfabeta ou tinha concluído algum dos três primeiros anos do ensino fundamental (antigo primário). Enquanto isto, 32% tinha entre 4 e 7 anos de estudo no ensino
fundamental (antigo secundário) ao passo que 29% tinha concluído o ensino fundamental e obtido, no máximo, o diploma do ensino médio (antigo 2º grau). Finalmente, somente cerca de 10% das pessoas tinha freqüentado o ensino superior. Portanto, fica claro que o país tem um déficit educacional enorme.
Figura 3 - Composição Educacional Agregada no Brasil- 1997
8 a 11 anos
29%
mais de 11 anos
10%	0 a 3 anos
29%
4 a 7 anos
32%
Fonte: Elaboração Própria com Dados da PNAD
Vamos analisar agora a distribuição da educação entre indivíduos com diversos atributos pessoais e ocupacionais. A figura 4, por exemplo, mostra a diferença educacional entre pessoas dos dois sexos. No eixo horizontal temos os quatro grupos educacionais descritos na figura anterior. A barra azul indica a porcentagem de homens que se encontra representada em cada grupo educacional, a barra vinho faz o mesmo com as mulheres e a branca mostra a distribuição do total da população independente do sexo. Por exemplo, se a composição educacional dos homens e das mulheres fosse a mesma, as três barras dentro de cada um dos níveis educacionais teriam a mesma altura, o que indicaria que a porcentagem
de homens e mulheres que fazem parte de cada grupo é a mesma que a porcentagem da população em geral.
Figura 4 - Educação e Sexo
35
30
25
20
%
15
10
5
0
Homens
Mulheres
Total1	2	3	4
Níveis de Educação
Fonte: Elaboração Própria com Dados da PNAD
A figura 4 indica que esta hipótese não está distante da realidade. As diferenças educacionais existentes entre as pessoas dos dois sexos são pequenas, concentrando-se no primeiro grupo (0 a 3 anos de estudo), que contém 29% das mulheres e 27% dos homens da amostra, e no terceiro grupo (8 a 11) em que a situação é exatamente oposta. Isto mostra que na média os homens são ligeiramente mais educados que as mulheres no Brasil.
A figura 5, por sua vez, mostra claramente as pessoas que estão participando do mercado de trabalho (seja trabalhando ou procurando emprego) estão super representadas entre os mais educados8. Das pessoas que não são economicamente ativas (fora da PEA), 35% fazem parte do grupo com menor nível educacional, enquanto apenas cerca de 5%
está entre os mais educado. Por outro lado, entre os que participam do mercado de trabalho a situação é oposta, ou seja, 27% destes está no menor grupo educacional enquanto cerca de 12% tem nível superior. Isto significa que a participação no mercado de trabalho é
8 Vale lembrar que nossa amostra contém apenas as pessoas com entre 24 a 55 anos de idade, ou seja, exclui a maioria dos aposentados.
positivamente relacionada com educação, ou seja, quanto maior o nível educacional, maior é a probabilidade da pessoa estar engajada neste mercado9.
Figura 5 - Educação e Participação
40
35
30
25
% 20
15
10
5
0
Fora
 
da
 
PEA
Dentro
 
da
 
PEA
Total1	2	3	4
Níveis de Educação
Fonte: Elaboração Própria com Dados da PNAD
Quanto à distribuição espacial da educação, os padrões retratados na figura 6 são os esperados. Há uma concentração muito grande de pessoas com baixo nível educacional fora das regiões metropolitanas 10, onde cerca de 65% das pessoas têm menos que 8 anos de estudo (duas primeiras barras azuis), ou seja, não concluíram sequer o ensino fundamental. Nos grandes centros urbanos, este número aproxima-se de 47%, enquanto o restante da
população residente nestas áreas tem pelo menos o ensino fundamental, e cerca de 15% freqüentou um curso do ensino superior. Assim, a maior parcela da população mais educada está nos grandes centros, tanto devido à maior oferta de faculdades e escolas de ensino médio, quanto às maiores e melhores oportunidades de trabalho.
9 O fato das barras brancas serem parecidas com as cor de vinho reflete o fato da grande maioria da população na nossa amostra estar participando do mercado de trabalho.
10 As regiões metropolitanas estão localizadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Recife e Salvador.
Figura 6 - Educação e Regiões Metropolitanas
40
35
30
25
% 20
15
10
5
0
Área
 
não
 
metropolitana
Área
 
metropolitana
Total1	2	3	4
Níveis de Educação
Fonte: Elaboração Própria com Dados da PNAD
Com relação à etnia, os resultados apresentados na figura 7 revelam uma disparidade muito grande na composição educacional dos diferentes grupos raciais.
Figura 7 - Educação e Etnia
45
40
35
30
% 25
20
15
10
5
0
1	2	3	4
 
Branco
Negro/mulato
Amarelo
Total
Níveis de Educação
Fonte: Elaboração Própria com Dados da PNAD
Enquanto entre os negros ou mulatos a porcentagem de pessoas em cada grupo educacional decresce com a educação, o inverso ocorre entre os amarelos (que representam cerca de 5% do total da nossa amostra). Entre os brancos, em torno de 20% pertence ao primeiro grupo
educacional (que compõe 28% da amostra), 33% ao segundo

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