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A teoria da atividade e a transformação pela ação

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A teoria da atividade e a transformação pela ação
A teoria da atividade iniciou-se a partir dos trabalhos de Vygotsky e têm como princípio a ação de um sujeito mediada por uma ferramenta e destinada a um objetivo. Angel Pino, (1991) esclarece que além de Vygotsky, Luria e Leontiev, seus colaboradores, contribuiram para a expansão da Neuropsicologia e Neurolinguistica, cabendo a Leontiev a proposição da teoria da atividade. A relação histórica entre o sujeito e o seu objetivo, de maneira recíproca, é que determina o resultado final da ação, ou seja, a ação está condicionada ao modo como uma atividade é realizada e como ela se desenvolve e evolui, de maneira permanente. 
Rego (1995), ao interpretar alguns aspectos da vida e obra de Vygotsky, argumenta sobre a necessidade existente entre os homens de se promover um intercâmbio no processo de produção de uma atividade (trabalho), que se dá através da comunicação. É a linguagem, o veículo de comunicação e apropriação do conhecimento. Ainda segundo a autora, é através da linguagem que ocorre a mediação entre o homem e o ambiente, sendo o sujeito do conhecimento, constantemente estimulado pelo mundo externo que internaliza esse conhecimento construido ao longo da história e que, para Vygotsky, está na atividade prática, nas interações estabelecidas entre o homem e a natureza fazendo com que as funções psíquicas nasçam e se desenvolvam. 
Para Davidov apud Rego (1995), é a escola quem deve ser capaz de desenvolver capacidade intelectual nos alunos, permitindo que estes possam assimilar os conhecimentos acumulados, não se restringindo à transmissão de conteúdos, ensinando-os a pensar e a apropriar-se de conhecimento elaborado, para praticá-lo ao longo da vida. Entretanto, para Vygotsky, a construção do conhecimento implica em uma ação partilhada, exigindo uma cooperação e troca de informações mútuas, com conseqüente ampliação das capacidades individuais. As conclusões de Vygotsky aparecem ao estudar as funções psicológicas superiores, que consistem no modo tipicamente humano de funcionamento da capacidade mental do indivíduo e que se desenvolve ao longo da vida do sujeito, a partir de sua interação com a natureza e o meio sócio - cultural. Para Vygotsky, os seres humanos, diferentemente dos animais, produzem os instrumentos necessários à realização do trabalho, sendo capazes, também, de conservá-los para uso posterior, preservar e transmitir sua função aos membros de seu grupo, aperfeiçoar instrumentos e criarem novos. A teoria da atividade formulada por Vygotsky, Luria e Leontiev tem sua difusão nos Estados Unidos e na Finlândia, cuja aplicação se deu na área da engenharia. 
A idéia de atividade voltada para um objetivo tem como motivo transformar esse objetivo em resultado. Uma atividade pode ser realizada por diversas ações e tendo como base diversos motivos. Os diversos motivos da atividade dão à ação, um sentido pessoal diferente para cada ator no contexto da atividade a ser realizada. A ação se reduz a uma operação, na medida em que vai sendo executada durante muito tempo. A dinâmica ação - operação é característica do desenvolvimento humano. O fato das atividades não serem estáticas, proporcionam constante transformação e desenvolvimento, em todos os níveis, 
inclusive em nível dos trabalhadores, que têm que se adaptarem aos novos modelos de ação. A educação para o trabalho nos moldes atuais, traz no seu bojo a dualidade, representada na necessidade de promover a continuidade nos estudos e, ao mesmo tempo, preparar mão de obra para atender as necessidades do mercado que, a todo o momento, se atualiza, em função das mudanças geradas pelos modos de produção, avanços tecnológicos, alta competitividade e globalização. A teoria da atividade, a partir da perspectiva histórico - cultural vigotskiana e suas atualizações, enaltecem a importância do aprendizado através da ação e das interações com o meio sócio - cultural, possibilitando o desenvolvimento das pessoas e da própria atividade. 
O trabalho, sob o ponto de vista da teoria da atividade, constitui-se em transformar objetivo em resultado, através da ação. Em função disso, o trabalho é modificado, atualizado e desenvolvido visando à satisfação das necessidades dos indivíduos em sociedade. Em seu propósito, a teoria da atividade estabelece que a memória, a imaginação, o pensamento e a emoção são formas distintas de atividade, e que o pensar e o fazer não se situam em pólos opostos. A teoria da atividade tem suas implicações no modelo de educação para o trabalho, na medida em que as escolas formam seus técnicos em suas habilitações específicas e coloca-os à disposição do mercado de trabalho. É no trabalho que ela se manifesta. Na atividade profissional. No motivo, voltado para o resultado. Cabe a cada qual, buscar seu diferencial competitivo e abocanhar as oportunidades oferecidas, ciente de que necessita estar sempre atualizado.