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Aula 1 - Resumo

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13/06/2018 Disciplina Portal
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HISTÓRIA DOS POVOS
INDÍGENAS E
AFRODESCENDENTES
Aula 1 - O IMPACTO CULTURAL DO CONTATO
ENTRE EUROPEUS E ÍNDIOS. O SÉCULO XVI
INTRODUÇÃO
Quando os portugueses chegaram ao que hoje se conhece como Brasil, não encontraram o ouro e a prata tão
sonhados no Velho Continente, nem reinos perdidos habitados por ciclopes e �guras que assinalavam a força que o
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paganismo ainda exercia na mentalidade dos povos fervorosamente cristãos da Península Ibérica. Mas assim como os
espanhóis - oito anos antes - a frota comandada por Pedro Álvares Cabral encontrou um Novo Mundo. Assim como
testemunhado por Pero Vaz de Caminha, esse Novo Mundo era habitando por homens e mulheres pardos, que
andavam nus e que não se importavam em cobrir suas vergonhas.
OBJETIVOS
Reconhecer parte da diversidade indígena que compunha o território que mais tarde deu origem ao Brasil.
Analisar as diversas percepções construídas pelo europeu sobre os índios, visões que se diferenciam de acordo com
as relações estabelecidas;
Re�etir sobre os aldeamentos jesuíticos e seu importante papel na aculturação do indígena.
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A diferenciação dos Índios pelo Portugueses
Os indígenas que habitavam a “recém descoberta portuguesa” eram muito mais diversos do que os lusitanos haviam
imaginado. Após os contatos iniciais, os colonos portugueses acabaram fazendo uma distinção da população indígena
em dois grandes grupos.
Tupi-Guarani
O primeiro, que �cou conhecido como tupi-guarani graças às semelhanças linguísticas observadas, abarcava uma série
de sociedades que vivia na extensa região litorânea desde São Vicente (no sul) até o Maranhão. Tupinambás,
tupiniquins, tupinaê e guaranis são exemplos de sociedades indígenas que faziam parte da família linguística tupi-
guarani.
Tapuias
No outro grupo estavam os tapuias (palavra tupi que signi�ca os “fugidos da aldeia”, ou “aqueles de língua enrolada”)
que ocupavam regiões mais interioranas. Ao que tudo indica, os portugueses acabaram se apropriando da
diferenciação que os tupi-guaranis faziam em relação aos grupos que não faziam parte da sua matriz linguística,
colocando sob a mesma nomenclatura sociedades indígenas extremamente diversas como os cariris, jês, e os
caraíbas.
Ao descrever os aimorés (um dos tantos povos classi�cados como tapuias), o português Gabriel Soares de Souza
disse:“Descendem estes aimorés de outros gentios a que chamam tapuias, dos quais nos tempos de atrás se
ausentaram certos casais, e foram-se para umas serras mui ásperas, fugindo a um desbarate, em que os puseram seus
contrários, onde residiram muitos anos sem verem outra gente; e os que destes descenderam, vieram a perder a
linguagem e �zeram outra nova que se não entende de nenhuma outra nação do gentio de todo este Estado do
Brasil”Gabriel Soares de Souza, Tratado descritivo do Brasil, 1587, pp.78-79.
Dentre os tupi-guaranis, a sociedade tupinambá acabou tornando-se uma das mais conhecidas, graças ao intenso
contato com os portugueses durante os séculos XVI e XVII. O historiador Stuart Schwartz salientou que os tupinambás
viviam em aldeias que possuíam de quatrocentos a oitocentos indivíduos. Tais aldeias eram divididas em unidades
familiares que viviam em até oito malocas. As unidades familiares, por sua vez, estavam estruturadas pelo parentesco
familiar e obedeciam à divisão sexual do trabalho: grosso modo, aos homens cabia as atividades de caça, pesca e de
guerra, e às mulheres o cuidado com a agricultura e com a casa.
A agricultura era uma prática que diferenciava os tupinambás dos demais povos tupi-guaranis. Para preparar o solo
para a semeadura, os tupinambás desenvolveram uma técnica que rapidamente foi incorporada pelos colonos
portugueses: a coivara (glossário) .
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Outra característica marcante dos tupinambás era seu ímpeto guerreiro. A guerra tinha funções econômicas e
simbólicas para esse povo, na medida em que viabilizava a obtenção de prisioneiros de guerra e a ampliação territorial,
além de criar uma intricada rede de status que de�nia diversos aspectos da vida em sociedade, sobretudo os
matrimônios.
Fonte da Imagem: Antropofagia no Brasil em 1557, segundo descrição de Hans Staden.
Junto com a guerra, os tupinambás praticavam o canibalismo ritual que causou horror e curiosidade aos colonos
portugueses. Baseado na cosmogonia tupinambá, o canibalismo era um ritual antropofágico, no qual o inimigo
prisioneiro de guerra era (depois de uma iniciação), morto pela sociedade vitoriosa, e tinha suas partes distribuídas
dentre os indivíduos do grupo vencedor. A ideia era se alimentar (simbolicamente) das características do oponente.
Como sugerido há pouco, traçar padrões culturais e sociais dos tapuias é uma tarefa muito difícil, na medida em que
eles não formavam um grupo que se identi�cava como tal. Estudos recentes apontam que os tapuias pertenciam a
diferentes troncos linguísticos, ou seja: eles eram os “não-tupis”, o que signi�ca que eles eram muitas coisas. Um dos
povos tapuias mais estudados é o aimoré devido à frequente resistência imposta ao aldeamento e catequese
portuguesa. Pertencentes ao grupo etnográ�co jê, os aimorés, também conhecidos como botocudos, habitavam o que
hoje é o estado do Espírito Santo e o Sul da Bahia.
Eram seminômades, não praticavam a agricultura e tinham uma vida bélica muito desenvolvida, o que só se
intensi�cou com a chegada dos portugueses. A relação entre colonos e aimorés foi tão estremecida que, além de
protagonizarem uma das mais importantes rebeliões indígenas da história brasileira (a Confederação dos Tamoios), os
aimorés foram os únicos que estavam excluídos da proteção contra a escravização do gentio, promulgada pela Coroa
portuguesa em 1570.
Todavia, durante muitos anos, a diversidade indígena e a própria Ilha de Vera Cruz, pareciam não ter despertado o
interesse da Coroa portuguesa. Como apontou Manuela Carneiro da Cunha: “todo o interesse, todo o imaginário
português se concentra, à época, nas índias, enquanto espanhóis, franceses, holandeses, ingleses estão fascinados
pelo Novo Mundo” (CUNHA, 1990: 92). Foi justamente esse encantamento que fundamentou a construção das
primeiras imagens europeias sobre a nova humanidade que se apresentava.
A inocência e a ausência de elementos fundamentais que – na perspectiva europeia – balizavam a noção de
civilização marcaram os primeiros escritos sobre os índios. A despreocupação com a nudez foi reiterada diversas
vezes na Carta de Pero Vaz de Caminha, indicando que esses homens e mulheres andavam nus por lhes faltarem a
ideia de vergonha. O mesmo Caminha, assim como Vespucci e, mais tarde, Gândavo e Gabriel Soares de Souza �caram
surpresos com o fato dos tupis não terem em seu alfabeto as letras F, L e R.
Segundo esses homens, essa ausência era a comprovação de que os índios viviam sem Justiça e na maior desordem,
pois
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A Catequização dos Índios
As constatações apontadas na tela anterior serviram como norte para a atuação dos religiosos europeus. Se por um
lado a Coroa portuguesa só passou a se importar efetivamente com sua colônia americana