A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
273 pág.
Apostila direito previdenciario[1]

Pré-visualização | Página 5 de 50

na forma desta 
Constituição.” 
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 64 de 2010). 
 
A seguridade social, como direito social, traduz-se num conjunto de ações de 
iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os 
direitos relativos à saúde, à previdência social e à assistência social. Este 
conceito está insculpido no Artigo 194 da CFRB: 
 
“Artigo 194 – A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações 
de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os 
direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social”. 
 
Os três ramos da seguridade social 
A seguridade social é um gênero composto por três ramos: saúde, 
previdência social e assistência social. 
 
Segundo Fábio Zambitte, a seguridade social pode ser conceituada como a 
rede protetiva formada pelo Estado e por particulares, com contribuição 
de todos, incluindo parte dos beneficiários dos direitos, no sentido de 
estabelecer ações para o sustento de pessoas carentes e trabalhadores em 
geral e seus dependentes, providenciando a manutenção de um padrão mínimo 
de vida digna. 
 
 
 DIREITO PREVIDENCIÁRIO 11112222 
Saúde, previdência social e assistência social. 
A manutenção de um padrão mínimo de vida digna traduz o conceito de 
“mínimo existencial”. Então, podemos afirmar que a seguridade social é um 
meio para se atingir a justiça social. A justiça, por sua vez, é o fim da ordem 
social. 
 
A saúde é direito de todos e dever do Estado (Artigo 196 da CRFB), ou seja, 
independe de contribuição e, sendo assim, qualquer pessoa tem o direito de 
obter atendimento na rede pública de saúde. 
 
A previdência social é o seguro social para a pessoa que contribui. É uma 
instituição pública que tem como objetivo reconhecer e conceder direitos aos 
seus segurados. 
 
A assistência social será prestada a quem dela necessitar (Artigo 203 da 
CRFB/88), ou seja, aqueles que não têm condições de manutenção própria. 
Assim como a saúde, a assistência social independe de contribuição direta 
do beneficiário. 
 
Conforme menciona Marcelo Leonardo Tavares, “a assistência social é um plano 
de prestações sociais mínimas e gratuitas a cargo do Estado para prover 
pessoas necessitadas de condições dignas de vida. É um direito social 
fundamental e, para o Estado, um dever a ser realizado por meio de ações 
diversas que visem atender às necessidades básicas do indivíduo em situações 
críticas de existência humana, tais como maternidade, infância, adolescência, 
velhice, e de pessoas portadoras de limitações físicas. As prestações de 
assistência social são destinadas aos indivíduos sem condições de prover o 
próprio sustento de forma permanente ou provisória, independentemente da 
exigência de contribuição para o sistema de seguridade social”. 
 
 
 DIREITO PREVIDENCIÁRIO 11113333 
Da assistência social 
Artigo 203 – A assistência social será prestada a quem dela necessitar, 
independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por 
objetivos: 
 
A proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice. 
 
A promoção da integração ao mercado de trabalho. 
 
O amparo a crianças e adolescentes carentes. 
 
A garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de 
deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria 
manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei. 
 
A habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção 
de sua integração à vida comunitária. 
 
Não contributiva e contributiva 
Uma característica que vocês devem guardar no estudo da assistência social é 
que ela não é contributiva. Isto a diferencia da previdência social (outro ramo 
da seguridade social), que é contributiva, por expressa previsão constitucional. 
 
Assistência social 
Previdência Social 
Não é contributiva 
Contributiva 
 
A lei regente é a Lei nº 8.742/93 (Lei Orgânica de Assistência Social - LOAS), 
cujos objetivos são: a proteção à família, à maternidade, à infância, à 
adolescência e à velhice; o amparo a crianças e adolescentes carentes; a 
promoção da integração ao mercado de trabalho, além de habilitação e 
 
 DIREITO PREVIDENCIÁRIO 11114444 
reabilitação, de pessoas portadoras de deficiência; e a promoção de sua 
integração à vida comunitária e a garantia de um salário mínimo de benefício 
mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso (a partir de 65 anos) que 
comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção ou tê-la provida 
por sua família (Artigo 2º) e cuja renda mensal familiar per capita seja inferior a 
¼ do salário mínimo. 
 
LOAS ou BPC 
Chegamos ao momento mais importante desta aula: o benefício 
assistencial de prestação continuada, também denominado LOAS ou BPC. 
 
O benefício assistencial LOAS tem por fonte constitucional a norma prevista no 
Artigo 203, V, da CRFB/88, que garante um salário mínimo de benefício 
mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não 
possuir meios de prover à própria manutenção ou de tê-la provida por 
sua família, conforme dispuser a lei e, por fontes infraconstitucionais, o Artigo 
20 da Lei nº 8.742/93. 
 
O Artigo 20, portanto, traz a regulamentação do benefício assistencial LOAS, já 
que a norma constitucional é eficazmente limitada. 
 
Dois requisitos: um subjetivo e outro objetivo 
O benefício assistencial tem dois requisitos: um subjetivo e outro objetivo. 
 
Requisito subjetivo 
Requisito subjetivo 
 
Ser o requerente portador de deficiência de longo prazo ou ser idoso. 
 
Que a família do requerente tenha renda mensal per capita inferior a ¼ do 
salário mínimo. 
 
 
 DIREITO PREVIDENCIÁRIO 11115555 
Num primeiro momento, o STF, julgando a ADI nº 1.232-DF, considerou 
constitucional o disposto na legislação sobre o requisito financeiro. Todavia, o 
STJ vinha decidindo que o limite de ¼ do salário mínimo não era um critério 
absoluto e, por isto, deveria o juiz analisar as peculiaridades do caso concreto 
(AGRESP nº 523.864). Leia o texto do Supremo Tribunal Federal sobre a 
Reclamação nº 4374 (julgado em: 18/04/2013; DJ 03/09/2013). 
 
Programas de assistência social: 
O Supremo Tribunal Federal voltou a se manifestar sobre o tema recentemente 
e através da Reclamação nº 4374 (j. 18/04/2013, DJ 03/09/2013) revisou a ADI 
1232, reinterpretando a norma contida no Artigo 20§ 3º da lei 8742, e declarou 
a inconstitucionalidade parcial, sem pronúncia de nulidade, do Artigo 20, § 3º, 
da Lei 8.742/1993, conforme excertos do voto da lavra do Ministro Gilmar 
Mendes que passo a transcrever: “os programas de assistência social no Brasil 
utilizam, atualmente, o valor de ½ salário mínimo como referencial econômico 
para a concessão dos respectivos benefícios. Tal fato representa, em primeiro 
lugar, um indicador bastante razoável de que o critério de ¼ do salário mínimo 
utilizado pela LOAS está completamente defasado e mostra-se atualmente 
inadequado para aferir a miserabilidade das famílias que, de acordo com o 
Artigo 203, V, da Constituição, possuem o direito ao benefício assistencial. Em 
segundo lugar, constitui um fato revelador de que o próprio legislador vem 
reinterpretando o Artigo 203 da Constituição da República segundo parâmetros 
econômico-sociais distintos daqueles que serviram de base para a edição da 
LOAS no início da década de 1990. 
 
Esses são fatores que razoavelmente indicam que, ao longo dos vários anos 
desde a sua promulgação, o § 3º do Artigo 20 da LOAS passou por um 
processo de inconstitucionalização. Portanto,

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.