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Apostila direito previdenciario[1]

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além do já constatado estado de 
omissão inconstitucional, estado este que é originário em relação à edição da 
LOAS em 1993 (uma inconstitucionalidade originária, portanto), hoje se pode 
verificar também a inconstitucionalidade (superveniente) do próprio critério 
definido pelo § 3º do Artigo 20 da LOAS. 
 
 DIREITO PREVIDENCIÁRIO 11116666 
Trata-se de uma inconstitucionalidade que é resultado de um processo de 
inconstitucionalização decorrente de notórias mudanças fáticas (políticas, 
econômicas e sociais) e jurídicas (sucessivas modificações legislativas dos 
patamares econômicos utilizados como critérios de concessão de outros 
benefícios assistenciais por parte do Estado brasileiro). É certo que não cabe ao 
Supremo Tribunal Federal avaliar a conveniência política e econômica de 
valores que podem ou devem servir de base para a aferição de pobreza. Tais 
valores devem ser o resultado de complexas equações econômico-financeiras 
que levem em conta, sobretudo, seus reflexos orçamentários e 
macroeconômicos e que, por isso, devem ficar a cargo dos setores competentes 
dos Poderes Executivo e Legislativo na implementação das políticas de 
assistencialismo definidas na Constituição.”. 
 
INSS, autarquia federal especializada na matéria previdenciária. 
Verificados os requisitos do benefício assistencial, importante dizer quem tem 
atribuição para conceder o benefício, ou seja, onde o beneficiário deve buscar 
seus direitos. 
 
Em que pese o LOAS ser um benefício de natureza assistencial, a sua 
concessão é feita pelo INSS, autarquia federal especializada na matéria 
previdenciária. Isso acontece por questões práticas, pois a autarquia já 
possui estrutura própria espalhada por todo o país, em condições de atender à 
clientela assistida. 
 
Em razão de o Artigo 12, I, da Lei nº 8.742 estabelecer que compete à União 
responder pela concessão e manutenção dos benefícios de prestação 
continuada, incluindo o financiamento, já houve controvérsia acerca da 
legitimidade passiva nas ações que se pleiteava tal benefício. 
 
No sentido da legitimidade exclusiva da União, que é responsável pela 
manutenção da assistência social, cabendo ao INSS somente a execução, temos 
a doutrina do Prof. Fábio Zambitte. 
 
 DIREITO PREVIDENCIÁRIO 11117777 
Contudo, a corrente majoritária (STJ-ERESP nº 204.974, 3ª Seção, João Batista 
Lazzari, Marcelo Leonardo Tavares), apoiando-se no parágrafo único do Artigo 
29 da lei citada, entende pela legitimidade do INSS, haja vista que os recursos 
de responsabilidade da União destinados ao pagamento do benefício 
assistencial são repassados ao INSS, órgão responsável pela sua manutenção e 
execução. 
 
O Decreto nº 6.214, ao regulamentar o benefício assistencial, estabelece ser o 
INSS o responsável pela operacionalização do benefício, nos termos do Artigo 
3º: “Artigo 3º – O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é o responsável 
pela operacionalização do benefício de prestação continuada, nos termos deste 
Regulamento”. 
 
Sete regras de ouro 
Ainda sobre o LOAS, importante saber sete regras de ouro: 
 
Não pode ser acumulado pelo beneficiário com qualquer outro no 
âmbito da seguridade social ou de outro regime, salvo os da assistência 
médica e da pensão especial de natureza indenizatória. 
 
O benefício de prestação continuada deve ser revisto a cada 2 (dois) 
anos para avaliação da continuidade das condições que lhe deram origem. 
 
O pagamento do benefício cessa no momento em que forem 
superadas as condições referidas no caput ou em caso de morte do 
beneficiário, e será cancelado quando se constatar irregularidade na sua 
concessão ou utilização. 
 
O benefício de prestação continuada será suspenso pelo órgão 
concedente quando a pessoa com deficiência exercer atividade 
remunerada, inclusive na condição de microempreendedor individual. 
 
 
 DIREITO PREVIDENCIÁRIO 11118888 
A concessão do benefício de prestação continuada independe da 
interdição judicial do idoso ou da pessoa com deficiência. 
 
O Benefício de Prestação Continuada não está sujeito a desconto de 
qualquer contribuição e não gera direito ao pagamento de abono anual. 
 
O Benefício de Prestação Continuada é intransferível, não gerando direito 
à pensão por morte aos herdeiros ou sucessores. 
 
Princípios da seguridade social 
Os princípios da seguridade social estão previstos no parágrafo único do Artigo 
194 da CRFB/88, e são os seguintes: 
 
Universalidade da cobertura e do atendimento 
Significa que as prestações decorrentes do sistema da seguridade social serão 
destinadas a quem necessitar da forma mais abrangente possível. 
 
Uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações 
urbanas e rurais 
Consiste na superação das diferenças de tratamento às populações urbanas e 
rurais no Brasil, de forma a garantir uma abordagem equânime. 
 
Seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços 
Com a aplicação desse princípio, há uma ponderação dos critérios de 
atendimento pela necessidade, dando vantagem aos mais necessitados. 
 
Irredutibilidade do valor dos benefícios 
Tem por objetivo assegurar a manutenção do poder aquisitivo das prestações 
pecuniárias. 
 
 
 
 
 DIREITO PREVIDENCIÁRIO 11119999 
Equidade na forma de participação no custeio 
Consiste na igualdade de cobrança quando os financiadores se encontrarem sob 
a mesma condição fática. 
 
Diversidade da base de financiamento 
Significa que o ingresso nos cofres públicos de valores em favor da seguridade 
social são obtidos com arrecadação de contribuições sociais a cargo de 
trabalhadores e empregadores, bem como do orçamento dos entes da 
Federação. 
 
Caráter democrático e descentralizado da administração, mediante 
gestão quadripartite, com participação de trabalhadores, 
empregadores, aposentados e do Governo, nos órgãos colegiados 
Trata-se de participação dos representantes do governo, dos trabalhadores 
ativos e inativos e das empresas em órgãos colegiados da administração. 
 
Atividade proposta 
Reflita sobre o texto “Sujeito processual e deficiência social: as ‘condições 
peculiares do indivíduo’ como fatores determinantes da análise da deficiência 
nos processos previdenciários para fins de benefício assistencial”. 
Autora: Bianca Georgia Arenhart Munhoz da Cunha. 
 
Judicialização de conflitos indígenas 
Esta nova edição da Revista de Doutrina da 4ª Região apresenta o artigo 
“Judicialização de conflitos indígenas veiculados por meio de ações possessórias 
em face do cacique: possibilidade jurídica e limites da atuação judicial”. O 
trabalho, de autoria da Juíza Federal Substituta Priscilla Mielke Wickert Piva, 
aborda as restrições que usos, costumes e tradições impõem à intervenção da 
Justiça nessas disputas. Analisa a divergência entre um cacique e outro índio, 
ao qual é infligida a pena de expulsão da aldeia, e avalia a viabilidade jurídica 
de ajuizamento de ação possessória nesse caso. A magistrada examina a 
natureza jurídica da posse sobre as terras tradicionalmente ocupadas pelos 
 
 DIREITO PREVIDENCIÁRIO 22220000 
povos nativos – posse coletiva contraposta à pretensão de posse individual – e 
questiona: “Até que ponto o Poder Judiciário pode interferir na cultura 
indígena?”. 
 
A autora observa que, no Brasil, constituído como Estado multiétnico e 
multicultural é plenamente possível e conciliável a existência, paralelamente ao 
ordenamento jurídico sustentado pela Constituição Federal, de “uma enorme 
gama de regras que organizam centenas de formações indígenas ocupantes de 
toda a extensão do território nacional”. Ela