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ELETROTERAPIA O primeiro a descrever a eletroestimulação funcional do assoalho pélvico foi Bors, em 1958. Fall, em 1970. Em meados da década de 70 surgiram as primeiras sondas vaginais ou retais que, ao serem introduzidas naqueles canais, produzem estímulos elétricos que provocam a contração da musculatura do assoalho pélvico (MAP), independentemente da vontade da mulher ou não. Todo músculo responde com contração a um estímulo elétrico. Partindo desse fato, o uso de correntes elétricas de baixa intensidade no treinamento muscular vem sendo utilizado há mais de 50 anos. Como acontece para qualquer outra musculatura, a eletroestimulação não causa diretamente o fortalecimento da MAP. Para que este fortalecimento ocorra, é indispensável que durante o tratamento sejam realizados os exercícios de fortalecimento com carga, como os Exercícios de Kegel, com cones vaginais, com biofeedback ou com a resistência das mãos do fisioterapeuta. É relativamente comum encontrar mulheres que não saibam contrair a MAP, uma vez muitas delas mantém sua MAP praticamente inativa, por nem mesmo saber da existência desse grupo muscular. Nestes casos, o estímulo elétrico fornece uma informação neuromotora, ensinando a mulher qual musculatura exatamente deve ser contraída, e de que jeito ela deve contrair. FUNCIONAMENTO Um eletrodo anatômico é introduzido na vagina ou no reto, dependendo do caso. Ele produz um estímulo elétrico de baixa intensidade: um choque bem fraquinho. Este estímulo causa duas respostas bastante distintas: contração da MAP e inibição da hiperatividade da bexiga. EFEITO ELÉTRICO DE CONTRAÇÃO DA MAP: A corrente elétrica proveniente do eletrodo vaginal ou anal atinge o nervo pudendo, responsável pela inervação dos MAP. A resposta à este estímulo é uma contração reflexa (inconsciente) da musculatura. Esta contração reflexa não causa diretamente o fortalecimento dos MAP, mas fornece um estímulo proprioceptivo (informação ao sistema nervoso; sensibilidade de movimento) muito importante para aquela mulher que não sabe como contrair sua MAP. Para que haja o fortalecimento da musculatura, são indispensavelmente necessários os exercícios com carga para a MAP. SEGUNDO EFEITO ELÉTRICO: INIBIÇÃO DA HIPERATIVIDADE DA BEXIGA Outro efeito que a estimulação elétrica dos MAP causa é a redução da hiperatividade da bexiga. Certos casos de incontinência urinária são causados por um comportamento nervoso anormal do músculo detrusor que forma a bexiga em si. Contrações involuntárias (sem a vontade da mulher) do detrusor fazem com que a bexiga seja esvaziada fora de hora. O que faz o detrusor contrair-se de maneira desordenada são estímulos nervosos atípicos (não normais), que fogem do controle voluntário. O resultado é a chamada incontinência urinária de urgência, onde a frequência diária do urinar é anormalmente alta. Estudos vêm descrevendo que a eletroterapia tem funcionado bem no combate a este tipo específico de incontinência. USO DA ELETROESTIMULAÇÃO NAS DISFUNÇÕES SEXUAIS: A eletroestimulação auxilia no tratamento de disfunções sexuais como a anorgasmia, ejaculação precoce, disfunções de lubrificação, e até mesmo no processo de fertilização quando se refere a fraqueza de ejeção de esperma, dentre muitas outras patologias. Os diversos desarranjos do assoalho pélvico normalmente ocorrem por fraqueza da musculatura, que após fortalecida e compreendida, como propõe o equipamento são comumente reparadas. USO DA ELETROESTIMULAÇÃO NAS SÍNDROMES PELVICAS: A bexiga, o útero e o intestino reto são órgãos que ficam localizados na pelve e são sustentados pelos chamados músculos do períneo. Mas, quando esses músculos enfraquecem muitas mulheres podem ser diagnosticadas, por exemplo, com prolapso da bexiga, a famosa bexiga caída. O prolapso de bexiga, útero, e reto, podem ocorrem durante períodos como na fase idosa, após período gestacional, e por fatores de constipação, outros procedimentos cirúrgicos como a histerectomia, também colabora para disfunções do assoalho pélvico. Entretanto a eletroestimulação quando realizada adequadamente e em estágios inicias destas anormalidades, pode auxiliar no tratamento da patologia. BENEFÍCIOS: Aumenta o fluxo sanguíneo para os músculos do assoalho pélvico; Restabelece as conexões neuromusculares; Melhora a função das fibras musculares, gerando hipertrofia; Modifica o padrão de ação das fibras musculares, pelo aumento do número de fibras rápidas; CORRENTES MAIS UTILIZADAS: Alternadas / Bipolares; Interferenciais; INTENSIDADE: Deve ser a máxima tolerada pelo paciente; Mensurada em miliampéres (mA); TIPOS DE APLICAÇÃO: Endocavitária Vaginal; Anal; Extra-cavitária Sacral; Abdominal (pélvica); FREQUÊNCIAS MAIS UTILIZADAS NO TRATAMENTO DAS DISFUNÇÕES DO ASSOALHO PÉLVICO: 2 a 10Hz - inibição do detrusor (Bexiga Hiperativa, Urgência ou Urge- incontinência); 20 a 80Hz - fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico - MAPs 4Hz - analgesia crônica (Dor pélvica crônica); 100Hz - analgesia de dor aguda (dismenorréia primária- cólica menstrual); CONTRA-INDICAÇÕES DA ELETROTERAPIA: Gravidez; Redução da função cognitiva; Lesões cutâneas (na área a ser tratada); Lesões ou infecções urinárias ou vaginais; Menstruação (em caso de uso de eletrodo vaginal); Implantes metálicos (no quadril ou membros inferiores); Câncer de colo do útero, reto ou gênito-urinário; Marcapasso cardíaco; REFERÊNCIAS: LEILA BEUTTENMÜLLER, SAMÁRIA ALI CADER, RAIMUNDA HERMELINDA MAIA MACENA, NAZETE DOS SANTOS ARAUJO, ÉRICA FEIO CANEIRO NUNES, ESTÉLIO HENRIQUE MARTIN DANTAS. Contração muscular do assoalho pélvico de mulheres com incontinência urinária de esforço submetidas a exercícios e eletroterapia: um estudo randomizado. USP, 2011. SANDRA REBOUÇAS MACÊDO. Eletroterapia - Tratamentos avançados em fisioterapia. BEM VIVER, ACESSO 25/05/2015, 17:52. RAQUEL ELEINE WOLPE, ARIANA MACHADO TORIY, FABIANA PINHEIRO DA SILVA, KAMILLA ZOMKOWSKI, FABIANA FLORES SPERANDIO. Atuação da fisioterapia nas disfunções sexuais femininas: uma revisão sistemática. USP, 2015. VIVIANE HERRMANN; BENHUR ANTÔNIO POTRICK; PAULO CÉSAR RODRIGUES PALMA; CASSIO LUIS ZANETTINI; ANDREA MARQUES; NELSON RODRIGUES NETTO JÚNIOR. Eletroestimulação transvaginal do assoalho pélvico no tratamento da incontinência urinária de esforço: avaliações clínica e ultra-sonográfica. SCIELO, 2003