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Anestesia a Vitória sobre a Dor   Airton Bagatini

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resolver a situação).
Depois de superada essa etapa inicial, outras dúvi-
das surgem; entre elas destaca-se a anestesia, com todos
os seus componentes relacionados com fatos ocorridos
com conhecidos ou relatados por parentes ou até lidos
na imprensa. Nesta fase o que mais se
destaca são o desconhecimento do as-
sunto e os eventuais relatos (quase sem-
pre assustadores) de parentes e amigos.
Naturalmente, neste momento deseja-
mos o melhor anestesiologista e a me-
lhor técnica de anestesia. Este capítulo mostra os cami-
nhos para que essas escolhas (da técnica e do profissional
que vai aplicá-la) sejam feitas de maneira racional.
Habitualmente, quem necessita realizar uma cirur-
gia faz o contato inicial com o médico clínico de sua
confiança, que, constatada a necessidade da cirurgia, en-
caminha ao cirurgião. A partir desse momento é criado
um vínculo entre o paciente e o cirurgião, que deve ir
aumentando à medida que são feitas as consultas, os exa-
mes e são adotadas definições importantes para que a
cirurgia venha efetivamente a ser realizada.
9
Consultório de anestesia
Naturalmente desejamos
o melhor anestesista
e a melhor técnica
de anestesia.
62 ANESTESIA
Se tudo correr bem, em algum momento entrará o
tema da escolha da anestesia que será necessária para o
ato cirúrgico e do anestesista a ser encarregado da aplica-
ção da mesma. Na maioria dos casos, essa escolha é trans-
ferida do paciente para o cirurgião, que geralmente está
mais acostumado a trabalhar com determinados profis-
sionais anestesiologistas. Isso pode ser definido como tra-
balho em equipe.
Quando o paciente aceita as recomendações do ci-
rurgião, sua preocupação passa para outros temas, como
o hospital em que vai ser feito o procedimento, a aco-
modação a ser utilizada, o tempo para recuperação, etc.
Essa visão tradicional de como
acontece a escolha do anestesista pode,
e mais modernamente isso tem acon-
tecido, sofrer modificações. A escolha
do profissional responsável pela anes-
tesia pode ser também do paciente (ou
de seus responsáveis, em situações especiais), em comum
acordo com o cirurgião.
É evidente que para realizar uma boa escolha, al-
guns requisitos são importantes:
– conhecimento técnico para selecionar um ou ou-
tro profissional, o que geralmente falta ao paciente;
– a capacidade desse profissional, uma vez selecio-
nado, de trabalhar em equipe com o cirurgião.
Fica claro que a opinião, as preferências e a indica-
ção do cirurgião são importantes e merecem grande con-
sideração. A partir do momento em que a escolha do
anestesista foi feita, é desejável que haja um encontro
para definir os passos seguintes.
Acompanhando tendências mais modernas, para
propiciar esse encontro, a maioria dos anestesiologistas
A escolha do profissional
responsável pela anestesia
pode ser também
do paciente.
 ANESTESIA 63
já dispõe de estruturas específicas, consultórios particu-
lares, ambulatórios em hospitais, etc. que permitem o
contato prévio entre o paciente e o anestesiologista. Isso
tem se constituído num fator de aprimoramento da aten-
ção que o paciente recebe e tem contribuído para me-
lhorar a relação que deve ser estabelecida entre o médico
anestesiologista e o paciente.
O consultório aproxima o médico anestesiologista
do paciente, permite o conhecimento das técnicas que
serão utilizadas e facilita o encaminhamento da cirurgia.
No primeiro contato, facilmente se estabelece um vín-
culo de confiança profissional entre o paciente e o anes-
tesiologista.
ENTREVISTA PREPARATÓRIA
Na entrevista inicial, o anestesiologista faz várias
perguntas para determinar as características do paciente
e da cirurgia; com a informação colhida, propõe a anes-
tesia que julga mais indicada para cada situação particu-
lar. Cada pessoa é diferente e não exis-
tem receitas feitas para anestesia. Cada
ato anestésico é individual e deve ser
adaptado as necessidades específicas de
cada paciente. Por isso, a anestesia pro-
posta para seu caso pode ser diferente da que recebeu
um parente ou vizinho. Essas diferenças podem ser per-
guntadas ao profissional; ele dará as explicações cabíveis
e mostrará as semelhanças e diferenças em relação ao seu
caso particular.
A técnica selecionada para cada caso deve ser bem
explicada pelo anestesiologista e todas as dúvidas escla-
Cada pessoa é diferente
e não existem receitas
feitas para anestesia.
64 ANESTESIA
recidas preferencialmente nesse momento. Sua opinião
(ou seus desejos) devem ser expostos e serão levados em
consideração pelo médico anestesiologista.
O usual é que os pedidos sejam atendidos; quando
isso não é possível, uma explicação fundamentada é ofe-
recida para esclarecer, porque é necessário fazer uma abor-
dagem que difere da expectativa do paciente.
É possível que uma entrevista seja suficiente, po-
rém podem existir casos em que sejam necessários exa-
mes (sangue, urina, eletrocardiograma, etc.) ou o paciente
precise de tempo para refletir sobre as propostas recebi-
das, e uma nova consulta se faz necessária para definir a
situação.
Na entrevista, várias perguntas serão formuladas pelo
anestesiologista para conhecer seus antecedentes e para,
a partir dessa informação, estabelecer o tipo de anestesia
e quais anestésicos a serem administrados com maior se-
gurança e conforto para a cirurgia programada.
Esse conjunto de informações deve ser dado de
maneira simples e objetiva e deve obrigatoriamente ser
verdadeiro, para colaborar de fato com o planejamento
da anestesia.
As falhas por omissão ou por não falar a verdade
podem trazer conseqüências graves durante a cirurgia.
Sua colaboração nesse momento é fundamental.
O interrogatório usual compreende cirurgias e anes-
tesias anteriores, incluindo seus efeitos adversos, o que é
importante para que o anestesiologista conheça as rea-
ções particulares do paciente relacionadas com a aneste-
sia. Outras doenças presentes e seus tratamentos serão
úteis para determinar os tipos de anestésicos que deve-
rão ser administrados, assim como prever possíveis mo-
dificações dos efeitos dos anestésicos quando combina-
 ANESTESIA 65
dos com os remédios que o paciente usa. Alergia a remé-
dios ou doenças alérgicas é outra parte de destaque. Os
anestésicos modernos em geral têm
pouca capacidade de causar reação alér-
gica, porém é importante saber se o
paciente tem facilidade ou propensão
a esse tipo de problema.
A IMPORTÂNCIA DO JEJUM
Uma recomendação constante na visita ao consul-
tório do anestesiologista refere-se ao período de jejum
necessário antes da cirurgia. A duração é variável, porém
o jejum é sempre necessário.
O estômago vazio é muito importante para ga-
rantir mais segurança ao ato anestésico, evitando vô-
mitos e algumas de suas conseqüências, que podem
ocasionar danos ao paciente e também porque a recu-
peração pós-operatória e o retorno à função digestiva
normal são mais rápidos quando o paciente inicia a
cirurgia em jejum.
Normalmente, quando o procedi-
mento cirúrgico está marcado para a
manhã, o paciente pode receber alimen-
tação e tomar líquidos no dia anterior
à cirurgia até as 22 ou 24 horas, deven-
do depois abster-se de qualquer tipo de
ingesta. Se a cirurgia for à tarde, pode ser permitido o
desjejum leve.
Evidentemente que esses parâmetros gerais são adap-
tados a cada situação específica, podendo ser maiores os
tempos ou mais rígidas as indicações.
Os anestésicos modernos
em geral têm pouca
capacidade de causar
reação alérgica.
O estômago vazio é
muito importante para
garantir mais segurança
ao ato anestésico.
66 ANESTESIA
A tendência moderna é pela diminuição do tempo
de restrição absoluta, havendo mais liberdade para a in-
gestão de alguns tipos de bebida. Isso se aplica particu-
larmente às crianças, que têm mais dificuldade em acei-