As Deusas e a Mulher - Jean Shinoda Bolen
238 pág.

As Deusas e a Mulher - Jean Shinoda Bolen


DisciplinaPsicologia Analítica Junguiana276 materiais2.138 seguidores
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Jean Shinoda Bolen 
PAULUS 
 
AS DEUSAS E A MULHER 
nova psicologia das mulheres 
 
 
 
as deusas 
e a mulher 
nova psicologia das mulheres 
 
 
 
Jean Shinoda Bolen 
 
(Orelhas) 
 
Este é um livro que combina mitologia e psicologia, a fim de proporcionar à mulher mais 
compreensão sobre a sua vida íntima, comportamento e ação no mundo. A Autora parte da 
consideração das antigas deusas gregas, vendo nelas padrões constantes na psique da mulher 
ou, segundo Jung, arquétipos que moldam a existência. Esses poderosos padrões interiores 
são responsáveis pelas diferenças entre as mulheres, e compreender sua ação e inter-relação é 
a chave para o autoconhecimento e busca de integridade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Jean Shinoda Bolen proporciona uma nova tipologia das mulheres, em muitos pontos 
ultrapassando os pontos de vista da psicologia junguiana. É livro importante para a mulher e 
para o homem; a mulher nele descobrirá seu caminho, e o homem com ele aprenderá o que é 
mulher, e qual será a sua mulher. 
Jean Shinoda Bolen é doutora em medicina, psiquiatra e analista junguiana, professora na 
Universidade da Califórnia e membro da Ms. (Fundação para Mulheres). Jean também ensina e 
dirige seminários na região da baía de San Francisco e em todo o país. Casada com James 
Bolen, tem dois filhos e mora em Mill Valley, Califórnia. 
 
 
 
 
 
Título original 
Goddesses in Everywoman 
©Jean Shinoda Bolen, Harper & Row, San Francisco, 1984 
Tradução Maria Lydla Remédio 
Revisão Ivo Storniolo 
 
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
 (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) 
Bolen, Jean Shinoda. 
As deusas e a mulher: nova psicologia das mulheres 
Jean Shinoda Bolen 
tradução Maria Lydia Remédio - revisão Ivo Storniolo - São Paulo : Paulus, 1990. - 
(Coleção amor e psique) 
Bibliografia ISBN 85-349-0709-9 
1. Arquétipo - Psicologia 2. Mitologia grega - Aspectos psicológicos 3. Mulheres-Mitologia 
4. Mulheres-Psicología. Título. II. Série: Amor e psique. 
90-0579 CDD-305.4 
-150.1954 
-155.633 
-292.08 
índices para catálogo sistemático: 
1. Arquétipo : Psicologia 150.1954 
2. Mitologia grega : 292.08 
3. Mulheres : Condições sociais : Sociologia 305.4 
4. Mulheres : Mitologia grega 292.08 
5. Mulheres : Psicologia 155.633 
 
INTRODUÇÃO À COLEÇÃO AMOR E PSIQUÉ 
©PAULUS-1990 
Rua Francisco Cruz, 229 
04117-091 São Paulo (Brasil) Fax (011)570-3627 Tel.(011)5084-3066 
http://www.paulus.org.br dir.editorial@paulus.org.br 
ISBN 85-349-0709-9 
ISBN 0-06-250082-1 (ed. original) 
PAULUS 
Estrada de São Paulo 
2685 Apelação (Portugal) Fax (01) 948 88 78 Tel. (01)94724 14 
 
Na busca de sua alma e do sentido de sua vida, o homem descobriu novos caminhos que o 
levam para a sua interioridade: o seu próprio espaço interior torna-se um lugar novo de 
experiência. Os viajantes desses caminhos nos revelam que somente o amor é capaz de gerar a 
alma, mas também o amor precisa da alma. Assim, em lugar de buscar causas, explicações 
psicopatológicas às nossas feridas e aos nossos sofrimentos, precisamos, em primeiro lugar, 
amar a nossa alma, assim como ela é. Deste modo é que poderemos reconhecer que estas 
feridas e estes sofrimentos nasceram de uma falta de amor. Por outro lado, revelam-nos que a 
alma se orienta para um centro pessoal e transpessoal, para a nossa unidade e a realização de 
nossa totalidade. Assim, a nossa própria vida chegará em si um sentido, o de restaurar a nossa 
unidade primeira. Finalmente, não é o espiritual que aparece primeiro, mas o psíquico, e 
depois o espiritual. E a partir do olhar do imo espiritual interior que a alma toma seu sentido, o 
que significa que a psicologia pode de novo estender a mão à teologia. Esta perspectiva 
psicológica nova é fruto do esforço para libertar a alma da dominação da psicopatologia, do 
espírito analítico e do psicologismo, para que volte a si mesma, à sua própria originalidade. Ela 
nasceu de reflexões durante a prática psicoterápica, e está começando a renovar o modelo e a 
finalidade da psicoterapia. E uma nova visão do homem na sua existência cotidiana, do seu 
tempo, e dentro de seu contexto cultural, abrindo dimensões diferentes de nossa existência 
para podermos reencontrar a nossa alma. Ela poderá alimentar todos aqueles que são 
sensíveis à necessidade de colocar mais alma em todas as atividades humanas. 
 
A finalidade da presente coleção é precisamente restituir a alma a si mesma e "ver aparecer 
uma geração de sacerdotes capazes de entender novamente a linguagem da alma", como C. G. 
Jung o desejava. 
 
Léon Bonaventure 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
À minha mãe, Megumi Yamaguchi Shinoda, formada em Medicina. 
Apesar de não ter tido a mesma oportunidade, ela se empenhou em 
ajudar-me a me tornar adulta, sentindo que eu era afortunada por ser 
uma menina, e que poderia fazer o que quer que eu aspirasse como 
mulher. 
 
 
 
 
 
PRÓLOGO À EDIÇÃO BRASILEIRA 
 
Todos nós necessitamos do encontro com o outro para o encontro consigo mesmo. 
Esta é a faísca geradora do conhecimento e da transformação que é parte potencial 
em nós. Essa necessidade natural de encontrar-se e descobrir-se aparece desde 
sempre: "Abrirei minha boca em parábolas, revelarei coisas escondidas desde a 
criação do mundo" (Mt 13,35). 
As parábolas foram usadas para os primeiros contatos e revelações na relação Deus-
ser humano. Os mitos, assim como as parábolas, nos aproximam da comunicação dos 
deuses com o homem, possibilitando uma religação com a dimensão cósmica e 
sagrada, a busca da própria verdade, o encontro com a alma. 
É em busca da origem da mulher, da sua história, do seu mito, que a autora descreve 
os caminhos da mulher, baseada em imagens simbólicas trazidas pelas deusas 
gregas que estiveram e estão vivas na imaginação. 
A grandeza das deusas mitológicas, assim como das imagens arquetípicas descritas 
por C.G. Jung, está na eternidade de sua essência e em sua permanência na mente 
humana. As imagens simbólicas dos arquétipos enriquecem e ampliam nossa 
consciência; elas tem diferentes aspectos do si-mesmo, e o seu conhecimento permite 
à mulher compreender e desvendar seus próprios sentimentos e recuperar seu Eu. 
Despertar para a mitologia significa estar desperto para a realidade da vida. Atender 
ao chamado de cada deusa (de nós mesmos) e dos diferentes relacionamentos que 
ecoam em nós, descobrir-lhes o sentido e o significado em nosso cotidiano, é o 
caminho para resgatar nossa alma. 
A reflexão e assimilação do conhecimento das "deusas e a mulher" propiciam para o 
ser humano, homem e mulher, um guia para a sua alma, em busca de sua integridade. 
A rotina a ser vencida, cheia de obstáculos sociais; a assimilação da cultura e do 
conhecimento; o compromisso socioprofissional; o compromisso de ser mãe, muitas 
vezes em choque com as outras possibilidades; tudo isso se faz presente como Eris 
(deusa da discórdia) e nos força a repensar e a nos reposicionar perante a vida. A 
discórdia é um fator primordial presente nos questionamentos, dúvidas e também nas 
alianças, integrando aspectos do inconsciente, a sombra, abrindo espaço para a 
necessidade de liberação e desenvolvimento da consciência. A quantidade de opções 
que somos obrigados a fazer ao longo da vida só nos alimenta e ilumina quando vem 
ao encontro de nossa inteireza. 
Essa é a proposta de Jean Shinoda Bolen. 
As sete deusas que a autora descreve - Ártemis, Atenas, Héstia, Hera, Deméter, 
Perséfone e Afrodite são ainda hoje sete possibilidades excludentes de ser mulher. A 
autora nos mostra através do mito do julgamento de Paris, exemplo de princípio 
patriarcal, como se estabeleceu a exclusão das possibilidades femininas. Houve uma 
primeira