NT 7 Mov água planta
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NT 7 Mov água planta


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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO 
UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ÁRIDO 
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS AMBIENTAIS 
DISCIPLINA DE RELAÇÃO ÁGUA-SOLO-PLANTA-ATMOSFERA 
PROFESSOR: Francisco de Queiroz Porto Filho 
 
5.3. Fluxo de água na planta 
5.3.1. Fluxo de água no contínuo solo-planta-atmosfera 
O fluxo de água no sistema solo-planta-atmosfera ocorre de forma interdependente e 
sempre de um maior potencial para um menor. Ou seja, a planta para absorver água do solo 
tem que estar com o potencial total (\u3a8t) de água na raiz menor que o do solo. 
As componentes de importância do \u3a8t são: potencial gravitacional (\u3a8g) potencial de 
pressão (\u3a8p), potencial matricial (\u3a8m), potencial osmótico (\u3a8os). Sendo que a presença e a 
magnitude de cada um desses componentes, no solo, na planta ou na atmosfera é de forma 
diferenciada. 
No solo, só existe a possibilidade de aparecer 3 deles, pois quando o solo está saturado 
não existe \u3a8m e quando o teor de umidade está abaixo da saturação, não existe \u3a8p. À 
medida que o solo vai ficando mais seco o \u3a8os diminui (aumento da concentração dos íons) 
e o \u3a8m diminui em proporções logarítmicas tornando o \u3a8g desprezível. 
Na atmosfera, o único componente presente é o \u3a8p, devido a pressão parcial de vapor 
e assume valores bem negativo, sob condições de umidade relativa do ar baixa e temperatura 
elevada ( como exemplo : massas de ar a uma mesma temperatura de 27ºC e sob umidades 
relativas de 99, 90 e 40 % apresentam \u3a8p de, respectivamente, -13, 7, -144 e \u20131251 atm ). 
 Na planta, em células de tecidos tenros se sobressaem os \u3a8os e \u3a8p (potencial de 
pressão de turgescência). O \u3a8p aparece devido a pressão que o suco celular exerce sobre a 
parede celular, podendo em casos extremos arrebentar a célula. Na falta de água o \u3a8p tende 
para zero (plasmólise incipiente) podendo o protoplasma se separar da parede celular 
formando vazios que retornam a posição inicial na presença de água (com muito estresse os 
plasmodermas rompem) , também pode ocorrer que a parede celular se curve internamente 
sem haver separação (\u201ccytorrhysis\u201d), com \u3a8p negativo de poucas frações de bar, que ocorre 
regularmente no murchamento de plantas. O \u3a8os aparece devido aos solutos no suco 
celular e seus valores são da ordem de \u20135 a \u201310 atm. 
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Em tecido vegetal fibroso ou lenhoso são importantes os \u3a8os e \u3a8m. O \u3a8m aparece 
porque as fibras de celulose e aglomerados de amido se comportam como a matriz sólida do 
solo. Sementes e outros tecidos lenhosos em caules, raízes, tubérculos e tecidos 
meristemáticos podem apresentar \u3a8m bem negativo. 
5.3.2. Função das raízes 
 As raízes das plantas desempenham a função de absorção de água, solutos e de suporte 
da parte aérea, armazenadoras de reservas nutritivas e sintetizadoras de vários compostos 
orgânicos. A organização interna da raiz é relativamente simples e composta da epiderme, 
córtex e cilindro central. 
 Nas raízes jovens, a epiderme, intensificada pelos pêlos radiculares, tem a função de 
absorção. As células do córtex participam do armazenamento de reservas nutritivas e do 
transporte lateral de água e sais minerais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1. Diagrama da seção transversal de uma raiz de abóbora na região de máxima 
absorção de água e sais minerais (Crafts & Broyer, 1938). 
 
 A camada mais interna do córtex, a endoderme, contem depósito de suberina nas 
paredes primárias das células, de forma radial e transversal, chamadas de Estrias de Caspary, 
que são firmemente presas aos protoplasmas fazendo com que a solução que se desloca pelas 
paredes celulares da raiz, em direção ao cilindro central (vasos do xilema), passe 
necessariamente através do protoplasma das células da endoderme. E necessariamente tenha 
Mov. da solução do solo pelos espaços 
intercelulares (biologicamente inativo) 
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de passar através de membranas com permeabilidade seletiva, que deixam passar livremente 
apenas H2O, CO2 e O2. 
Figura 2. Fluxo de água através da epiderme (Ep), córtex (Co) e cilindro central (Cc), onde: S=solo; 
C=citoplasma; P=parede celular; V=vacúolo; Pl= plasmodesma; EC=estrias de Caspary e X = xilema;. 
 
 O fluxo de substâncias através da planta pode ser passivo, pelo Apoplasto (paredes 
celulares, espaços intercelulares e elementos mortos do xilema) ou ativo, ao passar pela 
membrana seletiva, através do Simplanto (protoplasmas das células, que são interligadas 
pelos plasmodermos.). 
 Na raiz a máxima absorção de água ocorre na região de maturação onde o xilema está 
bem diferenciado e na qual a suberização e lignificação ainda não reduziram a 
permeabilidade das paredes celulares. 
Figura 3. Extremidade de raiz mostrando a ordem de maturação de vários tecidos. 
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5.3.3. Estrutura e funções do Xilema 
 O xilema é um tecido complexo, inicialmente vivo e depois morto, composto de 
elementos traqueais, fibras e parênquima, sendo o principal responsável pelo transporte de 
água nas plantas, desde o solo até a atmosfera (contínuo solo-planta-atmosfera). Ele está 
normalmente associado com o floema, tecido condutor dos fotoassimilados, formando um 
sistema vascular contínuo que percorre toda a planta. A taxa de fluxo é regulada pela 
resistência presente em cada parte do contínuo. 
Figura 4.Vista lateral de alguns traqueídeos (A e B) e elementos de vaso (C a G) 
 
5.3.4. Absorção de água pelas plantas 
As plantas para absorverem água necessitam abaixarem o seu \u3a8t que ocorre, 
basicamente de duas formas: uma é através da transpiração (Teoria coeso-tenso-
transpiratória) e a outra é através do acúmulo de íons e/ou produção de solutos orgânicos. 
5.3.4.1. Teoria coeso-tenso-transpiratória 
Sob condições da atmosfera de demanda evaporativa (\u3a8p da atmosfera muito baixo) 
a planta perde água através dos estômatos. A água provém das células do mesófilo foliar que 
em conseqüência da perda diminuem o seu \u3a8t. Esta tensão é transmitida por duas a três 
células até os traqueídeos da folha e destes para os vasos do xilema que a transmite até as 
raízes. Nas raízes o \u3a8os das células são diminuídos causando, conseqüentemente , redução 
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do \u3a8t das raízes para valores menores que do solo, fazendo com que a água flua facilmente 
do solo para a raiz, à procura do menor \u3a8t existente na raiz. 
5.3.4.2. Acúmulo de íons e/ou solutos orgânicos 
O acúmulo de íons e/ou a produção de solutos orgânicos pela planta, induz a uma 
redução do potencial osmótico e por extensão do potencial hídrico na raiz, que ficando menor 
que do solo, cria o gradiente favorável a absorção de água, funcionando como um 
osmômetro. 
A entrada de água cria uma pressão hidrostática positiva e a ascensão da solução na 
forma de fluxo em massa (pressão de raiz), podendo resultar na perda de água na forma 
líquida (gutação), verificada em algumas plantas. 
Se as raízes regulam a entrada de água, são os estômatos quem regulam a saída, 
através dos mecanismos de abertura e fechamento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 5. Translocação de água através do contínuo solo-planta-atmosfera, sendo: en, 
endoderme; p, pelo radicular; es, estômato; e t, elemento traqueal 
 
5.3.5. Fisiologia e funcionamento dos estômatos 
 Estômatos são formações encontradas nas epidermes, especialmente das folhas, da 
maioria das plantas superiores. São constituídos por duas células diferenciadas das células da 
epidérmicas comuns, com formato de rins, ou de grãos de feijão, chamadas de células 
guardas, que ficam com os hilos voltados um para o outro deixando entre os mesmos uma 
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pequena abertura chamada de ostíolo, pelo qual ocorrem as trocas gasosas entre a planta e o 
meio. 
Figura 6. Estômato: 1. Célula estomática ou Célula guarda; 2. Núcleo das células guardas; 3. Cloroplastos; 4. 
Célula da epiderme; 5. Ostíolo (abertura