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CERVO, Amado e BUENO, Clodoaldo   História da Política Exterior do Brasil.

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proprio, não de acordo com instância 
vossa de petição a nós apresentada a respeito disto, ou de outrem 
a favor de vós, mas por nossa mera liberalidade, e de ciência certa, 
e em razão da plenitude do poder Apostólico, todas (essas) ilhas e 
terras firmes achadas e por achar, descobertas ou por descobrir, 
para o Ocidente e o Meio Dia, fazendo e construindo uma linha 
desde o Polo Antártico, a saber Meio Dia, quer sejam terras firmes e 
ilhas encontradas e por encontrar em direção a qualquer outra parte, a 
qual linha diste de qualquer das ilhas que vulgarmente são chamadas 
dos Açores e Cabo Verde cem léguas para o Ocidente e o Meio Dia, de 
tal modo que todas as ilhas e terras firmes achadas e por achar 
descobertas ou por descobrir desde a sobredita linha para o 
Ocidente e o Meio Dia não tenham sido possuídas atualmente por 
outro Rei ou príncipe Cristão até ao dia da Natividade de Nosso 
Senhor Jesus Cristo próximo pretérito, a partir do qual começa 
o presente ano de 1493, quando foram pelos vossos Emissários 
e Capitães achadas algumas ilhas antes ditas, – a Vós e a vossos 
herdeiros e sucessores (Reis de Castela e Leão) pela autoridade 
do Deus onipotente a nós concedida em S. Pedro, assim como do 
Vicariato de Jesus Cristo, a qual exercemos na terra, para sempre, 
no teor das presentes, vo-las doamos, concedemos e entregamos 
com todos os seus Domínios, Cidades, Fortalezas, Logares, Vilas, 
direitos, jurisdições e todas as pertenças.
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Anexos
E a vós e aos sobreditos herdeiros e sucessores, vos fazemos, 
constituímos e deputamos por senhores das mesmas, com pleno, 
livre e onímodo poder, autoridade e jurisdição.
§ 7o Decidindo, contudo por esta nossa doação, concessão 
à assignação, não poder entender-se, nem dever alegar-se ter 
sido abolido direito adquirido, a nenhum príncipe Cristão, que 
praticamente tiver possuído as citadas ilhas e terras firmes, até 
o dito dia da Natividade de Nosso Senhor Jesus Cristo. E mais 
vos encarregamos, em virtude de Santa Obediência, conforme 
prometeis e não duvidamos que hajais de fazer, em razão da vossa 
grandíssima devoção e régia magnanimidade que devais enviar para 
as terras firmes e ilhas atrás citadas, varões honestos e tementes 
a Deus, doutos, peritos e experimentados, para instruírem os 
sobreditos povoadores e habitantes na fé Católica e ensiná-los nos 
bons costumes, empregando toda a devida diligência nas coisas 
antes ditas.
§ 8o E a quaisquer pessoas, de qualquer dignidade – mesmo 
Real e Imperial –, (de qualquer) estado, grau, ordem ou condição, 
muito estritamente proibimos, sob pena de excomunhão latae 
sententiae, em que incorrem por isso mesmo se se opuserem – de 
que, para resgatar mercadorias ou por qualquer outra causa, não 
presumam aproximar-se das ilhas e terras firmes, achadas e por 
achar, descobertas ou por descobrir na direção do Ocidente e Meio 
Dia, fabricando e construindo uma linha desde o Polo Ártico ao 
Polo Antártico, quer as terras firmes ou as ilhas achadas e por 
achar estejam para o lado da Índia ou para qualquer outro lado, 
a qual diste cem léguas de qualquer das ilhas que vulgarmente 
são chamadas dos Açores e Cabo Verde, para o Ocidente e Meio 
Dia, como antes se diz –, sem a vossa especial licença e dos vossos 
sobreditos herdeiros e sucessores.
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História da política exterior do Brasil
Renato Mendonça
§ 9o Não obstante as constituições e ordenações Apostólicas 
e outras quaisquer contrárias. Confiando naquele de quem proce-
dem os impérios e dominações e todos os bens, que, dirigindo 
o Senhor os vossos atos, caso prossigais neste santo e louvável 
propósito, em breve tempo os vossos trabalhos e empreendimentos 
alcançarão um êxito muito venturoso, com felicidade e glória de 
todo o povo Cristão.
§ 10 Porém, como seria difícil expor as presentes letras em 
cada um dos lugares em que era conveniente, queremos, e com 
semelhante sentimento e ciência decretamos, que, depois de 
rubricadas as cópias das mesmas pela mão do Notário público para 
isso rogado, e munidas com o selo de alguma pessoa constituída 
na dignidade Eclesiástica ou da Cúria Eclesiástica, se lhes dê 
absolutamente aquela mesma fé no juízo e fora (dele) e em outra 
qualquer parte, que se daria às presentes, caso fossem exibidas ou 
mostradas.
§ 11 Portanto a nenhum homem absolutamente seja lícito 
infringir esta página de nossa recomendação, exortação, requisição, 
doação, concessão, entrega, constituição, deputação, decreto, 
mandato, proibição e vontade, ou opor-se-lhe, com ousadia 
temerária.
Dado em Roma junto a S. Pedro, no Ano da Encarnação do 
Senhor, mil quatrocentos e noventa e três, no dia quatro de maio, 
no ano primeiro do nosso Pontificado.
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anexo B
TRATADO DE TORDESILHAS
7 DE JUNHO DE 1494
D. Fernando e D. Isabel, por graça de Deus, Rei e Rainha de 
Castela, de Leão, de Aragão, da Sicília, de Granada, de Toledo, 
de Valência, de Galiza, de Maiorca, de Sevilha, da Sardenha, de 
Córdova, da Córsega, de Múrcia, de Jaén, dos Alvarve, de Algeciras, 
de Gibraltar, das ilhas de Canária, Conde e Condessa de Barcelona, 
Senhores de Biscaia e de Molina, Duques de Atenas e de Neopátria, 
Condes de Roussilhão e da Sardenha, Marqueses de Oristán e de 
Gociano juntamente com o príncipe D. João, nosso mui caro e 
mui amado filho primogênito herdeiros dos nossos ditos reinos 
e senhorios. Em fé do qual, por D. Henrique Henriques, nosso 
mordomo-mor e D. Gutierre de Cárdenas, comissário-mor de Leão, 
nosso contador-mor e o Dr. Rodrigo Maldonado, todos do nosso 
Conselho, foi tratado, assentado e aceito por nós e em nosso nome 
e em virtude do nosso poder, com o sereníssimo D. João, pela graça 
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Renato Mendonça
de Deus rei de Portugal e dos Algarves d’Aquém e d’Além-mar, em 
África, Senhor da Guiné, nosso mui caro e mui amado irmão, e com 
Rui de Sousa, Senhor de Sagres e Beringel e D. João de Sousa, seu 
filho, almotacel-mor do dito sereníssimo rei nosso irmão, e Arias 
de Almadana, corretos dos feitos civis de sua corte e de seu foro 
(juízo), todos do Conselho do dito sereníssimo rei nosso irmão, 
em seu nome e em virtude de seu poder, seus embaixadores que 
a nós vieram sobre a demanda que a nós e ao dito sereníssimo rei 
nosso irmão pertence, do que até sete dias deste mês de junho, em 
que estamos, da assinatura desta escritura está por descobrir no 
mar Oceano, na qual o dito acordo dos nossos ditos procuradores, 
entre outras coisas, prometeram que dentro de certo prazo nela 
estabelecido, nós outorgaríamos, confirmaríamos, juraríamos, 
ratificaríamos e aprovaríamos a dita aceitação por nossas pessoas; 
e nós desejando cumprir e cumprindo tudo o que assim em nosso 
nome foi assentado, e aceito, e outorgado acerca do supradito 
mandamos trazer diante de nós, a dita escritura da dita convenção 
e assento para vê-la e examiná-la, e o teor dela “de verbo ad verbum” 
é este que se segue:
Em nome de Deus Todo Poderoso, Padre, Filho e Espírito 
Santo, três pessoas realmente distintas e separadas, e uma 
só essência divina.
Manifesto e notório seja a todos quantos este público 
instrumento virem, dado na Vila de Tordesilhas, aos sete dias do 
mês de junho, ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo 
de mil quatrocentos e noventa e quatro anos, em presença de nós 
os Secretários e Escribas e Notários públicos dos abaixo assinados, 
estando presentes os honrados D. Henrique Henriques, mordomo- 
-mor dos mui altos e mui poderosos príncipes senhores D. Fernando 
e D. Isabel, por graça de Deus, Rei e Rainha de Castela, de Leão 
de Aragão, da Sicília, de Granada, etc., e D. Gutierre de Cárdenas, 
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Anexos
Comendador-mor dos ditos senhores Rei e Rainha, e o Dr. Rodrigo 
Maldonado, todos do Conselho dos ditos Senhores Rei e Rainha 
de Castela, de Leão, de Aragão, da Sicília e de Granada,