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183759 O Ato Conjugal

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para a mulher. 
UMA PRIMEIRA EXCEÇÃO 
2. Ressentimento e vingança. No encerramento de um de 
nossos seminários, uma senhora de vinte e seis anos, mãe de 
três filhos, indagou: "O senhor pode explicar-me por que não 
consigo corresponder ao meu marido, após seis anos de 
casamento?" Ela não apenas nunca atingira o orgasmo, como 
também dizia: "Detesto o sexo!" O que me espantou foi o fato 
de ela descrever o marido como um homem "terno e atencioso, 
apesar de não mantermos relações sexuais há dois anos". Isso 
ia de encontro à minha convicção de que a mulher sempre 
reage positivamente a um homem bondoso e atencioso para 
com ela. Fiquei curioso, pois ela era a primeira exceção que eu 
encontrava em minha vida. 
Consultamos o relógio, percebi que tinha menos de trinta 
minutos para pegar o avião naquela cidade e regressar a San 
Diego, para dirigir os cultos no dia seguinte. Então resolvi ir 
diretamente ao assunto e perguntei: "Como era seu relacio-
namento com seu pai?" Os belos traços de seu rosto modifi-
caram-se imediatamente, e ela passou a depreciá-lo irritada-
mente, tachando-o de "miserável exemplo de ser humano". 
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"É o maior hipócrita que já vi. Pertence à diretoria desta 
igreja, mas já agrediu sexualmente minhas duas irmãs e 
tentou ser ousado comigo." 
Embora suspeitasse pela sua reação de que não estava 
dizendo toda a verdade com relação ao modo como o pai a 
tratara, indaguei, para economizar tempo: "Você realmente 
quer amar seu marido livremente?" 
"Lógico", foi a resposta. 
"Então é melhor que perdoe seu pai. Ajoelhe-se e confesse 
seu pecado de ressentimento e mágoa, pois não poderá deixar-
se dominar pela amargura em relação a uma pessoa, sem que 
isso afete também seu relacionamento com aqueles a quem 
ama." 
"Mas ele não merece esse perdão", respondeu ela energi-
camente. 
"Não; mas seu marido merece", repliquei, procurando 
convencê-la. "Você não é responsável pelos erros de seu pai, 
mas o é pela sua reação a eles. Deus ordena que perdoemos 
aos outros por seus pecados e delitos, e aquilo que ele ordena 
que façamos, ele nos capacita a fazer." 
Ela começou a chorar, e poucos momentos depois, caiu de 
joelhos, confessando seu pecado. 
Cheguei ao aeroporto em cima da hora. Quando o avião 
levantou vôo, orei para que Deus ajudasse aquele jovem casal, 
mas logo em seguida esqueci-me deles. Um ano depois, 
realizei outro seminário na mesma cidade, e um jovem casal 
veio ver-me após a primeira reunião. "Lembra-se de mim?" 
perguntou a esposa. Ela teve que reavivar minha memória, 
recordando a conversa que tivéramos acerca de seu pai, no 
seminário do ano anterior. E depois, com um belo sorriso, 
acrescentou: "Deus me perdoou, e este ano que se passou foi o 
melhor ano de nosso casamento. Quero apresentar-lhe meu 
marido." 
Quando ele apertou-me a mão, temi que aquele homem 
forte e calmo me quebrasse os ossos, ao exclamar comovido: 
"Obrigado, pastor. Minha esposa agora é outra mulher." 
A HOSTILIDADE É DESTRUTIVA 
Os sentimentos de vingança, amargura e ressentimento, 
bem como outras formas de hostilidade, não somente 
constituem fatores destrutivos da vida espiritual, mas 
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também são desmotivadores sexuais. E isso ocorre quer o 
objeto dessa hostilidade se encontre na mesma cama, ou a 
milhares de quilômetros dali. 
A esposa de certo pastor, casada havia dezenove anos, 
procurou-nos para contar que estava tendo "um caso" (a 
Bíblia chama isso de adultério) com o regente do coro. O que 
fazia com que uma mulher, mãe de três filhos, que se casara 
virgem e nunca fora infiel ao marido, agora violasse seus 
princípios cristãos? A mesma coisa que prejudicara sua 
capacidade orgásmica durante dois anos — um ódio arraigado 
pelo marido, que sempre fora um disciplinador enérgico. Ela 
se queixava: "As terríveis surras que ele aplicava nas crianças 
me deixavam doente. Há dois anos, nosso filho de dezenove 
anos saiu de casa para viver numa comunidade, porque nada 
do que fazia agradava ao pai." 
Quando, afinal, ela parou de reparar nos pecados do 
marido, pôde enxergar seu terrível pecado. Então arrependeu-
se, e pediu a Deus para restaurar seu amor pelo marido, e ele o 
fez. O marido também se arrependeu, e hoje eles desfrutam de 
um excelente relacionamento e uma boa vida sexual, pois 
Deus removeu a raiz de amargura, a qual erguera uma 
barreira entre eles. 
A Bíblia diz: "Longe de vós toda a amargura, e cólera, e 
ira, e gritaria, e blasfêmia, e bem assim toda a malícia. Antes 
sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoan-
do-vos uns aos outros, como também Deus em Cristo vos 
perdoou." (Ef 4.31,32.) 
CONSCIÊNCIA DE CULPA 
3. Culpa. Apesar de toda a psicologia moderna, todos os 
seres humanos nascem com uma intuitiva consciência de 
culpa. A Bíblia explica que todos os homens possuem uma 
consciência "acusando-se ou defendendo-se" (Rm 2.15). Hoje 
em dia, os defensores do amor livre tentam apagar a consciên-
cia com explicações filosóficas, ou desarraigá-la dos jovens por 
meio de lavagem cerebral, mas já descobri que, após o 
casamento e o nascimento dos filhos, a consciência, antes 
amortecida, volta à vida, e começa a atormentar o indivíduo. 
Isso acontece principalmente às mulheres. Uma pontada de 
culpa com relação a erros cometidos uma ou muitas vezes 
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poderá, no futuro, atuar como um bloqueio mental do prazer 
sexual. 
A culpa é uma causa bem comum da disfunção orgásmica, 
o que é comprovado pelo fato de que todos os livros que lemos 
sobre o assunto a mencionam. Quer esteja relacionada a uma 
tentativa de estupro na qual a vítima inocente se sente 
culpada, ou a uma ligação adulterina vivida antes do casa-
mento, ou a promiscuidade antes e depois do casamento, a 
culpa é um feitor cruel que deve ser enfrentado no plano 
espiritual. Como pastor e conselheiro, tenho tido o privilégio 
de conduzir muitas mulheres à graça perdoadora de Deus, ou 
à aceitação de Cristo como Salvador (como explicamos no 
capítulo 13) ou a uma aplicação do princípio de purificação 
exposto em 1 João 1.9. Acertar as coisas com Deus tem 
aliviado de tal forma as consciências culpadas, que o proble-
ma da disfunção orgásmica é corrigido. 
Apresentaremos como ilustração a história de Brenda e 
Mitch, um jovem casal. Nenhum dos dois possuía forte base 
espiritual quando vieram à nossa igreja pela primeira vez, e 
seu casamento estava quase desfeito. Após receberem a Cristo, 
falei-lhes apenas uma vez acerca do problema conjugai. Um 
ano depois, Mitch relatou-me, embora hesitante, o seguinte: 
"Pastor, nunca pensei, quando aceitei a Jesus, que isso afetaria 
nossa vida conjugai; mas antes de me converter, nunca 
consegui fazer minha esposa feliz. Agora ela atinge o clímax 
quase todas as vezes que nos unimos." 
Aqueles que nunca experimentaram a salvação pela fé em 
Jesus Cristo talvez tenham dificuldades em aceitar esse fato, 
mas a verdade é que isso acontece com tanta freqüência que 
agora já fico esperando. A explicação é simples. Quando 
nossos pecados são perdoados, nossa consciência é liberada, e 
assim é removida uma causa da disfunção orgásmica. 
O MAIOR FATOR DESESTIMULANTE 
4. Medo. O medo é o maior destruidor do estímulo e 
causador de lesões emocionais que existe. Aquele que o abriga 
por longo tempo, abala toda a sua saúde, destrói seu relacio-
namento espiritual com Deus, e, naturalmente, também sua 
vida sexual. 
É compreensível que a maioria das noivas virtuosas dirija-
se para o leito nupcial com certo temor. Reconhecemos que 
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ela pode até esperar por aquele momento com certo estusias-
mo e expectativa, mas o medo, mais que qualquer outra coisa, 
impede que ela experimente o orgasmo na noite de núpcias. 
Como já observamos antes, quando a noiva sente descon-
forto na primeira penetração, talvez passe a associar a dor ao 
ato