Protocolo de diabetes
11 pág.

Protocolo de diabetes


DisciplinaProtocolo de Comutaçao12 materiais47 seguidores
Pré-visualização3 páginas
Cuidado	Farmacêutico	no	SUS	
DEFINIÇÃO 
Desordem endócrina caracterizada por hiperglicemia resultante de graus variáveis de resistência e deficiência à insulina. 
Hiperglicemia crônica do diabetes pode levar a danos multiorgânicos resultando em complicações renais, neurológicas, cardiovasculares e outras 
complicações graves. 
CLASSIFICAÇÃO ETIOLÓGICA 
DIABETES MELLITUS tipo 1 (DM1) DIABETES MELLITUS tipo 2 (DM2) 
Autoimune Outros tipos específicos de DM 
Idiopático DM gestacional 
Diabetes tipo 1 (devido à destruição autoimune de células b, geralmente levando a deficiência total de insulina). 
Diabetes tipo 2 (devido a uma perda progressiva de secreção de insulina pelas células B frequentemente associada a uma história prévia de 
resistência à insulina). 
Diabetes mellitus gestacional (GDM) (diabetes diagnosticada no segundo ou terceiro trimestre da gestação que não era diabetes claramente 
definida antes da gestação) 
Outros tipos específicos de DM: Tipos específicos de diabetes devido a outras causas, por exemplo, síndromes de diabetes monogênica (como 
diabetes neonatal e diabetes de início de maturidade do jovem [MODY]), doenças do pâncreas exócrino (como a fibrose cística) e diabetes induzida 
por medicamentos (como o uso de glicocorticoides no tratamento do HIV / AIDS, ou após o transplante de órgãos). 
 
FATORES DE RISCO 
\u2022 Idade >45 anos. 
\u2022 Sobrepeso (Índice de Massa Corporal IMC >25). 
\u2022 Obesidade central (cintura abdominal >102 cm para homens e >88 cm para mulheres, medida na altura das cristas ilíacas). 
\u2022 Antecedente familiar (mãe ou pai) com história positiva para DM. 
\u2022 Hipertensão arterial (> 140/90 mmHg). 
\u2022 Dislipidemia. 
\u2022 História de macrossomia ou diabetes gestacional. 
\u2022 Diagnóstico prévio de síndrome de ovários policísticos. 
\u2022 Doença cardiovascular, cerebrovascular ou vascular periférica definida. 
\u2022 Etilismo. 
CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS PARA O DIABETES 
\u2022 Glicemia de jejum (nível de glicose sanguínea após um jejum de 8h): 126 mg/dL 
\u2022 Glicemia plasmática 2h após (TOTG-75g) \u2265 200 mg/dL (11.1 mmol/L): O paciente recebe uma carga de 75 g de glicose, em jejum, e a 
glicemia é medida 120 minutos após a ingestão. 
\u2022 Hemoglobina glicada (HbA1c): \u2265 6.5% (48 mmol/mol) avalia o grau de exposição à glicemia durante o tempo e os valores se mantêm 
estáveis após a coleta. 
\u2022 Glicemia casual: em pacientes com sintomas clássicos de hiperglicemia ou crise hiperglicêmica, uma medida aleatória de glicemia \u2265 200 
mg/dL (11.1 mmol/L). 
*A positividade de qualquer um dos parâmetros diagnósticos descritos confirma o diagnóstico de diabetes. Na ausência de hiperglicemia 
comprovada, os resultados devem ser confirmados com a repetição dos testes, exceto no TOTG e na hiperglicemia comprovada. 
CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS PARA O PRÉ-DIABETES OU RISCO AUMENTADO DE DIABETES 
\u2022 Glicemia de jejum entre 100-125 mg/dL 
\u2022 Glicemia 2 h após sobrecarga com 75 g de glicose: de 140-199 mg/dL 
\u2022 A1C entre 5,7% e 6,4% 
*A positividade de qualquer um dos parâmetros diagnósticos descritos confirma o diagnóstico de pré-diabetes. 
CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS NO DIABETES MELLITUS GESTACIONAL (DMG) 
Estratégia em um passo: 
Execute um TOTG de 75 g, com medição de glicose plasmática quando o paciente está em jejum e em 1 e 2 h, às 24 - 28 semanas de gestação em 
mulheres que não foram diagnosticadas com diabetes. 
O TOTG deve ser realizado pela manhã após um jejum noturno de pelo menos 8 h. 
O diagnóstico de DMG é feito quando algum dos seguintes valores de glicose plasmática for alcançado ou excedido: 
\u2022 Jejum: 92 mg / dL (5,1 mmol / L) 
	
Cuidado	Farmacêutico	no	SUS	
\u2022 1 h: 180 mg / dL (10,0 mmol / L) 
\u2022 2 h: 153 mg / dL (8,5 mmol / L) 
Estratégia em dois passos: 
Passo 1: Execute um TOTG com 50 g (sem jejum), com medição de glicose plasmática após 1 h, entre a 24-28 semanas de gestação em mulheres 
que não foram previamente diagnosticadas com diabetes. 
Se o nível de glicose plasmática medido 1 h após a carga é de \u2265 130 mg / dL, 135 mg / dL ou 140 mg / dL * (7,2 mmol / L, 7,5 mmol / L ou 7,8 mmol / 
L), vá para um TOTG de 100 g. 
Passo 2: O T0TG de 100 g deve ser realizado quando o paciente está em jejum. 
 
O diagnóstico de DMG é feito se pelo menos dois dos seguintes quatro níveis de glicose plasmática (medição de jejum 1 h, 2 h, 3 h após o TOTG) 
são alcançadas ou excedidas: 
\u2022 Jejum 95 mg/dL (5.3 mmol/L) ou 105 mg/dL (5.8 mmol/L) 
\u2022 1 h 180 mg/dL (10.0 mmol/L) ou 190 mg/dL (10.6 mmol/L) 
\u2022 2 h 155 mg/dL (8.6 mmol/L) ou 165 mg/dL (9.2 mmol/L) 
\u2022 3 h 140 mg/dL (7.8 mmol/L) ou 145 mg/dL (8.0 mmol/L) 
 
CONSEQUÊNCIAS CLÍNICAS DAS COMPLICACOES DIABÉTICAS 
Sistema Características clínicas 
Olhos Retinopatia, glaucoma, catarata; amaurose 
Nervos Déficits sensoriais, autonômicos e motores 
Renal Glomeruloesclerose; Insuficiência renal crônica 
Cardiovascular Doença cardíaca isquêmica (Angina, IAM), doença vascular periférica, AVC, cardiomiopatia, ICC 
Locomotor Lesões periféricas de cicatrização lenta; \u201cpé diabético\u201d; amputações, rigidez articular 
Imunológico Maior suscetibilidade à infecção 
 
MEDICAMENTOS QUE PODEM CAUSAR OU AGRAVAR A CONDIÇÃO CLÍNICA 
Alguns medicamentos podem diminuir a tolerância à glicose, estes atuam pela diminuição da secreção de insulina, aumentando a produção de 
glicose hepática, ou fazendo resistência à ação da insulina. 
 
Glicocorticóides Inibidores da HIV protease 
Contraceptivos orais Agonistas do hormônio liberador de gonadotropina 
Ácido Nicotínico Interferon alfa 
Pentamidina Tacrolimus, sirolimus, e ciclosporina 
Diuréticos tiazídicos (principalmente em doses acima de 25 mg / dia de 
hidroclorotiazida ou seu equivalente) 
Clonidina 
Antipisicóticos Atípicos Beta bloqueador 
 
 
TRATAMENTOS NÃO FARMACOLÓGICOS 
\u2022 Terapia nutricional individualizada (mudança no estilo de vida). 
\u2022 Método de contagem de carboidratos . 
\u2022 Atividade física. 
\u2022 Educação em saúde. 
\u2022 Controle de peso corporal 
 
ALGORITIMO DE TRATAMENTO FARMACOLÓGICO 
	
Cuidado	Farmacêutico	no	SUS	
 
 
Figura 1 \u2013 Algoritmo de tratamento do diabetes tipo 2 recomendações gerais. O algoritmo não se destina a indicar qualquer preferência específica. 
 ICC: insuficiência cardíaca congestiva; GI: gastrointestinal; SULF, sulfoniluréia; GLTZ, glitazonas; 
 
	
Cuidado	Farmacêutico	no	SUS	
 
Figura 2. Algoritmo de início e ajuste dos esquemas de tratamento com insulina. Os esquemas de insulina devem levar em conta o estilo de vida e 
	
Cuidado	Farmacêutico	no	SUS	
alimentação do paciente. O algoritmo pode apenas prover diretrizes básicas para início e ajuste da insulina.* Pré-misturas de insulina não são 
recomendadas durante ajuste da dose, entretanto, elas podem ser convenientes antes do café da manhã e jantar se as proporções de insulina rápida 
e intermediária do paciente estiverem disponíveis no mercado na forma de pré-misturas. 
 
ALGORITMO DE TRATAMENTO (DM1) 
												 	
MEV-	Mudança	de	estilo	de	vida	
TRATAMENTOS FARMACOLÓGICOS 
AGENTES ANTIDIABÉTICOS ORAIS: 
 
Classe Fármaco Posologia 
em mg 
Mecanismo de 
ação 
Redução da 
glicemia de 
jejum (mg/dl) 
Redução 
de 
HbA1c (%) 
Contraindicação Efeitos colaterais 
Sulfoniluréias Clorpropamida 125 a 500 Aumento da 
secreção de 
insulina 
60-70 1,5-2 Gravidez, 
insuficiência renal 
ou hepática 
Hipoglicemia e 
ganho ponderal 
(clorpropamida 
favorece o 
aumento e não 
protege contra 
retinopatia) 
Glibenclamida 2,5 a 20 
Glimepirida 1 a 8 (1-2 
x ao dia) 
Gliclazida 40 a 320 
Glipizida 2,5 a 20 
Metglinidas Repaglinida 0,5 a 16 Aumento da 
secreção de 
insulina 
20-30 1-1,5 Gravidez Hipoglicemia e 
ganho ponderal 
discreto 
Nateglinida 120 a 360 
(3/dia) 
Biguanidas Metformina 1000 a 
2550 (2 x 
ao dia) 
Reduz a produção