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Agrotóxicos em leite humano de mães residentes em Lucas do rio verde MT

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Universidade Federal de Mato Grosso 
Instituto de Saúde Coletiva 
 
 
 
 
 
 
Agrotóxicos em leite humano de mães residentes em 
Lucas do Rio Verde – MT 
 
 
 
 
Danielly Cristina de Andrade Palma 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cuiabá 
2011 
Dissertação apresentada ao Programa 
de Pós-Graduação em Saúde Coletiva 
para a obtenção do título de Mestre em 
Saúde Coletiva. 
 
Área de concentração: Saúde Coletiva 
 
Orientador: Prof. Dr. Wanderlei 
Antonio Pignati 
 
Co-orientadora: Profa. Dra. Carolina 
Lourencetti 
Agrotóxicos em leite humano de mães residentes em 
Lucas do Rio Verde – MT 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Danielly Cristina de Andrade Palma 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cuiabá 
2011 
Dissertação apresentada ao Programa 
de Pós-Graduação em Saúde Coletiva 
para a obtenção do título de Mestre em 
Saúde Coletiva. 
 
Área de concentração: Saúde Coletiva 
 
Orientador: Prof. Dr. Wanderlei 
Antonio Pignati 
 
Co-orientadora: Profa. Dra. Carolina 
Lourencetti 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dados Internacionais de Catalogação na Fonte 
 
P171a Palma, Danielly Cristina de Andrade. 
 Agrotóxicos em leite humano de mães residentes em Lucas do Rio 
Verde - MT / Danielly Cristina de Andrade Palma. – 2011. 
 103 f. : il. (algumas color.) ; 30 cm. 
 
 Orientador: Wanderlei Antonio Pignati. 
 Co-orientadora: Carolina Lourencetti. 
 Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Mato Grosso, 
Instituto de Saúde Coletiva, Programa de Pós-Graduação em Saúde 
Coletiva, Cuiabá, 2011. 
 Inclui bibliografia. 
 
 1. Agrotóxicos. 2. Leite humano – Contaminação por agrotóxicos. 
3. Agrotóxicos – Lucas do Rio Verde – Mato Grosso. 4. Agronegócio. 
I. Título. 
CDU 612.664:632.95.024(817.2) 
 
Ficha Catalográfica elaborada pelo Bibliotecário Jordan Antonio de Souza - CRB1/2099 
Permitida a reprodução parcial ou total desde que citada a fonte 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
"O que para uns é 
alimento, para outros 
será um veneno violento." 
 (Lucrécio) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aos meus pais, Shirlei e 
José (in memoriam), por 
serem à base de tudo em 
minha vida. 
Agradecimentos
 
A Deus, Senhor de todas as coisas e da minha vida, que tornou tudo possível. 
 
À minha mãe Shirlei, pelo exemplo de vida, de garra, de coragem, de determinação e 
perseverança. Por acreditar em meus sonhos e não medir forças para torná-los 
realidade. 
 
À minha irmã Grazy e meu cunhado Fabrício, por todas as palavras de 
encorajamento e carinho. Por acreditarem que mais esse sonho era possível e por 
fazerem parte do meu dia-a-dia. 
 
Aos meus “anjos” sem asas Ana Silvia, Bélin, Débora, Isabela, Juliana e Paula. Por 
estarem ao meu lado nos momentos mais difíceis. Pelos momentos de extrema 
alegria. Pela torcida. Pela amizade verdadeira. Obrigada sempre. 
 
Ao Anderson, por compartilhar comigo desse sonho. Obrigada pelo apoio, paciência, 
amor e carinho. 
 
À tia Irani e a minha avó Iracema, pelo amor incondicional de vocês. Pelo apoio 
constante, pelas palavras de força, de ânimo que sempre me ajudaram e muitas vezes 
me levantaram em minhas caminhadas. 
 
Ao professor Wanderlei Antonio Pignati pela orientação ao longo do curso. 
 
À professora Carolina Lourencetti (Carol), por toda ajuda durante essa jornada, mas 
principalmente pela sua amizade. Deixo aqui toda a minha admiração pela 
profissional e pessoa que você é. 
 
À professora Eliana Freire Gaspar de Carvalho Dores, por ceder o Laboratório de 
Análise de Resíduos de Biocidas (LARB) e por toda ajuda. 
 
Ao professor Alício Alves Pinto, pelas idas a campo, sua presença fez toda a 
diferença. Pela amizade e pelas conversas sempre animadas. 
 
À professora Marta Gislene Pignatti, pelas conversas e esclarecimentos. 
 
Ao professor Ageo Mário Candido da Silva, pela ajuda nas análises estatísticas, pela 
paciência e pelas palavras de encorajamento na reta final. 
 
Ao professor Paulo Roberto Bezerra de Mello, pelas trocas de ideias no início do 
projeto. 
 
Aos professores Josino Costa Moreira e Frederico Peres, por todo apoio durante a 
realização deste projeto. 
À professora Edna Lopes Hardoim, minha eterna “orientadora”, pela amizade em 
todos os momentos e aos sábios conselhos. 
 
À Marli Eliane Uecker, por toda ajuda desde o início do trabalho e pela amizade. 
 
À Ana Cristina Simões Rosa, pela ajuda na validação do método e todas as demais 
no decorrer do trabalho. 
 
À Thais Hernandes, pela ajuda na validação do método. 
 
À turma do mestrado em Saúde Coletiva 2009, pela convivência que foi gratificante. 
 
Aos colegas do LARB, pelos momentos divididos e divertidos. 
 
Ao Sandro, pela ajuda na revisão. Valeu. 
 
À Jurema e ao Hailton, por serem sempre prestativos. 
 
A todas as mães que aceitaram participar dessa pesquisa, sem a colaboração de vocês 
a realização deste projeto não seria possível. 
 
À Secretaria Municipal de Saúde de Lucas do Rio Verde, na pessoa do secretário, 
Pascoal de Oliveira Junior, por ter cedido dados e por ter autorizado a realização do 
projeto nas dependências dos PSF. 
 
À Barbara Marconi Thiago Ferreira, Fernanda Dotto, Jorge Vanini e Fábio Montanha 
por toda a atenção e ajuda. Sem a colaboração de vocês a realização desse projeto 
não seria possível. Muito obrigada. 
 
Às enfermeiras Vivian Favaro (PSF I), Franciele Carlo (PSF II), Cintia Primon (PSF 
III) Cristiane Souza (PSF V), Taís Garcia (PSF VI), Karime Souto (PSF VII), 
Daniela Lins Viana (PSF VIII), Heloísa Sartori (PSF X), Maria Aldina Meurer (PSF 
Rural) e a equipe do PSF IV por terem aderido e colaborado com o projeto. 
 
Às agentes comunitárias de saúde, por terem ajudado nas coletas residenciais. 
 
À Thais e a senhora Leo do PSF rural da comunidade São Cristovão, por toda a 
atenção e ajuda nas coletas residenciais nas fazendas. 
 
Ao senhor Nilfo e a senhora Idália, pelo empréstimo do alojamento do Sindicato dos 
Trabalhadores Rurais. 
 
Ao Banco de Leite do Hospital Universitário Julio Muller, na pessoa do seu diretor, 
Roberto Diniz Vinagre, pelas amostras cedidas e pela realização do crematócrito em 
suas dependências. 
 
À Universidade Federal de Mato Grosso, por possibilitar a realização desse trabalho. 
 
Ao CNPq, pelo financiamento, através da bolsa de estudos concedida durante estes 
dois anos e o financiamento do projeto “Avaliação do risco à saúde humana 
decorrente do uso de agrotóxicos na agricultura e pecuária na região Centro-Oeste” 
(CNPq n. 555193/2006-3), que foram, com certeza, imprescindíveis para a 
concretização deste trabalho. 
 
A todos que de alguma forma colaboraram na realização desse projeto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Resumo 
 
 
Os agrotóxicos são poluidores e podem causar agravos à saúde humana. Devido ao 
crescimento do agronegócio no Estado de Mato Grosso e no município de Lucas do 
Rio Verde-MT, calcula-se que a população do município está exposta a 136,35 litros 
de agrotóxicos habitante/ano, trinta e sete vezes maior que a média nacional. Parte 
desses produtos utilizados na lavoura atinge a “peste” alvo, parte dissipa-se no 
ambiente podendo acumular-se no organismo humano ocasionando malformações, 
abortos, interferentes endócrinos e alguns tipos de câncer e podem ser detectados no 
leite humano. Considerando esses aspectos, este trabalho teve como objetivo 
determinar resíduos de agrotóxicos em leite de mães residentes em Lucas do Rio 
Verde – MT. Dez substâncias (α-endossulfam,β-endossulfam, α-HCH, lindano, 
aldrim, p,p’-DDE, p,p’-DDT, cipermetrina, deltametrina e trifluralina) foram 
determinadas (n = 2) em amostras de leite materno (n = 62), coletada entre a 3ª e a 8ª 
semana após o parto, utilizando método analítico multirresíduo com extração por 
ultrassom e dispersão em fase sólida e identificação e quantificação por CG-DCE. 
Cem por cento das amostras analisadas (n = 62) apresentaram contaminação por p,p’- 
DDE (0,32 – 12,03 µg g-1 de gordura), 44% por β-endossulfam (0,54 – 0,61 µg g-1 de 
gordura) e 13% por o p,p’-DDT (2,62 – 12,41 µg g-1 de gordura). As demais 
substâncias analisadas foram encontradas abaixo do limite de quantificação do 
método (0,0013 – 0,108 μg mL-1). Deltametrina foi detectada em 37% das amostras, 
aldrim e α-endossulfam, ambos em 32%, α-HCH em 18%, trifluralina em 11% e 
lindano em 6%. Entre as variáveis estudadas, ter tido aborto foi uma variável que se 
manteve associada à presença de três agrotóxicos, β-endossulfam (RP = 2,05; IC 
95%: 0,87 – 4,80), aldrim (RP = 2,18; IC 95%: 1,04 – 4,58) e deltametrina (RP = 
1,92; IC 95%: 1,08 – 3,43), quando da realização dos modelos finais de regressão. 
Estes achados são concordantes com a literatura que menciona que alguns desses 
agrotóxicos apresentam efeitos adversos sobre o sistema reprodutivo e hormonal, 
podendo induzir o aborto. Além desses efeitos, a literatura menciona os possíveis 
efeitos teratogênicos, mutagênicos e cancinogênicos desses agrotóxicos. 
Descritores: Agronegócio; Contaminação; Agrotóxicos; Leite humano. 
Abstract 
 
 
Pesticides are polluting and can cause human health problems. Due to the growth of 
agribusiness in the state of Mato Grosso and the municipality of Lucas do Rio Verde-
MT, it is estimated that the population of the city is exposed to 136,35 liters of 
pesticides inhabitant per year, thirty-seven times greater than average national. Part 
of these products used in the crop reaches the "plague" target portion dissipates in the 
environment can accumulate in the human body causing deformities, endocrine 
disruptors and some types of cancer and can be detected in breast milk. Considering 
these aspects, this study aimed to determine pesticide residues in milk from mothers 
living in Lucas do Rio Verde - MT. Ten substances (α-endosulfan, β-endosulfan, α-
HCH, lindane, aldrin, p, p'-DDE, p, p'-DDT, cypermethrin, deltamethrin and 
trifluralin) were determined (n = 2) in breast milk samples (n = 62), collected 
between the 3rd and 8th week postpartum, using a multiresidue analytical method 
with ultrasonic extraction and solid-phase dispersion and identification and 
quantification by GC-ECD. One hundred percent of the analyzed samples (n = 62) 
showed levels of p,p'-DDE (0.32 – 12.03 μg g-1 lipid), 44% of β-endosulfan (0.54 – 
0.61 μg g-1 lipid) and 13% of p,p'-DDT (2.62 – 12.41 μg g-1 lipid). The other analytes 
were found below the limit of method quantification (0.0013 – 0.108 μg mL-1). 
Deltamethrin was detected in 37% of the samples, aldrin and α-endosulfan, both in 
32%, α-HCH in 18%, trifluralin in 11% and lindane in 6%. Among the variables 
studied, have had abortion was the variable that remained associated with the 
presence of three pesticides, β-endosulfan (RP = 2.05, 95% CI 0.87 – 4.80), aldrin 
(RP = 2, 18, 95% CI: 1.04 – 4.58) and deltamethrin (RP = 1.92, 95% CI 1.08 – 3.43) 
when completed the final regression models. These findings are consistent with the 
literature that mentions that some pesticides have adverse effects on the reproductive 
and hormone system, which can induce abortion. Apart from these effects, the 
literature mentions the possible teratogenic, mutagenic, and cancinogênicos these 
pesticides. 
Keywords: Agribusiness; Contamination; Pesticides; Breast milk. 
Lista de Tabelas 
 
 
Tabela 1: Produção agrícola (milhões hectares) e consumo de agrotóxico na 
agropecuária (milhões de litros) no Estado de Mato Grosso; 1998 a 2009. 
 
Tabela 2: Produção agrícola (mil hectares) e consumo de agrotóxico na 
agropecuária (milhões de litros) em Lucas do Rio Verde – MT; 1998 a 
2009. 
 
Tabela 3: Média anual do consumo de agrotóxicos em litros, com maior utilização 
entre 2005 a 2009 por tipo de uso, classe toxicológica e forma de 
aplicação em Lucas do Rio Verde – MT. 
 
Tabela 4: Classificação toxicológica dos agrotóxicos em função da DL50. 
 
Tabela 5: Resultados de pesquisas sobre contaminação em leite humano por 
organoclorado. 
 
Tabela 6: Caracterização da amostra (n=62) de nutrizes de Lucas do Rio Verde-MT, 
2010. 
 
Tabela 7: Caracterização domiciliar da amostra (n=62) de nutrizes de Lucas do Rio 
Verde-MT, 2010. 
 
Tabela 8: Exatidão, precisão e limites de detecção e quantificação do método 
analítico utilizado. 
 
Tabela 9: Comparação de métodos da literatura com o método atual para 
determinação de agrotóxicos em leite humano. 
 
Tabela 10: Número de substâncias detectadas em leite humano em amostra (n=62) de 
nutrizes residentes em Lucas do Rio Verde-MT, 2010. 
 
Tabela 11: Total de amostras detectadas e frequência de detecção de agrotóxicos 
analisados em leite humano em amostra (n=62) de nutrizes residentes em 
Lucas do Rio Verde-MT, 2010. 
 
Tabela 12: Níveis de resíduos de agrotóxicos em leite humano em amostra (n=62) de 
nutrizes residentes em Lucas do Rio Verde-MT em µg mL-1 de leite, 
2010. 
 
Tabela 13: Níveis de resíduos de agrotóxicos em leite humano em amostra (n=62) de 
nutrizes residentes em Lucas do Rio Verde-MT em µg g-1 de gordura, 
2010. 
 
Tabela 14: Modelo Final de Poisson - Razões de prevalência de contaminação do 
leite humano por β-endossulfam, Lucas do Rio Verde-MT, 2010. 
 
Tabela 15: Modelo Final de Poisson - Razões de prevalência de contaminação do 
leite humano por aldrim, Lucas do Rio Verde-MT, 2010. 
 
Tabela 16: Modelo Final de Poisson – Razão de prevalência de contaminação do leite 
humano deltametrina, Lucas do Rio Verde-MT, 2010. 
 
Lista de Figuras 
 
 
Figura 1: Comportamento e destino dos agrotóxicos no meio ambiente. 
 
Figura 2: Estrutura química do α-endossulfam, β-endossulfam e sulfato de 
endossulfam . 
 
Figura 3: Estrutura química γ-HCH. 
 
Figura 4: Estrutura química aldrim e dieldrim. 
 
Figura 5: Estrutura química do p,p’DDT e o,p’DDE. 
 
Figura 6: Chrysanthemum cinerariaefolium e Chrysanthemum coccineum 
 
Figura 7: Estrutura química da cipermetrina. 
 
Figura 8: Estrutura química da deltametrina. 
 
Figura 9: Estrutura química da trifluralina. 
 
Figura 10: Mapa de localização do município de Lucas do Rio Verde-MT. 
 
Figura 11: Fluxograma do processo de análise multirresíduo de agrotóxicos em leite 
humano 
 
Figura 12: Tempo de residência em Lucas do Rio Verde-MT. 
 
Figura 13: Distribuição espacial das residências das nutrizes doadoras de leite humano 
na zona urbana de Lucas do Rio Verde-MT, 2010. 
 
Figura 14: Imagem via satélite de Lucas do Rio Verde-MT. 
Lista de Abreviaturas 
 
 
ACE Acetilcolinesterase 
ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária 
ATSDR Agency for Toxic Substances and Disease Registry 
BLH-IFF Banco de Leite Humana – Instituto Fernandes Figueira 
CEP Comitê de Ética em Pesquisa 
CG Cromatografia gasosa 
CNPq Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico 
CNS Conselho Nacional de Saúde 
CPRC Carcinogenicity Peer Review Committee 
DCE Detector de captura de elétrons 
DDD Diclorodifenildicloroetano 
DDE Diclorodifenildicloroetileno 
DDT Diclorodifenitricloroetano 
DEA Desitilatrazina 
DIA Desisopropilatrazina 
DL Dose letal 
ECE European Commission Environment 
EPA Environmental Protection Agency 
EXTOXNET Extension Toxicology Network 
FIOCRUZ FundaçãoOswaldo Cruz 
HCB Hexaclorociclobenzeno 
HCH Hexaclorociclohexano 
HSDB Hazardous Substance Data Bank 
HUJM Hospital Universitário Julio Muller 
IARC International Agency for Research on Cancer 
IBAMA Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais 
Renováveis 
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
IgM Imunoglobulina M 
IPCS International Programme on Chemical Safety 
MAPA Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento 
MMA Ministério do Meio Ambiente 
MS Ministério da Saúde 
MT Mato Grosso 
NC Nível de confiança 
NPTN National Pesticide Telecommunications Network 
OMS Organização Mundial da Saúde 
OPAS Organização Pan-Americana da Saúde 
PCB Bifenilas policloradas, do inglês, Polychlorinated biphenyls 
PCDD Dibenzodioxinas policloradas, do inglês, Polychlorinated dibenzo-p-
dioxins 
PCDF Dibenzofuranos policlorados, do inglês, Polychlorinated 
dibenzofurans 
PMLRV Prefeitura Municipal de Lucas do Rio Verde 
POP Poluentes Orgânicos Persistentes 
PPDB Pesticide Properties DataBase 
PSF Programa de Saúde da Família 
RDC Resolução da Diretoria Colegiada 
SCPOP Stockholm Convention on Persistent Organic Pollutants 
SNAD Secretaria Nacional de Defesa Agropecuária 
UFMT Universidade Federal de Mato Grosso 
 
SUMÁRIO 
 
 
1. INTRODUÇÃO 15 
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 29 
 2.1 AGROTÓXICOS E MEIO AMBIENTE 29 
 2.2 AGROTÓXICOS: CARACTERÍSTICAS, INTERAÇÕES E BIOACUMULAÇÃO 33 
 2.3 PROPRIEDADES E TOXICIDADE DOS GRUPOS DE AGROTÓXICOS 
ESTUDADOS (ORGANOCLORADOS, PIRETRÓIDES E DINITROANILINAS) 36 
 2.3.1 Organoclorados: origem, propriedades e estrutura química 37 
 2.3.2 Organoclorados: mecanismo de ação tóxica no homem 41 
 2.3.3 Piretróides: origem, propriedades e estrutura química 45 
 2.3.4 Piretróides: mecanismo de ação tóxica no homem 47 
 2.3.5 Dinitroanilina: origem, propriedades e estrutura química 48 
 2.3.6 Dinitroanilina: mecanismo de ação tóxica no homem 50 
 2.4 CONTAMINAÇÃO POR AGROTÓXICO EM LEITE HUMANO 50 
3. OBJETIVOS 56 
 3.1 OBJETIVO GERAL 56 
 3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 56 
4. MATERIAL E MÉTODO 57 
 4.1 LOCAL DE ESTUDO 57 
 4.2 SELEÇÃO DAS SUBSTÂNCIAS ANALISADAS 58 
 4.3 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO E EXCLUSÃO 59 
 4.4 POPULAÇÃO DE ESTUDO 59 
 4.5 TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO 60 
 4.6 ELABORAÇÃO E APLICAÇÃO DO QUESTIONÁRIO 60 
 4.7 COLETA E ARMAZENAMENTO DAS AMOSTRAS DE LEITE HUMANO 61 
 4.8 DETERMINAÇÃO DO TEOR DE GORDURA 61 
 4.9 VALIDAÇÃO DE MÉTODO ANALÍTICO PARA DETERMINAÇÃO DE 
AGROTÓXICOS EM LEITE HUMANO 
61 
 4.10 ANÁLISE DOS DADOS 65 
5. RESULTADOS E DISCUSSÃO 66 
 5.1 ANÁLISE DESCRITIVA DOS DADOS DO QUESTIONÁRIO 66 
 5.2 DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DA AMOSTRA NO MUNICÍPIO 69 
 5.3 RESÍDUOS DE AGROTÓXICOS NO LEITE HUMANO 71 
 5.3.1 Validação do método analítico proposto 71 
 5.3.2 Detecção de resíduo de agrotóxico no leite humano 75 
 5.3.3 Níveis de resíduo de agrotóxico no leite humano 76 
 5.5 FATORES DE ASSOCIAÇÃO 78 
6. CONCLUSÃO 83 
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS 84 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 86 
Anexo A: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido 99 
Anexo B: Questionário aplicado 100 
Anexo C: Modelo do laudo apresentado 103 
 
 
 
 
 
 
16 
 1. INTRODUÇÃO
 
 
 A influência do ambiente sobre a saúde humana é inquestionável e 
consequentemente os estudos destas relações é objeto do campo da Saúde Pública. 
Essas relações incorporam todos os elementos e fatores que potencialmente afetam a 
saúde, incluindo, entre outros, desde a exposição a fatores específicos como 
substâncias químicas, elementos biológicos ou situações que interferem no estado 
psíquico do indivíduo, até aqueles relacionados com aspectos negativos do 
desenvolvimento social e econômico dos países (TAMBELLINI e CÂMARA, 1998; 
PORTO, 2007). O processo de desenvolvimento econômico é apontado como um dos 
principais fatores da degradação ambiental, influenciando as alterações dos perfis de 
saúde da população humana (PIGNATI e MACHADO, 2007). 
 O Brasil começou a utilizar agrotóxicos em larga escala a partir da década de 
70, quando eles foram incluídos nos financiamentos agrícolas juntamente com os 
adubos e os fertilizantes químicos (ARAÚJO et al., 2007). Atualmente o Brasil é um 
dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo (PACHECO, 2009). Dentro do 
cenário nacional o Estado de Mato Grosso se destaca como um dos grandes 
produtores agrícolas e consumidores de agrotóxicos, tendo Lucas do Rio Verde como 
município destaque na produção de soja, milho safrinha e grande consumidor de 
agrotóxicos dentro do estado (PIGNATI et al., 2007). 
 O uso intensivo de agrotóxicos tem sido impulsionado para atender a 
crescente demanda de produção agrícola. Isso tem colocado em risco a saúde dos 
produtores, dos trabalhadores, do meio ambiente e dos consumidores (ARAÚJO et 
al., 2007). Nos países em desenvolvimento, especialmente aqueles com economias 
baseadas no agronegócio, como é o caso do Brasil, a extensiva utilização de 
agrotóxicos e fertilizantes químicos representa um grave problema de saúde pública. 
Os agravos à saúde relacionados à utilização desses químicos, em Mato Grosso, 
constituem uma situação que tem ultrapassado os limites das grandes fazendas de 
monocultura, atingindo toda a população regional onde há o desenvolvimento do 
agronegócio (PIGNATI e MACHADO, 2007). 
 
 
 
 
17 
 No Brasil, a adoção do pacote tecnológico recomendado pela chamada de 
Revolução Verde, permitiu a implantação em larga escala de sistemas monoculturas 
com emprego intensivo de fertilizantes e agrotóxicos, além de ter proporcionado a 
abertura de um imenso mercado de máquinas, sementes e insumos agrícolas 
(AGUIAR e MONTEIRO, 2005). A escolha desse modelo central implicou na 
predominância quase absoluta das culturas de ciclo curto. Esse e outros fatores 
exigem das culturas brasileiras uma intensa utilização de insumos químicos, para 
garantir uma alta eficiência produtiva e retorno econômico. Esse modelo implica 
também em desmatamento e mecanização intensivos que, por sua vez, desencadeiam 
outros processos problemáticos. Um deles é a compactação do solo, que, junto com 
os sistemas de revolvimento das áreas de cultivo contribui para acentuar a erosão 
causada pelas chuvas e/ou eólica (NOVAIS, 2001; AGUIAR e MONTEIRO, 2005). 
 No caso do cerrado que vem passando por uma ampla expansão da atividade 
agrícola, a característica de possuir um solo pouco fértil para a agricultura, 
intensifica o uso de fertilizantes e agrotóxicos para atingir a alta produtividade que 
vem sendo obtida nessas áreas de solo mais pobre, ocasionando sérios problemas 
ambientais (SOARES e PORTO, 2007). 
 Mas, o uso de agrotóxico não gera somente impacto ambiental gera também 
impactos sociais e sanitários consequentes das atividades produtivas que geram 
produtos e serviços (SOARES e PORTO, 2007). Esses impactos são agravados pela 
ampla utilização desses produtos, o desconhecimento dos riscos associados a sua 
utilização, o desrespeito às normas de segurança, a livre comercialização, a pressão 
comercial por parte das empresas produtoras e distribuidoras e os problemas sociais 
presentes no meio rural (MOREIRA et al., 2002). 
 No Estado de Mato Grosso as aplicações de agrotóxicos nas monoculturas são 
realizadas através de pulverizações por tratores e aviões agrícolas, e as névoas de 
agrotóxicos produzidas, além de atingirem os alvos (inseto, fungo ou erva daninha), 
também atingem os trabalhadores o ar/solo/água, os moradores, os animais e outras 
plantas que estão no entorno das lavouras. Como na maioria dos municípios 
matogrossenses predomina o processo produtivo denominado de “agricultura 
moderna”, o cotidiano da populaçãoé a convivência com tratores, pulverizadores e 
seus ruídos e com os odores dos fertilizantes e agrotóxicos (PIGNATI et al., 2007). 
 
 
 
 
18 
 O Estado de Mato Grosso se destaca como um dos grandes produtores 
agrícolas e consumidores de agrotóxicos no Brasil, tendo Lucas do Rio Verde como 
município destaque na produção de soja, milho safrinha e grande consumidor de 
agrotóxicos dentro do estado (PIGNATI et al., 2007; MOREIRA et al., 2010). 
 Os dados apresentados nas Tabelas 1 e 2, mostram a produção agrícola e o 
consumo de agrotóxico, em uma série histórica de doze anos, do Estado de Mato 
Grosso e do município de Lucas do Rio Verde, respectivamente. Esses dados 
demonstram a evolução da produção agrícola e junto com ela o aumento no consumo 
de agrotóxicos. 
 
Tabela 1 - Produção agrícola (milhões hectares) e consumo de agrotóxico na agropecuária 
(milhões de litros) no Estado de Mato Grosso; 1998 a 2009. 
Mato 
Grosso 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 
Soja 
(em grão) 2,6 2,6 2,9 3,1 3,8 4,4 5,3 6,1 5,8 5,1 5,5 5,9 
Milho 
(em grão) 0,5 0,5 0,6 0,5 0,7 0,9 0,9 1,1 1,1 1,7 1,8 2,0 
Algodão 
herbáceo 0,1 0,2 0,3 0,4 0,3 0,3 0,5 0,5 0,4 0,6 0,5 0,5 
Outros* 0,6 0,9 0,9 0,8 0,7 0,7 1,1 1,2 0,6 0,6 0,8 1,1 
Total 3,9 4,4 4,8 5,0 5,7 6,5 8,0 9,1 8,1 8,0 8,7 9,5 
Agrotóxicos 33 30 42 42 49 55 64 72 75 87 92 105 
Fonte: IBGE (2009); INDEA-MT (2009). 
Outros: arroz, borracha, cana-de-açúcar, feijão (em grãos), sorgo (em grãos). 
 
 De acordo com a Tabela 1 observa-se que em 1998 utilizava-se 8,46 milhões 
de litros de agrotóxicos por milhões de hectares plantados. Já em 2009 utilizou-se 
11,05 milhões de litros de agrotóxicos por milhões de hectares plantados, ou seja, 
houve um aumento de 23% no consumo de agrotóxico para a mesma quantidade de 
área cultivada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
19 
Tabela 2 - Produção agrícola (mil hectares) e consumo de agrotóxico na agropecuária 
(milhões de litros) em Lucas do Rio Verde – MT; 1998 a 2009. 
Lucas do 
Rio Verde 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 
Soja 
(em grão) 140 153 160 175 180 201 216 222 224 216 226 237 
 Milho 
(em grão) 36 63 71 78 123 140 100 146 147 175 161 147 
Algodão 
herbáceo 3 12 10 11 6 5 15 10 7 15 11 8 
Outros* 6 41 18 11 6 12 10 5 2 6 12 18 
Total 185 269 259 275 315 358 341 383 380 412 410 410 
Agrotóxicos 1,9 2,4 2,4 2,6 3,0 3,3 3,3 3,7 4,2 4,1 4,2 4,5 
Fonte: IBGE (2009); INDEA-MT (2009). 
Outros: arroz, borracha, cana-de-açúcar, feijão (em grãos), sorgo (em grãos). 
 
 Analizando a mesma relação de dados para o município de Lucas do Rio 
Verde (Tabela 2), observa-se que houve um acréscimo de 6% no consumo de 
agrotóxico para a mesma quantidade de área cultivada. O aumento no consumo de 
agrotóxico é maior que o aumento de área agricultável, tanto do Estado de Mato 
Grosso como em Lucas do Rio Verde. O que prova a intensificação do uso de 
agrotóxico. O aumento no consumo de agrotóxico faz surgir alguns questionamentos: 
onde foi parar essa quantidade de agrotóxico? Qual fração se dissipou em cada 
compartimento ambiental (água, ar, solo, biota)? 
 A exposição da população brasileira aos agrotóxicos é de 3,66 
litros/habitante. A população de Mato Grosso está exposta a 29,80 litros/habitante, 
uma exposição oito vezes maior que a média da população brasileira. Quando se fala 
em exposição da população residente em Lucas do Rio Verde-MT, a população está 
exposta a 136,35 litros/habitante, uma exposição cinco vezes maior que a média do 
estado e trinta e sete vezes maior que a média nacional (MOREIRA et al., 2010). 
 A Tabela 3 apresenta a média anual de consumo dos agrotóxicos (princípio 
ativo) mais utilizados no município de Lucas do Rio Verde. Dos pricipios ativos em 
destaque 40% são classificados como extremamente tóxicos, e 15% altamente tóxico 
a saúde, somando, mais da metade dos princípios ativos apresentam alto risco à 
população e meio ambiente. Além da diversidade, pois são mais de vinte princípios 
ativos, cada um com suas particularidades químicas, físicas, biológicas, o que lhe 
conferem. 
 
 
 
 
20 
Tabela 3 - Média anual do consuno de agrotóxicos em litros, com maior utilização entre 
2005 a 2009 por tipo de uso, classe toxicológica e forma de aplicação em Lucas do Rio 
Verde - MT. 
Agrotóxico 
(principio ativo) Uso Classe Toxicológica
1 Média de consumo anual2 
GLIFOSATO Herbicida IV - POUCO TÓXICO 1.261.957 
ATRAZINA Herbicida III - MEDIANAMENTE TOXICO 390.061 
METAMIDOFÓS Inseticida I - EXTREMAMENTE TÓXICO 381.438 
ENDOSSULFAM Inseticida I - EXTREMAMENTE TÓXICO 216.950 
2,4-D Herbicida I - EXTREMAMENTE TÓXICO 184.970 
DIQUAT Herbicida III - MEDIANAMENTE TOXICO 141.005 
S-METACLORO Herbicida I - EXTREMAMENTE TÓXICO 87.120 
PARATIONA METÍLICA Inseticida I - EXTREMAMENTE TÓXICO 77.497 
ACEFATO Inseticida III - MEDIANAMENTE TOXICO 73.280 
CLORPIRIFÓS Inseticida II - ALTAMENTE TÓXICO 47.145 
PARAQUATE Herbicida I - EXTREMAMENTE TÓXICO 28.643 
TRIFLURALINA Herbicida III - MEDIANAMENTE TOXICO 23.094 
PERMETRINA Inseticida III - MEDIANAMENTE TOXICO 22.985 
CIPERMETRINA Inseticida II - ALTAMENTE TÓXICO 19.636 
MALATIONA Inseticida III - MEDIANAMENTE TOXICO 11.911 
MSMA Herbicida III - MEDIANAMENTE TOXICO 9.860 
FIPRONIL Inseticida II - ALTAMENTE TÓXICO 8.047 
MONOCROTOFOS Inseticida I - EXTREMAMENTE TÓXICO 4.792 
CARBOFURAN Inseticida I - EXTREMAMENTE TÓXICO 3.981 
DELTAMETRINA Inseticida III - MEDIANAMENTE TOXICO 1.179 
OUTROS Vários VÁRIOS 1.333.935 
TOTAL GERAL 4.329.486 
Fonte: 1 ANVISA (2011); 2 INDEA-MT (2010). 
 
 A saúde humana pode ser afetada pelos agrotóxicos diretamente, por meio do 
contato direto com estas substâncias. Não somente os moradores do meio rural estão 
sujeitos a contaminação humana e ambiental, os do meio urbano também se 
encontram sob risco, devido à contaminação ambiental e dos alimentos. A avaliação 
da contaminação ambiental é de fundamental importância para a compreensão da 
contaminação humana por agrotóxicos (MOREIRA et al., 2002), uma vez que os 
seres humanos podem receber resíduos provenientes de matrizes ambientais 
contaminadas, como água e ar. 
 O uso de agrotóxicos na agricultura nas últimas décadas proporcionou um 
grande benefício para a produção de alimentos. Entretanto, em paralelo a esses 
 
 
 
 
21 
benefícios, surgiu o efeito potencial de resíduos de agrotóxicos remanescentes nos 
alimentos, sendo a ingestão de alimento contendo agrotóxicos uma das principais 
rotas de exposição humana (MELLO, 1999). 
 O homem se encontra no final da cadeia alimentar, o que faz com que possa 
ingerir toda sorte de substâncias químicas, inclusive os agrotóxicos estáveis que 
foram se acumulando ao longo de toda a cadeia. Ainda os recebe dos resíduos 
provenientes de contaminação das águas e do ar. 
 Os agrotóxicos são agentes poluidores e podem resultar em problemas de 
saúde para o homem. Assim, a questão da qualidade ambiental é um aspecto de 
investigação com ênfase no que se refere ao seu impacto na saúde da população 
(NUNES e TAJARA, 1998). O uso de agrotóxico gera externalidades no meio 
ambiente e na saúde humana, sendo que muitos desses impactos ainda são 
desconhecidos a longo prazo. (SOARES e PORTO, 2007). 
 Indivíduos que trabalham diretamente com os agrotóxicos estão sujeitos a 
riscos diferentes da população em geral. A população em geral pode estar exposta 
aos agrotóxicos através da ingestão de alimentos contaminados (carne, peixe, 
laticínios, frutas e vegetais), por exposição dérmica após aplicações domésticas ou 
pulverizações em culturas ou ambientes públicos ou inadvertidamente por inalação 
durante a aplicação de spray (NUNES e TAJARA, 1998).A elevada estabilidade de alguns grupos de agrotóxicos à degradação 
ambiental, associada a outras propriedades físicas e químicas, que favorecem suas 
distribuições pelos diferentes compartimentos ambientais, suas propriedades de 
bioacumulação em tecidos ricos em lipídios e uso intenso, são fatores que colocam 
os agrotóxicos como importantes contaminantes ambientais. Estudos atuais têm 
relatado associações estatísticas positivas entre a exposição humana a agrotóxicos e 
problemas de saúde, tais como aumento de certos tipos de câncer de mama e/ou do 
trato reprodutivo, redução da fertilidade masculina, anormalidades no 
desenvolvimento sexual entre outros (MEYER et al., 1999). 
 Alguns agrotóxicos atuam como interferentes endócrinos. Segundo a União 
Européia, os interferentes endócrinos podem: danificar diretamente um órgão 
endócrino; alterar diretamente a função de um órgão endócrino; interagir com um 
receptor de hormônios ou, alterar o metabolismo de um hormônio em um órgão 
 
 
 
 
22 
endócrino (ECE, 2010). As substâncias sintéticas que apresentam essa ação são 
geralmente persistentes no ambiente podendo se acumular ao longo da cadeia trófica. 
Além disso, MEYER et al. (1999), assinalam que muitas destas substâncias são 
excretadas através do leite materno, constituindo uma fonte de contaminação de 
recém-nascidos. 
 Os agrotóxicos não são as únicas substâncias que possuem a capacidade de 
afetar o sistema endócrino. Substâncias sintéticas, também denominadas 
xenoestrogênios, como (alquilfenóis, ftalatos, policlorados de bifenilas (PCD), 
bisfenol A, substâncias farmacêuticas, entre outras) e substâncias naturais 
(estrogênios naturais e fitoestrogênios), também possuem essa capacidade (BILA e 
DEZOTTI, 2007; GHISELLI e JARDIM, 2007). 
 KOIFMAN et al. (2002), verificaram correlação positiva entre a exposição da 
população aos agrotóxicos consumidos na década de 1980 e os distúrbio reprodutivos 
observados na década de 1990. O estudo realizado em 11 estados brasileiros 
observou coeficientes de correlação moderado e alto entre venda de agrotóxicos e 
mortalidade por câncer de mama, principalmente entre as mulheres de 50-69 anos de 
idade em 1995-1997 e mortalidade por câncer de ovário. 
 Alguns estudos toxicológicos com animais apresentam evidencias que altas 
doses de alguns agrotóxicos podem alterar a função reprodutiva e produzir 
malformações congênitas (HEEREN et al., 2003; CALVERT et al., 2007). Na África 
do Sul, mulheres expostas aos agrotóxicos apresentaram um risco sete vezes maior 
de ter filhos com alguma malformação congênita do que mulheres não expostas a 
essas substâncias, sugerindo uma relação entre a exposição aos agrotóxicos e o 
nascimento de crianças com malformações congênitas (HEEREN et al., 2003). 
 Foi verificado na Espanha (REGIDOR et al., 2003), a existência de 
associação entre a exposição paterna durante o primeiro trimestre da gravidez a 
agrotóxicos e o risco de morte fetal a partir de malformações congênitas. COOPER 
et al., (2006), verificaram que mães expostas a inibidores da acetilcolinesterase 
(ACE) no primeiro trimestre de gravidez tinham um risco 2,7 vezes maior de ter 
filhos com alguma malformação congênita do que mães não expostas a essas 
substâncias. 
 
 
 
 
23 
 Os dados obtidos em diferentes estudos sobre a relação entre os resultados 
reprodutivos adversos e ocupação dos pais na agricultura são inconsistentes. 
Enquanto alguns estudos mostram que filhos de agricultores têm uma maior 
frequência de morte fetal e/ou mortalidade perinatal do que filhos de não-
agricultores, provavelmente devido à exposição a pesticidas, outros estudos não 
encontraram diferenças (REGIDOR et al., 2003; LEITE et al., 2007). Conforme 
REGIDOR et al. (2003), uma possível explicação para esses resultados 
inconsistentes é que as principais causas de óbito fetal e morte perinatal são 
diferentes de um lugar para outro. 
 SERGEEV e CARPENTER (2005) avaliaram as taxas de hospitalização por 
doenças coronarianas e infarto agudo do miocárdio e a proximidade da residência de 
áreas contaminadas por poluentes orgânicos persistentes (POP) e outros poluentes no 
Estado de Nova Iorque nos Estados Unidos. 
 Uma análise realizada no sangue e na urina de moradores da zona urbana e 
rural de Lucas do Rio Verde-MT mostra a contaminação por agrotóxicos das duas 
populações. A pesquisa observou que substâncias como o glifosato, muito utilizado 
na região, e piretróides foram detectados nos dois grupos pesquisados. Porém, os 
níveis de glifosato encontrados na população rural foram duas vezes superiores aos 
níveis da população urbana. Já os níveis de piretróides, essa relação se inverte, 
indicando uma possível influência dos agrotóxicos domissanitários. Os níveis de 
organoclorados foram maiores da população rural, quando comparados com a 
população urbana (MOREIRA et al, 2010). 
 As crianças são particularmente vulneráveis à exposição a agentes químicos 
presentes no ambiente devido as suas características fisiológicas. Sendo assim, 
quaisquer agentes químicos presentes no ar, água, solo e alimentos têm probabilidade 
maior de ser absorvidos por crianças do que por adultos (LANDRIGAN et al., 2004). 
 A criança que se alimenta do leite humano está no ápice da cadeia alimentar e 
assim pode receber uma maior carga de contaminantes eliminados por esta via, 
principalmente aqueles capazes de sofrerem o fenômeno da biomagnificação 
(MELLO, 1999). O leite humano é um veículo importante para eliminação de 
xenobióticos do organismo e pode se constituir em uma fonte de contaminação para 
o lactente (CAMPOY et al., 2001). A grande preocupação com a contaminação do 
 
 
 
 
24 
leite materno deve-se ao fato dele ser a única fonte de alimentação dos recém-
nascidos até aproximadamente os seis meses de idade bem como ao fato das crianças 
apresentarem maior vulerabilidade devido a imaturidade de seus sistemas vitais 
dentre os quais o imunológico. O leite materno pode se constituir em uma importante 
fonte de transferência de resíduos de agrotóxicos, em adição à transferência 
placentária, para as crianças em fase de lactação (MELLO, 1999). 
 O risco de exposição a agentes químicos inicia ainda na vida intra-uterina. O 
termo barreira placentária revelou-se totalmente inapropriado desde os eventos 
relacionados à talidomida e ao dietilstilbestrol nos anos 1950 e 1960. Estudos 
demonstram que agrotóxicos lipofílicos como os organoclorados se acumulam na 
gordura da mãe, passam do seu sangue ao do feto através da placenta e são 
mobilizados nos depósitos de gordura durante a lactação para serem excretados pelo 
leite materno (NUNES e TAJARA, 1998; MELLO, 1999; MELLO-DA-SILVA e 
FRUCHTENGARTEN, 2005). 
 O leite humano é produzido pela ação de hormônios e reflexos. Durante a 
gravidez os hormônios preparam o tecido glandular para a produção de leite. O 
tecido glandular se desenvolve mais e as mamas ficam maiores. O tamanho das 
mamas está relacionado com a quantidade de tecido mamário e depósitos de gordura 
intra e inter lobular, mas não reflete a sua capacidade funcional. Logo após o parto, 
os hormônios fazem com que a mama comece a produzir leite (MS, 2001; ORFÃO e 
GOUVEIA, 2009). 
 A glândula pituitária, localizada na base do cérebro, produz a prolactina, um 
hormônio que estimula as células glandulares da mama a produzir leite. Cada vez 
que a criança suga, estimula as terminações nervosas do mamilo, que levam o 
estímulo para a parte anterior da glândula pituitária. Através da circulação sanguínea 
a prolactina atinge as mamas que produzem o leite (MS, 2001; ORFÃO e 
GOUVEIA, 2009; WAGNER, 2010). A prolactina atua depois que acriança mama e 
produz leite para a próxima mamada. A glândula pituitária produz mais prolactina 
durante a noite do que durante o dia. Portanto, o aleitamento materno à noite ajuda a 
manter uma boa produção de leite. A prolactina juntamente com outros hormônios 
inibe os ovários, retardando o retorno da fertilidade e da menstruação (MS, 2001). 
 
 
 
 
25 
 O leite é ejetado por pequenas células musculares, situadas ao redor do tecido 
glandular, que se contraem e jogam o leite para fora. O hormônio ocitocina é 
responsável pela contração dessas células, é produzido na parte posterior da glândula 
pituitária e vai através da corrente sanguínea para as mamas. A ocitocina atua 
enquanto a criança está sugando e faz o leite descer durante a mamada. A ocitocina 
faz com que o útero se contraia o que auxilia na eliminação da placenta. O 
aleitamento materno pode ajudar a parar o sangramento após o parto e reduzir o 
tempo em que a mulher perde os lóquios (MS, 2001; ORFÃO e GOUVEIA, 2009; 
WAGNER, 2010). Apesar da prolactina agir de forma independente da ocitocina, em 
diferentes receptores celulares, suas ações combinadas são essenciais para o sucesso 
da lactação (WAGNER, 2010). 
 O leite materno nem sempre tem exatamente a mesma composição. Há 
algumas modificações importantes e normais com o passar do tempo. A composição 
do leite também apresenta pequenas variações com a alimentação da mãe, mas essas 
alterações raramente têm algum significado (MS, 2001). 
 A secreção láctea apresenta diferentes fases. O colostro, secretado até o 5º dia 
após o parto, contém um alto teor de proteínas, principalmente imunoglobulinas e 
lactoferrina, e contém pouca gordura (2%) em relação ao leite maduro (3,5%). O 
colostro é também rico em fatores de crescimento que estimulam o intestino imaturo 
da criança a se desenvolver. O fator de crescimento prepara o intestino para digerir e 
absorver o leite maduro e impede a absorção de proteínas não digeridas. O colostro é 
laxativo e auxilia a eliminação do mecônico (primeiras fezes muito escuras). Isto 
ajuda a evitar a icterícia. (MS, 2001; SILVA e GIOIELLI, 2009). Se a criança recebe 
leite de vaca ou outro alimento antes de receber o colostro, estes alimentos podem 
lesar o intestino e causar alergias. 
 No leite de transição, secretado entre o 6º e o 15º dia após o parto, há um 
aumento na quantidade de lactose, gordura e vitaminas hidrossolúveis, e diminuição 
na quantidade de imunoglobulina (SILVA e GIOIELLI, 2009). 
 O leite maduro, secretado após o 15º dia de lactação, é comparado ao 
colostro. É uma secreção mais fina e aquosa. A secreção aquosa, secretada no início 
na mamada, tem a função de suprir a sede e as necessidades líquidas do bebê. Nesse 
período, o leite é rico em proteínas, lactose, vitaminas, minerais e água. O leite do 
 
 
 
 
26 
final da mamada tem quatro vezes mais gordura que o leite inicial, com a função de 
fornecer calorias ao lactente. Ele fornece mais da metade da energia do leite materno 
(MS, 2001; SILVA e GIOIELLI, 2009). 
 Quanto às proteínas, o leite humano possui 80% de lactoalbumina, sendo a 
relação soro/caseína de aproximadamente 80/20. Essa baixa concentração de caseína 
facilita a digestão por formar um coalho gástrico mais leve. O leite humano contém 
altas concentrações de cistina e taurina, aminoácidos essenciais de alto valor 
biológico, fundamentais para o crescimento do sistema nervoso central. O principal 
carboidrato no leite humano é a lactose, que facilita a absorção de cálcio e ferro e 
promove a colonização intestinal com Lactobacillus bifidus. No colostro, a 
concentração de lactose é cerca de 4% e no leite maduro de 7% (SILVA e 
GIOIELLI, 2009). 
 De acordo com MULLER (2003), o aleitamento materno, do ponto de vista 
ecológico, pode ser considerado sob alguns aspectos. O primeiro diz respeito à 
própria ecologia, lembrando que o gênero humano pertence à classe Mammalia, seres 
animais que mamam. Amamentar é próprio da natureza humana e possui raiz 
ecológica. O segundo aspecto desta questão é a saúde ambiental, ou do meio onde 
vive a nutriz, que pode afetá-la com contaminações complexas. Na amamentação, os 
contaminantes podem passar para a criança e causar danos tanto graves como 
permanentes, inclusive pelo potencial câncerígeno de alguns poluentes. O terceiro 
aspecto da questão destaca um aspecto cultural, onde as mães assumem que a 
amamentação artificial é um modernismo desejável. A propaganda incutiu a 
mamadeira, prática e conveniente, e minou a confiança de muitas mães na sua 
capacidade de alimentar os filhos. Finalmente, o quarto aspecto refere-se à questão 
agrária e industrial que envolve todo o processo da produção do leite em pó. 
 A amamentação é a melhor maneira de proporcionar o alimento ideal para o 
crescimento saudável e o desenvolvimento dos recém-nascidos, além de ser parte 
integral do processo reprodutivo, com importantes implicações para a saúde materna 
(OPAS, 2003). O aleitamento materno fortalece a imunidade, mantém o crescimento 
e desenvolvimento normais, melhora o processo digestivo no sistema 
gastrointestinal, favorece o vínculo mãe-filho e facilita o desenvolvimento 
emocional, cognitivo e do sistema nervoso (LANDRIGAN et al., 2002; SILVA et al., 
 
 
 
 
27 
2007). Crianças em aleitamento materno têm menos quadros infecciosos porque o 
leite materno é estéril, isento de bactérias e contém fatores anti-infecciosos que 
incluem leucócitos, imunoglobinas, fator bífado e lactoferrina (MS, 2001). 
 A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que todas as crianças 
sejam alimentadas exclusivamente com o leite materno até os seis meses de idade. 
Depois dos seis meses, com o objetivo de suprir suas necessidades nutricionais, a 
criança deve começar a receber alimentação complementar segura e nutricionalmente 
adequada, juntamente com a amamentação, até os dois anos de idade ou mais 
(OPAS, 2003). 
 Entre os fatores determinantes da saúde infantil, as condições ambientais são 
responsáveis por uma parcela significativa, já que situações desfavoráveis 
contribuem para a morbidade e mortalidade significativa de crianças (MELLO-DA-
SILVA e FRUCHTENGARTEN, 2005). O relacionamento da criança com o seu 
ambiente tem importância que transcende à verificada para o adulto, tendo em vista a 
característica ímpar dos seres vivos jovens, o crescer e o desenvolver, a partir de um 
ponto de vulnerabilidade máxima (ao nascimento) decrescente ao longo do processo 
de crescimento: quanto mais jovem a criança, mais dependente do ambiente 
(MARCONDES, 1982). 
 O risco de exposição a agentes químicos inicia ainda na vida intra-uterina, 
uma vez que o termo barreira placentária revelou-se totalmente inapropriado desde 
os eventos relacionados à talidomida e ao dietilstilbestrol (ETZEL et al., 2003). 
Estudos demonstram que agrotóxicos lipofílicos como os organoclorados se 
acumulam na gordura da mãe, passam do seu sangue ao do feto através da placenta e 
são mobilizados dos depósitos de gordura durante a lactação para serem excretados 
pelo leite materno (MELLO, 1999; MELLO-DA-SILVA e FRUCHTENGARTEN, 
2005). 
Alguns processos fundamentais, como o desenvolvimento do sistema 
nervoso, ocorrem predominantemente na vida fetal e durante os primeiros anos de 
vida. No período neonatal, observa-se um maior risco de absorção de agentes 
químicos através da pele, pois a queratinização só se completa por volta do quinto ao 
oitavo dia de vida. As vias de biotransformação de agentes químicos que ingressam 
no organismo não estão completamente desenvolvidas ao nascimento e durante os 
 
 
 
 
28 
primeiros meses de vida. Em muitos casos,como na exposição ao chumbo e a 
inseticidas organofosforados, as crianças são menos aptas a lidar com esses agentes, 
pela ausência ou deficiência de enzimas necessárias para sua biotransformação e 
eliminação. Outro aspecto a considerar é que eventuais dificuldades na 
metabolização de agentes tóxicos pode representar para a criança, no caso de 
exposição continuada ou crônica, o acúmulo desses agentes em órgãos ou tecidos de 
depósito, como ossos e células adiposas. As repercussões dessas exposições poderão 
vir a ser observadas somente após muitos anos, com o possível desenvolvimento de 
câncer associado à exposição a esses compostos presentes desde a vida intra-uterina 
até o ambiente doméstico durante a infância (MELLO, 1999; MELLO-DA-SILVA e 
FRUCHTENGARTEN, 2005). 
 O leite é produzido nas glândulas mamárias alveolares. Para sua produção, os 
componentes do leite e seus precursores passam por uma membrana que separa o 
fluxo sanguíneo dos capilares, das células epiteliais alveolares da mama. Durante 
este processo, algumas substâncias químicas que estejam presentes no organismo 
materno podem passar para o leite, em concentrações que refletem as concentrações 
existentes no organismo. A lipossolubilidade do composto químico é um fator 
importante para sua incorporação ao leite humano (NEEDHAM e WANG, 2002). 
 Existe uma forte correlação entre a concentração de agrotóxicos 
organoclorados no tecido adiposo materno ao final da gestação e aquela determinada 
na fração gordurosa do leite humano. Este fato pode ser devido à natureza altamente 
lipofílica destes compostos, que tem seus níveis aumentados no organismo de 
mulheres com mais gordura corporal (CAMPOY et al., 2001; MESQUITA, 2001; 
CERRILO et al., 2005; LLOP et al., 2010). 
 Devido à lipossolubilidade dos organoclorados, sua acumulação no tecido 
adiposo pode ser entendida como uma estratégia do corpo para remover substâncias 
tóxicas da circulação ativa. Quando ocorre uma deficiência nutricional, os depósitos 
de gordura se mobilizam e as substâncias são liberadas, retornando a corrente 
sanguínea. Se a concentração no sangue alcançar níveis elevados pode produzir 
efeitos tóxicos agudos. Nestes casos a redução dos sintomas, no entanto, pode não 
significar a eliminação do composto do organismo, mas sim a sua remoção da 
 
 
 
 
29 
circulação sanguínea. Os sintomas agudos cessam, mas permanece o risco de ação 
tóxica crônica no organismo. 
 As doenças e intoxicações causadas pelos agrotóxicos já representam um 
problema de Saúde Pública no país. Aproximadamente 15% do serviço de 
toxicologia nos prontos-socorros das grandes cidades brasileiras são de vitímas 
desses produtos. O uso indiscriminado de agrotóxicos pode elevar o índice de 
doenças crônicas. Como essas doenças nem sempre são diagnosticadas com precisão, 
também se elevam os índices de subnotificações, retardando assim o combate a esse 
problema (PINHEIRO, 2009). 
 Este trabalho foi um subprojeto da pesquisa “Avaliação do risco à saúde 
humana decorrente do uso de agrotóxicos na agricultura e pecuária na região Centro-
Oeste (CNPq n. 555193/2006-3) finalizada em junho de 2010, cujos dados, também 
serão discutidos neste trabalho para melhor caracterizar a exposição aos agrotóxicos 
a que estão submetidos à população e o ambiente em Lucas do Rio Verde-MT 
(MOREIRA, et al., 2010). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
30 
 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 
 
 
 2.1. AGROTÓXICOS E O MEIO AMBIENTE 
 
 Desde o momento em que o homem passou a dominar a natureza, fazendo da 
agricultura uma notável forma de apropriação do espaço, iniciou-se as 
transformações neste meio (AZEVEDO e MONTEIRO, 2009). A biodiversidade 
fornece a matéria-prima para a nossa alimentação e para outras necessidades 
fundamentais do ser humano, sendo seu uso, fundamental para o desenvolvimento da 
humanidade. Dessa forma, o homem quando degrada o ambiente, degrada também 
sua qualidade de vida. 
 O uso indiscriminado de agrotóxicos, em qualquer região do planeta, a 
princípio, gera efeitos locais e regionais. Entretanto, dependendo dos ecossistemas 
atingidos, tais efeitos provocam uma onda de reflexos que se alastra por todo um 
ecossistema (GRISOLIA, 2005). A contaminação ambiental é uma importante via de 
contaminação para o ser humano, que está exposto a todos os compartimentos 
ambientais. Na maioria das vezes a exposição ambiental envolve a exposição a 
múltiplas substâncias, o que pode alterar seu comportamento toxicológico, tornando 
os efeitos tóxicos mais pronunciados. Uma vez que, os efeitos tóxicos conhecidos, 
são estabelecidos de acordo com estudos toxicológicos e epidemiológicos, levando-
se em consideração a ação individual de cada substância. 
 O setor agrícola degrada os recursos hídricos de várias maneiras. O uso 
intensivo do solo, aliado a um manejo inadequado, potencializa um processo natural 
de erosão e assoreamento dos cursos de água. Associado ao problema da erosão está 
o uso indiscriminado dos agrotóxicos. O uso desses produtos químicos é um dos 
mais graves fatores de deterioração da qualidade dos recursos hídricos (AZEVEDO e 
MONTEIRO, 2009). Estudos em várias regiões do país demonstram que a 
contaminação dos recursos hídricos por agrotóxicos representa um problema real que 
pode trazer sérias consequências para o meio ambiente e para a saúde humana 
(DORES e DE-LAMONICA-FREIRE, 2001; VEIGA et al., 2005). 
 
 
 
 
31 
 Em um estudo realizado por MARCHESAN et al. (2007) nos Rios Vacacaí e 
Vacacaí-Mirim no Estado do Rio Grande do Sul, durante o período de plantio de 
arroz, foi detectada a presença de pelo menos um herbicida em 41% das amostras no 
rio Vacacaí e 33% das amostras no rio Vacacaí-Mirim. O herbicida clomazona foi 
detectado com maior frequência nos dois rios. 
 Em outro estudo realizado na Bacia Hidrográfica do Rio Ribeira de Iguape no 
Estado de São Paulo por MARQUES et al. (2007), mostrou a presença de 
agrotóxicos em 24% das 152 amostras coletadas. Substâncias tais como carbamatos, 
triazinas e nitroanilinas foram detectadas particularmente durante a estação chuvosa, 
revelando que a qualidade da água está associada com a variação sazonal. 
 Alguns estudos desenvolvidos na região de Primavera do Leste, Mato Grosso 
detectaram contaminação por agrotóxicos em água potável, superficial e subterrânea. 
Em estudo realizado por DORES et al. (2006) ao analisar amostras de água 
subterrânea e água superficial foram detectados resíduos de agrotóxicos em 14 
amostras das 20 amostras coletadas. As substâncias detectadas foram atrazina, 
simazina, metaloclor e metribuzim. Simazina, metribuzim, metolaclor, atrazina, 
trifluralina, e dois metabólitos da atrazina, desisopropilatrazina (DIA) e 
desitilatrazina (DEA), foram detectados em amostras de água superficial e 
subterrânea. As concentrações encontradas variam de 0,14 a 1,7 µg/L (DORES et al., 
2008). CARBO et al. (2008), analisaram amostras (n=110) de água subterrânea em 
lavouras de algodão. Das doze substâncias analisadas, oito (acetamiprido, aldicarbe, 
carbendazim, carbofurano, diurom, imidacloprido, metomil e teflubenzurom) foram 
detectadas nas amostras de água, sendo que 18% continham pelo menos um dos 
pesticidas, com concentrações variando de 0,78 a 68,79 μg L-1, excedendo em 
alguns casos, os níveis estabelecidos pela União Européia e outros organismos 
nacionais e internacionais. Esses resultados confirmam a vulnerabilidade do lençol 
freático à contaminação por pesticidas. 
 MOREIRA et al. (2010), detectaram contaminação em 10 poços artesianos 
em Lucas do Rio Verde, 83% dos poços selecionados(n=12). Foram detectadas as 
substâncias atrazina, metaloclor, clorpirifós, β-endossulfam, sulfato de endossulfam, 
flutriafol e permetrina. As concentrações variaram de 0,01 a 4,78 µg/L. Na maioria 
das amostras, os níveis dos resíduos não ultrapassaram os Limites Máximos de 
 
 
 
 
32 
Resíduos permitidos para a água potável (portaria 518/MS), porém, aqueles que 
ultrapassaram, são agrotóxicos mais estáveis, mais solúveis e de alta toxicidade 
crônica. A mesma pesquisa analisou 35 amostras de água superficial, coletadas em 
oito pontos em rios do município. Os resultados apontaram a presença de atrazina, 
metaloclor, clorpirifós, β-endossulfam, sulfato de endossulfam, flutriafol e malation. 
As concentrações variaram de 0,01 a 8,8 µg/L, sendo que 81% das amostras de água 
superficial apresentaram pelo menos um tipo de resíduo de agrotóxico. 
 Os agrotóxicos não são encontrados apenas em água superficial ou 
subterrânea, mas também em água de chuva, como foi detectado em águas coletadas 
em quatro pontos do município de Lucas do Rio Verde-MT. Substâncias como 
melaloclor e β-endossulfam foram detectadas em 56% das amostras, flutriafol em 
51%, atrazina em 43% e sulfato de endossulfam 38%. As concentrações variaram de 
0,01 a 47,21 µg/L. Esses resultados indicam uma dispersão dos agrotóxicos 
aplicados, atingindo não somente a população rural, mas também a população urbana 
(MOREIRA et al., 2010). Outros estudos evidenciaram contaminação de água de 
chuva em outros países como Bélgica (QUAGUEBEUR et al., 2004), França 
(SCHEYER et al., 2006) e Grécia (ROUVALIS et al., 2009). 
 A presença de agrotóxicos nos recursos hídricos pode afetar à saúde humana 
e também outros organismos. Em alguns animais, os efeitos encontrados foram: 
problemas na reprodução e declínio populacional; funcionamento anormal da tireóide 
e outras disfunções hormonais; feminilização de machos e masculinização de 
fêmeas; sistema imunológico comprometido; tumores e cânceres; anormalidades 
comportamentais e maior incidência de malformação fetal (MIRANDA, 2006). 
 As populações de anfíbios encontram-se em declínio globalmente e os 
agrotóxicos estão entre as inúmeras causas responsáveis por esta queda. A maioria 
dos estudos que relacionam os efeitos dos agrotóxicos sobre os anfíbios concentram-
se sobre a toxicologia desses compostos, determinando apenas sua letalidade e 
relações com malformações externas. Pouco se sabe sobre os efeitos de interferência 
endócrina nessa população. 
 Um estudo realizado por HAYES et al. (2006), demonstrou que apesar de 
alguns agrotóxicos, individualmente, inibirem o crescimento e desenvolvimento 
larval, as misturas desses compostos tiveram efeitos muito maiores, alterando o 
 
 
 
 
33 
tempo e o tamanho da metamorfose. Estudo realizado por LAJMANOVICH et al. 
(2010), demonstrou que a conversão de ecossistemas nativos em lavouras de soja 
pode levar ao aumento dos riscos ecológicos de anfíbios anuros devido ao aumento 
do uso de agrotóxicos e outras substâncias químicas utilizadas na agricultura. 
 Em pesquisa realizada em Lucas do Rio Verde-MT, várias substâncias foram 
encontradas no sangue de anfíbios coletados em cursos de água do município. 
Substâncias como µ-HCH, β-HCH, dieldrim, µ-endossulfam, β-endossulfam, endrim, 
heptacloro, mirex, o,p’- DDD, PCB tetraclorobifenil, foram detectadas em 
concentrações que variaram de 0,20 a 2,88 ng/mL de sangue. Nessa mesma pesquisa 
casos de malformação, como ectromelia e sindactilia, foram detectadas (MOREIRA 
et al., 2010). 
 Diversos trabalhos apresentaram a presença de agrotóxicos em amostras de 
peixes, como no caso do estudo realizado por CALDAS et al. (1999), que detectou a 
presença de HCH total e lindano (γ-HCH) em amostras de peixe do Lago Paranoá em 
Brasília. 
 No estudo realizado por TARDIVO e REZENDE (2005) verificou a presença 
de HCB, γ-HCH e PCB-200 em amostras de peixes dos três pontos estudados da 
Bacia do Betari, no Vale do Ribeira, São Paulo. Ainda no Estado de São Paulo, na 
bacia do Rio Piracicaba, SILVA et al. (2008) encontraram resíduos de vários 
agrotóxicos organoclorados nas espécies Prochilodus scrofa (curimbatá) e Pimelodus 
maculatus (mandi-amarelo). Os valores mais altos foram encontrados para α-HCH 
(0,051 – 0,203 µg g–1), γ-HCH (0,108 – 0,184 µg g–1) e aldrim (0,067 – 0,134 µg g–1) 
na espécie Prochilodus scrofa. Heptacloro, α-endossulfam, dieldrim, DDE e DDT 
também foram observados, mas em valores menores, como também observado para a 
espécie Pimelodus maculatus. 
 Estudos desenvolvidos em outros países também demonstram a 
contaminação de peixes por agrotóxicos. No interior da Índia DHANANJAYAN e 
MURALIDHARAN (2010), demonstraram contaminação de peixes da espécie 
Anguilla bicolor bicolour e Heteropneustes fossilis por agrotóxicos organoclorados 
como o HCH, DDT, dieldrim, heptacloro epóxido e endossulfam. 
 Estudo realizado por COSCOLLÀ et al. (2010) na área rural e urbana da 
França, analisou a presença de 56 agrotóxicos no ar, destes, 41 foram detectados. 
 
 
 
 
34 
Herbicidas tais como trifluralina, acetoclor, pendimetalim e o fungicida clorotalonil 
foram encontrados com frequência. O estudo demonstrou tendência sazonal, com a 
maioria das detecções e as concentrações mais elevadas durante a primavera e o 
inicio do verão. Houve pequena diferença entre as áreas rurais e urbanas. 
Demonstrando que não apenas a população rural está exposta a essas substâncias. 
 
 2.2. AGROTÓXICOS: CARACTERÍSTICAS, INTERAÇÕES E 
BIOACUMULAÇÃO 
 
 De acordo com a lei 7.802/89, agrotóxicos são: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Os agrotóxicos podem ser classificados de acordo com os alvos preferenciais 
sobre os quais atuam, que é a classificação mais comum (inseticidas, acaricidas, 
larvicidas, nematicidas, moluscocidas, bacteriostáticos e bactericidas, fungicidas, 
herbicidas, pediculicidas e rodenticidas) e de acordo com a classe química a que 
pertencem (organoclorados, organofosforados, carbamatos, piretróides, triazinas e 
outros). Essa classificação é útil para o diagnóstico das intoxicações e instituição de 
tratamento específico (OPAS, 1996; BARBOSA, 2004). 
 Segundo o Decreto 4074/02, compete ao Ministério da Agricultura, Pecuária 
e Abastecimento (MAPA) realizar a avaliação de eficácia agronômica, ao Ministério 
da Saúde (MS) executar a avaliação e classificação toxicológica e ao Ministério do 
Meio Ambiente (MMA) avaliar e classificar o potencial de periculosidade ambiental. 
 Os agrotóxicos são classificados, ainda, segundo sua toxicidade (Tabela 4). 
Esta classificação é fundamental para o conhecimento da toxicidade de um produto, 
do ponto de vista de seus efeitos agudos (OPAS, 1996). Essa classificação obedece a 
“os produtos e os agentes de processos físicos, químicos 
ou biológicos, destinados ao uso nos setores de produção, 
no armazenamento e beneficiamento de produtos 
agrícolas, nas pastagens, na proteção de florestas, nativas 
ou implantadas, e de outros ecossistemas e também de 
ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade 
seja alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de 
preservá-las da ação danosa de seres vivos considerados 
nocivos; substâncias e produtos, empregados como 
desfolhantes, dessecantes, estimuladores e inibidores de 
crescimento.” 
 
 
 
 
35 
testes ou estudos realizados em laboratório que tentam estabelecer a dose letal (DL) 
do agrotóxico em 50% dos animais utilizados no estudo (Portaria no 03, de 16 de 
janeiro de 1992). 
 
Tabela 4 - Classificação toxicológica dos agrotóxicos em função da DL50. 
Classe Grupo DL50 (mg/kg de peso vivo) 
Cor da faixa no rótulo do 
produtoClasse I Extremamente tóxicos < 50 Vermelha 
Classe II Altamente tóxicos 50-500 Amarela 
Classe III Medianamente tóxicos 500-5000 Azul 
Classe IV Pouco tóxicos 5000 ou + Verde 
Fonte: Portaria no 03, de 16 de janeiro de 1992. 
 
 A avaliação e a classificação do potencial de periculosidade ambiental de um 
agrotóxico são baseadas em estudos físicos e químicos, toxicológicos e 
ecotoxicológicos. Dessa forma um agrotóxico pode ser classificado quanto à 
periculosidade ambiental, em classes que variam de I a IV (IBAMA, 1996): 
 Classe I - produtos altamente perigosos ao meio ambiente 
 Classe II - produtos muito perigosos ao meio ambiente 
 Classe III - produtos perigosos ao meio ambiente e 
 Classe IV - produtos pouco perigosos ao meio ambiente. 
 O agrotóxico quando aplicado, tem por objetivo exercer a sua ação sobre um 
organismo alvo, seja ele uma “erva daninha”, um inseto, um fungo ou uma bactéria. 
De acordo com CHAIM (2004) cerca de 32% dos agrotóxicos aplicados nas lavouras 
são retidos nas plantas, 19% é transportado através do ar para outras localidades e 
49% atinge o solo. Da fração que atinge o solo, parte evapora, outra parte pode ser 
transportada através da camada de solo atingindo o lençol freático e outra parte é 
degradada. A introdução dos agrotóxicos em qualquer um dos compartimentos 
ambientais e suas conseqüentes distribuições, constitui a contaminação ou poluição 
ambiental. 
 Os agrotóxicos quando utilizados e pulverizados por tratores, aviões ou 
equipamento costal, uma fração atinge seus alvos (insetos, fungos ou erva daninhas) 
e outra fração será dispersa em quatro grandes compartimentos no ambiente: água, 
 
 
 
 
36 
ar, solo e biota. A fração do produto que vai atingir em cada compartimento, ou seja, 
a sua destinação no ambiente é definida pelas suas propriedades físicas, químicas e 
biológicas, bem como a quantidade de uso, características bióticas e abióticas do 
ambiente e as condições meteorológicas (LINDE, 1994; SPADOTTO 2006). 
 Essas condições variam de acordo com o produto e com os fatores 
relacionados à sua aplicação, desse modo é difícil prever-se com exatidão o 
comportamento biológico ou ambiental dos agreotóxicos, através de um único 
modelo. No entanto, alguns processos de dispersão são conhecidos e descritos para 
tentar explicar o comportamento desses compostos no ambiente, tais como retenção 
(sorção), transformação (degradação química, biológica e fotólise) e transporte 
(deriva, volatilização, lixiviação e carreamento superficial), e por interações desses 
processos (Figura 1). Esses processos podem predizer como o produto se comportará 
nos diferentes compartimentos ambientais e nos organismos (SPADOTTO, 2006; 
RIBAS E MATSUMURA, 2009). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1 - Comportamento e destino dos agrotóxicos no meio ambiente (modificado de 
GRISOLIA, 2005). 
 
 
 
 
37 
 A introdução de agrotóxicos no ambiente pode provocar efeitos indesejáveis, 
como a alteração da dinâmica bioquímica natural pela pressão de seleção exercida 
sobre organismos, tendo como conseqüência, mudanças no funcionamento do 
ecossistema afetado (SPADOTTO, 2006). 
 Alguns agrotóxicos são enquadrados no grupo dos Poluentes Orgânicos 
Persistentes (POP), compostos altamente resistentes a degradação por meios 
biológicos, químicos ou fotolíticos. Os POP são caracterizados por certas 
propriedades físicas e químicas que lhes conferem um alto poder de persistência no 
meio ambiente, como baixa solubilidade na água e alta solubilidade em lipídios, o 
que facilita sua acumulação no organismo animal, principalmente no tecido adiposo 
o que aliado ao seu tempo de meia-vida longo, aumenta seu potencial de 
bioacumulação. Essa característica aumenta consideravelmente os riscos de 
contaminação pelos organismos no topo da cadeia trófica (SCPOP, 2010). 
 
 2.3. PROPRIEDADES E TOXICIDADE DOS GRUPOS DE 
AGROTÓXICOS ESTUDADOS (ORGANOCLORADO, PIRETRÓIDE E 
DINITROANILINA) 
 
 A pertinência de análise de agrotóxicos prende-se às extensas discussões 
sobre a sua potencialidade em exercer efeitos adversos sobre a saúde dos seres vivos, 
podendo vir a influir, assim, sobre o equilíbrio de todo um ecossistema. Nesta 
pesquisa foram trabalhados três grupos de agrotóxicos, contemplando alguns 
princípios ativos largamente utilizados no passado e outros ainda utilizados na atual 
realidade da agricultura mundial. Dentre os grupos estudados estão os 
organoclorados (α-endossulfam, β-endossulfam, lindano, α-HCH, aldrim, p,p’- DDT, 
p,p’-DDE), piretróides (cipermetrina e deltametrina) e dinitroanilina (trifluralina). Os 
que possuem seu uso ainda liberado (endossulfam, cipermetrina, trifluralina e 
deltametrina) estão esntre os vinte agrotóxicos mais utilizados na área de estudo. 
 
 
 
 
 
 
 
38 
 2.3.1. ORGANOCLORADOS: ORIGEM, PROPRIEDADES E 
ESTRUTURA QUÍMICA 
 
 Em 1874, o DDT (Diclorodifeniltricloroetano), precursor e membro mais 
popular e controverso do grupo dos organoclorados, foi sintetizado por Othmar 
Zeidler. Entretanto suas propriedades inseticidas só foram descobertas, durante a 
Segunda Guerra, em 1939 , por Paul Müller que patenteou o DDT em 1940. Essa 
descoberta lhe valeu posteriormente o Prêmio Nobel de Medicina devido ao uso do 
DDT no combate à malária. Outros agrotóxicos orgânicos foram sintetizados durante 
a Guerra, isso porque várias regiões onde as tropas serviam eram áreas endêmicas de 
diversas doenças tropicais como a malária. Foi nesse período também que surgiu o 
HCH (hexaclorociclohexano). O γ-HCH, único isômero com atividade inseticida, foi 
sintetizado por Michael Faraday em 1825. A existência dos isômeros foi descoberta 
por Van der Linden em 1912, e a descoberta de suas propriedades inseticidas foi feita 
por Dupaire e Rancourt, na França em 1942 (BARBOSA, 2004). 
 Os compostos organoclorados apresentam átomos de cloro em comum na sua 
estrutura química, alta lipossolubilidade, elevado tempo de meia-vida e valores 
elevados de pressão de vapor. Essas propriedades conferem a essas substâncias alto 
potencial de bioacumulação em solo/sedimento e organismos vivos, elevada 
persistência e capacidade de se deslocarem pela atmosfera e atingir locais remotos, 
processo esse definido como destilação global (MORONI et al., 2000; CIPRO, 2007; 
SILVA, 2009). Devido a sua persistência, muitos pesticidas organoclorados 
tornaram-se poluentes onipresentes, resultando em bioacumulaçao ao longo da 
cadeia trófica sendo detectados em animais e seres humanos (MORONI et al., 2000). 
 As substâncias organocloradas de interesse neste estudo serão brevemente 
apresentadas. São elas: endossulfam (α e β), lindano α-HCH, aldrim, p,p’DDT e 
p,p’DDE. 
 O endossulfam é um inseticida e acaricida do subgrupo clorociclodieno, que 
atua como um veneno para uma ampla variedade de insetos e ácaros. Embora ele 
também possa ser utilizado como um conservante de madeira. Foi introduzido no 
mercado em 1956 pela Hoeschet AG (EUA). Sua utilização se dá em culturas de 
 
 
 
 
39 
café, soja e algodão para o controle de diversas espécies de insetos e ácaros mediante 
contato e ingestão dos produtos formulados (ANVISA, 2010a). O endossulfam é uma 
mistura de dois estéreo-isômeros (α e β) (Figura 2). O endossulfam técnico é estável 
à ação da luz solar, pouco estável à ação dos ácidos, bastante instável à ação dos 
álcalis, praticamente insolúvel em água e consideravelmente lipofílico, sendo solúvel 
em solventes orgânicos como acetato de etila, etanol, hexano e tolueno. Estável 
quando exposto à luz, apresenta baixa estabilidade em meio básico. Tende a sofrer 
hidróliselenta a endossulfam-diol e a endossulfam dióxido sulfúrico (LARINI, 1999; 
IPCS, 2000; PPDB, 2010). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Devido à sua elevada toxicidade, ao seu potencial de biocumulação e também 
por ser um interferente endócrino, o endossulfam foi banido em mais de 62 países, 
incluindo a União Europeia e várias nações ao Oeste da África e Ásia. Entretanto, 
continua sendo extensivamente usado em outros países, como Índia, Austrália e 
Brasil. 
 Em agosto de 2010, o uso do ingrediente ativo endossulfam foi revisto 
considerando suas características genotóxicas, neurotóxicas, imunotóxicas, 
toxicidade endócrina ou hormonal e toxicidade reprodutiva sobre o desenvolvimento 
embriofetal. De acordo com a Resolução – RDC no 28 de 09 de agosto de 2010, 
prazos e limites para a produção e comercialização são estabelecidos até a data de 
proibição da produção e comercialização, que é 31 de julho de 2013. 
Figura 2 - Estrutura química do α-endossulfam (A); β-endossulfam (B) e sulfato de 
endossulfam (C) - (WEBER et al., 2010). 
 
 
 
 
40 
 O HCH (hexaclorociclohexano) é um pesticida com elevada persistência no 
ambiente e bioacumulação em seres vivos. O HCH de grau técnico é uma mistura de 
vários isômeros, incluindo α-HCH (60-65%), β-HCH (5-14 %), γ-HCH (12-15%), δ-
HCH (6-8 %) e ε –HCH (3-4 %), podendo essa proporção variar de acordo com a 
fabricação (Figura 3). Dos isômeros citados, o isômero γ é extremamente mais tóxico 
para os insetos do que os isômeros α e δ. Os isômeros β e ε são geralmente quase 
inertes. Como colocado anteriormente, o HCH foi sintetizado no período da Guerra. 
Seu único isômero com atividade inseticida o γ-HCH (Lindano) foi sintetizado por 
Michael Faraday em 1825. A existência dos isômeros foi descoberta por Van der 
Linden em 1912, e a descoberta de suas propriedades inseticidas foi feita por Dupaire 
e Rancourt, na França em 1942. (Mello, 1999). O lindano (γ-HCH) foi utilizado para 
o tratamento de sementes, solo, árvores, madeira e contra ectoparasitose humana 
(MORONI et al., 2000). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 O Aldrim foi amplamente utilizado para culturas de milho e algodão entre 
1950 e 1970. O Aldrim é rapidamente epoxilado e convertido em Dieldrin (Figura 4), 
mais tóxico que o composto original (CARVALHO et al., 1990). O Aldrim é 
facilmente metabolizado pela luz do sol e bactérias, e por esse motivo o Dieldrim é 
mais facilmente encontrado no meio ambiente. Ambos se adsorvem as partículas do 
solo e volatilizam-se lentamente. O Dieldrim é armazenado no tecido adiposo 
humano e sua liberação é lenta. Preocupações dos danos ao meio ambiente e dos 
riscos para a saúde humana, levaram a Agência de Proteção Ambiental dos Estados 
Unidos (EPA – Environmental Protection Agency) a banir todas as suas utilizações 
Figura 3 - Estrutura química γ-HCH (HERNANDES, 2007). 
 
 
 
 
41 
em 1974, com exceção para o controle de cupins, e em 1987, foram banidas todas as 
formas de uso (ATSDR, 2002a). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 O DDT (Diclorodifeniltricloroetano) não ocorre naturalmente no meio 
ambiente. Ele é um pesticida que já foi amplamente utilizado para controle de insetos 
em culturas agrícolas e insetos que transmitem doenças como a malária e tifo, mas 
agora é usado apenas em alguns países para controlar a malária. O DDT de grau 
técnico é uma mistura de três formas, p,p'-DDT (85%), o,p'-DDT (15%), e outros em 
menores proporções (Figura 5). O grau técnico de DDT também pode conter DDE 
(1,1-dicloro-2 ,2-bis (p-clorofenil) etileno) e DDD (1,1-dicloro-2 ,2-bis (p-clorofenil) 
etano) como contaminantes. Ambos DDE e DDD são produtos de degradação do 
DDT. 
 
 
 
 
 
 
 
 O DDT, com sua pronunciada propriedade inseticida, aliada à baixa 
solubilidade em água, alta persistência e sua forma de ação, desconhecida no 
momento de sua síntese, propiciou resultados verdadeiramente notáveis e seu uso 
rapidamente se expandiu (HERNANDES, 2007). Após 1972, o uso do DDT já não 
Figura 4 - Estrutura química aldrim (a); e dieldrim (b) (HERNANDES, 2007). 
Figura 5 - Estrutura química do p,p’DDT (a) e o,p’DDE (b) (HERNANDES, 2007). 
 
 
 
 
42 
era permitido nos Estados Unidos, exceto em casos de emergência de saúde pública 
(ASTDR, 2002b). 
 No Brasil a comercialização, o uso e a distribuição dos produtos agrotóxicos 
organoclorados, destinados à agropecuária, dentre outros como: aldrim, BHC, 
canfeno clorado (toxafeno), DDT, dodecacloro, endrim, heptacloro, lindano, 
endossulfam, metoxicloro, nonacloro, pentacloro-fenol, dicofol e clorobenzilato, foi 
proibida pela Portaria no. 329/1985 do Ministério da Agricultura Pecuária e 
Abastecimento, com algumas exceções: o uso do Aldrim em forma de iscas 
formicidas e também como cupinicidas para o emprego em florestamento e 
reflorestamento, o uso dos referidos produtos quando aplicados pelos órgãos públicos 
competentes, em campanhas de saúde pública de combate a vetores e, uso 
emergencial na agricultura, a critério da Secretaria Nacional de Defesa Agropecuária 
- SNAD - do Ministério da Agricultura. Entretanto, algumas substâncias como o 
endossulfam e o dicofol, foram liberadas em caráter emergencial para 
comercialização, distribuição e uso em algumas culturas através da Portaria nº. 95, de 
21 de novembro de 1985. 
 Em 1998, o Ministério da Saúde publicou a Portaria no. 11, proibindo o uso 
definitivo dessas substâncias, até as que eram utilizadas em caráter emergencial no 
combate de vetores em campanhas de Saúde Pública. 
 
 2.3.2 ORGANOCLORADOS: MECANISMO DE AÇÃO 
TÓXICA NO HOMEM 
 
 O alvo de ação dos organoclorados é o sistema nervoso motor e sensorial e o 
córtex motor (GRISOLIA, 2005). Sua toxicidade compromete a transmissão do 
impulso nervoso central e autônomo, provocando alterações comportamentais, 
sensoriais, do equilibrio, da atividade da musculatura voluntária e de centros vitais, 
particularmente da respiração (OPAS, 1996). Podem penetrar no organismo humano 
por via dérmica, pulmonar, gástrica e respiratória (RODRIGUES, 2006). 
 Em casos de intoxicação aguda, após duas horas aparecem sintomas 
neurológicos de inibição, hiperexcitabilidade, parestesia na língua, nos lábios e nos 
 
 
 
 
43 
membros inferiores, desassossego, desorientação, fotofobia, escotomas, cefaléia 
persistente, fraqueza, vertigem, alterações do equilíbrio, tremores, ataxia, convulsões 
tônico-crônicas, depressão central severa, coma e morte. Já as manifestações crônicas 
salientam-se neuropatias periféricas, inclusive com paralisias, discrasias sanguíneas 
diversas, inclusive aplasia medular, lesões hepáticas com alterações das 
transaminases e da fosfatase alcalina, lesões renais, arritmias cardíacas a dermatoses, 
como cloroacne. (OPAS, 1996). 
 Há pouca diferença de toxicidade entre o endossulfam e seu metabólito, 
sulfato de endossulfam. No entanto, o isômero α tem demonstrado ser 
aproximadamente três vezes mais tóxico que o isômero β. Dados em animais indicam 
que a toxicidade também pode ser influenciada por espécie e por nível de proteína na 
dieta (ATSDR, 2000). 
 O endossulfam, seus isômeros e metabólitos apresentam sérios efeitos 
negativos na saúde humana e no meio ambiente, especialmente para o sistema 
neurológico, reprodutor, endócrino e imunológico em seres humanos (ANVISA, 
2010b). 
 O endossulfam pode afetar o sistema endócrino, e o metabolismo orgânico, 
através de sua atividade nas glândulas hipófise, tireóide, supra-renais, mamas, 
ovários e testículos, provocando efeitos no metabolismo do organismo, alterando a 
produção de hormônios (BELDOMENICO et al., 2007). Em mulheresgrávidas 
expostas, o endossulfam atinge o feto através do cordão umbilical e placenta e 
continua afetando a criança após o nascimento através da amamentação (CERRILLO 
et al., 2005). 
 A toxicidade do HCH varia segundo o isômero. O α-HCH parece ser o mais 
importante desencadeador de nódulos hepáticos e hepatocarcinomas, mas há estudos 
limitados sobre o mesmo. O ß-HCH tende a ser o isômero de maior importância 
toxicológica devido à sua persistência no ambiente e efeitos estrogênicos em células 
mamárias de animais, ratos e cobaias (WILLET et al., 1998). 
 Estudos desenvolvidos com ratos expostos oralmente, confirmaram o sistema 
nervoso como alvo da toxicidade do HCH. Além de hiperexcitabilidade e 
convulsões, o tratamento com HCH em animais produziu alterações neuroquímicas 
no cérebro, alterações de comportamento em animais adultos, e em prole de animais 
 
 
 
 
44 
expostos. Diminuição do número de glóbulos vermelhos, brancos e de hemoglobina 
foram relatados em ratos após administração repetida de γ-HCH (Lindano) de grau 
técnico (ATSDR, 2005). 
 Nos seres humanos os efeitos da exposição ao HCH consistem de 
hiperexcitabilidade e convulsões que, eventualmente, levam à morte. Vômitos e 
náuseas são manifestações habituais de ingestão de γ-HCH e também foram 
relatados após exposição cutânea. Há também relatos de efeitos adversos 
hematológicos em humanos expostos a γ-HCH após a inalação e/ou exposição 
dérmica aos produtos domésticos que contém γ-HCH e após a exposição ocupacional 
crônica. Não há evidências que o HCH altera a imunocompetência em humanos, 
embora haja um relatório dos níveis de IgM sérica (Imunoglobulina M) em um 
pequeno estudo com trabalhadores expostos ao HCH grau técnico. Não há estudos 
conclusivos quanto a ação genotóxica do HCH, uma vez que nos estudos realizados 
outras substâncias organocloradas foram detectadas. Também são inconclusivos os 
estudos em relação a problemas reprodutivos e de desenvolvimento fetal, 
considerando os poucos estudos realizados. Efeitos hepáticos, tais como o aumento 
das enzimas hepáticas, têm sido relatados em humanos expostos ao HCH (ATSDR, 
2005). 
 Tanto o aldrim como o seu metabólito dieldrim afetam a saúde de maneira 
semelhante. O efeito mais documentado de exposição aguda ao aldrim em seres 
humanos é a excitação do sistema nervoso central, culminando em convulsões. Dores 
de cabeça, tontura, irritabilidade e vômitos são outros sintomas documentados. Já a 
exposição crônica em seres humanos também documenta efeitos sobre o sistema 
nervoso central, mas outros efeitos tóxicos em pessoas expostas rotineiramente tem 
sido estabelecidos. A toxicidade renal e no fígado, anemia hemolítica, toxicidade 
fetal e aumento da mortalidade pós-natal, e diminuição da função reprodutiva estão 
entre os efeitos tóxicos apresentados por pessoas que ingeriram aldrim (ATSDR, 
2002a). 
 Não há estudos conclusivos quanto à carcinogenicidade do aldrim em 
humanos. A EPA dos Estados Unidos determinou que o aldrim fosse classificado 
como um provável carcinógeno humano. Já a Agência Internacional de Pesquisa 
sobre o Câncer (IARC) não o classifica como carcinógeno humano. Mas, para 
 
 
 
 
45 
ATSDR (2002a), tanto o aldrim como o seu metabólito dieldrim demonstraram-se 
capazes em provocar câncer de fígado em camundongos. 
 Os efeitos do DDT no organismo ocorrem após a atuação sobre o equilíbrio 
de sódio/potássio nas membranas dos axônios, provocando impulsos nervosos 
constantes, que levam à contração muscular, convulsões, paralisia e morte 
(D’AMATO et al., 2002). O DDT, após a absorção, é biotransformado em DDE, 
ambos os compostos se armazenam preferencialmente do tecido adiposo. O seu 
armazenamento em orgãos e tecidos apos a ingestão repetida é proporcional ao teor 
de gordura neutra. A maior parte do DDT e DDE ingerido numa única dose é 
distribuido para outros tecidos, sofrendo uma absorção lenta pela gordura. Quando a 
dose é menor, mas numa sequência maior de ingestão, a absorção é realizada pelo 
tecido adiposo de forma acelerada no início e mais gradual no final, até o alcance de 
um estado estacionário. Esse equilibrio no homem pode ser alcançado em um ano 
(MARONI et al., 2000). 
 Além de sua ação neurotóxica , o DDT é capaz de induzir alterações 
acentuadas na reprodução e no desenvolvimento de animais. Isto é atribuído aos 
hormônios que alteram as ações de isómeros de DDT e/ou seus metabólitos. Níveis 
elevados de DDE durante a gestação têm sido associado a uma maior probabilidade 
de gerar recém-nascidos pré-termo e com alguma anomalia. Estudos realizados com 
animais mostraram que o DDT e seus metabolitos DDE e DDD podem causar 
câncer, principalmente hepático. A associação entre a exposição ao DDT e vários 
tipos de cânceres humanos, principalmente o câncer de mama, tem sido 
extensivamente estudada. Possíveis efeitos genotóxicos em seres humanos têm sido 
relatados, mas a exposição simultânea a outras substâncias químicas e a falta de 
controle das variáveis de confundimento impedem que os resultados sejam 
coclusivos (ATSDR, 2002b). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
46 
 2.3.3 PIRETRÓIDES: ORIGEM, PROPRIEDADES E 
ESTRUTURA QUÍMICA 
 
 As piretrinas são inseticidas de origem botânica e tiveram suas propriedades 
reconhecidas em torno de 1800 na Ásia (ATSDR, 2003). Todavia sua utilização mais 
intensa tem acontecido na atualidade, principalmente após modificações estruturais 
originando a classe de inseticidas piretróides (HERNANDES, 2007). 
 Os piretróides são substâncias sintéticas análogas às piretrinas, inseticida 
natural extraídos do pyrethrum, o óleo-resina do Chrysanthemum cinerariaefolium 
(Figura 6a) e do Chrysanthemum coccineum (Figura 6b). Suas flores são bastante 
atraentes e muitas de suas variedades são utilizadas como decoração. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 O extrato do pyrethrum é composto por seis substâncias com atividade 
inseticida: os ésteres do ácido crisantêmico - piretrina I, cinerina I e jasmolina I, e os 
ésteres do ácido pirétrico - piretrina II, cinerina II e jasmolina II (ATSDR, 2003; 
HERNANDES, 2007). 
 Os piretróides são produtos químicos sintéticos muito semelhantes em 
estrutura química as piretrinas, mas são muitas vezes mais tóxicos para os insetos, 
bem como aos mamíferos e persiste mais tempo no ambiente do que as piretrinas. 
Figura 6 - Chrysanthemum cinerariaefolium (direita); Chrysanthemum coccineum 
(esquerda). 
 
 
 
 
 
47 
Embora sejam eficientes inseticidas, há um uso restrito das piretrinas devido à sua 
baixa persistência no ambiente ocasionada pela fotosensibilidade. O grupamento 
químico éster é o responsável pela atividade inseticida tanto das piretrinas quanto dos 
piretróides. Embora tenham sido desenvolvidas muitas substâncias, apenas algumas 
são largamente empregadas em todo o mundo para controle de insetos (ATSDR, 
2003), como a cipermetrina e a deltametrina, substâncias de interesse para este 
estudo. 
 A cipermetrina (Figura 7) é um piretróide sintético conhecido quimicamente 
como (RS)-α-cyano-3-phenoxybenzyl (1RS,3RS; 1RS,3SR)-3-(2,2-dichlorovinyl)-
2,2-dimethylcyclopropane carboxylate (ANVISA, 2010c). Foi sintetizada em 1974, é 
utilizada como inseticida em grande escala comercial em aplicações agrícolas, bem 
como em produtos de consumo para fins domésticos. Ela se comporta como uma 
neurotoxina de ação rápida em insetos. É facilmente degradada no solo e plantas, 
mas pode continuar com eficácia tóxica durante semanas, quando aplicada em 
superfícies inertes interior. A exposição à luz solar, água e oxigênio aceleram a sua 
decomposição (NPTN, 1998).A deltametrina (Figura 8) também é um inseticida sintético baseado 
estruturalmente nas piretrinas naturais. É conhecida quimicammente como (RS)-α-
cyano-3-phenoxybenzyl (1RS,3RS; 1RS,3SR)-3-(2,2-dichlorovinyl)-2,2-
dimethylcyclopropane carboxylate (ANVISA, 2010d), age principalmente sobre as 
ações centrais, ou pelo menos, ações originárias dos mais elevados centros nervosos 
do cérebro, paralisando rapidamente o sistema nervoso dos insetos. A morte dos 
Figura 7 – Estrutura química da cipermetrina (ANVISA, 2010c). 
 
 
 
 
48 
insetos parece ser devido a danos irreversíveis ao sistema nervoso que ocorrem 
quando a exposição dura mais do que algumas horas. O envenenamento por 
deltametrina ocorre através de penetração cuticular ou ingestão oral. A 
susceptibilidade dos insetos é dependente de uma variedade de fatores e pode variar 
como acontece com muitos inseticidas, de acordo com as condições ambientais 
(EXTOXNET, 2010a). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 2.3.4. PIRETRÓIDES: MECANISMO DE AÇÃO TÓXICA NO 
HOMEM 
 
 As piretrinas e piretróides são amplamente utilizadas como inseticidas 
eficazes para vários insetos, tóxicas para o homen e animais e são classificadas como 
medianamente toxico (classe III) e altamente toxico (classe II) para os humanos, e 
altamente perigosas (classe II) para os outros animais. As vias de exposição podem 
ser: alimentar e água e, através de outros componentes ambientais (ar, chuva, solo, 
etc) ou direta como na pulverização nas “pragas da lavoura” (ANVISA,2011). 
 Sinais e sintomas de toxicidade aguda variam de acordo com o tipo de 
piretróide para o qual a pessoa pode ser exposta (ATSDR, 2003). A produção de 
piretróides com diferentes proporções de isômeros é uma das razões para as 
variações reportadas da toxidade dos produtos a base de piretróides. Por exemplo, a 
cipermetrina pode ser formulada com quatro diferentes substâncias (alfa, beta, teta e 
zeta-cipermetrina) e dependendo da proporção entre os isômeros, o produto 
resultante terá diferente toxicidade (HERNANDES, 2007). 
Figura 8 – Estrutura química da deltametrina (ANVISA, 2010d). 
 
 
 
 
49 
 Os efeitos sistêmicos causados pelos piretróides também são variados, 
contudo estão presentes em muitos sistemas como hepático, neurológico e 
reprodutivo (ABDOLLAHI et al., 2004). No entanto, quase todos os efeitos estão 
relacionados à ação de piretrinas e piretróides sobre o sistema nervoso. O primeiro 
sítio de ação das piretrinas e piretróides é o canal de sódio nas membranas de células 
de tecido nervoso, causando repetitiva descarga neural e uma prolongada excitação 
(ATSDR, 2003). 
 O contato direto dessas substâncias com a pele pode causar parestesia 
temporária, ou seja, sensações anormais da pele, como formigamento, queimação, 
ardência, dormência e comichão. Essas sensações se limitam à área de contato. 
Alguns estudos com animais sugerem que os efeitos de neurodesenvolvimento, 
reprodutivos, imunológicos e bioquímicos podem resultar da exposição em níveis de 
piretróide abaixo daqueles que induzem a sintomas de neurotoxicidade. Estudos 
quanto à carcinogenicidade dos piretróides para humanos, ainda não são conclusivos, 
da mesma forma que para o potencial dos piretróides em atravessar a barreira 
placentária e interferir no desenvolvimento fetal (ATSDR, 2003). 
 As piretrinas e piretróides que entram no organismo são eliminadas 
rapidamente pela urina. Esses compostos sofrem uma quebra pelo organismo 
transformando-se em moléculas mais simples. A concentração dessas substâncias 
aumenta na urina conforme aumenta a exposição. Ocorrendo uma exposição 
prolongada a essas substâncias, elas podem acumular no tecido adiposo 
permanecendo no organismo por um período maior. Alguns piretróides podem 
permanecer por longos períodos no cabelo e também na pele (ATSDR, 2003). 
 
 2.3.5 DINITROANILINA: ORIGEM, PROPRIEDADES E 
ESTRUTURA QUÍMICA 
 
 Os primeiros herbicidas foram descobertos em 1945, eles pertenciam ao 
grupo químico fenociacéticos. As dinitroanilinas, grupo químico da trifluralina, 
foram descobertas em 1965 (VICTORIA FILHO, 2010). 
 A atividade biológica de um herbicida na planta ocorre de acordo com a 
absorção, a translocação, o metabolismo e a sensibilidade da planta a este herbicida 
 
 
 
 
50 
e/ ou, a seus metabólitos. Por isso, o simples fato de um herbicida atingir as folhas ou 
ser aplicado no solo não é suficiente para que ele exerça a sua ação. Há necessidade 
de que ele penetre na planta, transloque e atinja a organela onde irá atuar. Um mesmo 
herbicida pode influenciar vários processos metabólicos na planta, entretanto a 
primeira lesão biofísica ou bioquímica que ele causa na planta é caracterizada como 
o seu mecanismo de ação (FERREITA et al., 2010). 
 Os principais mecanismos de ação dos herbicidas são: inibidores da divisão 
celular, do crescimento inicial, da fotossíntese, e da síntese de pigmentos, 
mimetizadores de auxina e destruidores de membrana (VICTORIA FILHO, 2010). 
 A trifluralina é um herbicida do grupo químico das dinitroanilinas (Figura 9) 
e sua nomenclatura é α,α,α-trifluoro-2,6-dinitro-N,N-dipropyl-p-toluidine (ANVISA, 
2010e). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 A trifluralina pertence ao grupo dos herbicidas inibidores do arranjo dos 
microtúbulos (FERREIRA et al., 2010). O mecanismo de ação da trifluralina nas 
plantas é a inibição da divisão celular nos tecidos meristemáticos, inibindo a 
germinação das sementes e a formação de novas células na radícula e caulículo, 
sendo eficientes apenas quando usados em pré-emergência, porque a sua ação 
principal se manifesta pelo impedimento da formação do sistema radicular das 
gramíneas (DALRI et al., 2010; FERREIRA et al., 2010). 
 
 
 
Figura 9 – Estrutura química da trifluralina (ANVISA, 2010e). 
 
 
 
 
51 
 2.3.6 DINITROANILINAS: MECANISMO DE AÇÃO TÓXICA 
NO HOMEM 
 
 A trifluralina grau técnico geralmente apresenta baixa toxicidade aguda. Esse 
princípio ativo é classificado como um sensibilizador cutâneo. O CPRC 
(Carcinogenicity Peer Review Committee) classificou a trifluralina como um 
possível carcinógeno humano (EPA, 1996). 
 Sintomas como náuseas e desconforto gastrointestinal podem ocorrer após a 
ingestão de trifluralina. A exposição prolongada ou repetida com a pele pode causar 
dermatite alérgica. Estudos em animais têm demonstrado danos aos rins, fígado e 
tireóide após exposição oral crônica. De acordo com os estudos é pouco provável que 
a trifluralina cause algum dano reprodutivo, teratogênico ou mutagênico em humanos 
(EXTOXNET, 2010b). 
 
 2.4. CONTAMINAÇÃO POR AGROTÓXICOS EM LEITE HUMANO 
 
 Observando a realidade não apenas no Estado de Mato Grosso, mas de todas 
as áreas que fazem uso intensivo de agrotóxicos, surge outro questionamento: A 
exposição da população a esses agrotóxicos pode levar a contaminação do leite 
humano? 
 Sim, a contaminação do leite humano é ampla e é consequência de décadas de 
poluição descontrolada do ambiente por produtos tóxicos (LANDRIGAN et al., 
2002). Desde o século XVIII quando a Revolução Industrial trouxe para a sociedade 
um avanço das ciências e da produção tecnológica, trouxe também como 
consequência profundas mudanças na relação do homem com a natureza. 
 Estudos realizados em várias partes do mundo indicam contaminação do leite 
humano por organoclorados. O uso indiscriminado dessa classe de substâncias ao 
longo do tempo fez com que houvesse bioacumulação ao longo da cadeia alimentar e 
inclusive em humanos. 
 Estudos realizados no Brasil evidenciam a contaminação de leite humano em 
diferentes regiões do país.MATUO et al. (1992), realizou estudo na região de 
Ribeirão Preto e, foram analisadas 37 amostras de leite humano (colostro) para 
 
 
 
 
52 
determinar os níveis de resíduos de agrotóxicos organoclorados. As doadoras foram 
classificadas como ocupacionalmente expostas e não expostas a agrotóxicos. O 
lindano foi encontrado em 32% das amostras em quantidades inferiores a 0,001 
mg/kg; o heptacloro foi encontrado em 65% das amostras, também com teores 
médios de 0,001 mg/kg; dieldrim foi detectado em apenas uma amostra a um nível de 
0,038 mg/kg; o DDT e o DDE foram relatados como DDT, e pelo menos um desses 
compostos esteve presente em cada amostra. Os níveis encontrados foram maiores 
nas doadoras ocupacionalmente expostas, com uma média de 0,149 mg/Kg. 
 O um estudo realizado por OLIVEIRA (1997), em Cuiabá, com 32 mulheres, 
observou-se que 100% das amostras encontravam-se contaminadas com algum tipo 
de substância organoclorada. Os maiores níveis foram detectados em mulheres que 
residiam em zona rural ou que referiram já ter residido e/ou trabalhado em zona 
rural. 
 MELLO (1999) analisou os níveis de organoclorados em 14 amostras 
provenientes da Cidade dos Meninos, Rio de Janeiro. Das amostras analisadas do 
grupo exposto 100% apresentaram resultado positivo para β-HCH, p,p’ DDE e p,p’ 
DDT; 71,4% para γ-HCH e α-HCH e 42,8% para p,p’ DDD. Das amostras analisadas 
do grupo não exposto 100% apresentaram resultados positivos para α-HCH, γ-HCH e 
p,p’DDE; 85,7% para β-HCH; e apenas uma amostra apresentou resultado positivo 
para p,p’DDT. 
 PAUMGARTTEN et al. (2000), analisaram 40 amostras de leite materno na 
cidade do Rio de Janeiro para a determinação de dibenzodioxinas policloradas 
(PCDDs), dibenzofuranos policlorados (PCDFs), bifenilas policloradas (PCBs) e 
outros compostos organoclorados. Os níveis encontrados foram α-HCH 0,0001; β-
HCH 0,27; γ-HCH 0,005; HCB 0,012; DDT total 1,7; dieldrim 0,023 e cis-
hepepóxido tachlor 0,008; todos em microgramas por grama de gordura do leite. 
 No Rio de Janeiro, em estudo realizado por MESQUITA (2001), foi realizada 
a análise de leite de 50 mulheres não expostas ocupacionalmente. Destas, todas as 
amostras evidenciaram contaminação multiresidual por agrotóxicos organoclorados 
com uma frequencia de 100% para o p,p’DDE, 90% para o p,p’DDT, 84% para o β-
HCH, 82% para o p,p’DDD, 78% para o α-endossulfam, 74% para o γ-clordano, 
56% para o α-HCH, 32% para o lindano, 54% para o aldrim e 52% para o dieldrim. 
 
 
 
 
53 
Embora com uma frequência baixa foram ainda encontrados entre as amostras 
analisadas: HCB (12%), transnonacloro (6%), endrim (20%), β-endossulfam (14%), 
metoxicloro (20%) e mirex (38%). 
 Nas cidades de São Paulo e Belo Horizonte KRAUSS et al. (2004) 
demonstraram contaminação multiresidual por agrotóxicos organoclorados em 
ambas as cidades. No estudo foram analisadas duas amostras compostas, uma de 
cada cidade. As amostras faziam parte de um pool de 10 amostras coletadas em 
ambas as cidades. Em ambas as amostras os níveis mais elevados foram encontrados 
para p,p’DDE, 0,596 mg/g de gordura em São Paulo e 0,155 mg/g de gordura em 
Belo Horizonte, seguido do β-HCH, 0,027 mg/g de gordura e 0,022 mg/g de gordura 
respectivamente. As concentrações dos outros compostos analisados foram similares, 
ou na maioria dos casos, abaixo do limite de detecção do método utilizado (0,001 
mg/g de gordura). 
 AZEREDO et al. (2008) verificaram níveis de DDT total em amostras de 
doadoras ao longo do Rio Madeira, Amazônia, uma região conhecida por seu grande 
número de casos de malária. Foram analisadas 69 amostras e todas apresentaram 
contaminação por DDT e seus metabólitos, variando entre 25,4 a 9361 ng de DDT 
total/g de lipídeos. 
 Não apenas no Brasil há estudos relatando a contaminação do leite materno. 
Na Bielorússia BARKATINA et al. (1998) estudaram 246 amostras de leite materno 
provenientes de seis regiões da Bielorrússia. As amostras foram obtidas de locais 
diferentes, sendo que: 32 amostras eram de áreas ecologicamente limpas; 116 de 
regiões industriais e 98 amostras de regiões contaminadas por indústrias e 
radionuclideos. Em todas as amostras foram encontrados resíduos de DDE. Resíduos 
de β-HCH, γ-HCH e DDT foram detectados em algumas amostras. Não houve 
diferença significativa entre as diferentes áreas estudadas. 
 Amostras de leite de 197 mulheres de duas cidades da Ucrânia foram 
analisadas por GLADEN et al. (1999) para determinação de p,p’DDT, p,p’DDE, 
dieldrim, endrin, epóxido-heptacloro, trans-nonaclor, HCB, oxiclordano, HCH e 
mais dezoito congêneres dos PCBs. Todas as substâncias foram encontradas em pelo 
menos uma das amostras. O p,p’DDE foi encontrado em maiores concentrações, 
seguido do β-HCH. As mulheres mais velhas apresentaram maiores níveis do que as 
 
 
 
 
54 
mulheres mais jovens. As diferenças se apresentaram maiores quando incluídas 
somente mulheres primíparas. Os níveis encontrados nesse estudo estão acima dos 
encontrados em outros trabalhos realizados na Europa. 
 BURKE et al. (2003) analisarem 10 amostras de leite de mulheres residentes 
na área urbana (n=5) e na área rural (n=5) da Indonesia. Em todas as amostras foram 
detectados resíduos de p,p’DDT e p,p’DDE. Resíduos de HCB, β-HCH, α-
endossulfam e dieldrim também foram detectados em algumas amostras. Não houve 
diferença estatisticamente significativa (NC = 95%) nos níveis de agrotóxicos entre 
área urbana e rural. 
 KUMAR et al. (2006), analisaram 50 amostras de leite de mulheres residentes 
em Anupgarh, Índia. Elas foram agrupadas em quatro categorias: área de residência, 
quanto ao hábito de fumar, ocupação e dieta alimentar. Em todas as amostras foram 
encontrados resíduos de HCH e seus isômeros, DDT e seus metabólitos, heptacloro e 
endossulfam. As maiores concentrações foram encontradas em mulheres que 
residiam em área rural (5,0625 mg/L), que tinham o hábito de fumar (4,185 mg/L), 
trabalhavam no campo (4,333 mg/L) e tinham uma dieta não vegetariana (4,037 
mg/L). Já nas amostras de mulheres residentes da área urbana (3,243 mg/L), que não 
fumavam (3,748 mg/L), não trabalhavam no campo (3,209 mg/L) e apresentavam 
uma dieta vegetariana (3,048 mg/L) as concentrações foram menores quando 
comparadas as mulheres presentes nas categorias anteriores. 
 O metabólito p,p’-DDE e o HCB foram encontrados em todas as amostras de 
leite materno coletadas (n=87) na Tunísia (ENNACEUR et al., 2007). A média para 
esses compostos foram 2,421 e 0,260 mg/Kg de gordura, respectivamente. Outros 
organoclorados detectados foram dieldrim (38%), β-HCH (22,9%) e γ-HCH (6,8%). 
WANG et al. (2008) analisaram 36 amostras de leite (colostro) de mulheres que 
tiveram parto prematuro em Harbin, China. Das amostras analisadas, 27,8% 
apresentaram resíduos de DDT e 5,56% apresentaram resíduos de dieldrim. 
 BOUWMAN et al. (2006), determinaram as concentrações de DDT e 
piretroídes em 152 amostras de leite materno de mulheres residentes em três cidades 
da província de Kwazulu-Natal, África do Sul. Todos os compostos (DDT, 
permetrina, ciflutrina, cipermetrina e deltametrina) foram encontrados nas amostras. 
 
 
 
 
55 
 Concentrações médias de HCH e seus isômeros, DDT, PCB e HCB em 
amostras de leite humano (n=53) coletadas em 2 cidades na Costa Sul do Mar 
Cáspio, Iran, foram 3780, 2554, 1560 e 930 ng/g de lipídeo, respectivamente 
(BEHROOZ et al., 2009). Não houve diferença significativa entre as duas cidades. 
Houve uma diferença significativa nos níveis de DDT entre as mães que consumiam 
peixe apenas uma vez por semana e as que faziam consumo de peixe mais vezes 
semanalmente (p>0,05). Outrosresultados podem ser observados na Tabela 5 que 
elenca vários estudos realizados em diversos países, analisando organoclorados em 
leite humano. 
 
Tabela 5 – Resultados de pesquisas sobre contaminação em leite humano por 
organoclorado. 
Níveis encontrados País Referência 
Heptacloro 
Heptacloro epóx 
Oxiclordane 
p,p’-DDE 
Dieldrin 
0,053 µg L-1 
0,259 µg L-1 
0,277 µg L-1 
0,214 µg L-1 
1,70 µg L-1 
Brasil CALEFFI, 2005 
DDE 
DDD 
α-HCH 
β-HCH 
γ-HCH 
HCB 
104 ng g-1 
13 ng g-1 
2 ng g-1 
12 ng g-1 
14 ng g-1 
5 ng g-1 
Croácia KRAUTHACKER et al.,2009 
β-HCH 
p,p’- DDE 
p,p’- DDT 
0,066 mg kg-1 
1.423 mg kg-1 
0,405 mg kg-1 
México WALISZEWSKI et al., 2009 
DDTs 
HCHs 
HCBs 
CHLs 
370 - 960 ng g-1 
180 - 350 ng g-1 
2.0 - 3.7 ng g-1 
3.8 - 7.6 ng g-1 
Índia SOMEYA et al., 2010 
Σ DDT 
 
 
 
dicofol 
5.4 µg kg-1 
0.36 µg kg-1 
0.32 µg kg-1 
 
0.039 µg kg-1 
0.005 µg kg-1 
0.001 µg kg-1 
China 
Korea 
Japão 
 
FUJII et al., 2011 
α-HCH 
γ-HCH 
p,p’- DDE 
p,p’- DDT 
2.8 – 3.1 ng g-1 
3.6 – 4.4 ng g-1 
537.7 ng g-1 
32.5 – 32.8 ng g-
1 
China ZHOU et al., 2011 
 
 
 
 
 
56 
 Os níveis e o tipo de contaminantes encontrados variam entre países e regiões 
conforme as normas e intensidade de utilização (PRONCZUK et al., 2002). Níveis 
mais elevados de contaminantes são observados em mulheres residentes em áreas 
agrícolas de países em desenvolvimento com intenso uso de agrotóxicos 
(LANDRIGAN et al., 2002). Em países onde o uso de poluentes orgânicos 
persistentes foi proibido, está havendo uma significativa diminuição desses 
compostos no leite humano no decorrer dos anos. Entretanto, outros compostos 
químicos que ainda são pouco estudados no leite humano e que têm seu uso 
permitido, tende a manter ou até mesmo elevar seus níveis de contaminação nesta 
matriz (SOLOMON e WEISS, 2002). 
 Alguns fatores podem alterar significativamente a concentração dos 
agrotóxicos no leite, uma vez que são múltiplas as alterações fisiológicas que 
ocorrem durante a gravidez e o período de gestação. Entre esses fatores estão a 
quantidade lipídica, o peso materno, o número de gestações e o tempo entre uma 
gestação e outra (SIM e MC’NEIL, 1992; MESQUITA, 2001). 
 A não padronização de protocolo da metodologia analítica e de coleta 
dificulta a comparação entre estudos. Entretanto, independentemente dos métodos 
analíticos utilizados, os resultados são preocupantes, pois todos os estudos 
demonstram contaminação das amostras por pelo menos uma substância 
organoclorada. 
 Embora as vantagens do aleitamento materno superem os riscos da presença 
de contaminantes no leite humano, é de extrema importância a contínua identificação 
desses compostos no leite, para que medidas de saúde pública possam ser tomadas 
para a diminuição dessa contaminação (SOLOMON e WEISS, 2002). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
57 
 3. OBJETIVOS 
 
 
 3.1. OBJETIVO GERAL 
 
 Avaliar o nível de contaminação por agrotóxico no leite de mães residentes 
em Lucas do Rio Verde – Mato Grosso. 
 
 3.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS 
 
 Caracterizar a amostra de nutrizes estudada utilizando variáveis sócio-
demográficas, de saúde, sanitária e ambiental. 
 
 Validar método analítico multirresíduo para a determinação dos agrotóxicos 
α-endossulfam, β-endossulfam, lindano, α-HCH, aldrim, p,p’-DDT, cipermetrina, 
deltametrina, trifluralina e do metabólito p,p’-DDE em leite humano. 
 
 Analisar leite humano de nutrizes residentes em Lucas do Rio Verde-MT para 
determinação dos agrotóxicos estudados. 
 
 Fazer uma análise descritiva das variáveis reprodutiva, ocupacional e 
ambiental como possíveis determinantes dos níveis de resíduos de agrotóxicos no 
leite humano. 
 
 Analisar a associação dos teores de resíduos de agrotóxicos encontrados nas 
amostras de leite humano com variáveis reprodutiva, ocupacional e ambiental. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
58 
 4. MATERIAL E MÉTODO 
 
 
 4.1. LOCAL DE ESTUDO 
 
 O município de Lucas do Rio Verde está localizado a 350 km da capital do 
Estado de Mato Grosso, Cuiabá, e possui uma área de 3.645,23 Km2 (PMLRV, 
2010), representado na Figura 10 abaixo. 
 O desenvolvimento de Lucas do Rio Verde se deu de forma dinâmica, o 
aumento do contingente populacional e o constante crescimento econômico fizeram 
com que, em 1985, o pequeno vilarejo se tornasse distrito de Diamantino, sendo que 
em apenas três anos se tornou município. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Os indicadores econômicos e sociais apontam o município de Lucas do Rio 
Verde como um dos três melhores índices de desenvolvimento social do Estado de 
Mato Grosso. Contudo, o processo de ocupação do seu cerrado é bastante impactado 
pelas agressões do desenvolvimento local e regional. Segundo FRANÇA et al. 
(2003), para implantação da agropecuária foram consumidos 86% de seu cerrado 
FIGURA 10 - Mapa de localização do município de Lucas do Rio Verde -MT. 
 
 
 
 
59 
nativo. Sua cobertura vegetal natural, praticamente já foi totalmente substituída pela 
agricultura moderna de grãos. Com a profunda modificação dos ecossistemas, houve 
perda dos principais potenciais bióticos, alterações da qualidade da água, erosão 
laminar dos solos, agregado ao uso intensivo de produtos químicos (PMLRV, 2007). 
 A produção agrícola é a principal mantenedora do sistema econômico 
regional e também uma das alavancas que impulsionam o crescimento econômico do 
Estado de Mato Grosso. A soja é o principal produto agrícola cultivado no 
município, que se destaca como o 5º maior produtor do estado. O município é um 
dos grandes produtores nacionais de milho safrinha, sendo essa cultura uma das 
mantenedoras do PIB municipal. O plantio de algodão ainda possui poucas áreas de 
produção, não estando o município entre os grandes produtores do estado (PMLRV, 
2010). 
Durante o ano de 2009, esse município cultivou e/ou produziu: soja (em 
grão): 237.500 hectares, com produção de 704.025 toneladas; milho (em grão): 
138.000 hectares, com produção de 809.370 toneladas; algodão (em caroço): 4.980 
hectares, com produção de 18.378 toneladas; feijão (em grão): 9.910 hectares, com 
produção de 13.971 toneladas; sorgo (em grão): 2.000 hectares, com produção de 
4.200 toneladas; arroz (em casca): 130 hectares, com produção de 507 toneladas; 
tomate: 24 hectares, com produção de 1.440 toneladas; mandioca: 20 hectares, com 
produção de 400 toneladas (IBGE, 2010). 
Nesse mesmo ano, o município utilizou 5.162.029 litros de agrotóxicos em 
produtos formulados, distribuídos nas seguintes classes: herbicida: 3.112.344 litros; 
inseticida: 681.845 litros; fungicida: 475.967 litros; acaricida: 639.158 litros; 
adjuvantes, espalhantes, adesivos: 232.413 litros; reguladores do crescimento: 16.141 
litros; outros agrotóxicos: 4.161 litros. 
 
 4.2. SELEÇÃO DAS SUBSTÂNCIAS ANALISADAS. 
 
 A escolha das substâncias analisadas neste projeto, α-endossulfam, β-
endossulfam, lindano, α-HCH, aldrim, p,p’- DDT, p,p’- DDE, cipermetrina, 
deltametrina e trifluralina, se deu por algumas razões específicas: 
 
 
 
 
60 
 - A utilização de um único método analítico capaz de identificar e quantificar 
simultaneamente todas as substâncias de interesse. 
 - A intensidade de uso, tanto no passado, daquelas que hoje possuem seu uso 
proibido, como no presente, das que ainda são utilizadas na área de estudo. 
 - Segundo a classificação The Extension Toxicology Network, essas 
substâncias apresentam potencial de acumulação lipídica ou degradaçãolenta e ainda 
um possível potencial cancerígeno, teratogênico e mutagênico (EXTOXNET, 
2010c). 
 
 4.3. CRITÉRIOS DE INCLUSÃO E EXCLUSÃO 
 
 Como critérios de inclusão das nutrizes foram estabelecidos: 
 - encontrar-se com idades entre 18 e 49 anos; 
- assinar o Termo de Consentimento Livre Esclarecido; 
 - encontrar-se entre a terceira e a oitava semana após o parto (OMS, 2007); 
 - estar em boa condição de saúde. 
 Como critérios de exclusão foram considerados: 
 - nutrizes sem possibilidade de ordenha manual; 
 - não atender aos critérios de inclusão estabelecidos. 
 
 4.4. POPULAÇÃO DO ESTUDO 
 
Durante o período de coleta, foram realizados 418 partos em Lucas do Rio 
Verde. Excluindo as mães que não atendia aos critérios de inclusão, como a idade 
estabelecida e o período após o parto na data das coletas, restaram 310 mães. Destas 
62 aceitaram participar do projeto, o que correspondeu a 20% da população apta a 
participar do projeto. 
As nutrizes foram convidadas a participarem do projeto pelas agentes 
comunitárias de saúde de cada PSF (Programa de Saúde da Família). As que 
aceitaram e atendiam aos critérios de inclusão, compareceram na data marcada ao 
PSF ao qual pertenciam para a realização da coleta. Para aquelas que aceitaram 
participar e estavam aptas a fazer a doação de leite, mas que por algum motivo não 
 
 
 
 
61 
puderam comparecer ao PSF no dia e hora marcada, a coleta foi realizada em suas 
residências. 
 
 4.5. TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE ESCLARECIDO 
 
A cada uma das nutrizes foi esclarecido o objetivo do estudo bem como os 
benefícios que iriam incidir da pesquisa. Àquelas que concordaram em participar do 
estudo, foi requerida a assinatura de um termo de consentimento (Anexo A) no qual 
constava que a pessoa era entendedora dos objetivos do estudo e estava participando 
voluntariamente do mesmo. 
O presente trabalho foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa do 
Hospital Universitário Julio Muller sob parecer No. 511/CEP-HUJM/08, conforme 
Resolução 196/96 CNS/MS. 
 
4.6. ELABORAÇÃO E APLICAÇÃO DO QUESTIONÁRIO 
 
Durante a elaboração deste instrumento, o mesmo foi aplicado a nutrizes 
internadas no Hospital Universitário Julio Muller como pré-teste para assim, 
possibilitar os ajustes necessários à aplicação na área de estudo. 
O questionário foi aplicado no momento da coleta das amostras de leite, pela 
própria pesquisadora. Além de informações demográficas, informações sobre o 
período de gestação e o recém-nascido, o marido/companheiro, o ambiente de 
residência e trabalho da mãe e, quanto ao uso de agrotóxico domissanitário também 
foram abordadas (Anexo B). 
As questões foram elaboradas com o objetivo de caracterizar as mães 
participantes, conhecer seu hábito de vida e tentar associar essas informações com a 
presença de resíduos de agrotóxicos no leite. 
 
 
 
 
 
 
 
 
62 
 4.7. COLETA E ARMAZENAMENTO DAS AMOSTRAS DE LEITE 
HUMANO 
 
As coletas das amostras de leite humano foram realizadas entre a 3ª e a 8ª 
semana após o parto (OMS, 2007), no período de fevereiro a junho de 2010. Para 
auxiliar a descida do leite e minimizar algum desconforto que pudesse vir a ser 
causado pela dor na nutriz, foi realizada massagem manual nas mamas. 
A coleta procedeu por compressão manual das mamas e um volume 
aproximado de 15 mL de leite foi coletado diretamente no frasco coletor de vidro, 
previamente limpo conforme os cuidados necessários para a análise de resíduos de 
agrotóxicos. 
Durante o período de coleta, as amostras foram armazenadas em caixa de 
isopor com gelo, sendo imediatamente congeladas após o término da coleta e assim 
mantidas durante o transporte até o Laboratório de Análise de Resíduos de Biocidas - 
UFMT em Cuiabá. 
Quando no laboratório, as amostras foram mantidas sob refrigeração (-4 ºC) e 
as determinações de resíduos de agrotóxicos e teor de gordura foram realizadas o 
mais rapidamente possível, não ultrapassando 72 horas (OMS, 2007). 
 
 4.8. DETERMINAÇÃO DO TEOR DE GORDURA 
 
 A determinação do teor de gordura das amostras de leite foi realizada 
utilizando o crematócrito, que consiste na determinação do teor de creme e permite o 
cálculo do teor de gordura e do conteúdo energético do leite. A técnica analítica foi 
realizada conforme descrito no BLH-IFF/NT- 30.05 (ALMEIDA et al., 2005). 
 
 4.9. VALIDAÇÃO DE MÉTODO ANALÍTICO PARA 
DETERMINAÇÃO DE AGROTÓXICOS EM LEITE HUMANO 
 
 O procedimento de extração foi validado a partir de uma metodologia 
desenvolvida no Laboratório de Análise de Resíduos de Biocidas (LARB). O método 
inicialmente era utilizado apenas para extração de piretróides em leite de vaca. Para 
 
 
 
 
63 
se chegar ao método utilizado, algumas alterações foram realizadas e várias soluções 
extratoras foram testadas para garantir a extração de todas as substâncias de interesse 
dentro dos padrões analíticos estabelecidos. 
 O procedimento de extração multirresíduos de agrotóxicos da matriz consistiu 
de dispersão em fase sólida com Celite®, previamente ativada em mufla a 600 ºC por 
12 horas, e sonicação. Duas misturas de solventes extratores foram utilizadas 
considerando as diferentes propriedades dos agrotóxicos estudados. As amostras 
foram analisadas em duplicata. 
 Este procedimento analítico utilizou estudo de recuperação com amostras de 
leite humano controle fortificadas com solução mista dos agrotóxicos de interesse em 
dois níveis de fortificação. As amostras controle foram constituídas de um pool de 
amostras pasteurizadas de leite materno, proveniente do Banco de Leite do Hospital 
Júlio Muller, Cuiabá-MT, ordenhadas de mulheres residentes na zona urbana e não 
expostas diretamente aos agrotóxicos estudados. 
O cálculo da concentração dos analitos nas amostras foi feito a partir da 
comparação da relação de áreas (resposta cromatográfica) dos analitos e do padrão 
interno (heptacloro) com a relação de áreas dos padrões dos agrotóxicos e do padrão 
interno adicionados nas amostras controle (n = 2), sendo o menor nível de 
fortificação correspondendo ao limite de quantificação do método. 
Para cada dois dias seguidos de análise, duas amostras controles foram 
analisadas para avaliar a presença de possíveis interferentes para as análises 
cromatográficas, duas amostras controle foram extraídas e fortificadas antes da 
concentração do extrato e cerca de 12 amostras foram analisadas. 
 Esse método de quantificação foi escolhido para evitar possíveis 
interferências matriciais nos resultados. 
A identificação e quantificação dos analitos estudados foram feitas utilizando 
cromatógrafo a gás (HP 6890 series CG System), equipado com detector de captura 
de elétrons (DCE) e coluna cromatográfica HP-5 com 30 m de comprimento, 0,25 
µm de espessura de filme (5% fenilmetilsiloxano) e 250 µm de diâmetro. Nitrogênio 
foi utilizado como gás de arraste com fluxo constante de 20 mL/min. As 
temperaturas do injetor e de detector foram 175 ºC e 280 ºC, respectivamente e o 
volume de injeção (modo splitless) foi de 1 µL. A temperatura inicial da coluna foi 
 
 
 
 
64 
de 92 ºC, seguida por aquecimento de 15 ºC min-1 até 175 ºC, sendo essa temperatura 
mantida por 13 min, e aquecimento de 10 ºC min-1 até 280 ºC, sendo a mesma 
mantida por 8,47 min. O tempo da corrida cromatográfica foi de 40 min. O 
procedimento de extração pode ser observado conforme Figura 11 abaixo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
65Fase sólida Sobrenadante 1 + 2 
5 gotas de Tolueno 
 
Concentração 
(rotaevaporador) 
 
Adição de 50 uL de 
Heptacloro (PI) (≈ 10 μg mL
 
Sobrenadante 2 
Vf ≈ 2 mL 
CG/DCE 
Fase sólida 
10 mL de solução extratora hexano-diclorometano (4:1) 
Ultrassom (20 minutos) 
 
2 x 
 2 g de Celite 
 
10 mL de solução extratora hexano-acetona (1:1) 
Ultrassom (20 minutos) 
2 x
Sobrenadante 1 
Amostra + Acetona 
 5 mL de acetona 
Ultrassom (5 minutos) 
Amostra 
(5 mL de de leite materno) 
 
Figura 11 – Fluxograma do processo de análise multirresíduo de agrotóxicos em leite humano. 
 
 
 
 
66 
 4.10. ANÁLISE DOS DADOS 
 
 Os questionários foram revisados e digitados no programa Epi-Info 3.5.1 e as 
análises foram conduzidas utilizando-se o programa Stata 8.0. 
 Na análise descritiva foram feitas tabelas de contingências e gráficos de barra 
para as variáveis categóricas. Para as análises numéricas os resultados foram 
expressos em média, valor máximo e valor mínimo. 
 Para a associação entre as variáveis de exposição e prevalências de resíduo de 
agrotóxico em leite materno foi utilizado o teste do qui-quadrado Mantel-Haenszel. 
Foram realizadas uma regressão múltipla para cada “agrotóxico” estudado. O método 
utilizado para as análises múltiplas foi o da regressão de Poisson, com ajuste robusto 
para a variância. O critério utilizado para a seleção das variáveis para os modelos 
múltiplos foi aquelas que apresentaram o valor de p < 0,20 (KLEIBAUM et al., 
1982), quando das análises brutas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
67 
 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO 
 
 
 5.1. ANÁLISE DESCRITIVA DOS DADOS DO QUESTIONÁRIO 
 
 Este estudo reuniu 62 nutrizes residentes em Lucas do Rio Verde-MT, que 
participaram do inquérito realizado no período de fevereiro a junho de 2010, onde 
responderam a um questionário e forneceram amostras de leite destinadas à dosagem 
de resíduos de agrotóxicos. Os resultados apresentados a seguir são uma descrição 
dos dados obtidos durante o estudo. 
 A Tabela 6 mostra variáveis de identificação materna como idade, raça, 
estado civil e escolaridade. 
TABELA 6 - Caracterização da amostra (n=62) de nutrizes de Lucas do Rio Verde-
MT, 2010. 
Idade n Frequência % 
< de 20 anos 8 0,13 13 
De 20 a 29 anos 40 0,64 64 
De 30 a 39 anos 14 0,23 23 
Raça n Frequência % 
Branca 33 0,53 53 
Preta 2 0,03 3 
Parda 26 0,42 42 
Indígena 1 0,02 2 
Estado Civil n Frequência % 
Solteira 12 0,19 19 
Casada 24 0,39 39 
Amasiada 25 0,40 40 
Separada 1 0,02 2 
Grau de Escolaridade n Frequência % 
Fundamental incompleto 14 0,22 22 
Fundamental completo 9 0,14 14 
Médio incompleto 16 0,26 26 
Médio completo 16 0,26 26 
Ensino superior 6 0,10 10 
Pós-graduação 1 0,02 2 
Total 62 1,00 100 
 
 Observa-se que 64% das nutrizes apresentavam idade entre 20 e 29 anos. A 
média de idade encontrada na amostra foi de 26 anos (DP = 6). As raças, branca 
(53%) e parda (42%), foram as mais declaradas pelas nutrizes. Quanto ao estado 
 
 
 
 
68 
civil, 79% se declararam casadas/amasiadas. O grau de escolaridade das nutrizes 
demonstra que 100% são alfabetizadas com no mínimo o ensino fundamental 
incompleto. 
 Os dados profissionais maternos demonstram que 21% das nutrizes já 
trabalharam na lavoura. Apenas uma nutriz (1,6%) declarou trabalhar com 
agrotóxico, na função de engenheira agrônoma responsável por um armazém de 
grãos. Algumas nutrizes (6,5%) trabalham na zona rural, mas não trabalham em 
contato direto com agrotóxico. Quanto a residir na zona rural 43,5% declaram já ter 
residido por algum período na zona rural. 
 Sobre a gestação e o parto das nutrizes, 71% eram multíparas e 29% 
primíparas, com média gestacional de três partos. Todas as nutrizes realizaram pré-
natal com uma média de aproximadamente 10 consultas. O parto cesárea sobrepôs o 
normal com 55% e 45%, respectivamente. O hábito de fumar está presente em 11,3% 
das nutrizes, que relataram ter fumado durante toda a gestação e continuam fumando. 
Casos de malformação em gestações anteriores foram relatados por 3,2%, abortos 
por 19,4% e morte fetal por 4,8% das nutrizes. 
 Os dados sobre os recém-nascidos revelam que 13% nasceram pré-termo, ou 
seja, com menos de 37 semanas de gestação. Uma malformação foi evidenciada, um 
caso de gastroquise, defeito na formação da parede abdominal. Entre os que 
nasceram com algum problema de saúde (10%), o caso mais grave é o de 
rabdomioma cardíaco. Quanto à amamentação, 74% se alimentam exclusivamente do 
leite materno e 26% recebem algum tipo de complemento. O complemento mais 
ofertado é o leite em pó 88%, seguido de chá e/ou água 12%. A média alimentar é de 
10 mamadas diárias. 
 Em relação ao marido/companheiro, 50% já moraram na zona rural, 43,5% já 
trabalharam na lavoura. Atualmente 11% trabalham na zona rural, destes 13% usam 
algum tipo de agrotóxico na atividade exercida. O hábito de fumar está presente em 
20% dos maridos/companheiros, sendo que 31% destes fumavam perto da nutriz 
durante a gestação. 
 As características domiciliar como, tipo de moradia, tratamento de água e 
destinação do lixo são descritas na Tabela 7. 
 
 
 
 
 
69 
TABELA 7 - Caracterização domiciliar da amostra (n=62) de nutrizes de Lucas do 
Rio Verde-MT, 2010. 
Tipo de Moradia n Frequência % 
Tijolo 54 0,87 87 
Madeira 8 0,13 13 
Tratamento de água n Frequência % 
Filtrada 14 0,23 23 
Fervida 10 0,16 16 
Direto SAAE1 35 0,56 56 
Poço 3 0,05 5 
Lixo n Frequência % 
Coletado 59 0,95 95 
Enterrado 1 0,02 2 
Queimado 2 0,03 3 
1 Serviço autônomo de água e esgoto. 
 
 De acordo com esses dados podemos inferir que as nutrizes possuem boas 
condições de moradia. Uma vez que a maioria é contemplada com os serviços 
básicos de tratamento de água e coleta de lixo e residem em moradia de tijolo. 
 Quanto ao uso de agrotóxico domiciliar, 50% relataram usar algum tipo de 
produto. Os piretróides foram os mais citados, tanto na versão spray como em 
pastilha para aparelho elétrico. Entre as nutrizes que confirmaram utilizar agrotóxico 
dentro de casa, 33% disseram que a frequência de uso é de 1 ou 2 vezes por semana e 
15% disseram utilizar diariamente. Quando a questão é sobre a dedetização feita por 
empresas especializadas, 36% disseram ter utilizado desse serviço, 53% nos últimos 
seis meses. 
 Quanto ao tempo de residência em Lucas do Rio Verde, podemos observar 
através da Figura 12 que aproximadamente 81% das nutrizes residem no município 
há no máximo dez anos, destas aproximadamente 26% residem há apenas um ano. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
70 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Essa característica pode ser um reflexo do ritmo de crescimento em que o 
município se encontra. Lucas do Rio Verde vem se desenvolvendo em um ritmo 
acelerado, principalmente a partir de 2006, com o início das obras da unidade 
agroindustrial da Sadia, que começou a operar em outubro de 2008. Com 
investimentos superiores a R$ 800 milhões e a promessa de gerar 15 mil empregos 
indiretos e 5 mil empregos diretos, a oportunidade de serviço chamou a atenção de 
muitos trabalhadores de outras regiões, fazendo com que a população saltasse de 
27.832 em dezembro de 2006 para 45.134 pessoas em 2010, segundo dados 
preliminares do censo demográfico do IBGE (PMLRV, 2010; SIAB, 2010; IBGE, 
2010). 
 
 5.2. DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DA AMOSTRA NO MUNICÍPIO 
 
Todos os PSFs do município foram contemplados com as coletas. Alguns 
PSFs apresentaram um número maior de nutrizes participantes, isso ocorreu porquenesses PSFs houve maior adesão ao projeto por parte dos profissionais de saúde. 
As coletas abrangeram 14 bairros do município, distribuídas conforme 
plotado no mapa dos bairros e residências, conforme a Figura 13. Observa-se que a 
maioria das amostras ficou concentrada na porção maior do município, ao lado 
direito da BR-163. Na Figura 14 observa-se a distribuição espacial das lavouras (soja 
e milho), pecuária e área de mata ciliar no entorno da cidade de Lucas do Rio Verde. 
Figura 12 - Tempo de residência em Lucas do Rio Verde-MT. 
 
 
 
 
71 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 13 - Distribuição espacial das residências das nutrizes doadoras de leite humano na 
zona urbana de Lucas do Rio Verde-MT, 2010 (alterado PMLRV, 2010). 
Figura 14 - Imagem via satélite de Lucas do Rio Verde-MT (GOOGLE EARTH, 2010). 
 
 
 
 
72 
 Conforme a Figura 14, observamos que a região, onde ocorreu à maior parte 
das coletas de amostras de leite humano, está mais afastada das grandes lavouras de 
monoculturas do município. Esta região da cidade, diferente das outras, está cercada 
de chácaras de suinocultura e pecuária leiteira, além de estar próximo a uma grande 
área de especulação imobiliária e também ter a mata ciliar e o Rio Verde entre o 
município e as lavouras. 
 Em um município como Lucas do Rio Verde, onde as monoculturas estão ao 
redor de toda a cidade, morar “longe” das lavouras não significa estar protegido da 
exposição aos agrotóxicos. Com a ocorrência da deriva, deslocamento das gotículas 
de pulverização de agrotóxico para fora da área de cultura, causado pela ação do 
vento e da evaporação da água usada na preparação da calda, todo o município fica 
exposto à contaminação por agrotóxico. Uma vez que as gotículas que ficam 
flutuando ou que se evaporam por completo deixam em suspensão no ar e na chuva, 
os principios ativos dos agrotóxicos, que podem ser carregados a distâncias 
consideráveis. Como observado pelo trabalho de SANTOS et al. (2011), que 
encontrou resíduos de agrotóxicos, α e β-endossulfam e atrazina, no ar da área 
urbana de Lucas do Rio Verde-MT e resíduos (α e β-endossulfam, cipermetrina e 
outros) na chuva no centro da mesma cidade (MOREIRA et al., 2010). 
 
 5.3. RESÍDUOS DE AGROTÓXICOS NO LEITE HUMANO 
 
 5.3.1. VALIDAÇÃO DO MÉTODO ANALÍTICO PROPOSTO 
 
 A eficiência do método foi avaliada considerando a exatidão, porcentagem de 
recuperação, e precisão, coeficiente de variação dos resultados obtidos em replicata 
(n = 5). Os resultados obtidos, porcentagem de recuperação entre 70 e 120% e 
coeficiente de variação menor do que 20% são considerados satisfatórios para análise 
de resíduo de agrotóxicos nos níveis estudados (THIER e ZEUMER, 1987). Esses 
níveis foram selecionados considerando o limite de quantificação do sistema 
cromatográfico utilizado (CG-DCE). Os limites de quantificação do equipamento 
foram 75 ng para as substâncias trifluralina, aldrin, alfa endosulfan, DDE e beta 
endosulfan, de 125 ng para o lindano e de 500 ng para o DDT, alfa HCH, 
 
 
 
 
73 
deltametrina e cipermetrina. Os limites de detecção e quantificação do método foram 
calculados a partir dos resultados de recuperação obtidos com o menor nível de 
recuperação estudado e das amostras controle (THIER e ZEUMER, 1987) (Tabela 
8). 
 
Tabela 8 - Exatidão, precisão e limites de detecção e quantificação do método analítico utilizado. 
Menor nível de fortificação Maior nível de fortificação 
Substâncias NF 
(mg mL-1) 
Media* (%) 
(Intervalo) 
CV 
(%) 
NF 
(mg mL-1) 
Media* (%) 
(Intervalo) 
CV 
(%) 
LDM 
(mg mL-1) 
LQM 
(mg mL-1) 
a-Endossulfam 0.015 67 (65-73) 3 0.103 71 (66-84) 6 0.003 0.015 
β-Endossulfam 0.013 72 (64-83) 6 0.108 75 (67-92) 9 0.006 0.013 
a-HCH 0.027 78 (63-97) 14 0.109 72 (69-77) 2 0.027 0.027 
Lindano 0.028 85 (67-105) 16 0.111 73 (68-80) 4 0.022 0.028 
Aldrin 0.015 77 (74-79) 2 0.101 70 (66-78) 4 0.002 0.015 
DDT 0.107 75 (65-92) 11 0.153 71 (63-88) 8 0.079 0.107 
DDE 0.015 120 (112-132) 13 0.109 75 (70-82) 4 0.005 0.015 
Cipermetrina 0.104 79 (74-84) 3 0.157 71 (59-88) 9 0.019 0.104 
Deltametrina 0.108 93 (81-111) 12 0.144 71 (67-80) 4 0.057 0.108 
Trifluralina 0.015 84 (67-11) 20 0.107 70 (66-73) 2 0.015 0.015 
NF: Nível de fortificação. * média de 5 repetições. CV: Coeficiente de variação. LDM: Limite de detecção do 
método. LQM: Limite de quantificação do método. 
 
 O procedimento proposto apresenta uma alternativa para a determinação 
simultânea de diferentes classes de agrotóxicos (organoclorados, piretróides e 
dinitroanilinas). Este método apresenta bons resultados de exatidão, precisão, além 
de limites de detecção e quantificação, como os trabalhos descritos na literatura 
(Tabela 9). 
 O método também é simples, não requer equipamentos sofisticados e utiliza 
pouca quantidade de solvente orgânico. O uso de dispersão em fase sólida com 
Celite® possibilitou a extração dos agrotóxicos e a purificação do extrato em uma 
mesma etapa. 
 
 
 
 
 
Tabela 9 - Comparação de métodos da literatura com o método atual para determinação de agrotóxicos em leite humano. 
 Procedimento analítico 
Agrotóxicos Extração Clean-up Instrumento % Recup. CV LD/LQ Referência 
α-endossulfam, β-endossulfam, lindano, α-
HCH, aldrim, p,p’-DDT, p,p’-DDE, 
cipermetrina, deltametrina, trifluralina 
DFS (Celite®; 
hexano, 
acetona, 
diclorometano) 
- CG/DCE 67 - 120 3 - 20 0,003 – 0,079 (mg mL-1 Este trabalho 
α-HCH, β-HCH, γ-HCH, δ-HCH, o,p’-
DDE, p,p’-DDE, o,p’-DDD, p,p’-DDD, 
o,p’-DDT, p,p’-DDT 
EFS 
(C18;metanol, 
n-hexano) 
- CG/DCE 79,8 – 92,9 0,56 – 9,86 0,0004 mg.kg-1de leite MELLO, 1999 
α-HCH, β-HCH, γ-HCH, HCB, dieldrim, 
HeEp, p,p’-DDT, p,p’-DDE, p,p’-DDD 
Ciclohexano, 
acetato de etila 
CPG (BioBeads 
SX3), sílica 
desativada 
CG/DCE 75 - 110 - 
0,0005 
µg. g-1 de 
gordura 
PAUMGARTTEN 
et al., 2000 
α-HCH, β-HCH, γ-HCH, HCB, aldrim, γ-
clordano, α-endossulfam, dieldrim, 
transnanocloro, β-endossulfam, p,p’-DDT, 
p,p’-DDE, p,p’-DDD, metoxicloro, mirex 
EFS (C18; 
hexano, acetato 
de etila, 
metanol, 
acetonitrila) 
 EFS (Florisil; 
diclorometano, 
acetato de etila, 
acetona, éter de 
petróleo, hexano) 
CG/DCE 71,5 - 110 2,2 – 5,8 
0,0030 – 
0,1720 
ng.ml-1 
MESQUITA, 2001 
α-endossulfam, β-endossulfam, β-HCH, γ-
HCH, aldrim, dieldim, HCB, p,p’-DDT, 
p,p’-DDE 
Agitação 
(hexano, 
acetona) 
EFS (Florisil, 
hexano, 
diclorometano) 
CG/DCE 53 – 109 - 0,01 – 0,04 mg.kg-1 BURKE et al, 2003 
HCB, o,p’-DDT, o,p’-DDE, o,p’-DDD, 
p,p’-DDE, p,p’-DDD, p,p’-DDT, dieldrim, 
endrim, cis-heptaclorepoxi, α-clordano, γ- 
clordano, oxy- clordano, trans-nonacloro, Σ 
Parlar (toxafeno), α-HCH, β-HCH, γ-HCH 
Σ endossulfam 
DFS (sulfato de 
sódio, hexano, 
acetato de etila) 
CPG (Bio-Beads 
S-X3 com hexano 
e acetato de etila) 
CG/DCE - - 
0,001 
µg. g-1 de 
gordura 
KRAUSS et al., 
2004 
p,p’-DDT, p,p’-DDE, p,p’-DDD, o,p’-
DDT, o,p’-DDE, o,p’-DDD, ciflutrina 
deltametrina, cipermetrina, permetrina 
OC: acetona, 
hexano 
 
Piretróides: 
acetonitrila, 
hexano 
OC: ácido 
sulfúrico 
 
Piretróides: éter 
etílico, hexano 
CG/DCE - - 
OC: 0,042-
0,049 mg.l-1 
 
Piretróides: 
0,181-0,576 
mg.l-1 
BOUWMAN et al., 
2006 
 
 
 
 
75 
HCB, β-HCH, γ-HCH, Σ-HCH, dieldrim, 
o,p’-DDE, p,p’-DDT, p,p’-DDE, p,p’-
DDD, o,p’-DDT, Σ-DDT 
Hexano, 
acetonitrila, 
etanol 
EFS (Florisil, 
sulfato de sódio;diclorometano, 
hexano) 
CG/DCE 80 – 93 - 1 ng.g
-1 de 
gordura 
ENNACEUR et al., 
2007 
p,p’-DDT, p,p’-DDE, p,p’-DDD 
EFS (C18 – 
acetato de etila, 
acetona, 
metanol) 
EFS (C18 – 
diclorometano, 
acetato de etila, 
éter de petróleo, 
acetona, hexano 
CG/DCE 82,2 – 102,6 2,2 – 3,1 
0,0040 – 
0,0340 
ng.ml-1 
AZEREDO et al., 
2008 
p,p’-DDT, p,p’-DDE, p,p’-DDD, o,p’-
DDE, o,p’-DDD, α-HCH, β-HCH, γ-HCH 
Hexano, 
diclorometano 
EFS (Silíca; ácido 
sulfúrico) CG/DCE 90 - 110 - 
0,01 – 0,2 
ng.g-1 de 
gordura 
BEHROOZ et al., 
2009 
DDE, DDD, α-HCH, β-HCH, γ-HCH, HCB Clorofórmio, metanol, hexano Ácido sulfúrico CG/DCE - - 
0,98 – 1,64 
ng.g-1 de 
gordura 
KRAUTHACKER 
et al., 2009 
β-HCH, p,p’-DDE, p,p’-DDT Hexano - CG/DCE 88 - 96 - 
0,001 – 0,002 
mg.kg-1 de 
gordura 
WALISZEWSKI et 
al., 2009 
DDTs, HCHs, HCBs, CHLs Éter dietílico, hexano - CG/DCE 92 – 101 - - 
SOMEYA et al., 
2010 
p,p’-DDT, p,p’-DDE, p,p’-DDD, o,p’-
DDT, dicofol 
Hexano, etanol, 
éter dietílico, 
diclorometano 
- CG/EM 84 – 94 - 
0,01 – 0,20 
ng.g-1 de 
gordura 
FUJII et al., 2011 
α-HCH, β-HCH, γ-HCH (lindano), δ-HCH, 
p,p’-DDT, o,p’-DDT, p,p’-DDE, o,p’-
DDE, p,p’-DDD, o,p’-DDD, HCB, aldrin, 
dieldrin, endrin, trans-clordano, cis-
clordano, trans-nonacloro, cis-nonacloro, 
oxyclordano, heptacloro, transheptacloro 
epoxide, cis-heptacloro epoxide, mirex 
Hexano, 
diclorometano 
CPG (Bio-Beads 
S-X3 com acetato 
de etila e hexano) 
CG/NCI/EM 85 - 130 
0,05 – 3,0 
ng.g-1 de 
gordura 
ZHOU et al., 2011 
EFS: Extração em fase sólida; DFS: Dispersão em fase sólida; CG: Cromatografia gasosa; DCE: Detector de captura de elétrons; EM: Espectrometria de massa; CPG: Cromatografia por 
permeação em gel; -: não apresentado. 
 
 A não padronização de protocolo da metodologia analítica, de coleta e a não 
uniformidade das unidades de concentração em que os resultados são expressos pelos 
diversos autores dificulta a comparação entre estudos. Alguns estudos não 
apresentam os valores de precisão e exatidão do método, impossibilitando maiores 
comparações com o método aqui proposto. 
 
 5.3.2. DETECÇÃO DE RESÍDUO DE AGROTÓXICOS NO 
LEITE HUMANO 
 
 Todas as amostras analisadas apresentaram algum dos agrotóxicos estudados. 
Conforme a Tabela 10 observa-se que em 85% das amostras foram detectados mais 
de um agrotóxico, ou seja, uma contaminação multiresidual. 
 
Tabela 10 - Número de substâncias detectadas em leite humano em 
amostra (n=62) de nutrizes residentes em Lucas do Rio Verde-MT, 
2010. 
Número de substâncias 
detectadas nas amostras 
n Frequência % 
1 9 0,15 15 
2 18 0,29 29 
3 12 0,19 19 
4 15 0,24 24 
5 7 0,11 11 
6 1 0,02 2 
TOTAL 62 1,00 100 
 
 A frequência de detecção por agrotóxicos encontrados nas amostras são 
apresentados na Tabela 11. A cipermetrina foi o único agrotóxico que não foi 
detectado em nenhuma amostra analisada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
77 
Tabela 11 – Total de amostras detectadas e frequência de detecção de agrotóxicos analisados 
em leite humano em amostra (n=62) de nutrizes residentes em Lucas do Rio Verde-MT, 2010. 
Substância Total de amostras 
detectadas 
Detectado 
abaixo do LQM 
Detectado 
acima do LQM 
% de 
Detecção (n=62) 
p,p’- DDE 62 44 18 100% 
β-endossulfam 27 25 2 44% 
deltametrina 23 23 0 37% 
aldrim 20 20 0 32% 
α-endossulfam 20 20 0 32% 
α-HCH 11 11 0 18% 
p,p’- DDT 8 5 3 13% 
trifluralina 7 7 0 11% 
lindano 4 4 0 6% 
 
 O p,p’- DDE aparece em 100% das amostras analisadas. Dentre os 
metabólitos do p,p’- DDT, o p,p’- DDE é o que ocorre em maior frequência na 
população geral, pela sua baixa taxa de metabolização e ao fato da alimentação ser 
sua fonte primária de contaminação. Essa prevalência do p,p’- DDE sobre o p,p’- 
DDT sugere uma exposição passada ao DDT, já que o tempo médio necessário à 
metabolização do p,p’- DDT em p,p’- DDE é de doze meses (MATUO et al., 1992). 
 No ambiente o isômero β-endossulfam tem menor estabilidade e se converte 
para o isômero α-endossulfam depois da aplicação (SANTOS et al., 2011). Porém, o 
β-endossulfam é mais facilmente absorvido que o α-endossulfam, após distribuição 
inicial para o tecido adiposo, acumula em uma extensão maior do que o β-
endossulfam (ANVISA, 2010b; HSDB, 2010). Talvez isso explique o fato de maior 
detecção do isômero β-endossulfam em relação ao isômero α-endossulfam nas 
amostras de leite. 
 
 5.3.3. NÍVEIS DE RESÍDUOS DE AGROTÓXICOS NO LEITE 
HUMANO 
 
 Apenas dezenove amostras (31%) apresentaram contaminação acima dos 
valores de quantificação do método para alguma das três substâncias (β-endossulfam, 
p,p’- DDT e p,p’- DDE), e por isso puderam ser quantificadas. Os níveis de 
 
 
 
 
78 
agrotóxicos encontrados nas amostras de leite das mães doadoras de Lucas do Rio 
Verde são apresentados na Tabela 12 com valores expressos em µg mL-1 de leite. 
 
Tabela 12 - Níveis de resíduos de agrotóxicos em leite humano em amostra (n=62) 
de nutrizes residentes em Lucas do Rio Verde-MT em µg mL-1 de leite, 2010. 
Substância % Média (µg mL-1) 
Valores 
máximos 
Valores 
mínimos 
β-endossulfam 3,23 0,018 0,020 0,016 
p,p’- DDT 4,84 0,295 0,397 0,170 
p,p’- DDE 29,03 0,130 0,543 0,021 
 
 Considerando que os compostos organoclorados apresentam bioacumulação 
preferencial nos tecidos adiposos, a determinação do teor de gordura das amostras de 
leite se faz necessária (MESQUITA, 2001). Assim, o teor de gordura das amostras 
coletadas foi determinado para excluir essa fonte de variação durante a obtenção dos 
resultados. As concentrações após o controle dessa variável são apresentadas na 
Tabela 13. 
 
Tabela 13 - Níveis de resíduos de agrotóxicos em leite humano em amostra (n=62) 
de nutrizes residentes em Lucas do Rio Verde-MT em µg g-1 de gordura, 2010. 
Substância % Média do teor de gordura (%) 
Média 
(µg g-1) 
Valores 
máximos 
Valores 
mínimos 
β-endossulfam 3,23 3,08 0,57 0,61 0,54 
p,p’- DDT 4,84 4,14 8,87 12,41 2,62 
p,p’- DDE 29,03 3,78 3,75 12,03 0,32 
 
 Em comparação aos trabalhos realizados no Brasil, os níveis encontrados nas 
amostras de leite das nutrizes residentes em Lucas do Rio Verde-MT encontram-se: 
abaixo dos níveis de DDT total (DDT+DDE) e lindano encontrados por MATUO et 
al. (1992) em Ribeirão Preto em mulheres expostas e não expostas 
ocupacionalmente; acima dos níveis de DDE e DDT e abaixo dos níveis de α-HCH, 
lindano e α-endossulfam encontrados por MESQUITA (2001) na cidade do Rio de 
Janeiro em mulheres doadoras do Banco de Leite do Instituto Fernandes Figueira; 
acima dos níveis de DDE e DDT encontrados por KRAUSS et al. (2004) em São 
Paulo e Belo Horizonte de mães selecionadas conforme protocolo estabelecido pela 
WHO (World Health Organization); abaixo dos níveis de DDE encontrados por 
 
 
 
 
79 
CALEFFI (2005) em mulheres residentes em áreas rurais do Rio Grande do Sul; 
acima dos níveis de DDT encontrado por AZEREDO et al. (2008) na região no Rio 
Madeira, Amazônia, em população que foi diretamente exposta nos anos 1990 com 
aplicações residenciais ao combate a malária. 
 Quando comparados com trabalhos internacionais, os níveis aqui encontrados 
estão: acima dos níveis de DDE e abaixo dos níveis de α-HCH e lindano encontrados 
por KRAUTHACKER et al. (2009); acima dos níveis de DDE e DDT encontrados 
por SOMEYA et al. (2010); abaixo dos níveis de α-HCH e lindano e acima dos 
níveis de DDE e DDT encontrados por ZHOU et al. (2011). 
 Independentemente dos métodos analíticos utilizados, o resultado é 
preocupante, pois todos os estudos demonstram contaminação das amostras por pelomenos uma substância, na maioria das vezes, organocloradas em um alimento que 
deveria ser isento de todo e qualquer tipo de contaminante. 
 Todas as nutrizes que participaram da pesquisa receberam um laudo (Anexo 
C) com os resultados das análises realizadas e com a expressa recomendação de 
continuarem a amamentação, uma vez que a amamentação apresenta vários fatores 
importantes para a saúde, tanto do bebê como da mãe, como já descrito 
anteriormente. 
 
 5.5. FATORES DE ASSOCIAÇÃO 
 
 O resultado da análise de regressão múltipla do modelo que avaliou a 
prevalência de contaminação do leite humano para o agrotóxico β-endossulfam, 
encontra-se descritas na Tabela 14. 
 
Tabela 14 - Modelo Final de Poisson - Razões de prevalência de contaminação do leite 
humano por β-endossulfam, Lucas do Rio Verde-MT, 2010. 
Variáveis e categorias % RP (IC 95%) p valor 
Aborto 
Não 
Sim 
 
11,4 
29,6 
 
1,00 
2,05 (0,87 – 4,80) 
 
 
p < 0,098 
O pai trabalha na zona rural 
Não 
Sim 
 
8,6 
14,8 
 
1,00 
2,93 (0,92 – 9,32) 
 
 
p < 0,069 
 
 
 
 
 
80 
 Cumpre dizer que todos os resultados das variáveis do modelo final do β-
endossulfam, foram em situação estatística limítrofe, ou seja, com p-valor próximo 
da significância estatística. As variáveis que permaneceram no modelo final foram a 
mãe ter tido aborto (RP = 2,05; IC 95%: 0,87 – 4,80) e o fato do pai trabalhar na 
zona rural (RP = 2,93; IC 95%: 0,92 – 9,32). 
 No modelo final quando o agrotóxico estudado foi o aldrim, permaneceram 
no modelo de Poisson, as variáveis descritas na Tabela 15. 
 
Tabela 15 - Modelo Final de Poisson - Razões de prevalência de contaminação do leite 
humano por aldrim, Lucas do Rio Verde-MT, 2010. 
Variáveis e categorias % RP (IC 95%) p valor 
Aborto 
Não 
Sim 
 
14,3 
30,0 
 
1,00 
2,18 (1,04 – 4,58) 
 
 
p < 0,039 
Estado civil 
Solteira/separada 
Casada/amasiada 
 
71,4 
90,0 
 
1,00 
3,17 (0,89 – 11,27) 
 
 
p < 0,074 
O pai trabalha na zona rural 
Não 
Sim 
 
4,8 
25,0 
 
1,00 
3,23 (1,65 – 6,29) 
 
 
p < 0,001 
 
 A variável estado civil, apresentou uma situação estatística limítrofe (p < 
0,074), porém com forte força de associação (RP = 3,17; IC 95%: 0,89 – 11,27). As 
variáveis com estatística significante que permaneceram no modelo final do aldrim 
foram, ter tido aborto (RP = 2,18; IC 95%: 1,04 – 4,58) e o fato de o pai trabalhar na 
zona rural (RP = 3,23; IC 95%: 1,65 – 6,29). 
 Finalmente, a Tabela 16 contempla o modelo final da regressão múltipla para 
o agrotóxico deltametrina. Neste último permaneceu, a variável aborto (RP = 1,92; 
IC 95%: 1,08 – 3,43) que apresentou associação estatisticamente significante. 
 
Tabela 16 - Modelo Final de Poisson – Razão de prevalência de contaminação do leite 
humano deltametrina, Lucas do Rio Verde-MT, 2010. 
Variáveis e categorias % RP (IC 95%) p valor 
Aborto 
Não 
Sim 
 
10,3 
34,8 
 
1,00 
1,92 (1,08 – 3,43) 
 
 
p < 0,026 
 
 Importante salientar que ter tido aborto foi uma variável que se manteve 
associada à presença dos três agrotóxicos (β-endossulfam, aldrim e deltametrina), 
 
 
 
 
81 
quando da realização dos modelos finais. Estes achados são concordantes com a 
literatura que refere esses agrotóxicos com efeitos sobre o sistema reprodutivo e 
hormonal, chegando, inclusive, a serem excretados pelo leite materno (MEYER et 
al., 1999; KOIFMAN et al., 2002; CALVERT et al., 2007; HEEREN et al., 2003). 
 Quanto à toxidade dos agrotóxicos, vários autores referem que o β-
endossulfam pode chegar ao feto através do cordão umbilical e placenta 
(CERRILLO, et al., 2005), levando à ocorrencia de malformações e, por isso, ser 
considerado um desregulador endócrino (BELDOMENICO et al., 2007; ANVISA, 
2010b). Já outros estudos sugerem que o aldrim também pode passar pela placenta 
humana e se acumular no feto em desenvolvimento, podendo induzir ao aborto 
(ATSDR, 2002a). Quanto a deltametrina, apesar dos efeitos sistêmicos dos 
piretróides sobre o sistema reprodutivo (ABDOLLAHI et al., 2004), os estudos são 
inconclusivos em afirmar o potencial dos piretróides em atravessar a barreira 
placentária e interferir no desenvolvimento fetal (ATSDR, 2003). 
 Cumpre dizer que outras variáveis podem influenciar na ocorrência de aborto, 
tais como caráter imunológico, fator autoimune, distúrbio hormonal, fator genético e 
problemas anatômicos (BARINI et al., 2000; CAETANO et al., 2006). Essas 
variáveis não foram avaliadas no presente estudo, o que pode levar a possíveis 
confundimentos nas análises dos modelos finais. Outros estudos epidemiológicos tais 
como os estudos de seguimento (coorte) permitiriam uma melhor avaliação da 
associação entre os fatores de exposição (agrotóxicos) e o desfecho estudado, ou 
seja, a presença dessas substâncias no leite materno, já que estes permitem um 
melhor controle destas variáveis de confundinento. Cabe ainda dizer das limitações 
dos estudos transversais: um dos principais problemas é a possibilidade de ocorrência 
de causalidade reversa. Como a exposição e o desfecho foram coletados 
simultaneamente, não há como saber qual deles procedeu ao outro, podendo levar a 
associações espúrias. Contudo, supõe-se que tal situação não tenha ocorrido nesta 
pesquisa, devido ao rigoroso controle de condições adversas pelos pesquisadores 
quando da realização do trabalho de campo. 
 Informações extra-oficiais de servidores da saúde local trazem à luz a 
possibilidade da ocorrência do alto número de abortos nos últimos anos. 
Considerando-se o nível de exposição da população residente em Lucas do Rio 
 
 
 
 
82 
Verde aos agrotóxicos e a persistente associação entre ocorrência de abortos e 
presença de agrotóxicos no leite materno, sugere-se que essa variável possa ser 
utilizada como marcadora de exposição a agrotóxicos neste município. 
 O fato do marido/companheiro trabalhar na zona rural ficou no modelo final 
de regressão com associação estatisticamente significativa com os agrotóxicos β-
endossulfam e aldrim. Assim, inferimos que essa associação pode estar relacionada 
com o contato físico entre marido e mulher, ou no contato entre a nutriz e as roupas 
contaminadas do marido. Desta forma, a mulher estaria sendo contaminada através 
da pele, já que uma das formas de contaminação é via dermal. 
 Ser casada ou amasiada se manteve presente no modelo final de regressão 
com associação estatisticamente significativa com o agrotóxico aldrim, esta variável 
pode estar sendo influenciada por algumas variáveis de confundimento. Por exemplo, 
a idade materna, mesmo não se mantendo com associação significativa na regressão, 
pode estar associada tanto ao estado civil, porque as casadas tendem a ser mais 
velhas, quanto à detecção de agrotóxico no leite, porque as mães com maior carga de 
contaminantes, também tendem a ser mais velhas. Desta forma, pode-se considerar o 
estado civil como sendo uma variável “proxy” de idade, uma vez que, os agrotóxicos 
se acumulam no organismo humano ao longo da vida, e, quanto maior a idade, maior 
o tempo de exposição a esses compostos. 
 Outro fator que pode estar associado à variável estado civil é a lavagem das 
roupas de serviço em casa pela própria nutriz. Mesmo essa variável não tendo dado 
associação significativa com a variável resposta, ela poderia influenciar o resultado, 
já que as nutrizes podem estar se contaminando de agrotóxicos através do manuseio e 
contato com as roupas de serviço do marido ou companheiro, que são lavadas junto 
com as demais roupas da família. 
 Algumas variáveis demonstraram uma tendência à associação com os níveisde agrotóxicos encontrados. Uma possível causa para isso seja o n amostral, que 
talvez seja insuficiente para mostrar essa associação. 
 Alguns agrotóxicos tiveram uma freqüência baixa de detecção nas amostras e 
não foi possível a realização de análise de regressão, para estes (α-HCH, p,p’- DDT, 
lindano, trifluralina, α-endossulfam) as variáveis, que de alguma forma poderiam 
 
 
 
 
83 
justificar a presença de resíduos desses agrotóxicos no leite humano, foram descritas 
em freqüências. 
 No grupo das nutrizes em que foi detectado o α-HCH (n=11), 63,6% eram 
primíparas, 27,3% relataram já ter sofrido ao menos um aborto. Nas nutrizes em que 
foi detectado o p,p’- DDT (n=8), 75% eram primíparas, 25% relataram já ter sofrido 
ao menos um aborto, 12,5% relataram ter um filho com alguma malformação e, 
12,5% relataram prematuridade na última gestação. Nas nutrizes em que foi 
detectado o lindano (n=4), 75% era primípara e, 25% relataram ter um filho com 
alguma malformação. 
 Nas nutrizes em que foi detectado trifluralina (n=7), 71,4% eram primíparas, 
28,6% relataram já ter sofrido ao menos um aborto, 28,6% relataram que o 
marido/companheiro trabalha na lavoura, 28,6% relataram residir próximo de 
lavouras. As variáveis a respeito do trabalho do marido/companheiro e o residir 
próximo a lavouras, podem ter influenciado na detecção desse composto no leite, 
uma vez que, a trifluralina é utilizada na região de estudo, numa média de 23.094 
litros/ano. 
 Nas amostras em que foi detectado o α-endossulfam (n=20), 29% das nutrizes 
eram primíparas, em 6,5% o último parto foi prematuro, 3,2% a criança nasceu com 
alguma malformação e 19,4 relataram já ter sofrido ao menos um aborto. O α-
endossulfam é um isômero de um agrotóxico organoclorado com aplicação média de 
216.950 litros/ano no município de estudo, conforme Tabela 3. Algumas variáveis 
relacionadas à moradia e ocupação, tanto do marido/companheiro como da mãe, 
podem estar relacionada a exposição por habitante e das nutrizes a esse agrotóxico. 
Quanto à proximidade da lavoura 34% das nutrizes relataram residir próximo a 
lavouras, 63% moram a mais de um ano na mesma residência, 43,5% já moraram na 
zona rural, 21% já trabalharam na lavoura e, 43,5% dos maridos/companheiros 
trabalham na lavoura. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
84 
 6. CONCLUSÃO 
 
 
 As amostras de leite humano provenientes das nutrizes residentes em Lucas 
do Rio Verde-MT apresentaram evidente contaminação multiresidual por 
agrotóxicos organoclorados, piretróides e dinitroanilinas. 
 
 O p,p' - DDE foi encontrado em 100% das amostras analisadas, o que sugere 
uma exposição passada ao p,p' - DDT, já que este é o seu metabólito mais estável e 
foi bastante utilizado até 1985 na agricultura e até 1998 no controle de vetores. 
 
 O β-endossulfam foi encontrado em 44% das amostras analisadas, sugerindo 
uma exposição atual, já que é muito utilizado como inseticida na agricultura na 
região de estudo. 
 
 As nutrizes que tiveram aborto apresentaram associação com a presença dos 
agrotóxicos β-endossulfam, aldrim e deltametrina, estando em concordância com a 
literatura que descreve os efeitos desses agrotóxicos sobre o sistema reprodutivo e 
hormonal. 
 
 O fato do marido/companheiro trabalhar na zona rural apresentou associação 
com a presença de resíduos de β-endossulfam e aldrim em amostras de leite 
analisadas. 
 
 Independente do local de residência das nutrizes, quanto à distância das 
lavouras, as mesmas estão expostas aos efeitos dos agrotóxicos, devido a localização 
do município em relação às lavouras e possivelmente foram contaminadas através 
dos alimentos e componentes ambientais (ar, água, solo). 
 
 O processo produtivo agrícola adotado no município de Lucas do Rio Verde, 
com o uso intensivo de agrotóxicos nas lavouras, foi determinante para a 
contaminação dos vários componentes ambientais, relatados em outros trabalhos aqui 
citados, e também deve ter contribuído para a contaminação da população, das 
nutrizes e do leite humano. 
 
 
 
 
85 
 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 
 O processo produtivo agrícola adotado no município de Lucas do Rio Verde, 
na busca por grandes produções, leva o município a um desenvolvimento 
insustentável, uma vez que degrada o meio ambiente local, polui os recursos 
hídricos, o solo, o ar e, consequentemente a população, acarretando em sérios 
problemas de saúde. A contaminação do leite das nutrizes residentes em Lucas do 
Rio Verde é apenas um efeito causado por esse processo. Os serviços de saúde 
pública municipal devem ficar atentos aos indicadores de saúde que possam estar 
relacionados ao uso intensivo de agrotóxicos no município, como a incidência de 
abortos, malformações, neoplasias e doenças neurológicas, já que vários agrotóxicos 
possuem ação mutagênica, teratogênica, cancerígena, desrregulação endócrina, e 
destúrbios neurológicos e psiquiátricos. 
 
 Os dados apresentados e discutidos no presente trabalho mostram um 
problema de saúde pública, o qual trabalhadores e população vizinha a áreas de 
produção de soja, milho ou algodão se encontram em situação de vulnerabilidade, 
face aos efeitos nocivos dos agrotóxicos sobre a saúde humana. Isso indica que deve 
ser implantadas estratégias de avaliação e gerenciamento de riscos, fundamentais 
para a vigilância da saúde dos trabalhadores e população em geral, exposta aos 
agrotóxicos por conta do combate (pulverização) às “pragas” da lavoura. 
 
 Sugere-se a implantação imediata de algumas ações de vigilância a saúde em 
Lucas do Rio Verde e em todos os municípios brasileiros em que predomina a 
monocultura intensiva e químico dependente, tais como: a) proibir a pulverização de 
qualquer tipo de agrotóxico por avião; b) limitar a aplicação de agrotóxicos a uma 
distância mínima de 500 metros do perímetro urbano ou no entorno de aglomerados 
humanos, criação de animais, nascentes de córregos e abastecimentos de água 
potável; c) implantar sistema de notificação e vigilância para as intoxicações agudas 
e crônicas; d) realizar vigilância em saúde nos casos de derivas de agrotóxicos; e) 
 
 
 
 
86 
implantação de Sistema de Monitoramento de Resíduos de Agrotóxicos em águas de 
córregos, rios, lagos, poços artesianos, no ar, na chuva e nos alimentos. 
 
 Apesar de termos encontrado contaminação em 100% das amostras 
analisadas, é necessário não desprezar os benefícios da amamentação para o bebê do 
ponto de vista nutricional, imunológico, psicológico e na promoção da saúde. Apesar 
dos possíveis danos que possam vir a ser causados pela exposição dos bebês aos 
agrotóxicos, qualquer atitude em relação ao desaconselhamento à amamentação tem 
que ser avaliado considerando-se o risco/benefício e os múltiplos fatores envolvidos 
no processo de aleitamento. 
 
 Há necessidade urgente de se ampliar estas avaliações e análises dessas 
contaminações do leite humano por agrotóxicos provindos do processo produtivo 
agropecuário, coordenado pelo agronegócio, para que possamos implantar medidas 
de saúde coletiva, com participação dos afetados/agravados, dos técnicos da saúde, 
da agricultura e ambiente, num movimento com a sociedade organizada, de forma 
articulada com a democracia e justiça ambiental, em busca de outro modelo de 
agricultura, seja ele agroecológico ou aquele que tenha com eixo o desenvolvimento 
da vida, da saúde, da democracia e da felicidade. 
 
 
 
 
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100 
ANEXO A 
 
 
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO 
INSTITUTO DE SAÚDE COLETIVA 
DEPARTAMENTO DE SAÚDE COLETIVA 
 
CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO 
Você está sendo convidada para participar, como voluntária, da pesquisa “Detecção 
de resíduos de agrotóxicos em leite humano em Lucas do Rio Verde – Mato Grosso”. 
Este estudo tem como um dos principais objetivos conhecer o grau de contaminação 
por agrotóxico do leite de mães que moram em Lucas do Rio Verde e compará-las com 
amostras de leite materno coletadas das doadoras do Banco de leite do HUJM/UFMT, 
Cuiabá. 
Sua participação na pesquisa consistirá em responder a um questionário e doar 20 
mL de leite. Não há riscos relacionados à sua participação. O beneficio relacionado com a 
sua participação é a contribuição para a construção de estratégias educativas e de 
comunicação de risco que contribuam para diminuir os efeitos prejudiciais dos agrotóxicos 
sobre a saúde humana e o ambiente. O seu beneficio individual será receber orientações para 
uma possível mudança dos seus hábitos diários que possam contribuir para a diminuição dos 
valores encontrados e conseqüente melhoria na qualidade de seu leite.Você não receberá 
dinheiro pelo fornecimento destas informações e amostras de leite. 
As informações obtidas através dessa pesquisa serão secretas e garantimos o sigilo 
sobre a sua participação. Você será identificada apenas, pela sua idade e profissão. As 
respostas do questionário serão usadas para que melhor possamos entender a realidade do 
seu dia-a-dia. As respostas do questionário serão reproduzidas apenas em publicações 
científicas, respeitando-se o sigilo do seu nome. Todo o material ficará sob a guarda do 
pesquisador principal e ao final de 04 anos, os questionários serão destruídos. 
 Em caso de recusa você não terá nenhum problema. Em caso de dúvida você pode 
procurar o Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Júlio Müller- UFMT- pelotelefone (65) 3615-7254. Você receberá uma cópia desse termo onde tem o nome, telefone e 
endereço do pesquisador responsável, para que você possa localizá-lo a qualquer momento. 
Considerando os dados acima, CONFIRMO que fui informada por escrito e 
verbalmente dos objetivos desta pesquisa e em caso de divulgação por foto e/ou vídeo 
AUTORIZO a publicação. 
 
Eu.................................................................................................................................................
.............., idade:............. Naturalidade:.....................................................portadora do 
documento RG Nº:............................................................declaro que entendi os objetivos, 
riscos e benefícios de minha participação na pesquisa e concordo em participar. 
 
 
________________________________________ 
Assinatura do sujeito da pesquisa e/ou 
responsável 
________________________________________ 
Assinatura do pesquisador principal 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
101 
AXEXO B 
 
LOCALIZAÇÃO 
 
1. NR:______2. DATA DE ENTREVISTA:____/____/________ 3. HORÁRIO:_____:_____HS 
4. N DO PSF:______5. FAMÍLIA:_______ 6. GESTAÇÃO No._____________________________ 
7. COORDENADAS GEOGRÁFICAS:______________________/__________________________ 
8. ENDEREÇO:____________________________________ 9. BAIRRO:_____________________ 
 
 
IDENTIFICAÇÃO MATERNA 
 
10. NOME:______________________________________________________________________ 
11. IDADE:________anos 12. PESO ATUAL:_________Kg 13. ESTATURA:______________m 
14. RAÇA: ( ) IGNORADO ( ) BRANCA ( ) PRETA ( ) PARDA ( ) 
AMARELA ( ) INDÍGENA 
15. ESTADO CIVIL: ( ) SOLTEIRA ( ) CASADA ( ) AMASIADA ( ) SEPARADA 
16. GRAU DE ESCOLARIDADE: ( ) NÃO SAB ( ) SEM ESCOLARIDADE ( ) FUND. 
INCOMPLETO ( ) FUND. COMPLETO ( ) MÉD. INCOMPLETO ( ) MÉD. 
COMPLETO ( ) CURSO TÉCNICO ( ) ENSINO SUPERIOR ( ) PÓS-GRADUAÇÃO 
17. NATURALIDADE:_______________________________________18. ESTADO:___________ 
19. HÁ QUANTO TEMPO RESIDE EM LRV:_________________anos. 
 
 
DADOS PROFISSIONAIS MATERNOS 
 
20.PROFISSÃO:_____________________21.ATIVIDADE EXERCIDA:______________________ 
22. TOTAL DE HORAS TRABALHADAS POR SEMANA:________hs 
23. TRABALHA PRÓXIMO A ALGUM TIPO DE LAVOURA: ( ) SIM ( ) NÃO 
24. QUE TIPO DE LAVOURA:_________________________________________ 
25. JÁ MOROU EM ZONA RURAL: ( ) SIM ( ) NÃO 
26. TRABALHA NA ZONA RURAL: ( ) SIM ( ) NÃO 
27. JÁ TRABALHOU NA LAVOURA: ( ) SIM ( ) NÃO 
28. EM QUE TIPO DE LAVOUA TRABALHA:________________________________________ 
29. FAZ USO DE ALGUM TIPO DE VENENO: ( ) SIM ( ) NÃO 
30. QUAL:________________________________________ 
31. FAZ USO DE ALGUM EPI: ( ) SIM ( ) NÃO 
32. QUAL:_____________________________________________________ 
33. AS ROUPAS DE TRABALHO SÃO LAVADAS EM CASA: ( ) SIM ( ) NÃO 
34. VOCÊ QUE LAVA AS ROUPAS: ( ) SIM ( ) NÃO 
 
 
GESTAÇÃO/PARTO 
35. DATA DO PARTO:_____/_____/______36. TIPO DO PARTO: ( )NORMAL ( ) CESÁRIA 
37. NÚMERO DE:GESTAÇÕES:_____PARTOS:_____ABORTOS:_____ NATIMORTOS:_____ 
FILHOS VIVOS: ______ 
38. HOUVE ALGUMA MALFORMAÇÃO: ( ) SIM ( ) NÃO 
39. QUAL MALFORMAÇÃO:__________________________ 
40. FEZ PRÉ-NATAL: ( ) SIM ( ) NÃO 
41. QUAL FOI O NÚMERO DE CONSULTAS:__________ 
42. HOUVE ALGUMA INTERCORRÊNCIA: ( ) SIM ( ) NÃO 
 
 
 
 
102 
43. QUAL:________________________________________ 
44. FEZ USO DE ALGUMA MEDICAÇÃO DURANTE A GRAVIDEZ: ( ) SIM ( ) NÃO 
45. QUAL:___________________ 
46. ATUALMENTE FAZ USO DE ALGUMA MEDICAÇÃO: ( ) SIM ( ) NÃO 
 47. QUAL:__________________________ 
48. FUMOU DURANTE A GRAVIDEZ: ( ) SIM ( ) NÃO 
49. QUANTOS CIGARROS POR DIA: ______________________ 
50. FUMA ATUALMENTE: ( ) SIM ( ) NÃO 51. QUANTOS CIGARROS POR DIA: ______ 
52. PESO PRÉ-GESTACIONAL:_______Kg 53. PESO PÓS-GESTACIONAL:______Kg 
 
DADOS DO RÉCEM NASCIDO/AMAMENTAÇÃO 
 
54. SEXO: ( ) MAS. ( ) FEM. 55. PESO AO NASCER:_________________gr 
56. PREMATURO: ( ) SIM ( ) NÃO 57. IDADE GESTACIONAL: ( ) DE 20 A 24 
( ) DE 24 A 28 ( ) DE 28 A 32 ( ) DE 32 A 37 ( ) DE 37 A 42 ( ) > 42 
58. RAÇA: ( ) IGNORADO ( ) BRANCA ( ) PRETA ( ) PARDA ( ) AMARELA 
( ) INDÍGENA 
59. NASCEU COM ALGUM PROBLEMA DE SAÚDE: ( ) SIM ( ) NÃO 
60. QUAL:________________________________ 
61. APRESENTA ALGUMA MALFORMAÇÃO: ( ) SIM ( ) NÃO 
62. QUAL MALFORMAÇÃO:_____________________ 
63. No. DE MAMADAS DIÁRIAS:_____64. DURAÇÃO MÉDIA DE CADA MAMADA:____min. 
65. AMAMENTAÇÃO EXCLUSIVA: ( ) SIM ( ) NÃO 
66. QUE COMPLEMENTO UTILIZA: ( ) LEITE ( ) CHÁ ( ) ÁGUA 
67. TIPO DE LEITE:________________68. NO. DE COMPLEMENTAÇÕES POR DIA: _________ 
69. VOLUME DE CADA COMPLEMENTO:_____________Ml 
 
 
HÁBITOS DO MARIDO/COMPANHEIRO 
 
70.PROFISSÃO:_________________71.ATIVIDADE EXERCIDA:_________________________ 
72. QUANTO TEMPO DE PROFISSÃO:______ 
73. QUANTAS HORAS SEMANAIS ELE TRABALHA:______hs 
74. ELE JÁ MOROU EM ZONA RURAL: ( ) SIM ( ) NÃO 
75. ELE JÁ TRABALHOU NA LAVOURA: ( ) SIM ( ) NÃO 
76. HOJE ELE TRABALHA NA ZONA RURAL: ( ) SIM ( ) NÃO 
77. COM QUE TIPO DE LAVOURA ELE TRABALHA:_________________________________ 
78. ELE FAZ USO DE ALGUM TIPO DE VENENO: ( ) SIM ( ) NÃO 
79. QUAL:__________________________________ 
80. AS ROUPAS DE TRABALHO SÃO LAVADAS EM CASA: ( ) SIM ( ) NÃO 
81. É VOCÊ QUE LAVA AS ROUPAS: ( ) SIM ( ) NÃO 
82. ELE É FUMANTE: ( ) SIM ( ) NÃO 83. QUANTOS CIGARROS ELE 
FUMA POR DIA:____________ 
84. DURANTE A GRAVIDEZ ELE FUMAVA PRÓXIMO A VOCÊ: ( ) SIM ( ) NÃO 
 
 
CARACTERÍSTICAS DOMICILIAR 
 
85. TEMPO DE MORADIA NO LOCAL:__________anos 
86. TIPO DE MORADIA: ( ) TIJOLO/ADOBE ( ) TAIPA REVESTIDA ( ) TAIPA NÃO 
REVESTIDA ( ) MADEIRA ( ) MATERIAL APROVEITADO 
87. TRATAMENTO DE ÁGUA NO DOMICILIO: ( )FILTRAÇÃO ( ) FERVURA 
 
 
 
 
103 
( ) CLORAÇÃO ( ) S/ TRATAMENTO 
88. DESTINO DO LIXO: ( ) COLETADO ( ) ENTERRADO ( ) QUEIMADO 
 ( ) CÉU ABERTO 
89. HÁ LAVOURA PRÓXIMA DA SUA CASA: ( ) SIM ( ) NÃO 90. HÁ QUANTOS METROS 
DE DISTÂNCIA:______m 
91. QUE TIPO LAVOURA:______________________________________________________ 
92. POSSUI HORTA/POMAR EM CASA: ( ) SIM ( ) NÃO 93. UTILIZA ALGUM TIPO DE 
VENENO: ( ) SIM ( ) NÃO 
94. QUAL VENENO VOCÊ UTILIZA:_________________________________________________ 
95. CONSOME OS ALIMENTOS QUE PRODUZ: ( ) SIM ( ) NÃO 
96. FAZ USO DE VENENO DOMICILIAR: ( ) SIM ( ) NÃO 
97. QUE PRODUTO UTILIZA:________________________ 
98. QUAL É A FREQUÊNCIA SEMANAL: ( ) DIARIAMENTE ( ) DE 1-2 VEZES 
( ) DE 3-5 VEZES 99. SUA CASA JÁ FOI DEDETIZADA: ( ) SIM ( ) NÃO 
100. QUANDO FOI A ÚLTIMA VEZ:_______________meses 
 
 
DADOS SOBRE INTOXICAÇÃO 
 
101. ALGUMA VEZ SE SENTIU INTOXICADA POR ALGUM TIPO DE VENENO: ( ) SIM ( ) 
NÃO 
102. SE SIM, ESTA FOI: ( ) LEVE ( ) MODERADA ( ) GRAVE ( ) INTERNAÇÃO 
HOSPITALAR 
103. QUAL TIPO DE VENENO: ( ) DOMICILIAR ( ) DE LAVOURA 
104. QUAL:__________________________________________________ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
104 
ANEXO C 
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO 
INSTITUTO DE SAÚDE COLETIVA 
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA 
 
Projeto: Detecçãode resíduos de agrotóxicos em leite humano em Lucas do Rio 
Verde – Mato Grosso. 
 
 
Mãe continue amamentando seu filho(a), o leite materno é essencial para um crescimento saudável. O 
aleitamento materno fortalece a imunidade, mantém o crescimento e desenvolvimento normais, 
melhora o processo digestivo no sistema gastrointestinal, favorece o vínculo mãe-filho e facilita o 
desenvolvimento emocional, cognitivo e do sistema nervoso. 
Obrigada pela sua participação. 
RESULTADO DE ANÁLISE 
Tipo de amostra: Leite materno Quantidade: 5 mL 
Identificação da amostra: 
Data da coleta: 
Substância analisada Método Resultado (ug/mL) 
Valor de 
Referência 
Trifluralina CG/ECD * 
Alfa-hexaclorociclohexano (α-HCH) CG/ECD * 
Lindano CG/ECD * 
Aldrin CG/ECD * 
Alfa-endossulfam CG/ECD * 
Beta-endossulfam CG/ECD * 
Dicloro-Difenil-Tricloroetano (DDT) CG/ECD * 
Cipermetrina CG/ECD * 
Deltametrina CG/ECD * 
Dicloro-Difenil-Dicloroetileno (DDE) CG/ECD * 
<LQ: Detectado, mas menor que o limite de quantificação do método. ND: Nada detectado. 
CG/ECD: Cromatografia gasosa com detector de captura de elétrons. *: Valores não estabelecidos 
pela legislação brasileira. 
Limite de quantificação do método: Trifluralina 0,015 ug/mL; α-HCH 0,016 ug/mL; Lindano 0,017 
ug/mL; Aldrin 0,015 ug/mL; alfa-endossulfam 0,015 ug/mL; DDE 0,017 ug/mL; beta-endossulfam 
0,013 ug/mL; DDT 0,012 ug/mL; Cipermetrina 0,016 ug/mL; Deltametrina 0,018 ug/mL. 
_________________________________ 
Danielly Cristina de Andrade Palma 
Mestranda 
_________________________________ 
Prof. Dr. Wanderlei Antonio Pignati 
Orientador

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