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Direito Penal. Parte Geral. Prof. Gabriel Habib. 2018

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é um tipo especial. O tipo que 
não goza do elemento especializante é o tipo geral. 
Dos três princípios, somente o da especialidade tem previsão legal, no art. 12 CP. Sua 
previsão, porém, é incompleta, porque a especialidade não é apenas entre o CP e demais 
leis, podendo ocorrer mesmo entre artigos do Código Penal. 
O tipo especial prevalece, afastando a incidência do tipo geral. Ou seja, sempre daremos 
preferência de aplicação ao tipo especial, esteja ele no CP ou numa lei especial. 
Nos exemplos 1 e 2 acima, quando Cássio mata Paulo, configura-se o art. 121 CP. Já se 
mata o PR, houve um elemento especializante (o sujeito passivo, vítima: PR). Pelo 
princípio da especialidade, usaremos o art. 29 da Lei 7.170/83. 
Se eu matar culposamente alguém na sala de aula, praticarei o crime do art. 121, §3º, 
CP. Mas se matar na direção do veículo automotor, aplica-se o art. 302 CTB, cujo 
elemento especializante é “na direção de veículo automotor”. 
Se Caio importou remédio proibido no Brasil (ex. 3), praticou um crime de 
contrabando, previsto no art. 334-A CP. Já se o material importado for arma de fogo 
(ex.4), há o elemento especializante do tráfico internacional de armas, incidindo o 
Estatuto do Desarmamento. 
Se a arma de fogo era de uso exclusivo das Forças Armadas (ex.5), pratica o crime de 
tráfico internacional de armas do art. 12 da Lei de Crimes Contra a Segurança Nacional. 
A relação entre os exemplos 3, 4 e 5, portanto, é de especialidade. 
 
Também é caso de especialidade o aborto e o homicídio, já que aquele é praticado antes 
do início do parto. O infanticídio é especial devido à influência do estado puerperal, 
porque o sujeito passivo é o filho, a autora é a mãe e o momento é logo após o parto 
(são vários elementos especializantes). 
 
Pt. 02 
Princípio da Subsidiariedade 
Aqui, também temos dois tipos penais, mas um deles é menos grave e o outro é mais 
grave. 
Além disso, o tipo menos grave está contido dentro do tipo mais grave. 
 Tipo menos grave e tipo mais grave 
 O menos grave está contido no mais grave 
 
 
 
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DIREITO PENAL | Teoria da Norma, Teoria do Crime e Teoria da Pena 
Ex.: constrangimento ilegal e roubo; ameaça e estupro. 
O estupro contém dentro de si a grave ameaça, ou seja, há um crime menos grave 
contido no mais grave. 
Enquanto na especialidade a comparação entre os tipos é no plano abstrato, aqui a 
solução do conflito ocorrerá no plano concreto. Isso significa que olharemos para o 
caso concreto ocorrido. 
 
Aqui, teremos um tipo SUBSIDIÁRIO e outro PRINCIPAL, como o próprio nome do 
princípio demonstra. 
O tipo principal será o mais grave. O tipo subsidiário será o menos grave. 
O tipo principal (+ grave) prevalece sobre o tipo subsidiário (- grave). 
 
A subsidiariedade pode ser expressa ou tácita. Na subsidiariedade expressa, o tipo é 
EXPRESSO ao declarar sua subsidiariedade, como o art. 132 CP, ou seja, é quando o 
artigo diz “se não configurar crime mais grave”. Outro exemplo consta na Lei 
10.826/2003. 
A subsidiariedade tácita decorre da interpretação sistemática da ordem jurídico-penal. 
Interpretando sistematicamente, você percebe que um tipo é subsidiário é menos grave e 
está contido no outro. 
 
Com o advento da Teoria Finalista da Conduta, criada há quase 100 anos na Alemanha 
por Welzel, toda conduta tem uma finalidade. Uma mesma conduta pode ter várias 
finalidades. Se saco minha arma e aponto para A, posso querer roubar, matar, lesionar, 
ameaçar, torturar... Uma finalidade eu preciso ter, seja qual for. 
Dentro do iter criminis, temos cogitação, preparação, execução e consumação. Se tudo 
correr bem, conforme o preparado, haverá a consumação. Mas pode ser que o agente 
inicie os atos executórios e não consume o crime, seja porque desistiu de prosseguir e 
foi embora (desistência voluntária – art. 15 CP); seja porque esgotou os atos 
executórios, se arrependeu e atuou em sentido contrário para evitar a consumação 
(arrependimento eficaz – art. 15 CP); seja porque depois de iniciar os atos executórios o 
agente percebeu que o agente jamais se consumaria, porque o objeto era absolutamente 
impróprio, ou porque o meio era ineficaz (crime impossível – art. 17 CP); seja porque a 
consumação não foi atingida por motivos alheios à vontade do agente (art. 14, II, CP – 
tentativa). 
 
 
 
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DIREITO PENAL | Teoria da Norma, Teoria do Crime e Teoria da Pena 
Esses institutos ocorrem no âmbito dos atos executórios (e, portanto, integram o iter 
criminis). Ou o sujeito consuma o crime, ou acontece uma dessas possibilidades: (1) 
desistência voluntária; (2) arrependimento eficaz; (3) crime impossível; (4) tentativa. 
Como consequência da desistência voluntária ou do arrependimento eficaz (art. 15 CP), 
o agente responderá pelos atos já praticados. Não responde pela tentativa, e nem 
poderia, porque nesta o agente não consuma o crime por motivos alheios à sua vontade. 
Já na desistência voluntária e arrependimento eficaz, o crime não se consuma por 
motivos inerentes à vontade do indivíduo. Olhamos para os atos já praticados e vemos 
se correspondem a algum crime: se corresponderem, o agente responderá por ele, se não 
corresponderem não haverá responsabilização penal. 
Na tentativa, o agente responderá por tentativa daquele crime que intentava cometer. 
Ex.: tentativa de homicídio, tentativa de lesão corporal, tentativa de estupro... 
Com o advento da Teoria Finalista, a subsidiariedade tácita tem âmbito de aplicação 
restrito. Como dissemos, há dois caminhos possíveis: a consumação ou um dos 
institutos elencados acima. Se não consumar, haverá tentativa, arrependimento eficaz, 
desistência voluntária ou crime impossível. 
O âmbito da incidência da subsidiariedade tácita, para compatibilizá-la com a teoria 
finalista, é só no âmbito do arrependimento eficaz ou na desistência voluntária. No 
crime impossível e na tentativa, não se aplica a subsidiariedade. 
Se só há possibilidade de consumação ou esses institutos, onde inseriremos a 
subsidiariedade tácita? Apenas quando houver desistência voluntária ou arrependimento 
eficaz. 
Quero matar Lucas afogado, ele não sabe nadar. Quando vejo que ele está quase 
morrendo, arrependo-me, entro na água e o salvo. Não respondo por tentativa de 
homicídio, porque ele não deixou de morrer por motivo alheio à minha vontade. Há um 
tipo subsidiário, que é a exposição da vida de outrem a perigo. 
Se o agente quer estuprar a vítima, aponta para ela a arma e manda tirar a roupa porque 
quer realizar conjunção carnal. Depois que a vítima tira a roupa, ele resolve deixar pra 
lá e manda a vítima embora. Foi desistência voluntária, porque nem iniciou os atos 
executórios, nem quis continuar com a prática do crime. 
Há constrangimento ilegal, por subsidiariedade tácita. 
 
Pt. 03 
 
 
 
 
 
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DIREITO PENAL | Teoria da Norma, Teoria do Crime e Teoria da Pena 
Princípio da Consunção 
A Consunção tem 03 vertentes: 
 Crime progressivo 
 Progressão criminosa 
 Post factum impunível 
 
Crime Progressivo 
Existem dois tipos. O dolo do agente é um só: praticar o crime B. Porém, para chegar ao 
crime B, ele precisa necessariamente passar pelo crime A. 
O iter criminis é para consumar o crime B, mas um ato executório constitui A. B é um 
crime-fim, e A é considerado um crime-meio. 
Ou seja, o agente tem por objetivo praticar crime-fim, mas o crime-meio é um fato 
necessário, ou seja, é uma fase de preparação ou de execução. 
O dolo do agente é consumar o crime-fim, mas para chegar a ele o crime-fim constitui 
uma fase normal de preparação ou de execução. Não é um meio opcional, é um meio 
necessário. 
Ex.: a violação de domicílio é crime necessário para o crime de furto quanto aos bens 
que a guarnecem. Não há como entrar na casa para furtar sem violar domicílio.