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Direito Penal. Parte Geral. Prof. Gabriel Habib. 2018

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inserir o regime inicialmente fechado. Portanto, 
poderia depois haver a progressão de regime. 
Para o professor, continua havendo inconstitucionalidade, porque a lei continua 
prevento o mesmo regime para todos, impedindo a individualização da pena. O STJ 
reconheceu isso posteriormente, havendo ainda decisões do STF neste sentido. Afinal, o 
juiz ainda está impedido, p.e., de fixar o regime semiaberto diretamente na sentença. 
 
Norma e Lei 
Pt. 03 
Qual a diferença entre norma e lei? O dispositivo está no papel, a norma está na nossa 
cabeça. Ou seja, a norma é o que extraímos do dispositivo. 
O sinal ao lado é apenas um dispositivo, trata-se apenas de um 
cigarro com um traço vermelho ao lado. A norma “proibido 
fumar” está na nossa cabeça, ela depende de um conhecimento 
prévio. O mesmo quando vemos uma bola verde se acender no 
trânsito. A norma é o que extraímos dali (o “siga”). 
Norma é o que retiramos da lei, ou seja, é a norma de conduta. 
 
 
 
 
 
 
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DIREITO PENAL | Teoria da Norma, Teoria do Crime e Teoria da Pena 
Lei Penal no Tempo 
Tempo do Crime 
Quando o tempo é considerado praticado? Se a conduta e o resultado se deram hoje, 
num mesmo dia, não há dúvidas de que o crime foi praticado hoje. A complexidade é 
quando conduta e resultado estão destacados no tempo, dando-se em momentos 
diferentes. 
Ex.: a conduta ocorre hoje (dou uma facada nele) e o resultado só acontece daqui a 15 
dias (morte). 
Para esse segundo caso, surgiram algumas teorias para responder quando o crime é 
considerado praticado, se na conduta ou no resultado: 
1. TEORIA DA ATIVIDADE => para a Teoria da Atividade, o crime é 
considerado praticado no momento da conduta do agente, independentemente 
do momento em que se produziu o resultado. Para esta teoria, o crime é 
praticado quando dou a facada, mesmo que o sujeito só morra daqui a 15 dias. 
2. TEORIA DO RESULTADO => o crime é considerado praticado no momento 
do resultado, independentemente de quando se deu a conduta. 
3. TEORIA MISTA OU DA UBIQUIDADE => para esta teoria, o crime é 
considerado praticado tanto no momento da conduta como no momento do 
resultado. 
 
O art. 4º CP adotou a TEORIA DA ATIVIDADE (considera-se praticado o crime no 
momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado). 
 
Obs.: uma mulher está com oito meses e meio de gravidez quando um agente, com 
intuito de matá-la, dispara com arma de fogo contra ela. A mulher morre, mas a criança 
é salva, só que morre 15 dias depois do nascimento. O laudo cadavérico atesta que a 
causa da morte foi o disparo de arma de fogo contra a mãe logo antes do nascimento. O 
crime é aborto ou homicídio? Em relação à mulher, é fácil que houve crime de 
homicídio. Com oito meses e meio, é óbvio que o sujeito sabia que ela estava grávida, 
então no mínimo o sujeito assumiu o risco de causar a morte da criança (dolo indireto, 
eventual). 
Tanto aborto como homicídio são crimes contra a vida e vão para o Tribunal do Júri. A 
diferença entre ambos é se foi antes ou depois do parto: se o ato foi antes do parto, é 
aborto; se foi depois, então é homicídio. 
 
 
 
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DIREITO PENAL | Teoria da Norma, Teoria do Crime e Teoria da Pena 
O parto normal se inicia com o rompimento do saco amniótico. A cesariana se inicia 
com as incisões abdominais. A partir desses marcos, a supressão da vida humana já 
configura homicídio. 
No caso do nosso exemplo, quando o agente praticou a conduta não havia o início do 
parto. Quando a criança morreu, já ocorrera o parto: a criança nasceu de cesariana. 
O crime se considera praticado no momento da conduta, e quando praticou a conduta 
não havia início do parto. Portanto, o crime praticado é de ABORTO. 
 
Atividade e Extratividade da Lei Penal 
A lei nasce pelo devido processo legal legislativo e, em regra, morre pela revogação por 
lei posterior (uma lei só se revoga por outra lei). Enquanto não houver lei posterior 
revogando, a lei vigerá ad eternum, tanto que ainda temos uma lei de 1908 (mais de 100 
anos). 
Entre o nascimento e a morte da lei, como regra ela produz VIGÊNCIA e EFICÁCIA. A 
lei pode ter vigência sem ter eficácia (ex.: essa lei entra em vigor 02 meses após a sua 
publicação), que é o que denominamos de vacatio legis. 
Esse período entre o nascimento e morte em que a lei produz vigência e eficácia se 
chama de período de atividade da lei. Período de atividade da lei é o período dentro 
do qual a lei produz vigência e eficácia, entre a sua sanção e a sua revogação. 
Todos os fatos praticados durante o seu período de atividade são regulamentados por 
essa lei. A isso chamamos de princípio do tempus regit actum. 
Tempus regit actum = aplicação da lei a todos os fatos praticados durante seu período de 
atividade. 
A lei não se aplica aos fatos praticados durante todo o seu período de vigência, nem 
pode ser aplicada após cessada a sua eficácia pela revogação. 
Se pelo tempus regit actum a lei só regula fatos praticados durante sua atividade, não 
podemos aplicar uma lei que ainda não existia na época, o que fugiria da atividade. Se a 
lei for revogada, essa revogação mata a eficácia da lei; podemos continuar a aplicá-la? 
Como aplicar uma lei sem eficácia? Na vacatio, a lei não tem eficácia, por isso também 
não pode ser aplicada. 
A revogação aniquila a eficácia da lei. Portanto, a lei penal não pode ser aplicada a fatos 
praticados antes do seu início de vigência, nem pode ser aplicada depois de cessada sua 
eficácia. 
 
 
 
 
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DIREITO PENAL | Teoria da Norma, Teoria do Crime e Teoria da Pena 
A extratividade é (1) aplicar a lei a fatos cometidos antes do seu início de vigência, ou 
(2) continuarmos aplicando a lei depois de sua revogação. 
A aplicação da lei a fatos praticados antes da sua vigência é chamada de 
retroatividade. A aplicação da lei depois de sua revogação é ultratividade. 
Portanto, a extratividade é a possibilidade de aplicação da lei a fatos cometidos antes do 
seu início de vigência (retroatividade) ou a fatos cometidos durante sua atividade, 
mesmo depois de revogada (ultratividade). 
Extratividade é gênero que comporta 2 espécies: retroatividade e ultratividade. 
 
A regra geral é que a eficácia da lei penal no tempo é por ATIVIDADE, e 
excepcionalmente por EXTRATIVIDADE. 
Regra: atividade 
Exceção: extratividade (retroatividade e ultratividade) 
 
Sucessão de Leis no Tempo 
Usaremos a extratividade quando houver uma sucessão de leis no tempo. Ex.: antes da 
atual lei de tóxicos (nº 11.343/2006), vigia a Lei 6.368/76, que previa uma pena de 3 a 
15 anos para o tráfico e uma pena de 6 meses a 2 anos para o uso. Atualmente, a lei 
prevê uma pena de 5 a 15 anos para o tráfico, e penas não prisionais para o usuário. Se o 
sujeito cometeu o crime na vigência da lei antiga, qual lei aplicaremos? Aqui, há 
evidente sucessão de leis penais no tempo. 
Outra questão é a progressão de regime (art. 112 LEP). O prazo para progressão é de 1/6 
para os crimes em geral (a LEP data de 1984). Em 2007, adveio a Lei 11.464, que 
alterou os prazos para crimes hediondos e equiparados, passando a ser de 2/5 se 
primário e 3/5 se reincidente. 
O crime considera-se praticado no momento da conduta. Como regra, aplicamos a 
atividade, exceto quando houver sucessão de leis no tempo (que é o caso aqui). 
Portanto, a fração para progressão de regime no crime hediondo ou equiparado 
dependerá das normas que veremos a seguir. 
 
Aula 02 – Pt. 01 – 05/02/2015 
Hipóteses de sucessão de lei penal no tempo: 
 
 
 
 
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DIREITO PENAL | Teoria da Norma, Teoria do Crime e Teoria da Pena 
1. Lei posterior mais grave do que a anterior (lex gravior, novatio legis in 
pejus) 
A lei posterior mais severa jamais pode retroagir. Estaríamos dando a essa lei uma 
retroatividade

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